Desenvolvimento teórico



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Encontro02.08.2016
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  1. DESENVOLVIMENTO TEÓRICO

As imagens chegam à consciência humana através do olhar. Este ato tão simples, pois basta que os olhos sejam mantidos abertos, está repleto de significados que podem influenciar, desenvolver condutas ou ainda afetar o emocional de quem observa. Dessa maneira, a imagem possui características poderosas que penetram nossa sensibilidade, sugerindo idéias, inculcando valores ou simplesmente promovendo o consumo. Porém, entre olhar uma imagem e ver uma imagem existe uma longa distância. Nem sempre olhar, pressupõe compreender o que vemos.

Esta compreensão implica na manutenção de um diálogo com a obra de arte, da mesma forma como dialogamos com as idéias de um escritor ao lermos um texto que o mesmo produziu. Dessa maneira, o estudo da arte e das imagens produzidas em determinados períodos históricos, possibilitam não só condições de ampliar o conhecimento cultural e pessoal, mas também um entendimento mais apurado de como se estrutura a ordem social.

O homem moderno, dominado pela racionalidade, se distanciou da lógica perceptiva dos mecanismos internos, percebendo a realidade através de fragmentos que o afastam da noção de que faz parte da história como sujeito transformador. Esta adaptação à racionalidade, a perda da noção do todo, e a velocidade de informações produzidas no cotidiano, dificultam a percepção das intrincadas estruturas da sociedade humana. Através deste mecanismo “fragmentador” a arte não foi poupada, sendo considerada pelo senso comum, como uma entidade sem voz, silenciosa, que apenas alguns privilegiados compreendem e que a maioria concebe como inútil.

O significado da palavra "arte" variou muito ao longo dos tempos e das civilizações. O primeiro momento em que constatamos o fazer artístico pelo homem é a pré-história, e provavelmente neste período, a arte expressava o sentido exclusivamente prático de relação com a natureza e com sobrenatural (mágico) que tinham os homens. Já na antiguidade, era sinônimo de ofício, se ajustando a técnica, ao saber fazer. Na Idade Média, a arte serviu aos propósitos de “catequização” da Igreja Católica sendo útil, (de acordo com o Papa Gregório IX) “aos ignorantes da mesma forma que um livro era útil aos letrados”.

No Renascimento, a história observou um momento bastante profícuo da arte, já que neste período ocorreram diversos progressos científicos e incontáveis realizações no campo das artes, destacando-se especialmente grandes mestres como Da Vinci, Michelangelo e Rafael. Só no século XIX a palavra passou a ser aplicada predominantemente à criação estética e, no século XX, freqüentemente se restringe às artes plásticas.

Ao conceituar um fenômeno como a arte, observamos que é indispensável a fixação de três aspectos: a arte é produto de um ato humano criativo, ela corresponde às concepções ideológicas da sociedade em que aparece e é universal, intrínseca ao ser humano. Dessa forma, parece-nos que o aspecto mais determinante na identificação de uma obra de arte é o fato de a mesma se constituir uma atividade humana que consequentemente, reflete as relações que os sujeitos constituem historicamente em sociedade.


  1. ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO

O encaminhamento metodológico para a leitura da obra de arte considerará a seqüência a baixo:


1- Assunto;
2- Técnica;
3- Movimentos Artísticos;
4- Luz e Sombra;
5- Momento Histórico;
6- Simbologia;
7- Interpretação Pessoal.

  1. ASSUNTO

O assunto consiste no primeiro passo básico para a decodificação de uma obra de arte. Ao vermos e compreendermos o assunto abordado pelo artista, podemos sintetizar a elaboração e as intenções do trabalho analisado.




  1. TÉCNICA

A técnica, literalmente é o modo de fazer, ou seja, que recursos, materiais, cores, ou composição o artista utilizou para realizar seu trabalho.




  1. ESCOLA

Podemos classificar a História da Arte de acordo com uma escala temporal, levando em conta que esta forma de concebê-la, não precisa, necessariamente, ser seguida linearmente.



Movimentos artísticos:

- Renascimento Italiano (nascimento da era moderna e do racionalismo);

- Impressionismo (máquina fotográfica, burguesia);

- As Vanguardas Européias (1ª e 2ª Guerras Mundiais).



4-LUZ E SOMBRA

Quando falamos de luz e sombra nas artes plásticas, devemos pensar nestes elementos como muito importantes na determinação de algumas sensações visuais. Grandes mestres como Leonardo da Vinci e Rembrandt, utilizaram este recurso para impregnar suas obras de uma aura misteriosa ou mesmo dramático.


5 - MOMENTO HISTÓRICO
A história é palco de diferentes estilos artísticos que se desenvolveram de acordo com cada período específico. Através da arte então, podemos compreender os homens e as ideologias as quais estes estavam submetidos. O artista é uma “antena parabólica” que capta as idéias de seu tempo e as materializam através de sua obra, sem, no entanto deixar de expressar sua genialidade.



  1. SIMBOLOGIA

O universo das artes é vastíssimo e carregado de significados alegóricos. O homem utilizou-se da visualidade e do desenho para representar conceitos abstratos, estabelecendo com o observador, um diálogo relativo às questões da vida humana.

Se nos reportarmos a elitização da arte, perceberemos que este observador certamente estaria preparado para compreender todas as representações simbólicas. Podemos citar como exemplo a obra Alegoria (Vênus, Cupido, Loucura e Tempo) de Bronzino, destinada ao seleto grupo da corte de Francisco I, rei da França, ou ainda as elaboradas cenas egípcias carregadas de sentido religioso para aquele povo.



  1. INTERPRETAÇÃO PESSOAL

A interpretação pessoal de uma imagem é de extrema importância, pois ao olhar e analisar, estaremos utilizando todo um referencial de conhecimento prévio, acumulado por nós. Além disso, estaremos também desenvolvendo um aspecto importante para o espírito humano que é a fruição, ou seja, o prazer pessoal de nos deleitarmos ao olhar e estabelecer um diálogo com a obra.


  1. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMARAL, Aracy. Arte para quê? São Paulo: Nobel, 1994.


ARNHEIM, Rudolf - Arte e percepção visual: uma psicologia da visão criadora. 7ª ed. Trad. Ivone Terezinha de Faria. São Paulo: Pioneira, 1992.
CUMMING, Robert Para entender a Arte – Ed. Ática, 1996
GOMBRICH, E. H. - Arte e Ilusão: um estudo da psicologia da representação pictórica. Trad. Raúl de Sá Barbosa. São Paulo: Martins Fontes, 1986.
PANOFSKY, Erwin – Significado nas artes visuais. 3ª ed. Tradução Maria Clara F. Kneese e J. Grinsberg. São Paulo: Perspectiva, 1991.


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