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Autoridade Espiritual

"(...) O Senhor buscou para si um homem que lhe agrada(...)" 1 Samuel 13.14


Neste último Módulo, queremos analisar a vida de dois servos de Deus.

Um Predestinado (Selado), e o outro Chamado (Eleito). São eles Moisés e Paulo.

Ainda que todo Cristão venha a se beneficiar destes estudos - porque são Palavra de Deus, e esta é sempre útil, viva, eficaz, cortante, apta para facilitar o discernimento dos propósitos do coração, sem nunca voltar vazia tudo que será dito é mais voltado para os Líderes. Quer sejam Selados, quer sejam Eleitos!

Os Estudos foram desenvolvidos de maneira diferente, pois são pessoas muito diferentes, com Destinos Espirituais muito diferentes, e que viveram em tempos muito diferentes.

No Bloco "Moisés", menor que o Bloco "Paulo", salientamos em letras garrafais todas as características do Líder verdadeiro que evidenciamos na vida deste servo de Deus.

Com "Paulo", tomamos uma direção um pouco diferente, pois ele já está imerso dentro do contexto da Igreja e fazendo parte da Era do Espírito Santo. Então, simplesmente contamos sobre sua vida e seu trabalho, e o relato fala por si.

Moisés

Origens E Fuga Do Egito - O Caráter Prévio De Moisés


Origem: Moisés era da Tribo de Levi e foi escondido durante três meses, para evitar ser alvo da chacina causada pelo decreto do Faraó. Desconhece-se quem teria sido esse Faraó, mas chegamos a um consenso em outro módulo do Estudo, de forma que temos bastante evidência para afirmar que tenha sido Ramsés I.

Moisés era o mais novo dos três filhos de um casal levita, Amram e Jocabed. Logo tornou-se muito perigoso ocultá-lo, e fico a imaginar a dor e fé daquela mãe, colocando o filho nas águas do Nilo. Ela só fez isso porque cria que o Senhor poderia salvá-lo!

Achado por uma das filhas do Faraó no Nilo, e por intervenção de sua irmã mais velha, a criança poupada da morte é somente mais um dos exemplos claros da bondade e fidelidade de Deus. Acabou sendo criada pela mãe verdadeira até seus dois ou três anos, período que vai até o desmame. Alguns acreditam que ela tenha permanecido um pouco mais, até três ou quatro anos; com isso, Moisés teve alguma oportunidade sobre as bases da fé em Deus e da cultura hebraica.

Quanto ao nome, naturalmente não foi a mãe verdadeira da criança que o escolheu. O nome "Moseh" é um particípio de um verbo que significa "Extrair"; esse nome também pode ser entendido como uma forma do verbo egípcio "Msw", ou seja "ser dado à luz". Levando em conta que ele foi "extraído" do Nilo, e nisso "veio à luz", é sugestiva a escolha, pois, mais tarde, aquele menino seria o "Extraidor" do Povo opresso e cativo no Egito, que os "traria para a Luz". Em Sua Onisciência, Deus já sabia de tudo isso, e até o nome do futuro Libertador de Israel não foi dado ao acaso.

Como dissemos, sua mãe pôde dar-lhe algumas bases doutrinárias, coisas que, como sabemos, às vezes as crianças nunca esquecem! E mesmo que Moisés esquecesse, parte disso ficou no inconsciente, e Deus certamente não o deixou à parte ou insensível ao sofrimento de seu Povo.

É difícil saber se Moisés tinha consciência clara da sua origem ou não, mas a verdade é que me parece que a educação dada pela mãe ficou impregnada, de um jeito ou de outro. Quer ele soubesse ser um Hebreu de fato, quer tudo aquilo tenha ficado arquivado numa memória mais profunda, à qual ele não tinha acesso, a verdade é que "algo" foi mexido dentro dele quando viu a agressão de um dos escravos Hebreus por um Egípcio, uma espécie de start aconteceu! A reação foi violenta, de fúria, de ódio... e Moisés matou o Feitor Egípcio. Provavelmente Moisés passeava vistoriando um dos numerosos canteiros de obras dos gigantescos Templos construídos na época em que lá viveu. Eram necessários milhares de operários.

Mesmo assim, a reação parece um tanto "desproporcional" a alguém que foi criado dentro da alta hierarquia do Egito, conhecedor da Ciência e do Saber Egípcio.

Acho muito mais provável que Moisés desconhecesse sua origem, pois se a filha do Faraó o tomou para si, foi para criá-lo como Egípcio e não como Hebreu, é claro. Já que a ordem era matar os meninos hebreus, ainda que ela, como princesa real, talvez não estivesse sujeita a tais decretos, podendo até mesmo infringi-los, não acho que colocaria uma criança Hebréia debaixo do nariz do Faraó.

Como cremos que o Faraó em questão foi Ramsés I, ele logo morreu (reinou apenas um ano), dando lugar ao seu filho Seth, irmão da princesa.

Mesmo assim, pela cultura Egípcia, as crianças reais não ficavam "esbarrando" no Faraó. Nem mesmo os filhos do próprio Faraó tinham acesso ao pai, a não ser depois de certa idade, e o primogênito tinha supremacia. Creio que Moisés foi uma criança que até passou meio "despercebida" no Palácio, mesmo porque... era ele um dos "Selados" de Deus, e Deus tinha intenção de escondê-lo.

Mesmo assim, também era interesse de Deus que Moisés conhecesse profundamente a cultura daquele Povo que haveria de confrontar num longínquo futuro. Como filho da filha do Faraó, e depois como "sobrinho" do Faraó Seth, ele foi educado com o que havia de melhor. O Egito era a maior potência conhecida no Mundo desta época, portanto Moisés recebeu Educação Acadêmica, Militar e de Liderança, fatores primordiais na Missão que cumpriria no futuro!

Esta providência divina favoreceu Moisés no sentido de fazê-lo poderoso e culto, além de retirar-lhe a mente servil. E difícil saber ao certo que relacionamento teve Moisés com o futuro faraó, Ramsés II, aquele que seria confrontado pelas dez pragas, mas ao que parece — o que nos conta a História - era que talvez se conhecessem bem e fossem inclusive amigos, pela proximidade de idade e também pelo fato de Ramsés II não ser filho primogênito, uma peça um tanto ou quanto "descartável" no Palácio, exatamente como seria Moisés. Logicamente, isso não os isentou de estudos de primeira linha!

Já homem feito, aos 40 anos, após a morte do Egípcio, Moisés procurou apartar uma briga entre dois Judeus, e eles o ignoraram, não reconhecendo nele um Hebreu - óbvio - mas um Egípcio. Responderam torto, e mostraram que sabiam da morte do egípcio, o que não tardou a chegar aos ouvidos do Faraó, que procurou matá-lo (Êx 2.15).

Aqui fica bem evidente o caráter prévio de Moisés, antes de iniciar-se o tratamento do Senhor em sua vida: ao que parece, com arrogância e violência ele resolvia suas causas. Seu comportamento devia ser de tal maneira presunçoso que aqueles Hebreus não hesitaram em responder-lhe mal, no furor e quentura da discussão prévia que já havia entre eles. Podiam ter tido o mesmo destino que o egípcio, mas se rebelaram com a intromissão de Moisés. Ele devia ser uma pessoa arrogante, como todo aquele que tinha qualquer "sinal de realeza".

Contudo, a fuga para o deserto revela um Moisés que agiu sem pensar, e que preferiu esconder seus erros ao invés de enfrentá-los; foi uma atitude impulsiva, mas que denotava nele uma certa auto-suficiência, de quem diz, lá no íntimo: "Vou me virar sozinho... não preciso deles. Aliás, chega deles! Já deu!".

Certamente tinha chegado o tempo de Deus na vida de Moisés, mas ele não sabia disso. O Chamado ele já tinha, desde antes do nascimento. Creio que a atitude impensada, impulsiva, e que o impeliu para o deserto era, sim, fruto de uma personalidade prévia, forte, autoritária (não baixarei a cabeça nem ao Faraó), formada dentro dos moldes do Egito.

Mas creio ser também fruto daquele start, daquela coisa impossível de definir, como um grande "ponto de interrogação" na alma... o Egito não o havia preenchido, aí estava a grande verdade que ele teimava em não admitir: a cultura, os deuses, a mordomia... seu lugar, por algum motivo desconhecido, não era ali! Não podia ser... por que nenhuma daquelas lindas e sensuais mulheres não o atraíam? Quem não gostaria de estar ligada à família real? Moisés certamente foi muito assediado. Por que um homem de 40 anos ainda não tinha constituído família? Estava muito tarde, já, para os padrões da cultura Egípcia! Por quê? Por que aparentemente Moisés não conseguiu fixar raízes naquele lugar?...

É que no fundo do seu ser, o "Selo" de Deus queimava... era preciso encontrar a si mesmo!

A verdade é que nada justifica a sua fuga. Foi sobrenatural.

O Faraó que reinava agora era Ramsés II, aparentemente um amigo de infância; quer dizer, não mataria Moisés... talvez a história nem sequer tenha chegado direito aos seus ouvidos, ou, se chegou, talvez ele tenha mesmo se irado, mas... era algo de momento, com toda certeza, coisa do caráter do próprio Ramsés.

Não há explicação humana para o fato. Moisés não era um qualquer dentro do Egito! Sua fuga foi feita com a roupa do corpo, ele não se despediu de ninguém, não voltou atrás para pegar nada... não há explicação, a não ser a Divina: era o Kairós de Deus na vida de Moisés! A Predestinação!

Chamado E A Unção De Deus - O Quebrantamento


No Deserto de Midiã, Deus começa a preparar o caráter de Moisés para a obra que desejava confiar-lhe. Lembram-se como foi com Davi? O chamado já existia, mas a unção precedeu o treinamento - e não a coroação! O mesmo se deu com Moisés. Perdeu tudo! A opulência do Egito, o bom viver. Acabou indo para junto de um Sacerdote Midianita que servia ao Senhor, Jetro (os Midianitas talvez descendessem de Abraão por meio de uma de suas concubinas).

Defendendo as filhas do Sacerdote contra um grupo de Pastores, perto de um poço, foi acolhido. Agora, casou-se logo, pois não é bom ao homem estar só! Muito diferente de como foi com José, cuja escolhida estava no Egito, o mesmo não se deu com Moisés. Aquele que poderia ter tido qualquer mulher que quisesse como esposa, casou-se com a filha de um Sacerdote Midianita.

O homem que tinha defendido, desarmado, as moças de um grupo de pastores (vários homens) revelava seus conhecimentos de combate aprendidos no Egito; mas, como sogro de Jetro, Moisés passou 40 anos como simples pastor de ovelhas. Era a segunda metade dos conhecimentos que ele deveria ter: conhecedor profundo do deserto, seus caminhos, suas fontes de água, aprendeu as muitas lições que seriam cruciais para governar o Povo de Israel mais tarde.

As mais importantes, logo de cara, são Humildade e Paciência. O cuidado com as ovelhas, ignorantes, indefesas e sem saber como cuidar-se sozinhas, lhe dava uma prévia do coração do Povo, embrutecido, que o aguardava. Além do mais, passou 40 anos conhecendo a fundo o deserto por onde peregrinaria mais tarde.

Mas mais importante do que tudo isso, é que Deus preparava em Moisés um homem que teria um coração que creria Nele, e confiaria Nele inteiramente. Como Deus fez isso? Bem... taí algo que só Ele sabe!

O verdadeiro crescimento e o verdadeiro transformar do coração de pedra em coração de carne, vivo, pulsante... são uma trajetória muitas vezes invisível aos olhos humanos. Acontece nos desertos, nas cavernas, na solidão do quarto e da vida, regada por lágrimas que ninguém viu.... mas Deus viu! E cada uma destas lágrimas foi regando, regando, regando as sementes que Deus tinha plantado no solo do coração.

O mover do Espírito, enquanto Moisés passava horas a fio no ermo, na solidão, no silêncio das vastidões do deserto, o processo foi acontecendo. A vida suntuosa da corte foi substituída, toda a autoconfiança se escoava gradativamente, o treinamento egípcio, enraizado em estratégias baseadas na inteligência e habilidades humanas, já não valia de nada ali.

Ficamos a imaginar a ânsia das respostas... quem seria aquele Deus dos Hebreus? Teria ele agora a consciência plena de ser um deles? E bem possível que o contato com Jetro e os outros o levassem a conhecer um pouco mais do El Shaddai, e isso tenha lhe despertado, do fundo da consciência, alguma coisa que sua mãe tenha lhe dito, ou sussurrado enquanto ele já estava quase a dormir, em oração... ou alguma canção... o start já não era tão-somente um start... era um processo em andamento. E, num dado momento, Moisés encontrou a si mesmo... e encontrou o Deus de Seus Pais.

Ele estava pronto... tudo o que tinha de ser feito no seu caráter, no seu espírito, na sua alma para que ele pudesse ser o instrumento de Deus para saciar o clamor de Seu Povo estava pronto! Ao deparar-se com a Sarça Ardente, Moisés já estava pronto para ir. Não foi a Sarça que o despertou. Aquele foi o sinal de que o tempo tinha chegado.

Imagino que no mais profundo do ser de Moisés ele soubesse... soubesse que o Egito não tinha acabado para ele. Que havia algo a ser feito lá. Ele sabia do sofrimento do Povo de ver e sentir esse sofrimento! Se Deus tinha mesmo uma Aliança com esse Povo, por que não fazia nada para salvá-lo, deixando-o definhar-se sozinho no Egito? Quantas vezes ele não se terá indagado isso?

Quantas vezes não terá se sentido aliviado de ser um Hebreu e, mesmo assim, ter gozado da liberdade no Egito e, agora, também a tinha junto da esposa, dos filhos, do sogro, mesmo ali no deserto? Por que Deus não fazia nada pelo Seu Povo?!

Mas, falando a Deus do meio da Sarça Ardente, Moisés encontrou resposta à sua pungente pergunta. E Deus encontrou um novo espírito naquele homem: e isso, como já sabemos, não se cria nem se faz do dia para a noite. Moisés aprendera lições totalmente opostas às que recebera no Egito. Agora ele se conhecia melhor como ser humano, sem os "aparatos" do Egito, e sabia que não era nada.

Normalmente o chamado específico de Deus se concretiza somente após o período de arrependimento, quebrantamento, humilhação, auto-entrega e sacrifício dos ídolos. Depois de negarmo-nos a nós mesmos, aceitando a Cruz, e vencendo-a!

Deus então se apresentou, finalmente, a Moisés por meio da visão do Anjo do Senhor na Sarça. Chamou-o pelo nome. Disse-lhe que tirasse dos pés a sandália. Moisés reconheceu a Poderosa presença de Deus, pois escondeu seu rosto, temendo olhar. Ele tinha ouvido falar de Deus, sim, mas ainda não conhecia Deus! Porém ali no Monte, ele teve um encontro com o Senhor do Impossível.

Deus disse o Seu próprio Nome.... mas o que YHWH pedia era impossível de ser realizado! Mas era o Senhor, sim, era Ele sem dúvida!!! Ele tinha escutado os clamores de Israel, não era o Deus distante das Montanhas! Só esperava que Moisés estivesse apto a compreender aquela espantosa verdade sobre Deus e sobre ele mesmo!!!

Ainda assim, sendo a pessoa certa, tendo passado pelo processo de transformação de Deus, Moisés colocou vários tipos de empecilhos para recusar-se a ir ao Egito. Diante da visão, diante do ocorrido, diante do próprio Deus...

Aprenda isso também: quando conhecemos a verdade sobre nós, e nos deparamos com tanta pequenez e insignificância, e o Senhor se coloca diante de nós e apresenta a Missão para a qual nos destinou... temos medo. Sim, isso mesmo. Medo. Pavor. Nenhum Guerreiro vai à luta sorrindo e se vangloriando, alegrando-se com a Batalha, tocando sanfonas e cometas como se fosse dia de festa. Isso é coisa dos tolos que não foram treinados! Que não se esvaziaram do orgulho.

Mas.....Deus, o "EU SOU", já tinha começado a forjar nele o verdadeiro caráter de Líder. Não o Líder que ele tinha aprendido a ser no Egito, que impõe o seu querer pelo Poder maior que exerce, mas o Líder humilde que ouve a voz de Deus, e a obedece. Custe o que custar. Ele era um simples Pastor de Ovelhas, mas era o Homem certo. Quem poderá julgar pelas aparências?

Progressivamente, como nos mostra o relato Bíblico, Moisés vai começando a aprender que TERÁ QUE CONFIAR EM DEUS. Não há nenhum outro jeito, nem escapatória! E tudo ou nada! Claro que Moisés tinha suas qualidades naturais: conhecia tanto o Egito quanto o deserto, mas agora era diferente: tinha recebido a unção e a autoridade de Deus! Ele desceu do Monte Horebe diferente de quando subiu. Nada mais seria igual na vida dele.

Aprendemos então, que Liderança Espiritual é uma mistura das qualidades naturais potencializadas por dons e talentos espirituais. Assim como um Pianista não vai poder tornar-se um Maitre de repente, aquele que é chamado para Levita ou Pastor não vai se tornar Profeta de repente. Até pode haver uma somatória de Unções, como aconteceu no decorrer da vida de Moisés; mas elas eram todas direções verdadeiras de Deus e tinham que existir por causa do momento específico que viviam.

Muitas vezes um talento natural é usado de base, pois foi Deus quem plantou esses talentos em nós. Mas aprenda que jamais, jamais o talento natural será suficiente para qualquer Missão Espiritual. Pois é puramente humano, por favor, irmãos, entendam isso de vez para seu próprio bem. Pode convencer os Homens, mas não tem Poder Espiritual nenhum. Creia nisso!

A Alma Humana pode produzir muita coisa, muita coisa que parece Espiritual. Parece. Mas não é, pois falta o principal. A Unção, que vem em decorrência de um Chamado específico e um Treinamento específico. Tudo isso leva a uma Autoridade específica. Em suma: sem um comissionamento do Alto, é tudo fogo estranho!

Mas... você perguntará... Moisés era uma Selado, um Predestinado. Aconteceria de qualquer jeito, não é? Sim, aconteceria, sim. E isso inclui que o treinamento aconteceria de qualquer jeito, sem sombra de dúvida! O Selo em hipótese alguma nos isenta do treinamento!!! De jeito nenhum! O Selado precisa do treinamento, precisa vencer a carne, precisa aprender a confiar cegamente em Deus sem questionar, precisa aprender a obedecer imediatamente e não relativizar, nem inventar nada à sua moda... só porque é Líder! do mesmo jeito que o Eleito precisa de tudo isso, o Selado também!

As línguas de Fogo que desceram sobre os Discípulos foram um Batismo de Fogo, um Batismo com o Espírito Santo. Mas uma "Marca de Formatura" também, se assim o podemos dizer. Pois tinham passado pelo treinamento com o próprio Jesus, estavam prontos para exercer o seu Chamado a partir de então. A partir daquele momento se transformaram em Apóstolos realmente. Já o eram por chamado e treinamento, mas a capacitação sobrenatural veio no Pentecostes.

O Poder Espiritual não pode jamais ser gerado pelo homem, nem comprado, nem inventado!!! Enfiemos isso na cabeça, e busquemos de fato o Poder Verdadeiro, porque é somente este que satisfaz a Deus e preenche o ser humano. Tanto você mesmo, quanto os que lhe ouvem, os que são alvo da sua Missão. Não é nada bom... aliás, a pior coisa do mundo é viver de aparências!

Como vemos, Jetro não se opôs à partida repentina de Moisés, como se já esperasse por aquilo, como se Deus já lhe tivesse comunicado tão tremenda Missão. Que homem deixaria a filha e os netos partirem "para a morte", apenas dizendo: "Vai-te em paz"? Porque, vamos e venhamos - em termos humanos, era um verdadeiro suicídio!

Quanto a Moisés, o Senhor já lhe havia dado provas suficientes, sinais milagrosos do Poder que estava sobre ele. Quando questionamos muito em obedecer, às vezes podemos perder o melhor de Deus em nós. Moisés tanto questionou que Deus prometeu mandar Arão, seu irmão, ao encontro da família e Moisés falaria - a princípio - pela boca de Arão. Foi a vontade permissiva de Deus, não a perfeita.

No caminho para o Egito, Deus adiantou um pouco de como seria a peleja, que o coração do Faraó seria endurecido. Esse foi o decreto de Deus para que o Egito pagasse por todo o mal que tinha feito a "Israel, Meu Primogênito".

Não se tratava tão-somente de libertar o Povo, mas de fazer cair o Juízo sobre o Egito. Já sabemos quantos males tinham sido feitos nessa terra, e como Satanás seduziu, abriu Portais, ensinou Magia e oprimiu os filhos de Israel. Era momento de Juízo! Claro que Moisés não deve ter entendido bem o que Deus quis dizer com: "(...) Israel é meu Filho, meu Primogênito. Digo-te, pois, deixa ir meu filho, para que Me sirva; mas se recusares deixá-lo ir, eis que Eu matarei teu filho, teu primogênito" (Ex 4. 22-23).

Tanto Moisés não entendeu bem a questão espiritual da Missão, nem entendeu a questão do que Deus dizia acerca dos primogênitos, que desobedeceu conscientemente ao Senhor e não circuncidou seu filho. Temos uma interessante e importante passagem a analisar antes de prosseguirmos: "Estando Moisés no caminho, numa estalagem, encontrou-o o Senhor, e o quis matar. Então Zipora tomou uma pedra aguda e cortou o prepúcio de seu filho, e lançou-o aos pés de Moisés e lhe disse: Sem dúvida tu és para mim esposo sanguinário. Assim, o Senhor o deixou. Ela disse: esposo sanguinário por causa da circuncisão" (Ex 4. 24-26).

Embora pareça uma passagem sem pé nem cabeça, é de fundamental importância e dela tiraremos pelo menos 3 princípios importantes. Moisés não obedeceu a Deus, porque certamente Ele lhe disse o que fazer. Embora a Bíblia não relate, quando "o Senhor quis matá-lo", a esposa bem soube o motivo, e ela mesma fez o trabalho. Trabalho "sujo", com o qual ela não concordava. Talvez tenha sido por influência dela que Moisés não circuncidou Gérson. Ele deve ter dito, e ela deve ter sido terminantemente contra, a julgar pelo que diz: "Esposo sanguinário".

Analisemos um pouco este texto:

1. Quando somos chamados, mesmo os que estão mais próximos de nós, como cônjuges, pais ou filhos, podem não entender. É duro o momento da escolha. Se escolhemos agradar a Deus ou aos que amamos. Foi uma dura decisão depois disso, pois não sabemos mais que fim deu na esposa de Moisés, mas certamente Deus dela não se agradou. O chamado pode trazer divisão no lar, e teremos que decidir se amaremos ao Pai, ou se amaremos mais às pessoas. Não é nada fácil. Moisés deve ter-se entristecido muitíssimo. Não somente pela atitude da esposa, mas suas palavras de repulsa e escárnio.
2. Por causa do mau uso do livre-arbítrio (mais uma vez, o livre-arbítrio), o Senhor preferiria matar Moisés do que vê-lo perecer nas mãos do Diabo. Ele estava indo à Guerra sem a santidade requerida, sem o sinal do Pacto, sem a obediência plena. Veja só que coisa séria, à qual muitas vezes damos tão pouca importância!

A circuncisão era sinal de consagração. Quando confrontasse os Principados do Egito, por causa desta brecha seria massacrado, e Deus não poderia fazer nada a favor de Moisés pois foi escolha dele. Um pequeno detalhe... um detalhezinho... uma coisinha sem importância diante do esforço maior de ir até lá!!! Lembre-se sempre: é melhor obedecer do que sacrificar.


3. Os Guerreiros escolhidos para esse tipo de confronto, contra as Altas Hierarquias do Inferno, contra Espíritos Territoriais têm de obedecer a Deus cegamente, quer entendam na hora, quer não; quer achem justo, quer não. Têm que obedecer e ponto final! Mais tarde, entenderão, sem dúvida, o porquê de tudo que Deus lhes exigir. Como já disse, é certo que Deus já tinha falado mais de uma vez, e houve um conflito familiar diante daquele "absurdo sem sentido", um conflito não resolvido. E Moisés partiu em desobediência.

A santidade não estava completa. A consagração e anuência ao Concerto Divino não estavam feitas de forma integral. Ele morreria, a família morreria. Nesse caso, Deus preferia matá-lo, Ele mesmo, a ver sua morte com dor e sofrimento nas mãos do Inimigo furioso. Nunca brinquem com as ordens de Deus! Zipora sabia qual o motivo do confronto com o Senhor, reconheceu-o e entendeu. Mas não concordou. A aliança deles foi trincada. Entre o casal, e entre Zipora e Deus.


4. Entretanto, mesmo com a aliança matrimonial trincada, agora Moisés poderia ir, pois o tratamento era com ele; o Libertador era ele. Naquele ato, cumpriu-se a obediência. Moisés não era Senhor do destino de sua esposa, e ela certamente colheria as conseqüências de suas decisões, mas isso não afetaria a missão de Moisés. Essa é uma dura lição a ser aprendida pelos casais;

Zipora entendeu o que devia ser feito e teve chance de escolher, por diversas vezes, mas se recusou. Era o livre-arbítrio dela, contra o qual Moisés nada podia fazer. Diante disso, é preciso escolher fazer o que Deus quer. Cada um dará contas de si.

Não obstante, você há de se questionar... mas não eram os dois uma só carne? Ela não estava indo junto? Como Deus permitiu que ela continuasse depois disso? Realmente não sabemos se continuou. Há circunstâncias muito específicas em que Deus permitirá o rompimento do cordão que une homem e mulher. Certamente ela e os filhos retornaram à casa de Jetro e Moisés continuou - exercendo sua fé, e não o desejo do seu coração - continuou adiante.
5. A vontade perfeita de Deus nunca é separar as famílias... mas cada um usa seu livre-arbítrio da forma que quer, cada um é responsável por seu próprio destino. Aquela mulher perdeu seu marido... e fez com que os filhos perdessem o pai, pelo menos momentaneamente; Só se reencontraram muito tempo depois, quando Jetro, ouvindo falar do que Deus tinha feito no Egito, veio ao seu encontro trazendo a mulher e os filhos. Será que foi tudo como antes? Não sei. A verdade é que Arão recebeu ordem de Deus para encontrar Moisés, e os dois seguem juntos.

Conflito Com Faraó - Agora A Batalha É Verdadeira! - Mais forjar de Deus no caráter de Moisés

Moisés aceita o desafio. Ele não enfrentara o Faraó 40 anos antes, mas agora volta para enfrentar algo bem maior. A coragem como Líder Espiritual começa a despontar, na prática, pois a proposta que ele leva consigo é das "mais indecentes", digna de piada! Além de "aparecer do nada" diante do Faraó e do Povo, mas principalmente pela pedida: "Deixa ir o Meu Povo". Há coisas... princípios, formas de pensar, de ver a vida, de ver a Deus e a si mesmo, de entender as Escrituras que só a aceitação do Treinamento trazem até nós e nossa consciência. Não há outro jeito.

Entretanto, uma vez "provados e aprovados", há novas coisas... os novos conhecimentos e o continuar do desenvolvimento espiritual vêm com o desempenhar da Missão, do cumprimento do Destino Espiritual. As coisas novas não viriam sem o sucesso na etapa de treinamento.

Logo vêm os primeiros obstáculos da Batalha, obstáculos que só quem foi treinado e escolhido para estar ali têm condições de enfrentar e vencer: no caso de Moisés, sua aparição só causou mais tormento no trabalho e nas agruras dos Judeus. Muitas vezes no meio da Batalha, o barco balança, a tempestade ruge, a seqüência dos eventos não é a que esperamos; tem-se a impressão de que vamos perecer! Nada à nossa volta colabora. Praticamente ninguém permanece ao nosso lado, ou pior ainda, voltam-se contra nós.

A única esperança que nos sustenta é a Promessa do "EU SOU", impregnada no coração. Palavras de homens não trazem consolo ou direção, nada nos alenta... a não ser a Promessa.

Nossos olhos já não contemplam o Mundo Físico à volta, mas olham para o Alvo, para o Caminho a seguir, mesmo cheio de obstáculos é por ali que iremos, pois sabemos que - apesar de TUDO - o Senhor vai adiante de nós. Isso se aprende do dia pra noite? Nem em sonhos! Quando a coisa aperta, aí é que vemos em que tipo de Deus nós cremos, e que tipo de pessoas somos nós.

Do tipo que põe os pés pelas mãos e faz tudo do seu jeito, pois Deus deve ter-se enganado em algo, senão não estaria tudo ruindo ao redor... ou do tipo que agüenta firme até o fim; e então, num dia, vê as trevas se dissipando, e o sol raiando, e a Promessa — enfim! — sendo conquistada!

A atitude de Faraó só comprova nossa tese. Embora Moisés soubesse que "o coração dele seria endurecido", talvez não imaginasse quanto. Realmente não ia ser nada fácil, o que só fez evidenciar ainda mais que somente o Poder de Deus poderia livrar o Povo. Os Hebreus, apesar de mais desejosos de sair do Egito, culparam amargamente o que se lhes tinha sido dado como "Libertador", Moisés.

E quanto a ele? Temeroso como estava antes, ao pôr os pés na tão familiar terra do Egito, com seus Templos imensos, seus deuses em forma de estátuas impressionantes, o Palácio do Faraó. Que terá Moisés sentido? E ao contemplar a face do antigo amigo, Ramsés II? Talvez tudo que ele quisesse era ir logo embora dali, que Deus cumprisse de uma vez o que dissera, pois era tão penoso estar ali! Não que ele sentisse qualquer saudade do Egito. mas talvez tenha imaginado que Deus faria a obra num estalar de dedos Não era saudade, mas, quem sabe, uma certa nostalgia? Moisés era humano, gente! OU, diante do quadro, uma tremendo pesar... tudo, em cada canto, havia recordações de uma outra vida, de um outro homem... e visitar o passado nem sempre é bom. Se foi um passado ruim, e as lembranças não são boas... entende-se!

Mas se houve algo de bom nesse passado, ficamos divididos. Não sejamos "crentosos" demais! Moisés experimentou o que o Egito tinha de melhor, teve amigos e companheiros. Claro que isso mexeu com o seu íntimo. E ver Ramsés... como vocês acham que ele foi levado tão facilmente à presença do Faraó, como se este fosse o quitandeiro da esquina e não a encarnação de um deus? Ver Ramsés... e não abraçá-lo?! Mas falar duramente e começar um duelo de forças? Ah! tenha certeza de que não foi nada, nada fácil. As emoções foram profundamente mexidas, e quando isso acontece, nem sempre é coisa simples permanecer com os olhos fitos no espiritual, no alvo.

Com a demora, e o balançar do barco por ondas que só tinham a tendência de crescer, Moisés protestou, murmurou, reclamou perante o Senhor com incredulidade e desânimo. Ele não tinha recebido a estratégia completa do Êxodo, só o primeiro passo. Obedecer, realizando a primeira tarefa abre espaço para a revelação do novo passo. Muita gente por aí quer fazer as coisas a seu modo. Não obedecem, mas esperam que o Senhor as guie e proteja.... não cumprem nem o primeiro passo e reclamam que "está tudo muito demorado". Claro! Experimente dar o primeiro passo que Deus lhe ordenou, e veja como o segundo passo será mostrado. Se obedecido, virá o terceiro. Assim por diante. E quem experimenta isso, não quer mais deixar de viver no centro da vontade de Deus!

Aprenda isso também! Basta a cada dia o seu mal, devemos aprender a não estarmos ansiosos com nada. Deus normalmente revela um ou dois passos, não todo o percurso da nossa vida e da Batalha. Se assim fosse, para que a Fé? E desta maneira que o nosso ser continua sendo trabalhado, lapidado.

Moisés foi, cumpriu o primeiro passo que era ir até o Egito e dizer ao Povo de Israel que "EU SOU, YHWH, o tinha enviado para levá-los a uma Terra Prometida, pois tinha ouvido seu clamor". Deveria também se dirigir ao Faraó como Embaixador desse Deus, que lhe ordenava: "Deixa ir Meu Povo!".

Fica claro o temor do coração de Moisés, como nem podia deixar de ser; precisou da ajuda de Arão pois sua boca não conseguia abrir e certamente suas pernas bambeavam enquanto o coração pulava no peito. O Moisés que chegou ao Egito seria muito diferente do Moisés que sairia de lá. Mas, por enquanto, ele só parecia feliz enquanto tudo ia bem.

Diante da aparente desgraça que acontecia (ainda antes de começarem as Pragas) Deus o reanima relembrando promessas (Ex 6.1-8), revelando a Moisés o significado pleno do Seu Nome (Ex 6.3), dizendo que "o constituiu como Deus sobre o Faraó, e Arão seria seu Profeta" (Êx 7.1). A partir daí, após este "início de Ministério", o coração de Líder, e as qualidades essenciais deste começam a brotar em Moisés. Mesmo com medo, o incentivo de Deus o fez levantar-se e ir em frente.

O que vemos aqui?

- PERSEVERANÇA: ainda que ele discuta com o Senhor e novamente apresente empecilhos, enfatizando que "não sabe falar bem", cede e volta a falar com Faraó. Foi somente quando Moisés e o Povo sentiram-se impotentes que Deus começou a manifestar-se por meio das pragas. Calcula-se que este período tenha durado pouco menos de um ano. A perseverança e determinação de Moisés são claras.
- SUBMISSÃO e OBEDIÊNCIA: durante este período, observamos esta característica, que já tinha despontado, crescendo mais e mais. Chega um determinado momento em que Moisés pára de "discutir" com o Senhor e passa à OBEDIÊNCIA IMEDIATA. Isto começa a ocorrer basicamente após o sinal com a vara de Arão, que se torna em serpente, e devora os bordões dos Magos Egípcios, que também se tinham transformado em serpentes (Êx 7. 12).

- OUSADIA E CORAGEM: Moisés começa a apresentar cada vez mais. Deslanchou rapidamente. Na 2a praga, ele mesmo fala com o Faraó e acrescenta o motivo verdadeiro pelo qual tudo aquilo vem ocorrendo: "Para que saibam que ninguém há como o Senhor nosso Deus" (Ex 8.10). E o início de uma visão espiritual propriamente dita que vem da profundidade do relacionamento mais íntimo e conseqüente conhecimento de Deus Isso veio como manifestação direta do Poder de Deus através de Moisés. Sinal que, diante da aquiescência, perseverança, ousadia, submissão, coragem, determinação; obediência... Deus começou a agir. E, agindo... aumentou naturalmente a Fé de Moisés! Perceba que é uma espécie de "bola de neve", onde uma coisa leva à outra.


- CONFIANÇA PLENA: em Êx 8.10, Moisés fala pela 1a vez com o Faraó, perguntando-lhe - com certo tom de sarcasmo - quando deve pedir ao Senhor em favor do Faraó e de todos os Egípcios para que a praga se vá Ao que o Faraó responde: "Amanhã". Moisés concorda e diz que será feito segundo o pedido do Faraó. Estamos aí apenas na 2a praga; na 4a praga, Moisés afirma que ela cessará "amanhã". E uma certeza absoluta, não uma vaga esperança. Isso demonstra que Moisés estava apurando os ouvidos, discernindo melhor o que Deus dizia, e observando a cada passo que Ele honraria a Sua Palavra.
- FÉ: após isto, Deus começa realmente a usar Moisés como era de seu intuito desde o princípio. E interessante notar que antes Deus se dirigia a Moisés falando: "Dize a Arão" que faça isto e aquilo. Mas agora, em decorrência da FÉ LAPIDADA de Moisés, pela 1a vez na 7a praga (Ex.9.22-23) foi Moisés quem estendeu a vara. Na 8a praga, se dá o mesmo; na 9a praga, Moisés ergue as suas mãos. E não somente isso. Pela fé, Moisés aprende cada vez mais a argumentar com Faraó, apresentando o que antes não tinha:
- INICIATIVA e ELOQÜÊNCIA: segundo a Palavra do Senhor. Deus causou uma profunda impressão não somente nos egípcios e Povos distantes, mas principalmente em Moisés e nos Israelitas. Estes, mais do que ninguém, necessitavam conhecer a natureza de Deus. Foi, contudo, necessária a terrível praga da morte para que finalmente o Povo saísse do Egito.

O coração de Líder de Moisés recém-despontado encontraria agora, novamente no deserto, a verdadeira escola que terminaria o seu lapidar. A continuidade do trabalho obediente diante de Deus e diante do Povo aumentaria a patente de Moisés, o faria amigo de Deus, e o único Profeta a vê-lo face a face. Seriam muitos os desafios ainda. Tudo estava apenas começando, e o período no Egito, embora tenha sido um confronto real, também serviu como mais uma etapa do treinamento. Quando Moisés entrou no Egito, tinha uma Patente espiritual. Quando saiu - sua Patente já era outra!

Agora, o restante da travessia transformaria Moisés ainda mais; a ocupação da sua verdadeira posição e o cumprimento do seu Destino Espiritual ocorreriam durante a peregrinação no deserto.

Ao sair do Egito, vemos agora um Moisés que já não é tímido nem excessivamente temeroso, mas um homem que conhece a VONTADE DE DEUS para si, CONHECE O TRABALHO para o qual está sendo chamado, CONHECE O DEUS QUE O CHAMOU e decididamente colocou-se como SERVO para ser usado e orientado para CUMPRIR O PROPÓSITO ATÉ O FIM.

Moisés sabia que o Povo Hebreu, como escravos recém-libertos, não estava preparado para lutar nem para entrar na Terra Prometida. Inicia-se aqui algo especial.

- LIDERANÇA TEOCRÁTICA: Moisés foi capacitado por Deus para ser o "PROFESSOR" daquele Povo na "Escola do Deserto", levando-os a conhecer o Senhor para serem transformados, a fim de que o objetivo final pudesse ser alcançado. Repare bem no termo "Liderança Teocrática". E não "Homocêntrica". Moisés não fez, em momento algum, o que lhe deu na veneta. Tipo: "Oba! Consegui! Agora está fácil". De modo nenhum. Se era para virar à esquerda, assim Moisés o fazia, se era para virar, à direita, também assim ele obedecia. Esse é o espírito do verdadeiro Líder: "Liderança Teocrática"! Guarde isso muito bem no seu coração. Senão... como guiar o Povo para onde o Senhor quer????


A Travessia Do Mar Vermelho - Um Novo Moisés

Na hora do aperto, o Povo esqueceu de tudo o que Deus já fizera, tirando-o do Egito.

Revoltaram-se contra Deus e contra Moisés. (Êx 14.10-14). Mas Moisés já não era o mesmo homem tímido e inseguro. Ele conhecia Deus e a Sua Vontade: foi ousado e corajoso ao dizer ao Povo "Não temais, aquietai-vos, vede o livramento do Senhor que, hoje, vos fará; porque os Egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tomareis a ver. O senhor pelejará por vós e vós vos calareis". Mas talvez, no íntimo, apesar de já ter provado a Fidelidade do Senhor, ele foi tomado de pânico. A sós com o Senhor, seu pavor aparece, mas de uma maneira controlada, em forma de súplica e oração, e não reclamações como fez o Povo. Parece-me que assim foi, pois o Senhor lhe responde: "Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem" (Êx 14.15).

O conflito durou toda a noite, pois o anjo que acompanhava o Povo passou para trás deles e também a Nuvem, de modo que escureceu os olhos dos Egípcios, mas clareou a noite dos Israelitas. Imagine só como batia o coração desse povo nessa noite. Será que alguém dormiu? Mesmo Moisés, sabendo que deveria levantar o bordão e dividir o Mar... mas... dividir o Mar?! Nunca se esqueça: ali estavam seres humanos como nós. Imagine-se nesta mesma situação. Não preciso dizer muito. Você sabe o que eles sentiram.

Madrugada. A Voz de Deus certamente ecoou no espírito de Moisés: "É hora!". E ele se levantou, à vista do Povo, e obedeceu ao comando e a estratégia. As pragas agora pareciam fichinha perto disso, elas eram aparentemente controladas, conversadas... o Mar se mostrava como exatamente era: um Mar de impossibilidades, e o momento não dava para conversar nem esperar mais um minuto.

Este episódio revelou em Moisés um coração que, apesar de continuar sendo lapidado pelos métodos de Deus, já sabia que não morreriam! Eram os olhos fitos na Promessa. Qualquer outro que não tivesse passado pelo treinamento e sido vitorioso no Egito por causa de todas as características já mencionadas antes, nunca poderia terminar vencedor nesse momento, nunca! Uma coisa levou à outra, e assim será conosco também. Perceba o que Moisés fez:

- ORAÇÃO: ele orou para ENCONTRAR OS MÉTODOS E A ESTRATÉGIA ESPECÍFICA DE DEUS. Revela dependência total do Senhor, mesmo num momento em que as emoções estão fortemente abaladas por algo que ele não esperava que acontecesse, e a responsabilidade tinha aumentado milhares de vezes. Era só olhar para aquelas crianças, aqueles idosos, os homens e as mulheres de seu Povo. Ele tinha que fazer a coisa certa, não podia errar. Tinha que levá-los, em segurança, ao seu destino: a Terra Prometida.

- Romper da manhã. Novamente Deus fala a Moisés sobre o que devia fazer. Moisés OBEDECE imediatamente. E as águas retomam sua força, acabando com os Egípcios. Glorioso momento este. Foi, talvez, a primeira vez que de fato Moisés recebeu a honra que lhe era devida, do seu Povo. Diz a Palavra que "o Povo temeu ao Senhor, e confiaram Nele, e em Moisés, seu SERVO" (Êx 14. 31). O reconhecimento dos liderados da Liderança verdadeira de Moisés é um presente sem preço. Concorda? O verdadeiro Líder não precisa apregoar nada a ninguém. Suas ações falam por ele.

Então, Moisés JUNTAMENTE com o Povo, pela 1a vez (começa a existir um elo verdadeiro, uma EMPATIA MÚTUA), cantam ao Senhor agradecendo o livramento e profetizando a entrada em Canaã. (Êx 15.1-20). A Profetisa Miriã, irmã de Arão, tomou um tamborim, reuniu as mulheres, e todas saíram com danças e tamborins, continuando a canção, Foi um momento de muita alegria!

• As Provações No Deserto - Mais Treinamento Para Moisés - Seu Papel Como Líder Verdadeiro

As dificuldades da caminhada no Deserto são maiores do que podemos imaginar e toda a viagem deverá ter sido muito penosa. Era necessário que as provações os disciplinassem e adestrassem para conquistarem a Terra Prometida. Ainda não estavam em condições de enfrentar as hostes de Canaã, nem desenvolvidos espiritualmente para servirem ao Senhor uma vez que entrassem. O papel de Moisés nesse sentido foi fundamental; sem ele o Povo não chegaria a lugar algum.

Deus desejava que os Israelitas aprendessem a confiar inteiramente Nele, e isto tinha que começar em Moisés. Como isso aconteceu? Depois do respeito inicial que tiveram, não tanto pelas pragas, mas pela travessia do Mar... isso deveria continuar a acontecer, cada vez em maior escala. Claro que o respeito de um Líder é conquistado pelas atitudes que ele toma diante do seu Povo.

- Moisés verdadeiramente foi EXEMPLO. Nas principais provações relatadas (Mara, a fome, Horebe) o Povo revela a covardia, murmuração e rebeldia típicos do espírito escravo.

- Moisés OUVE e CLAMA AO SENHOR EM TUDO PARA RECEBER A DIREÇÃO. Faz empatia com o Povo, sempre incentivando-os ao ensinar as lições que deveriam aprender. O Povo vai aprendendo a "Teoria" na Prática. Por exemplo: em Mara, ensinou-lhes que deveriam "ouvir atentos a voz de Deus, e fazer o que é reto, e dar ouvido aos mandamentos, e guardar os estatutos" e provou que a recompensa viria realmente na prática. Lá é também revelada outra faceta do caráter de Deus: Jeová Rafa (Êx 15.26).

- Com o Maná, Moisés ensina ao Povo como deveria proceder, sem avareza ou ganância, obediente às normas de recolhimento. Moisés pôde ensinar porque ele próprio aprendera que a provisão divina era diária. E obedecia.

- Em Refidim, por causa da água, a contenda foi pior ainda e o Povo até falava em apedrejar Moisés. Ele se manteve firme, com TENACIDADE, e novamente obteve o livramento do Senhor (Êx 17.2-7).

Enfim: Moisés cumpria cabalmente sua função de Líder em relação aos liderados:

• É EXEMPLO = {Ele aprendeu tudo isto (vide o que foi dito até agora) e pôde então ser usado como instrumento para modelar o Povo e leva-lo à Deus.

• É SERVO

• ENSINA = Dt 28; Êx l8.:20

• EXORTA = Dt 4.1-40; Êx 16.8; Êx 17.2; Dt 8.5-6 e 11-20

• DISCIPLINA = Lv 10.3-7

• JULGA = Êx l8.13

• PROMULGA JUÍZO = Êx 32.25-28

• APRESENTA IRA SANTA = Êx 16.18-20

• É AUTÊNTICO E INTEGRO = Êx 32.30-32

• INCENTIVA = Êx 14.13-14

• LEVA O POVO AO AMOR À DEUS E À SUA VONTADE = Ex 35.20-29; Êx 39.42-43

• É HUMILDE E SIMPLES = Moisés estava à frente do Povo mas também estava com eles; não houve honrarias especiais, lugares especiais nem nada que o Povo passasse que Moisés também não passasse junto. Mesmo diante de severas murmurações ele manteve o coração de servo.




A Divisão Do Trabalho Com Outros Líderes - O Cerne Da Verdadeira Liderança

- Guerra com Amaleque: Deus começa a mudar seus métodos para ensinar a Moisés e ao Povo que seu Líder não fará tudo sozinho, sempre. Israel deveria tomar parte em sua própria salvação e, com isso, Deus vai introduzindo o princípio de cooperação.

- Moisés também começa a aprender que Onipresença, Onipotência e Onisciência são atributos de Deus. Foi ele que teve de orientar e comissionar Josué como "General" da 1a Batalha e ele próprio foi para o Monte com Arão e Hur (Josefo, nosso já conhecido Historiador Judeu apresenta Hur como marido de Miriã). Erguer o Bordão, como símbolo do Poder de Deus, já tinha nas pragas, e na abertura do Mar e na ferida da rocha em Horebe. Mas Moisés o fez sozinho.

Desta vez, ele contou com dois auxiliares, pois não teria forças para manter o cajado erguido durante toda a batalha, um símbolo do Poder de Deus novamente, que faria com que o grupo que guerreava sob a liderança de Josué lutasse com maior valentia. Pela primeira vez Moisés soube o que era trabalhar com uma pequena equipe, em conjunto. Moisés viu que sua função espiritual no alto do Monte, assessorado por Arão e Hur, somando-se aos esforços de Josué à frente dos Israelitas tornou eficaz a luta, e houve vitória.

- Nota-se que Moisés CONHECIA O GRUPO, pelo menos em parte, e sabia com quem contar e de que forma contar. Assim, INVESTIU NO POTENCIAL daqueles a quem confiou tarefas específicas e CONFIOU que estariam à altura do propósito de Deus. Líder centralizador e que boicota o potencial dos seus Liderados não é um bom Líder. Nenhum Guerreiro vencerá a batalha sozinho. Precisamos uns dos outros e o papel do Líder é encaminhar bem aqueles que Deus colocou em suas mãos, e não impedi-los de alcançar a plenitude!

- Moisés aprendeu ali, naquele momento, que não somente ele tinha sido Predestinado para algo. Havia muitos que o Senhor pretendia usar; aquele momento foi o primeiro de muitos outros em que as tarefas seriam divididas. Isso só aconteceu porque Moisés começou a aprender que Deus dá diferentes incumbências (Ministérios) a pessoas diferentes. Isto facilitou o evento seguinte, quando, com HUMILDADE e SABEDORIA, OUVIU a seu Sogro Jetro e, com COMPETÊNCIA, escolheu os cabeças do Povo com quem iria dividir os árduos trabalhos de julgar e liderar aquele Povo.

Jetro estava certo, não era bom o que Moisés fazia, centralizando em sua pessoa todo o serviço. Moisés "desfaleceria de tanto trabalho, e, com ele, todo o Povo" (Ex 18.13-26). E nisto mais uma vez Moisés provou conhecer o grupo e o potencial de cada um.

- Muitos Líderes temem dividir responsabilidades especiais, preferindo ser "pau pra toda obra", independente se foram chamados para fazer mesmo tudo aquilo. Quando você, Líder de qualquer Ministério, ocupa um lugar que não é seu, está automaticamente roubando esse lugar de quem deveria realmente estar ali. Só que o medo de sair no prejuízo é mais forte: "Vai que, se eu ajudar esse cara, der o Púlpito, facilitar para que as portas do seu Ministério se abram, de repente ele vai me eclipsar!". Quantos e quantos não pensam assim, meu Deus? Têm ciúmes do Ministério que "é deles" - não do Pai... - e costumam pôr pra correr qualquer pessoa com potencial, esquecendo-se que, no Corpo, cada um ocupa um lugar definido. Enquanto se é obediente, seu lugar e seu crescimento como Líder estarão assegurados por todo o sempre. Ninguém vai eclipsar ninguém, cada um vai cumprir o seu próprio Destino.

- A partir daí, em todo o relato do livro de Êxodo, mais e mais começam a aparecer nomes em particular, Dons específicos e Ministérios específicos, que continuam nos demais livros do Pentateuco.

• Ex 24.1 = Arão, Nadabe, Abiú e 70 anciãos sobem ao Monte Sinai para Adoração. Sinal que Deus tinha um propósito especial com estes.

• Ex 24.13-14 = Josué (o servidor); Arão e Hur (Líderes temporários para julgar o Povo enquanto Moisés fica 40 dias no Monte.

• Êx 28.1 = Arão, Nadabe, Abiú, Eleazar, Itamar (Sacerdócio)

• Ex 31.l-6

• Êx 35.30-35 = Bezabel, Aoliabe e homens hábeis (artífices, escultores, lapidadores, marceneiros, ourives para construção de objetos do Tabernáculo



• Ex 36.1-2

Nm 1.4-17 = Homens (1 de cada tribo) para ajudar no censo

• Nm 3 = Separação dos levitas

• Nm 13.1-16 = Separação dos Espias

• Dt 16.18-20 = Os Juizes e seus deveres


- Saber entregar o cajado na hora certa, e para a pessoa certa também são características do verdadeiro Líder. Lembram que Moisés passou a Liderança para Josué? Foi no momento de sua morte, às portas de Canaã; e Moisés nunca "temeu" que Josué "roubasse" seu lugar. Ao contrário... Josué durante todos os 40 anos no deserto foi um Discípulo chegado a Moisés, de quem aprendeu muito, e contra quem jamais conspirou, nem jamais questionou sua autoridade. Começando como simples servidor, Josué jamais poderia imaginar que o lugar de Moisés um dia seria dele! Quem serve bem ao Homem, como quem está servindo a Deus, sempre é recompensado.

- Mas a verdade é que os Líderes são, sim, muitas vezes alvo de complôs de pessoas que o invejam e desejam seu lugar. Não tema, servo do Altíssimo! Enquanto você estiver 100% no centro da Vontade de Deus, nada poderá derrubá-lo, ninguém tirará o que o Senhor lhe deu. Lembra-se de como Miriã - a própria irmã de Moisés — veio a questionar sua autoridade, com Arão, e nisso realmente intentavam tomar-lhe o lugar? Era inveja, pura inveja da posição que Moisés ocupava. A desculpa da mulher cuxita era só uma desculpa!

É triste, mas acontece muito... os que mais lhe apunhalam vêm de dentro de sua própria casa. Mas não se esqueça: o Senhor mesmo defendeu Moisés (Nm 12.1-15).

Monte Sinai - Auge Da Liderança Teocrática

Israel chegou ao Monte Sinai mais ou menos 6 semanas após a partida do Mar Vermelho. Lá ficaram quase 1 ano, pois Deus tinha propósitos específicos: daquele lugar o Povo escravo recém-libertado sairia como uma Nação capacitada a enfrentar a conquista de Canaã.

Tão logo chegam ao Monte, Moisés subiu a Deus: a impressão é que Moisés apartou-se do Povo com a intenção de buscar o Senhor, provavelmente com relação à direção da caminhada (CONFIOU no Povo, deixando-o "só" ao pé do Monte. Mas é claro que havia Liderança sobre eles, especialmente Arão e Hur). Antes de receber as duas Tábuas da Lei, Moisés já havia subido por duas vezes ao Sinai, só que de forma mais rápida, levando consigo algumas pessoas. Estas deviam parar no meio do caminho e somente Moisés continuava (Êx 19.16-25; 24.1-11).

O Senhor dava instruções rápidas, começou a mostrar o caminho espiritual que deveria ser trilhado antes do caminhar físico (a conquista de Canaã em si): fala em purificação, santificação e consagração do Povo, dá os Dez Mandamentos, começa a descortinar Leis e Estatutos. Assim, Deus revela mais do seu caráter, ensinando lições a Moisés e ao Povo. Quanto a este último, sequer podia chegar perto do Monte quando a Glória de Deus ali se manifestava. Quem chegou mais longe nessa subida foi Josué, justamente na 3a vez, que foi quando Moisés recebeu as Tábuas (Ex 24.12-18).

Concluindo: esse período no Sinai deu aos Israelitas todo um sistema de Leis Sociais, Religiosas, Civis; além do modelo do Tabernáculo. Assim eram feitos Nação, e o Senhor orientava como essa Nação deveria governar-se.

A Violação Do Pacto - Evidências Das Disciplinas Interiores De Moisés


Cada vez mais o Senhor confirma Moisés não apenas como Líder, mas também como Mediador, Legislador e Profeta. Os eventos do Monte Sinai são talvez o mais belo exemplo da Liderança Teocrática: Moisés recebia de Deus face a face para repassar ao Povo. Este recebeu de coração aberto tudo quanto o Senhor propusera a Moisés (Ex 24.3, 7). Creio que Moisés deva ter se alegrado muito com isto e já quase podia antever a entrada na Terra Prometida como algo muito próximo.

Moisés aprendeu o que era fé, santidade e agradar ao Senhor em tudo, e cria que o mesmo se dava com o Povo. Ao ser chamado segunda vez para subir ao Monte, primeiro levantou-se para celebrar de forma palpável o que Deus já tinha feito: com isto, Moisés ensinava o Povo a ter um espírito ADORADOR, de REVERÊNCIA e PROSTRAÇÃO perante a Glória e Poder do Senhor. Depois de escrever o que o Senhor já lhe havia dito, de madrugada erigiu um altar ao pé do Monte e doze colunas; ofereceram holocaustos e sacrifícios pacíficos. O sangue aspergiu sobre o altar e sobre o Povo (isso bem antes de construído o Tabernáculo, dadas as Tábuas e as direções sobre todo o Sistema Levítico e as formas de adoração - Ex 24.18).

Menos de 40 dias após haverem prometido solenemente que guardariam as Leis que Deus já havia dado, os Israelitas quebram a aliança com o Rei Divino. Arão, mesmo sendo Líder, demonstrou sua fraqueza e covardia, cedendo à pressão do Povo e consentindo na Idolatria.

Acostumados ao que viam acontecer no Egito, não é surpresa para ninguém porque a escolha foi a de um Bezerro de Ouro. Era uma personificação divina tipicamente Egípcia, e eles não conheciam a face de YHWH, não tinham a menor idéia de como Ele seria. A intenção talvez nem fosse das piores, queriam continuar crendo naquele mesmo Deus que os tinha livrado do Egito, só que precisavam de algo palpável que os ajudasse a manter acesa a Fé.

Seu único referencial era o Egito. Então fizeram um deus semelhante, e uma festividade semelhante (imoralidade sexual - 1 Co 10.6-8).

Na sua GRANDEZA E AMOR, Moisés intercede pelo Povo antes mesmo de descer do Monte (Ex 32.11-14). O único que não participou desta coisa horrível foi Josué, porque embora deixasse de subir ao cume com Moisés, não se apartou do Monte (Ex 32.17-18).

Evidências das Disciplinas Interiores de Moisés:

• Oração = Êx 33.7-11

• Intercessão = Dt 9.25-29

•Jejum = Êx 34.28; Dt 9:25
MOISÉS NÃO FOI CONIVENTE OU NEGLIGENTE COM O PECADO TÃO GRAVE DO POVO: irou-se, quebrou as tábuas (anulação da Aliança) e mandou matar os idólatras. NÃO FICOU EM CIMA DO MURO.

Embora a Bíblia diga que não havia homem tão manso quanto Moisés sobre a Terra, naquele momento a ira santa de Deus invadiu-o completamente. Faz-nos lembrar da purificação do Templo feita por Jesus. Uma atitude tão ímpar que quase não se reconhece a pessoa. Mas é uma IRA QUE VEM DE DEUS.

Vamos e venhamos, esse é um dos pontos mais cruciais para todos nós, quer sejamos ou não Líderes. A conivência com o pecado tem imperado em nossas Igrejas! Por isso ela está tão doente. Mas Moisés só pôde disciplinar com tanta autoridade, a ponto de mandar os filhos de Levi matarem até mesmo amigos e familiares, porque ele mesmo era santo o bastante para fazer valer o seu decreto.

Mesmo depois de mortos uns 3.000 homens, Deus diz que não mais os acompanhará à Terra Prometida por causa da dura cerviz do Povo. "(...) Se por um momento Eu subir no meio de ti, te consumirei (...)" (Ex 33.5). Imagine só.....que desgraça, no sentido mais literal possível da palavra! Somente o anjo iria com eles. Pranteou o Povo e Moisés, temeroso, inseguro sobre o futuro da Nação, novamente intercede diante de Deus, desta vez na tenda que costumava armar fora do arraial, longe de todos.

Naquele momento, Moisés devia estar apavorado com a simples idéia de Deus não seguir com eles (É... quantos de nós não estão nem aí se Deus vai, ou não vai conosco vida afora).

TENAZMENTE, COM AUTORIDADE, E COM O AMOR PECULIAR dos grandes homens de Deus, Moisés lutou em oração com o Senhor. Sua vida estava tão intimamente ligada à do Povo que ele preferia ser riscado do Livro de Deus a ver o Povo sem perdão. Agiu semelhantemente a Cristo, estando, de certa forma, pronto a dispor de sua própria vida em favor dos seus amigos.

O CORAÇÃO RETO E PURO de Moisés foi a chave na sua intercessão. Deus reconsiderou, mostrou-lhe a Sua Glória como sinal de que o desejo dele seria atendido, um sinal da Fidelidade e do compromisso do Senhor com Israel.

Moisés NÃO TINHA PECADO EM MOMENTO ALGUM, POR ISSO SUA INTERCESSÃO FOI ACEITA. Bem como foi tolerada a presença de Josué, jovem e corajoso, o tempo todo perto da Tenda (Ex 33. 11). Ele também não tinha pecado.


O Fracasso Da Missão - O Preço A Ser Pago Pelo Líder


Após o episódio de revelação e construção do Tabernáculo, e depois que Moisés PAGOU O PREÇO PELO POVO, ficando novamente 40 DIAS no Monte sem comer nem beber, Israel prepara-se para a viagem a Canaã. Do ponto de vista de Deus, eles estavam prontos para a conquista.

Mas aí... o Livro de Números relata a triste história do fracasso dos Hebreus em cumprir os ideais que Deus lhes havia proposto. É uma história de falta de fé, queixas, murmurações, deslealdade e rebelião a despeito de tudo o que viram anteriormente. Moisés está a ponto de fraquejar, pois o peso é muito grande sobre ele. Sofre CANSAÇO E DESÂNIMO (Nm 11.1-6; 11-15) Deus reconhece o cansaço de Moisés e designa 70 anciãos para o ajudarem. Momentaneamente, pois o tempo de entrar em Canaã estava muito perto.

Como Líder, Moisés nada mais podia fazer. O Povo também tinha o seu livre-arbítrio. Das queixas mais leves passaram às críticas pesadas contra Moisés, e isto também partiu dos Líderes mais próximos e fidedignos. Somente Josué e Calebe permanecem crendo na Promessa da conquista.

Tudo culmina mal após o relatório dos Espias. Depois de uma difícil viagem de 320 km do deserto até Cades, a incredulidade e a murmuração são para o Senhor a última gota d'água a ser tolerada. Agora, não há mais retorno, a bênção foi perdida de vez; em seu lugar, Juízo e castigo de Deus, mais 38 anos de peregrinação no deserto e a destruição daquela geração. As provações individuais de Moisés sem dúvida foram piores neste período. Veja algumas delas:

• Reclamações intermináveis do Povo : Nm 20.2-5: isso foi logo depois da morte de Miriã. Moisés devia estar TENSO, TRISTE E SATURADO como qualquer ser humano. Contemplar tão de perto a Bênção e perdê-la... nem posso imaginar!

• Competição, inveja e críticas destrutivas : Nm 16. Rebelião de Corá, Datã e Abirão. Aqui havia não só o aspecto religioso, mas também o político. Moisés novamente não se defende, mas propõe uma prova para que o próprio Senhor confirme quais eram os detentores da autoridade e do sacerdócio.

• Rejeição/Rebelião : Nm 14. Tendo fracassado na Missão, furioso, o Povo falava até em apedrejar Moisés, Arão, Josué e Calebe. Deus teve que intervir mostrando sua Glória na Tenda da Congregação. Prometeu destruir o Povo. Mais uma vez, a despeito da terrível, horrorosa e desesperadora situação, Moisés intercede e pede que o Povo não seja destruído, mas perdoado. Mais uma vez Moisés foi atendido; o Povo foi perdoado. Mas perderiam a Bênção. Certamente esse foi O MOMENTO MAIS TRISTE DA VIDA DE MOISÉS.


O Pecado De Moisés E O Castigo De Deus - Não Se Lhe Apaga O Coração Servil

Acredita-se que o acontecimento no qual Moisés e Arão pecaram ocorreu no último ano da peregrinação de Israel. No mesmo ano morreram Miriã, Arão e Moisés. Não havendo água, surgiu no meio da nova geração o mesmo espírito de murmuração que condenava a antiga.

Moisés deve ter-se sentido muito amargurado. O Salmo 106.32-33 diz que os Israelitas o indignaram e "irritaram o seu espírito, de modo que falou imprudentemente com os lábios". Moisés perdeu a paciência e irou-se: em vez de falar à rocha, usar tão-somente da Palavra para dar de beber àquele Povo, como Deus havia ordenado, Moisés falou com ira ao Povo e a seguir feriu a rocha 2 vezes. Não somente desobedeceu a Deus, mas se arrojou o poder de operar milagres, dizendo: "faremos sair água desta rocha...".

Desobedeceu em tudo, pois Deus havia dito "Ajunta o Povo... fala à Rocha..."; e Moisés, num acesso de raiva, falou ao Povo e feriu a rocha duas vezes. Deus fica desgostoso, pois Moisés não O Santificou diante dos filhos de Israel. (Nm 20.7-12). Moisés aparentemente não creu no que Deus disse, que pelo simples falar a água seria providenciada e pronto.

Aparentemente foi uma somatória de erros, e Deus não queria que Moisés, como Líder, desse nenhum tipo de mal exemplo diante do Povo, nada que desonrasse ao Senhor nem Moisés.

Deus determinou esta atitude de Moisés como rebelião (Nm 27.14). Impedido de entrar na Terra, impedido de guiar o Povo na conquista de Canaã, Moisés ainda assim demonstrou o seu imenso e eterno AMOR PELO SEU POVO. Pediu a Deus que providenciasse outro para guiá-los, não os deixando como "ovelhas que não têm pastor" (Nm. 27.16-17). Nesse momento, o escolhido foi Josué.


O Sucessor De Moisés - Finalizando O Ministério

Novamente o caráter inequívoco de Líder se faz presente em Moisés, num dos momentos mais difíceis de todo o seu Ministério: a nomeação daquele que ficaria em seu lugar.

Moisés submete-se ao Juízo de Deus (Nm 27.12-14), revelando novamente o espírito MANSO, PACIENTE E CHEIO DE ZELO pelo cumprimento da vontade do Senhor. Seu único cuidado era o bem-estar do Povo. Não preocupou-se consigo mesmo: novamente a semelhança com Jesus aparece fortemente. Não queria o Povo como "ovelhas sem pastor".

Moisés HONROU O SENHOR ATÉ O FINAL, IMPONDO AS MÃOS SOBRE JOSUÉ e reconhecendo-o PUBLICAMENTE como o novo dirigente escolhido por Deus. (Nm 27.22-23 / Dt 31.7-8).

Cabalmente cumpriu o que lhe restava de sua Missão, orientando Josué e todo o Povo com relação a como proceder ante à iminente entrada em Canaã. Como conquistar e como permanecer na Terra que o Senhor lhes daria.

No último dia de sua vida (Moisés sabia perfeitamente disso), ele ABENÇOOU A TODOS OS FILHOS DE ISRAEL, ANTES DA SUA MORTE (Nm 33). O amor e dedicação de Moisés permitiram que, como um pai, abençoasse a todos os seus filhos como era o costume na Antigüidade. Esse é o papel do verdadeiro Líder em relação a todos os que o Senhor lhes coloca nas mãos; foi exatamente o que Moisés fez: CUIDOU DELES COMO FILHOS!

Esta conquista - e o cumprimento da Palavra do Senhor - Moisés contemplou pelos olhos da Fé, sobre o Monte Nebo, no cume de Pisga, defronte a Jerico e debaixo dos Olhos do Senhor (Dt 34.1-4). E Moisés descansou; o próprio Deus o sepultou num vale em Moabe (Dt 34.5-8).

Como predestinado a ser o Libertador e Líder daquele Povo, a despeito do fracasso na conquista de Canaã, Moisés não fugiu do seu Destino Espiritual. Não fazia parte da sua Predestinação entrar na Terra. Mas ser libertador, Líder Espiritual e Guia, isso sim era seu Destino. Se o Povo tivesse crido e obedecido, Moisés teria cumprido seu papel em menor tempo e usufruído de Canaã.

Mas o pecado do Povo impediu a sua entrada na primeira tentativa. Quanto ao seu papel, seu Destino Espiritual como libertador, Líder Espiritual e Guia daquele Povo, isso Moisés CUMPRIU, ATÉ O FIM, durante 40 anos, até que o último rebelde daquela geração morresse. Era essa a sua Predestinação.

Ele cumpriu o que lhe estava proposto, e nenhum outro Profeta em Israel foi como ele, o "amigo de Deus", que com Ele tratava "face a face"!



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