Ditado pelo espírito joana de ângelis



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“O Livro dos Espíritos”


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DIANTE DO PROGRESSO
Embora os respeitáveis índices que atestam as valiosas conquistas do progresso científico, nos múl­tiplos campos de realizações, não te descures da ação evangélica nos cometimentos evolutivos a que te afervoras.

A astronáutica sonha por atingir as estrelas e de­cifrar-lhes a grandeza; o Evangelho permanece cui­dando do homem na Terra, elucidando-o quanto aos deveres que lhe cumpre realizar.

A cibernética elabora técnicas para lançá-lo com segurança através das distâncias imensuráveis; o Evan­gelho luta, porém, para equilibrá-lo na sociedade onde cresce espiritualmente.

A ciência em geral tenta resolver os problemas que afligem a criatura impelindo-a para fora; o Evan­gelho projeta-lhe claridade íntima, ajudando-a a rom­per as amarras que a fazem infeliz.

Os métodos científicos atam os seres às conjun­turas da sua limitação; o Evangelho libera-os dos impedimentos que os retêm na retaguarda da evolução.

O tecnicismo procura amenizar as asperezas e as constrições que decorrem do mundo moderno; o Evangelho elucida quanto à razão dos sofrimentos e elimina os óbices que impedem o homem de avançar.


*
Ninguém como Jesus conseguiu, jamais, produ­zir tão elevados padrões de valorização do homem, sem as complexidades de que hoje se utilizam as cria­turas, sem que logrem expressivo êxito.

Desfilaram ante Ele os mais diversos biótipos humanos e sociais, recebendo seguras diretrizes.

A todos dispensou a mesma solidariedade frater­nal e moral, sem alarde, sem restrição.

Não se utilizando de qualquer tipo de prolixidade, ensinou a metodologia do amor que “cobre a mul­tidão dos pecados”, mediante a vivência que se per­mitiu, amando indistintamente.

Da chamada ralé ergueu protótipos de nobreza e da nobreza temporal levantou a culminância da digni­dade real príncipes e doutos, através dos mesmos re­cursos de ternura e sabedoria.
*
O progresso, para ser legítimo, não pode pres­cindir da elevação moral dos homens, que se haure no Evangelho, sempre atual.

As conquistas da inteligência, embora valiosas, sem a santificação dos sentimentos, conduzem ao des­vario e à destruição.

Para serem autênticas as aquisições humanas, devem alicerçar-se nos valores éticos, sem os quais o conhecimento se converte em vapor tóxico que cul­mina por aniquilar quem o detém.

Estudo, pesquisa, sim, mas amor também.

Examinando a problemática da evolução, os Mensageiros encarregados da Codificação Espírita fo­ram taxativos: “Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo.”

Nem o amor sem equilíbrio, arrebatamento que revela paixão e desconserto interior, nem a instrução intelectual sem o conteúdo de amor, a transformar-se em vapor alucinante de vaidades perniciosas quão destrutivas.


*
Sem o equilíbrio das duas asas a ave não conse­gue voar, plainando nas alturas.

Amor e conhecimento são as asas harmoniosas para o progresso do homem e dos povos, progresso que, não obstante as paixões nefastas ainda predominantes na natureza animal do homem, será impossível de ser alcançado.

Inexoravelmente o homem avança e sem apelação crescem as sociedades na direção da felicidade, por­que é da Lei que o espírito jamais retrocede, progre­dindo sempre e com ele a sociedade humana, repre­sentada pelas nações, evoluindo sem cessar.

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DIANTE DO DESTINO
Falso o conceito sobre os que “estão fadados ao mal “.

Equivocado o ensino de que a “sorte é respon­sável pelo destino de cada homem

Absurda a teoria em torno dos que devem irre­missivelmente “sofrer desgraças

Lamentável a idéia que impele o ser a “fazer o que deve fazer” na contingencia do erro e da desdita.

Sem fundamento a asseveração da “fatalidade para o infortúnio

O destino individual resulta dos atos de cada criatura. Por isso mesmo, a todo instante, sofre injunções positivas e negativas que lhe alteram a plani­ficação.

No determinismo das Leis, há opções que de­correm do comportamento do espírito em experiência evolutiva, dispondo e orientando sempre para as tri­lhas liberativas e felicitantes.

Ninguém, portanto, em desvalimento, atirado à irrefragável derrota.


*
Querer ou não querer, esforçar-se ou não pelo triunfo pessoal, depende de cada aprendiz da vida.

Açulado, perseguido por fatores inditosos, arro­jado a situações perniciosas, mesmo assim o homem é responsável pela sua acomodação tácita ou pelo em­penho de superação das injunções, que devem fun­cionar como valiosas experiências para a fixação do dever nobre, do bem atuante nos painéis da sua mente encarnada.


*
Açodado por inspiração obsessiva ou compelido pela impulsividade malsã de companheiros aturdidos, a responsabilidade da decisão te pertence.

Não transfiras culpas, escudando-te no destino, ou no propelimento da natureza íntima, ou nos fatores circunstanciais.

Reencarnação é oportunidade de soerguimento e não de desaire ou queda.

Acumpliciamento com o mal é afinidade para com ele.

Sintonia com o bem é sede de amor e ânsia de felicidade.

A ascensão ou a queda será decorrência do teu livre arbítrio, desde que, em todo momento, o Senhor te faculta recursos excelentes com que podes discernir, optar e agir...


*
Em situação que te pareça aziaga, ao invés da deserção do dever, da revolta precipitada, do desva­rio, recolhe sensatez, prudência, amadurecendo inti­mamente e interiormente modificando-te.

Lição é o prêmio da vida, como a experiência representa aquisição preciosa do esforço pessoal, in­transferível.

De forma alguma desistas de lutar, de tentar em esforço de reabilitação, de repetir a tarefa até lograr a vitória.

Só há fatalidade para o bem sendo as determina­ções de provação e expiação, capítulos e ensaios re­dentores para os equivocados que se demoram nas experiências primárias da evolução.



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DORES E JUSTIÇA
Semelhantes a sementeira produtiva, imbatível, ei-los que retornam. Sofrimentos que supunhas superados dilaceran­do as fibras do espírito; obstáculos imprevisíveis de que já esqueceras, causando receios justificados; danos morais para os quais te acreditavas preparado, espe­zinhando tua fortaleza íntima; enfermidades contínuas cansando tuas disposições de otimismo; problemática financeira reduzindo possibilidades aquisitivas; angús­tias que dormiam anestesiadas, volvendo, imprevi­síveis, ameaçadoras; debandada de amigos e afetos que foram adiante, deixando-te quando deles mais necessitavas...

E, inumeráveis outras conjunturas afugentes, conspirando contra os teus esforços de progresso e ascensão.

Todavia, só assim progredirás, ascenderás.

O aguilhão é, por enquanto, o mais eficaz impul­sionador para muitos espíritos.

Clima de paz, conforto fácil e família ditosa ge­ralmente criam problemas outros, que somente no gra­bato de aflições vigorosas podem ser considerados.

Não recalcitres, por isso, nem renteies com os

desesperados, engrossando suas fileiras. Isto também passará, como já transitaram no tem­po e no espaço outras conjunturaS e acontecimentos.
*
Os que se supõem vitoriosos estão semeando o amanhã...

Não poucos deles, embora fartos, atiram-se açula­dos pela monotonia que dizem sofrer aos espetáculos fortes da leviandade que produz loucura, tentando emoções novas.

Correm atônitos ou desfilam fantasiados e iludi­dos, invejados, mas igualmente insaciados.

Refestelam-se na comodidade, todavia, carregam outros problemas, que não te são peculiares, graças à posição em que te situas.

Agradece a Deus ‘a carga de penas que te sobre­carrega, no entanto te proporciona benéficas reflexões, fazendo-te sonhar com o amanhã tranqüilo.

Não penses exclusivamente em termos de atual reencarnação.

Reflete na dimensão da vida futura, a verdadeira, e promove os teus dias porvindouros carpindo e res­gatando as dores que te alcançam, provindas de qual­quer procedência, certo de que a justiça da paz te encontrará, como já te atingiu a justiça para o res­gate...

A libertação não precede a caminhada redentora.

Não te amofines, prosseguindo otimista, haja o que houver.

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VÍCIOS E DELITOS
Condicionamentos passados fortemente fixados nos tecidos sutis do espírito ressurgem como incontidas impulsões, que se transformam em vigorosos se­nhores dos que lhes padecem a injunção.

Procedentes do pretérito espiritual, fazem-se dila­ceração da alma desde cedo, quando o processo da reencarnação se consuma...

Constituem imperiosos tormentos que aparecem reiteradamente, dominam e destroem os seus êmulos.

Formam as paisagens lôbregas do mundo moral da criatura humana.


*
Tomam corpo em decorrência dos maus hábitos, estimulados pela insensatez, cultivados pela permissi­vidade social.

Assumem aspeto inocente e se incorporam à per­sonalidade, tornando-se uma segunda natureza que absorve os recursos superiores da vida, culminando por seviciar e vencer os que derrapam na sua inditosa direção.


*
Defluem de inspirações perniciosas de mentes desencarnadas, em processo insinuante de obsessão simples, que se converte em subjugação selvagem, me­diante a qual os cômpares se sustentam e se extre­munham, infelicitando-se reciprocamente em doloroso processo de longo curso em que se interdependem, amargurados.
*
Possuem uma gênese e uma gama diversa e com­plexa.

Todos decorrem do espírito dúbio e procedem da fraqueza interior dos que se acumpliciam em consór­cio de dependência inditosa.

Florescem, pestilenciais, na alma, na mente e no corpo.

São paixões dissolventes que envenenam com te­nacidade, em programática segura.


*
Seja sob qual aparência os descubras em ti, não lhes dês trégua.

A mentira inocente estimulada transforma-se, um dia, numa calúnia bem urdida.

Uma taça de licor singela, repetida, faz-se veí­culo de alcoolofilia martirizante.

Um delíquio moral momentâneo, aceito com na­turalidade, abre as portas da dignidade à corrupção.


*
Sê severo nos teus compromissos morais, nas tuas relações sociais, impondo-te elevação e austeridade.

Um descuido, uma concessão e se estabelecem os vínculos inditosos.

Morigeração e cuidado deves manter, mesmo que os outros se favoreçam com maior soma de liberdade, a fim de preservar-te das artimanhas dos vícios e de­litos que trazes do ontem, que podes adquirir hoje e que estão fáceis por toda parte...
*
Sublimes realizações, tarefas nobilitantes que su­portaram graves investidas do mal, homens e mulheres resolutos que se ofereceram ao bem e ao dever, tom­baram, inermes, ante os vapores dos vícios sociais e delitos morais aparentemente ingênuos, que terminaram por vencer as decisões robustas em que fraquejaram...

Vigia e perscruta teus sentimentos.

Se descobrires tendências e inclinações não adies o combate, nem te concedas pieguismo.

Luta e vence-os de uma vez, arrebentando os elos mantenedores da viciação e dos delitos, a fim de logra­res o êxito que persegues, anelas e necessitas.



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PASSADO E DOR
No passado espiritual de cada criatura se inscre­vem as causas dos sofrimentos humanos.

Enfermidades irreversíveis, problemas teratológi­cos, perturbações psíquicas de largo porte, limitações e mutilações físicas, degenerescências orgânicas e mentais, aberrações congênitas procedem do uso indevido e abuso do livre arbítrio quando de outras experiências evolutivas em reencarnações pregressas.

É das Leis divinas que ninguém pode abusar im­punemente dos tesouros inalienáveis de que usufrui na condição de ser inteligente.

A realidade física impõe deveres para com os im­plementos orgânicos e as delicadas peças encarregadas das manifestações intelectuais, concedidas pela Divin­dade para a aquisição de sabedoria e felicidade para o Espírito em evolução.

Os desregramentos de qualquer expressão impõe necessidades reparadoras que gravam nos recessos do Espírito as matrizes que organizarão as futuras engrenagens de que se utilizará a vida para realizar as altas finalidades.

Não obstante os problemas e as dores que tradu­zem necessidade urgente de reparação interior, é tam­bém da Lei que toda aquisição de ordem superior fun­cione como bênção que faculta liberação carcerária no programa de resgate espiritual. Equivale a uma compensação de que se utilizam os Benfeitores da Hu­manidade para minimizar as angústias e expiações necessárias aos calcetas, em razão da própria depuração.

As leis que regem o Universo são de amor, e o amor não implica em conivência com os engodos e erros do ser amado, antes se estabelece mediante o im­positivo da sua libertação e da sua ascensão para Deus.
*
Normalmente os que padecem determinadas constrições orgânicas e mentais, como expurgatórios abençoados, se tornam causas de dores angustiantes para pais, familiares e amigos. Ocorre que todo aque­le que se encontra vinculado direta ou indiretamente aos que expunge, aí não estão a- expensas do acaso, na condição de vítimas que sofrem injustamente.

Não há equívocos no Estatuto Divino.

Antigos comparsas, sequazes de loucuras, êmulos e estímulos de desequilíbrios, fatores causais de sui­cídios chocantes e homicídios hediondos renascem no mesmo grupo genético, a fim de participarem do res­gate das suas vítimas ou dos seus cômpares.

O mesmo ocorre em relação aos seres queridos que retornam à Vida Espiritual de surpresa, deixando na retaguarda pais e amigos com a alma dilacerada.

Antigos suicidas, que volvem a cumprir período não resgatado, vinculam-se àqueles antigos amores que os levaram à alucinação autocida, deixando-os mergulhados na rude saudade, mortificados pela dor...

O presente, porém, é ensancha sublime que a to­dos compete aproveitar.


*
Enxuga o pranto, transforma a saudade em sinfo­nia de esperança, atende à enfermidade, conduze re­signado a cruz dos padecimentos libertadores, confia e espera.

O amanhã será o teu dia de sol e de bem-aventu­ranças.

Não desfaleças ante as conjunturas aflitivas.

Desde que provéns do passado de erros e pertur­bações, edifica o teu porvir de venturas, amando, ser­vindo e renunciando desde agora, porqüanto o bem éa única linguagem eterna a produzir incessantemente felicidade plena e sem jaça.



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PROSSEGUIR SEMPRE
O desfalecimento na luta traduz, não raro, a fra­queza nos propósitos esposados. Quando essa ocorrên­cia incide nos expressivos labores que objetivam os ideais de enobrecimento humano, com vistas à comu­nidade onde o trabalhador se acha situado, a atitude de desânimo se faz mais grave pelas implicações de que se reveste. Não apenas constitui fator dissolven­te na coragem de todos como se revela debilidade de convicção. Quem se dispõe ao ministério da iluminação pró­pria, alargando possibilidades em relação ao próximo, deve estar consciente de que o seu empreendimento é sacrificial, e todo o esforço deve ser empregado sem as amplas aspirações de recompensa imediata, entendimento geral, aplauso público.

No serviço deve-se descobrir a emulação para o desiderato, conscientizando-se cada vez mais do quanto ­deve ainda fazer, ao constatar insucesso no serviço realizado.

Diante da agressividade que explode ameaçado­ra, indispensável redobrar a paciência; em face da deserção de colaboradores antes devotados, mais ampla fidelidade ao serviço; junto ao desespero coletivo, confiança inabalável; se grassam a maldade, o comentário ácido, a ingratidão mesquinha, o rigor dos fiscais da inutilidade, a sanha feroz dos perturbados em si mesmos pelas paixões mais vis, indubitavelmente são exigidas maiores somas de renúncia e fé, persistência e otimismo, porqüanto, no solo sáfaro, são imprescindíveis mais adubo e irrigação para o êxito da sementeira, o mesmo ocorrendo, nas paisagens inditosas dos espíritos equivocados...

Desfalecer, porém, na luta, nunca!


*
O êxito de uma engrenagem complexa depende da exatidão de cada peça.

A eloqüência de um discurso decorre da colocação correta de cada palavra na elaboração do conceito ­harmonioso.

A musicalidade sinfônica pertence ao ajustamento de cada nota melódica.

O mesmo acontece de referência aos empreendimentos superiores a que te vinculas.

Momento a momento, ação a ação, esforço a esforço lograrás a meta, se prosseguires sempre, sem pressa, todavia sem desânimo.

Cada dissabor que experimentes sem descoroçoamento, na estrada do bem, é um êxito no entesouramento de bênçãos íntimas.

Toda dificuldade defrontada no desdobrar dos esforços torna-se um convite a mais eficiente reflexão para segura superação.

Aquele que desiste, vitimado pelo receio injustificado ou arrimado ao desânimo indesculpável, perde o excelente veículo da oportunidade que lhe propiciaria o triunfo sobre si mesmo, granjeando a felicidade pela farta sementeira do amor a assimilar-lhe o caminho vencido.


*
Aos sinais de cansaço, inquietação íntima, desânimo sorrateiro ou indiferença em plena atividade fraternal, resguarda-te na oração e cuida-te.

Inimigos embaraçosos que se exteriorizam de ti mesmo bloqueiam os centros de interesse, frenando os teus impulsos nobres, com iminente perigo de arrojar-te nas rampas da desdita e da loucura.

Impõe-te vigilância e porfia.

Armado com a “couraça da fé” e os hábeis recursos da perseverança, da humildade e da caridade no coração, conseguirás readquirir a confiança e o otimismo, porqüanto a “fé remove montanhas”, quando o amor luze nalma e se prossegue no dever, conforme

elucidou Jesus.

NONA PARTE

DA LEI DE IGUALDADE

803. Perante Deus, são iguais todos os homens?

“Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez Suas leis para todos. Dizeis freqüentemente: “O Sol luz para todos” e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais.”

806. É lei da Natureza a desigualdade das condições sociais?

“Não; é obra do homem e não de Deus.”
O Livro dos Espíritos

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CRÍTICOS IMPIEDOSOS
Não te permitas a atribuição de avinagrar as ho­ras de outrem mediante o ingrediente da crítica contu­maz ou da censura incessante.

Há muitos críticos na Terra que apenas vêem o que lhes apraz, conseguindo descobrir o humilde cas­calho no leito de um rio de brilhantes preciosos.

Sua argúcia facilmente aponta erros, aguça deta­lhes negativos, embora insignificantes. São perfeccio­nistas em relação às tarefas alheias, combativos contra os companheiros de lide, nos quais sempre descobrem falhas, descoroçoando, facilmente, quando no lugar da­queles aos quais combatem.

São críticos, porém, incapazes de aceitar as apre­ciações que os desagradam.

Quando advertidos ou convidados ao diálogo franco, de que se dizem partidários, justificam os en­ganos e justificam-se, não admitindo admoestações ou corrigendas.

Há, sim, muitos desses críticos na Terra.

Ouve-os, mas não te detenhas nas suas apreciações.

Segue adiante e porfia sem desânimo.

Eles também passarão pelo crisol das observações alheias, nem sempre sensatas ou verdadeiras.

Sê tu aquele que ajuda com alegria em qualquer circunstância.

Mesmo que te agridam, ora por eles e não os ames menos.

Não tens o dever de agradá-los, é verdade, porém não os tenhas como inimigos.

Sem que o saibam ou porque insistam em ignorá­lo, necessitam de tua amizade pura e desinteressada.

Assistido por tais críticos impiedosos e por eles insistentemente perseguido; fiscalizado por tais “de­fensores da verdade” e por eles combatido; seguido a cada passo por frios e céticos reprochadores e por eles azorragado verbalmente, Jesus prosseguiu sereno, por saber que os doentes mais inditosos, são os que se re­cusam reconhecer a posição de enfermos, quando os piores cegos são aqueles que não querem ver

Buscando o “reino dos céus”, não contes com os enganosos aplausos da Terra, bendizendo os teus crí­ticos, os fiscais insensíveis da tua conduta, que, sem quererem, te impelirão para Jesus, o fanal que desejas honestamente lograr.

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JULGAMENTO ERRÔNEO
Por imprevidência permites que a mágoa se te as­senhoreie do intimo face ao triunfo de pessoas arbitrá­rias, ardilosas e desonestas.

Examina-lhes, superficialmente, as atitudes, e, como os vês alçados ao triunfo transitório do mundo, deixas-te consumir por insidioso despeito, senão por surda revolta, como se estivesses a tomar nas mãos as diretrizes da vida para agir conforme as aparências.

Crês que mereces mais do que eles, os insensatos e perversos, que galopam sobre a fortuna e a glória, sem te dares conta de que as determinações divinas são sábias e jamais erram.

Ante os problemas que te surgem, comparas a tua com a existência de filhos ingratos que tudo recebem, de esposos infiéis que são bem aceitos no grande mun­do, de amigos desleais que, não obstante, vivem cerca­dos pela bajulação dourada.

Não te agastes, porém, indevidamente.

Corrige a visão e muda a técnica de observação.

Cada espírito é um ser com programação própria, fruto das suas realizações pessoais. Não se pode exa­miná-los e julgá-los em grupo. Aliás, ninguém pode com acerto total julgar o próximo.

Conveniente, por isso, fazeres a parte que te com­pete, na programática da vida e prosseguires sem des­falecimento, nem desaires.


*
Ontem estiveste aquinhoado com a mordomia de valores que desperdiçaste.

Já fruíste de afeições abnegadas que desconside­raste.

Passaram pela porta das tuas aspirações alegrias e bênçãos que malsinaste.

Por algum, tempo sobre os teus ombros pesaram as cangas da governança e da responsabilidade, que arrojaste fora leviamente.

Amigos cantaram aos teus ouvidos as músicas da fraternidade e as transformaste em patéticas, após trai­ções e infâmias.

Esvaziaste a ânfora da esperança, arrojando fora as concessões do bem. .

Agora carpes, experimentas faltas, registras sofri­mentos, anotas soledade...

Reformula conceitos, opiniões e arma-te de pa­ciência e valor a fim de prosseguires otimista.

É sempre dia para quem acende a luz da fé no co­ração e usa o amor nas realizações a que se afervora.

Vens de experiências fracassadas e estás em tenta­tivas de equilíbrio.

Não te desencantes.
*
Agora é a vez dos outros.

Fruem hoje o que possuíste ontem.

Ajuda-os a não caírem na alucinação que te ven­ceu, orando por eles, não os invejando, nem pensando mal a respeito deles.

Além disso, eles sabem como estão construindo a ilusão, os recursos de que se utilizam e isto basta-lhes como punição gravada na consciência, de que não se conseguem libertar.

Sorriem em público e choram a sós.

Gozam em sociedade e reconhecem-se solitários.

Por penetrar no âmago das questões e no cerne das consciências, afirmou Jesus: “Vós julgais segundo a carne, eu a ninguém julgo”.

Faze a paz com todos e fruirás das messes da paz, não julgando, condenando ou perseguindo ninguém.



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GLÓRIAS E INSUCESSOS
Pessoa alguma se encontra em clima de privilé­gio, enquanto na vilegiatura material.

Triunfos e galas, destaques e fortuna, saúde e la­zer não significam concessões indébitas que alguém po­de usufruir sem o ônus da responsabilidade.

Empréstimos superiores ensejam aquisições rele­vantes, de que nem sempre sabem utilizar-se os tran­sitórios mordomos dos valores terrenos.

Teste para os portadores dos títulos e láureas, dos bens e moedas, são também exemplo da excelsa mise­ricórdia, a fim de que todos se possam adestrar na mo­vimentação dos recursos que levam à dita ou à aluci nação, mediante o uso e a direção que cada um resolva dar às posses vulneráveis.

Isto, porque, as alegrias facilmente se convertem em tristezas, as honrarias e glórias se transmudam em amargura e desaire, as moedas e títulos se consomem e desaparecem, a saúde e o lazer passam, enquanto a vida física se extingue.

Somente perduram o que se fez das posses, quan­to se armazenou em bênçãos, tudo que se dividiu em nome do amor, multiplicando esperança e paz.


*
Ninguém que esteja em estado de desgraça, en­quanto transitando nas roupagens carnais.

Soledade, pobreza, doença, limitação, esqueci­mento constituem provas redentoras de que se utili­zam os excelsos mentores encarregados da programá­tica reencarnatória, para a educação, a ascensão e a felicidade dos que tombaram nos fossos da loucura e da criminalidade, quando no uso das disponibilidades que lhes abundavam no passado.

Desgraça real é sempre o mal que se faz, nunca o que se recebe. Insucesso social, prejuízo econômico, fatalidade são terapêuticas enérgicas da vida para a erradicação dos cânceres morais existentes em metás­tase cruel nos tecidos do espírito imortal.

Nesse sentido, a soledade se enriquece de presen­ças, a enfermidade passa, o abandono desaparece, a li­mitação se acaba, a pobreza cede lugar à abundância e, mesmo ocorrendo a morte, a vida espera, em triunfo, após a cessação dos movimentos do corpo.


*
Êxitos e desditas à luz do Evangelho se apresen­tam comumente em sentido oposto à interpretação ime­diatista dos conceitos humanos.

Na mangedoura, entre pecadores, no trabalho humilde, convivendo com os deserdados, reptado e perseguido pela argúcia dos vencedores terrenos, larga­do numa cruz, Jesus é o símbolo do triunfo real so­bre tudo e todos, em imperecível lição, que ninguém pode deslustrar ou desconhecer.

Toma-o por modelo e não te perturbes nunca!

Nas glórias ou nos insucessos guarda-te na paz in­terior e persevera no amor, seguindo a rota do Bem inalterável.­



46

SOB DORES EXTENUANTES
Sobraçando dores e aturdido no báratro das in­terrogações sem respostas imediatas, exaures-te sem consolo, face às sucessivas desilusões e amarguras.

Tens a impressão de que desmoronaram os teus castelos de esperança como se fossem de névoa bri­lhante diluída pela ardência do áspero sol do deses­pero.

Todavia, não obstante o acúmulo dos sofrimen­tos que te gastam, esmagando os teus anelos, quais arietes da impiedade que destrói, dispões da confian­ça em Deus e não deves desistir da luta.

Todas as lágrimas procedem de razões justas, em­bora não alcances prontamente as suas nascentes.

Reconforta-te na decisão das atitudes sãs a que te entregas e não permitas que as leviandades dos fra­cos e irresponsáveis tisnem de sombras os claros céus do teu porvir.

Faze a tua parte ajudando sem, contudo, coloca­res sobre os ombros o fardo da responsabilidade que te não compete.

Ninguém se poupa às dores, inevitáveis, na sen­da evolutiva. Não é justo, porém, permitir que estas esmaguem ou anulem os objetivos relevantes da tua promissora e produtiva reencarnação.
*

Muitos dizem que a morte deverá ser o fim dos padecimentos.

Sabes que não é assim.

Outros asseveram que morrer é consumir-se no caos.

Estás informado que a referência não é correta. Cada vida tem a suceder a desencarnação, decor­rente dos hábitos a que se afervore.

Para o Além conseqüentemente são transferidos os anseios e os sorrisos, os segredos que se revelam e os enigmas que se decifram, as conquistas que se fi­xam como bênçãos e os desaires que se convertem em canga e carga de espinhos.

Resolve aqui, quanto antes, logo surja a oportu­nidade, os problemas e as complicações.

Não te ensejes, no entanto, quedas ou desesperos em razão de ti mesmo ou daqueles a quem amas.

Cada ser responde pelos próprios atos, hoje ou mais tarde.

Tens a luz da fé, que brilha à frente. Preserva-a e insculpe-a no cérebro, clareando o coração.

Segue adiante, mesmo que sobraçando tantas do­res, estejas a ponto de parar, de desistir ou de tombar.
*
Coroado de espinhos, ferido por uma lança e aten­dido na sede por uma esponja vinagrosa, carregando nalma a ingratidão e o olvido dos amigos, sob um céu plúmbeo que ameaçava tempestade, Jesus não parecia um triunfador, confundido com dois bandoleiros que completavam a cena trágica do Calvário... Todavia, era o Incomparável Filho de Deus no supremo abando­no dos homens mas em superlativa glória com a Di­vindade, mediante cujo testemunho atingia o ápice do seu ministério de amor entre as criaturas.

Pensa nisso, alma sofredora, e não desfaleças.

Dor é bênção libertadora, através da qual se rom­pem os encantamentos da ilusão e da fatuidade, dando ensejo à ímarcessÍvel conquista dos inalienáveis tesou­ros do espírito eterno, ditoso após a luta redentora.

47

DE ÂNIMO INQUEBRANTÁVEL
Em teu compromisso pessoal de renovação contí­nua com Jesus, precata-te contra os fatores circunstan­ciais, sutis e perigosos que se te insinuam, transfor­mando-se, posteriormente, em teus algozes impiedosos.

O ácido da ingratidão, o fel da amargura demo­rada, o vinagre da revolta constante, a truculência da rebeldia, a sombra da dúvida, a lâmina da maledicên­cia, o veneno da ira, o’ azinhavre da preguiça e todo um cortejo que lentamente penetra, domina as engre­nagens do teu labor, emperrando a máquina das tuas aspirações e sitiando-te no canto escuro do ceticismo ou no poço fundo da soledade.

Em lugar deles deixa que se te instalem o labor exaustivo pelo bem, o aroma da esperança nas ações, o óleo do otimismo nas peças enferrujadas pela decep­ção, a chama da alegria em toda a atividade, a presen­ça da tolerância na luta, o amplexo da fraternidade autêntica junto aos demais, a paz da paciência e o tem­pero do bom humor, de forma estimulante para os momentos asados em que os problemas pareçam amea­çar consumir-te.

Não faltam os conspiradores da paz nos arraiais do nosso bom viver.

Pululam, entretanto, também, os estímulos da santificação quando nos voltamos para as esferas da luz.

Fitando o sol e deixando-te por ele deslumbrar, énatural que nem sempre te detenhas no solo e os teus pés sejam feridos, agredidos pela urze e pelo pedrou­ço que terás de calcar. Não obstante, ao atingires o planalto que te deslumbra, à frente, donde poderás vislumbrar os horizontes sem fim da plenitude da vi­da, serão de somenos importância os óbices vencidos, que ficaram para trás, os problemas superados que deixaste à margem.

Cada alma, porém, segue até onde pode. Não se­jas daqueles que coletam mágoas, que desertam, que desconfiam, que ruminam desesperos íntimos, que mo­dificam a estrutura de fatos ao prazer do desequilíbrio interior. .

Filho da luz divina, marchando na direção do Pai, deixa as bagas de amor como gotas de orvalho e de carinho pelos caminhos percorridos, porque o homem será sempre, hoje ou mais tarde, o que se faça de si mesmo.

Forte, deverá vencer as paixões; fraco, deverá fortalecer-se em Cristo para a vitória de si mesmo.

E entregando-te em clima de total confiança a

Deus triunfarás, porque tal é a meta que a todos nós está destinada.

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INGRATIDÕES
Muito raro nos corações, por enquanto, o senti­mento da gratidão.

O semblante afável, a voz melodiosa, a atitude gentil no ato da solicitação do auxílio, quase sempre se convertem em sisudez, verbetes duros, gestos brus­cos no momento de retribuir.

Gratidão prescreve altruísmo, amplitude de espí­rito, riqueza de emoções. Como o egoísmo prossegue triunfante, em grande número de pessoas, estas, mes­mo quando sentem as expressões do reconhecimento repontarem no imo, se asfixiam, vencidas por contro­vertidos estados íntimos.

Algumas alegam que não sabem retribuir, que se constrangem, sentem receio, avergonham-se... E olvi­dam que é sempre mais feliz aquele que dá, felicitan­do-se, também quem retribuir sentimentos, gestos ou palavras.

Retribuir com ternura, com expressões de afeto, com gestos de simpatia fraternal em testemunhos de solidariedade constituem formas de gratidão no seu sentido nobre.

Não apenas por meio de moedas, objetos, uten­sílios deve ser a preocupação dos que se beneficiaram junto a alguém, buscando exteriorizar ou traduzir gra­tidão de que se sentem possuídos.


*
Sê tu quem doa reconhecimento, quem resgata a dívida da gratidão pela fidelidade, afeição e respeito a quem te foi ou te é útil.

Nunca esqueças o bem que recebeste, embora se modifiquem os quadros da vida em relação a ti ou a quem te beneficiou.


*
Se alguém te retribui com a ingratidão o bem que doaste, exulta. Ë sempre melhor receber a ingratidão do que exercê-la em relação ao próximo.

Se ofertaste carinho e bondade, sustentando a ale­gria nos corações alheios e te retribuem com azedume ou indiferença, alegra-te. O ingrato é alguém que en­louquece a longo prazo.

Se te sentes tentado à decepção, porque o bem que fazes se demora sem a resposta dos que o fruem rejubila-te. A árvore não se nega a doar aos malfeito­res do caminho novos frutos, após ser apedrejada por eles.

Não te constitua modelo aquele que delinqüe pe­la ingratidão ou que te esquece o benefício vencido pe­la soberba.

O bem que faças é bem em triunfo no teu cora­ção. Receber o retributo seria diminuir-lhe a significa­ção do que realizaste.

Bendize, assim, os ingratos e ora por eles, porqüanto estão em piores condições do que supões e se puderes, ajuda-os mais, pois a felicidade é sempre maior naquele que cultiva o amor e a misericórdia, ja­mais em quem recebe e esquece, beneficia-se e despre­za o benfeitor.



DÉCIMA PARTE

DA LEI DE LIBERDADE
825. Haverá no mundo posições em que o homem possa jactar-se de gozar de absoluta liberdade?

“Não, porque todos precisais uns dos outros, assim os pequenos como os grandes.

843. Tem o homem o livre-arbítrio de seus atos?

“Pois que tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina.”


“O Livro dos Espíritos’

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DIREITO DE LIBERDADE
Intrinsecamente livre, criado para a vida feliz, o homem traz, no entanto, ínsitos na própria consciên­cia, os limites da sua liberdade.

Jamais devendo constituir tropeço na senda por onde avança o seu próximo, é-lhe vedada a exploração de outras vidas sob qualquer argumentação, das quais subtraia o direito de liberdade.

Sem dúvida, centenas de milhões de seres transi­tam pela infância espiritual, na Terra, sem as condi­ções básicas para o auto-discernimento e a própria con­dução. Apesar disso, a ninguém é lícito aproveitar-se da circunstância, a fim de coagir e submeter os que seguem na retaguarda do progresso, antes competindo aos melhor dotados e mais avançados distender-lhes as mãos, em generosa oferenda de auxílio com que os educarão, preparando-os para o avanço e o crescimen­to.

Liberdade legítima decorre da legítima responsa­bilidade, não podendo aquela triunfar sem esta.

A responsabilidade resulta do amadurecimento pessoal em torno dos deveres morais e sociais, que são a questão matriz fomentadora dos lídimos direitos hu­manos.

Pela lei natural todos os seres possuímos direitos, que, todavia, não escusam a ninguém dos respectivos contributos que decorrem do seu uso.

A toda criatura é concedida a liberdade de pen­sar, falar e agir, desde que essa concessão subentenda o respeito aos direitos semelhantes do próximo.

Desde que o uso da faculdade livre engendre so­frimento e coerção para outrem, incide-se em crime passível de cerceamento daquele direito, seja por par­te das leis humanas, sem dúvida nenhuma através da Justiça Divina.

Graças a isso, o limite da liberdade encontra-se inscrito na consciência de cada pessoa, que gera para si mesma o cárcere de sombra e dor, a prisão sem bar­ras em que expungirá mais tarde, mediante o impositi­vo da reencarnação, ou as asas de luz para a perene harmonia.
*
A liberdade é a grande saga dos povos, das na ções, da Humanidade que lutam através dos milênios contra a usurpação, a violência, a hegemonia da força dominadora, sucumbindo, sempre, nessas batalhas os valores éticos, vencidos pelo caos da brutalidade.

Livre o homem se tornará, somente, após romper as férreas algemas que o agrilhoam aos fortins das pai­xões.

A sua luta deve partir de dentro, vencendo-se, de modo a, pacificando-se interiormente, usufruir dessa liberdade real que nenhuma grilheta ou presídio algum pode limitar ou coibir.

Enquanto, porém, arrojar-se à luta sistemática de opinião de classe, de grei, de comunidade, de fé, de nação, estimulará a desordem e a escravidão do ven­cido.

Todo vencedor guerreiro, porém, é servo de quem lhe padece às mãos, qual ocorre com os guardiães de presidiários, que se fazem, também, presos vigiando encarcerados.
*
Prega e vive o amor conforme o ensinou Jesus.

Ensina e usa a verdade em torno da vida em triunfo, de que está referto o Evangelho, a fim de se­res livre.

Atém-te aos deveres que te ensinam engrandeci­mento e serviço ao próximo.

O trabalho pelos que sofrem limites e tumultos ensinar-te-á auto-conhecimento, favorecendo-te com o júbilo de viver e a liberdade de amar.

Na violência trágica do Gólgota não vemos um vencido queixando-se, esbravejando impropérios e ex­plodindo em revolta. Sua suprema sujeição e seu gran­dioso padecimento sob o flagício da loucura dos per­seguidores gratuitos atingem o clímax no brado de per­dão a todos: ingratos, cruéis, insanos, em insuperável ensinamento sobre a liberdade de pensar, falar e agir com a sublime consciência responsável pelo dever cumprido.

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O BEM SEMPRE
O bem que deixes de fazer, podendo fazê-lo, éum grande mal que fazes.

Quando convidado a informar sobre alguém, refe­res-te ao seu lado positivo, dando oportunidade ao ou­tro para renovar as suas paisagens íntimas infelizes, sem o constrangimento de saber que os demais estão inteirados das suas dificuldades.

Se alguém agir mal em referência a ti, inutilmen­te passarás o acontecimento adiante.

Muito ajuda aquele que não divulga as mazelas do próximo.

Hábito salutar se deve impor o cristão para o fe­liz desiderato, na comunidade em que realiza as suas experiências evolutivas: policiar a palavra.

Infelizmente, a invigilância em relação ao verbo tem sido responsável por muitos dissabores e conflitos que não se justificam. Aliás, coisa alguma constitui desculpa honesta para contendas e perturbações.

A civilização e a cultura, engendrando os valo­res éticos da educação, constituem -eficientes recursos para que o homem se liberte das paixões inferiores que geram desforços, agressões, pelejas, através dos quais resvala, inexoravelmente, de retorno às expres­sões primitivas, que já deveria haver superado.

Toda interpelação agressiva, qualquer verbete ferinte, cada reação violenta constitui ingrediente pa­ra a combustão do ódio e a semeação nefasta da amar-gura.

Útil quão urgente o esforço pela preservação da paz íntima, mesmo quando concitado ao desvario ou diretamente chamado ao desforço pessoal.

Dos hábitos mentais — suspeita, ciúme, inveja, animosidade, fixação —, como dos condicionamentos superiores pelo exercício do pensamento — reflexão, prece, humildade, auto-exame — decorrem as atitu­des, quando se é surpreendido pela agressividade ou perseguido pela antipatia espontânea de alguém, em si mesmo inditoso.

Reagirás sempre, conforme cultives o pensamen­to.

Falarás e agirás conforme as aquisições que ar­mazenares nos depósitos mentais, através das ocorrên­cias do cotidiano.

Assim, atenta, quanto possível, para os valores dignificantes do teu próximo, exercitando-te nas visões relevantes e contribuirás com expressivos recursos em favor da economia de uma Terra feliz por que aspiras na vivência contínua do bem sempre.

51

SEGURANÇA ÍNTIMA
Embora atingido pela maleivosa insinuação da inveja, não te deixes arrastar à inquietação.

Não obstante a urdidura da maledicência tentan­do envolver-te em suas malhas, não te perturbes com a sua insídia.

Mesmo que te percebas incompreendido, quando não caluniado pelos frívolos e despeitados, não te afli­jas.

Segurança interior deve ser a tua força de equilí­brio, a resistência dos teus propósitos.

Quem é fiel a um ideal dignificante não conse­gue isentar-se da animosidade gratuita. que grassa so­berana, ou sequer logra permanecer inatacável pela pertinácia da incúria...

Somente os inúteis poderiam acreditar-se não agredidos.

O bom operário, todavia, quando na desincum­béncia dos deveres, experimenta as agressões de todo porte com que os cômodos e insatisfeitos pretendem desanimá-lo.

De forma alguma concedas acesso a irritação ou à informação malsã na tua esfera de atividades.

Quando te sentires compreendido, laureado pe­los sorrisos e beneplácitos humanos, quiçá estejas atendendo aos interesses do mundo, contudo não te encontrarás em conduta correta em relação aos com­promissos com Jesus.

Quem serve ao mundo e a ele se submete certa­mente não dispõe de tempo para os deveres relevantes, em relação ao espírito. A recíproca, no caso, é verda­deira.

Não te eximirás, portanto, à calúnia, à difama­ção, às artimanhas dos famanazes da irresponsabilida­de, exceto se estiveres de acordo com eles.

Não produzem e sentem-se atingidos por aqueles que realizam, assim desgastando-se e partindo para a agressividade, com as armas que lhes são afins.

Compreende-os malgrado não te concedas sintoni­zar com eles, nas faixas psíquicas em que atuam.

Não reajas, nem os aceites.

Suas farpas não devem atingir-te.

Eles estão contra tudo. Afinal estão contra eles mesmos, por padecerem de hipertrofia dos sentimen­tos e enregelamento da razão.

Segurança íntima é fruto de uma consciência tranqüila, que decorre do dever retamente cumprido, mediante um comportamento vazado nas lições que haures na Doutrina de Libertação espiritual, que é o Espiritismo.

Assim, não te submetas ou te condiciones às in­junções de homens ou Entidades, se pretendes servir ao Senhor...

Toda sujeição aos transitários impositivos das paixões humanas, em nome do Ideal de vida espiri­tual, se transforma em escravidão com lamentável des­respeito aos compromissos reais assumidos em relação ao Senhor.

Recorda-te d’Ele, Crucificado, desprezado, odia­do por não se submeter aos impositivos da mentira e das vacuidades humanas, todavia triunfante sempre pela Sua fidelidade ao Pai.



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ERRO E QUEDA

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