Discurso proferido pelo Deputado geraldo resende (pps/MS), em sessão no dia 25 / 11 /2003



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Discurso proferido pelo Deputado GERALDO RESENDE (PPS/MS), em sessão no dia 25 / 11 /2003.

DIA INTERNACIONAL DE COMBATE À VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados,


Recentemente tive a oportunidade de representar esta Casa de Leis, na República Dominicana. A chance de conhecermos aquele belo país, nos remeteu à sua história política. Para desfrutarem do atual Estado Democrático, os dominicanos enfrentaram uma das mais cruéis ditaduras da história das Américas, imposta pelo tirano Rafael Trujillo.

A luta pela democracia em qualquer nação, sempre cria seus mártires. Pois na República Dominicana não foi diferente. Distingue aquela gente alegre e bonita, que os gestos de maior coragem e heroísmo, foram empreendidos por bravas mulheres, tanto quanto em outros países, lá porém, essas heroínas foram sobejamente reconhecidas.

“Las Mariposas”, Minerva, Pátria e Maria Tereza, as irmãs Mirabal, tiveram a ousadia de combater Trujillo, pelo que foram presas junto com seus maridos e em seguida assassinadas em um gesto de perfídia do ditador.

A comoção e revolta foram tamanhas, que despertaram de vez, o afã libertário dos dominicanos que derrubaram Trujillo, seis meses depois do assassinato.

Agora, o que isso tem a ver com nosso discurso de hoje? Bem colegas, talvez muitos já saibam, mas nunca é demais lembrar: “Las Mariposas” morreram por seu povo, no dia 25 de Novembro de 1960. O sacrifício das irmãs Mirabal correu o mundo e em 1980, durante um encontro feminista na Colômbia, seu brutal assassinato tornou-se o marco mundial do combate à violência contra a mulher.

É emblemático que esse marco tenha saído de uma luta maior, na qual a participação da mulher de forma organizada teve importância fundamental. Os movimentos de mulheres, o feminismo, tem ido muito além do que, a visão machista e sectária pode imaginar.

Lutando por seus direitos, as mulheres são uma referência mundial nas conquistas de toda a sociedade por democracia, na discussão do neoliberalismo, dos processos de globalização, no repúdio à exploração de classes, entre outras demandas que afetam a coletividade e engrandece a todos.

Porém, as mulheres ainda lutam por direitos básicos, que lhes são aviltados: dignidade e integridade física.

Essas são mazelas cujo combate é dos mais difíceis, se considerarmos que as maiores agressões físicas e morais contra as mulheres, são praticadas no cerne de relação interpessoal: da intimidade, onde deveria preponderar afeto e respeito.

A violência contra a mulher, a oprime e aniquila sua auto-estima, impondo insuperáveis limitações a seu desenvolvimento pessoal. Aliás, o medo da violência é tido pelos movimentos de mulheres, “como um constrangimento permanente para a mobilidade da mulher, que limita o seu acesso às atividades e recursos básicos.”

As palavras que trago hoje seriam bálsamo a esses males? É claro que não. Cabe a nós, parlamentares, irmos além do discurso, da retórica e nos comprometermos, com a priorização das demandas dos movimentos das mulheres, que têm invariavelmente em nas nossas colegas Deputadas Federais, suas baluartes.

Temos que, de uma vez por todas, nos dedicarmos às proposições legislativas pertinentes direta ou indiretamente a essa seara, garantido, seriedade e agilidade no processo legislativo.

O início desse real comprometimento, passa necessariamente pelo cumprimento das plataformas das Conferências Mundiais sobre a mulher, das quais o Brasil é signatário, onde se prega, além da prevenção à violência, a efetiva punição a quem quer desse recurso se utilize.

Entendemos a difícil tarefa de combater a desigualdade de gênero, pede a rediscussão dos processos educacionais, de onde devem ser erradicadas as referências sexistas e portanto, discriminatórias.

“Mais que o corpo, a violência machuca a alma, destrói os sonhos e acaba com a dignidade da mulher", assim Marília Gabriela exprime o sentimento de indignação que nos contagia. Em verdade, me causa profunda inquietação constatar que isso pode acontecer em minha comunidade, mesmo porque dela faz parte minha família, minha filha.

Neste 25 de Novembro, “dia internacional de combate à violência contra a mulher”, no bojo da campanha do “Laço Branco”, reafirmo minha disposição de lutar por um caminho mais digno para o pleno desenvolvimento da mulher.



Gratos pela atenção.



Deputado GERALDO RESENDE - PPS/MS
Catálogo: sileg -> integras
integras -> Pronunciamento do Deputado Edinho Bez (pmdb-sc), em de abril de 2011 na Câmara dos Deputados sobre Reforma Tributária dando ênfase, nesta oportunidade, sobre a desoneração da folha de pagamentos
integras -> O sr. José pimentel – pt-ce (Pronuncia o seguinte discurso)
integras -> CÂmara dos deputados projeto de lei n.º 502, de 2003
integras -> Pronunciamento do deputado luiz moreira na sessão ordinária da câmara, em 24 de abril de 2002
integras -> A diversidade cultural brasileira sob o olhar de um deputado federal
integras -> Discurso proferido pelo deputado Sérgio Caiado
integras -> SR. carlos de souza
integras -> SR. giacobo (bloco pl/ pr) pronuncia o seguinte discurso Sr. Presidente, Sras e Srs. Deputados
integras -> Pronunciamento do deputado manato, pdt/ES, na tribuna da câmara, em sessão do dia 22 de outubro de 2003
integras -> Deputado vitor penido


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