Divaldo pereira franco



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GRILHÕES PARTIDOS

DIVALDO PEREIRA FRANCO

DITADO PELO ESPÍRITO MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA

ÍNDICE
GRILHÕES PARTIDOS – 1º

GRILHÕES PARTIDOS – 2º

PROLUSÃO
CAPÍTULO 1 = A AGRESSÃO

CAPÍTULO 2 = A LOUCURA

CAPÍTULO 3 = PENOSAS REFLEXÕES

CAPÍTULO 4 = ANGÚSTIAS DA OBSESSÃO

CAPÍTULO 5 = INTERFERÊNCIA ESPIRITUAL

CAPÍTULO 6 = FORÇAS EM LITÍGIO

CAPÍTULO 7 = ADVERTÊNCIA E ESCLARECIMENTO

CAPÍTULO 8 = INTERVENCÃO SUPERIOR

CAPÍTULO 9 = SOCORROS OPORTUNOS

CAPÍTULO 10 = NA CASA DE SAÚDE

CAPÍTULO 11 = EPILEPSIA

CAPÍTULO 12 = HISTERIA

CAPÍTULO 13 = SUBJUGAÇÃO

CAPÍTULO 14 = NOVAS DIRETRIZES

CAPÍTULO 15 = REENCONTRO NA ESFERA DOS SONHOS

CAPÍTULO 16 = BÊNÇÃOS DA FRATERNIDADE

CAPÍTULO 17 = DOUTRINAÇÃO E SURPRESAS

CAPÍTULO 18 = NOVOS ESCLARECIMENTOS

CAPÍTULO 19 = REVELAÇÕES SURPREENDENTES

CAPÍTULO 20 = INCURSÃO AO PASSADO

CAPÍTULO 21 = CRIMES OCULTOS

CAPÍTULO 22 = COMENTÁRIOS OPORTUNOS

CAPÍTULO 23 = ABIGAIL E JOSEFA

CAPÍTULO 24 = DIA NOVO DE LUZ



GRILHÕES PARTIDOS – 1º
No báratro das perturbações que inquietam o homem moderno a alienação obsessiva ocupa lugar de relevo.

Estigmatizados por inenarráveis tormentos íntimos, que proce­dem dos refolhos da alma, os obsidiados por Espíritos têm padecido lamentável abandono por parte dos respeitáveis estudiosos das ciências da mente, que, aferrados a vigoroso materialismo, negam, drastica­mente, a interferência dos desencarnados — na condição de persona­lidades intrusas — na etiopatogenia de algumas enfermidades mentais.

Por outro lado, cristãos decididos, clarificados pela fé espírita, no afã de ajudar pelos múltiplos processos fluídoterápicos e da doutri­nação, enquadram os alienados na sua quase generalidade como obsidiados, sem a indispensável atenção para com as enfermidades de caráter psiquiátrico.

Não são verdadeiros os postulados extremistas negativos dos primeiros, nem tampouco os exageros dos segundos.

Indubitavelmente, nas matrizes do processo evolutivo, cada um traz as causas que produzem as distonias e desarranjos, físicos como psíquicos e simultaneamente.

Sendo a dor um processo de burilamento, o sofrimento decorre do mau uso perpetrado pelo ser em relação aos recursos múltiplos, concedidos pelos desígnios superiores que regem a vida em todas as suas manifestações, para a ascensão de cada um.

O homem está, porém, destinado à perfeição.

Todos os atrasos a que se impõe e desvarios a que se permite constituem-lhe impedimentos ao avanço, tornando-se elos retentivos na retaguarda.

Os códigos divinos estabelecem que somente através do amor se pode haurir paz, colimar metas felizes.

De essência salutar, o amor é a base da vida, ao mesmo tempo a força que impele o ser para as realizações de enobrecimento.

Toda vez que as paixões vis o desgovernam, enlouquecem-no, e dele fazem cárcere de sombra, de aflição demorada.

Por esta razão, ao lado das terapêuticas mais preciosas, o amor junto aos pacientes de qualquer enfermidade produz resultados insuspeitados.

Da mesma forma, enquanto se teime em perseverar na siste­mática da revolta ou nos escabrosos Sítios da ilusão que favorece o ódio, o ciúme, a mentira, a soberba, a concupiscência, a avareza, a mesquinhez — todos asseclas insidiosos que se locupletam na sanha nefasta do egoísmo, — a dor jungirá o faltoso ao carro da aflição reparadora e do ressarcimento impostergável.

Ninguém em regime de exceção na Terra.

Desculpismo nenhum, face aos imperiosos compromissos para com a vida.

Em cada padecente se encontra um espírito em prova redentora, convidando-nos à reflexão e à caridade.


*
Na imensa mole humana dos que sofrem a loucura, conforme os cânones das classificações psiquiátricas, transita um sem número de obsidiados que expungem faltas e crimes cometidos antes e não alcançados pela humana justiça na oportunidade.

São defraudadores dos dons da vida que retornam jungidos àqueles que infelicitaram, enganaram, abandonaram, mas dos quais não se conseguiram libertar...

Morreram, sim, porém não se aniquilaram. Trocaram de vestes, todavia, permaneceram os mesmos.

As conjunturas da lei os surpreenderam onde se alojaram e as imposições que criaram ligaram-nos, vítimas a algozes, credores a devedores em graves processos de reparação compulsória.

Atados mentalmente aos gravames cometidos, construíram as algemas a que se aprisionam, em vinculação com os que supunham ter destruído...

Debatem-se presos nos mesmos elos, lutando em contínuo des­gaste de vitalidade com que enlouquecem, até que as claridades do amor, do perdão — forças sublimes da vida — consigam partir as cadeias e libertá-los, facultando que se ajudem reciprocamente.

Enquanto o amor não se sobreponha ao ódio e o perdão à ofensa, marcharão em renhida luta, perseguindo e auto-afligindo-se sem termo, pelos dédalos de horror em que se brutalizam até a selvageria mais torpe...
*
Muito maior do que se pode supor é o número dos obsidiados na Terra. Estão em soledade, em grupos e em coletividades inteiras...

Estes são dias graves para o destino do homem e da Huma­nidade.

Ao Espiritismo compete gigantesca missão: restaurar o Evan­gelho de Jesus para as criaturas, clarificar o pensamento filosófico da Humanidade e ajudar a ciência, concitando-a ao estudo das causas nos recessos do espírito, antes que nos seus efeitos.

Consolador, cumpre-lhe não somente enxugar as lágrimas e os suores, mas erradicar em definitivo os fulcros do sofrimento onde se encontrem.

Não é de origem divina a dor, portanto, possui caráter transi­tório com função específica e de fácil superação, desde que o homem se obstine atingir as finalidades legítimas da existência.

No trato, Portanto, com obsidiados e ante as obsessões, armemo-nos com os recursos do amor, a fim de que consigamos o êxito de ver os grilhões partidos e os espíritos livres para os cometimentos da felicidade.


*
Antes de cada capítulo da presente história, tivemos o cuidado de citar um conceito retirado da nobre Codificação Kardequiana fonte inexaurível de salutares informações e base segura para os estudos em torno das questões palpitantes do ser, do destino, da vida.. (*)

Demonstramos, assim, a estuante atualidade da Obra colossal de que se fez ímpar realizador o eminente lionês Allan Kardec, a quem devemos luminosas lições de sabedoria e de Vivência cristã.

Suplicando a Jesus, o “Senhor dos Espíritos”, que nos ampare na trilha redentora, damos por concluída a nossa tarefa, na condição de “servo inútil” que sabemos ser.
Manoel Philomeno de Miranda

Salvador, 18-04.74


(*) Recorremos às edições da FEB, a saber: O LIVRO DOS ESPÍRITOS — 29ª O LIVRO DOS MÉDIUNS — 28ª; O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO — 52ª. e “A GÊNESE” — 14ª.

Nota do Autor espiritual.

GRILHÕES PARTIDOS – 2º
Não há coração tão perverso que, mesmo a seu mau grado, não se mos­tre sensível ao bom proceder. Mediante o bom procedimento, tira-se, pelo me­nos, todo pretexto às represálias, podendo-se até fazer de um inimigo um amigo, antes e depois de sua morte. Com um mau proceder, o homem irrita o seu ini­migo, que então se constitui instrumento de que a justiça de Deus se serve para punir aquele que não perdoou.”

“O Evangelho Segundo o Espiritismo” — Capítulo 12º — Item 5.


*

“Os meios de se combater a obsessão variam, de acordo com o caráter que ela reveste. Não existe realmente perigo para o médium que se ache bem con­vencido de que está a haver-se com um Espírito mentiroso, como sucede na obsessão simples...”

“Além disso, portanto, deve o médium dirigir um apelo fervoroso ao seu anjo bom, assim como aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, pedindo-lhes que o assistam. Quanto ao Espírito obsessor, por mau que seja, deve tratá-lo com severidade, mas com benevolência e vencê-lo pelos bons processos, orando por ele. Se for realmente perverso, a princípio zombará desses meios; porém, moralizado com perseverança, acabará por emendar-se. Ë uma conversão a em­preender, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mesmo desagradável, mas cujo mérito está na dificuldade que ofereça e que, se bem desempenhada, dá sempre a satisfação de se ter cumprido um dever de caridade e, quase sempre, a de ter-se reconduzido ao bom caminho uma alma perdida.”

L.M. — Capítulo 23º — Item 249.



PROLUSÃO
Tendo em vista o grave problema da obsessão, que aflige mul­tidões e as infelicita, o grupo que se afeiçoe a esse ministério de socorro a obsidiados e obsessores deve observar, pelo menos, os seguintes requisitos mínimos:
1) A equipe de trabalho
Toda e qualquer tarefa, especialmente a que se destina ao socorro, exige equipe hábil, adredemente preparada para o ministério a que se dedica.

O operário siderúrgico, a fim de poder executar o trabalho junto às fornalhas de alta temperatura, resguarda-se, objetivando a sobrevivência, e adestra-se, a benefício de resultados vantajosos.

O tecelão preserva o aparelho respiratório com máscaras próprias e articula habilidades que desdobra, de modo a atender aos caprichos de padronagem, cor e confecção com os fios que lhe são entregues.

O agricultor apreende os cuidados especiais de que necessitam o solo, a semente, a planta, a floração e o fruto, com o fito de recolher lucros no labor que enceta.

O mestre, o cirurgião, o artista, o engenheiro, o expositor, o escrevente, todos os que exercem atividades, modestas ou não, se dedicam com carinho e especializam-se, adquirindo competência e distinção com o que se capacitam às compensações disso decorrentes.

No que tange às tarefas da desobsessão, não menos relevantes são os valores e qualidades especiais exigíveis, para que se logre êxitOs.

Nos primeiros casos, necessita-se de fatores materiais, inte­lectivos e artísticos, inerentes a cada indivíduo que se dedica ao mister, seguindo a linha vocacional que lhe é própria ou estimulado pelas vantagens imediatas, através das quais espera rendas e estipên­dios materiais.

No último caso, deve-se examinar a transcendência do material em uso — sutil, impalpável, incorpóreo — a começar desde a orga­nização mediúnica até as expressões de caráter moral das Entidades comunicantes.

A equipe que se dedica à desobsessão — e tal ministério somente é credor de fé, possuidor de valor, quando realizado em equipe, —que a seu turno se submete à orientação das Equipes Espirituais Superiores — deve estribar-se numa série incontroversa de itens, de cuja observância decorrem os resultados da tarefa a desenvolver.

O “milagre” tão amplamente desejado é interpretação caótica e absurda de fatos coerentes, cuja mecânica escapa ao observador apres­sado. Não ocorre, portanto, uma vez que tudo transcorre sob a deter­minação de leis de superior contextura e de sábia execução.

Assim, faz-se imprescindível, na desobsessão, quando se pre­tende laborar em equipe:

a) harmonia de conjunto, que se consegue pelo exercício da cordialidade entre os diversos membros que se conhecem e se ajudam na esfera do quotidiano;

b) elevação de propósitos, sob cujo programa cada um se entrega, em regime de abnegação, às finalidades superiores da prá­tica medianímica, do que decorrem os resultados de natureza espiritual, moral e física dos encarnados e dos desencarnados em socorro;

c) conhecimento doutrinário, que capacita os médiuns e os doutrinadores, assistentes e participantes do grupo a uma perfeita identificação, mediante a qual se podem resolver os problemas e dificuldades que surgem, a cada instante, no exercício das tarefas desobsessivas;

d) concentração, por meio de cujo comportamento se dilatam os registros dos instrumentos mediúnicos, facultando sintonia com os comunicantes, adredemente trazidos aos recintos próprios para a assistência espiritual;

e) conduta moral sadia, em cujas bases estejam insculpidas as instruções evangélicas, de forma que as emanações psíquicas, sem miasmas infelizes, possam constituir plasma de sustentação daqueles que, em intercâmbio, necessitam dos valiosos recursos de vitalização para o êxito do tentame;

f) equilíbrio interior dos médiuns e doutrinadores, uma vez que, somente aqueles que se encontram com a saúde equilibrada estão capacitados para o trabalho em equipe. Pessoas nervosas, versáteis, susceptíveis, bem se depreende, são carecentes de auxílio, não se encontrando habilitadas para mais altas realízações, quais as que exigem recolhimento, paciência, afetividade, clima de prece, em esfera de lucidez mental. Não raro, em pleno serviço de socorro aos desencarnados, soam alarmes solicitando atendimento aos mem­bros da esfera física, que se desequilibram facilmente, deixando-se anestesiar pelos tóxicos do sono fisiológico ou pelas interferências da hipnose espiritual inferior, quando não derrapam pelos desvios men­tais das conjecturas perniciosas a que se aclimataram e em que se comprazem.

Alegam muitos colaboradores que experimentam dificuldades quando se dispõem à concentração. No entanto, fixam-se com facilidade surpreendente nos pensamentos depressivos, lascivos, vulgares, graças a uma natural acomodação a que se condicionam, como hábito irreversível e predisposição favorável.

Parece-nos que, em tais casos, a dificuldade em concentrar-se se refere às idéias superiores, aos pensamentos nobres, cujo tempo mental para estes reservado, é constituído de pequenos períodos, em que não conseguem criar um clima de adaptação e continuidade, suficientes para a elaboração de um estado natural de elevação espiritual;

g) confiança, disposição física e moral, que são decorrentes da certeza de que os Espíritos, não obstante, invisíveis para alguns, se encontram presentes, atuantes, a eles se vinculando, mentalmente, cm intercâmbio psíquico eficiente, de cujos diálogos conseguem haurir estímulos e encorajamento para o trabalho em execução. Outrossim, as disposições físicas, mediante uma máquina orgânica sem sobrepeso de repastos de digestão difícil, relativamente repousada, pois não é possível manter-se uma equipe de trabalho dessa natureza, utilizando-se companheiros desgastados, sobrecarregados, em agitação;

h) circunspeção, que não expressa catadura, mas responsa­bilidade, conscientização de labor, embora a face desanuviada, des­contraída, cordial;

i) médiuns adestrados, atenciosos, que não se facultem per­turbar nem perturbem os demais membros do conjunto, o que significa adicionar, serem disciplinados, a fim de que a erupção de esgares, pancadas, gritarias não transforme o intercâmbio santificante em alga­ravia desconcertante e embaraçosa. Ter em mente que a psicofonia é sempre de ordem psíquica, mediante a concessão consciente(*) do médium, através do seu perispírito, pelo qual o agente do além-túmulo consegue comunicar-se, o que oferece ao sensitivo possibi­lidade de frenar todo e qualquer abuso do paciente que o utiliza, especialmente quando este é portador de alucinações, desequilíbrios e descontroles de vária ordem, que devem, de logo, ser corrigidos ou pelo menos diminuídos, aplicando-se a terapêutica de reeducação;

j) lucidez do preposto para os diálogos, cujo campo mental harmonizado deve oferecer possibilidades de fácil comunicação com os Instrutores Desencarnados, a fim de cooperar eficazmente com o programa em pauta, evitando discussão infrutífera, controvérsia irre­levante, debate dispensável ou informação precipitada e maléfica ao
(*) Referimo-nos à lucidez da auto-doação do médium para o intercâmbio e não à memória, velada ou não, durante o transe.

Nota do Autor espiritual.
atormentado que ignora o transe grave de que é vítima, em cujas teias dormita semi-hebetado, apesar da ferocidade que demonstre ou da agressividade •de que se revista;

1) pontualidade, a fim de que todos os membros possam ler e comentar em esfera de conversação edificante, com que se desen­charcam dos tóxicos físicos e psíquicos que carregam, em conse­qüência das atividades normais; e procurarem todos, como leciona Allan Kardec, ser cada dia melhor do que no anterior, e de cujo esforço se credenciam a maior campo de sintonia elevada, com méri­tos para si próprios e para o trabalho no qual se empenham...

Claro está que não exaramos aqui todas as cláusulas exigíveis a uma tarefa superior de desobsessão, todavia, a sincera e honesta observância destas darão qualidade ao esforço envidado, numa tenta­tiva de cooperação com o Plano Espiritual interessado na libertação do homem, que ainda se demora atado às rédeas da retaguarda, em lento processo de renovação(*).
2) O obsessor
O Espírito perseguidor, genericamente denominado obsessor, em verdade é alguém colhido pela própria aflição. Ex-transeunte do veículo somático, experimentou injunções que o tornaram revel, fazen­do que guardasse nos recessos da alma as aflições acumuladas, de que não se conseguiu liberar sequer após o decesso celular. Sem dúvida, vítima de si mesmo, da própria incúria e invigilância, trans­feriu a responsabilidade do seu insucesso a outra pessoa que, por circunstância qualquer, interferiu decerto negativamente na mecânica dos seus malogros, por ser mais fácil encontrar razões de desdita em mãos de algozes imaginários, a reconhecer a pesada canga da respon­sabilidade que deve repousar sobre os ombros pessoais, como conse­qüência das atitudes infelizes a que cada um se faz solidário. Per­dendo a indumentária fisiológica mas, não o uso da razão — embora
(*) Sugerimos a leitura dos Prolegômenos da Obra “Nos Bastidores da Obses­são”, de nossa autoria.

Nota do Autor espiritual.
normalmente deambulando na névoa da inconsciência, com os centros do discernimento superior anestesiados pelos vapores das dissipações e loucuras a que se entregou — imanta-se por processo de sintonia psíquica ao aparente verdugo, conservando no íntimo as matrizes da culpa, que constituem verdadeiros “plugs” para a sincronização perfeita entre a mente de quem se crê dilapidado e a consciência dilapidadora, gerando, então, os pródromos do que mais tarde se transformará em psicopatia obsessiva, a crescer na direção infamante de conjugação irreversível.

Ocorrências há, de agressão violenta, pertinaz, dominadora, pela mesma mecânica psíquica, em que o enfermo tomba inerme sob a dominação mental e física do subjugador.

Pacientemente atendidos, nos abençoados trabalhos de desobses­são, nos quais se lhes desperta a lucidez perturbada, concitando-os ao avanço no rumo da felicidade que supõem perdida, faculta-se-lhes entender os desígnios sublimes da Criação, convidando-os a entrega­rem os que se lhes fizeram razão de sofrimento à Consciência Univer­sal, de que ninguém se evade, e tratando de reabilitar-se, eles mesmos, ante as oportunidades ditosas que fluem e refluem através do tempo, esse grandioso companheiro de todos.

Em outros casos, — quando a fixação da idéia venenosa produziu dilacerações nos tecidos muito sutis do perispírito, comprometendo o reequilíbrio que se faria necessário para a libertação voluntária do processo obsessivo, o que ocorre com freqüência, — os Instru­tores Espirituais, durante o transe psicofônico, operam nos centros correspondentes da Entidade, produzindo estados de demorada hiber­nação pela sonoterapia ou utilizando-se de outros processos não menos eficientes, para ensejarem a recomposição dos centros lesados, após o que despertam para as cogitações enobrecedoras.

Na maioria dos labores de elucidação, podem-se aplicar as técni­cas de regressão da memória no paciente espiritual, fazendo-se que reveja os fatos a que se vincula, mostrando-lhe a legítima responsabilidade dele mesmo, nos acontecimentos de que se diz molesto, após o que percebe o erro em que moureja, complicando a atualidade espiritual que deve ser aproveitada para reparo e ascensão, jamais para repetições de sandices, pretextos de desídia, ensejos de des­graças...

Obsessores, sim, os há, transitoriamente, que se entregam àfascinação da maldade, de que se fazem cultores, enceguecidos e alucinados pelos tormentosos desesperos a que se permitiram, deten­do-se nos eitos de demorada loucura, em que a consciência açulada pelos propósitos infelizes desvia o rumo das cogitações para reter-se, apenas, na angulação defeituosa do sicário — verdugo impiedoso de si mesmo — pois todo o mal sempre termina por infelicitar aquele que lhe presta culto de subserviência. Tais Entidades — que oportu­namente são colhidas pelas sutis injunções da Lei Divina — governam redutos de sombra e viciação, com sede nas Regiões Tenebrosas da Erraticidade Inferior, donde se espraiam na direção de muitos antros de sofrimento e perturbação na Terra, atingindo, também, vezes muitas, as mentes ociosas, os espíritos calcetas, os renitentes, revoltados, cômodos e inúteis, por cujo comércio dão início a pro­cessos muito graves de obsessão de longo curso, que se estende em conúbio estreito, cada vez mais coercitivo, inclusive após a morte física dos tecidos orgânicos, quando o comensal terreno desencarna.

Reunidos em magotes, momentaneamente ferozes, se disputam primazia como sói acontecer entre os homens de instintos primitivos da Terra, nos combates de extermínio, em que os próprios comparsas se encarregam de autodestruir-se, estimulados por ambições que culminam na vanglória da ilusão que se acaba, estando sempre ator­mentados pelas lucubrações de domínio impossível, face à carência de forças para se dominarem a si mesmos.

Exibindo multiface de horror, com que aparvalham aqueles com os quais se homiziam moral e espiritualmente, acreditam-se, por vezes, tal a aberração a que se entregam, pequenos deuses em competição de força para assumirem o lugar de Deus. Trazendo no substrato da consciência as velhas lendas religiosas do Inferno eterno, das per­sonificações demoníacas e diabólicas, crêem-se tais deidades irreme­diavelmente caídas, estertorando, em teimosa crueldade, por assumir­lhes os lugares...

Expressivo número deles, esses irmãos marginalizados por si mesmos do caminho redentor — que são, todavia, inconscientes instru­mentos da Justiça Divina, que ignoram e pensam desrespeitar — obsidiam outros desencarnados que se convertem em obsessores, a seu turno, dos viajantes terrenos, em processo muito complexo de convivência e exploração físio-psíquica.

Todos, porém, todos eles, nossos irmãos da retaguarda espiritual, — onde possivelmente já estivemos também, — são necessi­tados de compaixão e misericórdia, de intercessão pela prece e oferenda dos pensamentos salutares de todos os que se encontram nas lídimas colméias espiritistas de socorro desobsessivo, ofertando-lhes o pábulo da renovação e a rota luminescente para a nova marcha, como claro sol de discernimento íntimo para a libertação dos grava­mes sob os quais expungem os erros em que incidiram.


3) O obsidiado
Somente há obsidiados e obsessões porque há endívidados espi­rituais, facultando a urgência da reparação das dívidas.

Todo problema, pois, de obsessão, redunda em problema de moralidade, em cuja realização o Espírito se permitiu enredar, por desrespeito ético, legal, espiritual. Como ninguém se libera da con­juntura da consciência culpada, já que onde esteja o devedor aí se encontram a dívida e, logo depois, o cobrador. É da lei!

No fulcro de toda obsessão estão inerentes os impositivos do reajustamento entre devedor e cobrador. Indubitavelmente o Estatuto Divino dispõe de muitos meios para alcançar os que lhe estão incursos nos códigos soberanos. Não é, portanto, condição única de que o defraudador seja sempre defrontado pelo fraudado, que lhe aplicará o necessário corretivo. Se assim fora, inverter-se-ia a ordem natural, e o círculo repetitivo das injunções de dívida-cobrança-dívida culmi­naria pela desagregação do equilíbrio moral entre os Espíritos.

Como todo atentado é sempre dirigido à ordem geral, embora através dos que estão mais próximos dos agressores, à ordem mesma são convocados os transgressores. Normalmente, porém, graças às condições que facultam ligações recíprocas entre os envolvidos na trama das dívidas, estes retornam ao mesmo sítio, reencontram-se, para que, através do perdão e do amor, refaçam a estrada interrom­pida, oferecendo-se reciprocamente recursos de reparação para a felicidade de ambos. Porque transitam nas emanações primitivas que lhes parecem mais agradáveis, facultam-se perturbar, enredando-se na idéia falsa de procurar aplicar a própria justiça, em face do que, infalivelmente, caem, necessitados, por sua vez, da Justiça Divina.

Quando o Espírito é encaminhado à reencarnação traz, em forma de “matrizes” vigorosas no perispírito, o de que necessita para a evolução. Imprimem-se, então, tais fulcros nos tecidos em formação da estrutura material de que se utilizará para as provações e expia­ções necessárias. Se se volta para o bem e adquire títulos de valor moral, desarticula os condicionamentos que lhe são impostos para o sofrimento e restabelece a harmonia nos centros psicossomáticos, que passam, então, a gerar novas vibrações aglutinantes de equilíbrio, a se fixarem no corpo físico em forma de saúde, de paz, de júbilo.

Se, todavia, por indiferença ou por prazer, jornadeia na frivolidade ou se encontra adormecido na indolência, no momento próprio des­perta automaticamente o mecanismo de advertência, desorganizando-lhe a saúde e surgindo, por sintonia psíquica, em conseqüência do desajustamento molecular no corpo físico, as condições favoráveis a que os germens-vacina que se encontram no organismo proliferem, dando lugar às enfermidades desta ou daquela natureza. Outras vezes, como os recursos trazidos para a reencarnação, em forma de energia vitalizadora, não foram renovados, ou, pelo contrário, foram gastos em exagèros, explodem as reservas e, pela queda vibratória, que atira o invigilante noutra faixa de evolução, a sintonia com Entidades viciadas, perseguidoras e perversas, se faz mais fácil, dando início aos demorados processos obsessivos. No caso de outras enfermidades mentais, a distonia que tem início desde os primórdios da reencar­nação vai, a pouco e pouco, desgastando os depósitos de forças espe­cíficas e predispondo-o para a crise que dá início à neurose, à psicose ou às múltiplas formas de desequilíbrio que passa a sofrer, no corre­dor cruel e estreito da loucura.

Através de experiências realizadas pelo dr. Ladislaus von Meduna, no Centro Interacadêmico de Pesquisas Psiquiátricas de Buda­peste, foram constatadas diferenças fundamentais entre os cérebros dos epilépticos e dos esquizofrênicos, verificando-se que a presença de uma dessas enfermidades constitui impedimento à presença da outra. Assim, desde o berço, o espírito imprime no encéfalo as condições cármicas, para o resgate das dívidas perante a Consciência Cósmica, podendo, sem dúvida, a esforço de renovação interior —já que do interior procedem as condições boas e más da existência física e mental — recompor as paisagens celulares onde se manifes­tam os impositivos reabilitadores, exceção feita às problemáticas expiatórias..

Quando a loucura se alastra em alguém, é que o próprio espírito possui os requisitos que lhe facultam a manifestação. A predisposição a este ou àquele estado é-lhe inerente, e os fatores externos, que a fazem irromper, tais os traumatismos morais de vária nomencla­tura, os complexos, bem como os recalques já se encontram em gérmen, na constituição fisiológica ou psicológica do indivíduo, a fim de que o cumprimento do dever, em toda a sua plenitude, se faça impostergável. Há, sem dúvida, outros e mais complexos fatores causais da loucura, todos, porém, englobados nas “leis de causa e efeito”.

Daí a excelência dos ensinos cristãos consubstanciados na Dou­trina dos Espíritos e vazados na mais eloqüente psicoterapia preven­tiva, mediante os conceitos otimistas, valiosos, conclamando à harmo­nia e à cordialidade, do que decorrem conseqüentemente, equilíbrio e renovação naquele que os vive, em cuja experiência realiza o objetivo essencial da reencarnação: produzir para a felicidade!

No que diz respeito ao problema das obsessões espirituais, o paciente é, também, o agente da própria cura. É óbvio que, para lográ-la, necessita do concurso do cireneu da caridade que o ajude sob a cruz do sofrimento, através da diretriz de segurança e esclare­cimento que o desperte para maior e melhor visão das coisas e da vida, em cujo curso se encontra progredindo. Não se transfere, por tanto, para os passistas, doutrinadores e médiuns, a total responsa­bilidade dos resultados, nos tratamentos das obsessões. Ë certo que ocorrem amiúde curas temporárias, recuperações imediatas sem o concurso do enfermo. Sem dúvida são concessões de acréscimo da Divindade. O problema, porém, retomará mais tarde, quando o deve­dor menos o espere, já que, a esse tempo, deverá estar melhor prepa­rado para fazer o seu reajustamento moral e espiritual com a Lei Divina.

Esclareça-se, portanto, o portador das obsessões, mesmo aquele que se encontra no estágio mais grave da subjugação, através de mensagens esclarecedoras ao subconsciente, pela doutrinação eficaz, conclamando-o ao despertamento, do que dependerá sua renovação. Por outro lado doutrine-se o invasor, o parasita espiritual; entre­mentes, elucide-se o hospedeiro, o suporte da invasão, de modo que ele ofereça valores compensadores, eleve-se moral e espiritualmente, a fim de alcançar maior círculo de vibração, com que se erguerá acima e além das conjunturas, podendo, melhormente, ajudar-se e ajudar aqueles que deixou na estrada do sofrimento, marchando com eles na condição de irmão reconhecido e generoso, portador das bênçãos da saúde e da esperança.
4) O grupo familial
Vinculados os Espíritos no agrupamento familial pelas neces­sidades da evolução em reajustamentos recíprocos, no problema, da obsessão, os que acompanham o paciente estão fortemente ligados ao fator predisponente, caso não hajam sido os responsáveis pelo insu­cesso do passado, agora convocados à cooperação no ajustamento das contas.

Afirma-se que aqueles Espíritos que acompanham os psicopatas sofrem, muito mais do que eles mesmos. Não é verdade. Sofrem, sim, por necessidade evolutiva, já que têm responsabilidade no insucesso de que ora participam, devendo, por isso, envidar esforços para a liberação dos sofredores, libertando-se, igualmente.

São comuns os abandonos a que se relegam os alienados, quando os deixam nas Casas de Saúde, através de endereços falsos fornecidos pelos familiares, que se precatam contra a futura recuperação do familiar, impedindo, desse modo, o seu retorno ao lar. Não poucos os que atiram, imediatamente, os seres, mesmo os amados, nos Sana­torios de qualquer aparência, desejando, assim, libertar-se da carga, que supõem pesada, incidindo, a seu turno, em responsabilidades mui graves, de que não poderão fugir agora ou depois.

Sem dúvida, quando alguns pacientes, especialmente nos casos de obsessão, se afastam do lar, melhoram, porque diminuem os fatores incidentes do grupo endívidado com o dos cobradores desencarnados, o que não impede retomem os desequilíbrios, ao voltarem ao seio da família, que por sua vez não se renovou, nem se elevou, a fim de liberar-se das viciações que favorecem a presença da perturbação obsessiva.

Por isso, torna-se imprescindível, nos processos de desobsessão, seja a família do paciente alertada para as responsabilidades que lhe dizem respeito, de modo a não transferir ao enfermo toda a culpa ou dele não se desejar libertar, como se a Sabedoria Celeste, ao convocar o calceta ao refazimento, estivesse laborando em erro, produzindo sofrimento naqueles que nada teriam a ver com a problemática do que padece.

Tudo é muito sábio nos Códigos Superiores da Vida. Ninguém os desrespeitará impunemente.



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