Diana Palmer irmãos tremayne 01 Série Homens do Texas 6 Digitalizado por Virginia resumo o experiente Connal rendeu-se ao ingênuo fascínio da doce Penélope



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Casamento Acidental

– Connal “C.C.” Tremayne e Penélope "Pepi" Marie Mathews –


(Título original: Connal)

Diana Palmer

IRMÃOS TREMAYNE 01

Série Homens do Texas 6


Digitalizado por Virginia
RESUMO
O experiente Connal rendeu-se ao ingênuo fascínio da doce Penélope
Penélope passou toda a adolescência venerando Connal Tremayne… à distância. Até uma noite em que, tentando proteger o misterioso solitário de sua bebedeira anual antes que aterrissasse em uma cadeia mexicana, Penélope foi forçada a entrar em uma capela, de onde saiu como a Sra. Connal Cade Tremayne. Sóbrio, ele mostrou-se furioso, pois a última coisa de que precisava era uma virgem envergonhada. O casamento estava acabado; ele tomaria providências para obter a anulação imediatamente.



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A EDITORA


DIANA PALMER Dispensa apresentações. Escritora desde a mais tenra idade dedica a maior parte de seus dias a escrever romances de amor. Sua maior realização é criar uma família imaginária e depois escrever sobre os amores da vida de cada um. Como sempre viveu no Texas, sente um imenso prazer de escrever sobre a terra que a viu crescer e desabrochar pro­fissionalmente.

Copyright © 1990 by Diana Palmer


Originalmente publicado em 1993 pela Silhouette Books, divisão da Harlequin Enterprises Limited.
Título original: Connal
Tradução: Débora S. Guimarães

Copyright © 1990 by Diana Palmer


Originalmente publicado em 1990 pela Silhouette Books, divisão da Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos reservados, inclusive o direito de reprodução total ou parcial, sob qualquer forma.

Esta edição é publicada através de contrato com a Harlequin Enterprises Limited, Toronto, Canadá.

Silhouette, Silhouette Desire e coleção são marcas registradas da Harlequin Enterprises B.V.

Todos os personagens destas obras são fictícios.

Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.

Copyright para a língua portuguesa: 1993
EDITORA NOVA CULTURAL LTDA.

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Esta obra foi composta na Editora Nova Cultural Ltda.

Impresso e distribuído: Gráfica Círculo

CAPÍTULO 1
Penélope sabia que naquele dia não o encontraria no celeiro, onde costumava ficar àquela hora. Normalmente C.C. Tremayne estava sempre dois passos à frente de seus homens no cuidado com os animais, especialmente com a seca que tornara o pasto escuro e escasso nas últimas semanas. Mesmo com o Rio Grande a poucos quilômetros de distância, a água era uma comodidade preciosa e cada vez mais rara, e os tanques esvaziavam a cada dia.

O Oeste do Texas era quente no meio de setembro, mas naquela tarde havia um vento forte que provocava um frio anormal. Apesar da jaqueta, Penélope arrepiou-se ao enfrentar o fim de tarde cinzento.

Estava começando a escurecer e tinha de encontrar C.C. antes de seu pai, pois Ben Mathews e o capataz haviam discutido várias vezes nas últimas semanas e queria evitar um novo confronto. Ben ficava de mau humor quando o dinheiro desaparecia, e a situação financeira não podia ser pior.

Sabia que C.C. estava bebendo. Conhecia a importância daquele dia de setembro na vida do capataz, pois certa vez cuidara dele durante uma febre e ele havia delirado, revelando detalhes do passado. C.C. não gostava de falar sobre sua vida pessoal e ela jamais o deixara perceber que sabia alguma coisa, pois amava-o mais que a própria vida.

Não era um amor correspondido. Cuidava dele havia três anos, desde que fora contratado para substituir o antigo capataz, e nem assim conseguira despertar seu amor. Apaixonara-se no primeiro instante, encantada com o rosto sério e duro do jovem de olhos negros e misteriosos.

Ainda não estava escuro, mas havia luz no alojamento. Os em­pregados estavam fora recolhendo o rebanho e era época de reprodução do gado, quando trabalhavam duro e só voltavam tarde da noite. Portanto, só podia ser C.C… bebendo. Ben Mathews não permitia o uso de bebidas na fazenda, e não pouparia nem mesmo o homem que mais respeitava e considerava.

Penélope tinha os cabelos louros presos por uma fita de veludo que combinava com o tom dos olhos castanhos, mas levou a mão ao rosto para afastar uma mecha que o vento havia soltado. Não era bonita, mas possuía um certo encanto, apesar de achar-se rechonchuda demais. Os cabelos claros adquiriam um tom avermelhado quando banhados pelo sol, e as sardas sobre o nariz lhe davam um ar de menina travessa. Com um pouco de cuidado teria se transformado numa mulher charmosa, mas insistia em comportar-se como um moleque. Cavalgava como os peões e lidava com o gado sem nenhuma dificuldade, mas freqüentemente invejava a aparência de Edie, a sofisticada loura com quem C.C. vinha saindo recentemente, uma mulher elegante que, apesar do divórcio, não perdera o brilho magnético dos grandes olhos azuis. Era uma escolha estranha para um capataz, mas Penélope tentava não pensar nisso. Conhecia os motivos pelos quais C.C. a escolhera, e isso a feria.

Nervosa, parou na porta do alojamento e esfregou as mãos frias no jeans antes de bater.

A resposta foi direta:

— Vá embora!

Firme, ela abriu a porta e entrou no grande aposento comunitário ocupado por leitos simples. No final do salão havia uma pequena cozinha onde os homens podiam preparar a própria comida, mas ninguém passava muito tempo no alojamento, pois a maioria dos empregados era composta por homens casados que possuíam casas na fazenda. Na época do inventário e da reprodução do gado, vários peões eram contratados em regime temporário e C.C. dividia o espaço com eles. Neste ano seis homens prestavam serviço na fazenda, mas partiriam em uma semana e C.C. voltaria a ser o único ocupante do alojamento.

Ele estava recostado numa cadeira, os pés apoiados sobre a mesa e o chapéu caído sobre os olhos, escondendo os cabelos empoeirados. Uma das mãos segurava um copo de uísque.

— O que você quer? — perguntou com tom rude.

— Salvar sua pele, se puder — ela disse, batendo a porta. Depois tirou a jaqueta e foi para a cozinha preparar um bule de café.

— Vai me salvar outra vez, Pepi? — riu, usando o apelido que todos conheciam. — Por quê?

— Porque morro de amor por você — respondeu com sarcasmo. Era verdade, mas falara como se fosse uma grande piada.

Ele riu, esvaziou o copo e olhou para a garrafa que havia deixado sobre a mesa.

Pepi foi mais rápida e alcançou-a primeiro, despejando lodo o conteúdo na pia da cozinha antes que ele pudesse levantar-se.

— Sua maluca! — C.C. exclamou. — Era a última que eu tinha!

— Ótimo! Não vou precisar revirar o alojamento para encontrar as outras. Sente-se e trate de tomar o café que eu fiz. Vai colocá-lo de pé antes que papai o encontre — e levou o bule para a mesa. — Ele está revirando as montanhas à sua procura, e sabe muito bem o que vai fazer se o encontrar neste estado.

— Mas ele não vai me encontrar, não é, meu bem? — Com passos hesitantes, aproximou-se e segurou-a pelos ombros, fazendo-a encostar-se em seu peito. — Você vai me salvar, como sempre.

— Um dia desses eu posso não chegar a tempo, e então quero ver como vai se arrumar.

Penélope cravou os olhos preocupados no rosto másculo e sentiu arrepios. Ele nunca a tocava, exceto por brincadeira ou quando estavam dançando, e a proximidade a perturbava.

— Só você se preocupa comigo — disse ele. — E eu não sabia que ia gostar de ser pajeado por uma garota com metade da minha idade.

— Eu não tenho metade da sua idade. Onde estão as xícaras? — perguntou, usando a desculpa para afastar-se.

— Quantos anos tem?

— Está cansado de saber que tenho vinte e dois.

— E eu tenho trinta. Por que perde tempo comigo?

— Porque você é importante para a fazenda. Quando foi contratado, nós estávamos à beira da falência, lembra-se? Papai deve muito a você, mas continua odiando bebidas alcoólicas.

— Por quê?

— Porque mamãe morreu num acidente de automóvel um ano antes de você chegar, e meu pai estava dirigindo quando tudo aconteceu. E havia bebido.

Penélope encheu uma xícara com o líquido forte e quente e levou-a para a mesa. C.C. voltara a sentar-se e passava as mãos na cabeça.

— Está doendo? — ela perguntou, reconhecendo o gesto.

— Ainda não — e tomou um pouco do café que ela oferecia. — Ei, o que pôs aqui?

— Nada de especial. Usei o dobro da medida normal para apressar o efeito.

— Eu não quero ficar sóbrio!

— Eu sei, mas não quero que seja demitido. Afinal, você é o único por aqui que não me trata como um caso perdido. Além de papai, é claro.

— Então empatamos, porque você é a única que se preocupa comigo. Pelo menos nos últimos anos…

— Edie também cuida de você.

— É, acho que sim. Nós nos entendemos bem.

Sabia que ele estava pensando no relacionamento ardente que mantinha com a loura, mas fingiu não entender. Levantou-se e, com um sorriso forçado, encheu novamente a xícara.

— Beba tudo, companheiro. O vigilante da ordem e dos bons costumes já deve estar por perto.

— Estou melhor — ele disse, depois de terminar a segunda xícara. — Pelo menos com relação à bebedeira. Meu Deus, como odeio dias como o de hoje — e acendeu um cigarro.

Penélope não podia dizer que o compreendia sem trair seu segredo, mas lembrava-se de como ele havia gritado durante o pesadelo que trouxera o passado de volta. Pobre homem torturado. Perdera a esposa grávida num acidente de barco ao qual ele tivera a infelicidade de sobreviver, e culpava-se por estar vivo enquanto a mulher e o filho estavam mortos.

— Acho que todos nós temos dias bons e ruins — comentou. — Se já está bem, vou voltar para a minha cozinha. Papai faz questão de sua torta de maçã, e eu fiquei a tarde toda na frente do forno.

— Que dedicação! Brandon vem visitá-la esta noite?

Envergonhada, respondeu:

— Brandon é o veterinário da fazenda.

— Mas podia ser seu namorado. Você já é uma mulher adulta, e precisa da companhia de um homem.

— Obrigada, mas eu conheço minhas necessidades. Trate de enfiar a cabeça num balde de água e lavar a boca com menta.

— Mais alguma coisa, mamãe?

— Só uma: pare de beber, porque isso só piora as coisas.

— Você é tão esperta, Pepi! Pena que ainda não tenha vivido o bastante para saber porque alguém bebe.

— Vivi o suficiente para saber que ninguém resolve um problema fugindo. E não resmungue, porque estou dizendo a verdade e você sabe disso. Passou anos vivendo no passando, deixando que ele o assombrasse… — e, vendo que ele a encarava com um brilho de suspeita nos olhos, disse: — Não quero ser intrometida, mas conheço um homem atormentado de longe. Porque não tenta viver o presente, C.C.? Não é tão ruim, mesmo que seja época de reprodução e inventário. Até logo.

Estava tão nervosa, que dirigiu-se à porta sem apanhar a jaqueta, e só lembrou-se dela quando o vento gelado a atingiu. Virou-se para ir buscá-la e trombou em C.C.

Vista isso, ou vai congelar.

Segurou a jaqueta para que ela a vestisse e, de maneira inesperada, segurou-a pelos ombros, abraçando-a com ternura.

— Não perca tempo comigo, Pepi — disse. — Eu não tenho nada para oferecer.

— Você é meu amigo, C.C., e eu só quero conservar essa amizade. — mentiu.

— Melhor assim — e soltou-a. — Eu não gostaria de magoar alguém de quem gosto tanto.

Penélope abriu a porta e olhou para trás, sorrindo para o homem que acabara de destruir seus sonhos:

— Da próxima vez que quiser entrar em órbita, tente as pimentas do Charlie. Sua cabeça vai girar como um pião, mas pelo menos não vai ter de suportar a ressaca no dia seguinte.

— Saia daqui! — ele riu.

— Se eu encontrar meu pai, vou dizer que você estava tomando um lanche antes de ir alimentar a criação — e fechou a porta, deixando-o sozinho com suas reclamações.

Quando chegou em casa, o pai a esperava na sala e fitou-a com olhos desconfiados.

— Onde esteve? — perguntou.

— Vendo os carneiros — mentiu com ar inocente.

— Carneiros, ou um sujeito chamado C.C.?

— Bem…

— Pepi, se eu pegar C.C. com uma garrafa, vou esquecer que é o melhor capataz do mundo e o porei para fora a pontapés.



— Ele estava tomando um lanche no alojamento, e eu fui ver se queria um pedaço da minha… desculpe, da sua torta de maçã.

— Aquela torta é minha, e não vou dividi-la com ninguém!

— Eu fiz duas, seu velho egoísta e rabugento, e você sabe que nunca terá coragem de demitir o melhor capataz que já teve.

Ben Mathews terminou de acender o cachimbo e cravou os olhos no rosto da filha.

— Você vai acabar sofrendo por causa daquele sujeito.

— Eu sei…

— Ele não é o que parece, filha.

— O que quer dizer?

— Ele chegou aqui sem nenhuma referência, sem documentas e sem uma história. Eu o empreguei porque percebi sua habilidade com animais e números, mas sei que C.C. não é um vaqueiro. É elegante, e sabe muito sobre técnicas de negócios para ser um homem pobre. Escute bem o que estou dizendo, filha. Há muito sobre ele que ainda não sabemos.

— Ele parece um pouco deslocado — admitiu, sem dizer que sabia o que o fizera ir para uma fazenda no fim do mundo. Tinha dinheiro, mas sofrera uma perda trágica e decidira esconder-se para curar a dor e proteger-se contra novas desilusões.

Preocupado, Ben prosseguiu:

— Esse homem pode ser qualquer coisa, até mesmo um fugitivo da polícia.

— Duvido. Lembra-se de quando perdeu aquela nota de cem dólares no celeiro e ele veio devolver? Já vi C.C. arriscar-se para ajudar vaqueiros inexperientes. Ele pode ser mal humorado, mas é prestativo e gentil com os outros. Vive resmungando e reclamando, mas os peões só fogem para as montanhas quando ele está realmente furioso. E mesmo assim, nunca perdeu o controle.

— Eu já notei, e isso também me intriga. Ninguém é tão controlado, a não ser que tenha uma boa razão. Esqueça, minha filha, e trate de prestar atenção em outros homens.

— Mas… É você quem vive me empurrando para ele!

— Eu gosto dele, mas não corro nenhum risco com isso. Pode entender?

— Acho que sim. Tudo bem, papai. Brandon me convidou para ir ao cinema, e eu vou aceitar. O que acha?

— Que belo prêmio de consolação! Brandon é um palhaço! Não sei como ele conseguiu concluir o curso de veterinária. É o tipo de homem que devia apresentar rodeios ou campeonatos de gado.

— É o tipo que eu gosto — Penélope sorriu. — Simples, divertido e sem problemas.

— É um selvagem, isso sim!

— Eu posso domesticá-lo. E agora vamos acabar com esta conversa, porque tenho muito o que fazer na cozinha.

— E eu vou até o alojamento. Quero ver se C.C. estava mesma fazendo um lanche.

Penélope foi para a cozinha e conteve o suspiro de alívio até ver o pai sair e fechar a porta atrás de si.

CAPÍTULO 2
Brandon Hale era um maluco com cabelos cor de cenoura e Penélope o adorava. Se não estivesse apaixonada por outro homem, certamente acabaria se casando com ele.

— Torta de maçã! — exclamou ao entrar na sala e encontrar pai e filha sentados à mesa do jantar. — Olá, Sr. Mathews. Como vai?

— Faminto e disposto a matar por esta torta. Tire os olhos dela, porque não vou dividi-la com ninguém!

— Pense bem, Sr. Mathews. As vacas prenhas estão prestes a parir, aquele touro doente precisa de cuidados e as vacinas não foram aplicadas.

— Ei, isso é golpe baixo!

— Só quero um pedacinho…

— Sente-se de uma vez — Ben suspirou. — Mas saiba que eu não divido minhas tortas com qualquer um, e se não parar com essas visitas noturnas, vai ter de se casar com Pepi.

— É só marcar a data!

Pepi respondeu:

— Dia seis de julho, daqui a vinte anos. Quero viver um pouco antes de me amarrar.

— Você já viveu vinte e dois anos — comentou o Sr. Mathews. — E eu quero ter netos.

— Não sei… Tenho pensado em ingressar no Corpo de Paz…

— Você o quê?

— Quero alargar meus horizontes, papai — justificou-se, sem dizer que seria uma boa desculpa para afastar-se de C.C. e de toda a dor que ele provocava.

— Você acabaria morrendo num daqueles lugares estranhos — disse Ben. — Não vou permitir!

— Eu tenho vinte e dois anos, papai. Posso fazer o que quiser sem sua permissão.

— Quem vai cozinhar, cuidar da casa e…?

— Arrume uma empregada.

— Ah, é claro — ele riu.

Lembrando-se da situação financeira da família, Penélope arrependeu-se por ter feito uma brincadeira tão cruel.

— Eu não vou a lugar algum — garantiu. — E não se preocupe, porque tudo vai melhorar.

— Reze para chover — Brandon sugeriu entre dois pedaços de torta. — É o que todos estão fazendo. Nunca vi tantos fazendeiros na igreja.

Depois de comerem metade da torta, Brandon e o dono da fazenda decidiram ir ver o touro doente.

— Eu não costumo fazer trabalho noturno, mas por essa torta viria atender um bezerro às três da manhã.

— Vou me lembrar disso — Pepi sorriu.

— Você é um encanto. Se algum dia decidir casar-se, lembre-se de mim.

— Vou incluir seu nome na lista de pretendentes.

— O que acha de um cinema na sexta à noite? Podemos jantar em El Paso e pegar a última sessão.

— Perfeito.

Brandon era uma excelente companhia, e ela estava precisando de diversão.

O Sr. Mathews fez uma careta e avisou:

— Não devo voltar antes da meia-noite. Depois do exame, quero ir ver os livros de Berry antes dos fiscais do imposto chegarem. Não me espere.

— Divirta-se — ela respondeu. Era uma piada familiar, porque Berry mantinha os livros tão confusos que era um sacrifício revisá-los. Podiam encontrar alguém mais qualificado, mas Jack Berry já tinha idade e não conseguiria encontrar trabalho fora da região. Ben Mathews tinha o coração mole e o contratara, o que significava que, na época dos impostos, tinha de rever toda a contabilidade da fazenda. Sua bondade excessiva era a principal causa para a lastimável situação financeira em que estava e, não fosse pela aparição súbita e conveniente de C.C., teriam perdido a fazenda três anos antes.

C.C.… Penélope estava preocupada com ele. Não parecera muito embriagado quando fora vê-lo no alojamento, e isso era estranho. Suas bebedeiras anteriores haviam sido formidáveis e pensando nisso, decidiu ir visitá-lo novamente antes que o pai pensasse em fazer o mesmo mais tarde.

O alojamento estava movimentado, mas ninguém sabia onde C.C. podia estar.

— Ele não disse onde ia, Srta. Mathews — informou um dos peões —, mas eu vi quando pegou o carro e tomou a direção de Juárez.

— Ah, não! Ele foi no caminhão da fazenda?

— Não. Saiu no carro dele, aquele Ford velho.

— Obrigada.

Felizmente sabia dirigir. Furiosa, pensou em quem cuidaria daquele vaqueiro teimoso quando ela fosse embora, e o pensamento a entristeceu. Ele não teria dificuldades para encontrar alguém disposto a pajeá-lo. especialmente com aquele rosto lindo e aquele corpo fabuloso. Além do mais, Edie estava sempre por perto.

Algum tempo depois alcançou a fronteira e o policial lembrou-se do velho Ford branco que passara pouco antes. Penélope agradeceu a informação, entrou em Juárez e dirigiu pela cidade até encontrar o carro de C.C. parado numa rua deserta.

Estacionou, desceu e continuou a pé. Felizmente usava as mesmas roupas de antes, uma calça jeans velha e um suéter branco, o tipo de roupa ideal para andar sozinha e à noite, especialmente em lugares como aquele. Deixara a porta do quarto trancada para que o pai pensasse que estava dormindo, mas se ele voltasse e percebesse a ausência do caminhão, descobriria tudo. Ben gostava de C.C., mas não pensaria duas vezes para demiti-lo se o encontrasse bêbado.

Havia um bar perto de onde estacionara o caminhão e tinha quase certeza de que ele estava lá. Olhou pela janela, mas só viu um punhado de mexicanos e um ou dois jovens americanos. Continuou caminhando, verificando todos os bares, até que, desanimada, resolveu voltar para casa. Já estava chegando ao caminhão quando decidiu dar mais uma olhada naquele primeiro bar.

C.C. praguejou ao vê-la e, notando sua expressão furiosa, Penélope soube que as táticas que usara naquela tarde seriam inúteis. Agora teria de encontrar outra forma de convencê-lo.

— Olá — disse com tom gentil.

— Se veio me buscar, pode ir embora — disse, segurando a garrafa de tequila cujo conteúdo já havia sido quase todo consumido.

— Está quente aqui dentro. Um pouco de ar fresco pode ajudá-lo.

Ele riu:


— Acha mesmo? E se eu não quiser ir? Vai me jogar sobre os ombros e me carregar para casa?

Era horrível. Ele a tratava como se fosse um dos peões, e isso a magoava profundamente. Mesmo assim, Pepi forçou um sorriso:

— Posso tentar…

Examinando-a dos pés à cabeça, C.C. sorriu novamente e comentou:

— Ainda está usando jeans. Por que não veste roupas de mulher? Por acaso tem pernas, ou seios?

Vermelha, notando que alguns freqüentadores estavam atentos à conversa, ela ignorou a ofensa e desafiou:

— Aposto que não consegue ir sozinho até o carro.

— É claro que posso!

— Só acredito vendo. Se levantar dessa cadeira, vai acabar caindo com a cara no chão!

Ele resmungou alguma coisa e levantou-se, oscilando um pouco. Jogou uma nota de vinte dólares sobre o balcão e disse:

— Pode ficar com o troco.

Pepi viu que ele saía e congratulou-se pela tática. Na rua, C.C. tirou o chapéu e coçou a cabeça antes de recolocá-lo.

— Está calor — disse. — Vamos caminhar um pouco?

— É claro que sim.

— Então chegue mais perto, mocinha. Não posso deixar você se perder no meio da noite.

Sabia que ele estava embriagado, mas era tão maravilhoso ter aquele braço sobre os ombros que até o cheiro de tequila transformou-se em perfume.

Vendo que ela o levava para o carro, C.C. parou e protestou:

— Não quero ir para casa. Vamos aproveitar a noite.

— C.C., esta parte da cidade é perigosa…

— Meu nome é Connal.

Era estranho saber que ele tinha um nome de verdade. Sorrindo, Pepi comentou:

— É bonito. Gosto desse nome.

— E o seu é Penélope Marie Mathews.

— Isso mesmo — confirmou, feliz por descobrir que ele sabia seu nome completo.

— Você vive cuidando de mim, Penélope Marie Mathews. Por que não nos casamos de uma vez? — Olhando em volta, apontou para uma pequena capela e disse: — Veja, está aberta! Venha comigo.

— C.C… não podemos…

— É claro que podemos. Aqui ninguém precisa de papéis para fazer um casamento. E é legal, sabia?

Em pânico, Pepi pensou no que aconteceria quando a bebedeira passasse e ele descobrisse que estavam casados. Não sabia se um casamento no México era válido no Texas, mas não podia permitir tamanha loucura.

— Escute aqui — começou.

— Se não se casar comigo, vou entrar naquele bar atirando e nós dois iremos parar na cadeia. O que acha?

Não havia como obrigá-lo a desistir. Além do mais, qualquer um podia notar que estava bêbado, e nem mesmo um padre mexicano aceitaria realizar um casamento em condições tão absurdas. Pensando em como o levaria para casa, decidiu acompanhá-lo até a capela. C.C. possuía uma arma e licença para usá-la, e ela não sabia se estava armado naquele momento. Melhor não arriscar.

O mexicano que os recebeu na capela não conhecia seu idioma, e Penélope não pôde explicar o que estava acontecendo. Por outro lado, C.C. falava espanhol com perfeição e conseguiu convencer o homenzinho que, sorrindo, desapareceu por uma porta. Segundos depois ele voltou, trazendo uma bíblia e duas mulheres. Fez um discurso rápido, insistiu para que os noivos dissessem sim e depois Pepi foi abraçada pelas duas desconhecidas. C.C. rabiscou sua assinatura num papel e esperou que o padre lhe entregasse um documento.

— Aqui está — disse com voz pastosa. — Tudo legal e perfeito. Venha me dar um beijo, esposa! — Estendeu os braços e caiu de costas no chão empoeirado da capela.

Os minutos seguintes foram tumultuados. Pepi finalmente conseguiu explicar que precisava levá-lo para o carro e o mexicano foi buscar dois rapazes fortes e jovens, que levantaram C.C. como se fosse um saco de batatas e o carregaram para o caminhão. Pepi deu dois dólares aos rapazes, tudo o que tinha no bolso, e fez o possível para demonstrar o quanto estava grata, mas eles devolveram o dinheiro, sorriram e apontaram para o caminhão em péssimo estado, indicando que haviam percebido sua deplorável condição financeira. Aliviada, Penélope agradeceu mais uma vez, guardou o documento no bolso das calças e ligou o motor.

Felizmente o jipe de seu pai ainda não estava na fazenda quando chegou, e Pepi pôde estacionar o caminhão perto do alojamento.

— Preciso de um favor — disse em voz baixa quando Bud, um dos temporários, abriu a porta. — C.C. está no caminhão. Pode trazê-lo para cá antes que meu pai chegue e o veja?

— Você trouxe o chefe no caminhão? Por que? O que ele tem?

— Tequila.

— Meu Deus! Não sabia que era alcoólatra.

— E não é. Pode pegá-lo, por favor?

— É claro que sim, Srta. Mathews — e seguiu-a, deixando a porta do alojamento aberta.

— Se meu pai encontrar C.C. nesse estado, ele pode dizer adeus ao emprego.

— Seu pai não gosta de bebidas, não é?

— Detesta.

Ela abriu a porta do caminhão e Bud pegou C.C., jogando-o sobre os ombros sem a menor delicadeza.

— Muito obrigada, Bud.

— Por nada, Srta. Mathews. Boa noite.

Ela entrou no caminhão, ligou o motor e foi estacionar atrás da casa, onde costumavam deixá-lo. Depois entrou e subiu a escada aos pulos, temendo ser encontrada pelo pai.

Despiu-se e, ao tirar as calças, viu o pedaço de papel que caiu de um dos bolsos. Desdobrou-o e viu seu nome ao lado do de Connal Cade Tremayne no documento escrito em espanhol. A certidão de casamento. Felizmente não tinha o menor valor legal. Mesmo assim, decidiu guardá-la, pois pelo menos poderia olhar para aquele papel e sonhar com o que teria acontecido se tudo fosse verdadeiro, se C.C. realmente a amasse e se tornasse seu marido.

Guardou a certidão numa gaveta da penteadeira e foi para a cama suspirando. Tentou imaginar quanto ele seria capaz de lembrar no dia seguinte e esperou que não ficasse muito furioso por terem abandonado o velho Ford em Juárez, pois poderia ir buscá-lo quando estivesse sóbrio. De qualquer forma, devia estar grato por ela ter ido salvá-lo, porque não encontraria outro emprego com o inverno tão próximo. Não queria perdê-lo, e preferia ter de cuidar dele como se fosse um bebê a nunca mais vê-lo.


Na manhã seguinte, Penélope acordou com alguém batendo na porta.

— O que é isso? — perguntou assustada.

— Você sabe muito bem o que é isso!

Era C.C. que, furioso, havia entrado sem pedir licença. Pepi sentou-se na cama e puxou as cobertas para esconder o corpo, exposto pela camisola transparente.

— C.C.! Que diabos pensa que está fazendo?

— Onde está? — ele perguntou com um brilho intenso nos olhos.

— Desculpe, mas ainda não sei ler pensamentos.

— Não brinque! Eu me lembro de tudo, Penélope Mathews! Obrigado por cuidar de mim com tanta atenção, mas não vou permanecer casado agora que estou sóbrio! Onde está a certidão?

Era uma oportunidade de ouro para salvar seu orgulho e a amizade que tanto preservava sem ter de explicar por que o deixara arrastá-la para uma igreja mexicana no meio da noite. Tinha certeza de que o casamento não tinha validade no Texas, e por isso podia fazê-lo acreditar que a cerimônia não passara de um sonho.

— Que certidão? — perguntou com ar inocente.

Ele hesitou por alguns instantes e disse:

— Eu estava no México, num bar em Juárez. Você foi atrás de mim… e nós nos casamos.

— Nós fizemos o quê?

— Eu tenho certeza! Entramos numa pequena capela e a cerimônia foi em espanhol… e havia um papel.

— O único papel que vi foi aquela nota de vinte dólares que você jogou sobre o balcão do bar. E se Bud não tivesse me ajudado a tirá-lo do caminhão, você estaria desempregado. Sabe o que papai pensa sobre bebedeiras, e já estou farta de evitar as encrencas que você vive procurando!

— Eu não posso ter imaginado tudo isso.

— Imaginou uma porção de coisas na noite passada — ela riu. — Primeiro disse que estava atrás de um fugitivo da cadeia do Texas. Depois transformou-se num caçador de serpentes e queria ir procurá-las no deserto. Felizmente eu consegui trazê-lo para casa antes que arrumasse uma boa encrenca.

— Eu… sinto muito.

— Tudo bem. Pelo menos não houve nenhuma conseqüência séria. Até agora… Se meu pai encontrar você aqui, garanto que vai armar uma bela confusão.

— Não seja boba! Você parece um moleque!

Exatamente o que havia dito na noite anterior. Com esforço, Pepi disfarçou a dor que sentia e sorriu:

— Mesmo assim. Você e papai não terão café da manha se não sair daqui agora mesmo. A propósito… seu carro está em Juárez.

— E essa! Vou ver se consigo encontrar alguém com tempo para ir buscá-lo. Desculpe se criei problemas para você, Pepi. Ainda tenho direito ao café?

Aliviada por não precisar mentir novamente, ela sorriu e disse:

— É claro que sim.

— Ótimo. Pepi… precisa parar com essa mania de me pajear.

— Foi a última vez — ela prometeu com sinceridade.

— Espero que sim — e dirigiu-se à porta, de onde virou-se para dizer; — Obrigado mais uma vez.

Ao ver que ele saía e fechava a porta atrás de si. Pepi deixou-se cair sobre o travesseiro e respirou fundo. Agora só precisava saber se o casamento não tinha realmente valor legal.


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