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O Treinamento De Paulo

Primeiro, Paulo descobriu o sentido da morte de Cristo. Foi na antiga esperança de seu Povo que ele descobriu que Jesus era o Servo enviado para o resgate e libertação dos Judeus, oferecendo-se a Si mesmo como preço do resgate daqueles que estavam cativos. "Ele me amou e se entregou por mim".

Mais conturbada para alguém como Paulo, colérico por natureza, cheio de títulos e com uma história pregressa invejável, foi aprender e aceitar, e gostar e ensinar "que agora já não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20). A experiência de Paulo foi fazendo com que ele abdicasse do controle da sua vida, experimentando que um Outro mandasse nele.

Sabemos o quanto isso é difícil, ninguém quer abdicar do controle de sua vida, do direito de ir e vir conforme dite sua consciência e desejos do coração. Mas o Cidadão Romano, o homem livre, "se diz e se faz escravo de Cristo" (Rm 1.1; Gl 1:10). "Quer morramos, quer vivamos, pertencemos ao Senhor (Rm 14.8). Paulo só pôde ensinar o que aprendeu.

Se não tivesse aprendido, não teria autoridade alguma para ensinar, seriam somente palavras da boca pra fora, e quem o conhecesse um pouquinho mais a fundo, veria quão falso era aquele Cristianismo que ele pregava. Sabemos da autoridade de Paulo; sabemos que estas frases não são frases de efeito, como usam muitos pregadores e falsos profetas, mas verdadeiros Servos de Deus.

Paulo aprendeu que a experiência da morte e da ressurreição fez dele um hornem realmente livre! Ao sentir que tinha vencido o medo da morte (Rm 6.3-7), isso deu sentido à renúncia que fez de sua vida secular, do Paulo que ele era antes, promissor e cheio de oportunidades especiais na vida. Ele começou a perceber que o que os olhos vêem, não é real, mas passageiro! A verdadeira realidade não se contempla com olhos humanos, mas apenas através dos olhos do Espírito Santo, e essa nova realidade é a Verdadeira Realidade! Quando se passa a viver assim, o mundo não importa mais.

Entenda "Mundo" como o sistema distorcido, corrupto, onde a pequena elite dita as regras e despreza os humildes, vendo neles meros objetos descartáveis que atrapalham a paisagem, então, que pelo menos sirvam para os trabalhos braçais que irão embelezar a paisagem que eles enfearam, para satisfazer a concupiscência dos olhos, da vida, e da carne. Assim foi em todas as culturas, em todas as épocas da Humanidade. Arrogância, falta de escrúpulos, inveja, assassinatos, idolatrias, avarezas, torpezas de toda sorte... essa realidade é falsa! Um dia vai passar, desaparecer como névoa para nunca mais existir. Para Paulo, agora tanto faz: ter muito ou pouco (1 Co 7.29-31), viver na riqueza ou na pobreza (2 Co 6.10), abundância ou penúria (Fp 4.11-13).

Ele já vive no futuro, sua esperança de estar com Cristo é o dínamo que move sua vida, mesmo nos momentos mais difíceis. Super-Herói? Ou um líder que guardou, recebeu, introjetou, apreendeu no íntimo do coração a essência de Cristo? Quem faz isso, não consegue mais ser o mesmo, nem viver do mesmo modo, mesmo que queira. E impossível recuar. Mesmo nos piores momentos, durante as mais horríveis injustiças, quando sua própria carne sofreu a dor dos flagelos, dos açoites, naufrágios, fome, frio, perseguição, traição, mentiras...

Não estou dizendo que tudo isso é muito fácil, que a dor na carne e as privações doeram menos em Paulo do que doeriam em qualquer um de nós. NÃO, não é assim que funciona! Paulo afirma que "morreu e ressuscitou" (Ef 2. 6; Cl 2.12). Sim! É fato. Esta é a maneira de viver, no dia de hoje, o futuro e a Glória que se nos está proposta, não apenas aqui, nesta vida, mas na vindoura. Paulo não desistiu por amor a Cristo, por fidelidade absoluta Àquele que ele não mais podia deixar de amar e obedecer, fosse aqui, fosse nos confins da terra. Já não sou eu quem vivo... e por isso Paulo continua, continua e continua. Só que, muitas vezes, nos frustramos pelo egoísmo dos irmãos, os julgamentos, as palavras de acusação, os perigos que partem do seio da Igreja, lugar de onde não se deveria sequer esperar tal coisa.

Mas não foi somente por amor a Cristo que Paulo trabalhou, exortou ensinou, fundou Igrejas, escreveu cartas, enfrentou perigos em viagens, em jejum muitas vezes, com poucos ao seu lado. Foi também por amor à Noiva de Cristo, recém-nascida, que Paulo fez o que fez. Seu desejo maior era partir e estar com Cristo, o que, sem dúvida, era infinitamente melhor. No entanto, convinha estar ainda na carne, por causa dos irmãos. Essa é uma bonita maneira de dizer que a Missão dele na terra ainda não tinha acabado.

Mas Paulo já não temia a morte, o testemunho de Estêvão, que tanto o havia marcado, agora era uma lembrança do passado, pois ele mesmo, Paulo, já "havia morrido e ressuscitado" (Ef 2.6; Cl 2.12); quer dizer, essa realidade era presente de uma maneira incompleta enquanto ainda na carne, mas seria verdadeira e perfeita quando chegasse o tempo da partida!

A esperança que as Promessas de Deus, acompanhadas do Seu Sobrenatural, podem impregnar no ser humano rendido a Ele são uma inesgotável Fonte de Vida, de bom ânimo, de levantar depois de cair... a prostração pode durar um tempo. Mas a presença e ação do Espírito de Deus nos erguem novamente, e novamente nos dispomos a caminhar.

Paulo desejou — e foi — aquilo que Cristo foi para ele: o servo mais próximo que dá a sua vida pelos irmãos, a fim de restabelecer-lhes a posse da Justiça e da Liberdade. Isso é algo totalmente sobrenatural, porque denota um amor não-humano, completamente diferente de tudo o que o Mundo ensina e nos apresenta como certo. Devemos nos preocupar conosco, com nosso sucesso pessoal, com a estabilidade da nossa vida e da nossa família. Mas... o Povo de Deus??? Que tem isso a ver conosco, que temos nós a ver com eles, e com o problema deles?

A mensagem foi entregue, cada um que aja de acordo com a própria consciência. Esse tipo de amor pelo qual Paulo foi inundado é algo sobrenatural; o amor pelos irmãos. Por isso, embora desejasse estar permanentemente com Cristo, permanecia na carne por causa dos irmãos. E um amor que vai além da compreensão... e que a maioria de nós não aprendeu ainda, e nesta lista eu me incluo.

Estamos preocupados em agradar a Deus para receber dele as Promessas que nos beneficiam. Uma Igreja Maior, dízimos maiores, mais dinheiro, mais Igrejas... e as vidas? As vidas cheias de problemas, cheias de pecados ocultos, sem saberem o que fazer, passando necessidades físicas, materiais, emocionais, espirituais? Paulo não era Pastor... mas estava bem ciente dos problemas de cada Comunidade, era responsável por elas, e escrevia dando diretrizes, exortando, ensinando, explicando. Não as deixou ao Deus dará!

Treinou os Líderes, ensinou a hierarquia Pastoral, mostrou que qualidades e características deveria ter o homem chamado a ser um Líder da Comunidade. Foi responsável! Não se esqueceu de nenhuma das "suas filhas", nem mesmo quando escrevia através das grades.

Essa entrega — repare e guarde muito bem - é concreta, perfeitamente e literalmente concreta. Nada de palavras vazias, promessas que não se tem nenhuma intenção de cumprir, atitudes como "Vou orar por você, irmão".

Ótimo que oremos uns pelos outros, mas o amor é prático, o amor é prestativo, é paciente, não se ostenta para ser visto pelos outros, não se irrita, não se alegra com a injustiça, não faz nada de inconveniente, não busca interesses próprios, tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, jamais passará.

O amor é uma atitude concreta, não um altruísmo barato cuja intenção é ser louvado pelos homens, ou quando se sabe que amar o Empresário cheio de dinheiro quando ele foi internado para uma pequena cirurgia de apêndice lhe renderá muito mais lucro do que cuidar de uma pobre família cujo homem, imigrante do Norte, está sem emprego, a mulher se mata trabalhando com faxina e os dois mal podem alimentar os cinco filhos, cuidar da saúde e dar estudo decente. Quem é mais fácil de "amar"? Amamos aqueles que nos trarão algum retorno! Isso não é amor, é um mero disfarce da nossa ambição.

Paulo amou verdadeiramente, pois pagou o preço do amor em sua própria carne. Suportou os trabalhos, a pregação, a fundação das Igrejas, o treinamento dos Líderes, as viagens enormes, os perigos, a canseira do dia-a-dia; sacrificou-se a si mesmo, a exemplo de Cristo, a ponto de poder dizer, não como quem papagueia e se auto-exalta: "Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo!".

Que autoridade, não? O trabalho e o sofrimento de Paulo ganha sentido a partir do Amor Maior de Sua Vida: Cristo! Por causa Dele foi tido por "louco" pela cultura grega, e "escandaloso" pela Comunidade Judaica Ortodoxa. Aquele era o famoso Saulo de Tarso? De que espécie de mal sofria ele, sem dúvida algo muito sério, a ponto de abandonar sua promissora carreira, seus contatos no Sinédrio, os negócios do Pai, os amigos, a família... sem dúvida... algo de desastroso havia acontecido com ele. Pobre rapaz! Sem dúvida, muitos do círculo antigo de Paulo assim o consideraram...: "Pobre rapaz! Que fim dará tudo isso?!".

Mas o tempo foi passando. Treze anos. E Paulo vai, pouco a pouco, por meio das experiências vividas, proporcionadas pelo Pai, transformando-se no que viria a ser, o Apóstolo dos Gentios. Ele não poderia ensinar o que não viveu, não poderia conquistar autoridade para viajar, enfrentando espíritos territoriais sem ter, antes, recebido a coroa de Formatura, a Unção que vem do Alto, o Comissionamento depois de vencidas as etapas do treinamento. Aqueles treze anos foram cruciais.

Paulo também aprendeu como a grandiosa experiência da habitação do Espírito Santo dentro dele podia fazer maravilhas em termos de consolo, refrigério, autoridade e renovação do corpo, alma e espírito. Ele escreveu:

"Quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Co 12.10). Ah! Como seria tremendo se todos nós já tivéssemos descoberto a Poderosa Energia que emana do Santo Espírito de Deus! "Se habita em vós o mesmo espírito que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os Mortos, vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do Seu Espírito que em vós habita!" (Rm 8.11).


Paulo não falava da boca para fora, porque o que ele estava realmente lucrando com um discurso destes? Ele, Paulo, como ser humano, que lucro tinha?! Mas ele aprendeu, não como conceito teórico bonito, filosófico, erudito - mas apreendeu, deixou entrar no coração — certamente por um sem-número de experiências pessoais que a Bíblia não narra, que é possível, sim, ser vivificado pelo Espírito. Quando estamos fracos, pensando em desistir, em morrer, em largar tudo, já que não dão valor ao trabalho árduo que fazemos, nem sequer sabem o preço que tudo isso custou, e se alegram em fomentar discussões insensatas, em acusar o inocente... sim... nesse momento, deitados nos braços e no colo do Pai, a força que emana do Espírito transforma essa fraqueza em força sobrenatural. E Dele, como Pai, recebemos consolo, conforto, alento, empatia, palavras doces, amor, novas forças... quem sabe Paulo não pensou em desistir?... Quem pode afirmar que ele nunca pensou em continuar levando sua vida de sempre, agora como Cristão, mas sem encarar tudo a ferro e fogo?

Mas não... ele tinha sido chamado, e o chamado ficou marcado como ferro em brasa no seu coração, nunca mais ele poderia ser o mesmo Saulo de Tarso de antes. Ele aprendeu, dolorosamente, sem dúvida, que "nada poderia separá-lo do Amor de Deus que está em Cristo Jesus". E segue uma longa lista de possibilidades: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada, morte, vida, anjos, Principados, presente, futuro, os poderes do Mal, as forças das profundezas ou das alturas, nada!!!( Rm 8.35, 38-39).

Isso Paulo escreveu já na terceira etapa de sua vida, quando efetivamente o seu Ministério estava em andamento. Mas certamente ele aprendeu tais coisas antes, durante o treinamento. O treinamento forja todas as circunstâncias do que será a Batalha real. Se assim não fosse, o soldado nunca estaria apto a ir para a luta de verdade, ficaria sempre de molho no quartel. Mas Paulo aprendeu; e o que aprendeu, pôs em prática quando assim se fez necessário... e da sua mente nunca saiu aquilo que ele desejou tanto ensinar... "Se Deus é por nós, quem será contra nós?".

Palavras estas que não conseguimos compreender a profundidade do seu sentido, porque quando a coisa aperta para o nosso lado, ficamos como ovelhas alvoroçadas no curral, com medo do uivo e da presença dos lobos. Completamente esquecidos da presença do Pastor. Ficam em paz tão-somente aquelas que, como Paulo, aprenderam a conhecer a voz do Pastor, e sabem que ele deu a vida pelas ovelhas. As demais, fora do aprisco, longe do Pastor, fora do alcance da sua mão, longe da sua voz, podem recitar à vontade "mal algum me tocará". Bela cantilena, mas sem poder algum.

Paulo estava dizendo, neste trecho de sua carta aos Romanos, que nada poderia desviá-lo de sua missão. Nada! Absolutamente nada! Hoje podemos citar alguns outros motivos de desvio: dinheiro, poder, prestígio, admiração, luxúria, corrupção, adultérios, homossexualismo, medo de ser ridicularizado... medo de perder!

Ouve-se vozes por aí: "Para que agir assim, levar a Bíblia ao pé da letra? Hoje em dia isso é bobagem, vamos dar um jeitinho de garantir a nossa parte, para que nada nos falte! Quem prega o Evangelho, que viva do Evangelho!". E roubam, roubam descaradamente. Roubam do Povo, roubam dos pobres, roubam dos Missionários, das viúvas, dos mais simples... ROUBAM DE DEUS! E isso tudo vai, aos poucos, como um câncer que cria metástases, separando-nos do Amor de Deus.

A ponto de estarmos servindo a nós mesmo e aos desejos do nosso coração, só muito bem disfarçadinhos com um capa podre de espiritualidade, que engana os mais incautos, e apontam caminho errado àqueles que deveriam ser guiados pelo caminho perfeito!

"Maldito aquele que faz o cego errar o caminho", "Maldito aquele que faz a obra do Senhor desleixadamente"! Dessa parte da Bíblia ninguém gosta, ninguém gosta do Sermão da Montanha, Das duras palavras de Cristo aos "Doutores da Lei", como se a carapuça somente servisse para aqueles, naquele tempo longínquo, mas não no dia de hoje, nas nossas Igrejas, que estão abarrotadas de títulos e de arrogância: "Sente-se aqui ao estrado dos meus pés".

Quer dizer: "Eu sou melhor do que você!". E como nos irritamos quando Deus levanta o pequenino, o que nada era, e envergonha aqueles que pensam que são alguma coisa?

Líderes carnais assumem sua "cara de santo" quando sobem ao Púlpito Pisam no altar depois de terem literalmente pisado nos menores, nos mais fracos, na própria família para estar ali, e brilhar, brilhar, brilhar. Não a Luz de Jesus, como gostamos de cantar de mãos ao alto, entre lágrimas de crocodilo: "Brilha, Jesus, Brilha em Mim"... mas esse não é o brilho de Jesus, é o opaco e passageiro brilho do ser humano, teatral, que não tem poder algum de transformar vidas, mas afasta ainda mais as pessoas do Evangelho.

A discrepância entre o viver e o falar enoja aqueles que poderiam encontrar a verdadeira Luz. Do mesmo modo, ninguém gosta das exortações de Paulo à Santidade, do Apocalipse, do Juízo... "Louco! Essa noite pedirão a tua alma..." Bobagem!! E só uma figura de linguagem.

Quem pagará o preço de viver a vida pura e o Evangelho incontaminado que Paulo viveu e pregou, e por Cristo pagou alto preço? Paulo rompeu terminantemente com o Mundo e as coisas do Mundo. Ele continuava comendo, se vestindo, tendo amigos (ainda que poucos de fato verdadeiros), mas rompeu definitivamente com o sistema corrupto do Mundo regido pelo Príncipe das Trevas. Foi uma ruptura definitiva, e que nunca mais teve retorno. Esse é o verdadeiro Líder! Daí a decisão tão firme e inabalável de pregar a Cristo tão-somente, e "Cristo crucificado" (2 Co 2.2).

Rompendo com o Mundo e o sistema do Mundo. Toda a vida de Paulo resumiu-se em construir um "Novo Mundo", onde estejam superadas as diferenças de classes, de cultura, de raça, de religião ou de sexo! Esse Novo Mundo teve origem nas Comunidades fundadas por Paulo, onde, exaustivamente, ele ensinava os mistérios e a simplicidade da vida com Cristo.

Estas Comunidades deveriam ter sido a semente germinativa de um Novo Povo, o Povo Cristão, os adoradores do Messias, morto por nós e ressuscitado. Quanto trabalho, quanta canseira, quanta preocupação e quantas noites mal dormidas por causa deste povo que, desde sempre, foi de dura cerviz e não entendia que não se pode servir a dois senhores, não se pode amar o Mundo e servir a Cristo ao mesmo tempo. Onde, onde está, hoje, a semente deste Povo? Onde estão os verdadeiros adoradores de Cristo, que não se deixam contaminar nem impedir de ir adiante por nada, nada, nada?!!

Paulo descobriu, e ensinou, que o próprio Jesus intercede por nós, e o Espírito intercede com gemidos inexprimíveis, quando não somos capazes de orar por nós mesmos... isso que dizer que o Espírito pode produzir em nós os mesmos sentimentos de Cristo. Invadidos por Jesus, espalhamos o seu perfume, como flores lindas, abertas... mas, se não é o bom perfume de Cristo que espalhamos... que haverá de ser? Nem ouso dizer... a podridão dos sepulcros caiados, o cheiro da morte e não da vida. Se Jesus disse aos seus Discípulos, no tocante àquelas cidades que não os recebesse, e nem os ouvissem a sua Palavra: "Batam a poeira das sandálias; e eu lhes garanto que no dia do Juízo haverá maior clemência para Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade".

Que será que ele não diz aos Líderes falsos de hoje, que têm a Bíblia completa que os Apóstolos e discípulos não tinham, e hoje se revela um mover maior do Espírito de Deus — para aqueles que verdadeiramente o servem? Que espécie de destino terão esse que se fingem de líderes, mas cuja única intenção é se dar bem na vida, engrossando seu próprio patrimônio, que passa de pai para filho, e nada tem a ver com o chamado de Deus?! Para que falar em Juízo, em Santidade, em vida reta e ilibada, em arrependimento, em pecados... se podemos falar em prosperidade, em curas miraculosas, em dízimos e ofertas, que nada mais são do que barganhas com Deus, mas não desafiam ninguém a mudar de vida?



Fizemos de Deus o maior "Papai Noel" da História, e já nem dizemos que precisamos ser "bonzinhos" o ano todo para ganhar os presentes... simplesmente pagamos por eles antecipadamente... com cheques em branco, com todo o dinheiro do bolso, com alianças políticas... o bom e velho Deus entenderá que "é pelo Reino"!

A quem pensamos que estamos enganando?

Onde estão, hoje, os sinais da Nova Criação, dos verdadeiros adoradores de Cristo?!

Paulo sabia o que era enfrentar guerra Espiritual. Foi ele quem mais falou sobre as artimanhas do Inimigo. Claro, era de assustar... o Messias tinha vindo e os planos de Satanás fracassado. Agora, para seu desespero e surpresa, a presença de Deus habitava não mais sobre o Povo, sendo manifesta apenas por alguns, em situações bem específicas... mas agora, em todo e qualquer filho de Deus, em todo aquele que recebesse o Messias como Senhor e Salvador? Como ele poderia dar conta disso, como poderia impedir o Evangelho de se espalhar e de Cristo constituir um Reino maior na Terra?

Mas, como conta a História, apenas temporariamente durou o fracasso do Diabo. Sabemos que fim deu no Cristianismo do Primeiro Século! Centenas de vírus, de contaminações, pois Lucifér conhecia o coração corrupto do ser humano. Depois de muitos séculos, a Reforma... mas - novamente bato na mesma tecla, no mesmo termo... e Hoje???. Como estamos HOJE?

O Cristianismo é capaz de impactar e transformar vidas verdadeiramente? Não de fachada, vidas de fachada nossas Igrejas estão cheias, reflexo de muitos Líderes que vivem vidas exatamente assim, de pura aparência externa. Então seu rebanho aprende que ser Cristão é isso: ter o palavreado "Crente", as roupas "Crentes", os "cacoetes" Crentes?

HOJE, o Cristianismo que Paulo pregou e viveu ainda existe? É capaz de transformar vidas não no exterior apenas, mas no coração, na essência, no mais profundo do ser... a ponto de poderem dizer "Não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em Mim, que se dane o resto, o que vão pensar, as chacotas, as perseguições, as inevitáveis perdas que vou sofrer, as humilhações... nada mais me importa senão agradar meu Deus. Se Ele não quer que eu faça algo, quer que mude a direção do meu caminha, assim faço, porém não porque Ele me obriga a isto, mas porque aprendi a amá-Lo; se Ele quer que eu aja de alguma maneira específica, faça algum trabalho específico? Eu faço, não porque estou coagido a fazê-lo... mas porque eu o amo!" Bem...

HOJE, estamos divididos em dezenas de denominações que tão-somente se toleram entre si, desde que uma não invada muito o espaço da outra, não "pesque no seu aquário", não desvie os membros para outra Igreja... a Casa dividida não prevalece. Os líderes não pensam muito nisso, O que importa não é o Reino, mas se sua Igreja — a denominação em si — vai bem; isto é, se está construindo, indo para um lugar maior, aumentando o número de Membros, a receita que entra, o salário dos pastores, o "layout" externo.

O que será que tudo isso tem a ver com o que o Apóstolo Paulo ensinou, e pregou, e gastou a sua vida, e a entregou à morte, para que houvesse, enfim, a formação de uma nova geração de Homens e Mulheres. Uma semente multiplicadora de Cristo! (Gl 3.28; Cl 3.11; 1 Co 12.13; Ef 2.15, 4.22-24; Cl 3.9-10; 2 Co 4.16; 1 Co 15.45-49). Deveria ser como uma Nova Criação em andamento (2 Co 5.17)!

Embora Moisés tenha escrito muito, não retrata experiências ou emoções pessoais... Davi, melancólico e romântico, ainda que Guerreiro nas mãos do Senhor, é rico em falar de si mesmo nos Salmos. Já Paulo usa pouco de seus sentimentos e experiências pessoais em seus escritos, a não ser para encorajar outros, as Comunidades, o Povo recém-nascido de Deus a continuar caminhando e crescendo. Mas bem sabemos, quem passou pelo verdadeiro treinamento de Deus sabe quanto é difícil... mas também o quanto se aprende. E se aprende com a finalidade de repassá-lo a outros. Foi o que Paulo fez.

Aprendeu, foi treinado, labutou... venceu a carne em lutas de sangue, em dores monstruosas, porque a carne grita ao ser morta, arrasada, manietada, crucificada. Não é um trabalho curto, e muito menos simples. Requer, principalmente, que usemos do nosso livre-arbítrio para deixar Deus agir, e nos jogar no moedor de grãos, no fogareiro da fornalha.

Foi justamente fazendo uso do nosso livre-arbítrio que Lucifér obteve as vantagens que hoje tem. Usando a matéria-prima do Homem, a podridão do coração, que é mais corrupto do que qualquer coisa na face da Terra. E agora? E agora, que a Noiva de Cristo está suja, feia, com as vestes rasgadas, sem adornos nos cabelos, com as mãos ásperas de fazer o que Deus não mandou, os pés descalços de tanto ir para onde não devia, prostituindo-se com ídolos e se regalando com o que o Mundo e seu Príncipe oferecem? Bêbada, sem senso de crítica ou razão, motivo de risos ao invés de admiração? Mais parece a Gata Borralheira do que a Cinderela.... se a Noiva não se tornar logo uma verdadeira "Cinderela", que dirá dela o Noivo, quando a vir? Levará tal personagem para compartilhar com Ele as Bodas?!!! Esqueça.... o Noivo deu bastante tempo para que Sua Noiva se adornasse, penteasse, vestisse, e aprendesse boas maneiras... agindo como uma "Virgem imprudente", que não manteve acesa a sua lâmpada com óleo, ficou a ver navios; ou melhor, a ver o anticristo e a desgraça inimaginável do Apocalipse e da Ira Daquele com quem havia de se desposar.

A maneira de Paulo agir e falar deixa entrever um pouco do relacionamento que ele mesmo tinha com Deus: para ele. Jesus não era só uma idéia que alumiava seu caminho, um ideal, uma força abstrata que o empurrava adiante... nada disso. Jesus, Aquele que o deixou ouvir Sua Voz a caminho de Damasco, Voz Poderosa "que parte os cedros do Líbano", ele não era apenas uma Voz, mas uma Pessoa real). Tão real quanto eu ou você.

Paulo deveria ser de cinco a oito anos mais novo que Jesus. Certamente tinha ouvido falar daquele homem, talvez até mesmo o tivesse visto, numa das Festividades em Jerusalém, que atraíam os Judeus de todos os cantos do Império. Mas, naquela época, Paulo ainda era Fariseu, talvez ainda estivesse a completar os seus estudos. Cheio das doutrinas dos "Doutores da Lei", não havia espaço para mais nada. Jesus era pobre, do campo... um coitado, quase um mendigo, um escravo a quem o Povo fazia questão de atribuir Poderes para tornar sua vida miserável um pouco mais dotada de sentido.

Foi um ou outro Fariseu que creu na Pregação de Jesus: Nicodemos e José de Arimatéia. Jesus! Talvez, naquela última Páscoa, Paulo de Tarso, como rígido observante da Lei, estivesse em Jerusalém para as comemorações e tenha visto, mesmo que de relance, aquele homem imundo, nu, abandonado por todos os seus seguidores, massacrado pelos Romanos, pregado na cruz com aquela frase "cômica" à sua cabeça coroada de espinhos.

"Mais um lunático", talvez ele tenha pensado. E foi comer seus pães asmos, sem peso algum na consciência. Depois, apesar da morte daquele mendigo, ainda assim aqueles seus seguidores continuavam querendo perturbar o mundo. E Paulo tomou para si a missão de acabar com eles. Mas aí... você já sabe. E é isso o que eu chamo de mudança de vida verdadeira!!!

A espiritualidade não é um conjunto bonito de idéias para meditar e recitar, mas a experiência concreta de Deus a cada dia, a cada problemas, em cada encruzilhada da vida.

Enfim... chegamos à idade dos 41 anos de Paulo. Foi somente então que o Ministério começou de verdade, e aquilo que Deus almejava em Seu Coração podia ser feito através daquele filho amado que se deixou moldar. As perseguições, os perigos e a iminência da morte física seriam mais intensas e chegariam mais perto do que durante o treinamento.

Mas Deus acreditava que seu Guerreiro seria vencedor, estava apto, tinha aprendido as lições, tinha recebido o Diploma de Formatura e estava pronto para partir para outra terras, levar adiante o Evangelho aos confins da Terra, aos Gentios. Aquela Fonte que Paulo encontrou no caminho de Damasco se tornou Nele uma Fonte permanente, jorrando em rios pela estrada da sua vida, lugar onde ele podia beber e sentir-se melhor quando o fardo lhe parecia pesado demais.

Sobre as Viagens Missionárias de Paulo, muito ao contrário destas duas primeiras fases de sua vida, a Bíblia é clara e repleta de detalhes. Se fôssemos realmente falar sobre tudo isso, teríamos que fazer um resumo do Novo Testamento inteiro! Vamos guardando somente os pontos chave. Relembremos um pouco o resumo da vida de Paulo.

• O primeiro momento, até seus 28 anos de idade: observamos um Paulo que recebeu educação privilegiada, falava, certamente, várias línguas (Hebraico e Grego; Aramaico - língua falada por Jesus — e, talvez, o Latim de Roma), era cidadão Romano, membro do Sinédrio com pouca idade, por conseguinte um Líder por excelência; Fariseu por formação superior em Jerusalém, um erudito "Doutor da Lei", próspero financeiramente, e assumido perseguidor dos Cristãos: alguém que teve "estômago" para assistir a morte a pedradas de um provável companheiro de escola (pois, assim como Paulo, Estêvão era Judeu... só que agora, um Judeu convertido).

Isso nos revela um pouco do caráter forte de Paulo, colérico; o tipo de homem que não gosta de ouvir um "não", que não gosta de ser contestado, cheio do ranço do Fariseus. O tipo de homem que os demais "mortais" costumam temer e evitar, pois são explosivos, querem as coisas à sua maneira. Para Paulo, certamente mansidão era sinônimo de fraqueza; tolerância, sinônimo de falta de princípio e pulso firme.

Para Paulo, o que ele julgava certo, estava certo, e o que ele julgava errado, estava errado. Ponto final! E não me desafiem! Ao ir tão longe, até Damasco, Paulo revelava o desejo quase obsessivo de exterminar aqueles perturbadores da ordem e dos bons costumes!

• O segundo momento na vida de Paulo veio depois do encontro com Jesus, o período em que perdeu as rédeas de sua vida, o período de 13 anos que a Bíblia pouco cita esse tempo, e podemos indiretamente pressupor as transformações através das entrelinhas das cartas que ele escreveria muito mais tarde. Ensinava o que aprendeu.

Já comentamos bastante sobre o novo Paulo, o Paulo que se apaixonou por Jesus e por ele deixou o Mundo e seu sistema. Com o mesmo ímpeto, dedicação, determinação e paixão com que viveu seu primeiro período de vida, muito mais agora ele deixava marcas das mesmas características. Mas... certamente o moldar do caráter não foi fácil. Não era fácil deixar que Outro dominasse sua vida e lhe dissesse o que fazer. Imagino quantas cabeçadas Paulo não deu para aprender que o melhor lugar é o centro da Vontade de Deus.

Não foi fácil ser rejeitado pela Comunidade Cristã, que se recusava a acolher aquele terrível algoz. Poucos foram os que estiveram com ele; muito diferente de antes, pois como fariseu, era saudado nas praças e nas ruas, tinha o melhor lugar nas Sinagogas e era "cocado" por todos. "Senhor Paulo...", "Doutor Paulo de Tarso"...

• Agora ele não era mais nada disso. Tudo o que ele tinha sido e tudo o que ele tivera como bens e posses... já não mais existia. Quem lhe prestou a primeira assistência foi Ananias (At 9.17). Depois dos três dias de "morte", o início da ressurreição, o nascimento de um novo homem.... mas um homem que teria que ser muito trabalhado por Deus, e aprender muito.

Dedicado aos estudos, não me admira a imagem de um Paulo vestido com roupas simples, debruçado sobre as Escrituras num final de tarde, preocupado em entender por que Jesus era o Messias. Paulo sabia que Jesus era o Messias, mas ele precisava de comprovação das Escrituras. Mais tarde, Barnabé veio até ele (At 9.27; 11.25; 13; 2; 1 Co 9.6). Estava começando ali uma aliança importante, que nasceu como simples amizade de alguém que teve a coragem de chegar perto do "temível Saulo de Tarso".

Este não foi o único amigo que Deus providenciou para Paulo, os Cristãos que deram suporte a ele naqueles momento de transição que foi benéfico, sim, mas não deixou de ser doloroso.

Toda passagem envolve dor. Eunice, Lóide (2 Tm 1.5), o jovem Timóteo (Rm 16. 21; 1 Ts 3.2,6; 1 Co 16.10; 1 Tm 1.2), Pedro, Tiago e João (Gl 2.9), Febe, a diaconisa (Rm 16.1), o casal Priscila e Áquila (At 18.2,18; Rm 16.3; 1 Co 16.9), Lídia (At 16.14-15,40).

Como um diamante que vai sendo lapidado, o caráter de Paulo foi sendo tratado. Certamente em meio a dor e muitas lágrimas, lágrimas que Davi não economiza, e talvez mesmo o invulnerável e colérico Paulo tenha derramado também (mas talvez ele não goste de admitir). O brilho do próprio diamante, iluminado pelo brilho de Cristo, refulgiu finalmente em cores nunca dantes vistas, algo que só ocorre numa pessoa mudada no corpo, na alma e no espírito.

É muito belo o processo de como ele, que ainda não era denominado "Apóstolo" foi sendo mudado de rude e tosco pedregulho no lindo diamante de Deus. Talvez não seja à toa que Paulo passa tanto tempo tentando falar e definir o indefinível, o Amor (1 Co 13). Não deve ter sido fácil para ele aprender a amar, e muito menos perceber que todas as obras, sem amor, valem coisa alguma diante de Deus.

Foi por amor que Cristo veio, e é pelo amor a Ele e aos irmãos que Cristo deseja que nós também caminhemos. Não adiante peripécias mirabolantes. Por vezes, entregar uma flor a um doente, e falar do Criador da flor, revela mais o amor do que falar línguas, distribuir os bens aos famintos, Ter tanta fé a ponto de transportar as montanhas, morrer queimado como um mártir. Paulo aprendeu, finalmente, muito ao contrário de tudo o que tinha vivido até então.....quem sabe, as Palavras de Cristo, que devem ter sido assunto na roda dos Fariseus tantas e tantas vezes não ecoassem nos ouvidos de Paulo, e somente agora ele percebesse quão tolo, quão tolo tinha sido!

Os Fariseus devem ter, indignadíssimos, repetido o que aquele "Herege" dizia a respeito deles: "Fazei e guardai tudo quanto (os Fariseus) vos disserem, porém não os imiteis em suas obras; porque dizem e não fazem (...). Praticam todas as suas obras com o fim de serem vistos pelos homens (...); amam o primeiro lugar nos banquetes e as primeiras cadeiras nas sinagogas, as saudações nas praças e o serem chamados 'Mestres' pelos homens (...) Ai de vós, escribas e Fariseus, hipócritas, porque dais o dízimo da hortelã e do cominho e do endro, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da Lei, a Justiça, a Misericórdia, e a fé; (...) Ai de vós, (...) porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes por dentro estão cheios de rapina e intemperança. Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo, Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda imundície (...). Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do Inferno?" (Trechos de Mt 23).


• Assim era Paulo, assim vivia Paulo; não se muda da noite para o dia, e muito menos sem querer, querer muito!!! Arrependido do seu pecado e do sangue inocente que tinha nas mãos, Paulo se entregou ao Senhor de todo coração. Por isso foi o que foi! Aprendeu a ser o oposto do que era antes, e que mais vale a intenção do coração, e não a atitude e aparência externa.

Atitudes externas precisam existir, as obras precisam existir. Só que como fruto de amor. Temos de ser cautelosos, porque pode não haver amor algum nas nossas obras, apenas vontade de sermos apreciados pelos Homens. Nunca se esqueça: Deus é quem pesa o coração, quem esquadrinha o mais profundo do nosso ser.

A Raça de Víboras não deixou de existir, MAS CRESCE A. CADA DIA, pois julgam servir a um Deus cego, surdo e mudo! Que aguardem, pois receberão a devida paga do seu desserviço. E interessante quando Paulo passa a falar do amor... e incessantemente tenta mostrar a grandeza deste, que não é um sentimento, e pode não ser uma atitude. Ele tinha entendido que "o cumprimento da Lei é o amor". E lindo notar como todas essas belezas foram aparecendo na vida de Paulo.

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