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• FUNÇÕES POLÍTICAS EM ROMA





Cargo

n.°

Função

Cônsules

2

Magistrados Supremos. Presidiam cultos Religiosos e comandavam o Exército

Pretores

2

Funções Jurídicas

Edis

2

Abastecimento, policiamento; organizavam festas e jogos da cidade

Questores

8

Responsáveis pelas finanças

Censores

2

Recenseamento dos cidadãos e sua fortuna; elaboravam a lista dos Senadores

Tribunos da Plebe

10

No início, só Plebeus; invioláveis, podiam vetar Leis

Ditador


1

Em períodos excepcionais e graves o Senado tinha poder para indicar um dos Cônsules como Ditador. Este adquiria poderes extraordinário, por tempo limitado

A expansão no Tempo da República: primeiro as guerras eram defensivas, para se defender daqueles que queriam suas terras; depois, tornaram-se gradualmente Guerras de conquista. Até que, em 272 a.C, depois de 200 anos de luta, toda a Península Itálica tornou-se de dominação Romana. Grandes estradas foram construídas entre 312 a.C. e 283 a.C: Via Salária, Via Ápia, Via Valéria, Via Clódia, 2a Via Ápia, Via Cecília.

Com isso, Roma tornou-se uma respeitável potência, mas passou a fazer fronteira com Cartago, no Norte da África, outra considerável potência. Três Guerras (Púnicas) contra eles, ao longo de cerca de 120 anos, (264 — 146 a.C), possibilitaram a Roma maior aumento de seu território (Ilhas das Sardenha, Córsega e Sicília, além de Espanha e Norte da África).

Depois disso, Roma não parou mais de expandir. Voltou-se então para o Leste e o Oriente Helenístico (antigo domínio de Alexandre, o Grande). As terras da Gália (França) e parte da Espanha eram muito cobiçadas e foram simplesmente anexadas ao território Romano. Apesar de "públicas", foram vendidas ou arrendadas aos patrícios, que chegaram a ter enormes latifúndios.

Na Grécia, as maiores extensões de terra iam de 12 a 24 hectares; mas em Roma, os latifúndios eram geralmente de 120 hectares. Chegaram a atingir 1200, e até mesmo 80.000 hectares! Mas a maioria não era de terra contínua, mas dispersa, situada em regiões diferentes. Foi justamente a privatização das terras públicas que impulsionou o processo de concentração delas nas mãos dos patrícios. Mas não apenas a conquista das terras do Ocidente enriqueceu Roma, também a conquista do Oriente e a imposição da Administração Romana fizeram com que uma torrente de dinheiro e riquezas chegasse às mãos dos patrícios e do Estado. A ponto deste se dar ao luxo de nem sequer cobrar impostos fundiários e o Tributum do Povo em tempo de guerra!

Contudo, a transformação crucial do período da República Romana foi a constituição do Escravismo, de uma maneira que nunca tinha sido vista na Antigüidade. Trazidos do Oriente e do Ocidente, tornaram-se mão-de-obra tanto na agricultura quanto no artesanato, mas a grande originalidade de Roma foi a combinação inédita de latifúndio e escravidão.

Para você ter uma idéia, mesmo em comparação com o escravismo Grego, o Romano foi muito mais profundo, atingindo um número surpreendente de pessoas. Em 225 a.C, para cada 4.4 milhões de homens livres, havia 60.000 escravos; já no final da República, em 43 a.C., para cada 4.5 milhões de homens livres, havia 3 milhões de escravos!!!

Para os Plebeus, o expansionismo de Roma foi funesto: quanto mais a República crescia, mais os plebeus se arruinavam. Eles foram prejudicados de vários modos. Primeiro, porque estavam sendo sempre convocados para a guerra, os pequenos e médios proprietários, o que provocou sua ruína. Os que retornavam, não tinham qualquer pagamento pelos serviços prestados ao Estado, o que dificultava muito seu recomeço no trabalho. A eles se devia o êxito no exterior... mas e daí??

Também com a importação maciça de trigo das províncias Siciliana, Sardenha e do Norte da África, e o preço despencou em Roma. Sem ter como se sustentar, em geral acabavam perdendo suas terras para credores patrícios. Quanto a estes, simplesmente mudaram o tipo de cultura produzida em suas terras; abandonaram o cultivo de cereais e se especializaram na vinha e na oliveira, além de árvores frutíferas.

Tal reconversão não estava ao alcance dos pequenos e médios proprietários, em virtude do tempo de maturação até a próxima colheita; era necessário possuir outro tipo de recurso para esperar a colheita, coisa que eles não tinham. Que fazer?! Com os Latifúndios saturados pelos escravos e o artesanato também dominado em 90% também por eles, o campo de trabalho para plebeus se reduziu drasticamente, o que os obrigou a migrar do campo para as cidades, apenas para engrossar a fileira da Plebe Urbana, sem propriedade e sem trabalho.

Ociosa, tinha como único meio de subsistência colocar-se sob a proteção de grandes e ricas famílias, transformando-se em sua "clientela". Iam todos os dias receber mantimentos e algum dinheiro, e depois aguardavam a distribuição do trigo feita pelo Estado, a baixo preço. Para manter esta Plebe sobre controle, o Estado oferecia, além do trigo, os espetáculos circenses. Submetidos a essa política do Panem et Circenses (Pão e Circo), a Plebe Urbana, desmoralizada e desocupada, perdeu toda a vontade de retornar ao campo e passou a ser um dócil instrumento na mão de nobres ambiciosos.

Para os patrícios, eram uma situação muito mais cômoda e menos onerosa do que distribuir terras. Mesmo porque, temia-se que, assim, voltassem à antiga participação cívica, algo nem um pouco interessante e que sempre foi feito de tudo para evitar!

Enquanto tudo isso acontecia, as camadas superiores da Sociedade também se transformavam: no início da República, o estrato superior era formado pela Nobreza Gentílica (apenas os membros das Gentes). No final da República existiam 47 destas Famílias tradicionais. Mas no decorrer do tempo, a Nobreza tinha aumentado; haviam surgido novas famílias de Nobres {Nobilitas).

Isso se deve ao fato de algumas famílias de Plebeus terem pertencido ao Senado. Claro que eram famílias plebéias bastante ricas. Com o tempo, a tradicional Nobreza gentílica fundiu-se com a nova, dando origem à Nobreza Senatorial. Na prática, os cargos altos da Magistratura foram fechados pela Nobreza senatorial, ficando restritos ao seu grupo. Eles se apropriavam dos altos cargos militares e dos governos das Províncias. A sombra destes.

Fez fortuna também uma mínima quantidade de famílias plebéias ligadas ao mundo dos Negócios (Comércio Marítimo, fornecedores do exército, chefes de organizações bancárias). Esse pequeno grupo de empreendedores tinha por base a riqueza mobiliária (dinheiro e mercadorias, portanto riqueza móvel, em contraste com a riqueza imóvel da Nobrez - latifúndios). Sua importância econômica era enorme e, pela fortuna de que dispunham, estavam bem acima da massa plebéia empobrecida. Os membros dessa nova camada receberam o nome de Cavaleiros.

A eles os Censores contratavam para construir obras públicas e, nas Províncias, o Estado passou-lhes a responsabilidade de cobrar impostos. Estes chamavam-se Publicanos. A Nobreza Senatorial não cedeu um palmo de suas propriedades em favor dos plebeus, e nada fizeram que pudesse afetar, por pequeno que fosse, seu poder.

Enquanto isso, o Exército incorporava cerca de 10% ou mais dos camponeses adultos, uma porcentagem bem elevada e que tornava o Exército Romano muito poderoso. Isso só foi permitido devido às conquistas em seqüência que garantia um número crescente de escravos para substituir a mão-de-obra camponesa.

A luta por Reformas (das mais urgentes!) partiu de dois irmãos da mais alta hierarquia da Nobreza Romana, os irmãos Graco, Tibério e Caio Graco. A iniciativa partiu de Tibério, eleito Tribuno da Plebe em 133 a.C Conhecedor da Filosofia Grega e admirador de Péricles, queria recriar a classe dos pequenos proprietários, e apresentou uma Lei Agrária.

O projeto era bastante moderado e simples, propunha a encampação das terras do Estado indevidamente ocupadas pelos grandes proprietários e usadas para a criação de gado. O projeto previa uma espécie de indenização aos grandes proprietários em terra, em lotes suplementares. Apesar de moderado, o projeto da Lei Agrária foi violentamente rechaçado pela Nobreza. Elegeram Octavius como Tribuno, com a explícita intenção de rechaçar o projeto.

A manobra dos Nobres era perfeitamente legal. Tibério então convenceu a plebe a votar a deposição de Octavius e aprovar seu projeto, o que era, obviamente, ilegal! Mas como eram maioria...

Uma vez aprovada a lei agrária, Tibério, Caio e um cunhado dele nomearam-se Comissão para executar o que a nova Lei determinava. O Senado recusou-se a autorizar os gastos. Tibério voltou a desafiar os poderosos, promovendo uma Assembléia Tribal que votou um projeto pelo qual as despesas seriam cobertas pelo tesouro do Rei Átalo III, de Pérgamo.

Por último, continuou a quebrar tradições tramando sua reeleição no ano seguinte. Naturalmente, Roma sempre foi Roma. E logo Tibério foi morto por um grupo de Senadores decididos a impedir sua reeleição. O projeto de Tibério era realmente impraticável numa Sociedade já totalmente de feições escravistas, em que a plebe urbana não tinha interesse de voltar ao campo.

Não obstante, 10 anos depois, em 123 a.C, Caio Graco foi eleito Tribuno, com a intenção de continuar a obra de seu irmão. Por uma Lei que vinha vigente há dois anos, dava-se ao Tribuno direito de reeleição, e isso possibilitou a Caio aplicar a Lei Agrária, conseguindo distribuir alguns lotes. O dinheiro veio de uma inovação no comércio de trigo. Ele subia de preço no inverno, mas Caio o armazenava em silos, garantindo preço baixo o ano todo.

Para garantir a apuração de irregularidades, possibilitou aos Cavaleiros (ricos homens de negócios) o acesso a cargos nos Tribunais, ao lado dos Senadores e estabeleceu na Província da Ásia uma nova forma de cobrança de impostos.

Os Tributos seriam cobrados por cinco anos por aquele que conseguisse arrecadar mais e comprasse esse direito pelo lance mais alto. Os concorrentes nesta disputa eram os Publicanos, que formavam uma verdadeira Sociedade em Roma, com administração e cargos próprios. A ganância levou a impostos extorsivos, cujo excedente ia para o bolso dos cobradores.

Reeleito Caio, propôs novas medidas polêmicas e até "sacrílegas". Enquanto a Nobreza temia perder o controle sobre as Eleições, os próprios beneficiários viam tudo isso com certa desconfiança. Bondade demais... todo mundo desconfia!

Intrigas políticas impediram a reeleição e no ano de 121 a.C. toda a legislação criada por ele foi anulada por novo Tribuno. Em seguida, estourou uma desordem social e o Senado usou a desculpa para dar aos Cônsules o poder de tomar as medidas necessárias. Caio Graco fugiu e organizou suas forças, mas terminou morto por um escravo. Era ainda o ano de 121 a.C. Os irmãos Graco foram a derradeira chance de encaminhar Roma para uma democracia; as bases sociais para o êxito das reformas — aquelas forças sociais que, na Grécia, se opuseram eficazmente ao egoísmo aristocrático — estavam totalmente corroídas. O fracasso dos Graco, formados na cultura Grega e inspirando-se em seu exemplo político, selaram o destino de Roma.

O Exército substituiu o Senado como núcleo de Poder, e o exercício deste poder passou dos Senadores para um Ditador (nessa os patrícios dançaram, dada à sua eterna ambição e egoísmo, de repente não havia mais lugar para eles); o Ditador, mais tarde, tornou-se um Imperador. A República foi substituída pelo Império.

Com o tempo, tinha sido imprescindível passar a remunerar o Exército, que gradualmente converteu-se em Exército Profissional. Foi o General Mário, eleito Cônsul seis vezes seguidas, e depois ainda mais uma vez, o autor desta mudança já na República. Ela levou os soldados a colocarem seus interesses acima dos interesses do Estado e a prestar mais apoio a um chefe militar que os beneficiasse do que ao governo constituído da República.

Esses Generais Romanos estavam buscando exatamente esse tipo de poder: algo acima do Estado, e a Lei Romana previa a Ditadura em certas circunstâncias especiais. Depois de Mário, que instituiu uma "Ditadura informal" e tornou-se o "Homem forte de Roma", Sila e César adotaram formalmente o título de Ditador. Mesmo assim, com as bases corroídas, nem mesmo o poderosíssimo César ousou abolir oficialmente a República, embora ela funcionasse cada vez menos.

Pouco antes de ele assumir o poder, houve um curto período de vigoramento do Triunvirato (Governo de três, feito por Pompeu, Crasso e César). Tendo vencido os outros dois, César assumiu o poder sozinho em 48 a.C. O espírito republicano, contudo, continuava a existir. E a isso se deve o assassinato de César, em 44 a.C, depois de uma conspiração liderada por Brutus, filho adotivo e Cássio.

Surgiu, apesar de tudo, o segundo triunvirato, sinal que a República não ia mesmo levar a melhor. Brutus e Cássio fugiram e assumiram homens ligados a César. O General Lépido, o mais inexpressivo, logo caiu fora perdendo seu poder para Otaviano, em 36 a.C, filho adotivo de César e herdeiro legítimo de Roma. Seu oponente era Marco Antônio, que governava o Oriente a partir do Egito e se preparava para enfrentá-lo, caso isso se fizesse necessário. A ocasião chegou em 31 a.C. e terminou com a vitória de Otávio. Marco Antônio foi amante de Cleópatra (que também já seduzira Júlio César) e comandava a frota egípcio-romana na Batalha de Ácio, quando foi derrotado. Impossibilitada de deixar a soberania do Egito a seus filhos, todos nós conhecemos o final desta história: suicidou-se.

O Egito tornou-se, então, mais uma Província do vasto Império Romano. Otávio, cumulado de honrarias, a última delas como fundador do Império. Em 27 a.C, deu um golpe de mestre: numa sessão do Senado declarou restaurada a República; então o Senado não apenas reafirmou seus poderes como concedeu-lhe novos títulos: "Princeps" = Primeiro Cidadão Romano; e conferiu-lhe o título "Augusto", dado apenas aos deuses. Otávio, agora conhecido como Augusto, saiu fortalecido do episódio. Em suma... era o Imperador!

O Império dividiu-se em duas fases: o Principado (27 a.C. - 235 d.C), e o Dominato (235 - 476), que se separam entre si por um período de anarquia militar (235 - 284).

Começando com Augusto, que tinha nas mãos o poder civil, militar e religioso, o poder social foi vinculado à renda do indivíduo, a competência do Senado e Magistraturas restringiu-se apenas a assuntos civis relativos a Roma e à Itália.

O Exército profissional foi reorganizado e Augusto tornou-o permanente, não ligado somente a tempo de guerra. A obra de restauração do Império e o fim da anarquia militar estão ligados a dois Imperadores grandes do período: Diocleciano e Constantino.

Ainda na fase final da anarquia, o Imperador começou a deixar de ser apenas o princeps, e passou a ser Dominus et deus ("senhor e deus"). Coube a Diocleciano e Constantino dar a forma final ao Dominato; um dos traços característicos do novo regime foi a introdução do direito divino dos Imperadores.

Ao mesmo tempo, o poder do Senado declinou até transformar-se numa Instituição meramente decorativa. Outro importante acontecimento do período de anarquia militar foi a quebra do Império em dois. A parte Ocidental (Roma) e a Oriental (Nicomédia) eram governadas por dois Imperadores, cada qual com seu vice, portanto, uma "Tetrarquia". Constantino reunificou o Império depois (306 - 337), e fundou a cidade de Constantinopla. Mas Teodósio o dividiu novamente (379 - 395), desta vez de forma definitiva.

Já a Religião Romana no período da República (509 - 27 a.C.) e do Primeiro Império (27 a.C. - 337 d.C.) foi um fenômeno tão diversificado que é impossível afirmar com exatidão quando e onde começou. Englobou muitas tendências diferentes, reflexo das constantes mudanças políticas e sociais que Roma sofreu nesse período. Júpiter, Minerva e Juno formavam uma Tríade muito importante até o Século V a.C; depois, sob a influência grega, foram introduzidas outras divindades.

O desenvolvimento da Religião Romana foi suplementado por um processo de adaptação ao panteão Grego: assim, o Júpiter Romano é o Zeus dos Gregos, a Entidade mais poderosa; a Afrodite Grega tornou-se Vênus para os Romanos, deusa da beleza e do amor. Atena, deusa da sabedoria, para os Romanos agora é Minerva; Pan, deus Grego dos Campos, tornou-se Fausto para os Romanos. Ártemis, deusa das Florestas, tornou-se Diana; Poseidon, deus do Mar, transformou-se em Netuno, e assim por diante.

Esse processo de "empréstimo" (Sincretismo) pode ser localizado até antes do Século V a.C, mas muito menos, cultuavam-se mais deuses locais, e uma mistura com as divindades dos Etruscos. Com a expansão progressiva, isso foi mudando, e Roma passou a ter influências fortes do Oriente; de fato, a flexibilidade foi uma característica da Religião Romana.

Os Rituais Romanos eram uma mistura de Cerimônias repetidas com constância e extrema precisão. Não era nada envolvido com piedade ou misticismo, ao contrário, o culto tinha por finalidade assegurar a boa vontade e o favor dos deuses (Pax deorum).



Para isso, um minucioso ritual de preces deveria ser dito todos os dias com toda a exatidão, do mesmo modo que os sacrifícios deviam ser realizados segundo regras específicas. O menor desvio tornava a prática sem efeito (acho que já vimos isso antes).

Como os Gregos, os Romanos não tinham uma palavra para Religião, o equivalente mais próximo, cultus deorum, significa "serviço aos deuses". Esse serviço tinha duas facetas principais: o culto doméstico e o Culto Oficial.

Desde seus primórdios, Roma cultuava as divindades do lar; estas deram origem a Vesta, deusa adorada pelas Sacerdotisas chamadas Vestais. Mas o culto doméstico em si era dever dos paterfamílias. Os antepassados também eram cultuados, bem como outros deuses dos Lares (por exemplo, os Penates — espíritos guardiões da dispensa doméstica!.... eles eram venerados com Vesta, deusa do fogo sagrado - privado e público - seja lá o que isso signifique!

O Culto Oficial era regulamentado pelo Estado, sendo o Senado o guardião da tradição religiosa da cidade. Então, os patrícios que dominavam o Senado tinham o controle político e religioso de Roma.

A Religião Romana era associada de perto à vida pública, na medida em que se sobrepunha e se mesclava com a Política. O Senado (ou Conselho) fazia ligação entre o humano e o divino, resolvendo problemas religiosos e determinando o significado de eventos estranhos.

As reuniões da Assembléia eram sempre precedidas de algum ritual religioso, a fim de saber se os deuses aprovavam sua realização. Como você pode notar, a Religião Romana não tinha nada de muito especial, era rudimentar, até. Mesmo nesse contexto, os deuses romanos não eram vistos apenas como espectadores, mas como participantes prol lindamente envolvidos com a sorte de Roma.

Com o passar do tempo, estabeleceu-se toda uma série de Cultos Públicos localizados em centenas de Santuários e Templos da cidade e dos seus arredores. Os Sacerdotes, que ofereciam conselhos e realizavam rituais e sacrifícios, formavam um subgrupo da Elite Política, e embora não constituíssem uma classe profissional, eram membros de uma aristocracia governante, ocupavam magistraturas e comandavam Exércitos, como já explicamos.

Os mais importantes destes Sacerdotes eram os Pontífices, que supervisionavam as Festas Estatais; os Augures, relacionados com a Adivinhação; os Decemviri sacris Faciundis, que se ocupavam dos livros sagrados e dos cultos estrangeiros. Outros tipos de Sacerdotes eram os Flamines, os Fetiales, os Salii, o Rex sacrorum e as Virgens Vestais. Todos estavam subordinados à autoridade do Pontifex Maximus, Chefe da Religião Estatal.

O Misticismo e a crença na vida pós-morte vieram importados do Oriente, além do desejo de paz e fraternidade em vida (mas acho que isso estava meio restrito às classes dominantes, não? A julgar pelo desenrolar das coisas...). Dos habitantes da Ásia Menor, importaram a deusa-mãe Cibele e seu amante Atis, que, com o Dom da morte e ressurreição, despertou nos Romanos semelhantes aos que tinham os Egípcios por Osíris.

Muito esperto, e com grande visão política, Júlio César (100-44 a.C.) e Augusto (27a.C. -14 d.C.), este último quando o Império Romano atingia já quase sua máxima extensão, foram os primeiros Imperadores Romanos a alegar que os Governantes de Roma podiam comunicar-se com os deuses diretamente, dos quais chegavam até mesmo a ser parentes. As Sibilas colaboravam nisso, eram profetisas que entravam em estado de transe e transmitiam as ordens ou os desejos dos deuses para os mortais. Tudo isso me parece muito conveniente para os Imperadores!

O primeiro Imperador Romano Augusto usou a Religião eficazmente para fortalecer seu novo regime, justamente depois daquele período turbulento de sublevação política e guerra civil. A fundação de um Templo para Apolo no Monte Palatino, em Roma, foi muito oportuna porque Apolo era o deus da Harmonia e da Civilização, ambas apropriadas para a nova era que se iniciava. Mas a jogada era política, apenas; a partir do Templo de Augusto, muitos rituais religiosos passaram a enfocar os próprios Imperadores.

Na época do Império propriamente dito, o Imperador chegou a ser declarado deus. Veja só como a coisa vai indo... mas, digo novamente, era pura politicagem. Contudo, essa também foi uma maneira de desviar a atenção dos Romanos da Verdade. Na época do Império Romano, todas as moedas traziam a imagem da cabeça e o nome do Imperador, e o reverso delas exibia símbolos ilustrativos de Poder e realizações Imperiais.

Nos séculos I e II d.C., Roma dominou um vasto território, espalhando-se da Bretanha ao Norte da África, e da Espanha à Ásia Menor. Embora a veneração ao Imperador encorajasse algum grau de unidade religiosa, continuava existindo enorme diversidade de práticas locais (o próprio Cristianismo nascente e o Judaísmo faziam parte delas). Houve novamente um certo amálgama com as práticas reinantes.

Fora os Cultos domésticos e Oficiais, também havia cultos de mistério, com ritos e iniciações secretas, como o culto a Baco (equivalente ao Dionísio Grego), que atraía veneração orgiástica. Outros cultos incluíam os de Ísis e Osíris, de origem Egípcia, e de Mitra, divindade Celta. Esses cultos coexistiam com a Religião Estatal de veneração aos Césares, e ainda quando o Cristianismo começou a se difundir no Império, no início do Século I.

Sofreram perseguições periódicas, não porque os Romanos não fossem religiosamente flexíveis, pois o eram, mas provavelmente porque os Cristãos se recusavam a venerar outro deus além do seu próprio. Essa recusa ameaçava a Pax deorum e talvez não tenha sido por acaso que as perseguições estivessem associadas com algumas catástrofes cuja culpa poderia ser imputada aos Cristãos, como no caso do grande incêndio em Roma, no Reinado de Nero (64 AC).

Mesmo assim, no IV Século, como sabemos, o Cristianismo tornou-se a Religião Oficial do Império; ainda assim as Religiões Romanas tinham grande influência, pois ocorreu uma fusão de imagens cristãs e pagãs. Por exemplo, o Orfeu Grego sendo representado como o Bom Pastor.

Como se vê, nem Gregos nem Romanos tinham uma personificação clara e definida do Mal. Ia de acordo com a veneta dos deuses, que, embora imortais, tinham os mesmos defeitos dos seres humanos, as mesmas fraquezas, e por isso estavam sujeitos a fazer tanto o bem quanto o Mal.


Pérsia: O conhecimento que temos sobre a Religião dos antigos Persas baseia-se principalmente no Zendavesta, o Livro Sagrado daquele Povo.

Zoroastro foi o fundador de sua Religião, em 660 a.C. que substituiu o politeísmo natural da Pérsia por um Monoteísmo pragmático. Seu sistema se tornou a Religião dominante na Ásia Ocidental a partir do tempo de Ciro (550 a.C.) até a conquista da Pérsia por Alexandre, o Grande (Magno). Por esse motivo, os exilados Judeus na Babilônia, na Pérsia e em todas as regiões para onde se espalharam e formaram uma Comunidade Judaica, até mesmo no Oriente, estiveram debaixo de grande influência do Zoroastrismo.

Foi na Pérsia que surgiu, talvez, a primeira representação "verdadeira" do Diabo, em VI a.C (se levarmos em conta que as "Regiões Infernais" gregas não eram necessariamente regidas ou coordenadas por um ser maléfico em especial). O profeta Zoroastro ensinava a existência de um ser supremo, que criou dois outros seres poderosos e dividiu com eles sua própria natureza até o ponto que lhe pareceu conveniente. Desses dois, Ahura Mazda permaneceu fiel a seu criador e foi considerado a fonte de todo' Bem.

Ariman, em contrapartida, tornou-se o "príncipe das trevas", rebelando-se e tornando-se o autor de todo Mal que há na Terra. O Mal e o Bem se misturaram em todas as partes do Mundo, e os seguidores do Bem e do Mal - adeptos de Mazda e Ariman - passaram a travar incessante guerra. Chegará, porém, o tempo em que o Bem triunfará sobre o Mal, e Ariman e seus seguidores serão condenados às Trevas Eternas. Parece uma crença bastante interessante para ser tão antiga!

Essas duas divindades expressam a polaridade existente no Universo e dentro da própria alma humana. Aqui se fala em um Mal que habita o ser humano, não sendo jogado para longe, simplesmente. Ainda que o "culpado" por espalhar o Mal seja Ariman, seus seguidores são capazes de fazer o mal tanto quanto ele o faz.

Os Ritos Persas de certa forma eram simples, pois não exigiam a estrutura de um Templo, no entanto... que progresso cultuar ao ar livre, nos cumes dos montes e das Montanhas, sem qualquer trabalho de erigir colunas e paredes majestosas! (os Celtas só fariam isso Séculos depois). Os sacrifícios persas eram oferecidos dessa maneira, e os Ritos e Celebrações sempre ao encargo dos Sacerdotes.

Estes ficaram conhecidos como "Magos", e os seus conhecimentos relacionavam-se à astrologia, astronomia, ciência (e encantamentos, podemos pressupor, pois eram Sacerdotes). Tornaram-se extremamente célebres no Mundo da época, pelo saber e erudição. Observe como Byron expressa-se sobre a Religião dos Persas:

"Não era sem razão que o persa antigo seus altares erguia nas Montanhas mais altas e, num Templo sem paredes, adorava o espírito que despreza os Templos pelos homens construídos.

Comparai, comparai, com as colunas e as moradas dos ídolos que os Gregos e os Godos levantaram. Esses altares erguidos pela própria Natureza, só pela terra e pelo ar rodeados, onde não há paredes nem abóbadas que possam

aprisionar a vossa prece". (Childe Harold - Byron)


Mesmo depois do advento do Cristianismo, ainda no Século III, a Religião de Zoroastro era predominante no Oriente. Isso foi assim até que surgiu o Islamismo e a Pérsia foi conquistada pelos Árabes no Século VII (650 d.C.) o que obrigou a maior parte dos Persas a renunciar à sua antiga fé. Os que se negaram a abandonar a fé fugiram para a Índia.

Ainda existem seguidores de Zoroastro hoje, com o nome de "Parses". Os Árabes os denominam "Guebros", ou infiéis. Mesmo assim, os Parses destacam-se por uma vida reta, esclarecida e próspera, possuindo hoje inúmeros Templos do Fogo, que adoram como divindade.

Durante o cativeiro na Babilônia os Hebreus tiveram contato com o Zoroastrismo Persa, o que, segundo alguns Historiadores, foi fundamental para a concepção do que viria a ser o Satã do Judaísmo e do Cristianismo. Um "personificador" do Mal. No Antigo Testamento, ele agiria como o "colaborador" de Jeová, o Deus Judaico-Cristão, para testar a lealdade ou castigar os seus escolhidos - como Jó, por exemplo (visão histórica, nunca se esqueça).
Mitologia Nórdica: As histórias e Religiões até agora são importantes mas, há, contudo, outro ramo de antigas superstições que não podem ser ignoradas de todo, especialmente porque pertenceram às Nações às quais está associada a nossa origem, através de antepassados ingleses que mesclaram a cultura dos Estados Unidos e, indiretamente, atingiram o Brasil. E a Cultura Nórdica. Eles também têm sua visão de Criação do Mundo, como já notamos ser um traço característico de quase todos os Povos e Sociedades.

O que há de interessante para se notar é que eles também admitem a criação de um deus, e dele mesmo, a sua esposa, da raça dos gigantes, de quem nasceram três irmãos. Esses três irmãos criaram a terra com o corpo, sangue, ossos, cabelos, crânio, cérebro e a testa do gigante Ymir, gigante do Gelo que existia antes deles. Maneira estranha de criar a terra, mas percebe-se que toda a mitologia Nórdica é bem pouco poética neste aspecto, apelando bastante para atos de violência e crueldade. Os deuses notaram que faltava algo na criação, e fizeram o homem e a mulher.

Eles também aceitavam a existência de três regiões no Universo. Asgard, a Morada dos deuses; Jotunheim, morada dos Gigantes; Niffleheim, região das trevas e do frio, alimentada pela fonte da escuridão. Deuses como Odin e Thor são dois dos mais famosos entre os Nórdicos, bem como as Valquírias, virgens guerreiras cujo nome quer dizer "aquelas que escolhem os mortos".

Havia, contudo, uma divindade cuja personificação já é mais próxima daquilo que desejamos demonstrar. Loki. Era este o caluniador dos deuses e articulador de todas as fraudes e atos condenáveis. Belo e bem feito de corpo, porém dotado de temperamento caprichoso e maus instintos. Tinha três filhos: o lobo Fenris, a serpente Nidgard e Hela (a Morte).

Os deuses não ignoravam que esses monstros acabariam por crescer e causar muito mal aos homens e deuses bons. Odin - principal divindade, responsável por parte da criação e de grande poder - mandou chamá-los e lançou a Serpente Nidgard no profundo oceano pelo qual a Terra é cercada. O monstro, porém, crescera a tal ponto que, enfiando a cauda na boca, rodeou toda a Terra. Hela, a Morte, foi atirada por Odin ao Niffleheim e recebeu o poder de dominar nove Mundos ou regiões, nos quais distribui aqueles que lhes são enviados, isto é, os que morrem em conseqüência de velhice ou doença. A fisionomia de Hela era pavorosa, e seu corpo, metade cor de carne e metade azul (provavelmente cianótico) não era a coisa mais linda do mundo. Já o lobo Fenris deu muito trabalho antes que conseguissem acorrentá-lo.

Entretanto, o próprio Loki jamais cessou de fazer o Mal entre os homens e os deuses. Não escapou do merecido castigo, pois chegou o momento em que os deuses se indignaram contra ele e o acorrentaram, suspendendo sobre sua cabeça uma serpente cujo veneno cai constantemente sobre seu rosto, gota a gota. Ele se contorce de horror, com tal violência, que a Terra inteira treme, produzindo o que os homens chamam de terremoto.

Além de Loki e seus filhos, havia os Elfos, bons e maus. Seu país era Alffheim, e embora fossem inferiores aos deuses, ainda assim eram dotados de grande poder. A linguagem dos maus era o eco das solidões, e suas moradas as cavernas e covas subterrâneas. Supunha-se que eles tinham surgido como larvas, produzidas pela carne em decomposição do cadáver de Ymir, e receberam depois, dos deuses, uma forma humana e grande inteligência.

Distinguiam-se particularmente pelo conhecimento dos poderes misteriosos da Natureza e pelos caracteres que grafavam e explicavam.

O crepúsculo dos deuses era esperado também, e vemos na narrativa alguns elementos interessantes: os nórdicos acreditavam que chegaria um tempo em que seriam destruídos, com toda a criação visível, os deuses das três regiões. Mas o pavoroso dia da destruição não viria sem aviso.

Para anunciá-lo, viria primeiro um Inverno Tríplice, sem Verão para contrastá-lo; a neve cairia dos quatro cantos do céu, o congelamento seria rigoroso e o vento cortante. Haveria tempo tempestuoso e o sol não traria alegria.

Depois, três outros Invernos viriam, durante os quais a guerra e a discórdia se espalhariam peio Universo. A própria Terra ficaria amedrontada e começaria a tremer (terremotos?), o mar sairia de seu leito, o céu se abriria e os homens morreriam em grande número enquanto as águias se regozijariam sobre seus cadáveres. O Lobo e a Serpente conseguirão soltar-se e, com Loki, também liberto de suas cadeias, juntar-se-ão aos inimigos dos deuses (um verdadeiro Apocalipse, hein?!).

Os deuses avançarão, chefiados por Odin, que atacará o lobo mas cairá vítima do monstro. Este, por sua vez, é morto por um dos filhos de Odin. Thor destaca-se matando a serpente, mas cai morto sufocado pelo veneno que o monstro moribundo vomita sobre ele. Loki enfrenta um dos deuses e ambos caem mortos.

Tendo caído na Batalha tanto os deuses quanto seus inimigos, o Elfo mais importante, deus do sol, acaba morto e todo o Universo incendeia-se, consumido pelo fogo. O Sol se apaga, a terra se afunda no Oceano, as estrelas caem do céu, e deixa de haver o Tempo (que Apocalipse mesmo!).

Depois disso, Alfadur, o "todo-poderoso" fará com que surjam do mar um novo céu e uma nova terra, que contará com abundantes recursos que darão seus frutos sem que haja necessidade de trabalho para cultivá-los, ou preocupação. A maldade e a miséria não serão mais conhecidas e os deuses e os homens enfim viverão felizes.


Hebreus: os Hebreus primitivos não tinham necessidade de corporificar uma Entidade Maligna, pois isso não foi ensinado no Antigo Testamento, cuja Figura Central é Jeovah. Para eles, Jeovah era um Deus Único, e como tal, superior aos deuses das populações vizinhas, que terminavam naturalmente fazendo o papel de adversários, expressões naturais da Maldade.

Não é surpresa que, ao ser personificado, recebeu nomes como Belzebu, um deus filisteu, e Asmodeo, deus da tempestade na Mitologia Persa. Admite-se que a influência Persa forneceu material para o dualismo Judeu, a dicotomia entre Bem e Mal que até hoje define a Religiosidade Ocidental, que assimilou perfeitamente a crença em espíritos benéficos e maléficos (novamente: trata-se de uma visão puramente Histórica, fruto de Sincretismo religioso principalmente; mas sabemos que há muito mais além disso). Indo adiante, a mudança de perspectiva teológica fica mais evidente a partir do séc II a.C, com um desenvolvimento paralelo à tradição judaica ortodoxa e erudita: uma literatura apocalíptica sobre o Demônio.

No Livro dos Jubileus (Apócrifo - sem autenticidade comprovada), escrito entre 135 e 105 a.C., são mencionados espíritos malignos acorrentados no "lugar da condenação".

No Testamento dos Doze Patriarcas (também Apócrifo), escrito entre 109 e 106 a.C, pela primeira vez Satã aparece personalizado na figura de Belial.

Percebe-se que ambos são mais ou menos da mesma época. Ainda que não seja o cerne do AT, as crenças populares Judaicas sobre o Diabo eram conhecidas e reconhecidas no tempo de Jesus, e isso teria sido herdado, em muitos aspectos, de uma cultura "descendente" e "sincretizada" com a cultura Mesopotâmica. Que por si só, ela mesma, já era uma enorme fusão de crenças, mitos e Religiões (novamente: postura desprovida de fé). Se assim não fosse - se os Judeus do tempo de Jesus não tivessem uma idéia clara da personificação do Mal -, talvez deixassem de acusá-Lo tão veementemente de "ter parte com Belzebu".

O fato de usarem o nome filisteu não diminuía a crença real na malignidade e personificação do Mal; eles apenas não sabiam qual era o nome que deveriam dar ao Diabo. O famoso relato de Jó, conhecido dos Judeus e fazendo parte do AT usa a palavra Satanás (qual seria a original???), além de citar a queda do "anjo de luz" dos Céus no texto de Ezequiel (foi usada a palavra Lucifer?). Mas com o tempo, e sem nenhuma associação com o Cristianismo, os Rabinos perderam o interesse no Diabo, tornando-o figura de pouca ou nenhuma serventia.



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