Discurso proferido pelo Presidente do Governo Regional da Madeira no Congressos dos 500 anos da Diocese do Funchal



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Encontro27.07.2016
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Discurso proferido pelo Presidente do Governo Regional da Madeira no Congressos dos 500 anos da Diocese do Funchal

Congressos dos 500 anos da Diocese do Funchal



Teilhard de Chardin falava de Deus como o Bem Absoluto.
Santo Agostinho dizia a Alma tender para Deus e só descansar quando repousar Nele.
Em todas as religiões é natural que os Homens crentes estabeleçam a respectiva organização, até porque, como dizia Bento XVI, a Razão e a Fé são indissociáveis.
Organização que, no povoamento deste arquipélago, se traduziu no estabelecimento da Diocese do Funchal.
Organização que visa conjugar a prossecução do Bem Comum dos Homens em sociedade, com a procura, o alcançar e o integrar do referido Bem Absoluto.
Só que a História da Diocese do Funchal demonstra que, mais do que os nossos antepassados se contentarem com uma organização eclesiástica localmente fixa, limitada, antes fizeram desta uma base de partida para cumprir um desígnio, um projecto nacional.
As expressões “desígnio” ou “projecto nacional” são hoje denegridas, quer pelo materialismo marxista, quer pelo materialismo capitalista, ambos feridos pelo positivismo e pela subjugação da Pessoa Humana à Economia, retirando Àquela factores de sua grandeza essencial.
São expressões incompreensíveis nestes tempos do Relativismo sem dimensão e sem o afoito de avançar no caminho da Utopia, esta, afinal, o percurso onde vai sendo possível concretizar alguma felicidade para os povos.
Há quinhentos anos, a Diocese do Funchal não cristalizou e assumiu uma missão específica no arrojo de uma Europa então diferente da hoje moribunda, cheia de dúvidas metódicas e sem conseguir perspectivar horizontes claros.
A Diocese do Funchal multiplicou-se globalizadamente no mundo da Renascença europeia projectada nos mares, com missionação, comerciantes, povoadores e homens de armas, que nada têm a ver com a mediocridade, o conformismo e o pequeno-burguês da República Portuguesa que hoje temos e suportamos.
Nestes tempos de agora, nem a objectividade histórica resistiu ao assalto da propaganda e da manipulação, instrumentos dos poderes reais que controlam as sociedades ainda ditas “democráticas”.
Estas chegaram ao ponto, subordinadas aos interesses dominantes actuais, de confundir com “Império” a outra face humanizante, e não política ou de conquista,  que foi a Cultura e a Civilização europeias. Estas, numa dialética inerente a qualquer sociedade, procuraram dialogar e exprimir Valores junto de outras Culturas e Civilizações, no desígnio de enriquecer o Pensamento e de aprofundar o Conhecimento, estes permanentemente indispensáveis ao Desenvolvimento Integral das Nações.
Os interesses dominantes, principalmente nos dias que correm, precisam de subjugar a verdade histórica à negação dos Princípios.
Os Princípios e Valores europeus civilizadores, reflectidos na sua experiência temporal, permitem-nos recuperar o primado da Pessoa Humana. Por isso, a deturpação de confundir a europeização e a legítima defesa dos europeus, com os Impérios cheios de atrocidades  e de injustiças, mas onde, apesar de tudo e contra muitos e poderosos, outros nós e também os povos que saímos da Madeira, levámos as mensagens duradouras que afinal são hoje pilares das novas Nações livres.
Nós, Povo Madeirense que nunca fomos potentados militares, orgulhamo-nos da forma e do conteúdo que demos participantemente ao diálogo e à interculturação da Europa com outros povos.
Apesar da insularidade de então, ser algo muito mais cruel que a de agora.
Apesar de também então já colónia.
Quando celebramos os quinhentos anos da Diocese do Funchal e percorremos todo este tempo com orgulho, não estamos apenas a rever a História.
Estamos a nos interrogar.
A Genética desta Madeira globalizante, expansionista  no bom sentido, desta Madeira feita com arrojo interno e externo, afinal pouco terá o seu ADN alterado. Comprovam-no as sucessivas emigrações ao longo dos séculos, as novas cidades que o Povo desta Diocese, com os Valores Nela bebidos, ergue em cada canto do mundo.
Fomos capazes de integrar uma globalização, quando o mundo ainda não sabia bem o significado da palavra.
Ora, a celebração dos Quinhentos Anos da Diocese do Funchal, mais do que o comemorativo da efeméride e tendo em conta as circunstâncias actuais, obriga-nos a uma reflexão positiva sobre o futuro.
Na qual terá de continuar a estar sempre presente o que de principal, instintiva ou racionalmente guiou a nossa Resistência até aos dias de hoje, bem como os nossos sucessos por esse mundo fora.
Esse principal é o nosso conceito de Primado da Pessoa Humana, que me leva a lembrar Jacques Maritain:
“O homem é um indivíduo que se mantém a si mesmo pela inteligência e pela vontade; não existe apenas de uma forma física: há nele uma existência mais rica e mais elevada, sobre-existe em Conhecimento e em Amor (...) É um microcosmo no qual todo o grande universo pode ser contido pelo Conhecimento, e que, pelo Amor, pode dar-se livremente a outros seres que são para ele como outros “ele próprio”.
Isto significa em termos filosóficos, que na carne e nos ossos do Homem há uma Alma que é um espírito e que vale mais do que todo o universo material. Este mistério da nossa natureza é assim designado pelo pensamento religioso: a Pessoa Humana é a imagem de Deus.
Descrição que não é monopólio da filosofia cristã, mas comum a todas as filosofias que reconhecem a existência de um Absoluto superior à ordem de todo o universo e o valor supra-temporal da alma humana. É, porém, a filosofia cristã que a leva a um ponto superior de realização”.
Citei da obra “Para uma Filosofia da Pessoa Humana”.
 
Esta foi portanto a Mensagem que, ao partirmos desta Diocese, ao longo dos séculos levámos por esse mundo fora, num esforço também cultural e sobretudo dialético, do qual nenhuma sociedade se pode dispensar, sob pena de perder a respectiva Liberdade e a respectiva Identidade.
Felicito Vossa Excelência Reverendíssima, Senhor Bispo do Funchal, bem como Todos os que tornaram possível a celebração dos Quinhentos Anos da Diocese do Funchal.
É que não foi mais uma celebração.
É importante, nos tempos que correm, fazer os povos reflectir sobre as capacidades que a História lhes reconhece. Terem oportunidade de, face aos desafios e à realidade da respectiva Genética, segurar os Princípios e Valores que foram os alicerces das epopeias ou contratempos que os marcam. E, a partir daí, avançar nos destinos históricos que se conseguem vencendo os medos, eliminando a mediocridade e não desistindo da utopia.
Oxalá que na celebração do primeiro milénio da Diocese do Funchal, então o Povo Madeirense, bem como todos os Portugueses e Europeus em geral, possam ter tanto orgulho nos cinco séculos que se seguem, como nós temos nos quinhentos anos que celebramos.
* Discurso proferido pelo Presidente do Governo Regional da Madeira no Congressos dos 500 anos da Diocese do Funchal


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