Disciplina: Enfermagem na Saúde do Adulto e do Idoso II



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Universidade Federal Fluminense

Disciplina: Enfermagem na Saúde do Adulto e do Idoso II

Professora orientadora: Angelina Cupolillo Gentile




Acadêmicas de iniciação à docência:

Brunna Soares de Souza

Janice Pires Correia

Liliane Pinheiro de Mello

Tialla de Farias Pullig

Monitor: Fabrício Moura de Oliveira

Trata-se de um estudo sobre os principais tipos de curativos cirúrgicos, desenvolvido e confeccionado pelos acadêmicos envolvidos no projeto Acadêmico de Iniciação à Docência (Ac. I/D) da disciplina Enfermagem na Saúde do Adulto e do Idoso II (ESAI II) com a orientação da coordenadora do projeto. O projeto Ac. I/D é um movimento voluntário sem ônus para a universidade cujo objetivo segue o modelo da monitoria oportunizando experiência com o ensino. O estudo sobre curativos colabora com o processo ensino-aprendizagem dos acadêmicos do 5º período de graduação em enfermagem da Universidade Federal Fluminense que desenvolvem o ensino teórico-prático da disciplina ESAI II nas unidades cirúrgicas. Através da inserção de um link no site da disciplina www.uff.br/esai2 denominado Curativos pretende-se minimizar as principais dúvidas dos alunos para desenvolver a técnica e facilitar a construção do processo de enfermagem. O estudo é relevante, pois através do link pode-se facilitar o acesso acerca do tema, permitir o aprimoramento da sistematização da assistência de enfermagem aos pacientes no pós-operatório de acordo com suas particularidades e realizar um cuidado individualizado visando sempre à plena recuperação dos mesmos.


Niterói/2009

A PELE E AS FASES DA CICATRIZAÇÃO

A pele é o maior órgão do corpo humano, tendo como principais funções: proteção contra infecções, lesões ou traumas, raios solares e possui importante função no controle da temperatura corpórea. A pele é subdividida em derme, hipoderme e epiderme. A epiderme, histologicamente constituída das camadas basal, espinhosa, granulosa, lúcida e córnea é um importante órgão sensorial. Na derme, encontramos os vasos sanguíneos, linfáticos, folículos pilosos, glândulas sudoríparas e sebáceas, pêlos e terminações nervosas, além de células como: fibroblastos, mastócitos, monócitos, macrófagos, plasmócitos entre outros. A hipoderme é a camada mais profunda da pele, que tem função de proteção mecânica do organismo às pressões e traumatismos externos, é composta por lipócitos, colágeno e vasos sanguineos mais calibrosos. Segundo Cesaretti IUR, uma ferida é representada pela interrupção da continuidade de um tecido corpóreo, em maior ou em menor extensão, causada por qualquer tipo de trauma físico, químico, mecânico ou desencadeada por uma afecção clínica, que aciona as frentes de defesa orgânica para o contra ataque.

Após ocorrer a lesão a um tecido, imediatamente iniciam-se fenômenos dinâmicos conhecidos como cicatrização, que é uma seqüência de respostas dos mais variados tipos de células (epiteliais, inflamatórias, plaquetas e fibroblastos), que interagem para o restabelecimento da integridade dos tecidos.
Tipos de feridas e estágios
As feridas podem ser divididas em: agudas, onde o processo de cicatrização ocorre de forma ordenada e em tempo hábil, com resultado funcional e anatômico satisfatório; ou crônicas (como as úlceras venosas e de decúbito), onde o processo estaciona na fase inflamatória, o que impede sua resolução e a restauração da integridade funcional. Quanto ao mecanismo de cicatrização, as feridas podem ser classificadas em:


  • Fechamento primário ou por primeira intenção: ocorre nas feridas fechadas por aproximação de suas bordas.

  • Fechamento secundário, por segunda intenção ou espontâneo: onde a ferida é deixada propositadamente aberta, sendo a cicatrização dependente da granulação e contração da ferida para a aproximação das bordas.

  • Fechamento tardio ou por terceira intenção: feridas deixadas abertas iniciamente, geralmente por apresentarem contaminação grosseira. Após alguns dias de tratamento local, a ferida é fechada através de suturas, enxertos ou retalhos.

A cicatrização de feridas pode ser dividida em três fases:



  • Fase inflamatória ou exsudativa: é uma fase dominada por dois processos: hemostasia e resposta inflamatória aguda, com objetivo de limitar a lesão tecidual. Dura cerca de 72 horas e corresponde à ativação do sistema de coagulação sangüínea e à liberação de vários mediadores, tais como fator de ativação de plaquetas, fator de crescimento, serotonina, adrenalina e fatores do complemento entre outros. Nesta fase a ferida pode apresentar edema, vermelhidão e dor.






  • Fase proliferativa ou regenerativa: ocorre a proliferação de fibroblastos, sob a ação de citocinas, dando origem ao prosesso de fibroplasia (síntese de colágeno). A síntese de colágeno é estimulada pela TGF beta e IGF1, e inibida pelo INF gama e glicicorticóides. Simultaneamente, ocorre a proliferação de células endoteliais, com formação de rica vascularização (angiogênese) e infiltração densa de macrófagos, formando o tecido de granulação. Minutos após a lesão, tem inicio a ativação dos queratinócitos na borda da ferida, fenômeno que representa a fase de epitelização. Eles secretam laminina e colágeno tipo IV, formando a membrana basal. Pode durar de 1 a 14 dias e se caracteriza pela formação do tecido de granulação. Nesta fase o colágeno é o principal componente do tecido conjuntivo reposto, por isso a vitamina C auxilia muito nesse processo metabólico da cicatrização da ferida.





  • Fase de maturação ou reparativa: durante esta última fase da cicatrização a densidade celular e a vascularização da ferida diminuem, enquanto há maturação das fibras colágenas. Nesta fase ocorre uma remodelação do tecido cicatricial formado na fase anterior. O alinhamento das fibras é reorganizado a fim de aumentar a resistência do tecido e diminuir a espessura da cicatriz, reduzindo a deformidade. Esta fase tem início no terceiro dia e pode durar até seis meses.

A contração da ferida é um dos principais fenômenos da fase de maturação. Durante o processo, as bordas são aproximadas, reduzindo a quantidade de cicatriz desorganizada. A contração caracteriza- se pelo movimento centrípeto da pela nas bordas da ferida, impulsionada pela ação dos miofibroblastos.
Fatores que interferem na cicatrização

Infecção

Causa mais comum de atraso do processo cicatricial. Quando a contaminação bacteriana ultrapassa 100000 unidades formadoras de colônia (CFU) ou na presença de qualquer estreptococo beta hemolítico, o processo de cicatrização não ocorre, mersmo com o uso de enxertos ou retalhos. A infecção bacteriana prolonga a fase inflamatória e interfere com a epitelização, contração e deposição de colágeno. Clinicamente há sinais flogísticos, geralmente acompanhados de drenagem purulenta. Nesses casos, deve- se expor a ferida, com retirada das suturas, realizar cuidados locais e antibioticoterapia, se necessário.


Desnutrição

Níveis de albumina inferiores a 2g/dl estão relacionados a uma maior incidência de deiscências, além de atraso na cicatrização de feridas. A deficiência de vitamina C é a hipovitaminose mais comumente associada à falência da cicatrização de feridas. Nesses casos, o processo pode ser interrompido na fase de fibroplasia. Doses de 100 a 1000mg/ dia corrigem a deficiência. A cerência de vitamina A também pode prejudicar o processo de cicatrização A carência de zinco (rara, presente em queimaduras extensas, trauma grave e cirrose hepática), compromete a fase de epitelização.


Perfusão tecidual de O2

A perfusão tecidual depende basicamente de três fatores: volemia adequada, quantidade de hemoglobina e conteúdo de O2 no sangue. Assim, a anemia, desde que o paciente esteja com a volemia adequada, só interfere na cicatrização se o hematócrito estiver abaixo de 15% (VN~36).


Diabetes Mellitus e Obesidade

Pacientes portadores de DM têm todas as suas fases de cicatrização prejudicadas. Nota- se espessamento da membrana basal dos capilares, dificultando a perfusão da microcirculação. Há um aumento da degradação do colágeno, além disso, a estrutura do colágeno formado é fraca. A administração de insulina pode melhorar o processo cicatricial de diabéticos. Indivíduos obesos também apresentam a cicatrização comprometida, provavelmente pelo acúmulo de tecido adiposo necrótico e comprometimento da perfusão da ferida.


Glicocorticóides, quimioterapia e radioterapia

Os glicocorticóides e as drogas citotóxicas interferem am todas as fases da cicatrização. As drogas utilizadas em quimioterapia devem ser evitadas nos primeiros 5-7 dias de pós operatório (fase crítica da cicatrização). A radio terapia também compromete a cicatrização, pois é causa de endarterite com obliteração de pequenos vasos, isquemia e fibrose.



IMPORTÂNCIA DA TÉCNICA CORRETA

É de extrema importância que qualquer procedimento realizado no tratamento ao cliente hospitalizado, seja feito utilizando as técnicas corretas, prevenindo qualquer tipo de infecção, visando sempre um bom prognóstico para o paciente. Na realização de qualquer curativo, é importante priorizar o uso de técnica asséptica, evitando assim a proliferação de bactérias que podem agravar e prejudicar o quadro clínico do paciente. Para isso, é fundamental conhecer os conceitos de assepsia e antissepsia. A assepsia é o conjunto de medidas adotadas para impedir a introdução de agentes patogênicos no organismo (é realizada em objetos inanimados, através de desinfecção, esterilização etc.). A antissepsia consiste na utilização de produtos (bactericidas ou bacteriostáticos) sobre a pele ou mucosa, com o objetivo de reduzir os microorganismos em sua superfície.

Definimos anti-séptico como um desinfetante não-tóxico que pode ser aplicado à pele ou aos tecidos vivos e tem a capacidade de destruir compostos vegetativos, como bactérias, ou impedir seu crescimento.
Medidas assépticas no tratamento de feridas


  • Lavar sempre as mãos antes de realizar qualquer procedimento.

  • Sempre utilizar luvas estéreis ao manipular a lesão.

  • Diminuir ao mínimo de tempo possível a exposição da ferida e dos materiais esterilizados.

  • Considerar contaminado qualquer objeto que toque em locais não esterilizados.

  • Colocar somente material estéril para proteger a lesão.


PRODUTOS UTILIZADOS

Segundo Dealey, algumas loções são usadas no tratamento de feridas basicamente para limpezas. Os objetivos da limpeza da ferida são remover qualquer corpo estranho, como fragmentos ou sujidades; remover fragmentos de tecidos soltos na superfície, como tecido necrótico, e remover todos os restos do curativo anterior.


Anti-sépticos

Para Dealey, depois da solução salina, o tipo de loção mais comumente usado é o anti-séptico (desinfectante não-tóxico que pode ser aplicado à pele ou aos tecidos vivos e têm a capacidade de destruir compostos vegetativos, como bactérias e impedir seu crescimento). Porém tem que ter cuidado, pois algumas vezes o uso de agentes químicos e anti-sépticos sobre a ferida, pode gerar danos em vez de beneficio.


Clorohexidina

A clorohexidina é eficaz contra organismos gram-positivos e gram-negativos. Clorohexidina é uns dos anti-sépticos menos tóxicos, mas não devem ser usados em locais enxertados. A eficácia da clorohexidina diminui rapidamente na presença de material orgânico como pus ou sangue.


Peróxido de hidrogênio 3%

Esse produto tem um efeito oxidante que destrói as bactérias anaeróbicas, mas ele perde seu efeito quando entra em contato com material orgânico como pus ou gaze de algodão. O uso do peróxido de hidrogênio deve se restringir às feridas muitos escamosas e o produto nunca deve ser utilizado em feridas com cavidade.


Iodo (povidine tópico)

O iodo penetra na parede celular alterando a síntese de ácido nucléico através da oxidação. É indicado em pele íntegra e mucosas peri cateteres, é contra indicado em feridas abertas, pode causar irritação e levar ate a queimaduras de lesões.


Permanganato de potássio a 0,01%

Esse produto é utilizado principalmente nos estados eczematosos com forte exsudação, em sua maioria associados a úlceras na perna. Porém podem causar manchas na pele.


Nitrato de Prata a 0,5%

Ele produz manchas negras na pele e seu uso prolongado causa hiponatremia, hipocalemia e hipocalcemia, ou seja, não é recomendado.


Solução Salina 0,9%

Este é o único agente de limpeza completamente seguro, sendo o uso preferido no tratamento de feridas.


Coberturas

Turner definiu algumas características para a escolha da cobertura mais apropriada para manter o ambiente propício para a reparação tissular. Esses são: manter umidade na interface ferida/cobertura, remover o excesso de exsudato, permitir a troca gasosa, promover isolamento térmico, proporcionar proteção contra infecção, ser isento de partículas e contaminastes e permitir a remoção sem causar traumas.

Estas coberturas mantêm as células viáveis e permitem que elas liberem fatores de crescimento estimulando sua proliferação.

As coberturas podem ser classificadas em primária, que são aquelas que permanecem direto com a lesão; e em secundária que são aquelas que ficam sobre a cobertura primária, podendo ser gazes, chumaços, entre outros. Segundo Dealey, algumas coberturas para o tratamento das feridas são:


Chumaços absorventes

Eles não são adequados como curativos primários em feridas abertas, mas constituem um excelente curativo secundário, principalmente quando há abudante exsudação.



Curativos aderentes em forma de “ilha”

Estes curativos consistem em um chumaço central, coberto com uma faixa mais larga de revestimento adesivo. Tem pouca capacidade de absorção. São usados mais em feridas pós-cirúrgicas que cicatrizam por primeira intenção, mas não são utilizados em curativos primários para feridas abertas.



Alginatos

Os alginatos contém os alginatos de cálcio ou sódio, que é derivado de algas marinhas. Há vários tipos de alginatos, incluindo Algosteril, Kaltogel, Kaltostat, Comfeel, SeaSorb, Sorbsan e Tegagen. São apropriados para feridas com exsudação de moderada a grande e podem exigir um curativo secundário, não deve se usado em feridas com pouco ou nenhum exsudato. Quando absorve o exsudato, o curativo muda sua estrutura fibrosa para a consistência de um gel. Esses estão disponíveis em vários formatos como placas ou fitas, em versões de absorvência extra e com revestimento adesivo.







Antibacterianos

O Arglaes de liberação controlada; é um curativo de filme com um polímero que contém íon de prata. Ele eficaz contra uma gama de bactérias, inclusive MSRA. Flamazine é um creme que contém sulfadiazina de prata, eficaz contra pseudomonas e Staphylococcus aureus, tem amplo uso em queimaduras. Metrotop é um gel que contém metranidazol, ele reduz o odor e as bactérias anaeróbicas, sendo usado em tumores fungóides.



Curativos de carvão

Esses curativos são feitos com tecido de carvão ativado, no qual é eficaz na absorção das substancias químicas liberadas pelas as feridas fétidas (feridas infectadas, necróticas ou fungóides). Esses curativos são apresentados em dois tipos: um chumaço de carvão, como Actisorb Plus ou uma combinação de curativo e carvão, como Carbonet, Clinisorb ou Lyofoam C.




Aplicação do carvão ativado em úlcera de perna



Espumas

Os curativos de espuma são feitos de poliuretano ou silicone. Estão disponíveis em placas, como Allevyn, Lyofoam Extra ou Tielle, ou estão disponíveis como enchimento para feridas cavitárias. Os curativos de espuma têm seu melhor uso nas feridas com tecido de granulação ou de epitelização, com algum exsudato.

Segundo Blanes, o filme de poliuretano é um filme transparente onde possui a permeabilidade à gases como o O2 e CO2 e vapor de água, sendo impermeável à líquidos e bactérias. Por sua transparência permite a inspeção contínua da ferida. São utilizados para tratamento de feridas superficiais minimamente exsudativas, sendo benéfico para áreas doadoras de enxertos cutâneos com baixa exsudação, proteção de feridas cirúrgicas sem complicações, fixação de cateteres, curativo secudário, prevenção de lesões de pele por umidade excessiva ou atrito como é o caso das úlceras de pressão. Esses filmes reduzem a dor e promovem a epitelização das feridas. Contra-indicações: nas feridas infectadas ou exsudativas. Deve ser trocada quando houver acumulo de exsudato ou deslocamento do mesmo.


Filme de Poliuretano sobre úlcera por pressão estágio I



Hidrocolóides
Constituído de celulose, gelatina e pectina e um revestimento feito de filme ou espuma de poliuretano. Exemplos de curativos de hidrocolóides: Comfeel Plus, Tegasorb, Cultinova Hydro, Granuflex. Os hidrocolóides são usados em ampla variedade de feridas, mas têm maior eficácia nas feridas com exsudação de baixa ou moderada.

Para Blanes, o hidrocolóide interage com o exsudato para formar um gel, este gel cria um meio úmido na superfície da ferida, que estimula a síntese do colágeno e acelera o crescimento e a migração das células epiteliais. O gel evita a aderência à ferida e proporciona alívio da dor, por manter úmidas as terminações nervosas. Os hidrocolóides têm diferentes apresentações em placa, pasta ou pó.




Placa de hidrocolóide sobre úlcera por pressão estágio II sacral




Hidrogel

Para Blanes, o Hidrogel é um gel transparente, sendo que está disponível tanto em gel como em forma de placa e requer a utilização de cobertura secundária. São indicados em feridas com perda tecidual parcial ou profunda, feridas com tecido necrótico, áreas doadoras de pele, queimaduras de primeiro e segundo grau, dermoabrasões e úlceras. Devido à reduzida capacidade de absorção é contra-indicada em feridas exsudativas. As trocas devem ser de 1 a 3 dias.

Dealey diz que o hidrogel é também indicado para hidratar feridas ressecadas, como escaras necróticas, e assim estimulam o desbridamento.


Hidrogel em úlcera isquêmica do membro

Papaínas
São enzimas proteolíticas, de origem vegetal extraída da Carica papaya, no processo de reparação dos tecidos danificados e seu efeito na retirada de tecidos necróticos, desvitalizados e infectados da lesão. É adquirida por meio de manipulação, sendo utilizada em pó, ou pasta. A solução de papaína a 2% é utilizada para promover a granulação e epitelização da ferida, e a 10%, no desbridamento de tecido desvitalizado. (Blanes, 2004)

É utilizado no amolecimento e remoção de tecido desvitalizado, particularmente em pacientes nos quais esses tecidos são produzidos logo após o desbridamento cirúrgico. porém deve-se ter precaução com o produto da digestão desta enzima, ou seja, o exsudato da ferida contendo esta substância, pode ser irritativa sobre a pele íntegra, sendo necessária trocas freqüentes de curativos, para evitar lesões na pele ao redor da ferida. (Blanes, 2004).

Outras coberturas utilizadas também são:
AGE ( ácidos Graxos essenciais)

Encontra-se em três subgrupos: derivados do ácido linoléico (Dersani, AGE Derm, Ativo Derm), derivados do ácido linoléico com lanolina (Sommacare, Saniskin), derivados do ácido ricinoléico- da mamona( Hig Méd). São indicados em todos os tipos de lesão, nos diversos estágios do processo cicatricial e como preventivo de lesões e auxiliam no desbridamento autolítico.




Bandagens pastosas

Trata-se de bandagens de algodão impregnados de uma pasta de medicamentos. Tem amplo uso em úlceras de perna especialmente quando a pele circundante se apresenta eczematoza ou inflamada. Porém muitos pacientes desenvolvem alergias ao teor da pasta.


Bandagens para compressões

São utilizadas para o controle clínico da hipertensão dos membros inferiores, auxiliando no processo da cicatrização das úlceras venosas.


Bota de Unna

É uma bandagem impregnada com pasta de óxido de zinco a 10% que não endurece com glicerina, petrolato e agentes anti-sépticos e estimulantes de cicatrização. É indicado em úlceras venosas de pernas e linfedemas. São contra indicadas em úlceras arteriais e arteriovenosas.


Bandagem pastosa: Colágeno Biológico: ( Hy Cure, Fibracol plus, Promogran)

Indicado em qualquer fase de cicatrização de feridas, o colágeno simples pode ser indicado para todo tipo de feridas e o colágeno com alginato é indicado nas feridas exsudativas. O colágeno remove o excesso de exsudato , diminui a inflamação local e o edema e acelera o processo cicatricial. Porém é contra-indicado em pessoas com hipersensibilidade a derivados bovinos.


Aloe Vera

São indicadas em queimaduras de primeiro e segundo grau, ulcerações refratárias. A substituição do curativo é aconselhada a cada 24 horas.


CONTEÚDO DA BANDEJA DE CURATIVOS
Pacote de curativo (pinças: 1 anatômica, 1 dente de rato, 1 Kelly, 1 Kocher), 1 tesoura.
Com 3 pinças: 1 anatômica, 1 dente de rato, 1 Kelly.
- Pacote de gazes;
- Esparadrapo, micropore;
- Frasco com anti-septico (o mais utilizado atualmente é o álcool a 70%);
- Soro fisiológico;
- Cuba rim (para receber o lixo);
- Saco plástico para lixo (que vai envolver a cuba rim);
- Forro de papel, pano ou impermeável para proteger roupa de cama;
- Pomadas, algodão, seringas, ataduras, cubas (quando indicado)
- 1 ou 2 pares de luvas
PROCEDIMENTOS
Incisão cirúrgica

Segundo Dealey, no fechamento primário, ou seja, cicatrização por primeira intenção (as bordas da pele se mantêm juntas por meio de suturas) costuma ser usado um curativo simples tipo “ilha”, para cobrir a ferida no final da operação. Quando se usa compressa de gaze, essa deve ser manter úmida e trocada regularmente para impedir que seque e grude na ferida.


Deiscência

É o rompimento ou abertura, total ou parcial, de uma ferida que está cicatrizando por primeira intenção.

Se houver uma deiscência parcial da linha da sutura, com pouca exsudação e necrose é apropriado utilizar hidrogel amorfo. A maioria dessas feridas são tratadas de modo conservador.




Colostomia

A colostomia consiste em um procedimento cirúrgico onde se faz uma abertura no abdome (estoma), exteriorizando o intestino grosso, mais comumente o cólon transverso ou sigmóide, através da parede abdominal, para eliminação de gases ou fezes. É feito geralmente após a ressecção intestinal, podendo ser temporária ou permanente.




Se não forem tomados os devidos cuidados com a bolsa de colostomia, podem ocorrer várias complicações, desde simples irritações cutâneas até problemas potencialmente letais. A pele ao redor da colostomia requer um cuidado especial pois o contato prolongado com as fezes pode causar irritação. Visando manter a integridade da pele e a aderência do dispositivo a esta, alguns cuidados são necessários:



  • Nunca utilizar substâncias irritantes para a pele, como por exemplo produtos que ressecam a mesma, favorecendo o aparecimento de lesões e reações alérgicas.

  • A limpeza ao redor da pele deve ser feita com água e sabão neutro. Não é necessário esfregar com força.

  • No pós-operatório imediato, deve ser realizada a visualização constante do estoma, atentando para o volume e as características das fezes, para identificação de possíveis alterações.

  • A bolsa de colostomia deve ser esvaziada, irrigada e limpa regularmente. A remoção do sistema coletor deve ser realizada com movimentos delicados, iniciando pelo deslocamento do adesivo microporoso a partir da lingueta lateral, segurando a pele do abdome com a outra mão. É importante que a bolsa permaneça aderida por no mínimo 24 horas. A durabilidade da bolsa será maior se for esvaziada sempre que o conteúdo atingir um terço do dispositivo ou no máximo a metade da sua capacidade. A abertura da bolsa deve ser compatível com o tamanho do estoma, não ultrapassando além de 3 mm. Na aplicação da bolsa deve-se tomar o cuidado de evitar a formação de rugas no adesivo.

Passo a passo da colocação da bolsa de colostomia:

1- Medir o tamanho do estoma com o guia de medidas que acompanha o produto.



2- Retirar o plástico protetor do disco.



3- IMPORTANTE: Antes de recortar o disco, separar as partes da frente e de trás

da bolsa, a fim de evitar cortar a parte frontal.


4- Recortar o orifício inicial ligeiramente maior que o diâmetro do estoma, usando

o guia de medidas impresso no papel aderente.


5- Remover o papel aderente do disco protetor de pele (A).



6- Segurar a bolsa pelos dois lados (C) e posicionar o disco com a abertura sobre o estoma.



7- Pressionar o suporte adesivo contra a pele, assegurando-se de que ele fique liso e sem rugas. Preste bastante atenção à área periestoma.


8- Fixar o clipe de fechamento.



9- Para remover a bolsa, comece pela parte superior, pressione levemente a pele adjacente com uma das mãos e remova cuidadosamente a barreira protetora da pele com a outra mão, até retirar completamente a bolsa.

Drenos de feridas

Os drenos de feridas são utilizados para proporcionar ao fluido um canal até a superfície do corpo, evitando que ele se acumule na ferida. O fluido pode ser: sangue, pus, exsudato seroso, bile, ou outros fluidos corporais. Há vários tipos de drenos e podem ser classificados em abertos e fechados.

Drenos abertos podem ser tubos, borracha ou plástico corrugados. Os drenos fechados consistem em dreno, tubo conector e receptáculo coletor; geralmente proporcionam um vácuo e por isso têm um efeito de sucção.
Cuidados no curativo de feridas com drenos


  • Limpar o dreno e a pele ao redor, com soro fisiológico.

  • Colocar uma gaze sob o dreno, isolando-o da pele.

  • Colocar outra gaze sobre o dreno, protegendo-o.

  • O dreno de Penrose deve ser tracionado em cada curativo (exceto quando contra-indicado).

  • Observar e anotar o volume e o aspecto do material drenado.




Dreno de Penrose

Dreno de tórax



Dreno T (Kher)



Dreno de sucção (Portovac)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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