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• Mesopotâmia:


Sumérios, Acádios, Babilônios, Assírios, NeoBabilônios, Caldeus, Persas: São Sociedades Antigas que vêm desde a Pré-História, e que se desenvolveram na Mesopotâmia. Aqui surgiram Povos e Civilizações tão antigas quanto a do Egito. Os Sumérios foram os primeiros de importância na região; depois vieram os Semitas (Acádios, Babilônios, Assírios). Por fim, os Caldeus e os Persas. Estes são os mais importantes e de quem falaremos a seguir.

Mesopotâmia, em grego, quer dizer "entre rios"; e refere-se à região localizada no Oriente Médio, entre os rios Tigre e Eufrates. Formava a ponta do "Crescente Fértil", o arco de terra habitável que se estendia a oeste através da Síria, e para o sul em direção à Palestina e ao Egito. No uso moderno, o termo adquiriu um significado mais amplo porque se refere não só à terra entre os dois principais rios, mas também aos seus tributários e vales circundantes, englobando uma área da qual faz parte o Iraque, a Síria oriental e o sudeste da Turquia.

A Região Mesopotâmica foi berço de muitas civilizações antigas: os Sumérios e os Babilônios ao sul; os Assírios ao norte e, mais tarde, os Persas a leste. Nos tempos antigos, por causa da sua riqueza natural, que sempre atraiu os povos procedentes das regiões vizinhas mais próximas, a região conhecida como Mesopotâmia foi alvo de muitas migrações e conquistas.

Foi nesse território que o Homem aprendeu a adaptar-se ao meio ambiente, sobretudo através do controle dos cursos de água dos rios por meio de canais e diques, assim tirando proveito do potencial econômico da região. Por causa da cheia dos rios, o solo era irrigado e, por meio dos canais, fez-se mais fértil ainda, produzindo cultivos abundantes. Foi somente neste momento (quando se conseguiu canalizar a água dos rios e melhorar a qualidade do solo) que começaram a se desenvolver as primeiras comunidades em grande escala. As comunidades mais antigas que surgiram aí datam de 7000 anos a.C, e a partir de 6000 a.C. começaram a aparecer as civilizações que se tornariam as cidades do IV milênio a.C.

Os Homens começaram a lucrar com esse sistema para além dos limites puros da subsistência, e passaram a produzir um excedente, diversificar as atividades culturais e tirar proveitos cada vez maiores das comunidades de uma forma coletiva, isto é, na forma de "Cidade". A "invenção" das cidades pode muito bem ter sido o maior legado da Civilização Mesopotâmica. Não havia apenas uma cidade, mas dezenas delas, cada uma controlando o seu próprio território rural e pastoril, e sua própria rede de irrigação. Cada cidade tinha seu caráter singular: havia Cidades Sagradas, Cidades do Saber, Cidades do Comércio, Cidades de Reis; cidades que floresceram por um tempo e depois foram abandonadas, mas também algumas que até os dias de hoje são habitadas! A primeira povoação da região é provavelmente Eridu, embora o exemplo mais notável seja Uruk (a Erech Bíblica), ao sul, onde os Templos de adobe eram decorados com refinada metalurgia e pedras lavradas.

Pouco temos a respeito da Religião adotada e rituais praticados, mas sabe-se que sua influência estendeu-se por toda a região vizinha, chegando inclusive a lugares distantes como a costa sírio-palestina. No início do seu florescimento, na Mesopotâmia, doenças, fome e seca eram vistas como as faces zangadas dos deuses. Ainda que aparentemente não houvesse a concepção de "Demônios", havia uma distinção entre os deuses bons e aqueles encarregados de espalhar o Mal aos homens e à Natureza, segundo cada espécie.

Havia o grupo que cuidava de espalhar as doenças contagiosas (lepra e malária), o grupo que influenciava na Natureza (vendavais, secas) e o grupo que influenciava o comportamento do homem (raiva, ódio, fúria, epilepsia, distúrbios mentais).

Para cada grupo específico havia os "Sacerdotes", homens estudados e preparados para apaziguá-los por meio de rituais, magias, sacrifícios e chás preparados com ervas próprias. Havia, entretanto, o maior de todos, que nenhum Sacerdote conseguia derrotar: o deus da morte que atemorizava principalmente as gestantes e crianças recém-nascidas. Claro que o índice de mortalidade infantil era muito elevado nesta região e época, e isto era atribuído a um ser espiritual horrível que não poupava as crianças de viverem. Este "deus" era concebido sob a forma de uma serpente. Por outro lado, a chuva e a boa colheita representavam proteção dos deuses. Quanto à criação, para eles o Mundo começou do Caos e sempre havia a possibilidade disto voltar a acontecer, uma vez que a Criação e a existência eram resultado de uma luta que começou no início dos Tempos.

Os Sumérios constituíram a primeira civilização influente a estabelecer-se na Mesopotâmia, em torno de 3000 a.C. Pouco se sabia sobre eles até 1970 quando tabuletas de argila foram encontradas em Ebla, na atual Síria, revelando uma cidade-Estado bem organizada. Foram eles provavelmente os responsáveis pela primeira cultura urbana, que se estendeu até o norte do Eufrates. Outras Povoações Mesopotâmicas importantes foram Adab, Isin, Kish, Larsa, Nippur e Ur. As tabuletas também registravam trechos de vários mitos, mostrando que deuses, como Enki, eram vistos como fonte de vida e fertilidade, aparecendo ora como deus-terra, ora como deus-água; Enki, com Anou ou An, deus-céu; e Enlil, deus do vento e, mais tarde, deus da terra, são os deuses mais primitivos da Suméria. Nin-ur-sag, também chamada de Nin-mah ou Aruru, a senhora da montanha, também era cultuada. A hierarquia entre esses deuses muda com o tempo.

No início da civilização Suméria, Anou ocupa a principal posição. Depois, o deus supremo passa a ser Enlil, considerado o regente da Natureza, o senhor do destino e do poder dos Reis. Por sinal, o Rei assumia papel divino. Os antigos sumérios procuravam obter as graças divinas por meio de sacrifícios regulares e oferendas. Cada deus tinha sua festa especial. Os Sumérios foram os primeiros a inventar a escrita - os caracteres cuneiformes. Descobertas arqueológicas e a decifração da escrita cuneiforme têm revelado as tradições culturais e religiosas desses povos. Entre os documentos decifrados, destacam-se alguns anteriores ao Século XV a.C.

Em 2330 a.C a região foi conquistada pelos Acádios, que estenderam seu domínio sobre a Suméria, unificando toda a Mesopotâmia. Nessa época, percebemos algo mais na Mesopotâmia, a crença na existência de semideuses, por causa de certos achados artísticos. Talvez — quem sabe — foi legado dos Acádios. Também impressionantes Santuários foram construídos no período de 2121-2004 a.C, no período chamado Terceira Dinastia de Ur.

Declinou-se novamente a Civilização vigente, quando caíram sob o domínio de Hamurabi (1799-1750 a.C), quando a região foi conquistada pelos Babilônios. Sumérios e Acádios perderam sua independência. Novamente uma parte do que podemos saber a respeito da religiosidade deste momento vem evidenciada da Arte, pois dela se fez uso para imprimir e gravar rituais religiosos, em qualquer cultura do Mundo. Então sabemos, indiretamente, por cerâmicas decoradas e estatuetas de mulheres sentadas, que eles acreditavam na existência das deusas da fertilidade, que certamente eram cultuadas. Os Babilônios (e posteriormente os Assírios) incorporaram os deuses Sumérios apenas trocando seus nomes e alterando a sua hierarquia. Anou, Enki e Enlil permaneceram como deuses principais. Mas muitos outros deuses eram venerados pelo Babilônios: por exemplo Sin, o deus-lua; e Ishtar ou Astarté, deusa do dia e da noite, do amor e da guerra. No Reinado de Hamurabi, o deus Supremo passa a ser Marduk, o mesmo Enlil dos Sumérios, porém mais poderoso. Chamado de "pai dos deuses", ou criador, Marduk sobrevive com o nome de Assur, deus supremo da Assíria, quando esse povo domina a Mesopotâmia.

Sabemos também da existência das Torres Escalonadas (Zigurates), típicas construções religiosas dos Babilônios da Mesopotâmia, e também da existência de Templos. A ideologia religiosa dos Babilônios envolvia um sem- número de personalidades divinas, governado por deuses arbitrários, bons e ruins. Nesse contexto sociológico, erguia-se um complexo sistema de relações, no qual incluía o culto, o exorcismo e a magia.

Ainda que a Mesopotâmia, neste período, fosse sinônimo da presença dos Babilônios em toda a região, a Cidade de Babilônia foi a primeira Metrópole dos tempos antigos, no sentido mais real desta palavra. Multicultural, multi-étnica, cheia das incríveis realizações dos Mesopotâmios e das vidas de seus poetas, Sacerdotes, Reis, mulheres e homens de negócios, entretecidos com os Mitos da mais antiga Literatura do Mundo. Não há muitos relatos de como a vida era vivida na sua profundidade nessas cidades invisíveis há muito perdidas. Nippur, Sippar, Assur, Nínive, Ur, Acádia, Babilônia. Estas eram algumas das cidades importantes do Império Babilônico que se estabeleceu na Mesopotâmia.

Os Babilônicos tinham muitos deuses e deusas, os quais se comportavam de maneira estranha algumas vezes, exercendo tanto o Bem quanto o Mal, de acordo com seus humores. Daí surgiram muitos Rituais que tinham por objetivo satisfazer aos deuses, ou aplacar-lhes a ira. A relação com os deuses é marcada pela total submissão às suas vontades, mas estes por vezes podem manifestá-las através de sonhos e de oráculos. Importante: perceba que segundo estas crenças antigas, o Bem e o Mal habitavam em um só personagem.

Como já foi comentado, claro que A Criação do Mundo era algo que muito naturalmente despertava a curiosidade do Homem. Esses antigos Pagãos acreditavam que, antes de serem criadas terra, céu e mar, todas as coisas apresentavam um aspecto a que se dava o nome de Caos (lembra-se que os Sumérios tinham uma crença semelhante, de muitos anos antes?). Esse Caos, uma enorme e confusa massa onde, entretanto, jaziam as sementes das coisas. Latentes.

Os deuses e a Natureza, por fim, intervieram e puseram fim a essa discórdia, a esse Caos. Segundo a crença Babilônia, no início do Caos havia deuses bons; mas aqueles que não eram bons por completo (o que é diferente de serem "maus"), criaram um exército para ajudá-los. Um exército a partir de pássaros, escorpiões, leões, touros, e assim por diante. É uma idéia interessante esta, porque fala em "híbridos": metade deuses, metade animais, como já se evidenciava na Cultura Acádia, 500 anos antes, e irá evidenciar-se também em muitas outras culturas antigas, como veremos.

Marduk, deus da Babilônia, é elevado a deus principal pelo "Código de Hamurabi". Este código também estabelecia as leis que regiam a vida e propriedade dos súditos do imperador Hamurabi. A Religião de Marduk converteu-se na última das grandes sínteses das correntes espirituais mesopotâmicas.

Nesse sentido, o Sincretismo ganhou importância. A figura de Marduk (Baal ou Bel) tinha dois rostos, correspondendo à sua dupla personalidade, como filho do sol e deus da magia, e filho das águas profundas. A primeira forma do culto consistia na oração e na liturgia de atendimento aos deuses. Estes, como os mortais, deviam comer e beber, dormir e amar.

Oferendas diárias deveriam ser oferecidas aos deuses, suas imagens expostas como forma de proteção, seus símbolos usados como sinal de bom agouro. Para os Babilônios, a hora da morte também era uma decisão dos deuses, e o mundo dos mortos consistia num universo de sombras e trevas que se esvaíam, como uma prisão sem saída. Ao que parece, a primeira menção a Demônios (seres puramente maus, ao contrário da crença de que o Bem e o Mal residiam no mesmo ser) vem da Babilônia. Os babilônios acreditavam que todo o mal, físico ou psíquico, ligava-se ao pecado ou ocorria por ação de Demônios, instigados por feiticeiros. Se eram realmente "Demônios", como hoje os definimos, ou se foi uma nomenclatura definida posteriormente por estudiosos, não sei. Talvez fossem deuses maus que podiam ser comandados por feitiços como ocorre na nossa Umbanda, Quimbanda e Candomblé. A prática rudimentar da consulta aos horóscopos também é de origem babilônica, mas acabou por se tornar popular em toda a Mesopotâmia. O horóscopo, sistema que relaciona datas e lugares geográficos à posição dos astros, passou a ser usado para previsões do futuro.

Depois do período Babilônico, houve uma sucessão de conquistas e migrações na região. A Mesopotâmia era um lugar bom para se viver por causa do solo fértil e da possibilidade de colheitas abundantes, da formação já antiga de grandes cidades. A mais importante das migrações veio da Assíria. Próximo ao ano 1350 a.C, o Reino da Assíria começou a crescer e expandir.

O apogeu do Império se deu com Assurbanipal II e Salmanasar III (883 - 824 a.C), alcançando sua maior extensão territorial no período compreendido entre 730-650 a.C. Nesse período, na Mesopotâmia os temas religiosos são apresentados de uma forma solene e as cenas profanas, de maneira mais naturalista. Segundo relação encontrada na Biblioteca de Assurbanipal (668-626 a.C), em Nínive, mais de 2.500 entidades eram divinizadas pelos Mesopotâmicos.

A prática de exorcismo era uma atividade mágica na Religião. Rezas, penitências, ritos especiais e outras práticas orientadas por Sacerdotes eram feitas com o intuito de afastar as forças maléficas e abolir as causas do mal Por encontrarem-se a Síria, a Fenícia e a Palestina na rota terrestre entre a Ásia Menor e a África, a arte antiga destas regiões mostra a influência dos Povos que as conquistaram, as atravessaram ou comercializaram com seus habitantes.

Isso também aconteceu com a Mesopotâmia. Foram encontrados selos cilíndricos mesopotâmicos do período artístico Jemdet Nasr tanto na cidade israelense de Megido quanto em Biblos, capital da Fenícia. A cerâmica, os trabalhos em pedra e os escaravelhos do Século XXIX a.C. foram influenciados pela arte egípcia. Punhais e outras armas cerimoniais, do início do segundo milênio a.C, são marcadamente de origem Fenícia.

A expansão foi tão grande nesse período, que chegou ao Mediterrâneo e cobrou tributos dos Povos; o mesmo se deu com Jeú, Rei de Israel em 841 a.C. (diz o texto Bíblico que Jeú não foi 100% fiel ao Senhor no extermínio dos adoradores de Baal, pelo que o Senhor começou a diminuir as fronteiras de Israel nesse período).

Esse adendo confere bastante bem com o relato Histórico, como poderão ver a seguir. Os Reis de Samaria mantinham relações comerciais diplomáticas com os Fenícios (tanto é que a ruína do Rei Israelense Acabe foi sua mulher fenícia, Jezabel, pouco antes da tomada definitiva de Samaria). A influência Fenícia é evidente, não somente nos Cultos a Baal, o pior de tudo, mas em todos os cantos: na casa de marfim de Acabe e nas centenas de incrustações de marfim, para mobília, escavadas em Samaria. Paredes esplêndidas do calcário local, cortadas no precioso estilo Fenício, cercavam o Distrito Real de Samaria.

Era bem esse o Sincretismo que Deus abominava! Samaria sempre foi mais aberta a influências estrangeiras do que a Judéia .(Reino do Sul).

Considera-se que a divisão do Reino de Israel e Judá se deu em 930 a.C. Em 841 a.C, no Reinado de Jeú, a Assíria exigiu a subserviência de Israel (2 Rs 10.32-33); entretanto, pouco mais de 100 anos depois, em 733-732 a.C, afinal, o Reino de Israel tornou-se província Assíria (através de Hazael, Rei da Síria, ambicioso e traiçoeiro, dando continuidade ao que começou a ocorrer nos dias de Jeú, e segundo a profecia dada a Elias - 2 Rs 8. 12-15; 1 Rs 19.15 - pois já começara o Juízo de Deus).

Lembre-se que a Síria faz parte e é considerada Região Mesopotâmica. O último vestígio de independência do Reinado Israelense chegou ao fim com Salmanasar V (2 Rs 17. 3-6), o que pela cronologia Bíblica aconteceu em 722 a.C.: em nada conflita com o relato Histórico.

A Assíria transformou Samaria na Capital da Província de Samerina; os cidadãos mais destacados de Samaria foram deportados e reassentaram ali gente de outro Povos conquistados vindos da Síria e da Mesopotâmia. Isso quer dizer que ali restou uma grande porcentagem de Israelitas. Estes foram, pouco a pouco, "contaminados em seus costumes e modos de viver (novamente o Sincretismo) pois foram deixados relativamente "soltos" na Província, apenas não ocupavam cargos importantes. Esse foi um dos principais motivos pelo grande "Cisma Samaritano", um rompimento religioso definitivo entre Jerusalém e Samaria, pelos "Manuscritos do Mar Morto" demorou um pouco para acontecer de vez, não antes do Século II a.C.

O Exército de Alexandre, o Grande, destruiu Samaria em 331 a.C. após uma rebelião, mas ela foi reconstruída e tornou-se uma cidade Helenística que, tempos depois, Herodes, o Grande, embelezou em escala grandiosa. Ao que parece, os Samaritanos nunca mais exerceram o Judaísmo puro, tendo uma inclinação natural para transgredir as tradições. No entanto, nem todas as evidências Históricas e Bíblicas encontradas são imparciais em relação aos Samaritanos.

Parece haver aí uma certa tendenciosidade religiosa, e partidarismos. Talvez os Samaritanos não tenham de fato mantido só vínculos com a cultura estrangeira, embora pessoalmente eu discorde disso. É praticamente impossível conviver com outros Povos e costumes e não "Sincretizar".

Ainda porque a causa do Exílio de Israel foi a infidelidade ao Senhor, às tradições, à Lei, aos costumes. Como não havia nenhuma restrição humana ao Sincretismo, muito ao contrário, eles foram deixados livres para seguir as crenças conforme bem entendessem... creio que os Judeus de Israel se perderam para sempre...! Contudo, todas as principais características dos Samaritanos surgem do Judaísmo pós-exílico; fica claro que no Período Romano eles eram um grupo identificável, porém distinto da Comunidade Judaica Convencional, mais ampla, só que distintos dela.

Voltemos à História.

Quando dominou de vez o Reino do Norte, Hazael pretendia marchar também contra Jerusalém; mas o Rei de Judá, Joás, "tomou todas as coisas santas (...) que haviam dedicado, como também todo o ouro que se achava nos tesouros da Casa do Senhor e na casa do Rei, e os mandou a Hazael, Rei da Síria; e este se retirou de Jerusalém" (2 Rs 12.17-18). Por esse motivo, Judá sobreviveu um pouco mais, mas sob altíssimo preço!!!

Embora Samaria (praticamente um sinônimo do Reino do Norte) tivesse caído, e seus habitantes se perdessem para sempre do Senhor, pois o território de Israel foi anexado à Assíria, o Reino de Judá sobreviveu um pouco mais. Mas como "vassalo" da Assíria, como percebemos; além do tributo indescritível pago a Hazael, mais tarde foi Acaz, rei de Judá, completamente idólatra - pois ofereceu o próprio filho em sacrifício (2 Rs 16.2-4) -, que pediu ajuda ao Rei da Assíria para defendê-lo contra o Rei da Síria e o Rei de Israel (guerras entre os Reis do Norte e do Sul eram relativamente comuns, mas agora Israel e Samaria eram Província Assíria). Mas... por que Israel lutaria contra Judá???

É que as Nações Poderosas exigiam tanto tributos quanto lealdade dos seus súditos conquistados; era bastante aconselhável um povo subjugado cumprir os desejos do seu Suserano. Era política bem melhor ajudar o futuro vencedor do que se opor a ele!

Bem.... Hazael, rei da Síria, incumbiu-se de Israel e dominou Samaria que ficou exilada sob domínio Assírio. Quanto a Judá, já há algum tempo as tentativas de libertar-se do domínio de Senaquerib, Rei da Assíria (705-681 a.C.) eram frustradas e acabaram levaram ao cerco de Jerusalém. O pagamento do tributo a Hazael não tinha nada a ver com Senaquerib.

Depois que seu pai Sargon II foi morto em batalha, Senaquerib viu nisso sinal de desfavor divino e se dissociou da figura do pai. Sargon II tinha criado uma cidade de planta nova, Dur Sharrukin (atual Jorsabad), que estava rodeada por uma muralha com sete portas, três delas decoradas com relevos e tijolos vitrificados. No interior, erguia-se o palácio de Sargon, um grande Templo, as residências e os Templos menores.

Já Senaquerib, querendo desvincular-se de tudo que rememorasse a lembrança de Sargon, e ao mesmo tempo sobrepujá-lo e também aos feitos arquitetônicos do Reino, mudou a capital da Mesopotâmia para a antiga Nínive, e construiu ali seu próprio palácio, o qual denominou "Palácio sem Rival". Embelezou a cidade abrindo amplos bulevares, trazendo água da Montanha por aqueduto, plantando árvores e projetando parques (Século VII a.C.)

Militarmente, empenhou-se profundamente nas campanhas em terras estrangeiras, sobretudo contra a Babilônia (nessa época dominada pelos Caldeus - comentaremos mais à frente). Em suas lutas contra a Babilônia, chegaram a uma grande crise depois que os Babilônios entregaram seu príncipe herdeiro, Asurnadim-sumi, aos elamitas, povo também implacavelmente perseguido por Senaquerib. Talvez fosse um grito de misericórdia a tentativa de aliança contra os Assírios. Mas Senaquerib sitiou e destruiu a cidade, desviando o curso d'água através dos escombros de modo a deixar aquele local arrasado para sempre. Imagine só......!!! Bonzinho ele, hein?

E por fim chegou a vez de Judá. Alheios aos clamores dos seus Profetas, nada mais houve a ser feito senão o Senhor entregá-los igualmente ao Exílio. Só que desta vez foi diferente. Não tiveram a liberdade que foi concedida a Samaria.

Em 701 a.C, Senaquerib liderou uma expedição à Palestina para restaurar a posição de um aliado que fora deposto por seus súditos. A moderna Tell ed-Dweir, uma das principais cidades fortificadas de Israel no II e I milênios a.C, foi foco de várias escavações. O cerco de Laquis, que figura em relatos da conquista de Senaquerib sobre Judá, serviu também como Quartel-general.

A captura de Judá pelo Rei Assírio é descrita em detalhes em relevos encontrados em Nínive. Entre as descobertas mais significativas feitas no sítio arqueológico, diversos cacos de louça foram encontrados como fragmentos de cartas da época, provavelmente militares e Assírias.

A mais famosa delas termina em tom de sofrimento: "Estamos aguardando os sinais de Laquis, segundo todas as indicações que meu senhor deu, porque não vemos Azeca". Tanto Laquis quanto Azeca foram cidades fortificadas de Judá que fortemente resistiam ao cerco. Esta carta talvez tenha sido escrita logo depois do texto de Jr 34. 1-4.

Isso começou em 701 a.C, com Senaquerib. Mais 114 anos, em 587-586 a.C. a coisa já tinha mudado um pouco de figura e o grande vilão da história - conforme predição Divina - foi Nabucodonosor II, que tomou Jerusalém e arrasou o Templo!

Mas vamos por partes. Já tendo sob seu domínio o Reino do Norte, depois da queda de Laquis, Senaquerib acossou Ezequias em Jerusalém, aprisionando-o, na expressão dos anais Assírios, "como um pássaro na gaiola". Ezequias só conseguiu a paz pagando um grande tributo (exatamente como fez Joás...). E creio ter sido este o seu erro, pois Ezequias, apesar de filho e sucessor de um corrupto idólatra, confiava e fazia o que era reto perante o Senhor; por esse motivo foi capaz de resistir a Senaquerib, Rei da Assíria, e não o serviu (2 Rs 18. 3-7).

Mas creio que a pressão e a responsabilidade pelo Povo foram mais fortes, e ele tomou a razão pela Fé. Seja como for, Jerusalém foi poupada mais uma vez. Mas seu Povo não se arrependeu. Foi uma espécie de libertação miraculosa da cidade, celebrada mais tarde por Byron em sua obra "The destruction of Senacherib", que relata o assassinato deste monarca pelo seu filho Arda-Mulishshi, em 681 a.C Pena que a salvação miraculosa da cidade tenha sido feita por mãos humanas (Pagamento de tributo), e em nada levou ao arrependimento do Povo, como se evidencia em Jeremias 34. 1-4:

"Palavra do Senhor que veio a Jeremias, quando Nabucodonosor, Rei da Babilônia (Neobabilônia), e todo o seu exército, e todos os reinos da terra que estavam debaixo do seu poder, e todos os povos pelejavam contra Jerusalém e contra todas as suas cidades, dizendo: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Vai, fala a Zedequias, Rei de Judá, e dize-lhe: Assim diz o Senhor: Eis que entrego esta cidade nas mãos do rei da Babilônia, o qual a queimará. Tu não lhe escaparás das mãos; pelo contrário, serás preso e entregue nas suas mãos; tu verás o Rei da Babilônia face a face, e ele te falará boca a boca, e entrarás na Babilônia!" (Jr 34. 1-4)

Já dissemos que o Povo dominador exigia tributos e lealdade militar. Mas outra razão porque tantos Povos estavam dispostos a ir contra Jerusalém estava, muito provavelmente, na rixa e rivalidade que existia entre Israel e seus vizinhos, por causa das diferenças de Culto. Sem nenhum amor mútuo, os vizinhos de Israel ficariam contentes com sua derrota. Mas vamos agora deixar rapidamente de lado a História de Israel que cabia neste relato, e continuemos na nossa seqüência de derrotas e conquistas. Afinal... não era Senaquerib o que cercava Jerusalém?

Mas, Guerra vai, Guerra vem, muito antes que acontecesse, Deus o havia previsto por boca do Seu Profeta que Judá cairia nas mãos de Babilônia e Nabucodonosor, não de Senaquerib e da Assíria. Não quero entrar em aspectos Teológicos, pois não é ainda o momento, mas esse é um relato Histórico, portanto incluí aqui alguns Textos Bíblicos que comprovam o que nos diz a História.

Como Cristãos, sabemos porque Judá foi exilado, e porque a intercessão e lamentação do Profeta Jeremias não pôde ser atendida por Deus (tinham esgotado o "cálice da iniqüidade", passado dos limites... e precisavam de disciplina. Mas essa é outra história!... E que não cabe aqui, agora).

Indo adiante, os Assírios foram finalmente derrotados pelos Babilônios, novamente (lembre-se: o "nascimento" da Babilônia, se assim o podemos chamar, começou no período de Nabucodonosor I - 1125-1104 a.C.), embora nesse tempo a Assíria ainda continuasse dominando ao norte. Mas depois, quando o Império Neobabilônio ressurgiu, a Capital Assíria, Nínive, foi dominada (612 a.C, final do Século VII), de modo que os Assírios tentaram aliança com os Egípcios para salvar-se.

Em 609 a .C, Josias, Rei de Judá, não conseguiu deter os Egípcios que vinham em auxílio dos Assírios, mas seus exércitos os enfraqueceram. Vale a pena um pequeno aparte para comentar sobre este valoroso rei de Judá...

Josias foi feito Rei de Judá aos 8 anos, após o assassinato de seu pai, Amom, e foi tido como um dos mais conscienciosos Reis do Reino do Sul. Justamente em decorrência do declínio progressivo do Império Assírio ele foi capaz de promover os interesses de Judá durante seu Reinado. Sua alavanca para lutar contra a idolatria começou com o desejo de restauração do Templo, aos 26 anos de idade. Remexendo ali, foi encontrado o "Livro da Lei", desaparecido no meio da balbúrdia do Templo, esquecido há muito por Sacerdotes e pelo Povo que pouco se importavam com o Senhor. Conhecedor do texto pela primeira vez na vida, Josias ficou em verdadeiro "pânico"ao perceber que nada do que deveria ser feito, estava sendo feito! Rasgou suas vestes e mandou que consultassem o Senhor por ele, pois muito grande deveria ser o Seu furor.

Diante da clareza do Livro da Lei, provavelmente o "Deuteronômio" de Moisés, Josias foi imediatamente convencido "do pecado, da Justiça e do Juízo". Uma Profetisa foi consultada, Hulda, algo raro em Israel e Judá. As outras únicas mulheres Profetisas (numa Sociedade Patriarcal, é de grande importância que Deus tivesse nos dado esses exemplos: Miriã, Débora e a esposa de Isaías eram profetisas).

Através de Hulda, Deus confirmou o mal que viria sobre Judá, por causa da desobediência e idolatria, mas viu o coração sincero de Josias, suas lágrimas, e disse-lhe que, embora já não pudesse mudar a sorte de Judá, não lhe permitiria ver o ocorrido (O Exílio): "Porquanto o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante o Senhor, o Deus de Israel, acerca das Palavras que ouviste contra este lugar e contra os seus moradores, que seriam para assolação e para maldição, e rasgaste as tuas vestes e chorastes perante Mim, também Eu te ouvi, diz o Senhor. Pelo que, eis que te reunirei a teus pais, e tu serás recolhido em paz à tua sepultura, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar (2 Rs 22. 19-20).

Josias fez uma verdadeira "limpeza espiritual" em Judá (2 Rs 23), coisa que sem dúvida desagradou sobremaneira aos Demônios. Não eram Entidades quaisquer, mas espíritos territoriais (Falaremos mais adiante), e reinavam ali havia muito tempo.

Contudo, ninguém pôde impedir o Rei, e Josias não fez "meia-sola": derrubou altares na Casa do Senhor e nas Portas da Cidade, fez em pedaços as colunas e derrubou os postes-ídolos, destruiu instrumentos de culto a Baal, derrubou casas de "prostituição cultuai" que estavam na Casa do Senhor, destituiu Sacerdotes que foram constituídos para incensarem ao Sol, e à Lua, e aos Planetas, e aos exércitos do Céu, tanto em Judá quanto em Jerusalém; profanou Tofete, para que filhos e filhas não fossem mais queimados a Moloque; profanou todos os Altos que estavam em Jerusalém e próximas a ela (alguns já bem antigos, da época de Salomão!), tirou os cavalos que os Reis de Judá tinham dedicado ao sol, queimou carros dedicados a deuses do Sol, das sepulturas que estavam no monte mandou tirar os ossos e os queimou sobre o altar, profanando-o; tirou também todos os Santuários que estavam nos Altos até em Samaria!!!

Aboliu Médiuns, feiticeiros, ídolos do lar e todas as abominações de Jerusalém e Judá. "Antes dele, não houve rei que lhe fosse semelhante, que se convertesse ao Senhor de todo coração, e de toda a sua alma, e de todas as suas forças, segundo toda a Lei de Moisés; e, depois dele, nunca se levantou outro igual" (2 Rs 23.25)

Imagino a ira santa deste jovem Monarca, porque não descansou enquanto não limpou toda a terra, e renovou a aliança com o Senhor, purificou e restabeleceu o Culto no Templo! Eis aí um grande e corajoso homem, que não se deteve por politicagens, se deveria agradar a este ou àquele, mas honrou ao Senhor. Certamente a muitos e muitos desagradou! Talvez, embora Deus já lhe tivesse predito a morte, esta tenha sido conspirada contra ele. Não é nem um pouco improvável....

Ela de fato não tardou. Em 609 a.C, o Faraó Necao do Egito marchou através de Judá a caminho de Carchemish para lutar ao lado dos Assírios contra a Babilônia. Josias interceptou os Egípcios em Megido, onde foi morto pelo Faraó (faço aqui um aparte novamente para reiterar que Necao reinou durante a 26a Dinastia, de 610 a 595 a.C! Bingo! Bateu em cima com a Cronologia Histórica!).

Mas, retomando... talvez Josias esperasse preservar Judá. O Egito estava a favor da Assíria, talvez porque uma Assíria forte amortecesse conflitos contra o poder novamente em ascensão da Babilônia. Embora fosse muito bom para o Egito, era péssimo para Judá: espremido entre duas Potências, a Assíria e o Egito? Para Judá, o grito de misericórdia talvez fosse apoiar uma Potência mais distante como a Babilônia. Mas, morto Josias, a Reforma Religiosa foi abandonada, e ainda assim a sua intervenção militar - mesmo abalando os exércitos egípcios -não foi suficiente para livrar a Assíria, tampouco o Egito.

Como conseqüência, os Assírios foram derrotados de vez por Nabucodonosor II na decisiva Batalha de Carchemish (605 a.C); o Egito se aproveitou por um curto tempo como conquistador de Judá, já que tinha matado seu Rei: cobrou ouro e prata, e impostos; também deportou Jeoacaz, filho de Josias, para o Egito.

Este não estava nem aí para o pai! Nos três meses que reinou, fez o que era mau perante Deus. Acabou morrendo no Egito. Este domínio Egípcio sobre Judá foi "relâmpago", pois no conflito Mundial logo foi também vencido pela imbatível Babilônia. Judá, de vassalo do Egito, tornou-se puro despojo de Guerra e passou a vassalo da Babilônia.

No lugar do infiel Jeoacaz, deportado ao Egito, ficou no trono de Jerusalém o igualmente infiel Jeoaquim, que também fez o que era mau perante o Senhor. Reinou em Jerusalém durante 11 anos (se Josias morreu em 609 a.C, provavelmente o ano último do Reinado de Jeoaquim foi em torno de 598 ou 597 a.C).

Terminemos, portanto, rapidamente nosso "pequeno aparte sobre Israel e Judá": a conquista de Jerusalém foi progressiva. Primeiro, Nabucodonosor II subiu contra Jeoaquim e o tornou seu servo por três anos; então Jeoaquim se rebelou e contra eles foram mandados bandos de Caldeus, de Siros, Moabitas e Amonitas que tinham aliança como vassalos da Babilônia, para destruir Judá.

Morto Jeoaquim, reinou Joaquin em seu lugar durante oito anos. Naquele tempo, Nabucodonosor cercou Jerusalém. SE você fizer as contas, verá que o relato e as datas Bíblicas batem perfeitamente com a cronologia histórica que diz que a queda de Jerusalém se deu em 587-586 a.C As datas se encaixam perfeitamente!

A Babilônia tornou-se senhora absoluta da Mesopotâmia e da Região Síria-Palestina! Desafiando o novo Suserano, os Judeus de Judá tiveram o fim do seu Reino. Joaquin foi exilado com uma série de outros Judeus proeminentes; as conquistas da Babilônia poderiam ter enchido o Império de escravos, mas os Babilônios foram seletivos porque um número exagerado de escravos seria contraproducente, levando ao enfraquecimento da Economia!

Espertinhos....levaram o que havia de melhor. As Elites, em todos os sentidos. Os pobres e as pessoas sem treinamento específico de nenhum tipo foram deixados em Jerusalém sob o comando de Zedequias, um parente do Rei Joaquin. Mais um tolo que fez o que era mau perante o Senhor... quando a cerviz é dura... não adianta mesmo!!!! Impressionante!

O tonto do Zedequias rebelou-se contra a Babilônia, vê se pode! Mas era porque o Senhor já estava cheio deles e de suas atrocidades, tanto de Jerusalém quanto de Judá! Queria mais era retirá-los de sua presença (2 Rs 24.20).

O Profeta Jeremias tinha dito que, entregando-se, a vida lhe seria poupada e nada de mal lhe ocorreria (Jr 38.17-18). Mas não foi o que ele fez. Indignado, Nabucodonosor veio com todo o seu exército e sitiou Jerusalém, e a cercou durante um ano e meio. Mortos de fome, a cidade foi arrombada. Zedequias fugiu, mas foi pego, teve a vida poupada, mas assistiu à morte dos filhos e depois foi cegado. Cativo, acorrentado, cego, era bem o exemplo que Nabucodonosor queria deixar bem claro! Ele mostraria a todos o que podia acontecer a um súdito que ousasse confrontar seu senhor.

Jerusalém não foi destruída de imediato; quem merecia punição era o Rei rebelde. Mais ou menos 20 anos depois a paciência de Babilônia dos Caldeus com a Cidade de Jerusalém parece ter-se esgotado. O Chefe da Guarda e servidor de Nabucodonosor veio a Jerusalém e queimou o Templo, o palácio do Rei e todos os edifícios importantes, e todas as casas da cidade.

Todo o exército dos Caldeus que estava com o Chefe da guarda derrubou os muros de Jerusalém... nada restou! O resto do Povo, a multidão e os desertores (que haviam passado para o lado dos Babilônios, por considerarem isso mais seguro) foram levados cativos à Babilônia. Somente os realmente pobres ficaram para vinhedos e lavouras. Tudo que havia de ouro, prata e bronze, e os tesouros do Templo foram levados. As colunas de bronze e os aparatos delas eram de um peso incalculável! Em Babilônia, o que restava dos nobres exilados, foram simplesmente todos mortos (2 Rs 25.8-22). Bem... o que é a idolatria, a dura cerviz, a desobediência aos verdadeiros Profetas de Deus, a ganância e o poder mal empregado.... nem precisa dizer mais.....

Mas voltemos à continuação da nossa "Saga Mesopotâmica"! O "renascimento" Neobabilônico foi, sem dúvida, sublime! Havia agora um Sincretismo que se manifestava principalmente em sua arquitetura. A Cidade de Babilônia, novamente a Capital do Reino, (ao invés de Nínive), alcançou seu máximo esplendor entre 626 -539 a.C. (repare que a Guerra de Carchemish ocorreu em 605 a.C, momento em que, embora não houvesse apogeu, tudo indicava que a Babilônia se reerguia).

Essa enorme cidade havia sido destruída em 689 a.C. por Senaquerib, Rei da Assíria (que foi assassinado em 681 a.C), quando tomou a Mesopotâmia. A Cidade de Babilônia foi sendo reconstruída por iniciativa do Rei Nabopolasar e de seu filho Nabucodonosor II, atingindo o apogeu na data já citada acima.

Após a vitória sobre a Assíria, especialmente o Grande Zigurate merecia atenção. A Cidade não poderia estar completa sem ele - como já dissemos, era uma construção religiosa tipicamente Babilônica - portanto recebeu atenção e cuidados especiais depois de tantos anos de negligência e abandono. Embora os Assírios tenham construído vastos Palácios para acomodar a Residência Real e a Administração Pública, seus Zigurates eram construções modestas, pequenas, de base retangular.

Já na Babilônia, embora os palácios fossem de grande expressão, as maiores construções realmente foram destinadas inteiramente aos cerimoniais e fins religiosos, e se localizavam no próprio centro da cidade. Ou seja: nada era mais importante do que os Zigurates!

Nabopolassar tinha recebido intimação dos deuses para restaurar a construção sagrada; as dimensões foram calculadas de acordo com a revelação divina: "Reuni os oráculos de Shamá, Adade e Marduk e guardei de cor as medições que os grandes deuses tinham decidido enviar-me através do oráculo; tinha que ser edificado sobre fundações seguras, no coração do Apsu, com seu ápice à altura do céu".

Em outras palavras, a altura deveria ser igual à base, as dimensões das paredes laterais da base tinham que ser iguais à altura total do edifício; aproximadamente 92 x 92 x 92 metros. Portanto, a construção fixou firmemente toda a cidade dentro dos parâmetros Cósmicos.

Novas sondagens na parte central do Zigurate, combinadas com uma avaliação cuidadosa sobre o material cuneiforme, levou a novos vislumbres sobre o aspecto original desta construção sagrada. As medidas e a elevação da rampa de acesso também não eram aleatórias, mas tiveram suas proporções indicadas.

Os arquitetos de Nabopolassar apresentaram um novo esquema para incorporar os remanescentes do velho Zigurate semidestruído, e ao mesmo tempo dignificá-lo. Limparam o terreno de forma a resguardá-lo de inundações, reformaram a muralha do rio e construíram uma plataforma de três metros e meio acima do nível da água, dentre outras providências de engenharia.

O próprio Rei e seus filhos, bem como um grupo de altos dignatários do Império, no início das construções, foram os primeiros a carregar os baldes contendo barro misturado com vinho e mel. A altura original do Zigurate estaria representada visualmente pelos dois primeiros estágios, os quais subiriam do solo em volumes puros e monumentais. Uma rampa em degraus colocada no centro da fachada sul conduzia diretamente ao topo do segundo estágio, que era de fato a altura em que se encontrava o embasamento do antigo Templo. Dois lances laterais de escadas levavam então ao primeiro estágio. Acima do segundo estágio, constava uma plataforma e erguiam-se todos os estágios subseqüentes, Zigurate sobre Zigurate. Este consistia em quatro terraços dispostos em degraus regulares com uma escada interna.

O elevado Templo na plataforma mais alta estaria organizado como uma seqüência de salas em torno de um pátio descoberto. Aí estavam as "capelas" dos grandes deuses, o leito monumental de Marduk e, no lado oposto, o seu trono. Marduk foi dotado dos atributos dele mesmo associados aos das divindades Sumérias daqueles centros: notavelmente Enki, de Eridu; e Enlil, de Nippur.

O terreno do Zigurate era o epicentro vital da Cidade de Babilônia, e, a partir daí, do Império como um todo. Nele, onde Céu e Terra estavam conectados, os deuses pairavam em elevada segurança acima dos mortais e seu território. Ali, o Zigurate podia ser contemplado como um "Pilar Cósmico" que assegurava a continuidade da Nação.

O filho de Nabopolassar, Nabucodonosor II, queria que seus edifícios durassem para sempre, então se observa uma preocupação zelosa com o tipo de material a ser usado em todas as edificações, particularmente os Zigurates - claro! -, mas também em palácios e Templos, nas construções de defesa, nas ruas e no cais, nas portas da cidade, nas pontes e nos fossos. Tudo isso era não só decorado com estupenda magnificência, mas fazendo uso dos mais custosos materiais, como ouro, prata, lápis-lázuli e madeira de lei. Tudo isso para assegurar a durabilidade estrutural, mas também para enfatizar a superioridade mais cultural que marcial da Babilônia. A herdeira da mais antiga Civilização no Mundo!

Nabucodonosor II queria preservar tudo na forma e estado naturais do seu tempo. Ele assinalou em tudo um desejo perene de monumentalidade. Dessa vez, ele não se satisfaz com a mera proclamação desta intenção em documentos de fundação, como era o hábito. Ele providenciou para que sua identificação escrita fosse gravada em milhares de tijolos e inseriu centenas de placas comemorativas em suas paredes. E foi ainda mais longe na escolha de um material não perecível. Nabucodonosor se esmerou e dispôs-se a construir uma cidade compatível com o status da Babilônia como uma nova Potência Internacional dos Tempos Antigos, a vencedora da Assíria e do Egito, então, a única Metrópole no Mundo! Era também uma cidade com uma antiga e venerável tradição Cultural, que contava com a Ciência mais avançada e as Artes mais refinadas!

O mais interessante nisso tudo é que Babilônia, como sabemos, não foi uma das cidades mais antigas da Mesopotâmia. Existem poucas provas de que ela fosse mais do que um lugarejo antes do período Babilônio Antigo, época do primeiro Reinado, que começou com Hamurabi (1799-1750 a.C), época em que a cidade floresceu. Mas nesse novo período, Babilônia foi considerada uma das Potências Mundiais, com os Hititas e Egípcios. Havia o projeto de transformar a Cidade de Babilônia numa Metrópole consideravelmente grandiosa para representar as aspirações de um Império. Esse vasto empreendimento levaria 43 anos para ficar pronto. E-sagila, o Templo de Marduk, foi seu edifício mais notável, com Etemenanki — o Grande Zigurate - de aproximadamente sete andares. Suas dimensões asseguravam que este edifício era, de fato, o maior Zigurate construído na Mesopotâmia e representava o triunfo da Babilônia sobre seus inimigos. Tais Edificações Monumentais, torres escalonadas que chegavam até os deuses do céu, tornaram-se símbolos do Período Neobabilônico. Mesmo assim, há poucos indícios de que fossem degraus para a imortalidade. Estavam realmente mais ligadas ao "serviço religioso", fosse lá o que fosse que ali acontecesse!

Mais tarde, Etemenanki se tornou conhecido como "Torre de Babel", ou, pelo menos, foi associada ao que teria sido a Torre de Babel, talvez pelo tamanho, a altura, a magnificência da arquitetura. A Torre-Templo Suméria de Nanna, o deus da Lua, em Ur, poderia ter sido um modelo prévio da Torre de Babel. Ur é tradicionalmente identificada como o sítio Tell el-Muqayyar, no sul da Mesopotâmia. Foi exaustivamente escavado, e entre suas descobertas, encontrou-se o Zigurate construído por Ur-Nammu, o fundador da Terceira Dinastia de Ur, no final do III milênio a.C. A identificação de "Ur dos Caldeus" com Tell el-Muqayyar não é universalmente aceita; observa-se que na Septuaginta "Ur dos Caldeus" (Terra Natal de Abraão) é traduzida por "Terra dos Caldeus".

Fato é que, independente da região e da nomenclatura, a imensa montanha de tijolos em terraços, encimada pelo Templo do deus, pelo menos 21 metros acima do nível do terreno, foi construída em 2100 a.C Mas foi a visão monumental e impressionante que os Judeus tiveram do Grande Zigurate, o Templo de Marduk na Babilônia, é o que a narrativa Bíblica provavelmente cita. Ele causou uma impressão tal aos exilados que jamais seria esquecida! Segundo o Épico Babilônico Enuma Elish, foi preciso um ano apenas para fazer os tijolos para essa estrutura colossalmente elevada.

A "Babel" da Bíblia é um símbolo de decadência, prepotência política, insensibilidade e excessos do ser humano. Durante o cativeiro Babilônico sofrido pelos Judeus, o Grande Zigurate (indiretamente associado a um protótipo da Torre de Babel), tornou-se um poderoso símbolo de insensatez e arrogância humanas.

Diante disso, apesar do Cativeiro, os Judeus do Exílio pouco estavam se importando com as maravilhas arquitetônicas de um dos maiores Impérios da Terra! "Babel" é a palavra Hebraica para "Babilônia", que, segundo os próprios Babilônios significava "Portão de Deus"!

Essa etimologia provavelmente não é original, mas o significado é interessante para uma cidade famosa cujo Templo Central tinha uma Torre que, ao que se dizia, chegava ao Céu. Gênesis 11.1-9 conta como os descendentes de Noé vaguearam até a planície de Senaar (Babilônia), onde, aperfeiçoando a técnica da arquitetura monumental de tijolos, construíram a famosa Torre de Babel.

Entende-se que a História Humana fez aqui um desvio decisivo! Diante de uma prepotência semelhante à de Satanás, Deus, irado, confunde a linguagem e dispersa o Povo pela Terra inteira. Os Zigurates Mesopotâmicos poderiam por certo ter simbolizado, sim, a presunção da elite urbana, sua ruína e o julgamento de Deus. Talvez por isso Babilônia será julgada com tanto rigor, pois exagerou em querer "igualar-se" a Deus, ou alcançá-lo por sua próprias forças!

E se Babel fosse um Portal??? Veremos isso em estudos a seguir! Não se apresse... mas por certo explicaria melhor a ira de Deus!

Já os autores gregos, particularmente Heródoto, tinham uma postura e visão muito diferente a respeito da Civilização Oriental. Suas descrições de edifícios e costumes revelam um interesse etnográfico totalmente ausente nos escritos Bíblicos.

Daí vêm informações diversas sobre a cultura e o povo na Cidade de Babilônia. Como o indescritível e majestoso Palácio de Nabucodonosor II, considerada uma das sete maravilhas do Mundo. O "Palácio sem Rival" de Senaquerib ficou a desejar! Se existiram ou não, embora muito se fale deles, os "Jardins Suspensos da Babilônia" também seriam considerados obra arquitetônica magnífica e grandiosa, outra das sete maravilhas do Mundo, também obra de Nabucodonosor II. Acredita-se que os Jardins Suspensos foram construídos por amor, para a mais amada das mulheres do Rei.

Um Manual Topográfico do começo do Primeiro Milênio, preservado em plaquetas, aponta os muitos nomes e epítetos de Babilônia, numa enumeração à maneira de ladainha:

"Babilônia, a criação de Enlil,

Babilônia, que assegura a vida da terra,

Babilônia, cidade de abundância,

Babilônia, cidade cujos cidadãos acumulam riquezas,

Babilônia, cidade de festividades, alegrias e danças,

Babilônia, cidade cujos cidadãos celebram sem cessar,

Babilônia, cidade privilegiada que liberta os cativos,

Babilônia, cidade pura."
Mas nada dura para sempre na Terra dos Homens, de forma que desde o Século IX a.C. já tinha surgido no sul da Mesopotâmia uma nova coalizão de tribos que ficou conhecida como Caldeus. Os Caldeus eram um grupo de cinco Tribos que se tornaram dominantes na Babilônia no final do Século VI. Eles não foram mencionados pelo nome em nenhuma fonte anterior ao Século IX a.C. (Isso corrobora para tornar a expressão "Ur dos Caldeus" um tanto ou quanto tardia).

Mais tarde, o Reino Neobabilônico decaiu e foi dominada por Ciro, o Grande (539 a.C), Rei da Pérsia. Já no seu primeiro ano de Reinado, o Senhor o tocou e despertou o espírito deste homem, segundo fora dito por intermédio de Jeremias. Em Ciro se cumpriu a profecia sobre a queda da Babilônia e o fim do Exílio, claro que nem tudo ao mesmo tempo. Isaías também tinha falado sobre um "conquistador" (Is 41.2,25) e citou Ciro como o reconstrutor do Templo (Is 44.28; 45.1,13).

Mas o fato é que o retorno dos primeiros exilados a Jerusalém foi logo de cara, em 538 a.C, mas considera-se que apenas uma minoria retornou. O altar foi reconstruído primeiro, e restabeleceram parte dos holocaustos e das festas. Sob comando de Zorobabel e Jesua, os fundamentos do Templo foram lançados novamente. Mas então - claro - os inimigos fizeram o trabalho na Casa do Senhor parar. E o Diabo lá queria restauração daquele Povinho??!

O trabalho ficou parado durante 16 anos, por determinação de Artaxerxes, novo Rei da Pérsia. Os inimigos dos Israelitas fizeram o Rei Persa acreditar que, reconstruindo o Templo e a cidade, tornariam a rebelar-se. Foi somente depois da exortação de Ageu e Zacarias que novamente Zorobabel e Jesua retomaram o trabalho de reconstrução do Templo.

Novos inimigos se levantam, querendo saber se o tal decreto de Ciro era mesmo verdadeiro e os Israelitas tinham o direito de fazer o que faziam. Isso já se deu no Reinado de Dario! Este concorda com Ciro e promete punir severamente quem se meta a fazer o contrário, atrapalhando os Israelitas. Por fim, 22 anos depois do início das obras, o templo está terminado! E dedicado a Deus e é celebrada a Páscoa!

Se você lembrar bem, a queda de Jerusalém aconteceu em 586 a.C, e o término da construção do templo se deu em 516 a.C, setenta anos depois! Um segundo retorno a Jerusalém é feito com Esdras, o escriba, para completar a obra do Templo, adornando-o e instituindo o serviço. Porém, Esdras sentiu a falta dos Levitas, pois poucos tinham vindo (Ed 2.40-42). Foi preciso a Esdras apregoar um jejum e fazer confissão dos pecados do Povo, pois os Sacerdotes e Levitas não se tinham separado dos Povos de outras terras, com suas abominações (Ed 9.1).

A linhagem santa de Israel estava inteiramente contaminada. Quem poderia administrar e servir ao Senhor no Templo?! Não se podia recomeçar o Culto verdadeiro a Deus estando os Sacerdotes e levitas, e o povo aparentado com outros Povos (Ed 9.14-15).

Milagrosamente, o Povo todo se arrependeu genuinamente, vendo o estado em que se encontrava seu Líder, Esdras. E despediram as mulheres estrangeiras com quem se haviam casado e tido filhos!!! O Conselho Israelita levou três meses para investigar e apurar a culpa de 110 casos registrados dentre os Sacerdotes, Levitas, Cantores, e do Povo em geral. Essa investigação cuidadosa mostrou que não encaravam com leviandade o rompimento destes lares. Talvez, em alguns casos, o casal tenha sido inocentado, no caso de a mulher converter-se ao Senhor genuinamente (Ed 10.16-17).

Até 331 a.C. a região Mesopotâmica ficou sob domínio Persa. Entretanto, as conquistas e guerras na Mesopotâmia não terminaram ao longo dos Séculos, sendo sucedidas por Gregos, Romanos, Árabes e Turcos, dentre outros menos importantes. Explicamos tudo isso sobre as Sociedades Antigas mais importantes para que fique claro a todos que a Mesopotâmia não era pouco importante. Ao contrário... seu legado tem lugar no nosso Mundo e, particularmente, nos primórdios das raízes do Satanismo. Um Satanismo "Infantil" ainda, é verdade... mas, como você sabe.... toda revelação é progressiva!

Embora seja praticamente impossível fazer um resumo das Religiões deste período tão longo e turbulento, fizemos o possível para conciliar este aspecto com a História, transformando este estudo num Relato Histórico e não Teológico, e incluindo a passagem de Israel e Judá como Nações.

Um aspecto marcante da Mesopotâmia e dos Povos mencionados era a crença de que os deuses de um Povo conquistado também eram derrotados. Um detalhe Histórico interessante (não Teológico) é que essa convicção foi fortemente negada pelos Profetas Judeus do Exílio, e alguns dos próprios Hebreus. Mesmo exilados e destruídos como Nação, não deixaram de crer em YHWH como único Deus a ser adorado, e o Criador de tudo que existe, doutrina completamente oposta ao Politeísmo vigente.

De resto, em termos de achados religiosos concretos, a Babilônia em especial produziu importantes textos. Os mais notáveis foram os Épicos Babilônicos: Enuma-Elish - Poema Babilônico, e Atra-Hasis, que tratam da Criação; este último acompanha a seqüência da Criação Humana até o Dilúvio. A Epopéia de Gilgamesh, denominado assim em homenagem ao lendário Rei Sumério da cidade de Uruk, nas margens do Eufrates, inclui também um relato do Dilúvio. A Literatura da Sabedoria Babilônica: Lulul Bel Nemeqi e a Teodicéia Babilônica, que tratam dos sofrimentos imerecidos dos Justos; o "Código de Leis de Hamurabi" também merece destaque, pois não se trata apenas de Leis, mas da elevação de Marduk a deus supremo do Império.

Em forte contraste com a Civilização Egípcia, na qual a crença na imortalidade provocou o início de uma duradoura arquitetura em pedra, os Babilônios acreditavam que nada sobreviveria à morte, exceto uma vaga sombra. Os sumérios, por exemplo, embora acreditassem na vida após a morte, a idéia não é muito diferente da Babilônica, pois a alma não passa de uma sombra que habita as trevas de Kur, espécie de inferno. Diz o Historiador Suíço:

"Arquitetonicamente, os túmulos Mesopotâmicos não tinham qualquer significado. No entanto, foi nesse mesmo período que as Pirâmides de Quéops, Quéfren e Miquerinos enfureciam os céus".


Nosso estudo continuará na mesma linha — Histórica — passando pelas diversas Culturas Antigas para tentar encontrar nelas os primeiros passos da revelação de Satanás. Creio que, mesmo não abordando o assunto como Cristãos que somos, muita coisa já vimos sobre ele!
Egito: Muito do que o Egito era e tinha em termos de riquezas na História foi apagado, roubado e destruído por homens gananciosos e sem visão alguma da conservação dos Patrimônios Históricos. Quando despertou-se o interesse pelo Egito, a Aristocracia Européia passou a visitar pessoalmente as margens do Nilo (com todo conforto, naturalmente, apesar da pobreza reinante ao redor).

Além de fotografarem o que quisessem, podiam levar souvenires sem restrições. Tais souvenires geralmente eram coleções de objetos que tinham um tamanho considerável...! Ataúdes e Múmias estavam entre os objetos mais procurados!!! Imagine o quanto não se perdeu nesse comércio "biscateiro" e absurdo! As Múmias, tanto melhores se estivessem ainda envoltas em suas bandagens, e, na Europa, o grande momento era o "desenrolar das Múmias"; obviamente fazia parte do espetáculo madames e dondocas perderem seus sentidos. Havia também um imenso comércio de estátuas de Reis, Divindades, mobílias, amuletos, vasos, escaravelhos. Estruturas inteiras corriam o risco de ruírem ante a avidez dos "exploradores".

Até Jean R Champollion (1790-1832), que foi o responsável pela decodificação dos hieróglifos, não resistiu à beleza incomparável dos relevos pintados na Tumba de Seth e decidiu remover o batente de uma porta; felizmente, hoje ela está em exposição no Louvre, em Paris.

O amigo Toscano dele seguiu seu exemplo e levou o outro batente para Florença (1800-1843). Os Egípcios a princípio ficaram surpresos com o interesse e furor que aquilo tudo causava nos estrangeiros... "talvez dentro das pedras houvesse algum tipo de tesouro"!

Então tornaram-se mestres em rebuscar o chão dos sítios arqueológicos à procura de jóias e objetos preciosos. A falta de relíquias autênticas não foi problema, pois os habitantes das vilas logo começaram uma produção em massa de objetos falsos, só que muito bem feitos, capazes de enganar Egiptólogos da época. Esse furor havia começado com a expedição de Napoleão ao Egito, país até então inexplorado. Mas, infortunadamente, apenas 30 anos depois da expedição que causou tal efusão no Mundo Europeu em relação ao Egito, o País estava abarrotado de Europeus com essa característica bem típica, que foi a Tônica da Colonização do Novo Mundo:

"Vou chegando, vou gostando,vou levando. Até mais ver!".

As autoridades Egípcias, locais, chegaram a incentivar a saída das relíquias do País, em torno de 1769 até 1849, época em que o Governo era de Muhammad Ali, e ocupava o cargo de vice-rei por indicação de um sultão Otomano. Foi Ali quem iniciou esta estratégia - que era, na verdade, política - para abrir o Egito ao Mundo Ocidental. Era permitido que os representantes satisfizessem todos os seus desejos, especialmente os das Nações mais poderosas!.... A que preço! Nada era mais fácil para os estrangeiros do que conseguir os "Firmans" (termo persa que significa "Pedido"), e começar escavações por todo o Egito.

Para os Egípcios, conceder a permissão para essa profusa esburacação custava uma bagatela, se vista sob o ponto de vista das vantagens econômicas e comerciais que poderiam resultar de relações cordiais com as Potências Européias.

Acho que é desnecessário dizer as desgraças que a Cultura Milenar Egípcia sofreu, a "troco de banana". Muhammad Ali de fato pôde melhorar o padrão de vida da classe média, mas os pobres continuaram tão pobres quanto antes. Seu projeto insano e ganancioso também levou à destruição de numerosos monumentos antigos.... muitos foram simplesmente desmontados e seus blocos imensos de pedra serviram para alimentar os fornos de cal, ou na feitura de novos edifícios. Várias fábricas tinham licença oficial para procurar e utilizar Múmias, das quais se extraía um corante animal negro para uso industrial.

Esse foi o Egito que Champollion encontrou, em 1828 - totalmente concentrado no futuro e absurdamente desinteressado do seu Glorioso Passado! Com base nas ilustrações da obra "Description de l'Egypte", magnífico trabalho dos estudiosos que acompanhavam os exércitos de Napoleão, o jovem acadêmico francês naturalmente percebeu a devastação daqueles 30 anos.

Complexos inteiros de Templos haviam desaparecido sem deixar rastro; no lugar de Colossos e Estátuas havia apenas buracos enormes na areia. Completamente chocado que as autoridades Egípcias pouco se importassem com o destino de tudo o que estava saindo do País, sem qualquer regulamentação, teve receio que todas aquelas relíquias viessem a "enfeitar" os lares de Europeus abastados e nunca mais fossem vistas novamente. No entanto, ele não via nenhum problema em retirar objetos do Egito e expô-los em Museus, tanto é que levou o batente ao Museu do Louvre.

Um dos defensores mais entusiastas da época era o Cônsul Francês Mimaut; embora lhe interessasse ter as relíquias no Museu, foi terminantemente contra os absurdos que Ali estava permitindo que se fizesse em seu País. Apaixonado por Antigüidades, não hesitou em protestar enfaticamente direto com o próprio Muhammad Ali, opondo-se ao desmanche de uma das Pirâmides de Gizé para usar suas rochas de calcário para construção de diques no Nilo! Bem ou mal, Mimaut foi o primeiro responsável oficial a despertar a atenção do Governo Egípcio para sua herança Cultural e artística sem precedentes.

Champollion propôs formalmente uma regulamentação para escavações e a exportação dos monumentos e objetos. Entretanto, o relatório foi pouco interessante e quase ninguém estava a fim de seguir as recomendações uma vez que as Antigüidades geravam lucro considerável aos comerciantes. Nem Egípcios nem Europeus estavam de fato preocupados com a conservação das Obras. A mudança só chegou realmente através de Rifa a al-Tahtawi, prestigiado acadêmico da Cultura Egípcia e que estudou algum tempo em Paris.

Tahtawi conseguiu, através de sua filosofia, e também pelo fato de ser egípcio, aumentar a consciência Nacionalista do Povo sobre o valor inestimável das Antigüidades. Estabeleceu um decreto em 15 de agosto de 1835, que pela primeira vez regulamentou o Comércio. Além de proibir a exportação de "pedras e objetos entalhados", foi criado um local no Cairo onde esses artefatos poderiam ser conservados e expostos, como acontecia em todas as cidades importantes da Europa!

Apesar de tomadas várias providências, o Decreto de 1835, já quase no meio do Século XIX, foi ignorado por vários anos. Seguindo a política de Muhammad Ali, seus sucessores viam o pequeno Museu mais como uma espécie de acervo particular onde pudessem buscar um presente fino, adequado a certos "hóspedes importantes". O Museu empobreceu tanto que acabou!

Um único salão do Ministério da Educação era suficiente para abarcar todos os objetos que ainda não tinham sido dados. A história do primeiro Museu do Cairo chegou a um fim definitivo quando em 1855 Abbas Pasha ofereceu o que restava da coleção ao Arquiduque Austríaco durante uma visita oficial ao Egito.

Um assistente do Louvre, Auguste Mariette, viajou ao Egito e quis comprar uma coleção de manuscritos para enriquecer o acervo do Museu, o que não foi possível pois estavam guardados em Mosteiros. Diante do fracasso, decidiu escavar em Saqqarah onde, depois de quase um ano de trabalho, descobriu a entrada para o Túmulo do Touro Ápis, onde ficou por mais três anos. Suas experiências na areia do deserto o marcaram para sempre!

Todas as dificuldades que teve que transpor convenceram-no definitivamente de que o Egito precisava de uma Legislação eficaz para promover a conservação dos seus Monumentos. Trabalhou muito para aumentar a consciência das autoridades.

Finalmente, em 1858, o vice-rei autorizou a criação do "Serviço Egípcio de Antigüidades", Instituição que supervisionava as escavações por todo o País. Mariette foi nomeado Diretor-Geral e imediatamente começou um programa intensivo de pesquisa arqueológica. Logo uma quantidade enorme de objetos vinda do Egito inteiro foi acumulada no Cairo. Naturalmente, o Serviço de Antigüidades enfrentou o ódio dos Egípcios e dos Europeus nos primeiros anos. Roubos e desvios eram comuns, e Mariette fazia verdadeiros atos de heroísmo para recuperar as cargas ou impedir os roubos.

Apesar de tudo, em 1863 Mariette conseguiu abrir o primeiro e verdadeiro Museu de Arqueologia Egípcia ao Público, utilizando um prédio da Administração do Trânsito! Com vista para o Nilo, no lado virado para Bulaq, o espaço teve de ser ampliado várias vezes graças às numerosas escavações organizadas todos os anos por Mariette.



Os artefatos eram descritos em um guia que precisou ser reimpresso seis vezes em 12 anos. Infelizmente, o espaço era sujeito às cheias do Nilo e em 1878 alguns objetos se perderam... nenhum dos sucessores de Mariette tinha tido sucesso em mudar o Museu de Bulaq para outro lugar. A situação ficou tão catastrófica, também pelo fato de não caber mais nada lá dentro, e objetos de escavações terem que permanecer em barcos, no Nilo.

Somente em 1889 as coleções foram transferidas para uma das residências do Quediva Ismail, em Gizé. Em janeiro de 1890, o novo Museu estava pronto. Mais tarde, numa competição entre 73 projetos, o arquiteto frances Dourgnon venceu com um prédio projetado especificamente para um Museu, bastante inovador para a época.

Ademais, foi o primeiro prédio no Mundo projetado com a finalidade de realmente ser um Museu, e não apenas um prédio reformado para tal! As escavações começaram em janeiro de 1897, e em novembro de 1901 as chaves foram dadas ao arquiteto italiano contratado pelo Serviço de Antigüidades.

Em 9 de março de 1902, as coleções que estavam em Gizé começaram a ser transferidas. Em poucos meses, tudo estava concluído e o mausoléu de Mariette foi colocado no jardim em frente ao Edifício do Museu.

O fluxo incessante de novas descobertas levou a mudanças contínuas na disposição das coleções. Algumas áreas ganharam maior popularidade, e foram feitas áreas específicas. Um bom exemplo é sobre o abrigo adequado que teve de ser encontrado para os tesouros funerários de Tutancâmon, que começaram a chegar em 1923.

Hoje a arquitetura do Museu Egípcio na Praça de Tahrir mudou muito; há hotéis à volta, e a agitada praça Tahrir no centro da cidade. Porém, os restos mortais de Mariette ainda repousam em um sarcófago de pedra, agora do lado esquerdo do jardim; no centro dele há uma fonte. E o Museu em si exibe cerca de 150.000 artefatos, produzidos em um período que abrange mais de 5000 anos, incluindo grandes obras-primas!

O legado do Egito Antigo não é posse do Egito Moderno, mas sim um presente ao Mundo todo; pois a Civilização que se desenvolveu às margens do Rio Nilo, de uma forma ou de outra, é conhecida de todo ser humano na face da Terra e já emocionou de diversas maneiras todas as nações do Planeta.

Você pode estar se perguntando que interesse há em se narrar essa saga toda.

Nós, Cristãos, muitas vezes deixamos de entender até mesmo as coisas Bíblicas por não contemplar de olhos abertos a História da nossa Humanidade.

Não há erro em estudar! Não há erro em gostar de Artes, de Ciências, de todas as formas usadas para que o ser humano se comunique com o seu semelhante!

Não há erro no Conhecimento, desde que este não seja adquirido por si próprio, para "encher o vazio do coração e da mente", pois então, não passa de "vaidade", como já constatara o velho Salomão. Mas a própria Bíblia nos incentiva a buscar a sabedoria; há muitas formas de sabedoria, e, como você vai perceber ao longo da nossa caminhada e da leitura deste livro, elas se complementam e nos levam a uma Sabedoria bem maior: o conhecimento mais pleno do nosso Deus e da Sua Onisciência, Onipresença e Onipotência!

Contamos esses pormenores do que aconteceu às relíquias do Glorioso Império Egípcio, um dos maiores do Mundo, como "Historiadores" e não como Cristãos. Vamos entender melhor o porque de o Egito ter sido tão terrivelmente saqueado e destruído, e tudo o que era referente aos Faraós ter sofrido tanto a ponto de quase desaparecer, não fosse a intervenção de alguns.

Como "Historiador", imagino como não foi a Glória do Egito em seu Apogeu, e, confesso... isso é algo que fascina!!! Imagino o jovem José adentrando os Portões daquela terra como escravo, e olhando, olhando, olhando.... quase sem compreender como era possível existir algo tão monumental! Mas como Cristão, sei que a Mão de Deus não ficará encolhida.

Ali, Satanás montou Base, como você entenderá no Módulo seguinte. Ali, o Povo de Israel sofreu seu maior Cativeiro. Ali, milhares de crianças Hebréias foram mortas. Ali, Moisés enfrentou os Principados, os deuses da terra, e o próprio Lucifér!

Só que o mais importante em relação a essa Nação foi apagado da História, riscado, para que a nós não chegasse esse conhecimento. Contudo, 0 conhecimento sobre o Egito que foi "volatilizado" será reencontrado - no outro Módulo.

Por enquanto, vamos ver brevemente se alguma pegada Histórica foi deixada pelo nosso Inimigo no solo Egípcio. Entenda bem... pegada Histórica. Não Teológica, porque pegadas Teológicas não nos faltam, não é mesmo?!

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