DIÁlogo: uma questão primordial da didática resumo



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DIÁLOGO: UMA QUESTÃO PRIMORDIAL DA DIDÁTICA
RESUMO

Este trabalho versa a cerca da questão dialógica e tem por objetivo discutir e levantar algumas considerações e reflexões sobre o diálogo desenvolvido em sala de aula isto é, na relação pedagógica entre professor e aluno, na tentativa de explicar e refletir sobre sua importância para o âmbito escolar. Parte-se do pressuposto de que o diálogo é algo presente em nosso cotidiano, onde nos diversos dicionários da língua portuguesa tem o significado de conversão, no entanto vale ressaltar que não nos restringiremos a essa definição exclusivamente, pois apresentaremos uma nova visão de diálogo que transcende em nossa concepção, à fala entre duas ou mais pessoas. Discutiremos a perspectiva dialógica com base em duas tendências pedagógicas, explicitando suas concepções e principais ideias, trazendo, portanto à tona a importância do diálogo para a sala de aula e para a prática pedagógica de qualquer professor. Deixaremos claro que o diálogo se faz necessário tanto para o discente quanto para o docente, sendo, portanto uma questão primordial da didática, que neste sentido não é apenas um conjunto de predições.


Palavras - Chave: Diálogo; Didática; e Prática Pedagógica.
INTRODUÇÃO

De acordo com os dicionários em geral da língua portuguesa, diálogo é a fala entre duas ou mais pessoas, uma conversação, um colóquio. Seguindo este sentido inferimos que o mesmo é uma constante em nosso cotidiano, e por isso está sempre presente em qualquer ambiente, em casa, na rua, na escola, na hora de brincar, de comprar algo no mercado enfim, ele se estabelece nos mais variados ambientes. Em suma diríamos que ele permite a troca de ideias entre os seres humanos, como já dizia Cárdias “o homem faz-se pela linguagem, edifica-se enquanto se comunica e fala”, e isso é algo que estabelecemos como significante para o desenvolvimento cognitivo de qualquer sujeito em fase escolarizável. Porém a nossa discussão, vale ressaltar, tem como ponto de partida tal conceito, mas não se restringirá a ele, pois traremos uma nova visão de diálogo que transcende em nossa concepção à fala entre duas ou mais pessoas.

O presente texto tem o objetivo de discutir e levantar algumas considerações sobre o diálogo desenvolvido em sala de aula, isto é na relação pedagógica entre professor e aluno, na tentativa de explicar e refletir sobre sua importância para o âmbito escolar, e mais especificamente para o aprendizado e a formação de um sujeito ativo, no intuito de contribuir para redimensionar certas práticas pedagógicas. O Trabalho é resultado de uma pesquisa de cunho bibliográfico, onde após analise e reflexão, foram confrontadas com um relato autobiográfico sobre professores marcantes, com a finalidade de envolver teoria e prática trazendo assim exemplificações.

Em um primeiro momento discutiremos sobre práticas exercidas na pedagogia tradicional que não admitia o diálogo entre os sujeitos pedagógicos, trazendo assim algumas concepções de Alain e sua pedagogia severa. Explicitaremos ainda nesta parte alguns prejuízos causados, em nossa concepção, pela falta de um diálogo valorizado pelo professor no âmbito escolar. Na segunda parte discutiremos sobre a tendência progressista libertadora que tem como base o diálogo, em seguida traremos considerações a cerca da importância do diálogo para a formação do sujeito, relacionando tal aspecto com a questão didática, refletindo assim sobre a dimensão lingüística presente na relação pedagógica.


Uma visão Tradicional do Diálogo

A questão dialógica como algo negativo prevaleceu por muito tempo desde o início de nossa educação, com a inicial atuação do mestre-escola, e sem dúvida perdurou ao longo dos anos, apesar de várias contestações. As tendências pedagógicas propiciam o ajuntamento das práticas didático-pedagógicas, com os anseios e pretensões da sociedade no qual se tem o intuito de favorecer o conhecimento, isto é tendem a orientar as ações pedagógicas exercidas principalmente pelo professor.



A tendência na qual nos restringiremos neste início é, a liberal tradicional, que por sua vez está voltada para o capitalismo e a sua reprodução como um todo, foi tida por Paulo Freire como a educação “bancaria”, pois cabe apenas ao aluno aderir e memorizar tudo o que foi explanado pelo professor como uma espécie de depósito. De acordo com Luckesi “a aprendizagem se dá de forma mecânica e receptiva” (1994, p. 57), e acreditamos que a carência de comunicação se amplie a partir dessa dimensão, a da aprendizagem, onde o aluno não pode apresentar novas concepções de aprendizagem, comentários pertinentes que redimensione a discussão a outra esfera do conhecimento bem como experiências cotidianas relacionadas ao assunto em estudo. Observando tais traços dessa tendência, que por sua vez permeou nossa educação predominantemente por longos anos, percebemos que o aluno é um sujeito passivo, inativo, imóvel quanto à principal função da escola, produção e socialização do conhecimento.

Dessa forma percebemos o quanto as práticas da tendência liberal tradicional estão basicamente centradas no professor, em que sua relação com o discente é marcada pela indiferença, na qual “predomina a autoridade do professor que exige atitude receptiva dos alunos e impede qualquer comunicação entre eles no decorrer da aula. O professor transmite o conteúdo na forma de verdade a ser absorvida [...]” (LUCKESI, 1994, p. 57).

Assim, verificamos que na tendência liberal tradicional, não se estabelece o diálogo, nem ao menos baseado no assunto a qual está sendo discutido em sala, passando a ser visto nessa perspectiva como algo negativo e por muitas vezes uma afronta ao docente. Essa questão dialógica tão reluzente na tendência liberal tradicional prevaleceu e acreditamos que mesmo implicitamente, ainda prepondera nas concepções de diversos professores dos mais distintos níveis de educação. Para comprovar tal afirmação, iremos analisar o trecho a seguir, extraído de um relato autobiográfico:
[...] quando passei para a primeira série tive uma experiência não muito boa para minha formação, tinha como professora uma mulher impaciente, ignorante e autoritária. Ela não se esforçava para exercer um diálogo com a turma, recordo que muitas vezes meus coleguinhas faziam alguma espécie de comentário (simples, pensamento de crianças quanto ao assunto) e ela não considerava, fazia questão de dizer que estava ERRADO e que não era daquela forma, sem aproveitar nada do que a criança havia falado. (R11, 2011).
Fatos cotidianos escolares como esse, onde a professora em questão não valoriza o diálogo que os alunos tentam estabelecer com ela, é típico aos espaços escolares, quando se tem uma visão tradicional da educação. Compreendemos que o ato dialógico é por excelência complexo, e que no contexto educacional não tem apenas sentido de comunicar-se. O diálogo em sala de aula deve ser estimado pelo professor, pois como vimos no fragmento anterior o diálogo acontece de fato, ou seja, o aluno se comunica com a professora, contudo a mesma não conduz para que o pequeno comentário “errôneo” do aluno se torne um alicerce para a construção de um conhecimento correto.

Na perspectiva de Alain, que tem como marca principal uma pedagogia severa onde cabe ao professor, com indiferença, submeter às crianças em diversos desafios e problemas, isso se chamava respeito ao mestre. O que em nossa compreensão nada tem haver com respeito, pois o respeito vai além da disciplina, é algo que se estabelece reciprocamente tanto da parte do discente como também do próprio docente não tendo apenas o significado de submissão, o qual entendemos como sendo base do sentido estabelecido na concepção de Alain.

Este visão tradicional do diálogo e conseqüentemente a sua não valorização no âmbito escolar provoca diversos problemas para a formação do sujeito, ocasionando um aluno passivo, distinto do que a sociedade atual almeja isto é, um discente ativo, crítico, questionador enfim autônomo sabendo, portanto, se posicionar com relação às diversas situações do cotidiano. Vejamos outro trecho do mesmo relato autobiográfico onde verificamos tais problemas ocasionados quando se tem uma visão tradicional e com isso negativa do diálogo, não sabendo, portanto usá-lo da melhor maneira em ambiente escolar:


[...] tive alguns problemas do tipo inibição de falar durante as aulas, fazer comentários sobre o assunto até mesmo dificuldade de perguntar algumas dúvidas. Essas dificuldades seguiram até o ensino médio. [...] tive muitas dificuldades de me relacionar com ela, eu não tirava dúvidas nem mesmo em particular [...]. (R1, 2011).
Tais problemas podem ser de ordem mais agravante e permear por toda a vida do discente. A interação, e conseqüentemente a comunicação entre ambos os atores escolares, deve ser vista por eles como algo significativo e relevante para a formação dos indivíduos, cabendo assim ao professor cultivá-lo em torno de sua aula, isto é em sua prática pedagógica.
Considerações a Cerca do Diálogo: Uma Questão Didática

Como vimos o diálogo permaneceu por muito tempo como sendo um aspecto negativo para a sala de aula e a atuação do professor, no entanto foram surgindo outras perspectivas de pedagogia que vê a questão dialógica como significante para a prática escolar e o aprendizado do aluno. Portanto a partir de agora, iremos entender inicialmente que perspectiva é essa e qual seu maior expoente, procurando em seguida entender a importância do diálogo para a construção cognitiva do aluno e para a didática utilizada pelo professor.

A tendência pedagógica enfatizada acima é a progressista libertadora no qual tem em Paulo Freire seu principal expoente. Essa tendência não é utilizada por completo em ambientes escolares, e por conta disso foi caracterizada por Luckesi como uma atual “não-formal” (1994, p. 64), no entanto para a questão que estamos abordando nesse escrito é de grande relevância. Esta tendência visa à transformação social e fundamenta seus conteúdos de ensino a partir das vivências de seus discentes, onde o método principal de ensino de acordo com Luckesi (1994) é o “autêntico diálogo”, assim compreendemos que a didática da tendência em análise baseia-se na questão dialógica. Entretanto não só os métodos de ensino que se baseiam no diálogo dessa perspectiva, a relação professor-aluno também parte deste ofício eliminando-se, por conseguinte toda espécie de autoritarismo, sendo assim caracterizado como sendo uma “relação horizontal” (idem, p. 65) entre ambos os autores escolar.

Os princípios defendidos pela tendência progressista libertadora são de grande significância para o aprendizado intelectual do aluno, pois o estimula a fazer indagações, perguntas, comentários, dar opiniões, e não apenas responder questões levantadas pelo professor, fazendo então com que o conhecimento circule na esfera educativa e entre os atores educacionais. Compreendemos dessa maneira, que o diálogo valorizado pelo professor em sala de aula, faz com que não só jovens e adultos, mas também crianças desde pequenas sejam ativas em sala de aula tornando-se assim sujeitos críticos e autônomos perante a sociedade e o seu funcionamento. Vale ressaltar que mais do que uma fala entre duas ou mais pessoas, o diálogo deve ser visto pelo professor como fonte importante para a construção do conhecimento, isto é deve ser valorizado em sua prática docente, tendo em vista que “[...] a relação pedagógica diz respeito ao fato de que ela se estabelece em grande medida por meio do discurso, do diálogo ou da linguagem, nas diversas práticas que se desenvolvem na sala de aula” (CORDEIRO, 2007, p. 98). Isto quer dizer que no espaço escolar se perpetuam interações sociais e humanas, ou seja, é neste espaço que se encontram diversos sujeitos que tendem a se comunicar para enfim construir conhecimentos. E pelo fato do espaço escolar ser um ambiente de interações humanas, que se faz necessário a presença do diálogo. Acreditamos que o diálogo trás vida para a sala de aula, atuando diretamente no intelecto do aluno, pois é partir de um simples comentário feito pelo aluno que o professor ajuda-o a construir o conhecimento, tendo em vista que a educação não se resume a memorização de conteúdos. Entendemos então que o diálogo estabelecido entre o professor e aluno é ponte para a construção de saberes. Para resumir o que dito aqui vejamos mais um trecho do relato autobiográfico em análise:


[...] na escola, durante as aulas, ela procurava conversar com os alunos saber um pouco do dia-a-dia do que gostava e procurava sempre direcionar esses saberes do senso comum para os assuntos escolares, fazia bastantes perguntas e isso estimulava os alunos a deixar de lado a vergonha e os traumas e comentasse sobre o assunto estudado, bem como fizesse perguntas. (R1,2011).
A relatora afirma que a professora em questão ficará marcada em sua vida devido aos atos docentes praticados em prol de um diálogo com os alunos, isso nos permite compreender que o diálogo não apenas se firmará no sentido de transmissão de conhecimento, mas também da conversa no sentido de conhecer o sujeito e conseqüentemente suas dificuldades e facilidades para o aprendizado, isso em nossa opinião é outra importância do diálogo em sala de aula. Queremos então ressaltar que a relação entre docentes e discentes, não só pode ser firmada para a informação, mas para promover também debates sobre temas éticos, direcionando o aprendizado da cidadania e a edificação da emancipação, ajudando assim no desenvolvimento dos alunos.

Para cultivar o “autêntico diálogo” em sala de aula o professor deve trazer para o contexto escolar referências cotidianas presenciada no dia-a-dia de seus alunos, isto é cabe ao educador mobilizar o conhecimento do aluno a partir de suas necessidades e do que eles trazem consigo. Somente com fatos que presenciam no cotidiano o aluno poderá estabelecer com o professor e com os próprios alunos o diálogo, isto fará com que o conhecimento circule entre os sujeitos educacionais. Enfim, o professor deve organizar seu trabalho em torno de atividades concretas do contexto no qual seu aluno está inserido, tal qual Madalena Freire executou em sua experiência como professora em uma comunidade periférica de São Paulo, no qual relata o seguinte: “Meu desafio, na minha relação com eles, é o de partir da realidade deles, de como pensam, para ser entendido dentro do meu trabalho” (1986, p. 102), portanto deve o professor converter a experiência que o aluno trás para a finalidade da instituição escolar. Por mais que seja difícil redimensionar a organização do trabalho docente, dependendo do contexto ao qual irá ser realizado, partindo assim da realidade dos discentes isso é o mais indicado, pois com isto os alunos sem dúvida serão mais participativos, opinadores e questionadores, isto é ativo no contexto escolar, podendo assim gerar o diálogo em sala.

Para que o diálogo seja exercido pelos alunos o professor além de cultivá-lo, não pode de acordo com o nosso entendimento, desconsiderar por total o comentário de um aluno, pois entendermos que este é o ponto inicial que deve ser trabalho pelo professor para a construção do conhecimento, deve-se assim explorar o comentário do aluno levando-o a refletir sobre o mesmo. Isto está de acordo, com a prática de uma professora, descrita no trecho a seguir do relato autobiográfico em questão:
Mesmo quando à resposta estava errada, ela com toda calma e paciência explicava o porquê de estar errado, não desconsiderando a participação do aluno. [...] Ela não tinha o erro como uma distorção e sim como um fato que faz com que a criança cresça. (R1, 2011).
Ou seja, o professor não deve simplesmente dizer apenas se está correto ou não, deve explicar de forma cautelosa e dialógica porque está errado, isto é conversando sobre o erro com a própria criança, jovem ou adulto no intuito de fazer com que ela reflita e construa um novo entendimento. O diálogo nesta situação é um grande aliado do professor, e só poderá contribuir para o aprendizado do aluno, mais uma vez repetimos, se for estimado por este.

O diálogo pode ser estabelecido desde o ensino infantil até os níveis mais elevados de educação, em matérias humanas quanto exatas, vejamos o que diz o relato sobre a organização do trabalho de uma professora de matemática do ensino médio:


Apesar do assunto não favorecer muito a subjetividade e comentários de alunos ela sempre tentava conversar com os estudantes, passando de banca em banca para saber as dúvidas, elaborava atividades em grupo de resolução de questões para facilitar o aprendizado e ainda trazia para o contexto dos números uma trajetória histórica. (R1,2011).
Comprovamos assim que também é possível em uma aula de matérias exatas construirmos um “autêntico diálogo” entre professor e aluno e entre os próprios alunos o que julgamos significante para o desenvolvimento e aprendizagem destes. Baseando seu trabalho docente no diálogo o professor consegue exercer inúmeras práticas que vai do auxiliar o aluno com a atividade até avaliá-lo, e assim temos em vista que cabe ao educador promover a partir de seu planejamento a interação dos alunos e que junto a eles participe das atividades, isto é dialogue com os estudantes, os ajudando assim a desenvolver a tarefa proposta. Neste caso o professor, “[...] teria que observar (orientando) os grupos e na, função de mediador, estimular os alunos, instigar e avaliar o andamento do trabalho” (LEAL, 2006, p. 26). Isto em nossa concepção é mais uma importância do diálogo para o âmbito escolar, ele faz, portanto da “simples” conserva um momento de aprendizado e avaliação ajudando assim não só o aluno, mas também o professor.

Acreditamos que o diálogo, levando em consideração o que foi levantado em torno do texto, é o coração do processo educacional que deve fazer parte da escola como um todo. Neste sentido a didática não pode se resumir em apenas aplicar técnicas, isto é não pode ser tida somente “como repositório e fonte dos bons métodos de transmissão dos conhecimentos” (CORDEIRO, 2007, p.96). Está visão de didática reduz muito a complexidade que se dá em sala de aula, em que não se deve apenas proceder a partir de técnicas isoladas, pois não


basta um professor bem preparado, com um bom planejamento e um bom domínio dos conteúdos e dos métodos aliado a um conjunto de alunos individualmente motivados e dotados de condições prévias consideradas satisfatórias (tais como boa nutrição), posse dos pré-requisitos cognitivos e boa disposição. (CORDEIRO, 2007, p. 97).
Afirmamos, portanto que o diálogo, a já nomeada dimensão lingüística, é a questão primordial da didática, pois a “linguagem é estruturante da relação pedagógica e tem poderosa influência na aprendizagem dos estudantes” (CORDEIRO, 2007, p. 99). Assim como outros autores e professores especialistas acreditamos que a didática é um permanente exercício de reflexão do professor, pois assim como acreditava Freinet (1976) consideramos que o professor é um pesquisador de seus alunos, em que, esta pesquisa em nossa concepção acontece por meio do diálogo no qual o professor procura compreender o contexto em que seu aluno está inserido, bem como entender o que ele pensa para enfim desenvolver atividades direcionadas as suas experiências, isto é construir uma nova didática, como novos projetos, técnicas, programas e atividades que sejam significativas para seus discentes. Enfim, deve-se pensar a didática não apenas como um conjunto de predições ou normatizações fixas e sim variáveis onde se faz necessário sempre o novo.
CONCLUSÕES

Percebemos, portanto que o espaço educacional está sem dúvida baseado em interações humanas que se firmam entre professor, conhecimento e aluno, pois levamos em consideração tal como Cordeiro que “aprender e ensinar não são possíveis sem a intervenção do outro” (2007, p. 113), no qual em nossa concepção esse outro atua basicamente através do diálogo. Assim sendo verificamos o quanto o diálogo se faz importante neste âmbito, e mais especificamente para a formação de um sujeito ativo. O diálogo com esta função não pode ser visto pelo professor apenas como uma conversação, mais como algo significativo para a sua prática docente e que deve ser estimado sem dúvida em sala de aula, cabendo ao mesmo fazer com os alunos perceba tal importância, os estimulando-os assim a fazer perguntas e não apenas respondê-las. O professorado em geral deve ter a consciência que é a partir de um comentário certo, quase certo ou errado, isto é de um diálogo estabelecido, que se construirá o conhecimento. Portanto consideramos que a questão dialógica é essencial para o desenvolvimento cognitivo do aluno.

O estudo discutido ao longo do texto é de imensa contribuição para a questão didática, pois nos faz compreender que a mesma não pode apenas se basear em prescrições muito mesmo ser tida pelo professor como aplicação de métodos e nada mais, isto é acreditamos que didática não pode só pensar a técnica. Enfim, a questão dialógica deve está na base de qualquer didática, pois não é relevante apenas aplicar quaisquer técnicas sobre o discente, é necessário conhecê-lo e novamente nas palavras de Freinet (1976), pesquisá-los para enfim criar uma didática favorável ao seu aprender. Isso nos faz entender que a didática não deve ser, portanto algo imóvel, acabado e isolado sem possibilidades de inovação, pelo contrario a didática deve estar sendo sempre reinventada e adequada aos alunos.

REFERÊNCIAS


CÁRDIAS, Cibele Macagnan. O diálogo Como Elementos Mediador de Práticas Educativas Reflexivas. Disponível em: <http://www.ufsm.br/gpforma/2senafe/PDF/022e4.pdf>. Acesso em: 28 de mai. 2011.
CHATEAU, Jean. Alain. In: Os grandes pedagogistas. São Paulo: Cia Editora Nacional, 1978.
CORDEIRO, Jaime. A relação pedagógica: A didática em ação. In: Didática. São Paulo: contexto, 2007.
FREINET, CÉLESTIN. As Técnicas Freinet da Escola Moderna. 2ª ed. Lisboa: Estampa, 1976, p. 13-48.
LESES, S; FREIRE, M. História que Começa. São Paulo, (ad. Pesq. 56), fev, 1986.
LEAL, Telma Ferraz. Intencionalidades da Avaliação em Língua Portuguesa. In: SILVA, Janssen F; HOFFMANN, Jussara & ESTEBAN, M. Teresa (Orgs.). Práticas Avaliativas e Aprendizagens Significativas em diferentes áreas do currículo. 5 ed. Porto Alegre: Mediação, 2006, p. 19-29.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo: Cortez, 1994.


1 R1 - Relato autobiográfico sobre professores marcantes.


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