Dia do Islamismo



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PROJETO DE LEI Nº 396, DE 2008
Institui o "Dia do Islamismo".



A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:

Artigo 1º - Fica instituído o “Dia do Islamismo”, a ser comemorado, anualmente, no dia 12 de maio.

Artigo 2º - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.


JUSTIFICATIVA

O Projeto de Lei ora apresentado tem por finalidade prestar a devida homenagem a uma comunidade há muito presente e atuante em nosso país, e também a uma religião que, apesar de sua imensa contribuição para o progresso científico, cultural e espiritual da humanidade, sua história extremamente bela e rica e de sua participação na história do Brasil desde o seu descobrimento até os dias de hoje; permanece ainda como uma grande desconhecida para grande parcela do povo brasileiro: O Islamismo e a comunidade islâmica.

Fundada pelo profeta Muhammad no início do século VII, a religião islâmica é hoje a segunda maior do mundo em números de adeptos, ficando atrás apenas do Cristianismo.

Sua doutrina está contida no Corão, livro sagrado revelado por Deus ao Profeta Muhammad, através do anjo Gabriel, que serve como guia e orientação a toda humanidade, com sua mensagem de paz e amor, além de colaborar e aprimorar tudo aquilo que fora revelado antes nos Evangelhos e na Tora. Isso mesmo! Muitos não sabem, mas o Islã respeita e reconhece como verdadeiras as religiões Judaica e Cristã. Jesus, Maria, Moisés, Abraão, Isaque, Ismael, Jacó, Zakaria, João Batista e todos os outros Profetas de Deus, que fizeram a história do Cristianismo e do Judaísmo são citadas no Corão, aliás o Corão inteiro é de uma beleza intensa e luminosa. Sua leitura é uma experiência extremamente saudável e enriquecedora.

Nestes tempos de “Guerra ao Terrorismo”, está em curso uma campanha sombria de difamação e desinformação a respeito dessa grande e nobre religião. Muita propaganda negativa tem sido passada através dos meios de comunicação, e assim como os argumentos falsos usados para iniciar uma guerra contra um país islâmico, muito dessa propaganda é também falsa, e isso acaba criando uma impressão negativa em quem tem pouco ou nenhum conhecimento sobre o Islã e seus fundamentos.

Para criticar algo é necessário conhecer e estudar a fundo esse algo, sob o risco dessa crítica ficar sem base e argumentos sólidos. E é exatamente isso que vem ocorrendo nos últimos tempos.

Para amenizar essa situação e procurar esclarecer as pessoas um pouco mais a respeito disso, voltaremos um pouco na história, e vejamos o que os islâmicos produziram e quais foram suas contribuições para a humanidade.

O advento do islamismo produziu um impressionante salto em todos os campos do conhecimento humano, e dele surgiu uma civilização extremamente culta e tolerante. A ciência e o conhecimento sempre tiveram lugar de destaque em seu seio, e o próprio profeta sempre incentivou a busca pela ciência e o conhecimento em todos os campos.

Disse ele: “Busque a ciência do berço ao túmulo”.

E essa busca nunca tem fim, pois cada nova descoberta sobre algo leva a outra e a outra e assim por diante até o infinito. Sob o Islã o conhecimento humano avançou tanto e tão rápido como jamais havia acontecido na história. Em cada lugar onde chegava essa linda mensagem vinha acompanhada de muita iluminação e progresso. Não eram simples conquistas para subjugar povos e tomar seus bens, longe disso, era para trazer uma nova mensagem e um novo conceito de vida, de política, da relação entre os homens e o Criador, de comunidade, enfim uma nova visão de mundo. Jamais o Islã foi imposto a povo algum. Todos que abraçaram fizeram por vontade própria, por ter o privilégio de acesso a uma crença extremamente simples e bela, com uma linguagem de fácil acesso a todos os povos, livre de mistérios e mistificações e sem intermediários, em sua relação com o Criador. Esse foi o verdadeiro motivo da incrível expansão da religião islâmica no mundo.

“Jamais conheceu a História um conquistador tão generoso como o árabe” (Gustavo Le Bon – A Civilização Árabe)

Dois séculos após seu início o Islã já se encontrava presente em todo o oriente médio, norte da África e em partes da Espanha e da Itália, e em países mais ao oriente como Índia, Indonésia e grande parte da Ásia, tudo isso graças a sua mensagem de paz, tolerância e conhecimento. Em todos esses lugares exerceu uma influência civilizadora estupenda, levando o progresso e dando início a uma civilização cultural extremamente rica que produziu e aprimorou ciências em todos os campos do conhecimento universal.

Milhares de estudos e tratados foram florescendo em todos os cantos onde o Islã havia se instalado. Filosofia, Literatura, História, Geografia, Matemática, Astronomia, Física, Química, Mecânica, Medicina, Ciências Naturais como Botânica, Estudo dos Metais, dos Fósseis, dos Animais, Artes de todos do tipos, Arquitetura esplêndida, Comércio, Indústria, etc. Não há um só campo do conhecimento humano que os islâmicos não tenham estudado e aprimorado.

Para dar apenas uns poucos exemplos, uma vez que a lista é muito extensa, citaremos alguns nomes de grandes estudiosos e cientistas.árabes e islâmicos que deram a base para o progresso científico da humanidade até os dias atuais.

ASTRONOMIA

Abul Hassan (Século XIII): Compôs diversos tratados de astronomia, entre eles “Tratado das Secções Cônicas” e Começos e Fins”, esta última traduzida por Sedillot com o título “ Tratado dos Instrumentos Astronômicos”

Abul Wefa (Século X): Astrônomo Árabe que também teve obras traduzidas por Sedillot.

Abategni (Século IX): Compôs a obra “De Scientia Stellarum” , traduzida diversas vezes a partir de 1537.

Albumazar (Século VIII): Compôs “ Introductotium in Astronomiam” , traduzido para o latim em 1489. Compôs também “Livre de L’ élongation”, traduzido para o latim e publicado em 1489 e 1515.

Alkindi (século IX): Este autor compôs mais de 200 tratados astronômicos.

Alfergani (século IX): Compôs “Elements D’Astronomie”, traduzido no século XII e relançado em 1493 e 1669.

Amadjur (século IX): Autor da “Tábua Abelia”.

Arzachel (século XI): Compôs “Tábuas Astronômicas Toletanas” , importante obra que serviu de base às “Tábuas Afonsinas”.

Ibn Junis (Século X): Este autor compôs a mais importante obra árabe sobre astronomia; “Tábuas Hakemita” traduzida na Europa em 1804.

MEDICINA

Albucasis (Século XII): o mais famoso cirurgião árabe. Suas obras foram traduzidas diversas vezes na Europa, sendo a melhor e mais utilizada delas “Medendi Methodus Certa” de 1541.

Alchindus (Século XI): Compôs diversos tratados medicinais, entre eles “De Medicinarum Compositarum Gradibus Investigandis Libellus” , impresso e reimpresso diversas vezes de 1531 a 1603.

Avenzoar (Séculos XII): Compôs “De Rectificationis” traduzido em 1490.

Averroes (Século XII): Compôs excelentes tratados medicinais entre eles “Theriaca” traduzido em Veneza em 1552 e “Venenis Líber” traduzido em Lugduni em 1517.

Avicena (Século X): O mais célebre médico árabe de todos os tempos. Compôs “ Cânon Medicinae” cuja primeira tradução apareceu em Veneza no ano de 1484. Foram publicados vários comentários e estudos sobre suas obras até o final do século XVIII.

Haly Abbas (Século X): Também conhecido como AlMaleki, compôs uma gigantesca obra em 50 volumes cuja tradução para o latim levou o título de “Libertotius Medicinae” em 1492.

MATEMÁTICA

Alkharki : Matemático árabe que teve um tratado de álgebra traduzido por Weepke em 1853.

Alkhawarizmi (Século IX) : Muitos não sabem, mas a palavra “Algarismo” é uma homenagem a esse ilustre matemático. Compôs a obra “Elements D’algébre” traduzido para o inglês por Rosen em 1831. Houve também uma tradução para o latim feita por Rodolfo de Bruges no século XII.

Mohamad Bem Musa (Século IX) : Compôs a obra “A Álgebra” traduzida diversas vezes em vários países da Europa.

Thebit Din Korrah (Século IX) : Primeiro matemático a aplicar a álgebra na Geometria.

QUÍMICA

Zadith (Século XII) : Compôs um tratado de Alquimia chamado “ Tabula Chimiae”.



Geber (Século VIII) : O mais famoso químico árabe e também considerado o primeiro químico do mundo. A biblioteca nacional de Paris possui 6 manuscritos latinos de suas obras, todos publicados, excetuando um fragmento que trata dos triângulos esféricos. Sua obra mais conhecida chama-se “ Summa Collectiones Complementi Secretorum Naturae”. Foi impressa pela primeira vez em latim em 1490, e traduzida para o francês em 1672. Existe também uma tradução inglesa das obras de Geber datada de 1668.

Alpharebi (SéculoXI) : Conhecido como alquimista, suas obras foram enumeradas por Casiri mas ainda não foram traduzidas.

E há ainda centenas de estudiosos nos mais variados campos do conhecimento humano tais como GEOGRAFIA (há mapas turcos do século XII que já mostravam o continente americano), BOTÂNICA, LITERATURA, HISTÓRIA, FILOSOFIA, SOCIOLOGIA, FÍSICA, ETC. Não há um só campo do conhecimento humano que o Islã não tenha estudado e aprimorado.

No auge do império islâmico, quando já se espalhava pela Ásia, África e Europa, os grandes centros culturais como Bagdá, Damasco, Cairo, Toledo, Granada, Sevilha e Córdova possuíam universidades, bibliotecas imensas, Centros de estudos, Cortes de justiça, iluminação pública, tudo isso ao mesmo tempo em que Londres e Paris não passavam de pequenas aldeias bárbaras. E mais tarde a Espanha tornou-se uma grande potência mundial, isso se deveu aos séculos de dominação islâmica e sua influência civilizadora e progressista.

Tamanho progresso só pôde ser conseguido devido à inspiração islâmica, pois essa religião nunca se opôs à ciência, muito pelo contrário, ela a incentivava sempre e graças a isso a humanidade pode ser o que é hoje. Não fossem as obras dos estudiosos islâmicos e as traduções das obras gregas também feitas por esses estudiosos, a humanidade não teria alcançado o grau científico em que se encontra hoje.

E por incrível que pareça, essas informações são sonegadas às nossas crianças cujos currículos escolares não despendem mais que algumas poucas aulas sobre a civilização islâmica, basicamente em aulas de história nas quais apenas é citado o início do islamismo e alguns poucos aspectos deste. Nada sobre esse imenso acervo cultural, nada sobre esses grandes estudiosos, nada sobre o conteúdo magnífico do Corão.

Assim, como forma de incentivar o diálogo inter-religioso e fazer uma homenagem a essa grande religião, é que propomos instituir o dia como o “Dia do Islamismo” pois um choque de civilizações pode e deve ser evitado. Para isso é necessário informar as pessoas de uma forma séria, sem propaganda, apenas mostrando de forma honesta o que é e o que prega essa religião.

Como diz um velho ditado: “Um inimigo é apenas alguém cuja história de vida você ainda não ouviu”.



Desta maneira, em decorrência da grande expansão de seguidores do Islam, que, desta forma, conto com o apoio dos meus nobres pares, desta Casa de Leis, para a aprovação da presente propositura.



Sala das Sessões, em 4-6-2008.
a)Haifa Madi - PDT


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