Discurso 013/FS/gab. 827/2003 o sr. Dep. FÁBio souto



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DISCURSO 013/FS/GAB.827/2003
O SR. DEP. FÁBIO SOUTO (PFL-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, tem imenso significado a sessão solene de hoje, em homenagem ao transcurso do 2 de julho deste ano, quando se comemoram 180 anos da efetivação da independência política do Brasil, no estado da Bahia. Para além dos equivocados parâmetros da historiografia oficial, que suprimiu a vigorosa e imprescindível participação popular na conquista da Independência – consolidando o ato individual de Pedro I, às margens do Ipiranga, como fato crucial, desvinculado de um amplo e complexo processo – a valorização do 2 de julho representa o resgate de uma visão muito mais autêntica de nossa história, na medida em que faz prevalecer o heroísmo popular e não o gesto principesco, a coragem dos desvalidos e não o oportunismo dos respaldados, a força de um ideal e não a conveniência do acordo político.

Não será desnecessário, por isso, Senhor Presidente, enfatizar que a exaltação do 2 de julho, evocando os acontecimentos ocorridos na Bahia em 1823, não reflete um ingênuo ufanismo de baianos, empenhados em afirmar ou reivindicar glórias passadas, mas a afirmação de um dever desses mesmos baianos em repercutir, para todos os brasileiros, a importância e o poder terminativo das conquistas populares ao longo de nossa história.

De fato, quase um ano após a proclamação de 7 de setembro, muito embora os laços oficiais entre Portugal e Brasil já estivessem rompidos, a resistência colonialista ainda fazia valer seus interesses em terras brasileiras, postergando a vivência da liberdade e da soberania, tal como já tentada por brasileiros durante o século XVIII, em episódios fundamentais como a Inconfidência Mineira, em 1789, ou a Revolução dos Alfaiates, em 1798.

Isso porque, Senhor Presidente, mesmo depois de setembro de 1822, os interesses econômicos portugueses teimavam em predominar, sobretudo por temerem, em conseqüência da independência, a iminente amplificação das relações comerciais brasileiras, em condições extremamente favoráveis, com países como Inglaterra, França ou Alemanha, e mesmo os Estados Unidos. Por outro lado, ficaria mais difícil manter o tráfico negreiro, já que os principais centros fornecedores eram colônias portuguesas em terras africanas.

Ora, os ideais libertários brasileiros da época, questionando toda a estrutura colonialista, preconizavam não apenas o fim da exploração monopolista portuguesa mas também o fim da escravidão. Daí a impossibilidade radical de meios-termos e negociações.

No início de 1822, a nomeação de Luís Inácio Madeira de Mello como governador de armas na Bahia encontrou forte oposição. A luta armada em Salvador foi marcada por momentos dramáticos, como a invasão do Convento da Lapa e o assassinato da abadessa, Soror Joana Angélica. Depois da Proclamação, consolidou-se no interior do Estado a adesão ao governo de Pedro I, sediado no Rio de Janeiro. Na cidade de Cachoeira, chegou a formar-se um governo interino, para lutar contra a ocupação portuguesa, que resistia não apenas na Bahia, mas em outras regiões do País.

O dia dois de julho, pois, amanheceu para a Bahia em liberdade. A grande festa popular que ali se realizou vem sendo repetida desde então, em todo o Estado, com destaque para a grande procissão que se desloca pelos principais bairros de Salvador.

É difícil acreditar, Senhor Presidente, que evento de tamanha importância histórica venha sendo sistematicamente menosprezado nas versões oficiais, permanecendo sua comemoração, de certa forma, restrita à Bahia.

É com esse espírito, Senhor Presidente, que buscamos representar, nesta Casa, o povo baiano. Com seu formidável passado histórico e seu incomparável acervo cultural e humano, a Bahia tem sido fundamental na compreensão e consolidação da nacionalidade brasileira, até porque cada vez mais cônscia de seu papel na História e na elaboração das formações sociais.

Aproveitando o ensejo desta homenagem, que põe em relevo a determinante participação da Bahia na história do Brasil, não poderíamos deixar de louvar o esforço de nossos políticos contemporâneos, como o Senador Antônio Carlos Magalhães e o Governador Paulo Souto, que se vêm empenhando tão firmemente na distribuição de riqueza, na valorização da cultura, no reconhecimento, enfim, do papel da Bahia na economia e na sociedade brasileira.



Nossas entusiásticas homenagens, pois, a todos os grandes vultos da história baiana, de ontem e de hoje, bem como a todos os heróis anônimos do passado, cujos descendentes, por certo, continuam a lutar pela igualdade, pela soberania, pelo desenvolvimento, enfim, por todos os corolários da democracia, como bem supremo das nações e da civilização.
Muito obrigado.



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