Discurso pronunciado pelo deputado darcísio perondi (pmdb/RS), na sessão de 10/08/2009



Baixar 15.94 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho15.94 Kb.
DISCURSO PRONUNCIADO PELO DEPUTADO DARCÍSIO PERONDI (PMDB/RS), NA SESSÃO DE 10/08/2009.
Senhor Presidente,

Senhoras e Senhores Deputados.


Estou aqui hoje para chamar a atenção de meus pares para um artigo do doutor Dráuzio Varella, publicado no último dia 5 de agosto pelo jornal “A Gazeta”, de Cuiabá, intitulado “Reflexões Transgênicas”. O artigo vem em ótimo momento, pois retrata bem a importância dos alimentos transgênicos para a saúde pública nos próximos 100 anos.

O Doutor Varella compara os avanços nessa área ao do saneamento básico, ocorrido no século 20. Segundo ele, a produção de vacinas em vegetais poderá modificar a história da saúde pública e alimentos transgênicos ricos em micronutrientes poderão combater deficiências nutricionais.

Em seu artigo, que deixo aqui para registro nos anais desta Casa, o doutor Dráuzio Varella desmistifica as duas grandes preocupações da população: se o alimento transgênico faz mal à saúde e se a plantação transgênica faz mal ao meio ambiente. Não faz!

Considero, portanto, o artigo importante para reduzir as resistências às pesquisas com transgênicos no Brasil e que merece ser lido por todos.


Muito obrigado.
Reflexões transgênicas

Dráuzio Varella – Médico Cancerologista, formado pela USP



Os alimentos transgênicos poderão representar, para a saúde pública dos próximos cem anos, avanço semelhante ao do saneamento básico no século 20.
A descrição da molécula de DNA, nos anos 1950, rapidamente levou às conclusões que criaram as bases da transgenia:

1) Das bactérias ao Homo sapiens, os genes estão localizados entre as duas hélices da molécula de DNA;


2) Os genes de todos os seres vivos têm estruturas químicas semelhantes.

A constatação de que os genes possuem estruturas quimicamente idênticas em todos os seres criou a possibilidade de transplantá-los de uma espécie para outra, tecnologia batizada com o nome de DNA recombinante.

Já na década de 1980, essas descobertas levaram à produção de proteínas humanas em bactérias escravas: o gene do interferon humano, transplantado para Escherichia coli, permitiu que uma reles bactéria presente nas fezes produzisse interferon recombinante para tratamento de hepatites, câncer e outras doenças. Pela mesma tecnologia, hoje, são produzidas proteínas preciosas como a insulina, a interleucina 2 e muitas outras. Da mesma forma, as técnicas para introduzir genes humanos no gado leiteiro com a finalidade de obter proteínas de interesse médico, excretadas no leite, chegam à fase de implantação comercial.





Vantagens dos transgênicos na agricultura

Mas, nenhuma aplicação da biotecnologia tem a abrangência da produção de alimentos transgênicos. Inserir genes novos nos vegetais cria possibilidades concretas de obter plantas resistentes às pragas e às intempéries da natureza, capazes de produzir com mais eficiência e de fabricar compostos de interesse médico, como vitaminas, proteínas ou vacinas contra várias enfermidades.


A produção de vacinas em vegetais poderá modificar a história da saúde pública. Por exemplo, introduzir nas bananeiras genes que codificam proteínas existentes na cápsula do vírus da hepatite B pode estimular a produção de anticorpos contra essa doença epidêmica em populações inteiras.


Alimentos transgênicos ricos em micronutrientes para combater deficiências nutricionais responsáveis por patologias graves como o câncer, assim como a possibilidade de vacinar grandes massas populacionais contra a maioria das doenças infecciosas através da ingestão de tomate, alface ou batatas transgênicas, tornam absurda a idéia de abrirmos mão do estudo e desenvolvimento de pesquisas com DNA recombinante.



Preocupações justificadas

Por que, então, tanta polêmica sobre os transgênicos?

Por causa de duas preocupações totalmente justificadas:
1) Plantas transgênicas causarão transtornos ecológicos?
2) Alimentos transgênicos farão mal à saúde?
A primeira pergunta deve ser respondida objetivamente pelos estudos de impacto ambiental. É fundamental uma legislação que estabeleça com clareza o conjunto de testes necessários para avaliar o impacto a curto e médio prazo da introdução de um transgênico em determinado meio. Desastres ecológicos não interessam a ninguém, muito menos aos cientistas.

Quanto aos consumidores, não podemos esquecer que até hoje jamais foi descrito qualquer agravo à saúde provocado pela ingestão de transgênicos. E que, nos Estados Unidos, país de legislação bastante rigorosa, pelo menos 70% de todos os produtos alimentícios contêm algum ingrediente geneticamente modificado.



Prova negativa

Quanto à exigência da prova de que eles não fazem mal à saúde, é preciso não esquecer que estudos positivos são fáceis de serem feitos, enquanto os negativos são difíceis de elaborar, excessivamente dispendiosos e demorados.


Explico melhor: provar que sardinha enlatada faz mal é fácil; basta saber se quem comeu ficou doente (estudo positivo). Agora, provar que não faz mal (estudo negativo) é outra história. Quantos precisarão comê-la? Milhares ou milhões? Deverão ser acompanhados por quantos anos para ficarmos tranqüilos? Será seguro comê-las diariamente, ou apenas uma vez por semana, ou uma vez por mês? Quantas dúvidas persistirão no final de um estudo desses?


Só para dar uma idéia das dificuldades, tomemos o exemplo da carne vermelha. Os epidemiologistas da Universidade de Harvard estimam que um estudo programado para definir se a ingestão de carne vermelha aumenta a incidência de ataques cardíacos deveria envolver pelo menos 100 mil consumidores de carne e um número equivalente de abstinentes (grupo controle). Seria necessário acompanhá-los por pelo menos 20 anos, a um custo aproximado de 1 bilhão de dólares.
Enquanto não surgirem voluntários para patrocinar uma pesquisa dessas, continuaremos sem saber se comer carne faz mal para o coração. E a carne é conhecida de nossa espécie há 5 milhões de anos!
Os que exigem estudos negativos, para demonstrar que os transgênicos não causarão problemas de saúde a longo prazo, desconhecem a complexidade do tema e ignoram a inexistência de provas semelhantes para a carne, para o arroz ou para a cenoura.

Poder de decisão

Essa questão é muito relevante para ser decidida por políticos despreparados ou por militantes repetidores de slogans a favor ou contra. Em nossas universidades e, especialmente, na Embrapa há cientistas com conhecimento suficiente para que o Brasil ocupe posição de destaque nessa área; basta um mínimo de vontade política.


O benefício que os transgênicos poderão trazer à humanidade é de tal ordem que não admite discussões apaixonadas. O tema exige preparo intelectual e racionalidade nas decisões.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal