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EGITO: o nome é derivado do grego Aiguptus, ele próprio uma versão do nome egípcio Hwt-Ptah, ou "Templo de Ptah". O nome egípcio para o País era Keme, "A Terra Negra"; em hebraico o nome aparece como Misraym.

Exceto pelo Delta, o Egito consiste em um estreito vale de terras férteis ao longo do Nilo, limitado a leste e oeste por desertos áridos e inóspitos. Apenas a região do Delta, formada por lodo depositado durante milênios pelo Nilo, é o melhor lugar, bom e de terra muito fértil. Ele é limitado a leste pelo Deserto do Sinai, e a oeste pelo Deserto Líbio. Isso quer dizer que nos tempos antigos, as fronteiras naturais se incumbiram de isolar o Egito do Oriente próximo, favorecendo com isso o desenvolvimento peculiar da sua Civilização, que em geral não tinha grandes problemas com invasões estrangeiras. Veja só a diferença com a Mesopotâmia, neste aspecto!

Abençoados com um clima estável, e terras extremamente férteis devido às cheias do Nilo... por sinal, lembram-se da célebre frase de Heródoto, que aprendemos na escola, e até caía nas provas para a gente comentar: "O Egito é dádiva do Nilo"?.

Sim... sem o Nilo, não existiria Egito. Ele é o maior Rio do Mundo em extensão! (Calma! Não fique ofendido... o Rio Amazonas é o maior do Mundo em volume de águas).

Eles desenvolveram uma economia agrícola rica, e em tempos muito remotos, essa terra tornou-se o "Celeiro do Oriente Médio", especialmente em tempos de escassez. Fora sua economia agrícola, o Egito era muito rico em excelentes tipos de pedras adequados às construções e entalhes - calcário, alabastro, arenito e granito -, mas pobre em minérios manipuláveis. A única exceção era o ouro do deserto leste, a Núbia, e do norte do Sudão.

A geografia do Egito favoreceu o aparecimento de muitos dialetos, e isso foi contornado pelo forma especial de escrita — hieroglífica - que vem desde o início da Era Faraônica. O trabalho de interpretar e escrever os hieróglifos era trabalho de um enorme corpo de escribas formados; um serviço civil primitivo que mantinha bem sucedida a Administração do Egito.

Quanto à Cronologia do Egito, tomamos por base o texto do Atlas of Ancient Egypt - Oxford, 1988, pois podem haver divergências. E esta foi a Cronologia adotada pelo livro "Tesouros do Egito", do próprio Museu Egípcio do Cairo. Mais tarde você entenderá porque a cronologia Faraônica é importante para nosso estudo.

Em resumo: Admite-se que foram 31 Dinastias que percorreram quase 4000 anos a.C. (um pouco antes que os Sumérios formassem suas primeiras cidades). De 4000 a 3000 a.C. não se consideram exatamente "Dinastias"; é o Período Pré-Dinástico, o Período de Nagada I e II.

A "Dinastia Zero" teve um único representante, o Faraó Narmer, cujo reinado se deu por volta do ano 3000 a.C. Daí para a frente, é para valer.

Depois de 31 Dinastias Egípcias, vem o Período Helenístico (332 - 30 a.C), quando Alexandre, o Grande, foi bem recebido pelos Egípcios como seu libertador do domínio dos odiados Persas; depois que Alexandre morreu, houve divisão do seu Império entre seus Generais, e o Egito coube a Ptolomeu em 322 a.C, tornando-se o primeiro Soberano da Dinastia Ptolemaica ou Grega.

Essa Dinastia terminou com Cleópatra, que, como seu amante Marco Antônio, suicidou-se após sua derrota na Batalha de Áccio (31 d.C). Então, o Egito tornou-se parte do Império Romano, dando origem ao Período Romano (30 a .C - 311 d.C), dominado pelos Césares.

O que temos de importante?

- A Civilização Faraônica foi herdeira dos elementos culturais que surgiram gradualmente na Era Neolítica e depois experimentaram um desenvolvimento natural a partir do 4o Milênio a.C. Mas desde 7000 a.C, os egípcios já cultivavam grãos e criavam animais (Como na Mesopotâmia). A partir de 4000 a.C, surgiu a cultura conhecida como Nagada; seu nome deriva de um local onde foram descobertos mais de 2000 túmulos com ricas montagens funerárias.

Um material similar foi descoberto em outros cemitérios, fornecendo evidências de crenças complexas na vida após a morte e de altos padrões de Maestria artística. Muito diferente da crença Mesopotâmica, que quase nada via depois da morte, a não ser uma sombra.... esse é um dado importante! Até então, os dois Povos vinham mais ou menos em paralelo.

- Já nesse período (Nagada) foi possível encontrar estandartes que retratavam talismãs com divindades - símbolos semelhantes aos futuros hieróglifos. O Período Pré-dinástico foi seguido por uma explosão cultural que marcou a chamada Era Faraônica. Perto do ano 3000 a.C, foi erguido o primeiro Estado da Humanidade, e não simplesmente uma cidade.

A Sociedade era baseada na Monarquia absoluta; o Faraó estava à frente dela como um rei divino (Teofania) e garantia a harmonia do Universo — seu poder era inexpugnável! Desse modo, cria-se que a Natureza podia ser manipulada pela intercessão Faraônica. Na qualidade de deus, cabia ao Faraó, além de suas funções políticas e guerreiras, o papel de mediador dos homens perante as divindades. Para isso ele devia cumprir uma série de obrigações, desde antes da coroação. Era iniciado em rituais misteriosos, em locais secretos, onde somente o Faraó e o Sumo Sacerdote, e por vezes, a Grande Esposa Real, podiam entrar.

Essa também é uma diferença importante com a Mesopotâmia. Embora importantes, as cidades Mesopotâmicas eram cidades apenas; e se o rei tinha poder divino, não se compara ao poder do Faraó. Aparentemente não havia uma razão natural para o Egito crescer mais e muitíssimo mais depressa, especialmente porque o Sincretismo era muito mais forte na Mesopotâmia, o que naturalmente soma forças, idéias, inovações, culturas, ciências, conhecimentos etc...

Depois de coroado, embora o Faraó detivesse todo o poder, tinha que, indiretamente, governar com o apoio dos Sumos Sacerdotes dos Templos, por causa dos jogos de interesses políticos. Os principais Templos eram verdadeiras "entidades vivas", auto-suficientes, que tinham grande poder sobre o Egito. Mantidos por imensas propriedades, eram estabelecidos para servir a vários deuses, que por sua vez serviam à Humanidade.

Na verdade, os Templos eram mais Instituições Estatais, não lugares para devoção e preces individuais, nada disso! Haja vista a grandiosidade das Pirâmides de Gizé, podem ter certeza que Templos como Karnak, Luxor, ou o de Amon eram de grandeza, luxo e poder indescritíveis. Isso quer dizer que havia uma importante ligação do poder do Faraó com o poder Sacerdotal. Isso não podia ser quebrado, ou mudado, sob pena do Egito "desmontar"! Assim era, assim era a regra (A Lei de Maat), assim tinha que ser!

- O Período Dinástico Inicial compreende as três primeiras Dinastias, e durou de 2920 até 2575 a.C, período em que a Mesopotâmia também está em pleno desenvolvimento.

- A seguir, temos o Período do Antigo Império, que começou na Quarta Dinastia. Essa foi muito importante pois reinaram Queóps, Quéfren e Miquerinos, Faraós responsáveis pela construção das grandes Pirâmides de Gizé; aquelas famosas, que todo mundo já viu, ou ouviu falar, pelo menos uma vez na vida. O "cartão postal" do Egito. O Antigo Império representa o ponto culminante da Cultura Egípcia. Nesse período, nasceu seu estilo particular e os cânones de sua Arte e Arquitetura. Era como se a Quarta Dinastia fosse um plano-mestre ou um programa iniciado para definir formatos, proporções e ordens específicas da Arte e da Arquitetura. Guarde isso! E informação importante!

- O Antigo Império terminou na Sexta Dinastia, em 2152 a.C, dando início a um Período Intermediário muito conturbado. A Sétima Dinastia teve 70 reis que reinaram durante 70 dias em Mênfis! A Oitava teve mais de 20 reis efêmeros; o período turbulento só passou ao término da 11a Dinastia. Segue-se o Médio Império e vem um segundo Período Intermediário meio confuso.

- O Novo Império (1550 - 1075 a.C), iniciando com a 18a Dinastia é interessante porque dele fazem parte Akhenaton e Tutancâmon, que comentaremos mais tarde. A 19a Dinastia (1307 - 1196 a.C.) é para nós a mais importante pois nela reinaram Ramsés I, Seth I e Ramsés II, fundamentais para o nosso estudo.

- Continuam as Dinastias a suceder-se. Apenas lembrando: o Faraó Necao, da 26a Dinastia, matou o Rei Josias, pouco antes do Exílio de Judá na Babilônia. Aí já entramos no Período Final do Egito, que começou na 25a Dinastia, dividida entre Núbios e Egípcios.

- A 27a Dinastia foi Persa, e nela entraram os Reis Dario II e Artaxerxes I, responsáveis por facilitar a reconstrução do Templo de Jerusalém pelos Exilados Judeus. Veja como as datas cronológicas batem perfeitamente: O Rei Artaxerxes I é mencionado no Livro de Esdras, e a segunda leva de exilados que retornou a Jerusalém com Esdras é datada em 458 a.C; mais impressionante é a terceira leva, que vem com Neemias para a reconstrução dos Muros da cidade. Aconteceu no ano 20° do Reinado de Artaxerxes I, em 445 a.C. 445 é o ano exato colocado pela cronologia Bíblica. A cronologia Egípcia encaixa o Rei Persa Artaxerxes I como subindo ao trono do Egito em 465 a.C, portanto o 20° ano do seu Reinado é 445 a.C.! Não é demais?!!

Uma importante fatia do Religiosidade Egípcia era em relação à vida pós-morte. Em busca da vida eterna, Ritos dos mais diversos eram praticados para garantir essa vida pós-morte, e, dentre os rituais, o culto aos mortos era uma prática egípcia das mais importantes.

Já no período Dinástico Antigo, as Tumbas dos Faraós eram diferentes das Tumbas de seus súditos, por suas imponentes dimensões e numerosas oferendas. A imensa esteia de pedra que colocava o Rei morto sob a proteção dos deuses também proclamava sua posição elevada. Eram entalhadas com imagens e escritos, para perpetuar o espírito da pessoa morta.

Os produtos deste período demonstram claramente as habilidades sofisticadíssimas dos artesãos egípcios, já aplicadas segundo padrões rigorosamente definidos. Temos também mostras isoladas de diversos rituais específicos nos quais essa condição divina era celebrada, inclusive a coroação e o festival Sed, durante o qual o Faraó renovava sua força vital — o ka - e sua soberania por meio de Magia. O ka é o "segundo ser" do Faraó; a força vital não corpórea que se separa do corpo após a morte, sobrevive à morte; a persona espiritual de alguém que assumia uma residência temporária em uma estátua. O ka dos deuses também abrigava-se nas estátuas, permitindo assim que eles se manifestassem na terra, podendo ser consultados.

Os Cemitérios de Abido e Saqqarah também oferecem muitas informações sobre as práticas funerárias.

As primeiras Pirâmides eram em degraus. Aliás, a primeira delas foi construída na planície de Saqqarah, perto de Mênfis, que na época era a capital do Egito. Imhotep foi o arquiteto responsável pela invenção das construções de pedras decoradas. Esses ensinamentos foram passados de geração em geração.

Os primeiros arquitetos Dinásticos já haviam aperfeiçoado as técnicas de construção, usando madeira, junco e palha na forma de tijolos não queimados. Mas a substituição do barro por blocos de pedra, mais atraentes e duráveis, viabilizou novas formas de arquitetura. Imhotep usou para a construção da primeira Pirâmide de Pedra uma área de 15 hectares. Originalmente a estrutura tinha a forma de um "banco", mas depois ela foi ampliada para incorporar as tumbas da família real. Então, Imhotep adicionou quatro degraus a essa base (o "banco"), e então outros dois. Os seis andares subiam em direção ao céu, formando a primeira Pirâmide em degraus. Com 60 metros de altura, e uma base medindo 109 por 121 metros era visível a grande distância! Um reflexo das concepções da vida após a morte, a Pirâmide convidava o espírito do falecido Rei a ocupar seu lugar entre as estrelas imortais.

O contorno do monumento também lembrava as antigas montanhas, das quais o sol surgia; esse formato evocava uma versão do Mito da Criação, mas também aludia à passagem do sol, com o qual a morte tenta se fundir. Sob a Pirâmide, um labirinto de câmaras subterrâneas, lotados de milhares de vasos de pedra.

O Rei possuía seu próprio compartimento funerário, embaixo da Pirâmide, com paredes cobertas de maravilhosos azulejos de faiança azul. As esteias de pedra calcária formavam portas falsas, entalhadas em baixo-relevo, acompanhadas por inscrições em hieróglifos extremamente finos. Alguns cenários similares foram encontrados na Tumba Sul, que formava uma réplica do Complexo Funerário Principal, adjacente à Pirâmide.

O Complexo inteiro era cercado por um muro de 10 metros de altura, construído com blocos de pedra calcária cuidadosamente adornados e com reentrâncias no estilo das fachadas do Palácio; esse imenso muro tinha uma única entrada, que levava a uma fabulosa galeria de colunas caneladas. Essa galeria, por sua vez, dava acesso a um pátio amplo. As salas e uma série de edifícios para rituais estendiam-se ao redor da Pirâmide. Os tetos dos relicários eram compostos por degraus e as pilastras assemelhavam-se a troncos de árvores ou a ramalhetes de plantas, a ornamentos florais e a juncos assentados nas paredes.

Não havia nada tosco ou malfeito. Pela primeira vez, os elementos herdados de uma arquitetura que usava materiais orgânicos e mais leves eram agora entalhados na fina pedra calcária de Tura.

O Faraó comunicava-se com o mundo dos vivos por sua estátua, colocada na base da Pirâmide, onde poderia receber o ar revigorante do vento norte através de estreitas aberturas. A magnífica imagem de Djoser (3a Dinastia), o Faraó que recebeu esse Complexo Funerário arquitetado por Imhotep, em pedra calcária pintada, foi a primeira efígie real em tamanho natural, e sua aparência causa bastante impacto. Usa o "Nemes", o turbante listrado típico, e a barba longa, ambos símbolos de Soberania.

Em Saqqarah, não muito longe das primeiras Pirâmides, os membros mais importantes da Corte eram sepultados em grandes mastabas de tijolos de barro, algumas das quais decoradas com relevos de pedra retratando cenas da festa do funeral. Eram colocados em Câmaras Funerárias abaixo do solo, cercados por mobílias e alimentos. Do lado de fora da Tumba, nichos onde se podia continuar a pôr oferendas que garantissem a vida da pessoa morta.

Parece que os fundamentos da Religião Faraônica também já tinham sido lançados desde o Período Dinástico Inicial, talvez antes. De onde veio tudo isso?

A História não pode saber ao certo, apenas conjectura... caímos naquilo que dissemos antes... Mitologia... Sincretismo.... Adoração dos elementos Físicos.... mas... e daí? A nós, parece que a Religião Egípcia era profundamente caótica, uma mistura estranha, de panteísmo e culto de animais, cheia de crenças contraditórias.

Ficam claras suas características de Culto e as principais crenças: o zoormorfismo (deuses em formas de animais) e o antropomorfismo (deuses em forma humana). Para nossa mentalidade moderna, parece tudo uma bagunça, mas pode ter certeza de que não é por acaso tudo isso. Era bem interessante ao Diabo que no futuro fosse isso mesmo que todos pensassem!

Vamos falar rapidamente de algumas das principais divindades.

No Egito, as representações figurativas eram extremamente raras, mas as principais divindades adoradas eram, sem dúvida, as consideradas mais importantes, ou mais poderosas, pois sabemos que havia um sem-número de deuses no Egito.
- Hórus, representado sempre por um falcão, associa-se à encarnação de alguns Faraós; conta o Mito que perdeu um olho ao lutar contra Seth, na tentativa de vingar a morte de seu pai, Osíris. A marca característica que aparece no falcão é tradicionalmente associada à ferida de Hórus.
- Mito de Osíris: Osíris herdou um Império de seu pai, o qual abrangia toda a Terra. Como sua irmã e esposa, Ísis trouxe a paz entre os homens e governou fazendo reinar a justiça. Ensinaram os homens a trabalhar e cultivar as terras, a fabricar pão, vinho e cerveja. Osíris era amado por seus súditos. Mas seu irmão Seth, movido por profunda inveja, assassinou Osíris, retaliou seu corpo em 14 pedaços e os espalhou. Ísis, profundamente triste, recolheu os pedaços, e, por meio de seus poderes mágicos, devolveu a vida a seu marido. Deitada sobre seu corpo ressuscitado, concebeu um filho, Hórus.

Entretanto, Osíris deixou o Mundo dos Homens e foi reinar entre os mortos. Portanto, Osíris é o deus e senhor dos mortos; levado à morte pelo perverso irmão Seth, mas depois restaurado à vida, talvez por isso paradoxalmente a Mitologia Egípcia também o identifique como o fundador do Estado Faraônico e como ancestral primordial de todos os Governantes do Egito, pois seu filho Hórus ocupou o trono que lhe pertencia, tornando-se assim o primeiro Faraó.

A crença numa vida de recompensas e punições no pós-morte seria presidida por Osíris, uma vez que ele mesmo experimentou a morte e o retorno à vida. Por causa desta "ressurreição", o monarca do Mundo Subterrâneo também era cultuado como símbolo de vida: estes atributos o tornavam deus do Nilo, deus das águas. Pois o Nilo era um símbolo de vida para o Egito. Osíris também está associado á vida do Egito no sentido da fertilidade: a inundação garante boas colheitas; a fertilização da terra é dádiva de Osíris. Portanto, ele personifica também o ciclo agrícola, e a retalhação do seu corpo simboliza a ceifa ou o corte do trigo, enquanto sua morte e ressurreição simbolizam o eterno ciclo da semeadura, do crescimento da plantação e da colheita.

- Ísis, deusa da terra e esposa de Osíris, anualmente era visitada durante a inundação, sendo fecundada por ele. Representada por uma mulher com uma peruca lisa de três partes que passa por trás das orelhas. Ísis com freqüência era associada a Hathor, podendo usar uma coroa com o emblema dela. Ísis é uma das deidades da Tríade de Osíris. Ela é esposa de Osíris e mãe de Hórus, e é simbolicamente representada como o Trono (seu emblema tradicional). Todos os três são importantes Entidades Egípcias. (Terra, Água e Ar? Só estou conjecturando!).

- Hathor é uma das deidades bovinas, a maior delas; simbolizada por uma vaca de chifres encurvados e orelhas proeminentes, ou uma mulher com chifres de vaca encurvados para cima e um típico disco solar entre eles; este disco é um emblema característico — um símbolo zoomórfico da deusa; nesse período, essas deidades eram identificadas com o paraíso.

- O Touro Ápis também era deus dos mais importantes. Símbolo de Fertilidade, também aparece retratado com características que seriam mantidas durante 3 milênios. Ápis, o Boi de Mênfis, era cultuado com a maior veneração, por tratar-se de um oráculo dos deuses. O animal escolhido para ser Ápis tinha de ter uma série de características: inteiramente preto, com um sinal branco e quadrado na testa, outro em forma de águia nas costas e, debaixo da língua, um caroço semelhante a um escaravelho. Por ocasião da Lua Nova, ele era levado de barco pelo Nilo e colocado em magnífico Templo etc... etc..etc... ritual afora.

- Anúbis era uma deidade funerária responsável pela guarda dos Cemitérios; presidia o processo de mumificação; sua representação mais comum era como um chacal; se aparecesse como um homem, podia vir acompanhado da figura de cachorros com ele, ou então com uma cabeça canina em corpo humano.

- Rá era o deus sol, criador e mantenedor do Mundo; representado por um disco solar. Hathor seria a filha e a esposa de Rá. Acho que não viam o incesto como algo impuro.

- Amon-Rá foi o único considerado deus do Estado, além de governante de Tebas; por sinal, foi justamente quando a Capital do Egito foi mudada para Tebas, na 5a Dinastia, que o antigo deus sol Rá tornou-se um "composto", ou uma associação de duas divindades: Amon-Rá. Uma inscrição hieroglífica dá a ele o epíteto de Kamutef, que literalmente significa "o Touro de sua mãe". Por sua palavra e vontade criou Kneph e Ator, de sexos diferentes, de quem procederam Osíris e Ísis. Ele foi um dos deuses mais importantes do Egito.

Note o texto encontrado no Templo da deusa Hathor, em que Amon-Rá dirige-se ao Faraó Tutmés III - 18a Dinastia: "Amon-Rá, Senhor do Trono das Duas Terras, Senhor dos Céus: Eu te dou vida, poder, estabilidade e alegria em meu nome e no de Rá, por toda a Eternidade". Percebe-se que se tratam de duas Entidades que trabalham juntas (o que não é incomum, muito ao contrário, é justamente o que ocorre no Reino Espiritual).

- Mais tarde, Osíris tornou-se a divindade tutelar dos Egípcios, tão importante quanto Amon. Em certo tempo, supunha-se que a alma de Osíris habitava o corpo do Touro Ápis e que, com a morte deste, se transferia para seu sucessor. Mas a enormidade de Osíris foi crescente; sua forma habitual de representação é em aspecto mumiforme, com as mãos surgindo das bandagens; encostadas no peito, com um mangual e um cetro heqa. Usa uma coroa atef que consiste na tiara do Alto Egito, com plumagens laterais e uma naja na frente. Sua face é quase idêntica à da deusa Ísis. Somente o queixo com a barba falsa diferem no rosto. Osíris foi adorado no Egito em todos os Períodos e de diversas formas, por vezes associado a outras deidades. Foi adorado em Busiris, substituindo um deus local; em Mênfis, chegou a ser adorado como Ptah-Sokaris-Osíris. Mas o principal local de culto ao deus dos mortos, do Faraó que morre e renasce como o novo governante Hórus, sempre foi Abido.

- O deus Kepri, "Ele que criou a si mesmo", o deus do sol matutino, símbolo de renascimento, era simbolizado pelo escaravelho. Esse tipo de besouro era um amuleto poderoso e muito usado em jóias; o Mito do escaravelho tinha a ver com o comportamento do besouro fêmea, que empurra pelo chão as bolas de esterco onde guardam seus ovos; os jovens besouros surgem depois de dentro dessas bolas. A bola era identificada como o sol nascente que, segundo se acreditava, era empurrado por um escaravelho para que se erguesse do horizonte todas as manhãs.

- Thoth, deus da lua, era simbolizado às vezes por babuínos.

- As duas deusas tutelares do Egito são a deusa naja Wadjet, senhora do Baixo Egito, usando coroa vermelha, e a deusa abutre Nekhbet, guardiã do Alto Egito, que usa coroa branca; seu epíteto mais comum é "senhora dos céus". Juntas, simbolizam a união do País. São deusas muito importantes.

- Ptah garante vida, poder e saúde ao Faraó; mas é também o deus patrono dos artesãos.

- Sekhmet garante a eternidade.

- A deusa Maat é a Regra Universal. Deusa da Justiça. Simbolizada por uma mulher com o típico disco solar na cabeça, só que, desta vez, com plumagens de avestruz. A crença no Julgamento Final surge a partir da 6a Dinastia.

- Taweret, deusa da fertilidade feminina e protetora do parto, assumiu a forma de um hipopótamo combinado com elementos de outros animais. Nas paredes dos Templos, aparece nas cenas dos casamentos dos deuses e dos nascimentos divinos dos reis. Plantas aquáticas podem ser desenhadas no corpo roliço do hipopótamo - flores de papiro abertas e flores de lótus.

- Seth era cruel. Um dos inúmeros desenhos egípcios a que temos acesso é o da pesagem do coração humano numa balança, após sua morte, em presença da deusa da verdade. Se fica patente que a pessoa não fez o bem em vida, o desenho mostra um monstro esperando para destruir a alma daquele cujo coração foi pesado. O uso desta monstruosidade faz alusão a um inimigo em potencial! A Força Maligna que os Egípcios identificavam na Humanidade era representada por Seth. Perceba que, nesse caso, pela primeira vez aparece um deus que personifica o Mal; Seth não é como os outros deuses, que podem fazer o Bem e o Mal. Ele é a essência do Mal! Mas Seth era também o Rei das terras altas e das terras distantes.

Inicialmente, foi venerado como uma parte necessária do Cosmos. Mas a ocupação cruel do Egito pelos Persas mudou para sempre algumas coisas. Seth passou a ser visto como o deus dos estrangeiros — como os Persas vieram das colinas desertas e das terras altas, nesse momento Seth tornou-se o próprio Diabo e o deserto tornou-se a terra do espírito maligno.

- Ammut, representado por um animal de cabeça de hipopótamo coberta por uma peruca, corpo de leopardo, a cauda e a crista de um crocodilo. Esse monstruoso é o "Devorador" descrito no Livro dos Mortos que está pronto a tragar a alma daquele que não conseguiu ser justificado pelo Tribunal de Osíris. Ammut também pode ter um significado positivo ao aparecer na forma de um porco. - Nesse caso, ele personifica a deusa Nut, o Céu, que ao engolir o morto, ressuscita-o e lhe concede a reencarnação eterna.

Corno o Faraó e a Rainha (Grande Esposa Real) são considerados Teofanias, são identificados comumente com estas divindades. O Faraó, quase sempre como Hórus, ou Rá; a Rainha está mais ligada à deusa Hathor, ou Ísis. Ísis e Hathor têm seu poder destrutivo também, e este é representado por uma leoa, Mehet, a divindade que encarna esse poder destrutivo que tem que ser aplacado todos os anos a fim de garantir a chegada normal de cheia do Nilo. Mehet, aplacada em seu furor, garantia o retorno sazonal da inundação.

Não nos importa o restante dos deuses e Rituais. Ficaríamos a falar deles eternamente. O Egito tinha milhares de divindades. Quero apenas que você perceba o seguinte: os deuses Egípcios foram aparecendo "aos poucos". Não foi de cara que todos foram cultuados, ou que Templos foram construídos e dedicados a eles. Os mais antigos deuses sempre foram cultuados, mas apareceram outros com o passar dos tempos. Os mais antigos, que seriam divindades adoradas desde o Período Dinástico Inicial (ou até antes) até os fins dos dias dos Egípcios foram Hórus, Seth, Hathor, Anúbis, Rá, Ápis.

Mas perceba que alguns eram entidades locais. Mesmo Amon, que mais tarde foi considerado o Senhor das Duas Terras, primeiramente era Governante de Tebas (Provavelmente antes de ser ampliado seu território de atuação - veremos mais tarde como isso acontece). Ou Osíris, que de senhor do Nilo, passou em certo momento a ter maior atuação no País; posteriormente. Mas veja que Ápis, por exemplo, era o Boi de Mênfis (uma das Capitais do Egito). Havia Wadjet e Nekhbet, senhoras de um território maior, uma do Baixo e a outra do Alto Egito. Mas não do Egito inteiro!



Do Egito inteiro, apenas Amon-Rá e Osíris chegaram a tal patamar de Poder. Seth era deus das terras altas e distantes. Anúbis guardava cemitérios. Outras entidades aparentemente não estão ligadas a um território, mas são simplesmente adoradas. Como Kepri, Thot, Taweret, Ptah, Sekhmet etc... guarde essa informação, pois também será importante para os estudos a seguir. As Teofanias eram encarnações das deidades divinas no Faraó e na Rainha.

Dos Rituais não funerários, pouco sabemos. Mas no Museu Egípcio encontra-se uma faca de pederneira com cabo de ouro, de 30,6 cm de comprimento e 6 cm de largura, com a ponta bifurcada e bordas minuciosamente serrilhadas para facilitar o corte, do Período Pré-Dinástico. Ela não foi confeccionada para o uso cotidiano; por causa da fina maestria artística, provavelmente ela era usada exclusivamente em cerimônias e rituais religiosos. De que tipo, não sabemos.

Era comum também a crença na astrologia, e uma particularidade desta era que os astros tinham influência sobre as diferentes partes do corpo. E os deuses também estavam relacionados com os astros. Magia e Religião estavam intimamente ligadas no Egito. A Numerologia fazia parte das crenças e era usada. Dentre os símbolos utilizados na Magia, a Serpente e as Chamas tinham particular lugar.
Bretanha/País de Gales (Atual Inglaterra e França): Por incrível que pareça, é bem escasso o material que se pode encontrar sobre os Celtas e os famosos Druidas. Na antiga língua celta, o termo "druida" significava "encontrar ou conhecer o carvalho". Sendo o carvalho uma árvore grande e majestosa, o termo indiretamente remete-nos à sensação de algo "sólido, profundo e duradouro"; mas, mais do que isso, "conhecer" ou "encontrar" dá a idéia de uma percepção mais longínqua, mais abrangente... que vai além do simples exterior do carvalho, que pode ser contemplado e entendido por todos, mas que entra em sua essência. No seu "Oculto". O carvalho era considerado sagrado, com o visco.

Mais adiante, no próximo Módulo, você entenderá a grande importância dos Druidas, suas crenças e práticas ritualísticas, tão ou mais importantes do que a dos Egípcios.

O que a História nos diz sobre eles?

- Os Druidas formavam a casta dos Sacerdotes cultos entre os antigos Celtas da Gália e da Bretanha, principalmente, mas também da Germânia. Embora possa ter havido alguma semelhança entre as crenças dos Bárbaros Germânicos e os verdadeiros Druidas, é tão somente coincidência.

O forte da manifestação Druídica era no País de Gales, na Bretanha Maior e Menor. Os Druidas gozavam de muito prestígio na Sociedade de seu tempo, pertencendo a uma das duas classes mais respeitadas. A outra classe era a dos Nobres. Mais uma vez nos deparamos com uma espécie de "união" ou parceria entre o poder político e o poder sacerdotal.

Os Druidas de fato eram bastante consistentes na abrangência de seus conhecimentos, e combinavam suas funções de Sacerdotes com o saber científico, pois estudavam e conheciam muito bem Astronomia, Medicina e Filosofia; eram os líderes intelectuais e sábios da época. Colocavam-se em relação ao Povo Céltico na mesma razão proporcional e de maneira bem semelhante à posição ocupada pelos Magos da Pérsia ou os Sacerdotes do Egito.

Ensinavam a existência de um deus de nome Beal, e que parece ter afinidade com o Baal dos Fenícios, especialmente porque ambos identificavam essa divindade suprema com o sol. Contudo, há uma extrema distância de tempo entre esses Povos, já que os Fenícios são da época áurea dos Mesopotâmicos e Egípcios, e os Celtas datam de milhares de anos depois, surgindo pouco antes da Era Cristã, mas tendo seu apogeu em torno do Século V d.C, seguindo mais ou menos em paralelo com as Religiões Vikings (Nórdicas) cronologicamente (mas totalmente diferentes do ponto de vista de atuação Satânica).

- Como já dissemos, os Druidas adoravam o Sol, mas cultuavam também uma infinidade de deuses menores. Suas crenças religiosas incluíam a imortalidade do espírito e a reencarnação. Um detalhe curioso desta Religião era o fato de dispensarem a confecção e o uso de ídolos; mas o que mais chama atenção é o significativo fato de não cultuarem em Templos Grandes; existiam pequenos e simples santuários nas florestas, apenas para a realização de oferendas de gratidão. Costumavam oferecer Rituais de Sacrifícios nas Florestas, mas seus santuários principais consistiam em Círculos de Pedras muito grandes. Ainda hoje existem centenas desses Círculos de Pedra, especialmente na Bretanha e na Escócia.

- Porém, o mais famoso e misterioso deles é Stonehenge, na planície de Salisbury, na Inglaterra. Ela foi erguida pela primeira vez muito antes, milhares de anos antes. Trata-se do mais famoso Monumento Megalítico da Inglaterra e a estrutura pré-Histórica mais importante da Europa. Dentre os Megálitos, somente a Grande Pirâmide de Queóps pode ser comparada a Stonehenge. Obvio que isso não é uma coincidência!!!

- A "Dança dos Gigantes" - como também é conhecida Stonehenge —, por seu tamanho, complexidade e importância a tornam algo com características únicas. Os chamados Megálitos são pedras toscamente trabalhadas que, isoladas ou em conjunto, formam uma estrutura para fins religiosos e são encontradas em diversas partes do Mundo, especialmente na Europa, China, América do Norte e Norte da África. Quem não ouviu falar das famosas Cabeças de Pedra esculpidas (os Moais) da Ilha de Páscoa? Porém, não há nada semelhante a Stonehenge em todo o Mundo. Ainda que a História saiba que esses monumentos são para fins religiosos, Stonehenge tem sido usada há 5000 anos e até hoje não se tem certeza absoluta da sua finalidade.

- O Monumento é formada por quatro círculos concêntricos de Pedra. O círculo externo de Pedras media 86 metros de diâmetro; o círculo interno, 30 metros. Algumas das Pedras pesavam 45 toneladas e mediam 5 metros de altura! Havia ainda uma avenida de acesso principal onde ficavam os Portais de Pedra, marcando o alinhamento do Sol, e os ciclos da Lua, bem como o nascimento deles no Solstício e no Equinócio.

Supõe-se, portanto, que tenham sido usadas como Observatório Astronômico. Analisando as Pedras, percebeu-se que elas foram cortadas de maneira a encaixar-se perfeitamente uma na outra, e isso numa época em que não havia ferramentas ou instrumentos para realizar este tipo de serviço, tão preciso. Novos construtores (pois Stonehenge foi construída em três fases) edificaram uma avenida de Monólitos que ligavam Stonehenge ao Rio Avalon, distante 3,2 quilômetros da estrutura de Pedra.

- No centro do Círculo ficava o altar, onde eram oferecidos sacrifícios; a História não conseguiu provar ou saber de que espécie eram eles, mas certamente eram humanos. Em Stonehenge, um dos dias mais importantes do ano era o do solstício de Inverno.

- Ao Mago Merlin foi atribuída a reconstrução deste Círculo. Os conhecimentos de engenharia e matemática que Merlin tinha o levaram a fazer um trabalho que também virou lenda, pois não se julgava possível, na época, tal façanha. Não foram os Druidas que construíram Stonehenge, pois a data de sua edificação vem de cerca de 1000 anos antes de os Druidas tomarem o Poder. A História apenas conhece a periferia do seu significado, pois acredita-se que Stonehenge seja o túmulo de um Rei. Segundo a lenda, o túmulo do Rei que era o pai desconhecido de Merlin.

Embora a maioria desconheça, Merlin (ou Myrddin) muito provavelmente não foi um mito ou lenda, mas uma figura histórica de fato, que grande influência exerceu na Bretanha com seus poderes mágicos e sua aproximação íntima com mais de um Rei.

Além dos Rituais em Stonehenge, dos quais sabemos poucas coisas, os Druidas tinham o hábito de cultuar a Lua cheia, especialmente o sexto dia da Lua. Júlio César foi a principal fonte de informações sobre os Druidas. Relatos Romanos, feitos por ele, afirmam a existência de práticas ritualísticas onde enormes imagens eram feitas, ocas, e eram colocadas pessoas vivas lá dentro, e depois tudo era queimado. Muitos dos simpatizantes dos Celtas têm procurado desmentir os historiadores Romanos, mas sem grande sucesso.

Afora o que acontecia em Stonehenge, os Druidas realizavam dois Festivais por ano. O primeiro no princípio de maio (Mês Cinco), chamado Beltane, ou "Fogo de deus". Acendia-se grande fogueira nos Altos, em honra ao Sol, cujo regresso de Primavera era saudado depois da sombria desolação do Inverno.

O outro grande Festival Druida era o "Samh'in", ou "Fogo da Paz", realizado no dia 1o de novembro (Mês Onze - só que nessa época o Halloween não se comemorava ainda em 31.10). Contudo, esse costume ainda permanece na região montanhosa da Escócia sob o nome de Hallow-eve. Nessa ocasião, a única coisa que sabemos é que, além do festival, era reunida uma Assembléia Solene na parte mais central da região, para desempenhar as funções judiciais de sua classe e julgar todas as causas, públicas ou particulares, e todos os crimes. Talvez por isso o nome do Festival fosse Fogo da Paz.

Os atos judiciais estavam ligados a certas práticas supersticiosas, especialmente ao ato de acender o fogo sagrado, o qual serviria, por sua vez, para acender todos os fogos da região. Esse costume de acender fogueiras no dia 1o de novembro perdurou nas Ilhas Britânicas até muito tempo depois do advento do Cristianismo.

Um mistério aparentemente associado aos arredores de Stonehenge e outros Megálitos de importantes sítios arqueológicos são os "Círculos Ingleses". Desta vez não se trata de Pedras, mas de desenhos que costumam aparecer freqüentemente em plantações, e surgem quase que na sua totalidade durante a noite, no meio do silêncio e da escuridão dos campos de cereais. Segundo pesquisadores, esses Círculos, devido à sua complexidade, seriam impossíveis de serem feitos pelas mãos humanas.

Bastante surpreendente é que os Druidas, embora Mestres de Religião, Cientistas e Sábios de sua época e de seu Povo, não deixaram para a História nada escrito, coisa alguma de suas doutrinas, história ou poesia. Seus ensinamentos eram orais e sua literatura preservada apenas pela Tradição. Entretanto, os escritores Romanos admitem que "eles prestavam muita atenção à ordem e às leis da Natureza, investigavam profundamente e ensinavam aos jovens entregues aos seus cuidados (aprendizes) muitas coisas referentes às estrelas e seus movimentos, ao tamanho do Mundo e das Terras, e também concernentes à força e ao poder dos deuses imortais".

O Sistema Druídico estava em seu apogeu quando se deu a invasão Romana comandada por Júlio César, no Século I d.C. Aos Druidas foi dirigida toda fúria e perseguição, e seus rituais proibidos. Com a conquista da Inglaterra e da França por Júlio César, a Religião Celta desapareceu, a casta Sacerdotal perdeu suas funções religiosas, mas manteve a posição erudita e de Liderança.


Grécia e Roma Antigas: A Religião Grega Clássica floresceu durante o apogeu da Pólis, a Cidade-Estado Grega, no período entre 800 e 300 a.C, aproximadamente (o que é muito provável, pois a conquista de Alexandre, o Grande na terra do Egito, o que deu origem à Dinastia Helenística, aconteceu em 331 a.C, o que prova o grande desenvolvimento dos Gregos neste período e no anterior a ele). Suas origens, contudo, são mais remotas, vêm desde 1950 a.C, quando os indo-europeus começaram a chegar à região que mais tarde seria a Grécia.

Os Gregos são um Povo Indo-Europeu. Os primeiros foram os Jônios; permaneceram ali sozinhos até meados de 1580 a.C, quando chegaram Aqueus e Eólios. A última corrente Indo-européia a estabelecer-se na região foi a dos Dórios, a partir de 1200 a.C. Os desdobramentos precisos permanecem obscuros, pois resta pouca Literatura ou evidência arqueológica, como pinturas em vasos, anteriores a 700 a.C.

No entanto, a decifração da primeira escrita grega contribuiu nas últimas décadas possibilitaram notável avanço sobre a Civilização Grega do período compreendido entre 1950 e 800 a.C. A primeira Civilização Grega era denominada Micênica, que vai até cerca de 1100 a.C.; de 1100 até 800 a.C. é o chamado período Homérico; de 800 até 500 a.C. as Pólis (que já existiam) se desenvolveram e amadureceram, destacando-se entre elas Esparta e Atenas; A realeza (proveniente das Monarquias anteriores) converteu-se em pura Magistratura, dando logo lugar à ascensão da Aristocracia; de 500 até 338 a.C. temos o período Clássico, quando as Cidades-Estados atingiram o pleno apogeu e a democracia Ateniense chegou ao máximo de esplendor.

Homero também foi profundo colaborador para o conhecimento da Época Micênica e Homérica, e delas teríamos outra impressão sem os poemas épicos reunidos na Ilíada e na Odisséia. Há quem diga que tais poemas tenham, para os Gregos, a mesma importância que a Bíblia teve para a Civilização Ocidental. A narrativa reúne elementos reais e fantásticos, imaginários e Históricos, deuses e seres mortais. Revela, por isso, muito daquilo que nos interessa, muito da cultura daquele tempo. A Ilíada narra as aventuras de Aquiles nos últimos anos da guerra dos Gregos contra os Troianos; destaca valores como a honra, a bravura, a fidelidade, a moral.

Na Odisséia são narradas as aventuras de Ulisses na sua volta para casa, após o fim da guerra. O poema é muito rico em informações sobre o dia-a-dia dos gregos no Período Homérico.

Em 338 a.C., Filipe II, rei da Macedônia, invadiu a Grécia e pôs fim à independência das Cidades Gregas, dando início ao Período conhecido como Helenístico. O momento de crepúsculo da Grécia começou por causa de guerras fratricidas que enfraqueceram o Império Grego; havia um agressivo expansionismo Ateniense e uma inquietação Espartana.

A autodestruição da Grécia começou quando Atenas entrou em conflito com Corinto, aliada de Esparta, e deu-se o início da Guerra do Peloponeso (431-401 a.C). Quando Péricles, importante governante de Atenas morreu, a guerra tomou um rumo inesperado, e Atenas perdeu. Mas a vitória de Esparta não trouxe paz à Grécia. Contra ela ergueu-se uma nova Potência, a cidade de Tebas, que apesar de tudo não se saiu melhor. Dessa vez, Atenas e Esparta uniram-se contra ela, mas o resultado foi o esfacelamento da Grécia e sua conquista pela Macedônia.

Com a morte de Filipe II, subiu ao trono seu filho Alexandre, o Grande, em 336 a.C.. Foi ele que formou um vasto Império Universal. Começou com o esmagamento de diversas revoltas na Grécia; em 334 a.C. Alexandre começou sua campanha contra a Pérsia, e ao longo de 5 anos anexou ao seu domínio a Mesopotâmia e o Egito, chegando à Índia em 325 a.C. Seu sonho era a realização de um Império Universal, mas morreu aos 33 anos, na Babilônia.

Construído durante um breve Reinado de 13 anos, o Império de Alexandre, o Grande, pode ser comparado ao Persa e ao Romano, que, no entanto, formaram-se ao longo de Gerações. Nos territórios Orientais, Alexandre fundou quase 70 cidades, muitas das quais foram batizadas com o nome de Alexandria.

Mas a mais famosa Alexandria é a do Egito. Fundadas com o objetivo de abrigar tropas, essas cidades transformaram-se em importantes centros de difusão da Cultura Grega, fenômeno conhecido como Helenismo - a difusão da Cultura Grega no Oriente.

Apesar dos conflitos políticos, a Religião Grega em si somente chegou ao fim de vez em 393 d.C., quando o Imperador Romano Teodósio proibiu todos os Cultos Pagãos. E a morte de Alexandre (só para que você conheça o final da novela... e faça conexões aí em sua cabeça unindo tudo que já estudamos até agora) fez com que esse grande Império não sobrevivesse, mas partiu-se em três Reinos independentes, cada qual tendo à frente um Militar que servira sob as ordens de Alexandre: o Reino da Macedônia, sob Antígono; o Reino do Egito, sob Ptolomeu; e a Mesopotâmia, sob Seleuco.

Mas, e a Religião Grega?.... Vamos lá!

Na sua forma mais clássica, a Religião Grega significa cultuar 12 divindades cujo lar era o Monte Olimpo - assim como 12 também são os Signos do Zodíaco. Zeus (ou Júpiter) era o Líder Supremo e cada divindade possuía diferentes atributos. Na realidade, entretanto, a coisa era muito mais complexa porque havia milhares de deuses locais, de menor importância, alguns identificados com os deuses do Olimpo mas com "moradas distintas": na terra, nas águas ou embaixo do Mundo. Sugestivo! Claro que essa quantidade enorme de divindades é, mais uma vez, fruto de Sincretismo.

Um indivíduo poderia cultuar quantas divindades quisesse, e quaisquer dentre todas, desde que reconhecesse os deuses do Olimpo. Aliás, essas 12 divindades são as mais sugestivas, não só pela posição especial que ocupam, como também pelo seu número.

Um aspecto essencial de Religião grega era sua amplitude; embora os gregos não possuíssem uma palavra para "Religião", esta permeava tudo e abrangia praticamente todas as atividades realizadas nas Pólis, a julgar pelas moedas que representam um Estado através de sua divindade ou herói principal.

Vemos que existe uma clara hierarquia! E que diferentes lugares eram como que "morada" de determinadas Entidades. Além das características de caráter, ou principal forma de agir, nota-se a questão territorialista dos deuses gregos. Na verdade, não havia distinção entre o religioso e o secular; ambos se permeavam mutuamente, estava incrustado no consciente e inconsciente coletivo. Isso pode ser observado nos Festivais que dominavam o ano Grego, cujos mais importantes eram os quatro Festivais Nacionais (Pan-Helênicos), dedicados a uma variedade de deuses, e cujas características essenciais (além de agradar e cultuar os deuses) eram as competições e jogos atléticos e musicais.

Alguns duravam vários dias; em Atenas, quase metade do ano era tomada por Festivais.... que Povo festivo esses Gregos, hein?! Mas nem tudo é o que parece ser. As Pólis tinham vários traços em comum, mas muitas particularidades que se destacavam, por isso essa tendência de "rivalizar" umas com as outras, em todos os campos.

Como já dissemos, no terreno esportivo e artístico, mas também, por vezes, militarmente. Cada uma tinha sua (ou suas) divindade protetora, e apesar dos Festivais, as discórdias e conflitos eram comuns, especialmente entre cidades vizinhas. Atenas, por exemplo, era inimiga de Egina e Mégara; da mesma forma que Platéia era inimiga de Tebas, e Corinto de Árgos. Mas nenhuma oposição foi tão marcante quanto Atenas e Esparta.

Havia uma distinção muito clara entre os homens livres e os escravos, e nisso se deu o estopim para a emancipação intelectual Grega. Da generalização do trabalho escravo houve uma repercussão que podia ser notada na formulação do conceito de Liberdade em oposição ao conceito de Escravidão. Transferindo para os escravos não só os trabalhos pesados, mas também as tarefas manuais corriqueiras, os homens livres podiam dedicar-se integralmente às atividades intelectuais que notabilizaram a Sociedade Grega, e também à participação em atividades políticas que culminariam na construção da democracia.

Em suma, tanto a excelência intelectual e artística da Grécia quanto sua rica experiência política assentaram-se sobre o trabalho escravo de uma enorme massa. No mundo antigo, isso era uma prática corriqueira: fazer a Guerra, vencer o inimigo e escravizá-los. Nem o Egito nem a Mesopotâmia desconheciam a escravidão, mas ambos ignoravam o escravismo como Sistema. Isso começou na Grécia, o eixo para o seu sistema de vida, e, mais tarde, foi também para os Romanos.

A Escravidão na Grécia e em Roma não era um mero acidente, fruto da necessidade de defender seus territórios, mas um mecanismo de reposição e expansão plenamente integrados na lógica do funcionamento da Sociedade. E foi tornando-se um sistema que os conceitos já citados de Homem Livre e Escravo se estabeleceram profundamente.

Nos Séculos VI e V a.C, Atenas experimentou e realizou diversos programas de construção, e as Pólis e os deuses se tornaram indissoluvelmente unidos através dos muitos e belos Templos construídos na Acrópole (parte alta da Cidade de Atenas). Isso fazia parte da mentalidade grega! Entenda, porém, um pouquinho mais da mentalidade Grega... quando os Gregos se referiam a uma Pólis, não tinham em mente apenas o território. Ao dizer "Atenas", estavam se referindo ao mesmo tempo aos Atenienses e ao seu Governo; portanto, a Pólis não era um lugar geográfico, mas um espaço político!



A adoção de Leis escritas válidas para todos, como aconteceu em Atenas (621 a.C.), assinalou o declínio das formas aristocráticas de governo e paulatinamente a autoridade de um grande conjunto de Nobres foi sendo substituída por um conjunto de Leis. As pessoas passaram a estar submetidas ao Estado; foi assim que nasceu a Cidadania!

Veio aos Gregos uma consciência clara de que uma Sociedade e as relações sociais tinham de ser regidas por normas, caso contrário haveria desarmonia e desordem. Pertencer à Pólis, então, passou a ter um significado especial. Além da vida particular, havia uma espécie de segunda existência - a política. Esta tornou-se a "arte de decidir através da discussão pública".

Essa é uma das razões porque a oratória e a argumentação racional foram valorizadas. A vida na cidade implicava o grave dever de participação política (naturalmente, ao homem livre), e, sobretudo, a necessidade de dar a sua própria vida em obediência às suas Leis.

Mas voltemos aos deuses gregos: eles tinham uma particularidade muito interessante: eram ciumentos e imprevisíveis, o que levava o povo a oferecer sacrifício às divindades. Normalmente realizado no interior de um Templo, e geralmente oferendas de animais previamente selecionados. Mas era necessário que o cerimonial todo fosse seguido debaixo de regras estritas e perfeitamente realizadas para que a oferenda e o sacrifício fossem aceitos e tivessem efeito. Quase sempre o pedido era por proteção, mas algumas vezes era oferecido com a finalidade de pedir algum favor a alguma divindade específica. Tais Ritos também se realizavam em todos os Oráculos - locais sagrados onde determinada divindade poderia ser consultada em qualquer circunstância, embora as respostas pudessem ser notoriamente ambíguas.

O lado privado da Religião também era importante. Nos lares, uma taça de vinho nunca poderia ser bebida sem antes se derramar um pouco para o determinado deus que fosse cultuado ali naquela casa. Muitas casas possuíam santuários à deusa dos lares, Héstia.

Os gregos primitivos não haviam concebido a idéia de imortalidade da alma. O homem morria com a morte do corpo. Mas dentro do ideal de perfeição grego, a vida jovem entregue heroicamente em Batalha elevava o Guerreiro a uma condição acima dos mortais comuns. Pela ação extraordinária, pela façanha heróica, acreditavam ser possível assegurar a imortalidade. Por isso, a ética aristocrática não podia conceber uma vida longa repleta de feitos insignificantes; o ideal era uma vida breve recheada de alguma grande façanha, para viver eternamente como lembrança na memória das gerações futuras!

A mais alta expressão desse primitivo ideal encontra-se expresso na figura exemplar do herói que foi Aquiles.

Mesmo assim, ao longo do tempo, viver apenas na memória dos outros não era muito satisfatório... não o é para ninguém, pois o ser humano -pode dizer o que quiser! - não aprecia nem nunca apreciou a morte!

Havia um lado mais obscuro da Religião, pouco conhecido, mas que se podia constatar nos vários "cultos de mistério" que tinham seus Ritos Iniciáticos reservados. A natureza exata destes mistérios é obscura, mas parece que os devotos tinham uma remota esperança de vida depois da morte, esperança significativa para a grande maioria dos Gregos.

Eles admitiam a existência de "regiões infernais", "regiões dos mortos". Segundo seus mais importantes filósofos, o lugar onde se localizava a entrada do Inferno era a região vulcânica perto do Vesúvio, toda cortada de fendas, da qual se levantam fendas sulfúreas e o solo é sacudido por desprendimento de vapores, e ruídos misteriosos saem das entranhas da terra.

Supõe-se que o lago Averno ocupava a cratera de um vulcão extinto; tem a forma de um círculo e é muito profundo, com meia milha de largura. Nas épocas antigas, suas margens eram muito elevadas e cobertas de vegetação. No entanto, vapores mefíticos levantavam-se de suas águas, de modo que não havia vida em suas margens e nem ave alguma as sobrevoava. Ali, segundo o poeta Virgílio, encontrava-se a gruta que dava acesso às regiões infernais.

A Mitologia conta que Enéias naquele lugar ofereceu sacrifícios às divindades infernais Prosérpina, Hécate e as Fúrias. Os bosques foram sacudidos, bem como os morros, e os cães ladravam ao longe, pois elas se aproximaram. Enéias desceu à gruta com a Sibila; antes do limiar do Inferno passaram por um grupo de seres que a Sibila revelou serem os Pesares, as vingativas Ansiedades, as pálidas Enfermidades, a melancólica Velhice, o Medo e a Fome que induzem ao crime, o Cansaço, a Miséria e a Morte. As Fúrias ali estavam, do mesmo modo a Discórdia; havia monstros, Briareu, as Hidras, as Quimeras. Depois de morrer, para chegar ao Inferno propriamente dito, a alma atravessava o negro rio Styx em companhia de um barqueiro, Caronte, que recebia em seu barco passageiros de todas as espécies, heróis magnânimos, jovens e virgens, tão numerosos quanto as folhas do Outono. As pessoas podiam entrar nesse mundo crepuscular governado por Hades, deus dos mortos, e simplesmente existir sob a forma de sombras.

Outro culto que oferecia a esperança de vida após a morte era o de Orfeu. Novamente os detalhes são incertos, mas embora o culto não tenha causado grande impacto sobre os gregos, tem importância histórica, pois influenciou a Filosofia de Platão, de que o corpo é uma prisão ou túmulo de onde a alma precisa escapar. Para desfrutar de um prêmio no futuro, os Órficos tinham que levar uma vida de extremo ascetismo.

A Religião Grega também tinha seu lado obscuro, como evidencia o culto a Dionísio, deus do vinho, representante do lado selvagem e mercurial da natureza humana. As Mênades, mulheres participantes destes cultos, entravam em êxtase e eram capazes de despedaçar animais vivos. Havia ainda a crença em Maldições e Feitiçarias.

Foram descobertas muitas tabuletas com maldições que tinham o propósito de causar mal a alguém, as katadesmoi. Mesmo assim, percebe-se que esse tipo de rito é semelhante à nossa Umbanda, Quimbanda e Candomblé, uma espécie de "Macumba", que certamente eram regidos por demônios hierarquicamente pequenos, só para se "divertirem" um pouco.

Ainda que a Religião antiga deste Povo já não encontre qualquer seguidor em nossos tempos, pertencendo os relatos apenas à Literatura, as grandes sagas da Mitologia Grega são conhecidas, algumas delas, por quase todos nós. Um detalhe interessante é que foi a Grécia Antiga que talvez primeiro admitiu de forma muito clara os Híbridos Humanos, os famosos "semideuses", dos quais Hércules é um dos mais famosos.

No Egito e na Mesopotâmia, os Reis e Faraós eram encarnações de deuses, Teofanias; mas agora se admite de forma natural que um deus possa ter um filho com uma mulher humana. Pelo menos, mitologicamente falando! Se eles criam de fato na existência destes seres, isso já não sei. Parece conflitar um pouco com o tipo de pensamento lógico característico dos grandes Filósofos e Pensadores Gregos, mas nunca se sabe.... já que a Religião e o culto às divindades eram uma porção tão importante e tão natural da vida dos Gregos, talvez realmente cressem em certos detalhes Mitológicos como sendo reais, e não apenas alegóricos.

Como citamos, Hércules, o Filho de Júpiter, ou Zeus (o principal dos deuses, cujo pai foi Saturno), é também filho de Alcmena, uma mulher mortal. Isso faz de Hércules um "Híbrido". Mas Juno (deusa), mulher de Júpiter, sempre hostil aos filhos de seu marido com mulheres mortais, declarou guerra a Hércules desde o nascimento. Mandou duas serpentes para matá-lo em seu berço, mas foi a criança, extremamente forte e diferente das demais, que acabou com as duas cobras.

Deste pacto de morte decretado por Juno surgiram os "Doze trabalhos de Hércules". O último trabalho de Hércules foi descer ao Hades para trazer o monstro Cérbero de volta ao Mundo dos vivos. Interessante notar que, quando Hércules morreu, envenenado e queimado vivo, seu pai Júpiter afirmou aos outros deuses: "Dele somente pode morrer a parte terrena, a parte materna; o que de mim recebeu é imortal".

Quando as chamas consumiram a parte materna, a parte "divina" pareceu assumir maior vigor, maior altivez, maior porte, além de maior dignidade. E ele tomou seu lugar nos "Céus", segundo conta a Mitologia Grega.

Também segundo a lenda Grega, é atribuída ao Rei Mítico Teseu a façanha de matar o Minotauro - lendário monstro (Híbrido?) cretense do labirinto, que tinha cabeça de touro num corpo humano.

Como esse Híbridos eram gerados?

Uma Porta de Nuvem, da qual tomavam conta as deusas chamadas "Estações", abria-se a fim de permitir a passagem dos Imortais para a Terra e para dar-lhes entrada, em seu regresso. Interessante esse conceito, não? O Portal tanto dava acesso aos deuses para vir como para voltar. Este conceito dos "Híbridos" e também o da passagem de deuses para a terra segundo a abertura das "Estações", ainda que de forma poética e mitológica, é extremamente sugestiva e nos remete a dados atuais, utilizados hoje pela Irmandade.

E interessante que os Gregos também criam no Caos, aquilo que existia antes que a raça humana se formasse. Segundo a Lenda, o homem foi criado por Prometeu, um dos Titãs, raça que habitou a Terra antes dos Homens.

Note que a Cultura grega acreditava numa raça de Gigantes! Mais tarde a mulher foi criada e cada um dos deuses deu-lhe algo. Como presente de casamento, Júpiter entregou-lhe uma caixa, onde cada um dos deuses havia posto um bem. Ela abriu a caixa inadvertidamente e deixou escapar todos os bens, exceto a esperança.

Os Homens foram progressivamente tornando-se maus, e Júpiter e Netuno destruíram aTerra com uma enorme inundação. Sobrou apenas um casal, um homem e uma mulher Titã, devota dos deuses. Destes surgiu nova raça.

Ainda que pareça conflitante e disparatado, a verdade é que parece que o Racionalismo Grego convivia em paz com a Religião e a Mitologia. Mas chegou um momento, particularmente depois de criados e entendidos e praticados conceitos de Cidadania e Política, os Gregos não tardaram a descobrir que não somente a Sociedade era e tinha que ser regida por Leis e Normas, mas o próprio pensamento era presidido por leis próprias.

O conhecimento da verdade objetiva é uma capacidade comum e intuitiva a todos os Homens, mas foram os Gregos que pela primeira vez colocaram de maneira super-sistemática, com muita clareza e lógica, as questões relativas à verdade. Até então tudo se resumia a atos de Fé — pois a "tirania" do pensamento religioso e mítico sobre os homens era total. A afirmação de que o Mundo e os Homens foram criados pelos deuses era aceita sem a menor contestação, por toda parte. Mas os Gregos colocaram em dúvida essa afirmação.

Essa também é uma informação importante para o nosso estudo, pois lembram-se da frase citada logo no início deste estudo? Que uma das maneiras mais belas do Diabo agir é convencer a todos da sua não existência?

Colocando em dúvida os preceitos da Fé, os Gregos deram origem a um tratamento dos segredos da Natureza confiando exclusivamente na Razão! E a coisa também não é por aí, não pode ser assim extremista. Mas libertando o pensamento das superstições, eles abriram caminho que conduziria a Humanidade à descoberta da Ciência — um produto caracteristicamente Ocidental.

Mas... e como fica o conhecimento dos antigos Egípcios, dos Celtas? Conhecimentos profundos que nem a mais moderna Ciência entende ou explica.

Nesse sentido, os Gregos deram asas ao Racionalismo e Razão humanas puramente, e separaram o Mundo divino do Mundo humano. Isso também é ruim, e uma forma sutil de ação de Entidades. Não há mais por que se preocupar com os deuses, estejam eles de bom, ou de mau humor! "Vamos nos ocupar das nossas próprias idéias!".
ROMA: Situada na Planície do Lácio, às margens do Rio Tibre e próxima ao Litoral do Mar Tirreno, a cidade de Roma iniciou-se a partir da fusão de dois Povos: os Latinos e os Sabinos (Povos da região da futura Itália, dentre outros como os Vestinos, os Volscos, Équos, Marsos, Auruncos, Etruscos etc...).

Inicialmente era uma aldeia pequena e pobre (nossa, quem diria, hein?!). Conquistada pelos Etruscos, os vizinhos do Norte, estes acabaram prestando bom serviço, pois fizeram de Roma uma cidade de verdade. Os Romanos também eram vizinhos dos Gregos, que moravam ao Sul, e seguiam em direção à Ásia. Dos Etruscos e Gregos, os Romanos receberam muitas influências e com base nelas ergueram sua própria Civilização.

Como os Gregos, os Romanos iniciaram sua Sociedade baseada na Monarquia (753 -509 a.C.), experimentaram a República (509 - 27 a.C.) e terminaram seus dias sob o domínio de um Império Universal Despótico regido pelos Césares (27 a.C. - 476 d.C.). Esse Período do Império é costumeiramente dividido em Alto Império (27 a.C. - 235 d. C.) e Baixo Império (235 -476 d.C.).

NOTA: Antes de falarmos exatamente da Religião Romana, vamos aproveitar o ensejo desse momento e fazer um "gancho" para entender melhor a formação e estruturação do Império Romano. Isso nos será de grande valia para compreender o contexto da vida de Jesus e do Apóstolo Paulo (de quem falaremos mais tarde), e também da Igreja Católica Apostólica Romana.

Desde o tempo da Monarquia, Roma estava dividida entre patrícios e plebeus. O que distinguia a ambos era a gens — somente os Patrícios pertenciam às gentes (plural de gens). Uma gens congregava os indivíduos que descendiam, pela linhagem masculina, de um ancestral comum. Portanto, gens nada mais era do que "Família" em sentido amplo. Esse era o nome que os Romanos davam àquilo que conhecemos como Clã. E, como qualquer Clã, a gens era composta de várias famílias individuais. O nome dos Patrícios, portanto, era composto de três elementos: o prenome, o nome da gens (gentílico) e o cognome ou designação especial, uma espécie de apelido. Por exemplo: Lúcio Cornélio Sila, Caio Júlio César... ou seja, Lúcio era da gens Cornélia; Caio era da gens Júlia. Entendeu?

A menor unidade social romana, portanto, era a gens. Um certo número de gentes formava uma cúria, e dez cúrias formavam uma Tribo. O número máximo de Tribos em Roma neste período foi de 35, sendo 31 rurais. Os Chefes das gentes eram os Patres (cada gens tinha um pater — "pai"), e estes formavam o Senado.



Senado: Conselho Superior que atou como Rei na época da Monarquia, e que, durante a República, converteu-se no Órgão Dirigente Supremo. Seu equivalente, na Grécia, era a Gerúsia, em Esparta. Inicialmente composto por 100 anciãos, o Senado passou a ter 300, e depois 600 membros.

Os que não pertenciam a nenhuma gens eram plebeus, e, portanto, estavam excluídos da vida política. Sem direitos políticos, eram considerados cidadão de segunda classe. Mesmo assim, isso não era sinônimo de servidão ou de pobreza, pois Roma também tinha seu sistema de escravatura.

Os plebeus só passaram a ter alguma expressão política com a criação dos Comícios Centuriatos, assembléias militares, obra do segundo Rei Etrusco (pois Roma tinha sido conquistada por eles, lembra?). A Centúria era o nome de uma unidade de infantaria com 80 membros. Destes participavam todos os cidadãos mobilizáveis para o Exército, incluindo os Plebeus. Também tinham sido criadas várias gentes, elevando alguns plebeus a nobres, e os patrícios acabaram reagindo a essa política exercida pelo segundo Rei Etrusco.

A desigualdade entre patrícios e plebeus tinha se aprofundado muito, e o intuito do Rei não era exatamente favorecer os plebeus, mas fortalecer o Poder Monárquico: a formação de uma classe plebéia vigorosa tinha por objetivo neutralizar o poder dos patrícios, ou, pelo menos, diminuí-lo. A revolta dos patrícios deu certo porque a Civilização Etrusca já estava em declínio, e isso fez com que não conseguissem realizar intervenção pronta.

Assim iniciou-se a República Romana. Algumas modificações de poder foram feitas, mas o Senado e os Comícios das Tribos (Curiato) e Centuriato permaneceram como estavam. Mas o poder antes exercido pelo Rei Etrusco foi dividido entre dois Cônsules (que se tornou a Magistratura), os quais ficavam apenas um ano no cargo. Desse modo, os patrícios eliminavam o risco de um retorno à Monarquia.

Os plebeus tinham acesso somente aos Comícios Centuriatos, uma participação ínfima na vida política Romana. Por isso, nos 200 anos seguintes eles lutaram insistentemente pela ampliação de seus direitos. Embora houvesse plebeus ricos, seu problema era ser uma disse muito dividida. Mas depois de 200 anos conseguiram um Órgão Político que defendesse seus interesses, o Tribunato da Plebe, depois que os plebeus ameaçaram criar, em 494 a.C, uma sociedade plebéia separada dos patrícios, nas vizinhanças de Roma. Os tribunos da Plebe eram invioláveis, primeiro em número de dois, e depois dez. Em 450 a.C, depois de uma revolta plebéia, foi publicada pela primeira vez um Código de Leis válido para patrícios e plebeus (Leis das Doze Tábuas).

Em 366 a.C, foi dado acesso ao Consulado aos plebeus, através de duas leis, ambas Tribunos da Plebe. Foram criadas mais duas Magistraturas (funções políticas), a dos Censores e a dos Pretores, reservadas apenas aos Patrícios, mas os plebeus continuavam sempre exigindo sua participação em todas as Magistraturas. Não sei como conseguiram, mas em 326 a.C. já tinham conseguido uma medida importante que aboliu a escravidão por dívidas, que pesava sobre plebeus empobrecidos. Sobre a participação em todas as Magistraturas, sua luta teve êxito em 300 a.C, e lhes foi concedido o que queriam. Enfim, assim passou a funcionar a República Romana:


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