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O Quarto E Último Período Da Vida De Paulo



O Evangelho de Jesus Cristo pregado por Paulo e ensinado a milhares, às novas Comunidades que aceitavam Judeus convertidos e qualquer outro que aceitasse o Evangelho foi como um novo "êxodo"! Um processo doloroso de transição, e impossível de ser vivido sem conflitos. As Comunidades fundadas por Paulo mostravam na prática como era o novo modo de ser do Povo de Deus.

Muitas mudanças tinham ocorrido, e a quase totalidade dos conflitos que Paulo viveu desde seus 28 anos de idade foi por causa deste período complexo de transição.

• Passavam do Mundo Judaico para o mundo Grego, do rural para o urbano, do mundo mais ou menos pequeno, harmonioso, coerente dentro dos seus Ritos e da Lei de Moisés para o Mundo conflitivo e multiforme das grandes Cidades do Impérios, onde se desenvolveram as principais Comunidades.

• De Comunidades soltas e quase sem organização como foram na Síria e na Palestina, no início do Ministério de Paulo, ganharam consistência e muita organização na Ásia Menor e na Europa.

• De uma Igreja fechada só para Judeus convertidos, agora a Igreja aceitava todos que fizessem do Evangelho seu meio e modo de vida.

• Do período dos Apóstolos para a Igreja pós-Apóstolica, formada por pessoas que não tinham conhecido Jesus pessoalmente

• De uma Igreja que tinha sua própria liturgia e doutrina, para Comunidades que passaram a elaborar sua própria doutrina, disciplina e liturgia, baseado na liberdade que Cristo veio trazer, e que nada mais tinha a ver com o antigo Judaísmo liderado pela Lei.

• De uma religião ligada às Sinagogas da Diáspora, socialmente bem colocadas, para as Comunidades que aceitavam e incentivavam o povo mais pobre a um novo ideal de vida. De religião que cultivava o sonho e o ideal das classes dominantes, à religião corajosa que incentivava a classe trabalhadora e os escravos "a trabalharem com suas próprias mãos, e de nada mais teriam falta".

• De uma religião ligada somente aos Judeus para uma Religião Universal, ligada à Humanidade toda.
A transição do antigo para o novo foi um parto doloroso e cheio de complicações. A própria prisão de Paulo, aos 53 anos, foi uma reação exacerbada dos conservadores contra a mudança já em andamento.

A Bíblia só nos fala de quatro anos de prisão. Praticamente nada informa sobre os outros cinco ou seis anos do período; para chegarmos às nossas conclusões, temos que nos valer das poucas informações Bíblicas e também dos estudiosos do assunto.

O 4o período começou quando, no final da 3o Viagem Missionária, Paulo foi a Jerusalém, como era de seu costume, para encontrar-se com os Líderes da Igreja em Jerusalém e contar-lhes as Boas Novas. Esteve em casa de Tiago, participando de uma reunião, quando lhe foi dito que milhares de Judeus tinham abraçado a Fé Cristã, e continuavam na justa observância da Lei. Coisa que Paulo era terminantemente contra.

A conversa continua dizendo que "têm chegado até Jerusalém boatos de que você anda ensinando aos Judeus que vivem no meio dos Gentios que eles devem abandonar a Lei de Moisés, que não devem mais circuncidar seus filhos nem seguir as tradições. Certamente vai juntar muita gente aqui quando souber que está aqui". Então deram-lhe como conselho que fosse ao Templo junto com quatro homens que deviam pagar uma promessa; Paulo poderia purificar-se com eles e pagar as despesas da promessa, mostrando assim que os boatos a seu respeito não têm fundamento, e que você também continua fiel à observância da Lei (At 21.17-24).

Paulo aceitou a proposta de ser o padrinho da Promessa (Imagino que a contragosto), e foi ao Templo sete dias seguidos. Quase ao final do período. Os Judeus o descobriram, o agarraram e levaram para fora do Templo, com intuito de fazer a ele o que tinham feito a Estêvão, cerca de 25 anos antes. Sua sorte foi a intervenção da Guarda Romana. Que libertando-o dos Judeus, levou-o preso (At 21.26-33).

Durante esse tempo, que certamente afetou profundamente a vida de Paulo, acostumado a viver em liberdade, pregando por todo canto e cuidando dos seus "filhos na Fé", ele teve tempo de refletir em tudo o que tinha vivido e aprendido naqueles longos anos de trabalho como Missionário e Apóstolo.

• No confronto com os Judeus: "Digo a verdade em Cristo, não minto, e disso me dá testemunho a minha consciência pelo Espírito Santo; tenho uma grande dor e um contínuo sofrimento no coração. Sim, eu gostaria de ser amaldiçoado e separado de Cristo em favor dos meus irmão de raça e sangue. Eles são Israelitas e possuem a Adoção Filial, a Glória, as Alianças, a Lei, o Culto e as Promessas; deles são os Patriarcas e deles nasceu Cristo segundo a condição humana, que está acima de tudo. Deus seja bendito para sempre, amém!" (Rm 9.1-5).

Como se vê, Paulo nunca negou a eleição especial de seu Povo. Mas mudou o enfoque depois de conhecer o Messias e de andar com Ele. O Privilégio dos Judeus sempre seria um privilégio, mas foi no contato com os gentios que Paulo entendeu perfeitamente o motivo pelo qual tinha Cristo se sacrificado, e teve o alcance único da missão do seu Povo como o salvador de toda a Humanidade! E foi isso que os Judeus ortodoxos e tradicionais não entenderam, senão não teriam novamente matado a Verdade. Como fizeram com os Profetas, com o Messias, e com o principal cumpridor da Grande Comissão.

• No confronto com os Gentios: "Eu, Paulo, prisioneiro de Cristo por causa de vocês, os Gentios! Certamente vocês ouviram falar como a graça de Deus me foi confiada em benefício de vocês. Foi por revelação que Deus me fez conhecer o mistério que acabo de expor brevemente. Lendo esta carta, vocês poderão entender a percepção que eu tenho do mistério de Cristo. Deus não manifestou esse mistério para as gerações passadas da mesma forma que o revelou agora, pelo Espírito, aos Seus santos Profetas, a saber: em Jesus Cristo, por meio do Evangelho, os gentios são chamados a participar da mesma herança, a formar o mesmo Corpo e a participar da mesma Promessa. Eu fui feito Ministro deste Evangelho pelo Dom da graça que Deus me concedeu através do Seu Poder eficaz. A mim, o menos de todos os santos, me foi dada a graça de anunciar aos Gentios a incalculável riqueza de Cristo, e de esclarecer a todos como se realiza o mistério que esteve sempre escondido em Deus, o Criador do Universo. (...)

Por isso peço que não desfaleçais nas minhas tribulações por vós, pois nisso está a vossa glória" (Ef 3.1-9,13). O mistério que sempre esteve "escondido" em Deus é este: que Ele nos escolheu. Antes de criar o Mundo, para que fôssemos santos e sem defeito diante dele. Ele criou tudo por Cristo, em Cristo e para Cristo, e isso nem sempre esteve revelado. O destino de todos para Cristo não era conhecido... era o segredo do Criador! Desde Abraão, Deus empurrou o Povo e a História para culminar em Cristo! E um privilégio que muitos Judeus convertidos se gloriavam em dizer "isso é a nossa história, a orientação para Cristo é um privilégio nosso". E Paulo dizia: "Não, a orientação para Cristo é o privilégio que, nós, judeus, temos de espalhar o privilégio a toda a história, de todo povo do Mundo. Esta é a grande Boa Nova!".

Mesmo hoje em dia, somos egoístas e sectários, nos julgando mais dignos e mais cheios de honra e privilégios do que certas pessoas, certos povos, certas raças. Quando Deus não faz, nem nunca fez, acepção nenhuma de pessoas. Mas tudo tinha seu tempo determinado, e o tempo de todos ouvirem falar de Cristo já chegou, o tempo de todos serem acolhidos dentro da Igreja já chegou.

• Do homem amarrado, cheio de obrigações pesadas e o jugo da Lei, Saulo percebeu que "Encontrei em mim essa Lei: quando quero fazer o bem, acabo encontrando o mal. No meu íntimo, amo a Lei de Deus; mas percebo em meus membros outra lei que luta contra a lei da minha razão e que me torna escravo do pecado que está em meus membros. Infeliz homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte? (...) Mas encontrou também um novo caminhar, do homem abatido e derrotado por dentro, temos um homem liberto que soube assumir suas próprias fraquezas como manifestação da graça libertadora de Deus: "Se habita em vós o Espírito daquele que vivificou a Cristo Jesus dentre os mortos, este mesmo que vivificou Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do Seu Espírito, que em vós habita". "Quem me poderá separar do amor de Cristo? (...) Estou convencido de que nem a morte, nem a vida, nem qualquer outra coisa nos poderá separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rm 7.21-25, 8.11, 35,38-39). "



Dos 28 aos 53, anos muita coisa foi quebrada em Paulo, e muita coisa foi feita nova. Tornou-se livre pela liberdade recebida da sua fé em Cristo. As "cartas da prisão" (Efésios, Colossenses, Filipenses, Filemon) revelam um homem mais purificado, mais consciente da Missão, do que ele crê como sendo Verdade e do que não crê.

Essas cartas da Prisão são consideradas as cartas que escreveu em Cesaréia ou Roma; outros acham que foram escritas quando estava preso em Éfeso, durante a 3o Viagem (1 Co 15.32; 2 Co 1.8-9). Mesmo assim, essas cartas refletem o esforço incansável de Paulo de confrontar o Evangelho com a cultura grega e com o Judaísmo. As "cartas Pastorais" são as cartas a Tito e Timóteo, ajudando-os a resolver problemas da Comunidade. As Cartas aos Romanos e Gálatas refletem o confronto com o Judaísmo; cartas aos Coríntios refletem o palpável esforço em enquadrar os problemas bem concretos das Comunidades na periferia das grandes cidades, dentro dos preceitos do Evangelho.

Bem, a verdade é que depois da sua prisão em Jerusalém na praça do Templo, Paulo permaneceu dois anos na prisão em Cesaréia (Palestina), (At 24.27), e dois anos em Roma (At 28.30). Depois, foi solto e viveu mais cinco ou seis anos, até uma nova prisão que o levou à morte.

Pouco sabemos o que Paulo fez nesse período, mas talvez o Senhor já lhe comunicasse que o tempo dele seria breve, e havia coisas a serem postas em ordem. Esteve em Éfeso, deixando Timóteo como Coordenador (1 Tm 1.3). Passou pela Macedônia (1 Tm 1.3), Trôade e Mileto (2 Tm 4.13,20); escreveu uma carta a Timóteo dizendo que queria reencontrá-lo novamente em Éfeso (2 Tm 3.4).

Na carta aos Romanos, manifestou seu desejo de ir à Espanha (Rm 15.28). Se o fez, realmente, não sabemos. Mas fica claro que o Apóstolo, já idoso, cuidou de andar pelas Comunidades novamente, cuidando de organizá-las e preparando-as para o futuro.

No final deste período, Paulo é novamente preso e levado para Roma. E o período da perseguição de Nero, está armada a tempestade. Na primeira vez, havia gente para recebê-lo em Roma (At 28.15); desta vez não havia ninguém. A opinião pública é contrária e ninguém quer correr o risco de ser visto com o Apóstolo. O ambiente está tenso e carregado. Paulo prevê sua condenação (2 Tm 4.16), e sente que o fim está próximo. "Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. (...) Sei em quem coloquei a minha fé" (2 Tm 4.7, 1.12).

Não sabemos como foi a última prisão de Paulo, nem como foi o julgamento, a condenação e a morte. A tradição conserva a história de que ele morreu pela espada, decapitado, fora dos muros de Roma. Os motivos... bem, já comentamos anteriormente. Paulo foi poupado de ver o que seria feito dos Cristãos em breve, as perseguições e mortes de todos aqueles que foram amigos e "filhos na Fé".

Talvez fosse mais do que ele pudesse suportar... de qualquer forma, esse ícone do Cristianismo primitivo soube corresponder à Graça recebida. Procurou ser fiel, fiel até a morte. Sua vida foi de trabalho limpo e gerado por mãos limpas e pés que andaram calçados com as sandálias do Evangelho da paz. Em paz trabalhou e labutou, nenhum crime dos que foi acusado realmente cometeu. Era homem bom, íntegro, justo, corajoso. Homem de muita oração. Homem de ações de graças, ("em tudo dai graças"), a despeito de todas as tribulações que viveu. Nada pôde aprisionar o Evangelho nem fazê-lo calar ("Quando sou fraco, aí é que sou forte! Não eu, mas a Graça de Deus em mim. E a sua graça não me foi estéril!" - 2 Co 12.10; 1 Co 15.10)

A morte pela espada foi o último conflito que ele enfrentou, com honra, mais ou menos ao 62 anos. Um homem que deixou suas marcas na História para todo o sempre.

Sobre a morte ele escreveu aos amigos da Comunidade de Filipos: "Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro. Mas, se eu continuar ainda vivendo, poderei fazer algum trabalho útil. Por isso não sei bem o que escolher. Fico na indecisão: meu desejo é parti e ficar com Cristo, o que é muito melhor. No entanto, por causa de vocês, é melhor permanecer na carne “(Fp 1 21-24).

Mas a espada do soldado romano rompeu a indecisão. E, ao invés, de ver apenas em parte, Paulo, o grande Apóstolo, passou a vê-lo face a face e todos os mistérios lhe foram desvendados!

Nota: De tudo o que Paulo falou em suas cartas, de tudo que ensinou e viveu, vale agora um lembrete muito importante: o lugar que as mulheres ocupavam na vida dele e da Comunidade.
Vamos ver de perto o lugar das mulheres nas Comunidades fundadas por Paulo.
1. Ele manda lembranças para as amigas: na carta aos Romanos, uma das cartas que ele escreveu no período da 3a Viagem, quando era homem já experiente e maduro. Ele recomenda Febe, "nossa irmã", diaconisa, com palavras de carinho, elogiando o trabalho que ela realizava na Comunidade, inclusive a ele próprio. Já somos conhecedores o suficiente do caráter de Paulo para saber que ele não iria "jogar confete" em ninguém. Talvez Febe tenha sido, inclusive, a portadora da carta, e Paulo jamais lhe confiaria isso se ela não fosse íntegra e capaz de realizar a tarefa (Rm 16.1-2).
2. Quando fala de Priscila e Áquila, tem a honradez de falar deles como casal (coisa pouco comum; geralmente a única figura importante do casal é o homem, e o peso que a mulher carrega sobre si nunca é reconhecido nem notado); fora isso, Paulo sinaliza a coragem de Priscila tanto quanto a do marido dela, pois diz, sem louros a mais para Áquila, que ambos, AMBOS arriscaram a própria cabeça para salvá-lo (Rm 16.3). Paulo sabia dar honra a quem merece honra, e admitiu numa carta que seria lida publicamente a coragem daquela mulher.
3. Manda lembranças específicas para Maria, que muito trabalhou; também para Trifena e Trifosa, e para a "querida Pérsida", dizendo o quanto elas se afadigaram no Senhor (Rm 16.6, 15.12). Paulo reconhecia e louvava a disposição, integridade e amor pela obra destas mulheres; e creio que ele sabia julgar muito bem, muito além do que os olhos podem ver. Lembra-se especificamente também da esposa de Filólogo, Júlia (novamente tratamento como casal), a irmã de Nereu, e Olimpas (Rm 16.15); aparentemente a Comunidade reunia-se na casa deles.
4. Lembra-se da mãe de Rufo, por quem parece que o Apóstolo tem especial carinho, pois a chama de mãe também! (Rm 16.13)
5. Paulo saúda Andrônico e Júnia, seus parentes e companheiros de prisão, Apóstolos importantes (Rm 16.7). Puxa, por essa poucos esperavam, hein? Por sinal, alguns manuscritos antigos transformaram o nome de Júnia em Júnio, pois era de se admirar que uma mulher fosse por Paulo considerada uma Apóstola importante e companheira de prisão por causa do Evangelho... (oops! Isso aí não é trabalho de homem, não? Só homens recebem essa unção e tem essa coragem...ué?!).

Perceba como Paulo, nessas corriqueiras recomendações que faziam parte de seu caráter e de sua educação, fala com naturalidade de mulheres que são diaconisas, colaboradoras em Jesus e Apóstola. Paulo e as Comunidades devem muito ao trabalho de muitas delas, de suas fadigas e dedicação aos irmãos. De algumas, Paulo fala com carinho, referindo-se a elas como irmã, mãe e companheira de prisão. Em dois casos, a Comunidade se reúne na casa delas.

Seria algo incompatível estas inferências que temos a respeito de Paulo e do seu relacionamento com essas mulheres e o que ele aparentemente parece dizer nos textos que citamos primeiro. Parece estranho que uma Apóstola não tenha direito de abrir a boca, ou de ensinar... seja homem ou mulher, pois é Apóstola e já alto preço pagou pelo amor ao Evangelho; ou que uma mulher cuja Comunidade se reúne em sua casa tenha que permanecer como uma defunta enquanto os homens deblateram entre eles; e só receba atenção na hora de servir o cafezinho: "Obrigado, irmã!" (se tanto). Ou Priscila, que na hora de dar sua cabeça por Paulo foi muito bem-vinda, mas ai dela se der um pio diante da Comunidade, devendo falar tão-somente com o marido, em casa, se tiver qualquer dúvida sobre o que está sendo dito. Será que Paulo mandaria se calar aquela que ele chama de mãe, sem respeito nenhum?

Estará ou não havendo aqui algum tipo de dupla interpretação, ou interpretação dúbia?

Qual era de fato o lugar das mulheres nas Comunidades fundadas por Paulo? Logo no começo deste tópico, eu disse que pessoalmente concordava com o que Paulo estava dizendo naqueles textos, e se os entendermos dentro do contexto, veremos que não conflitam em nada com o relacionamento carinhoso e o papel importante e fundamental que as mulheres tinham, e têm, dentro da Igreja.

Entenda o pano de fundo da época! Dentro da Cultura daquele tempo, a mulher não podia participar da vida pública; não havia lugar para ela. A função da mulher era exclusivamente doméstica, onde, de fato, ali ela imperava, era a dona da casa. Ora, as Comunidades fundadas por Paulo eram Domésticas, funcionavam nas casas. Assim, dentro de suas próprias casas, as mulheres podiam ter participação ativa na Comunidade.

Desta maneira, Paulo abriu espaço, com uma "pequena" revolução nos valores, para que as mulheres começassem a exercer a função de Coordenadoras das Comunidades; em quase todas as cartas e em quase todas as Comunidades aparece o nome de uma mulher em cuja casa se reuniam os irmãos todos: Priscila e Áquila (Roma e Corinto); Ápia e Filemon (Fm 2); Lídia, em Filipos (At 16.15); Ninfa, em Laodicéia (Cl 4.15); Filólogo e Júlia, Nereu e sua irmã, e Olimpas.

Agora, avalie o alcance desta novidade, desta iniciativa de Paulo: naquele tempo, os Judeus, ainda extremamente arraigados aos costumes e tradições, não permitiam que se criassem Sinagogas ou Comunidades só de mulheres. Exigiam que houvessem pelo menos 10 homens para que se pudesse formar uma Comunidade. Por esse motivo não havia Sinagoga em Filipos, somente um grupo de mulheres que se reunia fora da cidade para orar (At 16.13). Paulo, sabendo disso, teve coragem de transgredir o costume do próprio Povo e permitiu que o grupo de Filipos formasse uma Comunidade!

Convém lembrar que naquele tempo e naquela cultura era muito raro que as mulheres tivessem direito à instrução. Por esse motivo, Paulo orienta que elas devem escutar e aprender primeiro, sem atrapalhar o bom andamento da reunião. Mas isso não quer dizer, em momento algum, que uma vez tendo aprendido, elas não pudessem exercer seus Ministérios e dons conforme eram chamadas a isso pelo Senhor.

Quem era Paulo, ou qualquer outro, para interpor-se entre Deus e alguma de suas filhas amadas a quem tinha chamado para servi-Lo? Estaria causando um grande mal em todos os sentidos: à mulher, a Deus, à Comunidade. Esse é um erro comum hoje em dia, quando já se tem formatado na cabeça: "Isso é para os homens - Lideranças de Batalha, Finanças, Reuniões Administrativas, títulos pomposos; e isto é para mulheres - coordenação da cozinha e da equipe de limpeza; teatrinho e coral das crianças, organização de chás da tarde, e o pesado da intercessão. Homens gostam de fazer logo... dobrar os joelhos é com as irmãzinhas".

Pare para pensar... é estranho ver uma mulher que profetize e aja como João Batista ou Elias; logo ela se torna sinônimo de "Jezabel". Também é mais difícil ver homens sensíveis ao Espírito e fiéis em oração como muitas mulheres. Homens que lavam roupa, descascam batatas e limpam banheiros, embora essa seja uma árdua tarefa, e não menos ou mais espiritual.

A verdadeira espiritualidade de uma tarefa, seja ela para um homem ou para uma mulher, reside no fato simples e puro: foi Deus que mandou? Então, acabou a discussão. Quem somos nós para discutir com Quem criou o Universo e o ser humano à sua imagem e semelhança, que conhece o mais profundo do nosso ser. Ele pode encontrar numa mulher uma coragem e determinação dignas de um homem, e num homem a sensibilidade e ternura características das mulheres.

Uma mulher corajosa e determinada bem poderá ser - de fato - uma Guerreira dos últimos tempos e apóstola de Jesus. Um homem cheio de sensibilidade, emotivo, terno poderá ter um grande chamado como Levita, e levar multidões à Adoração. Ou, quem sabe, um excelente Líder Infantil, que saberá impregnar nos pequenos a verdadeira Palavra e o verdadeiro Caminho, do qual eles nunca se desviarão?

Quem somos nós para decidir? Dando "empurrõezinhos" em uns e milhares de obstáculos à frente de outros?! Cuidado! Pode ser que estejamos indo contra Deus, e não contra as mulheres, ou contra os homens... e de cada atitude nossa, prestaremos contas Aquele que é o Juiz de toda a Terra!

Um detalhe interessante na carta de Paulo aos Gálatas nos faz refletir um pouco e repensar nossos conceitos: ele enumera as "obras da carne" e os frutos do espírito", lado a lado (Gl 5.19-23). Na nossa língua, "carne" é um substantivo feminino, mas no Hebraico é uma palavra masculina. "Espírito", em nossa língua, é masculino, e no Hebraico é termo feminino.

Confira na carta quantas das "obras da carne" são defeitos tipicamente masculinos? E quantos dos "frutos do espírito" são tipicamente femininos? O resultado desse confronto é significativo. Os homens que me perdoem, mas têm deixado de seguir o bom caminho e tomar sábias decisões porque já se consideram muita coisa só pelo fato de serem homens, e isso, especialmente dentro da Igreja, é um privilégio antiquado que o Mundo já não aceita. E nisso eles têm razão. Já as mulheres, parece que têm uma obrigação a mais de se desdobrar em duas, três, quatro, dez... porque a condição de mulher já as coloca em desvantagem!

Não há "vantagem ou desvantagem" em relação aos sexos. O que importa é o chamado e a Unção recebida. E isso quem decide é Deus. Ponto. E se a mulher for mais espiritual do que o homem, terá maior honra que ele, nem que seja no Dia do Juízo. Já é hora de agirmos como seres humanos adultos e nos darmos as mãos em prol do que realmente importa, que é restaurar a Noiva e nos prepararmos para a vinda de Cristo libertando cativos, salvando vidas, pregando as boas novas aos quebrantados, curando os enfermos, vencendo o Inferno e exercendo o Poder do Alto para impactar o Mundo que se perde à beira do Abismo! Essa historinha de clube do Bolinha e clube da Luluzinha já era! Século XXI, gente! Paulo escreveu para a cultura da época!

Mesmo sendo o Paulo colérico, sem meias palavras, forte e corajoso que conhecemos até agora, também transparece nele um espírito terno e carinhoso quando se trata do seu relacionamento com as Comunidades, e isso quer dizer com todos eles, como já vimos pelas suas saudações e lembranças tanto a homens quanto a mulheres. Talvez Paulo tenha aprendido parte deste seu "lado maternal" pela convivência pacífica e respeitosa, mas estreita, com as mulheres de Deus

. Uma pequena amostra desse relacionamento carinhoso e tipicamente feminino transparece na narrativa que Lucas fez da despedida de Paulo da Comunidade de Éfeso. Depois de falar, "Paulo se ajoelhou e orou com todos eles. Então, todos começaram a chorar muito; e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam. Estavam muito tristes, principalmente porque havia dito que nunca mais veriam o seu rosto. E foram com ele até o navio" (At 20.36-38).

Essa mesma sensibilidade e ternura extravasa nas cartas muitas vezes; sobretudo na carta aos Filipenses, que no começo era uma Comunidade só de mulheres, Paulo deixa transparecer a amizade que sentia por aquela Comunidade. Paulo soube ser duro e inflexível na defesa dos valores da vida e do Evangelho, mas isso não apagou dele a capacidade de ser um amigo carinhoso e acolhedor, delicado e atencioso. Não perdeu a ternura, e, aliás, talvez parte disso, como já falei, seja herança das mulheres com quem conviveu! Grande homem, esse Paulo de Tarso... grande homem!

Para compreender tudo o que Paulo disse e ensinou, temos que ler todas as suas cartas, e entender o tempo e contexto tanto de sua vida Ministerial, quanto da Comunidade à qual está escrevendo. São dezenas de assuntos, todos atuais e verdadeiros para nosso tempo. Portanto, quero apenas abordar mais um tema, segundo a ótica de Paulo.

A questão do casamento. Quando Paulo escreveu aos Coríntios, não era casado; alguns estudiosos acham que Paulo era viúvo; outros acham que a mulher tinha se separado dele (1 Co 7.15-16). Mas não sabemos. Contudo ele não era contra o casamento, como alguns podem pensar. Naquele tempo havia uma doutrina que proibia o casamento, coisa que Paulo condenou como "doutrina demoníaca", "hipocrisia de mentirosos" e "fábulas ímpias de gente caduca" (1 Tm 4.1-2,7).

Mesmo não casado, ele defendia o direito que ele mesmo tinha de ter uma companheira (1 Co 9.5). O fato de escolher não se casar tinha a ver com o que era rhema para ele, e também com a sua vocação e experiência pessoal em Cristo (1 Co 7.32). E com a sua convicção de que o final dos tempos já tinha chegado e tudo era urgente, mobilizar tudo e todos era urgente. Nisso ele se enganou, porque o tempo de Deus não é igual ao nosso tempo (1 Co 7.29-31).

Por isso, chegou ao cúmulo de incentivar -apenas incentivar - que as solteiras permanecessem como estavam, pois assim poderiam dedicar-se exclusivamente ao Senhor. Naquela época, a mulher casada estaria presa ao marido e não teria condições concretas para dedicar-se à Missão. Mas, ele também diz que, se for para viverem "abrasados", então que se casem, tanto o homem quanto a mulher. E nisso não pecam. SE as viúvas mais novas desejarem casar-se novamente, ainda que Paulo, pessoalmente falando, sugira o contrário, é mera sugestão. Ninguém peca por casar-se, e viver dentro das regras estabelecidas por Deus para o casamento.

Portanto, se pegássemos aqueles textos isoladamente, seríamos partidários de uma idéia totalmente distorcida do que Paulo pensava acerca da mulher e da sua participação na Comunidade, pensaríamos que ele era contrário ao casamento porque ele mesmo decidiu fazer assim, e não é nada disso. Aquelas palavras duras que lemos no começo, Paulo não as formulou dentro do contexto Universal da Igreja. Entenda que cada Comunidade era peculiar, com povos e costumes diferentes, portanto com maneiras diferentes de receber e praticar o Evangelho.

Embora a Bíblia seja nossa única e grande fonte de referência, não podemos deixar de entender certas particularidades individuais para não fazermos dessa experiência particular uma doutrina. Lembre-se.... eram cartas, dedicadas a pessoas reais, que estavam cometendo erros reais. As duras palavras foram formuladas de maneira ocasional, para resolver definitivamente um problema bem concreto de uma determinada Comunidade. Uma vez que não exista o erro, torna-se dispensável a exortação, e caímos no contexto geral do que Paulo pensava sobre as mulheres.

É importante entender que Paulo estava trazendo não uma diretriz única, e ponto final, como doutrina permanente do Cristianismo. Era algo específico.

Vamos entender um daqueles problemas que provocaram as duras palavras de Paulo sobre as mulheres. Como já vimos, Paulo sempre foi sim, sim; não, não...doesse a quem doesse. Um dos problemas concretos era na Comunidade de Timóteo.

Na Comunidade onde Timóteo era coordenador, infiltrou-se um grupo de falsos "doutores" (1 Tm 1.3,6). Puxa... que bom que Timóteo não estava jogado às traças, que tinha a quem pedir ajuda e conselho, e o seu Líder estava sempre pronto a atendê-lo porque era mais que um discípulo e amigo pessoal de Paulo, era um "filho espiritual" dele. Quantos... quantos dos nosso Pastores estão ao léu, sem ter viva alma que lhes dê apoio e cobertura.

Timóteo passou a enfrentar um grupo que espalhava doutrinas falsas, condenava coisas boas que Deus tinha dado, transformando-as em más, interpretava mal a Escritura e não aceitava a Ressurreição. Ou seja... aquele abacaxi!!! Não duvido que estes fossem de fato filhos do Fogo... que mais tinha o Diabo de mais importante a fazer que não fosse neutralizar o trabalho de Paulo e dos seus discípulos? Era ali que o Cristianismo estava crescendo e frutificando!



Os olhos dos demônios se voltaram para Paulo e suas Comunidades, e pelo visto, o princípio era o mesmo: infiltrar para dividir. Os antigos Apóstolos, a meu ver, não cumpriram a Grande Comissão. Talvez pelo fato de terem caminhado pessoalmente com Jesus lhe tenha ficado escondida alguma semente de soberba que deu fruto e impediu que eles levassem o Evangelho não apenas até Samaria e Judéia, mas até os confins da Terra. E isso quem fez não foi nenhum deles, mas Paulo. No Livro de Atos, que começa com a participação tão forte dos Apóstolos de Jesus, mas cada vez mais não há o que dizer da Igreja de Jerusalém... a história de Paulo e suas viagens e seus trabalhos tomam conta do livro até o fim.

Na Comunidade de Timóteo, estes doutores tinham aparência de piedade, mas não havia coração convertido a Cristo em nenhum deles. Paralelamente a isso, aparece um grupo de mulheres (sugestivo, não? Parece até nos dias de hoje... aparentemente eles não se conheciam previamente, as mulheres foram "seduzidas" por eles, mas talvez fossem somente um jogo para assistência, como é feito até hoje).

Mas, enfim, a história nos conta que eles conseguiram "cativar" algumas mulheres, talvez "recém-convertidas" (ou Satanistas mesmo), mas o fato é que ainda participavam das "instruções". Eram mulheres de certa posse, pois viviam bem, ostentando objetos de ouro, pérolas e vestidos suntuosos, numa Comunidade de gente simples (Será mesmo por acaso tudo isso?). O fato é que, por causa disso, foram bastante visadas pelos "doutores". No entanto, estudando sempre, rodeavam-se de professores para o que lhes convinha, mas nunca chegavam ao conhecimento da Verdade

. Conforme o costume da época, professores, mestres, Filósofos ambulantes, e é claro que essas mulheres ricas os abrigavam, e seu interesse no conhecimento era um lugar de maior prestígio e influência. Queriam liderar e influenciar, e influenciadas pelos falsos doutores repudiavam o casamento, aceitavam qualquer doutrina, andando de casa em casa - já que não tinham sua própria família - espalhando tagarelices e fofocas e doutrinas destrutivas, contaminando a Comunidade toda, provocando brigas, raivas, contendas e divisão... (trechos de 1 Timóteo, principalmente, e alguns textos de 2 Timóteo).

A maneira como a carta apresenta e descreve a situação dessas senhoras é, óbvio, negativa. Era difícil saber o que havia por trás destes desejos, de fato. Talvez o desejo de libertar-se da condição de "prisioneira" do homem, pois é claro que muitos homens se aproveitaram, sempre, desta situação privilegiada de domínio. Mulheres sempre foram tratadas como objetos de uso e abuso. Expressão semelhante de libertação ocorria nas comunidades pagãs.

Procurando ajudar Timóteo, jovem - talvez bem mais jovem do que estes a quem nos referimos - Paulo, no difícil no texto de 1 Tm 2. 9-15, enfrenta o problema bem vivo e concreto da Comunidade dele. Paulo não está falando da mulher em geral, mas está pensando naquele grupo específico de solteironas de Éfeso.

Paulo não é contra a participação da mulher na Comunidade, muito menos que exerça cargos de liderança, mas estava falando daquele grupo de mulheres que desejavam cargos e usavam de meios escusos para consegui-los. Por isso pede a elas que sejam mais modestas a fim de não "provocar"; o Apóstolo não é contra que a mulher estude, mas pede que aquelas senhoras estudem com calma e humildade, enquanto ainda estiveram na vida inicial da Comunidade..

Paulo não estava ensinando que toda mulher precisa passar pela maternidade para salvar-se, mas no caso daquelas viúvas jovens que desprezavam o casamento, endinheiradas, o caminho delas seria de perdição e apostasia no futuro, portanto vê como única solução para elas aprenderem a seguir o bom Caminho era através de um casamento com um bom homem, e sendo mães. (textos de 1 Timóteo).

Vemos que, dentro do contexto adequado, entendendo o que se passava e em que circunstâncias aquelas instruções foram dadas, tudo fica bem mais claro. Observando melhor, ao invés de retrógrada, a pregação de Paulo é inovadora e progressiva, porque através do ensino, ele estava abrindo espaço que nunca dantes fora dado à mulher. Se elas se saíssem bem, sendo piedosas, responsáveis, trabalhadoras idôneas...

Paulo seria, sem dúvida, o primeiro a confiar cargos de maior responsabilidade e inclusive Liderança a elas, o que foi o que aconteceu diversas vezes! Contra tudo e todos, contra a mentalidade da época, o Apóstolo considerou a coisa mais normal que as mulheres aprendessem e fossem usadas por Cristo tanto quanto os homens, na justa medida do aprendizado e do chamado de cada um. Inclusive em cargos de Liderança, algo nada comum naquela época!

"O homem é a glória de Deus, mas a mulher a glória do homem" (1 Co 11.7); neste texto não se ressalta que, em última análise ambos foram criados à imagem e semelhança do Altíssimo (Gn 1.27). Alguns entendem que a maneira de Paulo se expressar no texto enfatiza o prêmio que o homem recebeu - a mulher -, e não o fato de haver alguma diferença entre ambos terem sido criados à imagem e semelhança de Deus, coisa que Paulo dispensou de mencionar, por ser absolutamente óbvia. Para Deus, foi um "Prêmio", um "Presente" dos mais preciosos a criação humana, filhos e filhas que são como menina dos olhos. O texto realça a figura da mulher como "menina dos olhos" do seu marido!

Vamos entender mais um nó, porque deste algumas denominações não se livraram até hoje. Quando Paulo falou do véu... na cultura da época, o véu era um símbolo de submissão ao marido, e, conseqüentemente, ao Senhor. O ensinamento sobre a mulher ser submissa ao marido está correto; ele é de fato o cabeça sobre a mulher, mas sempre nos esquecemos que o texto diz também: "Cristo é o Cabeça do homem" (1 Co 11.3).

Isso é muito sério... se o homem não se deixar guiar por Cristo, sendo Ele o seu Cabeça, muito menos o será para sua mulher, por mais que tente com forças humanas. Já dissemos que o amor entre homem e mulher, no Seminário I, é sobrenatural. Não voltaremos a falar sobre isso, no entanto percebemos que muito pouco efeito tem surtido entre os casais aquela pregação. Ninguém quer admitir que o casamento vai mal, e não raro, são mulheres que arrastam seus orgulhosos maridos à frente, no púlpito, para receberem oração... mas e depois?... E no dia-a-dia?

"Cabeça" dá uma idéia pejorativa de "dominação", e dentro daquilo que aprendemos de Paulo, e da sua luta pela utópica Igreja sem figuras autoritárias de Poder, naturalmente que "Cabeça" não está se referindo a um símbolo de dominação ou poder; porque antes, ele cita sendo Cristo o cabeça do Homem, e Cristo não é figura de autoritarismo nem dominação!

"Cabeça" é simplesmente o termo usado para dizer que ele deve ser o responsável pelo corpo, pela sua mulher, e pela sua família; o que se une como uma só carne não pode fazer mal a si mesmo... portanto, com alegria, ele se torna provedor material, provedor emocional, sacerdote espiritual, o Líder que leva os seus seguros pela tempestade da vida, com as mãos firmes no leme, tendo por principal auxiliar a esposa. Não uma empregada, ou serviçal, ou um ser inferior... mas a "menina dos olhos"!

Este é o cônjuge "amante e amigo", que tem na sua companheira de vida a maior e mais importante auxiliadora, sem a qual seria difícil conduzir o barco para portos seguros. Ela é importante, tanto quanto ele, na sua função de esposa, auxiliadora idônea, intercessora, companheira, mãe, amiga, amante. Já viu uma casa sem a presença de uma mulher virtuosa? É um verdadeiro caos!

Pode até manter as aparências, o homem solteiro arrota sua "pretensa liberdade", mas quando vê os amigos casando, constituindo família, o vazio vai ficando cada vez maior.

Homem e a mulher não foram feitos para viver sozinhos, mas EM PARCERIA, sem jugo de dominação de nenhuma das partes, mas em mútua cooperação. Cada um dentro dos talentos naturais e característicos do sexo a que pertencem, e exercendo os dons espirituais que Deus lhes concedeu, seja como ovelhas do rebanho ou como líderes, a amizade, o companheirismo, a cumplicidade, a fidelidade, a intimidade estreita em todos os sentidos tem que existir e ser saudável. Pode ter certeza de que era isso que Paulo esperava, e mesmo que tenha se precipitado em alguns julgamentos por imaginar que seria iminente a volta de Cristo, ainda há tempo de muitos casais serem felizes, se lutarem segundo as normas do jogo do Amor.

Voltando um pouquinho aos tempos antigos dentro do Oriente, além de símbolo de submissão, o véu falava algo sobre a sexualidade da mulher. Sem o véu, eram consideradas sexualmente desinteressantes. Por sua vez, o homem de cabelo comprido se colocava abaixo de sua posição masculina, uma vez que o cabelo longo significava subordinação. Alguns crêem que Paulo estava preocupado, devido às novidades liberais das novas Comunidades e do novo tempo, que as mulheres abandonassem os seus véus, que era de uso diário, e não somente nas Sinagogas, provocando uma espécie de libertinagem precoce e expondo os "cabelos das virgens e das casadas" diante de todos os homens.

Tinha de ser algo progressivo. E foi. Como todas as outras coisas dentro da Igreja, ao longo dos anos. A novidade tinha que vir aos poucos, senão podia virar uma bagunça da qual eles perdessem o controle depois. "Todas as coisas são lícitas... mas nem todas convém, e nem devemos nos deixar dominar por nada." Uma coisa de cada vez... hoje o aprendizado, amanhã outras concessões. Creio que foi somente uma questão de prudência, e não uma diretriz absoluta para todos os tempos da Igreja.

Ele tinha consciência que sua liberalidade em relação às mulheres na Missão e na vida da Comunidade fazia dele alvo de muitas críticas por parte das Comunidades mais conservadoras. Era apenas uma questão do decoro da época. Observe que embora Paulo oriente o uso do véu, não impede a mulher de profetizar! Pense nisso! (1 Co 11.2-16). Ele considera isso algo normal, nem discute; é ponto pacífico. O que ele proíbe é a falta do véu, que ela faça isso de cabelos soltos, como faziam as mulheres pagãs nos Cultos de Ísis, um claro apelo à sensualidade. O que ele estava pedindo era que as mais apressadas tivessem paciência e mais moderação, para que o exagero precipitado de algumas não colocasse em risco a própria abertura para a participação maior das mulheres na vida das Comunidades.

Uma coisa de cada vez! Hoje, tudo isso mudou... não preciso explicar! A submissão é um atitude concreta e espontânea que a mulher virtuosa tem em relação a seu marido por amor a Deus, e amor a ele. Em retribuição ao amor que ele mesmo dedica a ela, pois sendo Cristo seu cabeça, aprendeu a suprir a esposa em todo e qualquer sentido. A mulher saciada física, emocional e espiritualmente, sabe fazer o mesmo por ele!

Em suma... colocamos as palavras de Paulo dentro do contexto exato e entendemos na dureza delas o motivo que as gerou: problemas específicos dentro da Comunidade. Assim conseguimos compreender seu exato sentido. Caso contrário, como também já foi citado, incorreríamos em erro de interpretação, não somente naquela época (2 Pe 3.15), mas até hoje essas interpretações ao pé da letra tornaram-se fruto de confusão. O próprio Paulo, algumas vezes, não tinha plena certeza de estar dando o conselho certo, 1 Co 11.6), e está bem consciente de que nem todos concordam com ele (1 Co 14.36-38).

Deus criou a mulher diferente do Homem; mas Ele assim o fez porque assim lhe agradou. As mulheres gostam de falar, gostam de comprar coisas, são mais sensíveis em todos os aspectos, choram com maior facilidade, gostam de se arrumar, de estarem bonitas, de adornos para o corpo e para o cabelo, são mais vaidosas do que o homem por natureza, aquilo que lhe agrada e desagrada faz parte de uma essência plantada por Deus.... assim Deus fez, faz parte da essência da mulher, e é assim que Ele gosta. Tudo dentro do contexto da mulher virtuosa, não se esqueça.

Estamos falando para Líderes, para pessoas que - espero — já tenham virado certas páginas do livro de aprendizado da Vida.

Os homens também têm suas peculiaridades. Às vezes querem algum tempo sozinhos, ou com amigos. Gostam de certos tipos de esportes e de assuntos (como negócios e política) que agradam menos às mulheres. A fisiologia dos hormônios masculinos e femininos é uma das principais diferenças, mas a principal é que Deus fez o homem como Ele gostaria que fosse: mais forte, capaz de trabalhar duro e trazer sustento à sua casa.

A mulher, "vaso mais frágil", tem outras habilidades. Deus fez um e outro com habilidades e personalidades diferentes. Estou falando em termos gerais, né? Na complexa rede de cromossomos do nosso DNA, claro que há nuanças que se misturam, levando a mulheres fortes e corajosas a preferir os trabalhos mais pesados e de maior responsabilidade, e homens que são pacatos e introspectivos a expressar-se melhor através da música, da poesia, da arte em geral.

Por que estou falando do que parece ser óbvio? Porque a Igreja se deixou contaminar por conceitos do mundo. Os Homens, particularmente, se reúnem em rodinhas para depreciar o sexo feminino. Se alguém fez alguma coisa "errada" no trânsito, eles dizem: "Só pode ser mulher!"; se vão os dois juntos a um passeio pelo Shopping, as mulheres perdem até o prazer do passeio, por terem alguém atrás a reclamar: "Mulher é gastona, perdulária, não se decide logo, entra em 1 milhão de lojas.... pensa que tenho tempo para isso?".

Por outro lado, nas rodinhas femininas: "Homem não presta; é egoísta, só pensa em si, não é digno de confiança... se me trair, eu também vou trair".

Onde está o amor, a cumplicidade, a parceira, as palavras bonitas de antes?! E um fato que os homens falam muito mais mal das mulheres do que o contrário. Sempre com piadinhas depreciativas, todos os dias, gotejando, muitas vezes no coração da própria esposa: "Você é incompetente, como que foi fazer isso, só podia ser coisa sua!". Essas palavras vão machucando... Vão cortando... vão tirando a segurança que ela tem como pessoa e como mulher. E uma espécie velada de tortura. Sabem as brincadeiras tipo "espírito de porco"? Algum comentário maldoso ou pejorativo que é feito na base da "brincadeira"? Às vezes a mulher está feliz, descontraída, e o homem faz uma dessas. Se ele não gostar, e fechar a cara:

"Puxa, foi só uma brincadeira, já vai emburrar?".

Sim. Há palavras que machucam muito, ferem muito. E fazer da mulher um ser inferior, tolo, sem talentos... é como uma espécie de murmuração diante de Deus.

Creia no que estou dizendo! Falar mal, mesmo na base da "brincadeira", depreciar a parceira, ou as mulheres em geral se tornou uma murmuração que Deus não se agrada. Ele nos fez diferentes, e é nas diferenças intrincadas do nosso ser que podemos ser um só. Duas metades iguais não se complementam, não se encaixam.

Portanto, - novamente faço questão de deixar claro - que estou falando de mulheres virtuosas, que seguem ao Senhor de coração, e que têm tido minadas a sua fé, a sua segurança a sua auto-estima por maridos pouco sábios que não aprenderam a cuidar dos seus "vasos frágeis".

Como o Seminário II é para Líderes, essencialmente, ou aspirantes a algum tipo de Ministério, falo com clareza que isso é intolerável diante de Deus.

Do mesmo modo, as mulheres, se querem ser louvadas por seus cônjuges, e respeitadas por todos, têm que fazer por merecer! A mulher tem sua importância, sim, e não é errado dar vazão aquilo que foi colocado em nós como essência de Deus, em termos de beleza, cuidados com o corpo, uma bela tarde de comprinhas, uma casa aconchegante, bonita, nada disso é errado, desde que feito de comum acordo com seu marido. Um corte de cabelo, uma tintura, uma depilação, uma dieta para perder peso, umas "coisinhas" diferentes para a mulher usar quando se deita com seu marido, tudo isso faz parte, e é bom!

Mas quando disse que os conceitos do mundo estão entrando na Igreja, eles têm afetado (pelo menos na aparência), mais as mulheres do que os homens. Elas estão ficando cada vez mais levianas, vulgares, vestindo-se inadequadamente, fazendo do corpo - que é Templo do Espírito Santo -objeto de comércio e prostituição, instigando, pela sensualidade, os homens ao pecado. Isso as mulheres têm feito muito mais do que os homens, abertamente, sem pudor.

Os adultérios são histórias comuns dentro da Igreja, não se pode mais falar em exceção, está quase que se tornando regra. Por quê? A esposa foi massacrada dentro de casa, dia após dia, ano após ano, por um homem que, julgando-se "Cabeça", tornou-se um tipo de déspota, alguém que cerceia cada movimento, que ridiculariza, que faz "brincadeirinhas "de mau gosto na frente dos outros; faz a sua florzinha murchar. Quando ela murcha, se torna fria, desinteressante, mas não foi culpa dela; muitas são mulheres de Deus (é destas que estou falando), mas as interpretações erradas da Bíblia têm feito um contingente enorme de mulheres sofrerem caladas.

"Se eu disser como é a minha vida com o Pastor... que será de nós? E se ele perder o cargo, do que vamos viver?"

E ficam quietas. E suportam as amantes, porque as mulheres exibindo sua sensualidade e abertamente se entregando aos homens, tornam-se cúmplices do problema. E preciso suportar as amantes, senão.... "do que vamos viver?".

Pensam que é um caso ou dois? Não!!! Muitos e muitos e muitos!

Homens adulteram e chegam até a ter uma segunda família. E continuam, fingidamente, em seus cargos dentro da Igreja, contaminando o púlpito e tudo que tocam com suas mãos podres. Creia-me. Se vocês são Líderes, sabem bem do que estou falando. Se não são, creiam-me do mesmo jeito. A Igreja está podre por dentro!

Homossexualismo? Parece arroz com feijão! Demônios têm invadido o Corpo de Cristo e danificado suas células (As pessoas), a ponto de criar um câncer que precisa de solução drástica e urgente para que haja chance de salvar a Noiva, que está tão doente.

De tudo que falamos, este ponto é crucial: relacionamento matrimonial. Se ele afundar... esqueça do resto. Vai tudo à bancarrota, é somente questão de tempo....

Guardemos bem as exortações de Paulo. Quem ama de verdade, pode criticar, porque nas duras críticas está visando o bem e não o mal. Quem ama de verdade pode dar um tapa no rosto de um amigo, para trazê-lo de volta à razão.

Embora Paulo não pudesse perceber o que viria adiante, o processo de libertação da mulher enquanto Mulher, uma vez que a cultura e o nível de consciência não eram os mesmos que os de hoje. Ele não poderia perceber o problema deste processo enquanto um problema real. Não era da sua alçada o que viria depois, ele fez o que era certo dentro da cultura do seu tempo.

Fato é que ficou bem esclarecido dois importantes pontos:
• Ele não era contra a participação ativa da mulher nas Comunidade

• Nas Comunidades fundadas por Paulo, as mulheres tinham bem mais participação, voz ativa e responsabilidades do que nas nossas pretensiosas Igrejas do Século XXI!





Conclusão

Espero que você tenha, como nós, se apaixonado pelo caráter de Paulo: pelo seu cuidado com as Igrejas, sua dedicação, abnegação, coragem, força, fé, obediência, determinação, perseverança, compreensão das Escrituras, conhecimento e intimidade com Deus, mortificação da carne, amor e amor e amor pelos irmãos e por Cristo... e tanta, tanta AUTORIDADE ESPIRITUAL!

Que Deus nos faça ter um coração disposto como o de Paulo, pronto a pagar o preço da vida vivida segundo os preceitos Daquele "cujo Amor nada nem ninguém pode nos separar". Por isso, Paulo fez o que fez, e foi o que foi. Foi "mais do que vencedor por meio de Jesus" (Rm 8.37-39).

Creio ser totalmente desnecessário fazer qualquer outro comentário a respeito de Autoridade Espiritual depois de estudarmos a vida destas homens. Elas falam por si. Quem quiser ser como eles, que siga o exemplo que nos foi deixado.

Se puder, responda:

Quem é o maior? O Selado... ou o Eleito?!



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Tesouros do Egito - do Museu Egípcio do Cairo - Francesco Tiradritti/ Fotografias: Arnaldo De Luca - ed. Manole

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