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5) O que diz a Irmandade:

Eles sabiam que o Messias ia aparecer depois do seu Precursor. Sabiam pelas Escrituras (eles dão mais crédito à Bíblia do que nós). E sabiam que estava próximo o tempo deste Precursor nascer por causa da Chave de Tempo. Embora não pudessem saber que João era o Precursor, a Chave de Tempo e as evidências astrológicas, astronômicas, numerológicas apontaram o nascimento dele. Mas, aparentemente, João não foi descoberto antes do início do Ministério.

Mas a Chave também deve ter indicado que em seis meses alguma outra coisa estava para acontecer... havia prenúncios nos Céus... e também na Terra, na Sociedade Romana, que o Messias estava para chegar... o Reino das Trevas observava os indícios. Era chegada a Plenitude dos tempos!

Observe o exemplo: imagine sua entrada num salão vazio; aquilo não diz nada. Está vazio, não revela nada sobre o que poderá acontecer ali. Mas se você observar que o salão está sendo limpo, adornado com flores, fitas, está sendo enfeitado... é também erguido um palco, cadeiras e mesas são colocadas à volta... a dedução torna-se óbvia: vai haver uma festa!

É isso. Eles sabiam, por várias razões, que estava chegando o tempo do Messias vir. E o salão sendo adornado para a Festa!

No caso de João, houve certamente sinalização de alguém que teria o Selo, mas no caso de Jesus, eles descrevem o fenômeno celestial de uma maneira um pouco diversa pois detêm alguns conhecimentos que, para a Ciência Moderna, ainda são um pouco "conceituais". Quer dizer, podemos provar matematicamente a existência de certos fenômenos, mas não necessariamente garantir que eles existam de fato.

Enfim: no nascimento de Jesus aconteceu algo ímpar, porque a Ele seria dado muito Poder, então eles crêem que houve uma abertura de um "Portal Dimensional"; e isso foi tão forte, tão intenso, que promoveu algo como um rasgo no Espaço-Tempo, dando a impressão no Céu daquilo que os Astrônomos chamariam de "Buraco Branco". Isto é, durante um tempo, esta "Janela Dimensional" ficou aberta e foi possível vislumbrar a Energia de uma outra dimensão, um "outro Universo", digamos assim. Entendo que este tipo de conceito é muito novo e completamente intangível para muitos, totalmente não digno de crédito para a maioria.

Mas não é um absurdo, e podemos entender. Na prática, o que aconteceu realmente foi uma enorme estrela de grande brilho, algo que poderia de fato ser comparável à Supernova que foi comentada anteriormente. Mas vamos entender o que é o Buraco Branco, porque hipoteticamente ele seria como um "Túnel" que pode ligar duas regiões do Espaço absolutamente distantes uma da outra, instantaneamente. Por isso, os Satanistas falam em "Rasgo no Espaço-tempo".

Entenda melhor... para chegarmos ao buraco Branco, precisamos entender como morrem as Estrelas.
Estrela: grande corpo celeste composto de gases quentes, sobretudo Hidrogênio e Hélio, com quantidades variáveis de elementos mais pesados, que emite radiação eletromagnética, em especial a Luz, como resultado das reações que ocorrem no seu interior.

A Energia produzida pela Estrela é responsável pelo seu brilho, visto a centenas, milhares de anos-luz de distância, sendo esta Energia resultante da fusão dos núcleos de Hidrogênio para formar núcleos de Hélio. Esse processo (fase de seqüência principal de uma Estrela), quando ocorre numa Estrela de tamanho médio, por exemplo, dura 10 bilhões de anos (calcula-se que o nosso Sol tenha 5 bilhões de anos).


Processo de morte da Estrela: o processo de morte de uma Estrela depende

do seu tamanho.

1) Estrelas do tamanho do Sol (ou seja, não muito grandes): terminam sua vida pacificamente, isto é, quando o "combustível" termina a região central se contrai, e ela joga ao espaço as camadas externas formando as Nebulosas Planetárias. No seu interior fica uma estrela de pouca luminosidade chamada Anã Branca. Ela fica com o tamanho da Terra, mas a densidade do Sol. Isso quer dizer que ela é muito pequena e muito densa: uma tonelada por centímetro cúbico! Suas temperaturas são elevadíssimas, a mais fria delas tem 3500° Kelvin.
2) Quando a Estrela que morre é maior do que o Sol: depois de converter todo o seu Hidrogênio em Hélio, segue queimando os elementos restantes, mais pesados (Carbono, Oxigênio, Neônio, Magnésio, Silício, e, finalmente, Ferro). O núcleo do Ferro é o mais estável da natureza de modo que não há mais como continuar produzindo energia a partir dele. A produção de Energia da Estrela pára abruptamente quando se formam os núcleos de Ferro. Então, a estrela sofre um colapso. Contrai-se aumentando de maneira indescritível a densidade do centro, as camadas externas da Estrela que "caem" para o seu interior ricocheteiam devido à grande resistência do centro nuclear. Dessa maneira, ocorre uma enorme explosão que destrói a Estrela violentamente e libera todo o seu material num show de brilho que pode ser até 10 bilhões de vezes maior do que o Sol, como já dissemos. Estas são as Supernovas. O núcleo da Estrela que sobra depois da explosão se transforma geralmente em:

- Uma Anã Branca, se a massa for até pouco maior do que a do Sol;

- Uma Estrela de Nêutrons: se a massa for maior que 1.4 massas solares; nesse caso a matéria restante se comprime ainda mais do que em uma Anã Branca.

Então, os elétrons dos seus átomos se colidem com os prótons formando neutrons, pois estão muito comprimidos. Quando seu tamanho se reduz ao redor de 10 km de diâmetro, com bilhões de toneladas por centímetro cúbico, a Estrela de Nêutrons aumenta violentamente a quantidade de giros, o que faz com que emita periodicamente sinais de rádio, os Pulsares.


Um Buraco Negro: a Estrela de Nêutrons vai de 1.4 até 3 massas solares. Se ela possuir mais de 3 massas solares, a Gravidade gerada pelo núcleo ela Estrela não pode ser contrabalanceada de modo nenhum... sua densidade passa a crescer indefinidamente... não há mais como comprimir a matéria... os Buracos Negros são possíveis pontos finais definitivos na Evolução de morte de uma Estrela. Enquanto as Estrelas são fontes Energéticas do Universo, o Buraco Negro faz o papel exatamente inverso, são como redemoinhos Energéticos uma vez que suas forças de atração gravitacional são incomensuráveis.

O Buraco Negro é resultado da perda do equilíbrio no núcleo das Estrelas, quando a massa é grande demais para o volume, e uma grande compressão gravitacional é gerada resultando no esmagamento da matéria destes corpos celestes. O grande desafio para a Ciência resume-se em explicar como pode haver um total "desaparecimento" da matéria atraída para o Buraco Negro. Eles têm a maior atração gravitacional dentre todos os corpos celestes encontrados no Universo. Inclusive podem atrair e desviar os raios de luz.

Seu Poder de atração é tal que os feixes luminosos incididos nas suas proximidades são obrigados a propagar-se de maneira curvilínea. Portanto, como sabemos que os raios luminosos se propagam em linha reta, é interessantíssimo notar que os Buracos Negros, no final das contas, são responsáveis pela "quebra" de uma das Leis da Física que regem nosso Universo. Diante disso, quantas mais alterações podem estar contidas nesses corpos celestes que a nossa Ciência não explica nem consegue entender, porque não parecem fazer parte do "mundo que conhecemos"?

Finalizando, sabemos então que nenhuma matéria ou Energia, nem mesmo a luz, consegue escapar dele; tudo é sugado e "desaparece". O primeiro Buraco Negro foi descoberto em 1972 - Cygnus X-l - a cerca de 6000 anos-luz da Terra, na Constelação de Cisne, mas hoje sabemos que cerca de 10 deles já foram identificados.

Vamos concluir nossa linha de pensamento e estudar o último tema desta série "estelar" para chegarmos onde queremos chegar.
Os Buracos Brancos : São Corpos Celestes que podem ser previstos a partir da Relatividade Geral, mas a Ciência só pode comprová-los dessa maneira. Eles existem na Teoria. Seriam uma "extensão" de um Buraco Negro porque, afinal, para onde vai tudo o que é "sugado" para dentro dele? Dentro do Buraco Negro existiria um "Wormhole", um espécie de Túnel que liga duas regiões do Espaço, de modo que entrando pela boca do Buraco Negro se sairia instantaneamente "do outro lado".

Que outro lado é esse não sei... vai além da nossa compreensão... mas assim como o Buraco Negro só pode "sugar" tudo, o Branco só pode "cuspir" tudo. Ele seria um farol brilhante e uma fonte aparentemente infinita de matéria e Energia provenientes de outro ponto do Universo. O Buraco Branco é a versão "Tempo Invertida" do Buraco Negro.

Muito foi explorado nas ficções científicas a possibilidade de viagens interestelares rápidas. Imagine lançar-se dentro de um Buraco Negro e praticamente imediatamente encontrar-se em outra região do Universo, saindo por um Buraco Branco? Poderíamos pressupor também um outro Tempo... a passagem entre um e outro possibilitaria a união de dois Espaços Tempo completamente diferentes! A maneira de demonstrar isso matematicamente varia, podendo-se usar equações de Einstein ou de outros estudiosos.

A Teoria que aceita e define os Wormholes admite ser possível ligar dois Universos diferentes ou regiões diferentes do mesmo Universo Compreenda que nossa explicação é bastante tosca, pois seria impossível descortinar a profundidade deste tipo de conhecimento.

Note que genial: em 1986 foi descoberta uma solução das Equações de Campo de Einstein que descreve um Wormhole "transitável", isto é, em que se poderia passar sem ser destruído pelas forças ali existentes. Os detalhes me são incompreensíveis, eu teria que conhecer muita Física e muita Astronomia! Mas segundo essa Teoria, a viagem de ida e volta seria possível e as forças a que os viajantes seriam submetidos seria pequena. Isso vai de encontro a outras teorias prévias que demonstravam que as forças a que seria submetido o "viajante interestelar" (forças de maré nas vizinhanças do Buraco) o esmagariam completamente. Seria submetido a acelerações indescritíveis! E mesmo que a viagem fosse possível, não haveria volta uma vez que o Buraco Branco não permite a entrada, apenas a saída. Contudo, segundo a teoria mais recente, esses seriam problemas contornáveis.

Mas o que interessa para nós realmente é saber que a Ciência já demonstrou, pelo menos teoricamente, a existência deste tipo de fenômeno que a Irmandade admite como verdadeiro e absolutamente normal! Esse é o principal exemplo usado para explicar o fenômeno da abertura de um Portal, para comunicação com as Entidades. Claro que não se faz uso de nenhum Buraco Negro para isso, mas o fenômeno de passagem para dimensões paralelas é explicado como se fosse o que acontece com os Buracos Negros e Brancos!

Anos atrás assistimos a uma palestra de um Preletor Norte-americano, onde era descrito um Ritual de certa Tribo da América Central, para crianças que deveriam tornar-se sacerdotes. Ele assistiu, ao vivo e em cores, como peles costuradas de animais eram tingidas com ungüento e nelas se punha fogo. As crianças eram atiradas ali, pois, segundo eles, estava aberto um Portal. As crianças desapareciam, e depois de alguns minutos voltavam... mas sempre alguma delas se perdia, nunca mais sendo encontrada. Era como se elas fossem batizadas por uma Entidade do outro lado daquele Portal.

Nem me peça para explicar, mas minha gata também atravessou um Portal, por isso sei que tudo o que foi dito até então tem fundamento.

Em relação ao nascimento de Jesus, a Irmandade não definiu o fenômeno economicamente. Pois não há definição, uma vez que não ocorreu um fenômeno astronômico... mas um fenômeno espiritual tão intenso que pôde se visto no mundo natural. Algo que os Cientistas chamariam de Buraco Branco, embora nunca ninguém tenha visto um.

Foi um vislumbre de outra Dimensão, uma explosão de Energia Luminosa, e só aconteceu porque Deus fez acontecer, porque era preciso que os Céus anunciassem a Glória do Messias que chegava!

Da mesma maneira quando Jesus morreu, os Cientistas também tentaram explicar o que teriam sido aquelas "Trevas que cobriram a Terra por três horas". Um Eclipse? Este, no entanto, nunca foi encontrado. Novamente: foi um fenômeno Espiritual, a aproximação do Inferno em peso ao redor da cruz, e a ausência das legiões de anjos.
C) O Panorama do tempo em que Jesus viveu:

Isso determinou a maneira como ele foi criado e como Deus o preparou para cumprir a Missão a que era destinado. Apesar do fulgor da Estrela de Belém, da Chave de tempo, dos cálculos Numerológicos, do nascimento do Precursor, das profecias... Jesus não foi morto quando bebê nem encontrado, exatamente como foi com João. Isso somente aconteceu depois do seu batismo.


Condições Políticas em Roma:

a) Morte de Herodes, o Grande, e divisão do território por ele governado entre seus filhos (Judéia, Samaria e Galiléia).

b) Herodes Antipas recebeu a Galiléia e a Peréia.

c) Judéia e Samaria passam a ser governadas por Procuradores Romanos a partir do décimo ano do reinado de Herodes Antipas, quando seu irmão Arquelau foi deposto por Augusto César.

d) Domínio de Pôncio Pilatos: como Governador da Judéia. Esteve à frente da Província de 26 a 36 d.C


Os Romanos procuravam dar à Nação de Israel a maior autonomia possível. Isso é evidenciado pelo fato do Sinédrio (Corte Suprema Judaica) exercer jurisdição sobre grande número de casos. Os privilégios aos Judeus também eram marcantes no tocante à questão religiosa. Mesmo assim, os Judeus odiavam o governo Romano, quer direto, quer indireto, pois, sempre que necessário eles mostravam quem é que realmente "mandava no pedaço". A verdadeira e antiga liberdade não existia mais, é evidente.

Mas havia uma parcela do povo Judeu que não se importava com o domínio de Roma na Palestina. Quem eram eles???

a) Fariseus e Escribas

b) Saduceus

c) Herodianos
Faziam parte da Aristocracia Judaica e, para eles estava tudo muito bom. Os fariseus geralmente evitavam conflitos políticos pois tinham bastante poder dentro do Templo, o que não era pouca coisa. Confusões com Roma não estavam dentro dos seus planos. Os Herodianos eram a favor das pretensões da família de Herodes ao trono da Judéia. A maior parte dos Saduceus também simpatizava com os Romanos.

É óbvio que qualquer um que tivesse a "pretensão" de ser o Messias daria muito pano para manga e, sem sombra de dúvida, arrumaria terríveis complicações com estas poderosas classes Judaicas. Se despertasse o interesse do Povo a ponto de atrair a atenção de Roma, e, pior, a represália do Imperador, as conseqüências seriam funestas para todos os Judeus. Quer dizer, o Ministério de Jesus não poderia evitar influência e implicações políticas, uma vez que criou verdadeiro reboliço e exaltação no espírito público, o que veio a afetar as classes altas da Sociedade.


Condições Religiosas:

Naturalmente, a Religião de Moisés foi profundamente afetada pelas condições políticas a que estava submetida Israel. As classes superiores da Sociedade Judaica já quase se tinham esquecido das antigas promessas e esperanças de seus antepassados. Não é para menos, pois já perdurava um silêncio Profético de cerca de 400 anos. Deus se havia esquecido de Seu povo?! Talvez....

Mas, afinal, não havia muito com que se preocupar! Para os mais abastados e bem colocados socialmente, isso não fazia muita diferença, uma vez que, em última análise, viviam muito bem em sua simbiose com o Império Romano.

Eram duas as seitas dominantes dentro do Judaísmo, já bastante defasadas do ensino puro de Moisés e dos Profetas:



a) Fariseus: punham a Religião em primeiro lugar, mas davam excessiva atenção às Tradições teológicas e sutilezas das Cerimônias, esquecendo-se da Palavra de Deus em si, e do que ela realmente significava. O que tinha vindo de Moisés e dos Profetas tomou forma bem diferente nos seus ensinos.
b) Saduceus: rejeitavam as tradições farisaicas, estando mais interessados em negócios e privilégios políticos do que em religião. Paradoxalmente, eram eles que formavam parte da Aristocracia Social, e deles provinham as famílias dos Príncipes Sacerdotes, que estavam saturados e contaminados pelo paganismo vigente no Império Romano. Claro que nada realmente bom podia vir desta classe tão afastada dos preceitos do Senhor.

Qual seria o problema deles com Jesus?

Os Fariseus opunham-se aos seus ensinamentos porque o que Jesus falava era totalmente espiritual, despido de formalismos, fazendo maior apelo ao que as Escrituras diziam do que aos "formatos" religiosos. Além do que, percebiam que quase sempre eram colocados em xeque pelas pregações do Messias. Pior ainda... e se ele acabasse por promover uma insurreição do Povo?! Roma não toleraria isso. Deportaria os Judeus, destruiria o Templo e eles - Fariseus - perderiam seu poder e seu lugar de prestígio na Sociedade.

Os Saduceus tinham birra com Jesus porque seus triunfos no meio do povo perturbavam o equilíbrio aparente da Sociedade Judaica e podiam vir a abalar as relações políticas existentes.

Em contrapartida, a grande massa do Povo ainda sonhava com um Reino, o Reino prometido Pelo Senhor através de seus Profetas. O Reino do Messias! Mas a realidade, nua e crua, é que eram poucos os que ainda conservavam o espírito da pura doutrina e a fé viva no Deus de Abraão, Isaque e Jacó (se não fosse assim, se estivessem prontos a receber o Messias de braços abertos, João teria sido dispensado da sua missão de levar o Povo ao arrependimento).

Estes elementos que ainda criam em YHWH encontravam-se, na esmagadora maioria, nas classes humildes da Sociedade Neles, obviamente, não se extinguira a sede e esperança de um Salvador. Por isso a pregação de João Batista foi tão importante no preparo do Povo para receber a mensagem que Jesus iria entregar. Muito distantes estavam eles do Deus verdadeiro, e necessitavam de arrependimento, retorno às raízes, apesar de continuarem um Povo religioso, que conhecia o Antigo Testamento, e o ensinava às crianças na escola!


D) Detalhes da Vida e do Ministério de Jesus

Como já vimos, as circunstâncias do nascimento de Cristo condiziam com sua dignidade e estavam em acordo com as Profecias a seu respeito, inclusive as que falavam de sua humilde aparência sobre a Terra.

Aliás, esse é um curioso aspecto... claro que entendemos porque Jesus. apresentou-se de forma humilde para entregar a doutrina do Reino de Deus. Mas também há outro detalhe em que talvez você nunca tenha pensado: o Messias tinha de aparecer sem aparência do que era por causa dos inimigos de Deus, Satanás e seus seguidores. Estes sem nenhuma sombra de dúvida devem ter rastreado a Terra, inquietos, apavorados, à procura de Jesus, pois o seu nascimento foi sinalizado nos Céus... mas não o encontraram!

Jesus foi identificado, talvez, aos doze anos... talvez tenham ficado "desconfiados" daquele adolescente inteligente e conhecedor das Escrituras. Mas como nada mais a Bíblia diz, sinal que o adolescente Jesus continuou crescendo em secreto.

A certeza definitiva e absoluta da identidade de Jesus como "O Cristo" só deve ter ocorrido realmente após seu Batismo, quando então Satanás aproxima-se como perfeito conhecedor de sua Pessoa e sua Missão: o que pisaria em sua cabeça e livraria o mundo do jugo da morte e do pecado! Muito antes de qualquer pessoa, muito antes dos Apóstolos, muito antes de sua própria família, Jesus foi perfeitamente identificado e reconhecido pelo Diabo, e isso tinha um momento certo para acontecer.

Nem antes, nem depois.... mas no Kairós de Deus!

E também particularmente interessante notar que o nascimento de Jesus, embora em local humilde, não passou sem notável aviso. Contudo, mais uma vez: essa informação não fez eco no grande mundo da época. O fato, embora registrado nos Céus e presenciado por diversos personagens, não "vazou" no Inferno, não deu na vista nem foi descoberto por nenhum dos Principados e demônios poderosos que governavam aquela Nação, a mais grandiosa e importante do Mundo.

Bem que eles procuraram, mandaram matar os meninos... mas o Senhor não permitiu que ele e seus pais fossem encontrados; somente os anjos podiam vê-los e, sem dúvida, guardá-los.

Quem soube do nascimento do Messias?

a) Os pastores que guardavam seus rebanhos nas campinas próximas de Belém, a quem uma milícia de anjos celestiais anunciou que era nascido o Salvador, o Cristo Senhor.

b) Os Magos do Oriente, que viram a estrela do Rei dos Judeus nos Céus.

c) No Templo, 40 dias após o nascimento, ao cumprirem o que preconizava a Lei, isto é, a consagração do menino e o ritual de purificação da mãe, o velho Simeão (a quem Deus havia prometido ver o Messias antes de morrer, Lc 2.25-35); a velha Profetisa Ana (que também por revelação do Espírito Santo falou de Jesus a todos como a "esperança de Israel", Lc 2.36-38).

É claro que somente o nosso Deus poderia encobrir do Reino das Trevas tal vento e impedir o acesso deles ao menino. Tanto eles não sabiam quem era ou onde estava Jesus, que foram levados à morte todas as crianças menores de 3 anos em Belém. Deram "tiro para tudo quanto é lado", e Jesus escapou! Isso seria totalmente desnecessário se Satanás tivesse conhecimento de que Jesus e seus pais estavam no Egito!

É incrível notar como as hostes demoníacas foram cegadas, tanto as que atuavam em Roma... que não viram a saída de José e Maria com Jesus... como as que atuavam no Egito, que não puderam perceber a sua entrada. Isso prova que é possível de fato permanecer escondido, literalmente "invisível" no Reino Espiritual quando seguimos à risca as instruções de Deus e levamos uma vida condizente com a Palavra.

José foi avisado por um anjo que deveria ir para o Egito, onde ficaram por alguns meses, até que a morte de Herodes, o Grande, foi anunciada pelo anjo e José recebeu novas instruções a fim de ir para Nazaré. O intuito de José era permanecer em Belém, porém isso não era seguro, pois Arquelau reinava na Judéia.

Em outras palavras: José e Maria obedeceram a Deus sem questionar, não fazendo sua vontade, mas a Dele, e isso lhes garantiu a segurança completa e perfeita. Talvez Maria não estivesse disposta a deixar a família depois de um parto tão recente e morar em terra estranha como no Egito. Era uma grande responsabilidade para José, como cabeça da família e homem humilde, ir para um lugar estranho, longe de tudo o que conhecia, e agora com um bebê recém-nascido!

A obediência absoluta e a fé dos pais permitiram que Jesus levasse uma infância tranqüila e certamente feliz, como uma criança perfeitamente normal, que cresceu saudavelmente, brincou com seus irmãos e amigos, foi à escola, era conhecido nas redondezas e pelos vizinhos. Nada havia de "estereótipo Divino" (tanto é que quando seu Ministério começou, diziam: "Não é este o filho do carpinteiro?).

Nada nos faz pensar que Jesus tenha levado uma vida reclusa ou diferente das demais crianças. O que já foi bem diferente de João Batista, que viveu nos desertos.

Qualquer sinal da sua Divindade que tenha se manifestado neste período não é relatada, ainda que seja quase certo que os pais e familiares mais próximos tenham presenciado "lampejos" dela à medida que Jesus crescia. Era importante que eles não se esquecessem de quem era aquele menino, e o Senhor deve ter providenciado isto! Mas foi algo a nível familiar, pessoal, particular... e os Evangelhos têm por objetivo relatar a vida pública de Jesus, e não sua vida íntima, a não ser naquilo que importa para provar sua identidade e favorecer que todos possam crer no relato Bíblico. Por exemplo: a julgar pela eloqüência de Jesus aos 12 anos, verificamos que ele foi devidamente instruído e educado nos princípios da Palavra de Deus, o que revela que José e Maria zelavam por isso; embora de humilde classe, José era de alta linhagem e de elevado sentimento religioso, e o mesmo se dava com Maria, donzela da linhagem de Davi.

Quanto ao lugar onde Jesus cresceu, pode parecer totalmente inexpressivo, mas Deus é Deus, e por certo que escolheu o melhor lugar e cuidou com absoluto esmero da educação de Jesus, que não podia ser deficiente... interiorana... primitiva... tipo "Jeca Tatu". Tudo que o nosso Deus faz tem sua razão de ser, e nada é por acaso, ou a esmo. Nazaré foi escolhida cuidadosamente desde a Antigüidade para que, ao mesmo tempo em que mantinha o menino escondido, não lhe privava de saber o que acontecia no mundo em que vivia.

Ainda que um pouco oculta, Nazaré era uma cidade que estava à beira dos principais eventos do Mundo Judaico. Dali, a olho nu, descortinavam-se muitos dos lugares associados a grandes eventos. E muito provável que Jesus acompanhasse com interesse os acontecimentos de sua Pátria, ao invés de permanecer alheio a eles. Desse modo se desenvolveu a Humanidade Dele, sua adaptação ao Meio, e seu preparo adequado para a obra futura, quando oferecer-se-ia ao seu Povo como Filho de Deus.

E então o tempo chegou!

Quando João Batista começou a percorrer o Vale do Jordão, Jesus sabia que se aproximava a sua hora. Ele estava pronto, completamente pronto para dar conta e levar a bom termo sua incumbência! Assim Deus procede com os seus escolhidos, os seus "Selados": esconde... protege... treina.... ensina... até que chegue o tempo da Unção se manifestar!

Jesus é, sim, um bom exemplo para nós porque Ele mesmo se apresenta como "Filho do Homem" (e esse termo você já conhece e sabe o que significa - enfatiza a humanidade de Jesus). Tudo o que realizou, o fez por intermédio do Espírito Santo, o mesmo que em nós habita. Portanto, Jesus não é um exemplo intangível, muito ao contrário, porque Ele mesmo prometeu que obras iguais, e maiores do que as Dele, faríamos nós, seus Eleitos e Selados! (Ovelhas, não se sintam mal, desprezadas... este estudo é um estudo para Líderes. Vocês têm toda importância dentro do Corpo, mas agora estamos nos referindo aos que exercem Ministérios verdadeiros perante o Senhor dos Exércitos).

O Ministério de Jesus teve algumas fases distintas, e vamos apenas "pincelar" os principais momentos para que você tenha uma visão perfeitamente clara do impacto da pregação e dos feitos do Messias naquele tempo e naquela região, segundo a vontade prestabelecida e profetizada do Senhor Altíssimo.
a) O Batismo: Jesus veio no meio das multidões para ser batizado, e João dá testemunho dele. O Ministério de João já tinha ido longe, como arauto e precursor do Messias. De todos os lugares o Povo acudia para ouvi-lo, e quem cria na sua poderosa pregação incitando ao arrependimento, era batizado. No momento do Seu Batismo, estava plenamente consumada a soma e simbiose da natureza humana de nosso Senhor com o revestimento de Poder para exercer o Seu Ministério. Verdadeiramente Homem e verdadeiramente Deus, Ele provou isso durante o confronto com Satanás que logo se seguiu.

Como já dissemos, Jesus estava pronto! Não podemos subestimar a força e a intensidade da tentação: a presença do próprio Satanás e do cerco de Principados e Potestades no Deserto não foram qualquer coisa. Era preciso destruir aquele Homem! A sutileza com que o Mundo lhe foi apresentado talvez parecesse muito mais atraente do que a vida de obediência a Deus e seu cruel desfecho. As meias-verdades parecem tolas para nós, que estamos sentados confortavelmente em nossas casa, Mas enfrentar cara a cara o príncipe das Trevas não foi fácil. Jesus foi testado emocionalmente, mentalmente, fisicamente e espiritualmente naquele período, e foi vitorioso!!!


b) Jesus escolhe os primeiros discípulos (João, André, Pedro, Filipe e Natanael - Jo 1.35-51). Com este pequeno grupo, retorna à Galiléia e realiza o primeiro milagre em Canáa. Os discípulos vislumbram o primeiro lampejo de sua futura Glória. O Ministério do Messias começava, junto a um pequeno grupo de obscuros galileus.
c)A Purificação do Templo: nesse tempo, Jesus morava em Cafarnaum com a família e já os 12 discípulos o acompanhavam. Era o momento de expor-se aos Judeus como sendo o Messias. Este momento oportuno deve ter sido durante uma Festa da Páscoa, em Jerusalém. Em outras palavras a purificação - do jeito que aconteceu - foi ato digno de um Profeta, e, mais ainda, Jesus fala em "Casa de Meu Pai", colocando-se como alguém além de um Profeta. Deve ter soado estranhíssimo, mas era um chamado para a reforma da religião.
d) Ministério na Judéia: foi o Apóstolo João que nos relata o primeiro Ministério de Jesus na Judéia, em Jo 2.13 até o capítulo 4.3. Depois desta Páscoa, Jesus passou a pregar o arrependimento, como João já vinha fazendo. Os dois trabalharam em paralelo durante cerca de nove meses, até que os discípulos de Cristo se tornaram em maior número do que os de João, e o Ministério do Batista estava por terminar. Então Jesus passou a trabalhar sozinho.
e) Volta à Galiléia: neste trajeto passou por Samaria, e vivenciamos com Ele o episódio da mulher à beira do poço de Jacó (Jo 4.4-42). Chegando à Galiléia, a fama já o precedia. A Galiléia foi o centro principal de suas atuações. E ficava longe do centro nevrálgico da Sociedade Judaica, longe de Jerusalém. Logo João Batista foi preso e executado; tinha terminado a Missão do Precursor, da "Voz do que clama no Deserto", que chamou o Povo ao arrependimento e reforma de seus costumes. Jesus passa a pregar o Reino de Deus na Galiléia, anunciando os princípios da Nova Aliança e do Novo Tempo que era chegado.

Este período durou cerca de 16 meses ficou centralizado em Cafarnaum e arredores, pois Cafarnaum era o Centro Comercial da província, a população era predominantemente Judaica e estava cheia de autoridades eclesiásticas. Jesus tinha em vista estabelecer o caráter do Reino de Deus, contrapondo-o ao que se pregava e vivia atualmente. Por meio de suas obras maravilhosas e milagres, confirmava sua Identidade e Autoridade. O Homem Jesus manifestou seu caráter de Cristo, seu caráter Divino.


f) A princípio Jesus não fez alusão à sua morte, pois não era tempo desta Verdade ser compreendida. Ensinando os princípios da verdadeira Religião com a Autoridade de sua própria Pessoa, de tal modo maravilhou o Povo, que de todos os lugares vinha toda sorte de gente para vê-lo e ouvi-lo.
g) O Ministério na Galiléia teve várias fases distintas, a saber:

1ª Fase: o Povo não compreendia as Verdades Espirituais. O cerne da mensagem de Jesus estava contido na leitura que Ele fez na Sinagoga do texto de Isaías 61. Mas somente um pequeno grupo de discípulos lhe era fiel, a despeito dos seus esforços. Certamente a pregação de Jesus não era destituída de toda a ênfase, emotividade e empenho de alguém que deseja ardentemente ser crido. Ele não falava por falar... certamente falava com extrema Autoridade, mas, ao mesmo tempo, profunda paixão... pois conhecia o destino daquele Povo, caso O recusasse.

Os milagres eram apelos para que cressem no Evangelho. Contudo, embora servissem para despertar grande interesse na sua Pessoa, não foi suficiente para fazer a maioria entender o que Jesus queria dizer. Foi rejeitado em Nazaré. Nesse período encaixam-se, por exemplo: a cura do endemoninhado (Mc 1.23-27); a cura do leproso (Mc 1.40-45); a cura do paralítico (Mc 2.1-12); a pesca miraculosa (Lc 5.1-12).
2ª Fase: o trabalho ganha um novo aspecto à medida que começa, obviamente, a incomodar os Fariseus. Quando era inquirido, Jesus fazia questão de deixar bem claras as diferenças entre o espírito do verdadeiro Reino de Deus contidos em seus ensinamentos e a religiosidade cheia de vícios dos doutores da Lei.

Aparentemente, alguns conflitos são provocados de propósito. Numa visita a Jerusalém, Jesus cura um paralítico em dia de Sábado (Jo 5.1-18), provocando a ira de Rabinos e Sacerdotes. O mesmo se dá com o episódio da colheita de espigas e a cura do homem da mão ressequida.

Observa-se em Jesus, sempre, uma sensibilidade em dar o sentido real das doutrinas do Antigo Testamento ao mesmo tempo em que expressa sua Autoridade como Filho de Deus. Naturalmente, um escândalo digno de manchete de primeira página!!
3a Fase: o Povo Judeu mostrava um interesse crescente pela figura de Jesus, o que era muito perigoso para as autoridades religiosas. Por causa dos conflitos gerados, faz-se necessário que Jesus organize melhor os seus discípulos. Como um corpo, indivisível. Nomeia os futuros Doze Apóstolos.

No famoso Sermão da Montanha, descreve o caráter e a vida dos verdadeiros membros do Reino de Deus. A Vida Espiritual verdadeira é a manifestação do Reino de Deus; falou sobre uma ligação genuína com o Pai, consagração ao seu serviço e cumprimento da Antiga Lei, ainda que opondo-se ao formalismo e superficialidade com que era tratada pelos Fariseus;

Neste Sermão, Jesus não ensinou o caminho da Salvação nem resumiu as doutrinas do seu Evangelho. Mas atacou vigorosamente o Farisaísmo e a ignorância popular. Somente um Homem de grande coragem e ferrenha determinação e fé teria feito o que Jesus, praticamente sozinho, fez.

Dentro do Império mais poderoso da face da Terra, ele levantou-se contra o sistema falido das autoridades de seu Povo, sem temer as conseqüências. Revestido, sim, pelo Espírito Santo, ainda assim Homem Ele era, sujeito às dores e frustrações de qualquer homem. Podemos, de boca cheia, dizer veementemente: "Que tremendo Homem era esse Jesus!".


4a Fase: é caracterizada por uma sucessão de viagens de Jesus e seus Apóstolos pela baixa Galiléia, acompanhadas de milagres, com o intuito de estender sua influência pelo Reino. Continuou o crescimento do interesse do povo por Jesus e, conseqüentemente, a oposição cada vez mais acirrada das Classes Eclesiásticas, todas elas, e não somente os Fariseus.

Um dos mais notáveis pontos desta história, neste momento, é o dia das Parábolas. Nisto, Jesus era inteligentíssimo e imbatível. A Parábola, como Jesus mesmo explicou mais tarde, era uma maneira de trazer instrução às mentes receptivas e aos corações abertos, em quem o Espírito podia agir. Ao mesmo tempo, confundia seus inimigos e evitava o uso de expressões ou afirmações que servissem de arma nas suas mãos!

Talvez, hoje, muitos dissessem a Jesus: "De que você tem medo? Fale abertamente!". Sempre há o modo e o tempo certo para todas as coisas, e o homem sábio conhece isso. Jesus falava abertamente sobre os "sepulcros caiados", a "raça de víboras", os "hipócritas" quando confrontava os Fariseus e Escribas. Mas havia momento de ser prudente! Então ele saía de cena.

Por fim, sobrevém uma crise no Ministério de Jesus na Galiléia quando Herodes Antipas começa a indagar a respeito Dele. Isto era de grande gravidade, pois poderia originar sua prisão e morte, exatamente como aconteceu com João Batista. Está claro que o "Fuzuê" estava armado, e cada vez pior, com a interferência de muita gente poderosa. Nessa ocasião, Jesus se retira para um local mais afastado, com os Doze, mas é seguido pela multidão até o nordeste do Mar da Galiléia.

Compadecido de suas necessidades, Jesus alimenta toda a Multidão com cinco pães e dois peixes. De tal maneira subiu o entusiasmo do Povo que o queriam arrebatar e fazer Rei. Quão longe estavam de compreender a verdadeira Missão do Messias...! Nesse tempo, Jesus já dava a entender sobre sua morte, e que somente pela sua morte poderia salvar o Mundo. No dia seguinte a esse milagre, proferiu o discurso sobre ser o Pão da Vida, e a necessidade que todos tinham de comer a sua carne e beber o seu sangue para terem Vida Eterna.
5a Fase: devido aos conflitos na Galiléia, Jesus foi com seus discípulos para Tiro e Sidônia. Foi a única vez em que Ele penetrou em território Gentio durante o seu Ministério, e ali permaneceu durante seis meses.
6a Fase: Acalmados os ânimos, Jesus voltou para Cafarnaum. Estava já próxima a sua hora. Era tempo de preparar-se para o sacrifício. E também aos seus discípulos.

Este é um período marcado por este triste e comovente aspecto, preparar seus amigos para a sua partida. Falou-lhes sobre a extensão do Seu Reino, entre todos os Povos; falou sobre o que aconteceria quando voltasse e tudo o que se encontra no Sermão Profético; na raiz do Monte Hermom provocou a confissão de seus Apóstolos acerca da sua identidade - coisa que a maioria ainda não havia conseguido apreender - e falou claramente sobre sua ida a Jerusalém, quando seria entregue à morte para ressuscitar no terceiro dia. Pouco depois, deu-se a Transfiguração, presenciada por três dos Apóstolos.

Jesus continua vez após vez a predizer a sua morte. Chegando outra vez a Cafarnaum, instruiu os Apóstolos sobre o serviço de Deus, sendo Ele mesmo exemplo permanente.
7a Fase: Embora seja impossível determinar uma cronologia exata das viagens de Jesus, algumas são características deste último período da vida do nosso Senhor. Agora Ele procura atrair a atenção pública de todo o País, inclusive a Judéia, onde andou menos. Enviou 70 discípulos para anunciarem a sua vinda, precedendo-o nas cidades, efetuando curas e expulsando demônios.

Visitou Jerusalém na Festa dos Tabernáculos (Jo 7) e na Festa da Dedicação (Jo 10.22), e em ambas as vezes mostrou-se ao Povo, chamando-se Luz do Mundo e o Bom Pastor do Rebanho Divino, disputando ferrenhamente com os doutores da Lei que se contrapunham à sua doutrina. Andou pela Judéia e pela Peréia, ensinando com muitas Parábolas (Samaritano, Banquete de Núpcias, Dracma Perdida, Filho Pródigo, Servo Infiel, Ovelha Perdida, Viúva Importuna, o Fariseu e o Publicano).

Estamos agora quase no princípio da Primavera de 29. Jesus sairá de Cafarnaum pela última vez, rumo a Jerusalém, para a Festa da Páscoa. Assim, ao mesmo tempo que a oposição dos seus inimigos se fazia cada vez mais violenta e feroz, algo de maior importância aconteceu: a ressurreição de Lázaro.

Este foi um milagre estupendo que deixou a perder de vista todos quantos Ele já tinha feito antes. Aconteceu em Betânia, muito perto de Jerusalém, o que fez o fato repercutir, não só na Capital, mas também no Sinédrio, cujo presidente era o Pontífice Caifás. Reunido o Conselho dos Pontífices e dos Sacerdotes, desta vez realmente a coisa ficou feia. Decidiram que a única maneira de acabar com a influência "desastrosa" de Jesus era matando-o (Jo 47-53). Claro que de maneira "disfarçada".


8a Fase: daí em diante, Jesus se esconde, se subtrai, anda pelo deserto com os Doze, decidido a não entregar-se antes da Páscoa. Logo que chegou a época da Festa, Jesus veio da Peréia (Mt 19-20; Mc 10; Lc 18.15 até 19.28) junto com seus Apóstolos, que estavam contristados e desconfiados pela maneira como Jesus falava constantemente do que iria lhe acontecer quando estivesse em Jerusalém.

A celebração da Páscoa exigia que os Judeus estivessem em "condições" de comê-la sem acarretar maldição sobre si. Era necessário passar pelo ritual de purificação, e dependendo deste, precisavam chegar a Jerusalém até uma semana antes da Celebração pois estes rituais somente podiam ser realizados no Templo. Então a cidade de Jerusalém ia progressivamente se enchendo dos Judeus que vinham de todas as partes de Israel, e dia a dia fervilhava mais.

Seis dias antes da Festa, Jesus chegou novamente a Betânia, onde teve os pés ungidos com o perfume puríssimo de nardo pela irmã de Lázaro, Maria, fato este que silenciosamente lhe dava a honra merecida e anunciava a sua morte. Um perfume de nardo puro equivalia a um ano de serviço! No dia seguinte, aconteceu o célebre episódio da "Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém", quando o Povo colocou diante dele ramos, e o aclamava.

Era um costume da época receber um General vitorioso com este "tapete" de ramos; ou seja, naquele momento Jesus foi recebido como um Rei. Entretanto, montado num burrinho, simbolizava a Pureza e Paz do Reino que tinha vindo instituir na Terra. Isso desvairou ainda mais o ódio dos Príncipes dos Sacerdotes e não pretendiam perder mais tempo, ainda que não pudessem fazer nada a Jesus abertamente, com medo de desagradar ao povo.

No caminho ainda para Jerusalém, Jesus viu a Figueira sem frutos, símbolo da Igreja de Israel, tão pretensiosa, mas sem fruto algum; e foi amaldiçoada. No Templo, como havia feito três anos antes, expulsou os mercadores que profanavam os átrios. Novamente, um último convite à purificação da Nação de Israel. Os peregrinos que tinham vindo para a festa o acompanhavam, plenos de entusiasmo.

No dia seguinte, Jesus entra no Templo e há intenso confronto, pois o Sinédrio tinha enviado uma delegação para saber com que autoridade fazia tudo aquilo (como quem diz: "Quem você pensa que é?"), além de tentar pegá-lo em alguma cilada, fazendo-lhe vários questionamentos e perguntas capciosas, com a intenção de acusá-lo para logo o prenderem. Com suas respostas reduziu ao silêncio um a um de seus inquisidores, além de confundi-los. Este foi um dia de grande conflito, quando Jesus, sem pudor algum, denunciou perante toda aquela gente a indignidade dos condutores religiosos de Israel.

Saindo do Templo, foi com pesar e coração apertado que Jesus contou a seus Apóstolos o que aconteceria àquele lugar. O esplêndido lugar de Adoração a Deus seria destruído... revelou a quatro discípulos que a cidade também seria destruída, que o Evangelho se espalharia pelo Mundo e os cristãos sofreriam grandes perseguições e sofrimentos. A verdade é que talvez naquela noite tenha sido finalmente decretada a morte de Jesus, mas deveria acontecer depois da Festa... quando Jerusalém seria evacuada de seus forasteiros. Aliás, por sinal nem esperaram muito...

Na quinta-feira depois do sol posto deveria ser comida a ceia com o cordeiro pascal. Jesus escolheu um lugar escondido para não correr o risco de ser interrompido em seu último momento de íntima comunhão com seus Apóstolos e amigos. Por isso cremos que Judas não o delatou antes, ele mesmo não sabia onde seria celebrada a Páscoa deles, e teve de "fingir um pouco" antes de deixar a mesa e sair para trair seu Mestre. Sem provas reais contra Jesus, foi de bom grado que as autoridades religiosas aceitaram a proposta de Judas.

Apenas o Apóstolo João, tão querido de Jesus, deixa de lado o relato da Páscoa em si para dar ênfase àquilo que lhe parecia muito mais importante: a tristeza de todos pela separação que se aproximava, ao mesmo tempo que enfatiza o discurso de Jesus, afirmando uma união indissolúvel entre eles e o Ministério do Consolador, que seria enviado quando Ele partisse.

João também recorda a Oração Sacerdotal de Cristo e as declarações de amor e ternura. Creio que nenhum de nós pode realmente compreender o que significou esse último momento... tudo iria mudar dali pra frente, e eles não compreendiam direito porque tinha que ser assim. A caminho para o Getsêmani Jesus declara que em breve eles seriam espalhados e retornariam para casa, mas deveriam esperá-lo na Galiléia, quando ressuscitasse.


E) A Morte e a Ressurreição de Jesus

1) A agonia que Jesus experimentou no Getsêmani foi a última rendição à vontade de Deus, a aceitação do sacrifício por amor ao Pai, a negação completa da carne e da sua humanidade. No entanto, seu Destino já estava cumprido desde o momento em que Jesus disse a Judas: "O que tem a fazer, faze-o depressa". Não foi a Judas, mas a Satanás que Ele se dirigiu, e da Sua boca veio a Palavra de liberação.

No jardim, Ele esteve sozinho. Os Apóstolos dormiram, de tristeza e, muito provavelmente, de opressão, pois o Inferno inteiro se achegava. Nenhum deles suportou o peso daquele momento. Jesus orou e chorou sozinho. Até mesmo a Voz do Pai, sempre presente, se ausentou nesse momento. Pela primeira vez na vida Jesus sentia-se desesperado, separado do Pai, e com isso Ele não contava.

Enfim foi interrompido por Judas, acompanhado por soldados tirados da Tropa que guardava o Templo com a incumbência de prender uma pessoa sediciosa (Jo 18.3, 12). Junto com eles vieram também as Guardas dos Levitas e servos do Sumo Sacerdote. Neste momento, os Apóstolos o abandonaram e fugiram.


2) Jesus foi levado pela escolta primeiro à casa de Anás, que era sogro de Caifás, o presidente do Sinédrio, e ali sofreu o primeiro interrogatório. É provável que ambos morassem no mesmo lugar porque a negação de Pedro deu-se no átrio do Palácio enquanto acontecia o primeiro interrogatório e também quando se dava o segundo, em presença do Sinédrio. Foi por Jesus se negar a responder que o Sinédrio se reuniu às pressas.

No entanto, não puderam colher provas de peso para acusá-lo de blasfêmia, crime que desejavam a todo custo evidenciar. O Sumo Sacerdote se viu obrigado a conjurá-lo a para que dissesse ser Ele o Messias. Jesus respondeu da maneira mais explícita. A ira do tribunal foi ao auge e o declararam digno de morte pelo crime de blasfêmia.

Havia, porém, ainda um pequeno detalhe a interpor-se ao que queriam. Segundo a Lei, as decisões tomadas pelo Sinédrio só tinham efeito Jurídico se tomadas de dia! Mais essa, hein?! O desespero de acabar com a vida de Jesus era tanto que bem cedo de manhã o tribunal reuniu-se de novo, observando as mesmas formalidades de antes (Lc 22.66-71).
3) Decidida a sorte de Jesus pelas autoridades Judaicas, mais um detalhe... a execução de penas contra delinqüentes só podia ser feita depois da permissão do governador, Pôncio Pilatos! Esse era o ponto X da questão, inclusive extremamente conveniente nesse caso, pois evitaria que algum movimento popular viesse a prejudicar o julgamento uma vez que estava sendo feito por Roma!

Pilatos ocupava o palácio de Herodes no Monte Sião, e era ainda muito cedo quando ele foi chamado para atender aos sacerdotes. Novamente repetimos, a ânsia era tanta que queriam que Pilatos assinasse a sentença de morte sem mesmo tomar conhecimento das causas, ao que ele se recusou (Jo 18.29-32). Ali a acusação já tinha tomado uma "outra cara", para convencer Roma das intenções "subversivas" de Jesus. Agora Ele era acusado de perverter a Nação, vedar o tributo a César e se fazer Rei (!).


4) Conhecemos a história, a afirmação de Pilatos e a resposta de Jesus. Ainda assim Pilatos o interroga em particular (Jo 18.33-38), e não encontra culpa Nele. A partir de então procurava inocentá-lo. O problema é que Pilatos foi fraco. Temia contrariar seus súditos, que insistentemente pediam a morte de Jesus pela crucificação.

Não é difícil imaginar a quantidade absurda de demônios ali presentes, sedentos do sangue, incitando a multidão e aqueles que já tinham atuado nos torturadores de Jesus, alimentando sobremaneira a crueldade dos açoites, que foram muito mais do que 40, e das maldades físicas, emocionais e toda humilhação que Jesus sofreu.

O relato Bíblico é seco - por razões óbvias - em relatar o sofrimento físico de Jesus. Mas sabemos que os Romanos não usavam chicotes comuns, mas neles havia afiadas lâminas feitas de ossos, que arrancavam a carne e expunham músculos e órgãos internos... a coroa de espinhos não era uma simples coroa de espinhos, mas eles eram longos, grossos, capazes de perfurar o crânio.

É absolutamente indescritível o sofrimento físico, a dor emocional e o peso espiritual disso tudo. Havia somente um homem capaz de suportar isso: Jesus. Pois para isso Ele nasceu, para isso Ele foi treinado. Mais ninguém poderia ocupar o seu lugar. Pilatos lançou mão de todo subterfúgio para tirar de si a responsabilidade e tentou mandá-lo a Herodes Antipas, uma vez que este era o governador da Galiléia, mas estava em Jerusalém naquele momento. Só que Herodes se recusou a exercer jurisdição e Pilatos ficou entre a cruz e a caldeirinha.

Querendo por toda sorte livrar-se, então Pilatos propôs a soltura de Jesus por ocasião da Páscoa, esperando que a popularidade Dele contasse a seu favor, mas a furiosa multidão preferiu Barrabás. Nada mais havia a ser feito.

Quando Jesus foi trazido, após os açoites, completamente moído e desfigurado, Pilatos ainda disse que não achava nele crime algum. Porém, os Príncipes dos Sacerdotes e os seus Oficiais, vendo-o, pediram para crucificá-lo pois "se tinha feito Filho de Deus", pelo que Pilatos temeu ainda mais e tentou reverter a situação mais uma vez perguntando "Donde és Tu?", ao que Jesus nada diz. Os Judeus gritavam de fora que se Pilatos o livrasse estaria indo contra César, não era amigo de César porque todo que se faz Rei contradiz a César (Jo 19.1-12). Então Pilatos condenou Jesus. Não era a execução de uma sentença, mas, sim, um assassinato Jurídico.


5) Que alegria para Satanás e todas as suas hostes demoníacas! O restante nós sabemos: Jesus desfaleceu sob o peso da cruz, e foi pregado sem nenhum cuidado, nu, entre dois ladrões, à hora sexta (meio-dia). Para vermos como tudo foi tremendamente rápido, dada a precipitação dos Judeus... na madrugada Jesus foi preso e ao meio-dia estava já semi-morto na cruz. A causa da condenação foi colocada sobre sua cabeça em hebraico, grego e latim: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus (Jo 19.19).

Houve Trevas sobre a Terra, pois todo o Inferno acampou ali para ver o sangue sendo derramado. O corpo enfraquecido de Jesus não poderia suportar longa agonia, pelo que expirou na nona hora (três da tarde). José de Arimatéia, discípulo oculto de Jesus, homem rico, membro do Sinédrio e que não havia consentido na morte de Jesus (Lc 23.51), pediu o corpo e sepultou o num sepulcro aberto em rocha que ninguém havia usado ainda.


6) É interessante - e ao mesmo tempo muito triste notar - quão poucos ficaram ao lado de Cristo nos piores momentos de sua vida. No monte das Oliveiras, nenhum vigiou com Ele, não houve nenhum ombro amigo, nenhum abraço... exceto o consolo do anjo. Ao pé da cruz, mais mulheres do que homens... Maria Madalena, a mãe de Jesus... dos Apóstolos, tão-somente João.

Dignos de admiração são todos eles, pois que coisa terrível contemplar o estado e triste fim daquele que amavam. Nada é mencionado sobre o pai de Jesus, ou seus irmãos, ou os demais Apóstolos. Tomara nós sejamos tão fiéis quanto estes foram, quando a situação se tornar negra e ameaçadora!


7) Apesar de Jesus ter dito aos Apóstolos que o esperassem na Galiléia, era tanta a tristeza e o desapontamento, as esperanças se haviam de tal maneira esmaecido, que ainda permaneciam em Jerusalém ao invés de ir ao ponto de encontro. Mas a Ressurreição aconteceu, como todos nós sabemos.

Os Evangelhos não se preocupam em dar a notícia completa dos acontecimentos, muito menos colocá-los em ordem... as provas do fato existem no testemunho repetidas vezes, em diversas ocasiões, e envolvendo diversas pessoas. Encontra-se nos Evangelhos grande número de incidentes. Mas tudo começou com as mulheres que foram ao sepulcro no Domingo pela manhã para o sepultamento definitivo, que não podia ser feito no Sábado. Viram a pedra removida, encontraram o anjo que anunciou a ressurreição, não acharam o corpo, viram o próprio Jesus e foram anunciar o fato aos Apóstolos e aos demais, que deviam seguir para a Galiléia conforme combinado, e lá veriam o Mestre.

Correndo ao sepulcro, Pedro e João constataram-no vazio. Seguem-se os relatos, inclusive a ocasião em que Jesus comeu diante dos discípulos, provando a realidade física da ressurreição, tudo isso ainda em Jerusalém.
8) Depois, os discípulos foram para a Galiléia, onde Jesus apareceu no Mar da Galiléia e, sobre um monte, deu-lhes a "Grande Comissão" (Mt 28.16-20); pode ser que esta tenha sido a ocasião onde apareceu a 500 irmãos reunidos! Depois, vieram novamente a Jerusalém, e foram para Betânia, onde Jesus os abençoou e foi-se, numa nuvem que O ocultou de todos os olhos! Este período inteiro durou 40 dias.

Era preciso que os Apóstolos em especial tivessem amplas, variadas e repetidas provas da ressurreição para que fossem capazes, depois de cumprido o Pentecostes, levar a cabo a incumbência de propagar o Evangelho, com conhecimento completo dos caracteres do Reino! As experiências vividas capacitaram os Apóstolos a pensar em Jesus como Alguém vivo, tão-somente "ausente" fisicamente; ressurreto para a Nova Vida, mas mantendo a antiga natureza que aprenderam a conhecer e amar. Exaltado, à destra de Deus... mas, ainda assim, o mesmo!



Era o Homem de Nazaré e o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do Mundo! Jesus revelou progressivamente Sua Pessoa e Sua Obra, e as experiências finais, em somatória com o testemunho do Espírito Santo, fixaram, de uma vez por todas, a crença na Divindade de Cristo, o Messias.


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