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2) Os Anjos Caídos E A Corrupção Na Terra


  • Gn 6.1-4

“Como se foram multiplicando os homens na Terra, e lhes nasceram filhas; vendo os filhos de Deus que as filhas dos Homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram. Então disse o Senhor: O Meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão 120 anos. Ora, naquele tempo havia Gigantes na Terra; e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na Antigüidade".
Fica patente uma distinção de termos aqui: "Filhos de Deus" e "Filhas dos Homens". São coisas diferentes, para determinar indivíduos diferentes. Logo no começo do texto, se diz que "os homens se foram multiplicando na Terra...". Aí, o termo empregado para designar o ser humano é pura e simplesmente "Homem".

E os homens tiveram filhos e filhas, conforme o previsto, tanto é que a palavra usada para nomear uma mulher era "Filha do Homem". Mas aí entra em cena uma segunda categoria de personagem designada pelo termo "Filhos de Deus". Não se trata do ser humano, como já vimos, pois a palavra usada para designá-lo, desde o início do Gênesis, é "Homem" e "Mulher" e, depois, "Filho ou Filha do Homem". Quem são, então, os filhos de Deus de que fala o texto?

Deus havia abençoado a união entre homem e mulher, e dito a eles que fossem fecundos e se multiplicassem. Contudo, os filhos que nasceram dos filhos de Deus com as filhas dos Homens foram do inteiro desagrado de Deus.

Por quê? Será que foi porque foram filhos concebidos fora do Matrimônio que Deus instituíra? Pois o texto diz que os filhos de Deus "tomaram para si mulheres". Uma mulher cada um? Várias? Será este o problema? A gota d'água depois de tantas e tantas perversidades?! A gota que transbordou o Cálice da Iniqüidade?



Mas bem antes de o texto afirmar que nasceram filhos daquelas relações, Deus se pronuncia dizendo que "o homem é carnal, que Seu Espírito não agirá sempre no homem e que seus dias serão de 120 anos". Veja bem... o Senhor fala do homem, reprova a conduta do homem e amaldiçoa o homem. Não diz nada sobre os filhos de Deus.

Os "filhos de Deus", conforme veremos a seguir, são os anjos caídos. Não havia porque julgá-los, ou amaldiçoá-los, uma vez que isso já tinha sido feito. A queda de Satanás e o julgamento dos anjos que o seguiram aconteceu antes da Criação.

Segundo uma tradução antiga (a Septuaginta), mais fidedigna, quando Deus diz em Gn 6.3 que "Seu Espírito não agirá para sempre no homem", está escrito: "Não deixarei o meu Espírito permanecer no homem".

Se este é o sentido correto, o texto então sugere que, ao retirar do homem o Seu Espírito, a vida deste se acaba. Ele morre. Isso concorda melhor com o contexto do Juízo e do Dilúvio que Deus traria sobre a Terra. Também com o fato de Gn 6.3 dizer que o homem é carnal; quer dizer, mortal. Pois antes não o era, foi somente por causa do pecado que se tornou mortal.

Alguns acreditam que 120 anos se refere apenas ao período que Deus levaria para exercer o Seu Juízo e destruir toda aquela Geração pecaminosa. Mas eu creio que essa interpretação não é correta, e que a maldição acarretada pelas relações entre seres humanos e Demônios foi muito mais profunda.

Aquilo era tão completamente abominável que, mesmo depois de destruir aquela geração, ainda assim a Raça Humana teria seu período de vida bastante encurtado.

Antes de irmos adiante, vamos esclarecer bem este texto, para que não restem dúvidas sobre as conseqüências dos atos dos seres humanos quando tiveram relações sexuais com os Demônios. Esta foi sem dúvida a última gota d'água no Cálice da Iniqüidade Humana, o que gerou profunda Maldição e Juízo terrível!

Observe: Noé tinha 500 anos quando gerou seu primeiro filho, embora o texto de Gn 5.32 diga que "Era Noé da idade de 500 anos, e gerou a Sem, Cam e Jafé". Mas não se pode gerar três filhos em um ano, a não ser que eles sejam gêmeos, e a Bíblia não diz isso. Portanto, alguns anos decorreram na geração destes filhos. Sabemos que Sara amamentou Isaque até os dois ou três anos de idade, segundo o costume da época, observado em Gn 21.8.

O desmame era um importante rito de passagem, visto que a criança tinha sobrevivido até então (era um tempo de difícil sobrevivência). Não deve ter sido diferente com os filhos de Noé. Não havia papinhas industrializadas ou mamadeiras para serem usadas com leite em latinhas ( ! ), nem outro jeito de alimentar as crianças a não ser com o leite da mãe. Sabemos que a mulher que está amamentando não engravida. E fisiológico. Assim, embora a Bíblia não mencione, certamente havia boa diferença de idade entre os irmãos. Quantos anos se teriam passado? Dez? Esse é o primeiro ponto. O decreto de Deus aparentemente foi dado depois.

Sabemos que Noé entrou na arca e o Dilúvio começou quando Noé tinha 600 anos, segundo Gn 7.11. Mas o seu chamado e direção para construir a Arca se deu da seguinte maneira: "A Terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência. Viu Deus que a Terra estava corrompida, porque todo ser vivente havia corrompido o seu caminho na Terra. Então disse Deus a Noé: Resolvi dar cabo de toda carne, porque a terra está cheia da violência dos homens; eis que os farei perecer juntamente com a Terra.'" Gn 6. 11-13.

Nesse momento da vida de Noé, ele já tinha os seus filhos, pois Deus diz que com ele seria estabelecida Aliança, e deveria entrar na Arca com eles e com as suas mulheres, além de sua própria mulher e sete pares de animais limpos, sete pares das aves do céu; dos animais imundos, um par. Ou seja, alguns anos tinham realmente se passado.

Então, não há como pensar que 120 anos era o tempo que se passaria até Deus exercer o Seu Juízo, pois foi menos do que isso.

Indo por outra linha; Lameque, pai de Noé, gerou Noé e viveu ainda 595 anos, e morreu. Isso significa que ele morreu quando Noé tinha 595 anos, 5 anos antes do Dilúvio. Você chegará ao mesmo resultado somando as idades de Lameque antes e depois do nascimento de Noé (777). Porém, quando lhe nasceu Noé, Lameque disse: "Este nos consolará dos nossos trabalhos e das fadigas de nossas mãos nesta Terra que o Senhor amaldiçoou". Gn 5.28-31.

Lameque provavelmente estava se referindo, por inspiração ou revelação Divina, que aquele filho traria consolo no sentido de que salvaria a raça humana que Deus prometera destruir - Gn 6.3? Ou somente demonstrava alegria pelo nascimento daquele filho, e nisso encontrava consolo? Não podemos ter exata certeza se o decreto de Deus foi tão antigo, a ponto de o pai de Noé já conhecê-lo, e neste sentido o consolo seria porque Noé receberia de Deus, no período pós-diluviano, a Aliança de que jamais haveria outro Dilúvio sobre a Terra.... ou se somente ele falou como pai, diante do nascimento de um bebê.

Partindo do pressuposto que o decreto do Juízo é tão antigo, claro está que, neste segundo caminho, que há muito mais que 120 anos?! Se realmente Deus já havia decretado a destruição da raça humana antes do nascimento de Noé, e por algum motivo Lameque sabia disso, ele sabia que era por causa da corrupção, da violência e dos Gigantes (como veremos logo mais).

Optamos por estabelecer, então, que o texto de Gn 6.3 se refere realmente à idade que o homem passaria a ter depois do Dilúvio, como parte da maldição que tinha sido acarretada pela corrupção dos homens. O homem sobreviveria... mas não viveria tanto quanto antes.

O texto diz: "O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; (ou seja, o homem morrerá - através do Dilúvio - coisa que Deus somente revelaria mais tarde a Noé)...; e os seus dias serão de 120 anos (depois do Dilúvio). Como sabemos que pessoas viveram mais do que 120 anos depois do Dilúvio, Abraão, Isaque, Jacó, por exemplo. José é o primeiro a ser mencionado na Bíblia a morrer com menos de 120 anos, o que aconteceu muito tempo depois! Cremos, então, que a diminuição da idade aconteceu de modo progressivo, talvez em função das mudanças geomorfoclimáticas decorrentes do Dilúvio.

Concluindo: este texto de Gn 6.1-4 é muito rico em informações, e como você pode ver, de tudo o que o homem fez, nada foi tão abominável quanto a geração dos "Gigantes". Agora podemos ir adiante e estudar os textos que se seguem, a fim de melhorar a nossa compreensão a respeito dos "filhos de Deus".


  • Jó 1.6-12

"Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então, perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra e passear por ela".

Jó morava na terra de Uz, região a leste de Canaã, conhecida como Oriente próximo. Devido a todas as suas numerosas posses, era o maior de todos os do Oriente (Gn 1.1-3). Deus falou das virtudes de Jó a Satanás, dizendo que "ninguém na terra havia semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do Mal".

Sabemos hoje, por nossa própria experiência no mundo moderno - o que assim era desde a Antigüidade - quanto é difícil manter-se íntegro, reto e longe do Mal quando se tem poder e riquezas.

O importante aqui não é falar sobre Jó, mas notar que Satanás apresentou-se diante de Deus com outros filhos de Deus. Por mais difícil que seja acreditar, Satanás foi um filho de Deus!... Criado, sim, a princípio para servir ao Senhor. "Filho de Deus" é uma expressão Hebraica que significa "anjo". Fica claro, pela passagem, que Satanás apresentou-se diante de Deus como ser espiritual, numa Dimensão que não é a nossa, pois pôde conversar com o Senhor diretamente.




  • Jó 2.1-6

Depois da primeira terrível investida, novamente, noutro dia, "os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, e veio também Satanás entre eles apresentar-se diante do Senhor". Segue-se a continuação do que Satanás pretendia fazer para que Jó blasfemasse e deixasse de servir a Deus; mas não é sobre Jó que queremos falar novamente, antes novamente citar o fato de que Satanás apareceu diante de Deus para falar-Lhe e discutir com Ele. Seja como intruso, ou não, fato é que Satanás teve acesso à presença de Deus, sendo citado, indiretamente, como um dos ex-filhos de Deus.


  • Jó 38.2-7

Indagando a Jó sobre processos da Criação da Terra, fala, a partir do v. 4:

"Onde estavas tu, quando Eu lançava os fundamentos da Terra? Dize-mo se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre elas o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases ou quem lhe assentou a pedra angular, quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?".


O texto se segue com uma imensidão de questões que Jó não poderia responder — nem nós, mesmo hoje, a tantas delas — mas Deus começa com uma seqüência lógica... "Onde estavas tu quando lancei os fundamentos da terra?". Quer dizer, Deus começou pelo Começo! E logo no começo, numa seqüência de dois enormes capítulos, Deus fala das estrelas da alva que cantavam juntas e como se rejubilavam todos os "filhos de Deus".

Claro... os anjos acompanhavam a obra maravilhosa que Deus estava fazendo, ao trazer à Luz Sua Criação. Certamente não eram os homens, os humanos que rejubilavam, pois não estavam presentes neste momento da Criação nem teriam entendimento da sua dimensão.

O Livro de Jó foi escrito provavelmente num período pouco posterior ao Dilúvio. Historicamente falando, esse dado é incerto, mas os antecedentes culturais e históricos parecem remontar aos tempos de Gênesis 12 a 50, o segundo milênio a.C Alguns acham que a história de Jó foi transmitida oralmente, de geração em geração, pois ele não era israelita (nem poderia ser) e só depois registrada por escrito.

Quem escreveu o livro não se sabe, talvez um israelita desconhecido, embora ninguém tenha certeza.




  • 1 Rs 22.19

Deus muitas vezes reúne o Seu Conselho Angelical. Para dar-lhes direções sobre nós, decidir assuntos do "Céu", sei lá! Não diz a Palavra que "Há festa nos Céus quando o pecador se converte?". Se os anjos são filhos, claro que podem estar na presença de Seu Pai.

Embora poucas passagens Bíblicas nos falem sobre isso, é claro que os anjos que permaneceram fiéis a Deus têm acesso direto a Ele. Tal seria se assim não fosse; então não seriam "filhos de Deus", mas qualquer outra coisa. Às vezes temos dificuldade de entender que os anjos são seres com personalidades individuais, cada um à sua maneira, que amam e são amados pelo Pai. Que é Pai deles também!

O texto de 1 Rs 22.19 fala a respeito de uma visão do Profeta Micaías, um dos poucos que ainda profetizavam segundo a palavra do Senhor (chegando o Rei de Israel a reclamar: "Há ainda (um Profeta) pelo qual se pode consultar ao Senhor, porém eu o aborreço, porque nunca profetiza de mim o que é bom, mas somente o que é mau. Este é Micaías, filho de Inlá" — 1 Rs 22.8).

Como é engraçado, não? O Rei Acabe aceitava como verdadeira a Unção de Micaías, mas não dizia o que ele queria ouvir...... (quantos, quantos de nós não agem da mesma maneira diante de uma verdade que não é a que nos interessa?).

Mas, enfim... parte da profecia de Micaías apresenta uma visão: "Vi o Senhor assentado no Seu Trono, e todo o Exército do Céu estava junto a Ele, à sua direita e à sua esquerda (...)". Mais um texto que revela a presença e acesso dos anjos diante de Deus.


  • 2 Pe 2.4-5:

"Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes precipitando-os no Inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo; e não poupou o Mundo Antigo, mas preservou a Noé, e mais sete pessoas, quando fez vir o Dilúvio sobre o mundo dos ímpios (...)" .

Esse texto corrobora para mostrar que o precipitar dos anjos veio antes. Quando Deus fez isso, não sabemos. Provavelmente logo depois de se unirem à rebelião de Satanás contra Deus, mas é certo que foi antes da Criação do Homem. Por razões que discutiremos logo mais, nem todos os anjos caídos permaneceram banidos no Inferno; grande número deles obteve permissão para influenciar este Mundo. Estes são os "filhos de Deus" a que se refere Gênesis 6.4.




  • Judas 6 e 7

Depois de afirmar que aqueles que saíram do Egito e não creram, foram destruídos, faz uma comparação com os anjos: "(...) e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, Ele (Deus) tem guardado sob Trevas, em algemas eternas, para o juízo do Grande Dia (...)". Os anjos que estão algemados em Trevas são os anjos caídos.


  • Jó 38. 16-17, 19-20:

No Livro de Jó, faz-se menção às regiões tenebrosas: "Acaso, entraste nos mananciais do mar ou percorreste o mais profundo abismo? Porventura, te foram reveladas as portas da Morte ou viste essas portas da região tenebrosa? (...) Onde está o caminho para a morada da Luz? E, quanto às Trevas, onde é o seu lugar, para que as conduzas aos seus limites e discirnas as veredas para a sua casa?". Nesse contexto, a Luz e as Trevas são personificadas como habitantes de lugares desconhecidos aos seres humanos.

Concluindo: os anjos não foram poupados de Juízo, Maldição e prisão. SE estavam aprisionados no Abismo... em algemas... como se soltaram? Guarde a pergunta!


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