Discurso do bispo strossmayer



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Cairbar Schutel
Cartas a Esmo

Resposta a D. Joaquim Domingues de Oliveira, Bispo de Florianópolis seguida do
*
DISCURSO DO BISPO STROSSMAYER
Pronunciado no Concílio de 1870 contra a
INFALIBILIDADE DO PAPA

1929



Théodore Rousseau

Forest at Fontainebleau



Conteúdo resumido

Reúne em cartas publicadas em 1918 em resposta à "Carta Pastoral" do Bispo de Florianópolis, em que a Eminência da Igreja Romana combatia o Espiritismo. O objetivo é o esclarecimento da verdade.
Sumário

Explicação Necessária

I - A Caridade e o Sectarismo

II - A Missão Espírita e o Sacerdócio de Roma

III - A Crença Cega e a Crença Raciocinada

IV - Ateísmo Religioso

V - A Teoria Diabólica

VI - Afirmação Contraditória

VII - As Sessões Espíritas e o Seu Resultado Benéfico

VIII - O Claro e o Escuro - Luz e Trevas

IX - O Poder de Deus e a Ação do Diabo

X - Absolutismo Romano

XI - Ação de Roma contra a Verdade

XII - A Luta Desleal - O Parecer de Gamaliel

XIII - O Renascimento do Espírito

XIV - Dois Pesos e Duas Medidas - Palavra do Santo Ofício

XV - A Igreja sem Cristo

XVI - Manifestações dos Espíritos no Novo Testamento

XVII - Infalibilidade do Papa - Discurso Pronunciado no Célebre Concílio de 1870 - Pelo Bispo Strossmayer

Explicação Necessária


CARTAS A ESMO não são cartas inéditas: foram já publicadas em 1918 em resposta à "Carta Pastoral" do Bispo de Florianópolis D. Joaquim Domingues de Oliveira, em que a Eminência da Igreja Romana se limitou a combater o Espiritismo, e com tal paixão que chegou a deturpar conceitos de distintos médicos, para melhor fundamentar suas razões.

Publicamo-las em "O Clarim."

A tiragem deste jornal naquele tempo talvez não fosse a terça parte do que é atualmente; além disso, cremos que grande parte dos assinantes não tivesse acompanhado as nossas razões. Resolvemos por isso, enfeixá-las neste opúsculo e endereçá-las A ESMO...

E como se trata de obra em que a Verdade deve aparecer, pois nos dizem de todos os lados que são chegados os Tempos de a luz se fazer nas inteligências, julgamos prestar bom serviço aos estudantes da Religião, concluindo a obra com o memorável Discurso do Bispo Strossmayer, pronunciado por ocasião da proclamação da Infalibilidade do Papa, em Roma; no Concílio de 1870.

Sem outro motivo mais que o esclarecimento da Verdade, rogamos aos Espíritos Mensageiros de Jesus que assistam a todos os que nos lerem, incutindo em suas almas a Fé, a Esperança e a Caridade.

Cairbar Schutel

I
A Caridade e o Sectarismo

Bem árdua, mas altamente nobre é a tarefa daqueles que pediram ao Supremo Criador a missão de guiar almas ao pórtico das bem-aventuranças.

Infelizes, portanto, são os que, traindo o ideal, sofismando a Fé e falseando a Caridade se deixam levar pelos "ventos de doutrinas humanas", e "se escravizam à criatura, desprezando o Criador; que é bendito para sempre".

Dentre todas as grandes caridades que o homem pode praticar na Terra; é, sem dúvida, o apostolado a que maior soma de benefícios proporciona, não só aquele que se dedica, como aos que dele recebem as consoladoras esperanças que nos prometem a Vida Eterna.

O apóstolo é um mensageiro de luz; é o guia, o amparo das almas, o refugio para os pecadores; é a consolação para os aflitos enfim o doutrinador das gentes, que deve esforçar-se para ser imitador severo do Divino Modelo - Jesus Cristo.

Mas para que o apóstolo consiga reunir todas essas condições, é preciso renunciar, primeiramente, o espírito de seita, sem o que não pode abraçar á Caridade em sua plenitude.

O sectário é sempre orgulhoso, impaciente, invejoso, ambicioso; pensa mal, busca os seus próprios interesses, não se compraz com a verdade, porque a verdade destrói todas as idéias preconcebidas e sistemas humanos.

O sectário nunca é modesto, ostenta soberania, tem amor ao Poder; não é humilde porque se julga sempre superior aos outros; não trabalha exclusivamente para Deus, mas faz jus a pingues ordenados com que se enriquece e habita palácios; compraz-se dos favores da praça pública; finalmente, o sectário prega a caridade para viver fartamente dela, ostentando grandezas e oprimindo os humildes.

O sectarismo, o tenha o nome que tiver, chame-se Protestantismo, Islamismo, Budismo ou Catolicismo, divide a Humanidade constituindo partidos que vão de encontro à Religião de Deus proclamada na Terra pelo seu verdadeiro representante, Jesus Cristo, e intitulada Caridade, sem a qual não há salvação.

S. Exa. o Bispo de Florianópolis disse que a ''caridade é a virtude pela qual amamos a Deus e ao próximo, como a nós mesmos, por amor de Deus."

E uma definição muito justa, mas para cumprirmos esse preceito é preciso sacrificarmos nosso amor-próprio. Pois, a Caridade, não tendo pátria nem idioma, não pode ter partido porque é indivisível; universalista, não faz acepção de pessoas, revestindo-se das mais belas virtudes, que a exaltam e dignificam; tudo suporta, tudo espera, tudo sofre, mas não folga com a injustiça e tem sempre os olhos voltados para a Verdade.

Inconfundível manifestação do Poder Supremo, Lei emanada dos conselhos de Deus, a Caridade é a Luz que guia as almas para a Perfeição, é o Santelmo da Esperança no mar tempestuoso da vida, é o divinal revérbero da face do Criador!

E, pois, a Caridade, a Religião que todos devem seguir.


Fora da Igreja não há salvação
Este lema, que constitui, pode-se dizer, a súmula da Religião Católica Apostólica Romana, é o característico mais frisante que a intolerância e o sectarismo poderiam inscrever na sua bandeira; é o absolutismo escravizando a consciência e o pensamento humano; é a declaração patente da supremacia de um partido sufocando todas as aspirações do Espírito e condenando para sempre todas as verdades que se manifestam fora dessa "igreja" que de Cristã nem o nome tem.

A Caridade reúne todas as almas, tenham elas a crença que tiverem, sem escolher grandes ou pequenos, sábios ou iletrados, impondo somente como condição de salvação - o amor a Deus e ao próximo.

A Igreja de Roma as desune; concedendo a salvação àqueles que crêem nos dogmas absurdos: do Inferno Eterno, do Diabo, da criação do mundo em 6 dias de 24 horas; das missas, das relíquias, dos sacramentos; e decretando a condenação perpétua para aqueles cujos Espíritos evoluídos repelem a infalibilidade de um homem e repudiam esses "artigos de fé", como blasfêmias que lesam os atributos de Deus, e heresias que desvirtuam a missão sacrossanta de Jesus exarada nos seus incomparáveis ensinos.

II
A Missão Espírita e o Sacerdócio de Roma

O Bispo de Florianópolis, D. Joaquim Domingues de Oliveira houve-se por bem empreender a tarefa de aniquilar o Espiritismo. Difícil, para não dizer impossível, será a realização desse desidrato.

Para destruir o Espiritismo é preciso destruir a Caridade, e para destruir a Caridade, faz-se mister apagar o santo nome de Deus inscrito em todas as suas obras.

Deus caritas est, e o Espiritismo diz que fora da Caridade não há Salvação.

O Espiritismo não prega a si próprio, mas, o complemento da palavra de Jesus (João, XIV, 26) "nos ensina todas as coisas e nós fazem lembrar tudo o que Jesus disse":

E a Divina Revelação que se manifesta, não por intermédio de uma igreja, ou de uma sociedade científica ou literária, - mas a todos os homens de boa vontade, porque é o cumprimento da profecia de Joel anunciada por Pedro no Cenáculo de Jerusalém (Atos, II - 17 a 21), "pois a promessa pertence a nós, aos nossos filhos e a todos os que estão longe e a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar" (Atos, II, 39), até ao Senhor Bispo, se não endurecer o seu coração à verdade e se revestir de boa vontade para abraçá-la onde estiver.

Em sua Pastoral, o ilustre prelado disse que a "revelação não é suscetível de aperfeiçoamento", por isso conclui que a Igreja Romana, sendo a continuação da Doutrina de Jesus, possui a verdade absoluta.

Por esta afirmativa já se vê que o Catolicismo de Roma não é o Cristianismo de Jesus, pois Jesus nunca se afirmou possuidor da Verdade Absoluta, como tem feito a Igreja dos Papas.

No capítulo 16, v. 12 do Evangelho de João, Jesus diz: "Tenho ainda muitas coisas que vos dizer, mas vós não as podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará para toda a Verdade, porque não falará de si mesmo e vos anunciará as coisas que estão para vir."

Parece lógico e claro que se Jesus "tinha muitas coisas que dizer" e, não as disse, foi porque os homens daquele tempo não podiam compreender que a Revelação Cristã não estava completa, não era absoluta. Seria mesmo estultícia pensar que houvesse homens na Terra tão perfeitos que pudessem assimilar a Divina Perfeição. Nesse caso se compararia o homem a Deus, porque só este possui a verdade absoluta. "Todo homem é mentiroso; só Deus é verdadeiro", disse Paulo.

A Revelação é sempre progressiva e se manifesta gradativamente, de acordo com a purificação das almas. Isto é o que nos diz a História, e este fato se verifica não só no terreno religioso, como também no terreno cientifico.

A suspeita do Senhor Bispo, de possuir Roma toda a verdade, não passa de uma falta de raciocínio, de um desvio de lógica; para explicar a infalibilidade do papa, dogma proclamado por essa mesma Igreja no Concílio de 1870, por uma maioria de votos de bispos, mas combatido com vantagem pelo Bispo Strossmayer, de saudosa memória. (1)

(1) - Roma e o Evangelho.

Além de tudo, não se pode estabelecer uma comparação dos papas e do clero romano com Jesus Cristo. Seria irrisório comparar um papa, um bispo, ou um padre de Roma com o Humilde Filho de Maria.

Todos sabem que os sacerdotes vivem da religião que pregam, ao passo que Jesus vivia para pregar a Religião de Deus. Este expulsava Espíritos maus, curava enfermos, limpava os leprosos, ressuscitava os mortos, pregava o Evangelho (A Boa Nova da Salvação) e imperava até sobre os elementos da Natureza: mandava que os ventos e os mares se acalmassem e estes lhe obedeciam. Jesus não tinha uma pedra para reclinar a cabeça e como condição de salvação impunha somente o desinteresse, o desapego das coisas da Terra, a prática da Caridade, e a adoração a Deus em espírito e verdade. Resumia a sua Religião em: "Amar a Deus e ao próximo, nisto consiste a lei e os profetas".

Os sacerdotes romanos são tão incapazes de imitar o Mestre; de curar enfermos, expelir Espíritos malignos, que para explicar esses fatos verificados nos meios espíritas, apelam para "a competência profissional do médium ou para a intervenção do demônio", como fez o Senhor Bispo em sua pastoral publicada em A época, de Florianópolis.

III
A Crença Cega e a Crença Raciocinada

Não é religioso quem assim se afirma; não é cristão quem diz "Senhor! Senhor!" mas, sim, quem faz a vontade de nosso Pai Celestial. E a vontade do Pai é que nos amemos uns aos outros como o Cristo nos amou; a vontade do Pai é que pratiquemos a Caridade, e que essa Caridade abunde em todos os conhecimentos para não termos tropeços, no dia de Cristo como disse o Apóstolo Paulo.

A Igreja Romana restringe a caridade aos católicos romanos e condena às "chamas perpétuas" todos aqueles que negam o dogma e não aceitam o mistério, por isso a caridade romana, sendo só para os romanos, está muito distante da Caridade Cristã; aquela tem "Cidade Permanente", ao passo que esta é Universal; a primeira distingue pessoas, a última não escolhe cores nem nacionalidades, nem crenças, porque "Deus não faz acepção de pessoas".

O Senhor Bispo, em sua Carta Pastoral diz que o "Espiritismo não preenche uma lacuna no terreno da Fé nem no da Caridade".

Já demonstramos, quanto ao que toca à Caridade, que a Doutrina dos Espíritos é um majestoso templo que um dia abrigará a Humanidade inteira.

A Fé não é uma crença cega, passível, absurda, tal como o exige a Cúria Romana, dos seus crentes.

A Fé é a certeza absoluta da nossa existência espiritual e dos nossos destinos imortais.

E nessa rocha que se assenta o edifício da Fé.

O homem não pode ter fé naquilo que não vê e não compreende. E para que veja e compreenda é preciso que estude, investigue e observe.

Com esse intuito é que Deus permite as manifestações espíritas, provas irrefragáveis da existência da alma e sua sobrevivência à morte do corpo.

Essas comunicações que o ilustre prelado chama demoníacas têm o fim exclusivo de converter os incrédulos, de conduzir as almas para Deus.

E como pode a Igreja de Roma provar a imortalidade da Alma se nega as manifestações dos Espíritos, as aparições e comunicações dos "mortos"?

Desde que a Igreja não demonstra com provas positivas que a alma é imortal, como poderá provar que possui a Fé em sua absoluta perfeição?

Não, a Igreja não só não tem a fé e a Caridade, como não tem também a Esperança, esse bálsamo consolador e vivificante que tanto nos anima nas lutas da vida.

Um céu de beatífica contemplação, um purgatório de lágrimas e gemidos, um Inferno de tormentos eternos, poderão dar esperança e consolação aos pobres sofredores que rangem os dentes neste mundo de dores e de dissensões?

Será Evangelho o que a Igreja tem pregado até aqui? Evangelho quer dizer "Boa Nova de Salvação", e a Igreja anuncia tantos tormentos, tanta condenação - como poderá pregar a salvação?

Se a Igreja, despeitada porque os espíritas não se submetem aos seus "sacramentos"; nos ataca até na caridade que praticamos, esquecendo-se da Parábola do Bom Samaritano, como pregará a igreja o Evangelho, a Nova da Salvação?

A Igreja Romana não quer Caridade: A Igreja o que quer, é dominar, quer ostentar grandezas e para esse fim emprega todos os meios, inclusive o de vender Cristo, como fez Judas, aos maiorais da Terra.

Por isso as “portas do interno” prevaleceram contra ela, e agora fragmentada em partidos nacionais, os seus Bispos e o seus sacerdotes, agem cada qual de acordo com os seus interesses patrióticos deixando mudo e quedo o Vaticano com toda as sua Infalibilidade.

IV
Ateísmo Religioso

Sentimo-nos felizes sempre que se nos oferece ocasião para fazer realçar os princípios espíritas, tão caluniados pelos maiorais da Igreja de Roma.

E é para admirar a ação persistente da Igreja que atira cinicamente contra o Espiritismo o seu "exército negro". Cada bispado é uma fortaleza, cercada de canhões, vomitando fogo, lavas de toda a espécie, explosivos e gazes asfixiantes; todos esses projeteis são destinados ao Espiritismo, porque sabem muito bem os "velhos discípulos de Saul" que o Espírito do Senhor, tendo condenado as suas iniqüidades, constituiu novos profetas e novos apóstolos, que, desinteressadamente, vão apregoar pelo mundo a Doutrina da Nova Redenção.

Sempre nos sentimos bem na defensiva e nunca nossa pena se moveu um ataque agressivo aos sacerdotes, embora não duvidemos que o direito de exterminação do joio nos assiste e a todos quanto Deus nosso Senhor chamar.

No nosso posto de honra não vacilaremos no cumprimento do dever.

O Senhor Bispo D. Joaquim diz, em sua Pastoral, "ter acompanhado os mais célebres casos do Espiritismo, do ponto de vista do preternatural ou no resultado das suas evocações e aparições, sendo ele absolutamente imaginário e ilusório". E acrescenta: "Tudo o que ali se faz, se não é obra do Demônio, é absolutamente, assim o cremos, para enganar e iludir."

Esta afirmação do ilustre prelado provoca uma resposta enérgica e categórica, que não nos eximiremos de dar, assim como Jesus o fazia aos escribas, aos fariseus, aos doutores da Lei, quando estes o chamavam comparsa de Satanás e embusteiro (Lucas, XI). Antes, porém, de dizermos algo a respeito desejaríamos saber em que centro ou grupo espírita o bispo acompanhou os mais célebres casos do Espiritismo? Em Santa Catarina existem, não há dúvida, diversos médiuns e muitas agremiações que estudam e praticam o Espiritismo. Em qual delas e com qual deles o príncipe romano teria assistido aos mais célebres casos que mencionou? Seria, porventura, na Europa, ao lado de William Crookes ou Russel Wallace, ou Lombroso, ou na Vila Carmen com o Professor Charles Richet? Mas, neste caso, não os poderia taxar de imaginário ou ilusório, porque todos esses sábios, de que nos lembramos atestam a veracidade dos fenômenos.

Onde teriam conseguido iludir o bispo de Roma e transviar a sua imaginação?

Que o príncipe do clero foi iludido não ousaremos negar, porque S. Revma. o confessou publicamente pela imprensa, em sua Carta Pastoral; aceitamos a confissão tal como ela foi feita e perdoamos a S. Revma. o pecado que cometeu, aliando-se, a embusteiros e mentirosos, que por ai andam a enganar os seus semelhantes.

Mas é preciso que o chefe dos padres de Florianópolis não julgue o Espiritismo, em sua elevada expressão, pelo charlatanismo que talvez tivesse observado, e não conclua que os politiqueiros e prestidigitadores são médiuns espíritas.

Estamos a ver que o padre nunca assistiu a sessão alguma e arriscou uma afirmação que compromete até a sua palavra. Preferimos pensar assim, a atribuirmos a S. Revma o conhecimento completo da Doutrina e sermos forçados a julgar bispo um homem de má fé.

Não; D. Joaquim não conhece o Espiritismo: fala a quo da matéria e age por conta de Roma.
V
A Teoria Diabólica

Num dos trechos de sua Pastoral o Senhor Bispo afirma peremptoriamente; “E indubitável que para a Igreja tudo o que se faz nas sessões espíritas, senão é obra do Demônio, e absolutamente para enganar e iludir”.

O argumento papalino e fraquíssimo: a Filosofia do Demônio é por demais arcaica, já fez o seu tempo, não merece mais as honras de uma crítica, porque é irracional, blasfema e retrograda.

Não restam ao dogma do Diabo, passado pelo crivo da razão humana, a mínima raspagem dos chifres, nem o mais tênue fio da cauda.

Disse um nosso amigo, e com razão, que nem mais as pretas velhas crêem atualmente nesse ente forjado nas tendas do Vaticano.

A criação ou a concepção do Diabo é uma blasfêmia contra Deus, porque lesa o Supremo Criador em seus atributos: poder, sabedoria, misericórdia.

Dando mesmo de barato a existência do Diabo, como se pode compreender que um ente devotado eternamente ao mal, esteja exercendo agora a nobre missão de demonstrar a imortalidade da alma? Ainda outra: um pai, um filho, um esposo, uma esposa, perde qualquer dos entes caros, não tem sossego nem consolação, porque o amor que consagramos aos entes queridos não pode ser destruído pela morte. Esse homem ou essa mulher, depois de correr todas as igrejas que se dizem de Deus, não obtêm a mais ligeira notícia do pedaço de sua alma; desiludido, desesperado procura uma sessão espírita, ora, pede o auxílio de Deus para assisti-lo naqueles momentos e vem o Diabo, toma a forma da pessoa amada, escreve ou fala, como o fazia quando viva! E o evocador, todo cheio de fé pelos fatos que observou, volta glorificando a Deus e confortado em suas aflições; procura seguir a Lei do Amor, porque compreende que esta não fica limitada ao túmulo! Havemos de convir que se é este o papel do Diabo, o Diabo se converteu e está conduzindo almas para Deus! Se o Diabo ama a Caridade, em todas as suas manifestações: curando enfermos, expelindo os outros diabos que prejudicam os homens e proporcionando a todos as consolações de que carecem, e claro e fora de dúvida que o Diabo faz tudo o que é bom, e que na Igreja de Roma deveria fazer e não o faz, pois Jesus mandou os discípulos que assim fizessem! Acresce ainda a circunstancia de serem os diabos que se manifestam nas sessões mais desinteressados que os Santos que chefiam a Igreja. Estes são vaidosos, querem festas, leilões, musicas, foguetes; pedem e exigem dinheiro para satisfazer o fausto e o luxo; estabelecem preços para as “graças de Deus”: a missa, o batismo, o casamento, etc. E o diabo, que deveria ser avarento, materialista, egoísta, ter fome de ouro e sede de glorias, demonstra que não lhe passa, nem ligeiramente pela alma, estes requisitos pelos quais poderíamos reconhecê-lo e repeli-lo!

E que admirável que os médiuns espíritas que “tem parte com o Diabo” dêem provas contraproducentes da ação diabólica e os padres romanos, que “tem parte com Deus” neguem tão frisantemente as manifestações do Amor Divino e o desinteresse dos bens materiais, recomendação que o mestre Jesus fêz com tanta insistência.

VI
Afirmação Contraditória

As afirmações que contradizem a verdade só prejudicam aqueles que se aventuram a expô-las.

Concedemos de boa mente que o bispo de Florianópolis e sua Igreja julguem o Espiritismo obra do demônio, e mesmo um meio de iludir os ignorantes, porque cada um tem o direito de pensar como quer, ou como lhe apraz, assim como cada qual julga os fatos que viu, ou que não viu, de acordo com suas idéias preconcebidas. Não é por julgar mal que se age de má fé; pode-se estar de boa fé ao fazer-se mau juízo disto ou daquilo.

O que porém não perdoamos ao bispo é o ter ele, na sua Pastoral, declarado que "para o próprio Allan Kardec, chefe do Espiritismo, tudo quanto se faz nas sessões espíritas, se não é obra do demônio, é para enganar e iludir".

O bispo não quis citar o livro de Allan Kardec em que encontrou essa afirmação, porque, de fato, ela não passa de uma cartada em falso que S. Revma. atirou para ser aceita por alguma beata ignorante que se fia em tudo o que diz o padre.

Allan Kardec, sem dúvida, trata das mistificações dos espíritos inferiores, mas concluir que Allan Kardec tenha esses espíritos na conta de “demônio”, e afirmar que só existem falsidades nessas comunicações, é a mais requintada falsidade que S. Revma. poderia assacar contra a Doutrina Espírita.

A manifestação de Espíritos que dizem ser o que não são e outros tipos de mistificações existem mesmo entre os encarnados, pode dar motivo a muitos enganadores e dissabores; mas, concluir daí que toda Humanidade é composta de “diabos”, como Roma concebe os Espíritos, é desvario completo.

Aquele por exemplo, que veste as roupagens sacerdotais e se diz ministro de Deus, mas não prega o Evangelho de graça, não cura enfermos, não expele espíritos malignos, não é tolerante, humilde, desinteressado, caritativo, não deixa de ser falsário, substituto de um espírito que poderia desempenhar nobre missão; por conseqüência, dá motivo a muitos enganadores, dá origem a muitos erros e mistificações; entretanto, vive no meio social, e aqueles próprios que o conhecem, nem por isso o excluem de sua amizade.

Com os Espíritos se dá a mesma coisa, porque os Espíritos não são mais que os próprios homens despidos do corpo carnal; e aqueles que viviam no erro e na falsidade, amando a injustiça, não se tornam verdadeiros e bons só pelo fato de se terem despojado do corpo físico. A bondade e a verdade, assim como a maldade e a falsidade, não são condições inerentes à carne, mas, sim, ao Espírito.

Se S. Revma. chegar a passar logo para o outro mundo com as mesmas idéias enunciadas na "Carta Pastoral" dirigida às ovelhas de Florianópolis, continuará com as mesmas idéias até que as modifique por um impulso da Lei do Progresso a que estão submetidas todas as almas, e poderá, nesse meio tempo, comparecer a uma sessão espírita e expender os mesmos conceitos mistificadores exarados na celebérrima "Carta".

E isto o que diz Allan Kardec em suas obras, e o bispo, como não leu os livros espíritas, arriscou afirmações que só podem prejudicar a quem as expôs.

O ilustre prelado combate o Espiritismo porque cristalizou toda a sabedoria nós dogmas romanos, pois Roma ordena a seus ministros que mantenham linha partidária e combatam a Nova Revelação, como os Sumos Pontífices do Judaísmo ordenavam a seus sacerdotes que combatessem o Cristianismo nascente.

VII
As Sessões Espíritas e o Seu Resultado Benéfico

Temos assistido a centenas de sessões espíritas em centros onde se toma a sério o estudo da Religião, e estamos aptos para dizer, ao graduado padre, que essas sessões são verdadeiramente edificantes.

Talvez o bispo ignore que os espíritas realizam duas espécies de sessão: uma em que se estuda a Religião em sua mais elevada expressão e outra em que se comunicam os Espíritos guias e protetores, que são os mensageiros de Jesus, assim como os nossos parentes e amigos, impropriamente chamados mortos, bem como outros Espíritos conhecidos e até desconhecidos que desejam comunicar-se.

Aqui no mundo conversamos e recebemos em nossa casa, muitas vezes; pessoas que não conhecemos; nas sessões usamos também dessa cortesia com Espíritos desconhecidos que por vezes nos dão boas lições.

As sessões de estudos são publicadas; nelas fazemos um estudo comparativo de todas as “religiões” como o Evangelho de Jesus, por que este é a Base do Templo Religioso.

Pulverizando, dissolvemos, analisamos todos os “preceitos humanos” todos os “artigos de fé” erigidos pelos papas e concílios, examinamos as soluções e depois de precipitar os resíduos passamos tudo pelo fogo a ver o que fica.

Para esse fim, além dos espíritos que nos guiam em toda a Verdade e que nos fazem lembrar o que Jesus disse (João, XIV, 26) fazemos trabalhar fortemente a nossa razão, e deixamos também operar o nosso sentimento.

Compulsamos obras católicas, protestantes, cabalistas, materialista, monistas, teosóficas: “examinamos tudo para retermos sempre o melhor” e podermos dar motivos da nossa crença e não sermos confundidos pelo espírito de seita.

A essas sessões comparecem enfermos, neuróticos, psicopatas, obsedados, homens e Espíritos de todas a espécie, como comparecem a missa da Igreja com a diferença de que nas reuniões espíritas são edificados e regenerados; os Espíritos malfeitores, em sua maioria se convertem ao Evangelho de Jesus, e grande número deles saram ao influxo da caridade dos nossos Protetores, que nunca negam aos pobres sofredores a misericórdia de Deus.

Brota nessas sessões uma luz tão intensa que os cegos de espírito vêem, os surdos ouvem e os que se consideravam mortos para a Religião, porque descriam de tudo, ressuscitam.

As sessões de comunicação com o invisível não se realizam de "portas abertas", são privativas aos sócios, são feitas com reduzido número de pessoas, porque há necessidade de homogeneidade de pensamentos.

O motivo da reserva, além disso, é porque, conservando os nossos parentes e amigos os mesmos dotes que tinham quando vivos e as mesmas paixões até ulterior reforma, não teriam prazer em expor os seus sofrimentos publicamente, num auditório que ao menos em parte fosse composto de curiosos, como acontece na Igreja:

Por exemplo, o bispo, que certamente não se julgará sem pecado, não se ergueria agora de sua cadeira para confessar publicamente uma falta que tivesse cometido e, conseqüentemente, se esquivaria, depois morto, a ir-se comunicar num centro de curiosos para expor faltas que tivessem cometido e narrar sofrimentos porque passassem, em conseqüência dessas faltas.

Pois assim são todos os Espíritos presos ainda aos prejuízos humanos. Entretanto num meio muito intimo, numa limitada roda de amigos não se esquivaria a descarregar a consciência sabendo ao mesmo tempo em que aqueles fatos de sua vida e os conseqüentes castigos serviriam de edificação para alguém.

VIII
O Claro e o Escuro - Luz e Trevas

Deus não fez só o claro, fez também o escuro; não fez só a luz, mas fez as trevas, para que cada um permaneça onde lhe apraz, na escuridão ou na claridade. Demais, se não houvesse trevas, a luz não teria resplendor.

Nos planos inferiores da criação as trevas dominam mais que a luz; e existem obras que, embora feitas pela luz, porque só a luz é criadora, necessitam das trevas para se manifestarem aos homens, mais próximos das trevas que da luz.

E por isso um erro querer que todas as sessões sejam efetuadas em plena luz. Há sessões que realizam à luz; há outras que requerem obscuridade.

Em geral as sessões de materialização e efeitos físicos não se podem efetuar em plena luz; assim, do mesmo modo existem "médiuns noturnos"; indivíduos dotados de mediunidade, mas cuja faculdade não funciona a não ser na obscuridade.

Não há que criticar, pois, as sessões no escuro, a não ser que façamos igual crítica à revelação da chapa fotográfica, que não pode ser feita à luz.

Como dissemos, tendo as sessões espíritas o objetivo de demonstrar a sobrevivência humana, e para que essa demonstração seja perfeita, os Espíritos se aproveitam tanto da luz como das trevas, ainda com o fim de fazer ver que podem agir por qualquer modo.

A Bispo, que deve conhecer o Evangelho, há de saber que existem médiuns de diversos dons, graças e aptidões, tal como refere o Apóstolo Paulo aos I Cor, XII. As sessões espíritas são, portanto, verdadeiras preces inspiradas pelo amor Divino, que recomenda a união fraternal de todas as almas. Se o "Diabo" as presidisse, dada a hipótese da existência do "Diabo" o Espiritismo teria realizado a maior de todas conversões, a conversão do “Diabo”, coisa que o Romanismo com todos os seus poderes infalíveis nunca alcançou!

Entretanto, cremos no "Diabo do Romanismo", mas duvidamos muito de que ele se converta ao Cristianismo. Pensamos antes com o evangelista que esse "Diabo não é eterno", e anda agora endiabrado "sabendo que pouco tempo lhe resta" (Apocalipse, XII, 12).

A comunicação dos Espíritos é um fato que a história vem rememorando em todas as suas páginas, desde a criação do mundo. A própria Igreja diz que a "comunicação dos santos" é um artigo do Símbolo dos Apóstolos.

O que obstrui o entendimento do clero para interpretar as coisas espirituais e aceitar a comunicação dos Espíritos é o dogma do Diabo individual, criado nas raias do Vaticano.

IX
O Poder de Deus e a Ação do Diabo

A lei de Deus e igual para todos; não escolhe prosélitos, nem exclui cretenses, partos, medas, islamitas, gregos e troianos, ricos e pobres, sábios e ignorantes, vivos e mortos, todos participam do mesmo amor, todos são julgados com a mesma justiça, a todos o Senhor proporciona a mesma misericórdia. E o que se chama a lei de Igualdade.

Por que, assim sendo, podem os ''santos'' e os "demônios" nos invocar e nós não os podemos invocar? A invocação é pecado? Neste caso o "santo" peca quando se comunica conosco, porque, absolutamente, ele não pode falar-nos ou atuar em nós sem nos chamar, sem nos evocar.

Deus, então, permite que o "Diabo" nos evoque, nos ensine o caminho errado, e não permite que evoquemos um "santo" da nossa simpatia, ou mesmo um parente nosso para nos livrar das malhas do "Diabo"?

Na sua Pastoral diz o Bispo: De modo nenhum são as almas que aparecem, porque as almas depois da morte vão comparecer diante do tribunal de Deus, e irão para o lugar que lhes for designado pelo justo Juiz."

Quem disse isso ao ilustre prelado?

E como afirmam os evangelhos que Elias e Moisés apareceram e se comunicaram no Tabor a chamado de Jesus Cristo, estando presentes Pedro, Tiago e João?

E inegável que foram os Espíritos de Moisés e de Elias que apareceram, pois estes; fisicamente já tinham morrido, e o evangelista diz que eles mesmos apareceram.

Não é preciso citar outras passagens do Evangelho que demonstraram a comunicação dos espíritos, pois, somente a que citamos destrói a Teologia Católica.

A pastoral diz ainda “nós (espíritas) admitimos a comunicação dos Espíritos, mas não sabemos como reconhecer a sua identidade". Sem dúvida, nem todas as pessoas estão aptas a reconhecer a identidade dos Espíritos, ou de um Espírito, como também não o são para reconhecer identidade de um homem. E a prova é o mundo estar cheio de falsos apóstolos e falsos profetas, sendo que estes são respeitados como homens verdadeiros, ministros de Cristo, representantes de Deus!

Mas aquele que são espirituais, aqueles que estudara e procuram praticar a Doutrina de Jesus, recebe o DOM DISCERNIMENTO (l. Cor. XII, 10) e distinguem os espírito que são de Deus e os que são "filhos da mentira".

Também não nos parece muito difícil reconhecer a identidade de um parente ou de um amigo, desde que com eles confabulemos.

E se é verdade que os espíritos inferiores, como aliás acontece muitas vezes aqui mesmo no mundo, se adornam por vezes com pomposos nomes conhecidos e venerados, é certo também que os Espíritos têm dado provas reais de sua identidade.

Nós mesmos podemos citar um exemplo, um fato colhido em uma sessão a que assistimos, na qual se comunicou Monsenhor José Mendes de Paiva, colega de S. Revma. pessoa completamente desconhecida do médium e dos assistentes, cuja comunicação verificamos verdadeira, porque o comunicante deu todos os detalhes de sua vida, da enfermidade que motivou o seu desencarne, o ano em que este se deu, etc., dados que combinaram perfeitamente com a inquirição que fizemos depois, de pessoas e lugares indicados pelo referido sacerdote.

S. Revma. talvez não ignore que Santo Agostinho se comunicava com a mãe, Santa Mônica, e que "Santa Teresa de Jesus vivia em íntima comunicação com Espíritos de padres e outros Espíritos e das freiras que faleceram antes dela".

A comunicação com os Espíritos dá a certeza da outra vida e aqueles que a combatem perdem essa certeza e se tornam materialistas.

O antigo sacerdócio judeu também combatia esse fator de ordem espiritual, chegando a condenar o Apóstolo Paulo por "tão feio pecado". Foi o que levou o Doutor das Gentes a dizer: "Por causa da esperança de uma outra vida e da ressurreição dos mortos é que me querem condenar..."

X

Absolutismo Romano


Diz o Evangelho: "E mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico se salvar." Conclui-se daí que o rico não se salva senão empobrecendo; ó que confirma esta outra passagem evangélica: "Quem se humilha é exaltado; quem se exalta é humilhado."

Os ricos não são só aqueles que têm suas caixas abarrotadas de ouro, mas também os "titulares eminentes", os que são possuidores das "chaves da ciência", os "homens superiores" que mandam e governam; todos esses são os ricos que, sobrecarregados de responsabilidade sociais, não cabem no fundo da agulha do portão celestial.

E muito difícil um bispo estudar e compreender a palavra de Jesus e os Evangelhos dos Apóstolos, porque estes se discernem espiritualmente, e a explicação que os papas e os concílios deram dos mesmos não passa de uma interpretação pessoal, sujeita à votação.

Referindo-se à comunicação do Anjo Gabriel a Maria, o bispo diz que este caso não se pode catalogar no número das aparições e comunicações espíritas, porque é um caso extraordinário e também porque neste caso não aparece médium.

Pois então a respeitável mãe de Jesus não foi nesse caso o próprio médium?

O fato que narramos, referente a Monsenhor Paiva, revelou-se também diretamente a uma senhora que é médium, e esta "nos transmitiu, assim como Maria, Mãe de Jesus, transmitiu a outras pessoas a comunicação do Anjo, segundo narração do evangelista.

A diferença que existe entre as duas comunicações é que uma foi o anúncio da encarnação do Redentor, e outra foi o anúncio da desencarnação e de todas as circunstâncias que revestiram a passagem de um padre romano.

Vamos encarar os fatos, tais como eles são; do contrário cairemos no labirinto dos "mistérios" da Igreja.

S. Revma. quer dizer que Maria não evocou; e como havia, nesse caso, de evocar, se ao Anjo é que competia evocá-la?

N. S. Jesus Cristo evocou os mortos Elias e Moisés. A manifestação do Tabor não é mais que uma sessão espírita, à qual compareceram Pedro, Tiago e João, além dos mortos Moisés e Elias.

Segundo o Deuteronômio, que a Igreja cita para demonstrar que é contra a lei "evocar os mortos", Jesus pecou?

O Apóstolo Paulo dizia: "Se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou e é vã a vossa fé." (I Cor., XV, 13-14.)

E como os mortos ressuscitam?

Como Cristo ressuscitou, aparecendo e comunicando-se. Isto parece mais claro que água.

Como Paulo, também podemos dizer: Se for proibido evocar os mortos, e se não são os mortos que se comunicam, Cristo infringiu a Lei e não foram Moisés e Elias que apareceram no Tabor. Ou se aceita o Evangelho, e conseqüentemente o Espiritismo, ou se fica sem o Espiritismo, mas também sem o Evangelho. Roma com todo o seu poder não mais conseguirá aprisionar o Espírito para satisfazer seus caprichos.

O mundo já sabe que Roma não passa de uma associação partidária-religiosa com fins políticos e autoritárias, e que Deus não está em Roma. "Deus não habita templos, palácios, não está no Vaticano, nem é servido por mãos de homens como se precisasse de alguma coisa." (Atos; XVII, 24 a 31.)

XI
Ação de Roma contra a Verdade

Quanto maior a nau, maior é a tormenta; e quanto maior a tormenta, maior é o número dos elementos que a revolvem.

Não bastava a incredulidade, o indiferentismo, o materialismo; todas as escolas filosóficas e todas as "religiões" terrenas, assim como governos e governados, andam todos de pedra em punho para lapidar o Espiritismo na praça pública, como acontecia outrora aos adúlteros sujeitos à Lei Mosaica; ainda para engrossar o exército devastador se unem os bispos de mitra e báculo, à frente da milícia negra que se diz defensora da fé.

A tormenta é grande porque a nau é grande, mas a tormenta há de passar, e a nau que é grande recolherá no seu convés todos os náufragos que dela se aproximarem.

No Mar da Galiléia, por cima de águas revoltas, enfrentando a tempestade que havia desabado, vogou a barca que carregava doze homens, guiada pelo Grande Piloto, sob cujas ordens os elementos enfurecidos cessaram sua fúria destruidora.

Mais uns dias e verá o bispo os "ares" e os "mares" transformados de sua fúria indômita, em aragem calma e branda, em azuladas e mansas ondas beijando o costado alvo de grande nau.

Todas as grandes idéias são mesmo mal recebidas pelo espírito de revolta; depois, apagado o fogo do ódio e esparsas as cinzas do egoísmo, do preconceito social, aqueles próprios que as malsinavam vão gozar dos frutos sazonados que as novas verdades distribuem a mancheias.

O vapor, a eletricidade, a descoberta da circulação do sangue, etc., eram inventos diabólicos, mas todos os padres e todas as igrejas gozam atualmente desses melhoramentos e gozam ainda de graça a locomoção nas estradas e a luz nas igrejas. Os sacerdotes confiam até mais ainda no "pára-raios" do que em Santa Bárbara e São Jerônimo, patronos antigos do raio.

O progresso religioso também se vai acentuando e a Doutrina do Espírito há de substituir a doutrina dos corpos.

Não há maior fonte de loucura do que aquela que se origina da ignorância.

A ignorância é a causa de todos os vícios, paixões e desastres. O que não sabe é como quem não vê e nem ouve; precipita-se no abismo, donde só sai se alma caridosa dai o retirar.

O Espiritismo é a ciência da Verdade, e como tal a ninguém pode enlouquecer.

O bispo disse que "por uma resposta dada pelo Dr. Franco da Rocha, diretor do Hospício de Juquerí, (*) em São Paulo, ao Dr. João Teixeira, se conclui que o Espiritismo é uma fonte fecunda de loucura, e os médiuns uns desequilibrados".


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