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A Contra-Reforma


A Igreja Católica Romana respondeu à Reforma e às pressões internas pela renovação das práticas à atuação política do Clero com sua própria confissão e seu Concilio, realizado em Trento, reunido em 1545 e 1563 (Movimento de Contra-Reforma).

Em 1545, o Papa Paulo III tornou-se o primeiro Papa da Contra-Reforma. O Concilio de Trento reafirmou sua doutrina e estabeleceu um conjunto de medidas defensivas e ofensivas diante do crescimento e influência das Heresias do Protestantismo.

A fim de impedir a contaminação dos países ainda não atingidos pela Reforma, o Concilio instituiu o Index Librorum Prohibitorum, com obras que os Católicos não poderiam ler, sob pena de excomunhão da Igreja. Também foi instituído o Tribunal da Santa Inquisição, para reprimir a Heresia (só um nominho diferente para "Inquisição").

Criou também o Catecismo, para orientar os fiéis, e os Seminários, com a função de formar futuros Padres. Além disso, visando recuperar o terreno perdido, institui-se a Catequese. Apesar disso, o terreno perdido já estava perdido e o Concílio de Trento em nada adiantou para trazer os Protestantes de volta à Igreja Católica.

Em 1534, foi fundada a Companhia de Jesus - a ordem dos Jesuítas - e com ela um importante veículo de difusão do Catolicismo, sobretudo na América Latina. Mas na Europa, o quadro desfavorável a ela continuou o mesmo.

Assim, os cem anos de 1545 a 1648 foram turbulentos, durante os quais guerras religiosas entre Católicos e Protestantes foram travadas de forma violenta. Carlos V declarou uma guerra para "desarmar a Heresia".

No dia 24 de agosto de 1572, o Rei da França ordenou o massacre dos Calvinistas — Huguenotes - como já visto, e o Protestantismo foi banido do País. Mais de 18.000 pessoas foram massacrados na Holanda, pela Inquisição Espanhola.

Em 1618, a paz de Augsburgo foi quebrada e a luta armada irrompeu novamente. Mas o Rei Sueco G. Adolpho II (1594 -1632) adiantou-se e salvou a Alemanha e o Protestantismo.

Finalmente, depois de 1648, as Guerras declinaram. O tratado de paz de Vestfália restaurou a hegemonia da Alemanha, estendida também aos Calvinistas. De acordo com seus termos, a Religião de cada província seria determinada pelo principal Governante de cada uma.

Apesar de tudo o que já dissemos sobre o Renascentismo, o Iluminismo, o Humanismo, a Era Moderna na Europa ainda seria marcada por um enorme medo do Demônio. Mesmo depois da Revolução Francesa em 1789, que pôs fim à Idade Moderna e finalmente houve separação entre Igreja e Estado, nos séculos XVIII e XIX Satanás continuou sentindo-se à vontade pois, afinal, como também já dissemos, as pessoas não deixaram de ser Cristãs.

A Igreja Católica ainda tinha forças para enxergar algo de demoníaco no Saber Científico, mas fora do círculo religioso, a imagem dele começou a sofrer mutação radical. Nesta época, os Revolucionários Franceses tiveram a mesma sensação de novidade experimentada outrora pelos Italianos do Século XVI.

Tanto assim que deram o nome de "Antigo Regime" ao Sistema Social que acabavam de destruir. Os Italianos do Século XVI eram Renascentistas, enquanto só os Franceses do Século XVIII eram Revolucionários. Até o Século XIX, a Europa foi convulsionada por uma verdadeira Era das Revoluções.

O Romantismo, movimento que revolucionou as Artes a partir do final do século XIX, e que pregou a subjetividade, em rebelião contra o autoritarismo Católico, transformou Satanás num símbolo do espírito livre, do progresso e da revolta contra o obscurantismo medieval - o aliado do Homem condenado pela moral Cristã ao sofrimento (doutrina bem semelhante às que encontraremos na Irmandade Moderna).

O Romantismo, a despeito do nome, foi um movimento "meio blue" se assim podemos dizer, uma vez que a melancolia e um certo pessimismo em relação à vida eram base profunda de todo o Movimento.

O Diabo entrou no século XX já com a imagem que dele fazemos hoje, como um personagem menos influente, apesar de continuar inspirando medo, ainda que de forma velada. Ninguém gosta de admitir e o homem secular nem perde muito tempo com isso.

Mas os atributos mitológicos de Satanás estão estáveis e sua popularidade é crescente, com a proliferação de seitas que o reverenciam. Mesmo assim, a perda parcial do pânico e do respeito que antes impunha, para alguns Estudiosos da Sociedade, não é bom sinal: "Trata-se de uma situação perigosa, pois significa que o Mundo Moderno está perdendo o senso do Mal. E sem senso do Mal, e sem temer o Mal, a Civilização pode desagregar-se e ir, sem trocadilho, direto para o Inferno" (Jeffrey Russell, Professor de História da Religião da Universidade da Califórnia).

Mas, então... será que Satanás, "enfraquecido" pelo racionalismo da vida Moderna, está aposentado?

Precisamos que ele volte a atuar mais, inspirando novamente respeito e temor para que não caiamos no extremo de achar que "tudo é lícito", que não há Verdades Absolutas, que a vida nos foi dada para ser vivida e devemos ser felizes a qualquer preço? Em última análise, o homem está aqui para desfrutar a vida, em total liberdade, de todas as maneiras, sem preocupar-se o tempo todo se vai ou não para o Inferno?

Não é bem assim. A História admite: o Diabo está vivo! E desafia os que pensavam que não mais haveria lugar para ele no Mundo regido pela Ciência e pelo senso de que o Homem está acima da superstição, das crenças do Bem - Deus - e do Mal — Satanás.

Entretanto, como dissemos no início deste estudo, muito mais pela necessidade que o ser humano tem de vivenciar o sobrenatural, a julgar pelo cotidiano do Homem Moderno, Satanás continua na ativa. Na Política e na Religião... na Economia Mundial... nas disputas de Mercado... nos conflitos do Oriente Médio entre Judeus, Cristãos e Muçulmanos... e dos Protestantes e Católicos Europeus... e dos Norte-americanos com os fundamentalistas Islâmicos... na discriminação das minorias... no bandido que afirma que só cometeu o crime porque estava possuído pelo Demônio. Nas crianças e adolescentes que matam a sangue-frio seus colegas de escola. Ou ainda mais perto: filhos que matam os pais, ou vice-versa.

Em todos estes lugares, como afirmam os Historiadores, ele está. Personificando o Opositor. Livrando o Homem da culpa de carregar uma porção do Mal em seu próprio coração, arremessando sobre ele a responsabilidade de todas as situações que nos desagradam.

Em todos esses planos, e em muitos outros, o Diabo continua imbatível (lembre-se... este ainda é um estudo Histórico, que envolve os Estudiosos da Sociedade e do Gênero Humano).





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