Discurso proferido pelo Deputado agnaldo muniz (pps/RO), em sessão no dia 21/08/2003



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Discurso proferido pelo Deputado AGNALDO MUNIZ (PPS/RO), em sessão no dia 21/08/2003.



HOMENAGEM AO BICENTENÁRIO DE CAXIAS


Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,
Esta Casa se reúne em sessão solene para comemorar os 200 anos do nascimento de Luís Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias. Seria impossível deixar passar a efeméride sem que juntássemos nossa voz a de todos os que, desde sempre, têm louvado e mostrado a grandeza dessa singular figura de militar e político.
Se nós formos examinar a história da luta anti-colonial e de formação da nacionalidade de praticamente todos os países da América Latina, vamos econtrar, ali, a figura de um liderança militar que, assumendo as rédeas do poder ou o comando das tropas, levou seu país à independência e montou a estrutura para que ele se viabilizasse como Nação. Bolívar, O”HEGGINS e Samartin, para citar os mais notórios enchem páginas e páginas da história de seus países, páginas que atestam seu heroísmo, seu patriotismo.

Mas Caxias não se coloca ao lado dessas lideranças. E não a faz por uma diferença que nos parece essencial, porque jamais, em tempo algum, durante os muitos e muitos anos que pervagou por nossa história, Caxias assumiu aquela posição características das lideranças políticas de nossos países vizinhos e irmãos, que era a ação caudilhesca. No Uruguai, na Argentina, na Bolívia, na Venezuela, grandes estancieiros em grandes figuras militares, ademais de sua ação libertária tiveram, por razões outras que não nos cabe, neste instante examinar, a oportunidade, ou o desejo, de assumir um controle quase mítico sobre seus seguidores, aquele comportamento que caracteriza, sem sombra de dúvidas, a figura do caudilho.


Mas Caxias, o General, o Ministro, vem de outra cepa, aquela que resulta, antes de tudo, da formação de nosso exército, uma formação que tem raízes democráticas porque ele não se formou a partir das elites nobiliárias, mas sim, da população ela mesma que este nos parece o melhor exemplo- nos batalhões de voluntário da pátria, buscam o uniforme, uma arma para defender o país, como se viu na guerra contra o Paraguai.
E esse homem simples, os escravos, inclusive, permaneceram, nos quartéis, seguiram carreira, digamos assim e foram montando, desde então, um exército que é um orgulho de tradição democrática, aquela que se sobrepôs, vale notar, a alguns poucos que, desprezando essa tradução tentaram desviar nossas Forças Armadas, de uma missão que não é apenas histórica, porque é a história mesma de nossa formação política e social.
Caxias, por isso mesmo, por seu desapego às honrarias dos cargos públicos, por sua rígida formação castrense, rígida no sentido de obediência consciente e decisão consentânea com os interesses do país, é o exemplo mesmo de um Exército que nos orgulha e nos gareate a existência, a sobrevivência e a viabilização como Nação soberana.
Ocorre-nos, aora, uma expressão de Bsalzac, para que os homens de gênio surgem para iluminar o século em que vivem. Tomando essas palavras em seu sentido o mais amplo, permitimo-nos dizer que o século XIX, no Brazil, foi o século de Caxias. Sim, sabemos, tivemos a independência e a República, Dom Pedro I e Deodoro da Fonseca. Nesse intervalo, todo um Segundo Império, recheado de outras grandes figuras de valor Histórico. Mas Luis Alves de Lima e Silva, fosse no Parlamento, fosse nos campos de batalha, responde pela construção de um Exército Democrático, formado pelo povo e, por isso mesmo, a serviço do povo, impedindo, com seu exemplo e decidida ação, que caudilhos de toda espécie se assenhorassem dos destinos de nossa terra o que, vale repetir, jamais aconteceu.
Em Caxias, por isso mesmo, o General e o Duque se somam para compor uma das mais importantes figuras do nosso tempo histórico, um tempo que vem desde o assombro dos índios diante das naus cabralinas até o povo das ruas, exigindo e garantindo seus direitos.

Era o que tínhamos para dizer.

Gratos pela atenção.

Deputado AGNALDO MUNIZ





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