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As Viagens Missionárias De Paulo

Começou aí o 3o período da vida de Paulo, o mais conhecido de todos. Em Nome de Deus, a Comunidade de Antioquia interfere e manda Paulo e seu amigo para andar pelo mundo como Porta-vozes do Evangelho. Os assuntos que envolvem as Viagens são vastos e variados, impossível de serem tratados aqui. A despeito disso, esperamos que o estudo até aqui tenha feito você criar por Paulo um carinho e empatia diferentes, que o farão ler suas cartas e aprender com ele como nunca antes.

A primeira Viagem foi no ano 46, a terceira no ano 58; no início o Imperador de Roma era Cláudio, no final, era Nero. Foram 12 ou 13 anos de andanças, por terra e por mar, milhares de quilômetros. No Pentecostes, Lucas enumerou os Povos ali presentes, e, depois, durante a descrição das Viagens Missionárias, percebe-se como estes e outros Povos vão sendo alcançados pelo Evangelho, trabalho que se deve tão-somente ao esforço e tenacidade de Paulo e seus poucos companheiros de Viagem. A desintegração dos Povos vai sendo refeita através das Viagens Missionárias de Paulo. Ele andou por muitos lugares: Chipre, Pisídia, Licaônia, Judéia, Fenícia, Samaria, Síria, Cilícia, Frígia, Mísia, Macedônia, Grécia, Acaia, Ásia. É muita gente, gente diferente, costumes diferentes, comida diferentes, Sinagogas diferentes. Um aprendizado imenso!

Vamos entender rapidamente um pouco destas Viagens, suas dificuldades e perigos, seus esforços e trabalhos:


• Só as grandes estradas do Império eram boas e seguras, com hospedarias. As demais... só pela graça de Deus. Não era um tempo fácil para se viajar, especialmente grandes distâncias e para terras desconhecidas. Havia pessoas que ofereciam proteção mediante pagamento, mas Paulo não tinha nada disso. Ia com os amigos e com Deus.
• A língua era outro problema; embora Paulo falasse vários idiomas, grande era a variedade de línguas e dialetos dos Povos. Paulo falava grego, mas muitos não entendiam grego; já no interior da Galácia, falavam uma língua que Paulo não entendia; certa vez, em Listra, ao curarem um paralítico, o povo gritava e queria adorá-los como deuses. Paulo nada entendia, e acho que só um intérprete pôde impedi-los de oferecerem sacrifícios a Paulo. Aliás, ele realmente "se fazia de tudo para com todos". Na Galácia, ao que parece, Paulo estabeleceu comunicação por meio de gestos e desenhos, pois mais tarde escreve: "Diante de vocês foi desenhada a imagem de Cristo crucificado" (Gl 3.1).
• A saúde também acabava sendo afetada diante de tantas andanças a pé, frio e neve, calor de deserto, subindo e descendo; fora as pedradas, os açoites, as perseguições, as calúnias, os perigos de todos os tipos; sem contar com o trabalho braçal como operário - fazendo suas tendas ou biscates - para não morrer de fome nem deixar que isso acontecesse aos companheiros —, e "mais ainda: morto de cansaço, muitas noites sem dormir, fome e sede, muitos jejuns, com frio e sem agasalho. E isso sem contar o resto: a minha preocupação constante com as Comunidades" (2 Co 11.27-28). Durante a 2a viagem, Paulo adoeceu, o que o obrigou a uma parada na região da Galácia. Não sabemos ao certo que doença era essa. Mas o fato de Paulo preocupar-se também com a saúde dos companheiros e de recomendar a Timóteo que bebesse um pouco de vinho por causa das dores de estômago e freqüentes fraquezas (1 Tm 5.23) revela uma pessoa boa e sensível que não se importa apenas consigo mesmo e sabe o quanto é importante a boa saúde para os que estão no Ministério Itinerante.
• Mas o maior problema de todos nas Viagens era o sustento (acho que nada mudou de lá pra cá!). Como arrumar dinheiro para comer numa viagem que ia levar, por exemplo, 20 dias? Pois é, isso mesmo... tinham de parar, arrumar algum trabalho que lhes rendesse o dinheiro necessário; assim, uma viagem de 600 km, que poderia levar 20 a 25 dias, acabava levando dois ou três meses; até mais. O lema de Paulo era; quem não trabalha, também não deve comer. "De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes. Vocês mesmos sabem que estas mãos providenciaram o que era necessário para mim e para os que estavam comigo" (At 20.33-34). Complicadinho isso, hein? Dinheiro sempre foi tabu. Agora, HOJE, NEM SE FALE!!!
• O contato com as Comunidades que se iam formando era difícil de ser feito, mas sempre acontecia, por meio de mensageiros; a partir da 2a Viagem, também por meio de cartas, que eram ditadas por Paulo e escritas por alguém especializado no assunto. Ele costumava pedir que as cartas fossem lidas nas reuniões das Comunidades e, também, que as cartas fossem trocadas entre elas. O Apóstolo carregava dentro de si a preocupação constante com o conjunto todo e com cada uma em particular: "(...) Quem fraqueja, sem que eu também me sinta fraco? Quem cai, sem que eu me sinta com febre?" (2 Co 11.28-29).
• Conflitos com os Judeus se tornaram progressivos, apesar do Concílio de Jerusalém. A difusão do Evangelho entre os gentios - estimulada pelo próprio Concilio - fez diminuir a influência dos Judeus na Sociedade. Ao passar pelas Sinagogas de Antioquia, Icônio, Filipos, Tessalônica, Beréia, Atenas, Corinto e Éfeso, Paulo atraía os Gentios que simpatizavam com o Judaísmo. Os que "temiam a Deus" e se agrupavam em torno das Sinagogas começaram a ir para as Comunidades Cristãs, o que era óbvio, era o que Deus queria, a Lei tinha encerrado, Jesus tinha vindo, a liberdade tinha chegado! Mas, ai! Ó coração vil do homem! As Sinagogas, perdendo sua influência, tiveram a reação esperada: raiva e inveja. Quem era o principal culpado? Paulo! (At 13.45; 17.5; 1 Ts 2.14; At 21.28). Assim, os Judeus reagiram de várias maneiras, pobre Paulo, já arrumando mais problemas sem culpa! Eles contradiziam Paulo (Fp 3.2-3), instigaram o Povo contra os Cristãos (At 13.50), chegaram a querer matar Paulo (At 20.3, 23.21). Em alguns lugares, os Judeus chegaram a mobilizar as Instituições do Império Romano contra os Cristãos.
• De tudo isso nasceu um conflito quase insolúvel entre Paulo e os "falsos irmãos", coisa que o Apóstolo menciona em suas cartas aos Gálatas e Coríntios (Gl 2.4; 2 Co 11.26), referindo-se ao perigo que eles representavam a ele. Provavelmente esta gente era do grupo dos Fariseus que, mesmo convertidos, não admitiam "cair do cavalo", e explicavam a "novidade" do Evangelho a partir de sua antiga mentalidade, anterior ao Concilio e mesmo anterior à vinda de Jesus!!! Tinham um véu no coração que os impedia de ver a nova realidade; ao invés de olhar o AT à luz de Jesus, entendiam as Boas Novas a partir do AT e o reduziam ao tamanho de suas pobres e minúsculas idéias. Realmente só um homem da estatura de Paulo para sobreviver, praticamente só, a tudo isso.

Ninguém ia a lugar nenhum defendê-lo, muito menos em Jerusalém... ele tinha que se impor por si mesmo. Para atingir seus objetivos, esses "falsos irmãos" tentavam solapar as bases do Ministério de Paulo nas Comunidades: ele não seria um Apóstolo (1 Co 9.1-2); não teria aprovação dos outros Apóstolos e agia por conta própria (Gl 2. 9); não teria visto nenhuma aparição de Cristo ressuscitado (1 Co 9.1); estava agindo contra o Povo, contra o Templo e contra a Lei (At 21.28). Por onde Paulo andava, eles iam atrás, destruindo o trabalho, dividindo as Comunidades, semeando confusões e contendas, escrevendo cartas falsas como se fossem de autoria de Paulo (2 Ts 2. 2), e tentando por todos os meios afastar o povo de Paulo (Gl 4.17). Criaram um ambiente insuportável, cujo mal-estar ainda se percebe no relato que Paulo faz dos fatos (Gl 1.11, 2.14), e na defesa que ele foi obrigado a fazer de si mesmo (2 Co 10.1-13,10).

Mas Paulo jamais cedeu diante de qualquer empecilho que pudesse vir a comprometer o Evangelho; entretanto, embora enfrentasse ferozmente as pressões, chegando a "rogar praga" sobre quem procurasse corromper o Evangelho de Cristo (Gl 1.7-9), também soube ser flexível e humano para colaborar com o bom andamento da convivência entre Gentios e Judeus, pedindo aos primeiros que respeitassem certos costumes Judaicos (At 15.23-29), e também circuncidando Timóteo, pois era filho de mãe Judia, mas de pai Grego (At 16.3).

No entanto, como grande homem que era Paulo, sem meias medidas ou meias palavras, comprou briga feia e não economizou palavras das mais severas, pouco se lixando para o que viessem a pensar dele! Admirável, não?! Hoje em dia todos temos "tantos dedos" e acabamos sendo tão falsos, com medo do que "vão pensar de nós e da nossa espiritualidade, e da nossa imagem de 'servos de Deus'", e vamos ficando em cima do muro, divididos... afinal, porque a este não podemos ofender, aquele tem certo título que impressiona, o outro acolá me dá certos privilégios que sem ele não teria... e se perder meu cargo na Igreja? E se começar a ser mal visto? Não lutamos pelo que é certo, simplesmente deixamos rolar porque a nossa "Grande Fogueira de Vaidades" - nossa Igreja —, tem que continuar existindo, nem que seja aos trancos e barrancos, e para nada servindo... a não ser como cabide de empregos... "e ópio do Povo", como já se dizia muito antes de estarmos nós aqui a escrever este livro que você tem em mãos. O que será que vale mais a pena?... Agradar a Deus ou lamber os pés dos homens?! Você é dono do seu livre-arbítrio.

Paulo não tinha medo; era um homem de grande coragem. Ninguém, a não ser ele, teria suportado. Foi chamado, recebeu a unção do Alto. Se fosse hoje em dia, talvez muitos estivessem a se autodenominar "apóstolo dos gentios", e sairiam por aí. Mas não teriam resultado. Percebe? E o verdadeiro chamado que pode realizar todas as coisas.... aqueles "falsos irmãos", a mando de Satanás infernizaram a vida de Paulo. Mas não venceram! Só se vence no lugar certo, no tempo certo, e do modo certo. O resto... é só para que os homens vejam. Como aqueles lobos... que queriam ter um motivo de glória (Gl 6.13).

A carta aos Gálatas foi escrita no fervor e na quentura da coisa fresca, quando um grupo de falsos irmãos entrou nas Comunidades da Galácia e procurava destruir o trabalho que Paulo tinha realizado na 2a e 3a Viagens.

Uma parte das pessoas já tinha aderido, e se tinha circuncidado. Paulo estava em Éfeso ou Corinto, no final da 3a Viagem quando soube do ocorrido e ficou furioso. Pelo estrago causado e o tipo de artimanha não se pode descartar que esses tais "falsos irmãos" fossem realmente verdadeiros filhos de Lucifér, filhos do Fogo. Claro que o Diabo urrava em derredor do Apóstolo e de seu trabalho justo e íntegro. Paulo teve que ir muito a fundo na sua experiência com Cristo para conseguir manter-se firme, porque nada havia de escrito para solucionar tais problemas. Só havia o AT, a fé, os amigos e a experiência pessoal de Paulo.

Ele briga com os fatos, com as pessoas, com as idéias e até consigo mesmo. Depois de ganha a Batalha, ele escreveu aos Romanos, Comunidade onde nunca tinha estado, elaborando bem melhor a linha de pensamento para pôr definitivamente um ponto final naquela história que o perseguiu durante todo o seu Ministério. Sua intenção é que a carta precedesse a sua vinda. A luta com esses "falsos irmãos" e com os "irmãos de raça e sangue" (Rm 9. 3) foi o que mais exigiu de Paulo e o que mais o fez sofrer... mas fidelidade a Cristo e determinação na liberdade que Ele veio trazer foi a marca de Paulo em tudo que fez e disse.... agora...para que isso??!!



Olhando hoje a História com os olhos de quem não a viveu, podemos ostentar o peito e dizer "que absurdo"! Mas não é o que acontece em nossos dias também? Invejas, ciúmes, brigas para ver quem tem razão, quem é o dono da verdade, quem é o mais Ungido, o mais espiritual, o mais isso, o mais aquilo. E bem no fundinho do coração, invejando quem tem real posição de destaque. Paulo sofre porque brigava "em casa", "em família", com gente amiga, que servia ao mesmo Deus, ou pelo menos tentava. Mas ele não podia ceder... o Evangelho não era dele... ele era do Evangelho e de Cristo. Até hoje, a pergunta não cala realmente, porque entendemos a Letra, mas talvez não tenhamos entendido bem o espírito da Letra, como muitos deles... "Quem é que salva e liberta? Deus, pela Sua Graça, ou nós mesmos, pelo nosso esforço e luta?". Para muita gente, a resposta continua difícil até hoje...

A verdade é que Paulo nunca "desligava". Continuava na Liderança e coordenação geral de todas as Comunidades entre os Gentios, conforme ficou designado na reunião entre ele, Pedro, Tiago e João, tão logo Paulo chegou a Jerusalém com Barnabé depois daqueles 14 anos de "exílio" (At 2.6-10).

Por esse motivo, em extremo zelo, agora muito mais do que quando era "tão-somente" Fariseu, Paulo mantinha contato estreito e constante com as Comunidades por ele fundadas, bem como com a Igreja como um todo. Que trabalheira indescritível!!! O objetivo da ação Missionária era atingir os confins da Terra. No caso, os confins da Terra eram Roma. E lá que o Livro de Atos termina, com Paulo na prisão, mas ainda falando "com coragem e sem impedimento" (At 29.31). Lucas, autor dos "Atos", não tem por objetivo fazer uma biografia de Paulo, de modo que não sabemos exatamente como ele morreu. Mas o "Médico amado" deixa claro que o Evangelho foi pregado em Jerusalém, na Judéia e Samaria e até os confins da Terra, como havia de ser.

Grande, GRANDE HOMEM, GRANDE LÍDER! Que pessoa admirável, corajosa, determinada, verdadeira, pura de coração, limpa de mãos! Quantos de nós podem chegar ao dedo mínimo do Apóstolo Paulo? Quantos e quantos se autodenominam apóstolos.... e nem sabem o que é isso, muito menos quanto custa isso... querem somente a aparência, para se autoglorificarem, enganando os homens e a si mesmos. E tão fácil ter títulos... difícil mesmo é ter vida de verdade com Deus! Lendo sobre a vida e o Ministério de Paulo, muitos de nós - no que me incluo - só temos do que nos envergonhar.

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