Disciplina e castigo escolar: a sala de aula e a dor do processo civilizador



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DISCIPLINA E CASTIGO ESCOLAR: A SALA DE AULA E A DOR DO PROCESSO CIVILIZADOR

Maria José de Morais Pereira - Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP


... não devo sentir maior dificuldade em me rejuvenescer de tempos em tempos, por amor à juventude.

...hoje me adapto à tua idade infantil para te ensinar a civilidade pueril.”

Ao muito-nobre Henri de Bourgogne, Filho de Adolphe, príncipe de Veere



Criança, de quem muito se espera,

Salve!”

(Didier Erasmo de Roterdão)
Cresci ouvindo histórias. Melhor dizer: nasci e cresci ouvindo histórias.

Fadas, duendes, príncipes, princesas, bruxas, gigantes, monstros povoaram a minha infância.

Acredito que me fiz professora por causa dessas histórias.

As histórias sobre a escola, que eu também cresci ouvindo, foram bem diferentes dos contos de fadas.

Da escola, minha mãe contava sobre meninos “pintões”1 que ganhavam castigos.

De meninos que saíam dos engenhos de rapadura ou da capina e iam direto para a escola, sujos de garapa, melado ou terra. As unhas grandes obrigavam a professora a uma inspeção constante e davam trabalho para cortá-las, principalmente nos dias que antecediam as visitas do Inspetor escolar.

Sujos... burros... malcriados... Só mesmo com reprimendas e muitos castigos se podia segurar esses alunos na sala de aula. Minha mãe, professora primária nas décadas de 20 e 30, falava desses alunos como se fossem verdadeiros capetas, a infernizá-la na sua prática pedagógica. Mais do que ensinar o “Bê-a-bá” era necessário “amansá-los”, dizia ela. E para isso ela dispunha da “vara de marmelo” com a qual fazia cumprir as regras.

Como aluna do ensino primário, ginasial e normal presenciei e passei por inúmeras situações embaraçosas de repressões e castigos, os mais diversos. Tive, certa vez, de copiar mil vezes “Tenho que respeitar a sala de aula”. Até hoje, não sei porque fiz essas cópias!

Como professora primária, chegou a minha vez de castigar e de assistir à aplicação de muitos e diversos castigos. Esses eram incentivados pelo próprio diretor, que considerava como melhores professores, aqueles que conseguiam maior silêncio e imobilidade dos alunos na sala.

A trajetória como professora brava levou-me a diversos questionamentos sobre a disciplina escolar, o que me fez buscar, no estudo acadêmico, as respostas para os mesmos.

Em minha pesquisa de mestrado sobre “Disciplina e Castigo na Escola” pude constatar que os castigos continuaram sendo aplicados, embora de forma mais sutil.

Os castigos físicos, que até a década de 70 eram comuns e freqüentes, foram substituídos por castigos mais sutis a partir da década de 80. Assim, os puxões de cabelos e de orelhas, a posição de pé, as “reguadas”, os beliscões, foram substituídos pelas cópias, pela suspensão do recreio ou da aula de artes ou de educação física ou pelos deveres extras e, ainda, pela “cadeirinha do pensamento” (lugar onde se coloca a criança, afastada dos colegas, para pensar no “mal feito” que ela cometeu).

As professoras que constituíram o meu universo de pesquisa iniciaram o magistério na década de 60 e ainda exerciam a profissão à época das entrevistas. Elas afirmam em seus relatos que a “indisciplina dos alunos” é o maior problema da prática pedagógica e que o castigo é a única forma de conter os “atos de indisciplina”. Para elas, não se pode fazer um bom trabalho se os alunos não forem obedientes, organizados, responsáveis, se não tiverem respeito e ordem.

Os pontos de interrogação sobre a disciplina e o disciplinamento escolar se tornaram desafiantes: desmanchavam-se uns e surgiam outros.




1 – Linguagem coloquial usada em Minas Gerais para designar crianças muito indisciplinadas.

Assim, retormei a pesquisa no doutorado.

A partir do cruzamento da minha própria história, com a história de minha mãe-professora e as histórias das professoras que participaram da minha pesquisa, procuro a explicação e o entendimento do processo disciplinador da escola.

Isto levou-me ao encontro de Ariès e Elias que, por sua vez, me fizeram encontrar Erasmo de Roterdam no seu livro “A Civilidade Pueril” .

A obra “A Civilidade Pueril”, de Erasmo, fez-me encontrar as permanências do processo civilizador na atualidade. Mais conhecido por seu livro “Elogio da Loucura”, Erasmo legou-nos um tratado indispensável, a meu ver, para todos aqueles que estudam os comportamentos, a disciplina, o disciplinamento escolar, uma vez que o seu livro se transformou em “livro escolar”.

O aluno que aprendia a ler por meio de “Civilidades” e ao lê-las e copiar cuidadosamente os tipos de escrita, com caracteres bem desenhados, aprendia a obedecer determinadas regras, que são constitutivas, ainda hoje, da ordem escolar e que propiciam a submissão, a obediência e a sujeição de todos.

A leitura de Erasmo oferece ao leitor a visão dos preceitos e normas a que eram submetidas as crianças e jovens no século XVI. Nos séculos seguintes e na atualidade as injunções e proibições vão modelando, de acordo com o padrão desejado na sociedade, os indivíduos, num movimento ininterrupto.

O conceito de civilização – civilité – surgiu a partir da obra de Erasmo e o seu estudo é instigante, pois através da memória suscitada permite que o passado surja nas permanências do presente, compondo a própria história da civilidade.

Em seu livro, Erasmo trata do comportamento de pessoas em sociedade e do “decoro corporal externo”. Ele foi dedicado a um menino nobre e escrito para a educação de crianças. Através de uma linguagem clara e polida, Erasmo mostra um mundo e um estilo de vida que, em muitos aspectos, assemelha-se ao mundo atual.

Erasmo fala sobre o olhar, a postura, os gestos, as expressões faciais, o vestuário, a maneira de se sentar e de cumprimentar, como se comportar à mesa, como comer, a forma de comportamento a ter numa Igreja, a maneira de rir, de espirrar, de bocejar, de cuspir, de cruzar os braços, etc.

Em seu tratado, Erasmo delimita todos os comportamentos, as principais situações da vida social e da convivência humana.

Antes de Erasmo as questões relativas à conduta humana já preocupavam os homens.

A idade média deixou-nos grande volume de informações sobre o que era considerado comportamento socialmente aceitável. Contudo, as regras sociais na Idade Média eram transmitidas de boca em boca, oralmente.

Ariès, no prefácio de A Civilidade Pueril, alude aos manuscritos latinos, franceses, ingleses e italianos do séc. XV, que, ainda antes do uso da imprensa, descreviam em versos fáceis de fixar na memória a forma de bem se conduzir na sociedade, numa época em que se vivia sempre em conjunto, no seio de uma comunidade restrita, de limites bem precisos. Nesta época usava-se a palavra cortesia, que abrangia simultaneamente regras de boas maneiras e uma moral comum: não mentir, não se endividar, falar com honestidade e servir bem o seu senhor à mesa, na intimidade, na corte, na guerra e na caça, saber guardar segredos. Todas essas regras são anteriores à sua redação escrita e pertenciam à cultura oral.

Coube, portanto, a Erasmo compilar as boas ou más maneiras de se conduzir na vida social e, a partir de então, os livros de civilidade, escritos em papel azul, passaram a fazer parte das mercadorias dos vendedores ambulantes que os vendiam, em aldeias, a semianalfabetos, ainda ligados à oralidade. É interessante observar que, ao mesmo tempo em que as regras de civilidade eram escritas e difundidas, elas retornavam à oralidade.

Transformada em livros escolares, a Civilidade tornou-se então de novo o que nunca deixaria de ser: uma compilação de regras de comportamento, cujo respeito era indispensável à vida pacata de uma pequena comunidade.

O tratado de Erasmo surgiu numa época em que a hierarquia social medieval se transformava e prenunciava a transição para a modernidade.

E, lentamente, os tratados de civilidade foram ganhando força e importância maior, uma vez que as regras se tornavam então, indispensáveis à vida em comunidade.

A questão de um bom comportamento, uniforme, torna-se cada vez mais premente, tendo em vista a alteração da própria estrutura social, o que faz surgir pressões e controle não existentes anteriormente.

Os códigos de comportamento tornavam-se mais rigorosos e o controle social tornou-se mais imperativo.

No preâmbulo de seu livro, Erasmo afirma que “a arte de educar as crianças divide-se em diversas partes, das quais a primeira e a mais importante é que o espírito, ainda brando, receba os germes da piedade; a segunda, que ele se entregue às belas-letras e nelas mergulhe profundamente; a terceira, que ele se inicie nos deveres da vida; a quarta, que ele se habitue, desde muito cedo, às regras de civilidade.”

Erasmo diz que “a mais importante regra de civilidade é, por muito irrepreensível que se seja, desculpar com facilidade as infrações dos outros e não querer menos a um camarada que dê mostras de falta de cuidado ou de educação.”

Na conclusão de sua obra, ele diz: “se esta modesta obra te puder ser de alguma utilidade, meu tão caro filho, gostaria que a oferecesses a todas as crianças de tua idade.”

Voltando ao preâmbulo podemos observar que este pedido de Erasmo encontra respaldo na sua afirmação de que as “crianças aceitarão mais facilmente os preceitos dedicados a um jovem de elevada posição e com um grande futuro”.

Desta forma, pode-se entender que os preceitos da Civilidade Pueril alcançaram outras crianças e jovens daquela época.

É de se imaginar que ele tivesse uma visão do caráter “universal” de sua obra.

Ainda hoje, as regras de comportamento são consideradas indispensáveis para “bom andamento da sala de aula”, para “o bom aproveitamento da turma”, para “a consecução do programa de ensino”, etc, “Sem disciplina não há aprendizagem”, afirmaram as professoras que participaram da minha pesquisa. Vale dizer que sem um “código de civilidade” que uniformize os comportamentos não é possível pensar a sala de aula.

Portanto, constata-se que, através dos tempos, sob formas e entendimentos diversos, os preceitos de civilidade foram impressos não só nos livros, mas também nos corpos das crianças.

Assim, o homem foi construindo uma memória que governa a sua ação. A moralidade não se constitui em um traço natural, nem é um “legado da graça de Deus”. Ela foi adquirida por um longo processo de adestramento que terminou por fazer com que o homem se tornasse um ser previdente e previsível. Para construir a memória civilizatória foi “necessário muita dor”, uma vez que esta construção foi realizada com castigos, torturas, inscrevendo no corpo e na mente as leis que se queria imprimir. O processo de civilização foi e é caro e traz uma responsabilidade enorme para o homem.2

Há, hoje, um padrão de comportamento firmemente radicado. As crianças, desde cedo, são advertidas a terem um padrão de comportamento desejável na escola, onde a socialização é pensada e praticada como “educação” e cada atividade educativa deve ter a finalidade de formar as crianças, os seus corpos, seus conhecimentos, sua moral.

O silêncio, a obediência, a ordem, a aplicação nos estudos fazem parte do padrão de conduta escolar que se consolidou de tal maneira que é aceito como inteiramente natural.

“O silêncio é o melhor adorno das mulheres, e mais ainda das crianças”, assevera Erasmo.

Como afirma Ariès, no Prefácio do tratado de Erasmo, “durante os séculos XIX e XX, a escola assumiu pouco a pouco todas as funções da educação _ nomeadamente as que pertenciam antes de mais _ à comunidade e, depois, à família. Hoje é na escola que se aprende a andar na rua e nas estradas, a respeitar o Estado e a Pátria, a obedecer a todas as suas minuciosas prescrições policiais e fiscais _ e até mesmo a fazer amor”.


2 - Ver Elias, Norbert. O Processo Civilizador. Op. Cit.




A OBRA DE ERASMO

Erasmo compôs o tratado “De Civilitate Morum Puerilium” – A Civilidade Pueril, “já no fim da sua vida”, em 1530. A sua obra conta com 130 edições das quais 13 em datas recentes.

Em 1534 foi editada sob forma de catecismo e adotado como livro texto para a educação de meninos. O livro editado pela Editorial Estampa, de Lisboa, em 1978, apresenta os prefácios de Philipe Ariès (1977) e Alcide Bonneau (1877), que permitem dois recortes para o estudo de A Civilidade Pueril.

O primeiro relaciona o tratado de Civilidade de Erasmo à questão dos comportamentos e condutas sociais.

O segundo permite traçar uma história da “alfabetização”, através dos livros de Civilidade.

Os dois recortes são instigantes e nos permitem trazer o passado para o presente e dialogar com Erasmo.

No prefácio de Alcide Bonneau ele alude que a leitura do livro A Civilidade Pueril “traz-nos longínquas recordações da escola. Os pequenos tratados de civilidade traziam em suas primeiras páginas o alfabeto e o quadro de vogais e consoantes, sendo que os mais antigos eram escritos em letra cursiva, difíceis de decifrar.”

Bonneau fala do suplício que as crianças deviam sofrer para decifrar os símbolos com os quais eram escritos os manuais. Contudo, diz ele, “era tão grande a autoridade destes pequenos manuais que eles se perpetuavam de geração em geração, sob a sua atroz forma Gótica, sem que se ousasse alterá-los.”

Somente por volta de 1820 “e nem sequer em todas as cidades” reconheceu-se a ilegibilidade dos caracteres substituindo-os por outros, “ordinários”: “o fundo, contudo, permaneceu inalterável”.

Em 1559 foi publicado em Anvers, por Jean Bellers, um volume do livro Civilidade Pueril, impresso em caracteres cursivos, imitando com perfeição a escrita francesa. Trata-se este volume da tradução realizada por Jehan Louveau.

Neste mesmo ano, dois célebres tipógrafos de Paris, Danfrie e Breton, editaram um livro de honra civil para as crianças com um método para aprender a ler bem, a pronunciar e a escrever, que não passa, segundo Bonneau, da Civilidade Pueril e da Honrada de Mathurin Cordier. Este ao lado de J.B. de la Salle são, ainda segundo Bonneau, os dois mais importantes imitadores de Erasmo.

Com as Civilidades de Jehan Louveau e Mathurin Cordier surge o caracter tipográfico especifico a que este tipo de livro doou o nome. Jean de Tournes e Robert Granjon, célebres tipógrafos e fundidores de Lyon, criaram uma letra francesa à mão para contrapor à letra Itálica, que imitava a cursiva, criada pelos italianos.

Assim, chega-se aos caracteres de civilidade que “são elegantes, mas de uma delicadeza extrema e muito complicados, pelo que criam certas dificuldades de leitura – sobretudo devido às abreviações.”

Em 1822 apareceu uma das últimas edições em caracteres de civilidade.

A partir de 1830 os livros de Civilidade passaram a ser compostos em caracteres românicos.

Observando os exemplos de caracteres pode-se supor a dificuldade principalmente das crianças para lerem e copiarem os códigos de civilidade.

Como afirma Ariès um documento como a Civilidade de Erasmo, “permite seguir a passagem da oralidade a uma cultura “mestiça” e em seguida à escrita absoluta”.

No outro recorte para estudo de A Civilidade Pueril considera-se que o conceito de civilidade, cunhado no século XVI, deve seu significado específico adotado pela sociedade, segundo Elias (1994:68), “ao tratado de autoria de Erasmo de Rotterdam”.

É interessante observar que algumas escolas ainda valorizam a “letra bonita” e a escrita cursiva que é feita “sem tirar o lápis do papel”. Para que a criança possa adquirir uma “letra bonita” usa-se vários tipos de cópias, principalmente das letras do alfabeto e os chamados “exercícios de controle” que são desenhos imitando as letras.

A CIVILIDADE PUERIL

A obra de Erasmo está composta de VII capítulos, assim dispostos:

CAPÍTULO I: DA DECÊNCIA E DA INDECÊNCIA DA APRESENTAÇÃO

“A alma depõe-se no olhar”.

Neste capítulo Erasmo fala sobre o uso do corpo: o olhar, as sobrancelhas, a fronte, o nariz, a cor das faces, o hálito, o bocejo, o riso, o escarro, a tosse, o vômito, os dentes, os cabelos, o pescoço, os ombros, os braços, o pudor com o corpo, a urina, o modo de sentar, a saudação, o passo (andar), os pés.

CAPÍTULO II: DO VESTIR

“As roupas são, por assim dizer, o corpo do corpo e dão uma idéia das disposições do espírito”.

Neste capítulo faz-se uma descrição das roupas e de seus usos, das diferentes maneiras de vestir e da modéstia.

CAPÍTULO III: DA FORMA DE COMPORTAMENTO DENTRO DE UMA IGREJA

“Pensa que o Cristo está presente, ele e as inumeráveis legiões de Anjos”.

O autor fala da forma de entrar na Igreja, de manter a cabeça e o olhar, de ler o Evangelho, sobretudo da necessidade de demonstrar devoção.

CAPÍTULO IV: DAS REFEIÇÕES

“A boa disposição é bem-vinda à mesa, mas não a imprudência”. Com esta frase Erasmo começa este capítulo e ensina preceitos que são, com certeza, observados ainda hoje. Assim ele fala sobre: lavar as mãos; a oração antes das refeições; o assento à mesa; não colocar os cotovelos sobre a mesa, não bambolear-se na cadeira; o uso do guardanapo; onde colocar o copo, os talheres, o pão; o uso de bebidas; como servir-se e como comer; a inconveniência de lamber os dedos e limpá-los na toalha, etc.

CAPÍTULO V: DOS ENCONTROS

Neste capítulo, observam-se os ensinamentos sobre o respeito aos representantes do clero, aos pais (“a quem, a seguir a Deus, se deve a maior veneração”), aos preceptores (“por desenvolverem a inteligência dos pupilos, de certo modo também procriam”) e aos mais velhos.

Além disso, neste capítulo, Erasmo ensina a forma de comportamento que uma criança deve ter na relação com as pessoas. Podemos observar a constância de preceitos através dos tempos até os nossos dias na análise deste capitulo.

CAPÍTULO VI: DO JOGO

É importante observar neste capítulo um “costume da época”, uma vez que os jogos consistiam em lazer.

CAPÍTULO VII: DO DORMIR

O silêncio e a decência são recomendados, bem como a oração antes de dormir e ao acordar.




Referências Bibliográficas

ARIÈS, PHILIPPE. História Social da Criança e da Família. 2ª ed. Rio de Janeiro. LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S.A. 1981

ELIAS, NORBERT. O processo civilizador. Formação do Estado e Civilização. Vol. II R. Janeiro. Jorge Zahar. 1994.

ERASMO. A Civilidade Pueril. Lisboa. Editorial Estampa. 1978





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