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Os Amigos De Paulo



Os amigos que viajaram com Paulo lhe davam conforto, segurança e participavam de tudo, até mesmo de palpites nas cartas, como acontece com todos os bons amigos que trabalham juntos em prol de algo comum, e cujo Líder tem ouvidos abertos para ouvir a opinião dos seus baluartes.

Havia também amigos nas Comunidades que eram mais chegados, portanto cabe citá-los nas cartas. Eles aparecem no começo e no fim de quase todas as cartas (Rm 16.1-16, 21-23; 1 Co 1.1, 16.19; 2 Co 1.1; Gl 1.2; Fp 1.1, 4.21; Cl 1.1, 4.10-13; 1 Ts 1.1; 2Ts 1.1; 1 Tm 1.1; 2 Tm 4.21). Isso mostra que a verdadeira doutrina produz uma amorosa comunhão entre as pessoas, e também que Paulo, mesmo com o título e a unção de Apóstolo, via a si mesmo como mais um Crente - cooperador e amigo dos que estavam em Cristo.

Guarde isso: se o seu título o torna um ser "superior" aos demais , a ponto de fazer de você alguém arrogante e altivo, que despreza a Comunidade e os mais simples... se antes de dizer "olá!" você anuncia seus títulos... e se por causa deles você se julga merecedor de privilégios humanos que outros não podem ter porque não possuem "credenciais suficientes" (seja uma sala, um banheiro melhor, uma comida melhor, "paparicos e sedas" das pessoas... um mero sorriso, um gesto de simpatia), se você acha que pode desobedecer regras e desrespeitar os outros porque tem um título "maior"... pode ser que alguma coisa esteja errada...

Embora Paulo tivesse muitos conhecidos, colegas, irmãos e irmãs, não tinha muitos amigos, no sentido Bíblico do termo. Nem poderia ser diferente, dado seu chamado e Missão. Mas havia os que lhe foram sempre fiéis! Guarde isso também: quando Deus lhe dá uma Missão, Ele providenciará, sempre, alguns baluartes fiéis e valentes que o amarão como Cristo ama! Isso é necessário a todo homem, toda mulher de Deus que exerce cargo de Liderança. O líder tem de ter com quem contar! Não pode ser um caminhante solitário pela estrada da vida. Se for... algo está errado!

Alguns companheiros e companheiras, quer nas Comunidades, quer como viajante ao seu lado, aparecem como amigos especiais. Sem a ajuda deles, Paulo não teria conseguido fazer o que fez. Veja a maneira como Paulo se refere a Febe: "tem sido protetora de muitos, de mim inclusive" (Rm 16.2), ao casal Priscila e Áquila, "meus cooperadores em Cristo, os quais pela minha vida arriscaram a sua própria cabeça" (Rm 16.4), à mãe de Rufo, "que tem sido mãe para mim" (Rm 16.13). Mesmo Barnabé, o amigo da primeira hora, foi especial em momentos cruciais: na conversão, apresentando-o aos Apóstolos, ao buscá-lo em Tarso, na 1a viagem; foi um amigo temporário. Mas sobretudo Timóteo tinha lugar especial no coração de Paulo. Eles se conheceram melhor durante a 2a viagem, quando Paulo e Silas chegaram a Listra, na Ásia Menor, onde Paulo, na 1a Viagem, tinha sido apedrejado e dado como morto, mas foi acudido pela Comunidade.

Deus já tinha separado aquele rapaz para acompanhar Paulo, no lugar de Barnabé. Na 2a Viagem, Paulo o levou consigo com o consentimento da família (At 16.1-3). Deu-lhe importantes tarefas, sinal que a pouca idade não o impediu de ser um grande homem nas mãos do Senhor. Timóteo ministrava com Paulo, e foi enviado à Macedônia (At 19.22), onde estava apto a admoestar e exortar pessoas; o próprio Paulo o incentiva a combater o bom combate e manter-se firme na fé, por causa dos dons e do chamado que ele tinha para o Ministério (1 Tm 1.18-19); foi enviado à Tessalônica como Ministro de Deus no Evangelho para confirmar-lhes a fé e exortá-los; o mesmo se deu com os Coríntios, a quem foi Timóteo enviado para lembrá-los do bom caminho ensinado por Paulo. O Apóstolo o considerava um trabalhador na obra do Senhor tanto quanto ele mesmo. Ao escrever-lhe, Paulo usa do termo "meu amado filho Timóteo", "homem de Deus". Realmente os dois viajaram muito juntos, e Paulo o enviou diversas vezes em seu próprio nome, como seu representante perante as Igrejas, pois pessoalmente o ensinou e treinou. Realmente o amava muito e se preocupava como com o filho que nunca teve; desde a saúde, até o trabalho que por vezes lhe era pesado por ser considerado muito jovem para tanta responsabilidade. Esse amor e cuidado do Apóstolo sem dúvida foi recíproco, a julgar o número de cartas em que o nome de Timóteo aparece logo no começo, denotando que os dois estão viajando juntos.

Aprenda e não despreze: a Unção não está necessariamente ligada à idade. Moisés foi libertador do povo cativo aos 80 anos, mas Davi tornou-se rei provavelmente aos 23 ou 25 anos, e matou Golias com 17.

Resumo das três Viagens:


O ponto de partida é sempre Antioquia, mas Paulo sempre sobe até Jerusalém (A Igreja) de quando em quando.
Sempre que chegava a um lugar, Paulo ia primeiro à Sinagoga, em respeito aos Judeus e sua prioridade no Plano de Salvação (At 13-5, 5.14, 14.1, 16.13, 17.2,10, 18.4, 19.8).

Ali, fala a Judeus e Gentios, e o resultado é sempre o mesmo: os Judeus rejeitam, e muitos dos Gentios aceitam a Palavra. Paulo se afasta da Sinagoga e fica entre os Gentios.


1. Paulo e Barnabé não viajaram sozinhos, na 1a Viagem, João Marcos foi junto, mas logo desistiu e voltou para Jerusalém. Guiados pelo Espírito, iam andando por onde Deus indicava. Houve muitos conflitos em muitos lugares, com Judeus, Gentios, senhores nobres e principais da cidade, chefes, populações inteiras, multidões. Ainda não se formula nenhuma acusação formal contra Paulo, só confusão e agitação. Como resultado, foram expulsos, tiveram que fugir, e Paulo foi apedrejado em Listra. Mas nessa primeira empreitada santa ele fica ainda perto de casa, não sai da Ásia, anda somente por regiões que já conhece. Além disso, Paulo não fica muito tempo no mesmo lugar; o objetivo era pregar o Evangelho, montar a Comunidade e ir adiante. Não se tem notícia de qualquer carta nesse período.
2. Na 2a Viagem, depois da briga com Barnabé por causa de Marcos, Paulo viajou com Silas. Foi uma pena a desavença dos dois...! Deus deve ter-se entristecido. Os dois vão confirmando as Comunidades formadas na primeira viagem, e criando outras. E necessário ajudá-las na caminhada, a superar o aparente isolamento em que vivem, mostrando que existem outras Comunidades em outros lugares. Logo levam Timóteo consigo. Há mais conflitos do que na 1a Viagem. Novamente com Judeus e Gentios, mas também com Magistrados e Pretores em Filipos, assembléias, indivíduos perversos, tribunais, filósofos gregos, multidões.

Muitas e muitas vezes terminam expulsos das cidades. Ou são açoitados; ou são presos; ou presos e libertos sob fiança. Agora já se formulam acusações, ainda que infundadas; as principais são de ir contra os costumes de Roma, contra as leis de César, aceitar Jesus como Rei, ser contra a Lei, pregar divindades. O que mais impressiona nas Viagens é a tremenda quantidade de problemas e dificuldades na caminhada; as Comunidades nascem em meio a muitas tensões, conflitos, e perseguições de todo tipo, tanto internos quanto externos.

Algumas vezes, permanecem mais tempo em determinados lugares, como em Corinto, uma das últimas cidades visitadas neste período, onde Paulo ficou por 18 meses, algo que nunca tinha acontecido antes. Vai até Éfeso, onde promete voltar. Isso significa que, agora, Paulo foi bem mais longe, adentrou a Europa, ainda que não tivesse muita certeza de que rumo tomar. As direções vêm pelo Espírito, no momento certo. A primeira Comunidade da Europa é fundada em Filipos, através de um grupo de mulheres cuja coordenadora é Lídia.

Na Europa, o Evangelho é mal recebido: prisão, tortura, conflitos. Paulo carregou pela vida "as marcas de Cristo no seu corpo", resultado dos açoites, pedradas e maus-tratos. Por incrível que pareça, os Judeus sentem inveja por causa do crescimento das Comunidades Gentias, e conseguem ajuda de autoridades da alta sociedade e dos poderes Romanos contra os Cristãos (At. 17.5-9, 13. 18.5-17). Os Cristãos não têm nenhuma influência sobre o Império; não conseguem movimentar a opinião pública a seu favor. São gente sem poder.

Já os Judeus possuem grande influência junto às classes mais altas e autoridades. Paulo escreveu várias cartas nesse período. 3.Nesta última ele levou Timóteo, Lucas, dentre outros. Mas nem parece uma viagem; apesar de irem confirmando as Comunidades, Paulo já tem o objetivo traçado de cara: vai direto a Éfeso, onde permanece por três anos. Falsos irmão tentam prejudicar o trabalho de Paulo. Termina saindo de lá após um conflito e vai para a Macedônia. Depois, fica mais três meses em Corinto.

Ameaçado de morte, muda seus planos de viagem e sai de lá. Vai para Trôade, e a Mileto, viajam em dois grupos. Paulo segue de navio até Tiro, na Síria, para visitas às Comunidades. Nessa Viagem, ele escreve o restante da cartas. As dos Efésios, Filipenses, Colossenses e o amigo pessoal Filemon foram escritas durante uma prisão. Paulo esteve preso em Éfeso. De Mileto continua até Ptolemaida e Cesaréia. Depois sobe até Jerusalém, onde foi preso na praça do Templo.

A 3a Viagem, de certa forma, é o oposto da 1a Viagem. O objetivo maior é irradiar o Evangelho de algumas Comunidades Centrais, enquanto as viagens servem apenas para visitar as Comunidades já existentes. Não se criam novas Comunidades.

Como você pode ver, foram muito poucos os que Deus enviou ao Mundo Gentio, distante. Embora as Comunidades fossem sendo criadas, as viagens sempre foram reservadas para poucos escolhidos. Lembre-se...: espíritos territoriais, expansão do Evangelho, enfurecimento do Inferno. Não é à toa que Paulo fala com tanta autoridade sobre Batalha Espiritual. Ele, como líder, e seus companheiros como auxiliares, foram ponta de lança em todo esse território dominadíssimo por Demônios Poderosos. E talvez ninguém tenha passado por tantos perigos a vida toda como passou Paulo. Ele tinha um "alvo" nas costas, sem dúvida alguma. E por ser o Líder das expedições, a responsabilidade e o ataque eram maiores sobre ele. Sem Paulo naLiderança, aquelas Comunidades talvez não viessem a existir!

E detalhe: Paulo nunca hesita em pedir orações em suas cartas, sinal que ele sabe que precisa delas tanto quanto qualquer um, aliás, até mais. Impressiona a freqüência com que os Atos fazem menção à Oração e Celebração, sem o que a Missão não seria completada. "A oração anima a Missão e as pessoas; a abertura para os Gentios é motivo de louvor a Deus (At 13.48); a confirmação dos coordenadores das Comunidades é acompanhada de oração e jejum (At 14.23); Paulo ora por eles; passa a noite orando na prisão em Filipos, com Silas, louvando a Deus (At 16.25);

Paulo participa da oração nas Comunidades; em Trôade toma parte na "fração do pão" (At 20.7); em Mileto, ora com o Povo (At 20.36); em Tiro, a Comunidade foi com ele até a praia e lá eles oraram (At 21.5).

No fim da 2a Viagem, Paulo fez uma promessa a ser cumprida em Jerusalém (At 18.18); no fim da 3a viagem, aceitou ir ao Templo como padrinho de promessa (At 21. 23-26). Diante da teimosia do Apóstolo em querer ir a Jerusalém a despeito das ameaças, o Povo se conforma e diz: "Seja feita a vontade de Deus" (At 21.14). Vale a pena verificar a mesma freqüência das orações nas cartas de Paulo.

Mais uma lição: o verdadeiro Líder nada esconde dos seus amigos e da Comunidade, contando com o seu apoio em momentos de adversidade. Não é sinal de fraqueza nem "falta de espiritualidade", como muitos consideram hoje em dia, e escondem seus problemas porque são Líderes, e o Líder tem que ser sempre o Super-Homem! Paulo era um Líder tremendo, de caráter forte, mas tinha humildade suficiente para admitir que "sem Cristo, nada podia fazer". Que bom que ele nunca perdeu a visão desta irrefutável realidade!



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