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2) A Formação Do Diabo Na Mente Humana - Aspectos Históricos


Em termo concretos, ele é resultado de uma longa gestação, decorrente basicamente de três aspectos:

Sincretismo:


Os arquétipos do Mal - imagens psíquicas do Inconsciente Coletivo que, segundo K. Jung, estruturam modos de compreensão comuns aos indivíduos de uma mesma Comunidade - foram ganhando formas concretas a partir deste fenômeno, o Sincretismo. Isto é, por meios da mistura da idéia do Mal que há nas diversas Religiões. Aqui no Brasil, por exemplo, que sofreu bastante influência indígena e africana, além do Catolicismo Português, fica fácil entender o conceito do Sincretismo. Foi tudo "misturado", numa enorme massa de Bolo, à medida que os Povos também se misturavam.

O Senhor não queria que o Sincretismo - algo inevitável quando Povos diferentes convivem num mesmo ambiente - contaminasse a Revelação Pura que tinha vindo dos Patriarcas e de Moisés. Como os Israelitas, em tempos antigos, estavam sujeitos a todo tipo de influência pagã, era por esse motivo que Deus os exortava tão claramente a "não prestassem culto a outros deuses".

Fica claro perceber que quando se misturam diversas culturas, as idéias delas também se misturam, criando outras. Assim se dá o Sincretismo Religioso. Na Antigüidade, devido à expansão das Civilizações e à formação de Sociedades mais poderosas que outras, milênios de conquistas e grandes misturas entre os povos levaram a uma enorme "miscelânea" em todos os sentidos. E bem a "massa de Bolo"! Nela se colocam diversos ingredientes de todos os tipos, e, ao final, tem-se algo completamente diferente daquilo que tínhamos no começo. Isso sem contar que muitos dos "ingredientes" eram simplesmente impostos pelos conquistadores aos conquistados...

A mistura de tudo isso: linguagem, costumes, formas de vida e subsistência, religiosidade, artes e tudo o mais costuma ser muito forte, porque o Homem é um ser social, que se relaciona. E tudo vai sendo misturado na massa!

Imagine o processo de colonização do Brasil... todos se misturaram com todos, alguns foram subjugados por outros, mas isso não apagou as suas marcas. Hoje, nosso modo de vida e de pensar tem raízes africanas, portuguesas, indígenas, italianas, germânicas, orientais... nosso País é de enorme miscigenação!

Hoje, em nosso Século, temos o privilégio de não sermos obrigados a adotar costumes de outros povos, vivemos num País que permite a liberdade de Culto, um lugar onde o Católico convive com o Espírita, que é vizinho do Protestante, que tolera os Hare-Khrisna (embora queira convertê-lo!), os quais já tomaram ciência das doutrinas Budistas, que certamente conhecem os princípios de Bodhidharma, e a filosofia dos Esotéricos, os quais, tão certo como 2 + 2 é igual a 4, já espantaram de sua porta algumas Testemunha de Jeová, que se pelam de medo dos Muçulmanos... e etc..., etc..., etc... .

No entanto, antes, muito antes.... na Antigüidade, na Idade Média e mesmo ainda na Idade Moderna, quando um Reino era conquistado e subjugado, normalmente ocorria o somatório (Sincretismo), uma mistura que gerava algo diferente de ambas... ou então o Povo dominado era obrigado a abandonar suas crenças, e abraçar a as novas.

• Processos de Transferência


A "criação" do Diabo também é decorrente deles - a pessoa descarrega num mito, numa figura externa, num "ser maléfico absoluto" todo o mal que enxerga dentro de si. E, claro, por não querermos ver a nossa essência ruim, não queremos ver isso como fazendo parte de nosso ser, descarregamos isso de alguma maneira. Podem ser as mais absurdas terapias psicológicas. Mas como estamos tratando do Diabo e não dos desvarios do Consciente e do Inconsciente, a verdade é que tal ser - Satanás - torna-se responsável por tudo aquilo que consideramos ruim ou que se opõe a Deus, sinônimo do Bem e de tudo que é benéfico, altruísta, que perdoa, que tem compaixão, que tem solidariedade e bondade. Transferimos ou descarregamos o ódio, a raiva, o medo, as fobias, os desvios de personalidade, as paixões mundanas. Não aceitamos isso em nós, então transferimos para algo ou alguém. O Diabo é uma ótima pedida!

• Mitologia:


Vem de diversas fontes. A primeira delas é Histórica e admite-se que muitos personagens mitológicos de fato existiram, mas as lendas e tradições fabulosas são apenas acréscimos e embelezamentos poéticos. Quer dizer, o fato histórico aconteceu, mas foi contado sob a forma de Poesia. E o caso da Ilíada e da Odisséia, tidos como acontecimentos reais, mas narrados de maneira a dar "leveza e suavidade" à narrativa.

A segunda fonte é a Alegórica pura, onde se admite que os Mitos da Antigüidade eram apenas simbolismos, contendo alguma verdade moral, religiosa ou filosófica; mais ou menos como as Parábolas de Jesus, sabe? Outra fonte para dar asas à Mitologia é a Física; pois os principais elementos, ar, terra, fogo e água, bem como os principais elementos da Natureza, sempre foram objeto de adoração religiosa e as principais divindades de todos os Tempos sempre foram personificações de forças da Natureza, ou de seus derivados: deuses da Boa Colheita, do Sol, da Fertilidade, da Beleza, da Chuva etc...

Percebendo desde os primórdios da Existência que nem tudo à nossa volta é reflexo do Bem, notamos que uma figura representante do Mal, afinal, se torna peça necessária à Vida! Nenhuma Sociedade Humana conseguiu viver sem ela — ou ele! Psicologicamente falando, como já foi comentado, nos ajuda a exorcizar, a retirar de dentro de nós todo o Mal e colocá-lo em outro lugar. E Historicamente falando, a essência do Mal é reconhecida em toda e qualquer cultura. A partir dessa constatação, começaram as tentativa de personificá-lo. Personificar o Mal.

Teologicamente falando... bem... isso já é outra questão. Mas antes que todo Cristão Evangélico seja tachado de lunático, vamos ver o que nos diz a História.

E a História observou que, embora presente em todas as Culturas do Mundo, em todas as épocas, esse personagem - a figura do Mal -, é essencial no Cristianismo como em nenhuma outra Religião ou Povo. Parece que a função do Diabo como válvula de escape está muito clara, por exemplo, no Novo Testamento, base da Doutrina Cristã; aí há mais citações do Mal do que do Bem. E mais referências a Satã que a Deus....

(Naturalmente esta é uma interpretação puramente teórica dos fatos. Não estamos tratando do assunto Teologicamente! Ainda...)

Mas vamos começar pelo começo. Em duas palavras: como começou a História do Diabo? Em que momento ele foi citado pela primeira vez pelo Homem, seja pelo motivo que for...? Em que momento a personificação do Mal se transformou nessa figura, nesse Nome?!...

A Civilização Humana, desde as suas mais remotas Antigüidades, procurava uma explicação para o Mal. Vamos ver desde quando podemos encontrar "Figuras do Mal", e como elas eram encaradas.


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