Divaldo Pereira Franco (Joanna de Angelis) Celeiro de Bênçãos



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Ante ofensas
Num cômputo de opiniões primorosas, a ofensa tem o valor que lhe atribuis, não merecendo maior consideração, que o algodão do silêncio, com que podes fazê-la morrer. As pessoas que se dizem ofendidas pêlos ultrajes decorrentes da insensatez ou pelo primitivismo do próximo, tristeza maior deveriam experimentar pela carga do orgulho que conduzem, antes que pela agressão de que se crêem vítimas. Somente o orgulho, muitas vezes inconfessável, faculta clima e campo propícios à germinação das ofensas que favorecem os vários estágios progressivos da ira, da revolta, da mágoa e, por fim, do ódio de longo curso. Considerada como resultado da enfermidade de que se faz instrumento o agressor, a ofensa não consegue alcançar aquele a quem vai dirigida, se este não a agasalhar. Quando te conscientizares de que és espírito em aprendizado inestimável na Terra, e não te superestimares, passarás a recolher de cada experiência os resultados benéficos que te podem ser propiciados.
Desse modo, a ofensa, assim examinada, produz resultados e frutos opimos, exatamente o oposto do desejo do ofensor. Ao invés de reagires desta ou daquela forma, equivalente ao revide, mergulha no exame do petardo que te é atirado e retira dele as lições de que precisas. Perceberás que o ofensor se transforma em amigo ignorado, em vigilante observador dos teus atos, aguardando ocasião para alcançar-te em erro. Vigiarás, então, melhormente a tua conduta, e aspirarás a horizontes mais felizes, esforçando-te por libertação e paz.
Assim procedendo, sentirás estímulo por testificares as resistências íntimas, e, esclarecido quanto às conjunturas da estrada evolutiva, esforçar-te-ás mais, para abandonar as faixas primárias em que ainda transitas.
Não dês guarida a ofensas, nem te faças igual ao ofensor. Se alguém te perturba e revidas, és semelhante a ele. Se te ferem e não revidas, estás melhor situado do que ele. Se te ofendem e perdoas, esquecendo a ofensa, enquanto aquele cai, levanta-te e marcha, situando-te em clima de paz superior ao dele. Se, todavia, após perdoares e esqueceres, resolveres ajudar o teu ofensor, terás logrado a plenitude daquilo que almejas, desde que ele, embora sem o saber, é instrumento da vida para admoestar-te no instante necessário, acusando-te de erros cometidos, ou que poderias, ou poderás cometer, colocando-te em alerta, contra ti mesmo, em considerando que os adversários mais severos estão sempre no homem, em forma de inferioridade e paixões, e não fora dele como se supõe.
Ninguém mais atacado, desdenhado, ofendido escarnecido do que Jesus... Entretanto, sem debite de qualquer natureza, permaneceu impertérrito ante os perseguidores gratuitos, testemunhando que os legítimos valores são as qualidades íntimas e que a realeza verdadeira é inerente àquele que superou óbices e problemas, planando em harmonia íntima, acima de quaisquer circunstâncias.
O diamante na lama não deixa de manter o valo que lhe é próprio. E a estrela que reflete no lodo mantém o mesmo brilho que possui, quando rutilando na placidez da água cristalina. Não te agastes, portanto, com as ofensas que te cheguem. Se permaneceres íntegro, não te atingirão, porquanto és o que vitalizas e não o resultado das impressões e agressões naturais do roteiro de sublimação. Segue adiante, haja o que haja, considerado ou não, certo de que todo ofendido de hoje resgata as ofensas que ontem praticou. Bem-aventurado, pois, quando ofendido e perseguido, porque o Reino dos Céus te alcançará em breve o espírito!
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Suspeita
Suspeita é a "crença desfavorável, acompanhada de desconfiança", referente a alguma coisa ou a alguém. Mau juízo decorrente de idéia vaga, sem apoio legítimo, que, no entanto, se transforma em urze calamitosa, espraiando-se no campo mental e culminando por asfixiar os nobres ideais em que se devem sustentar as aspirações humanas. De maleável contextura, a suspeita, semelhante ao miasma sutil, se adensa e se avoluma, logrando vencer quem a cultiva. Normalmente reflete o estado espiritual daquele que a agasalha.
A consciência reta não lhe dá guarida, enquanto o sentimento atormentado padece-lhe a constrição, o estigma. Necessário cercear-lhe o avanço, porquanto, de fácil aceitação corrói as melhores estruturas, conseguindo exteriorizar-se em maledicência vinagrosa, que numa frase decepa uma existência digna e, num sorriso de mofa, ceifa as mais elevadas expressões de jovialidade e de progresso.
A suspeita é a genitora do ciúme, que dela se nutre, passando de simples idéia leviana a obsessão tormentosa, geradora de alucinação e impulsionadora de crimes. Ninguém está imune à suspeita do próximo. Cada um vê uma paisagem conforme a cor das lentes que tem sobre os olhos. Assim, muitos fatos parecem o que melhor convém aos espectadores ou às suas personagens.
Coarctado pela insidiosa suspeita dos levianos e maliciosos, não sintonizes os teus com os seus pensamentos enfermos. Insiste na perseverança das realizações a que te vinculas, sem permitir-te diminuir a intensidade que lhe conferes. Muitas vezes o que parece ser, verdadeiramente tem outra significação, que não pode ser apreendida de relance. Mesmo em acurada observação, fatos e coisas se expressam mais de acordo com o observador do que com a sua própria estrutura. Abre, assim, o espírito à tranqüilidade e não estaciones nos degraus da mágoa que a suspeita dos outros coloca à tua frente, nem te facultes a leviandade de suspeitar de ninguém. Quem erra, faz-se escravo do gravame que comete. O culpado, embora se disfarce, conhece a face do engano ou do crime perpetrado.
Ninguém se evade da província da consciência culpada, antes de conseguir o ônus da auto-recuperação. Não poucas vezes, no Colégio Galileu, quando medravam suspeitas e maledicências, o Mestre Irrepreensível conclamou ao amor integral e à confiança ilimitada. Por essa razão, toda a mensagem da Boa Nova está estruturada no perdão e na humildade, com que o cristão deve pavimentar o caminho da sua ascensão espiritual.
E apesar de seguir sob a perniciosa suspeita de quase todos que O cercavam, Jesus permaneceu integérrimo, edificando o Reino de Deus, até mesmo quando traído e crucificado, atestando do alto da Cruz ser o símbolo perene da suprema vitória do Espírito ilibado, como estímulo para os caminhantes da retaguarda, que somos todos nós. Guarda-te, portanto, na paz, sem suspeitar de ninguém.
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Caridade e presença
Valioso o mister da caridade, quando encaminhas víveres e medicamentos aos padecentes das aflições sem nome. Expressiva a solidariedade que doas, através da contribuição de moedas que se convertem em aluguéis dignos, como alavancas impulsionantes, que erguem da mendicância os que estão na inclinada da queda e permaneceriam no solo do desastre moral e humano. Representativa a ajuda com pão e tecido que doas aos que se debatem na fome e na nudez. Nobre a mensagem que endereças aos que choram e se rebolcam nos pauis da desesperação.
Sanadores de males, as orações e os pensamentos salutares com que intercedes à Divindade pêlos caídos e desafortunados do caminho por onde segues. Muito mais importante, no entanto, será o teu auxílio direto, representado pela tua presença no tugúrio onde a dor permanece dominadora, ou junto ao grabato em que a enfermidade manieta sofredores, ou por meio do verbo morno da amizade, com que expões a esperança aos ouvidos da desdita, ou a moeda que convertes em salário honroso, de modo a libertá-los da constrição da miséria econômica e social, na dinâmica da fraternidade legítima,
Entre ajudar por intermédio de alguém ou deixar de fazê-lo, por não poderes amparar diretamente, sempre é melhor socorrer de qualquer modo... Todavia, considerando o valor do bem, que é sempre melhor para quem o exercita, merece considerares a extensão do esforço pessoal de que se enriquece o benfeitor.
Visitando o casebre em ruína onde um coração jaz, vencido, meditarás. Ombreando com o aflito e o amparando, refletirás. Conhecendo a dificuldade de alguém e sanando-a, pensarás.

rge, desse modo, participares dos problemas do próximo em agonia, a fim de aprofundares o exame da situação em que estagiarás, valorizando melhor as concessões que usufruis.


Muitas pessoas generosas oferecem o que abunda em suas mãos, mas não doam o tempo, a presença, o esforço, permanecendo solidárias, mas distantes; gentis, mas distantes; fraternas, mas distantes, como receando o contágio dos que estacionam nas preciosas provações redentoras. Não te negues, destarte, ao trabalho eficiente de conduzires o pão da vida e a palavra de luz do Evangelho aos pardieiros sombrios e tristes onde se alojam os irmãos da retaguarda espiritual. Unge-te de amor e faze-te médium da alegria como da caridade superior, vivendo, por alguns momentos embora, as dificuldades dos que sofrem e clareando-os com a dádiva da tua auto-oferta, para que te tenham verdadeiramente como amigo e sejas realmente irmão de todos eles.
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Leviandades
Malversam os recursos inestimáveis da mediunidade, no jogo perigoso das trivialidades em que se comprazem. Irrequietos, voejam insensatos, de local a local, buscando lucros e permutando brejeirices, longe das atitudes de coerência moral superior, como se fossem permanecer imunes à desencarnação, que pensam adiar indefinidamente. Não lhes interessam esclarecimentos, diretrizes edificantes.
Cometem abusos de toda ordem, entregam-se a prazeres exaustivos, sorvem os licores da embriaguez demorada, veraneiam nos arraiais da fé, e, quando tal ocorre, solicitam, a princípio, exigem depois recursos de urgência e soluções apressadas para as velhas complicações em que se agradam... Os Espíritos Desencarnados devem ajudá-los, liberá-los das cangas a que se ataram espontaneamente.

Caíram por invigilância, não obstante advertidos. Enfermaram por negligência, embora orientados. Desequilibraram-se por teimosia, apesar de esclarecidos. Obsidiaram-se por descaso ao dever, sem embargo socorridos. Complicaram-se por irresponsabilidade, mesmo informados. Repentina e tardiamente se crêem merecedores de libertação, como se fora possível fazer por eles o que se negaram de livre vontade conseguir, quando tudo lhes sorriam bênçãos.


Frívolos, prometem ao Senhor tornarem-se melhores, caso se recuperem, qual se isso fora de proveito para o Divino Benfeitor e não para eles próprios. Fantasistas, recorrem a processos mágicos de emergência, com que se equivocam, perturbando-se mais. Enganadores, assumem atitudes de precária sobriedade e retidão, como a negociarem saúde e paz de urgência...
São os levianos que aportam nas praias da Verdade, iludidos, pensando em iludir os outros.

Ajuda-os, quando te busquem, mas não te aflijas em demasia, face às aflições deles. Ensina-lhes recomeço e serviço, edificação interior e discernimento real, a fim de que despertem das torpezas morais em que se enlanguescem e saiam do cárcere da leviandade para as avenidas do trabalho eficiente de que necessitam para a libertação total.


Muitas vezes defrontá-los-ás na Boa Nova ao lado de Jesus. Um era jovem e rico; não tinha tempo para o Reino de Deus. Outro era doutor e maduro; não estava disposto à grande renúncia para o Reino de Deus. Este era fariseu e fátuo; não desejava misturar-se aos candidatos do Reino de Deus. Esse era leproso e curou-se; mas não quis participar do Reino de Deus. Aqueles eram cambistas e poderosos; não perceberam que o melhor negócio era o Reino de Deus...
Abre-te à responsabilidade e cinge-te com as diretrizes do equilíbrio. Este hoje logo passa e o chamarás ontem, como amanhã te alcançará breve, em hoje que se tornará ontem, igualmente. Nesse suceder de limites de tempo, a desencarnação te alcançará. Age, portanto, agora, de tal forma que, se amanhã estiveres livre do escafandro carnal, disporás de um futuro de paz, em que conhecerás a felicidade por teres trabalhado com siso pelo Reino de Deus, no qual ingressarás.
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Sucesso
Quando em meditação, concluis que tudo parece conspirar contra as tuas aspirações de paz sem jaca e de alegria sem cansaço. À frente, a estrada do sucesso vai palmilhada pêlos transeuntes da ilusão, e vê-los passar em triunfo.Um sentimento inusitado, então, impele-te a segui-los. Ante a impossibilidade, amargas em silêncio, provando tristeza e desencanto. Tens a impressão de que fracassaste. Os que galgam os degraus da fama sorriem, e os aplausos dos seus sucessos chegam aos teus ouvidos, produzindo música de dor. Interrogas o Senhor por que te demoras nas baixadas do anonimato, nas valas do serviço obscuro e nublam-se-te pelas lágrimas os olhos acostumados às paisagens ermas, onde a dor e o desespero fazem pousada.
Desejarias avançar, experimentando a apoteose da admiração de todos, cercado de carinho, recebido com destaque, distinguido pelas honrarias...
Não te equivoques, porém. Se partes na direção dos enganados, com quem ficarão aqueles que se arrimam aos teus ombros e se fortalecem com os teus auxílios?! Que outros lábios lhes dirão sobre a esperança e que outras mãos desejarão mergulhar na vasa fétida em que se demoram, a fim de soerguê-los?! Acendeste uma chama de amor nos seus corações e não te deves permitir que se lhes apague, destinando-os a outras estranhas sombras. A tua é a tarefa da retaguarda, operário de segurança que o Senhor deseja te faças.
Não antecipes, desse modo, argumentações, justificando anseios enganosos. A Terra não pode, por enquanto, compreender os heróis da renúncia, sem exigir-lhes pesado tributo. O sucesso entre os homens é das mais perigosas experiências a que vai submetido o trabalhador do Evangelho. Não o desejes enquanto na roupagem carnal. Os aquinhoados de agora não mais terão que receber. Transfere para o Além as aspirações superiores e serve, enquanto luze a tua preciosa e anônima oportunidade.
Os seguidores de Jesus são transeuntes solitários da via humana. Conhecidos, porém, incompreendidos. Suportados, mas não amados. Ainda se disputam os homens, na escolha entre Barrabás e jesus, não o duvides. Se O amas, realmente, desejas servi-lo, apaga-te e foge a quaisquer honrarias, por mais sutis, porém sempre perigosas, quais sejam as justificações, compreendendo que Ele, o Rei Solar, não recebeu outra doação, título ou homenagem, senão a esponja de vinagre, a coroa de espinhos, após a flagelação, a túnica rubra da loucura e o dístico de zombaria com que Lhe encimaram a cabeça na trave vertical da Cruz ignominiosa, que, no entanto, converteu em seta sublime, colocada na direção do Infinito, apontando rumos para o futuro.
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Incerteza e descrença
Expressiva a diferença entre a dúvida honesta e a incerteza sistemática. A primeira desaparece ante a linguagem evidente do fato, constituindo-se segurança desta ou daquela qualidade. A segunda, entranhada na tecelagem íntima do caráter que investiga, transfere-se, muda de situação e insiste, depreciativa.
A dúvida não anula a fé, antes atesta-lhe a débil presença, enquanto a incerteza mórbida despoja a crença das qualidades que a legitimam. Por um natural processo de transferência psicológica, o homem sempre supõe noutro o que lhe é familiar, o de quanto é capaz. Desde que lhe parece factível ludibriar e mentir, em toda parte e em qualquer pessoa vê-se refletido, facultando-se atormentar pelo espinho da descrença. Tais pessoas, as que descrêem por hábito, nas amizades, sentem-se marginalizadas; nas afeições, consideram-se traídas:

nos negócios, supõem-se ludibriadas; na vida social, acreditam-se subestimadas; na fé religiosa, receiam ser enganadas... Fazem-se fiscais do próximo, impenitentes, às vezes sorrindo, sob falsa superioridade com que ferem, desatentos, todos, por saberem-se em rudes conflitos.


Também as há nas lides espiritistas. Atormentam-se e atormentam. Aparentam uma retidão que sabem frágil, banindo a lídima fraternidade, por desejarem impor-se sempre. No conceito de tais atribulados espíritos, todos estão em erro, menos eles. Ocorre que consideram o próximo conforme se consideram. No fundo, não encontraram deficiências nos a quem acusam. Ao contrário, gostariam de descobrir-lhes as imperfeições, a fim de se darem por compensados ante a própria pequenez.
Não entres em litígio com eles. Descarta-te gentilmente, se não puderes fazer outra coisa. Não te envolvas, porém. Nutrindo sentimentos de surda animosidade, que, conscientemente, desconhecem, são demolidores, fácil interfone para cruéis perturbadores desencarnados. Judas, que se enganou no torvelinho de contínuas e infelizes incertezas e suspeitas, não era estranho ao Grupo Galileu, antes, fora membro de eleição e amigo de todos.
Perdoa, de tua parte, aqueles que de ti duvidam e te desconsideram, descrêem-te e amarguram-te as horas, porquanto, da mesma forma como darás "conta da tua administração", também eles serão examinados e considerados com o mesmo rigor com que se houverem em relação ao próximo. De tua parte ama e confia, porque, em verdade, quem erra, mente ou trai, a si próprio prejudica.
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Problemas no matrimônio
À exceção dos casos de relevantes compromissos morais, o matrimônio, na Terra, constitui abençoada oportunidade redentora a dois, que não se pode desconsiderar sem gravames complicados. Em toda união conjugal as responsabilidades são recíprocas, exigindo de cada nubente uma expressiva contribuição, a benefício do êxito de ambos, no tentame encetado.
Pedra angular da família - o culto dos deveres morais , a construção do lar nele se faz mediante as linhas seguras do enobrecimento dos cônjuges, objetivando o equilíbrio da prole. Somente reduzido número de pessoas, se prepara convenientemente, antes de intentar o consórcio matrimonial; a ausência desse cuidado, quase sempre, ocasiona desastre imediato de conseqüências lamentáveis. Açulados por paixões de vária ordem, que se estendem desde a atribulação sexual aos jogos dos interesses monetários, deixam-se colher por afligentes desvarios, que redundam maior débito entre os consorciados e em relação à progenitura...
Iludidos, face aos recursos da atual situação tecnológica, adiam, de início, o dever da paternidade sob justificativas indébitas, convertendo o tálamo conjugal em recurso para o prazer como para a leviandade, com que estiolam os melhores planos por momento acalentados... Logo despertam, espicaçados por antipatias e desajustes que lhes parecem irreversíveis, supõem que somente a separação constitui fórmula solucionadora quando não derrapam nas escabrosidades que conduzem aos lúgubres crimes passionais.
Com a alma estiolada, quando a experiência se lhes converteu em sofrimento,partem para novos conúbios amorosos, carregando lembranças tormentosas, que se transformam em pesadas cargas emocionais desequilibrantes.

Alguns, dentre os que jazem vitimados por acerbas incompreensões e anseiam refazer o caminho, se identificam com outros espíritos aos quais se apegam, sôfregos, explicando tratar-se de almas gêmeas ou afins, não receando desfazer um ou dois lares para constituir outro, por certo, de efêmera duração. Outros, saturados, debandam na direção de aventuras vis, envenenando-se vagarosamente. Enquanto a juventude lhes acena oportunidades, usufruem-nas, sem fixações de afeto, nem intensidade de abnegação. Surpreendidos pela velhice prematura, que o desgaste lhes impõe, ou chegados à idade do cansaço natural, inconformam-se, acalentando pessimismo e cultivando os resíduos das paixões e mágoas que os enlouquecem, a pouco e pouco.


O amor é de origem divina. Quanto mais se doa, mais se multiplica sem jamais exaurir-se.Partidários da libertinagem, porém, empenham-se em insensata cruzada para torná-lo livre, como se jamais não o houvera sido. Confundem-no com sensualidade e pensam convertê-lo apenas em instinto primitivo, padronizado pêlos impulsos da sexualidade atribulada.
Liberdade para amar, sem dúvida disciplina para o sexo, também. Amor é emoção, sexo sensação. Compreensivelmente, mesmo nas uniões mais ajustadas, irrompem desentendimentos, incompreensões, discórdias que o amor suplanta. O matrimônio, desse modo, é uma sociedade de ajuda mútua, cujos bens são os filhos - Espíritos com os quais nos encontramos vinculados pêlos processos e necessidades da evolução.
Pensa, portanto, refletindo antes de casar. Reflexiona, porém, muito antes de debandar, após assumidos os compromissos. As dúvidas projetadas para o futuro sempre surgem em horas inesperadas com juros capitalizados. O que puderes reparar agora não transfiras para amanhã. Enquanto luze tua ensancha, produze bens valiosos e não te arrependerás.
Tendo em vista a elevação do casamento, Jesus abençoou-o em Cana com a Sua presença, tomando-o como parte inicial do Seu ministério público entre os homens. E Paulo, o discípulo por excelência, pensando nos deveres de incorruptibilidade matrimonial, escreveu, conforme epístola número 5, aos efésios, nos versículos 22 e 25: "as mulheres sejam sujeitas a seus maridos, como ao Senhor... Assim também devem os maridos amar a suas mulheres como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo". Em tão nobre conceito não há subserviência feminina nem pequenez masculina, antes, ajustamento dos dois para a felicidade no matrimônio.
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Serão consolados
Nem todos aflitos, porém... Muitos que sofrem engendraram as aflições de que se tornaram vítimas inermes. Carregam o sofrimento aspirando e exalando o gás da ira mal dissimulada com que mais se intoxicam e mais envenenam em derredor. Pessoas afluu esmagam-se nas paredes estreitas da usura, de que se não libertam; estertoram nas garras do ciúme que as enceguecem; desagregam-se sob os camartelos da insatisfação face aos prazeres dissolventes; transitam em sofreguidão contínua ao estridor da revolta que as agoniam; turbam-se nas densas nuvens da desesperança; tombam, desfalecidas, nas urdiduras do desânimo. Toda aflição se fixa em raízes que devem ser extirpadas. Algumas possuem causas atuais, enquanto outras se prendem ao passado espiritual, constituindo tais fatores a justiça impertérrita que alcança os infratores dos códigos divinos do amor e do equilíbrio.
Aflições de vário porte conduzem ao crime de muitas denominações. Somente a aflição resignada e confiante, de pronto receberá consolo. A chuva que reverdece a terra crestada, em tempestade, aniquila colheitas, despedaça jardins, carcome o solo... O repouso sensato refaz as forças; prolongado, anestesia os estímulos, entorpecendo a vontade e a ação. Aflitos que, não obstante, em lágrimas, atendem alheio pranto;apesar de perseguidos, não se fazem perseguidores; embora sob injustiça, confiam na probidade; sem embargo, enfermos, estimam a saúde do próximo; todavia, incompreendidos, desculpam e sustentam a coragem do bem; no entanto, esfaimados, alevantam o ânimo onde se encontram; mesmo em quase alucinação, tal a monta de problemas e dificuldades, recorrem à oração refazente e à meditação renovadora - serão consolados! Nem todos os aflitos, porém, lograrão consolação.
Há os que impõem tais ou quais medidas a fim de saciar-se; que esperam este ou aquele resultado com que pensam comprazer-se; que situam esse ou outro fator como único pelo qual se apaziguariam; uma ou duas únicas opções para fruírem felicidade, e, entretanto, são recursos da ilicitude, quando não dos caprichos que estão sendo disciplinados pela própria aflição...
Trasladarão oportunidades, adiarão benesses, sofrerão...Não podem ser consolados, porquanto, não aspiram a conforto e sim desforço, triunfo, vanglória. Nicodemos possuía dúvidas honestas - foi esclarecido. Marta inquietava-se no afã do zelo exagerado - recebeu diretriz; Zaqueu dispunha de moedas azinhavradas - trocou-as pêlos tesouros imperecíveis.Madalena fossilava na perversão obsidente - conseguiu curar-se.Antes, aflitos, abriram-se ao consolo vertido das mãos de Jesus Cristo.Indispensável valorizar a aflição, sopesando-a com discernimento, de modo a conduzi-la às fontes inexauríveis do Evangelho em clima de serenidade, respeito e amor. Ali, todas as dores se acalmam, todas as lágrimas se enxugam, todos os aflitos são consolados.
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