Divaldo pereira franco



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EPILEPSIA



Pergunta: 266. “Não parece natural que se escolham as provas menos dolorosas?”

Resposta: “Pode parecer-vos a vós; ao Espírito, não. Logo que este se desliga da matéria, cessa toda ilusão e outra passa a ser a sua maneira de pensar.”

O LIVRO DOS ESPÍRITOS” — Parte 2ª — Capítulo 6º.


Concluída a assistência à senhora Eudóxia, o amoroso Mentor convidou-nos a observar uma jovem que dormia desassossegadamente. De quando em quando era sacudida por tremores violentos, ao tempo em que exsudava abundantemente. Não ultrapassara os vinte anos, em­bora o desgaste orgânico que a consumia.

Observamos que, a despeito do ressonar angustiado, não se en­contrava exteriorizada, antes parecia agitada em espírito, com visíveis sinais de perturbação psíquica.

De repente pareceu despertar e, assustada, com os olhos desme­suradamente abertos, pôs-se a gritar como se possuída por sevícias rigorosas. Incontinente, no estado de alucinação, ergueu-se contorcen­do-se, tremendo como varas verdes e tombou, convulsionada. O rosto experimentou forte congestão, enquanto os membros mantiveram-se rígidos por alguns segundos, após as convulsões hipertônicas. Logo depois, retorceu-se-lhe a face e a boca cerrou-se fortemente mordendo a língua. Advieram as convulsões clônicas, com os movimentos de flexão e extensão dos membros e da cabeça em desconcerto, expulsão de urina e a conseqüente coma que a dominou, mantendo-a incons­ciente por alguns breves minutos.

Cessada a crise epiléptica, despertou ignorando o que ocorrera e, apesar do cansaço que denotava, levantou-se, atônita, com cefa­léia, sendo vítimada por novo acesso, qual se fora acometida de vio­lenta incorporação mediúnica...

Com o olhar vigilante, porém, não conseguimos identificar a pre­sença de qualquer agressor desencarnado.

Ante a minha surpresa, esclareceu o Instrutor afável e cônscio:

— Estamos diante de uma problemática epiléptica genuína, mui diferente da classificada como bravais-jacksoniana, também chamada cortical, em razão de somente manifestar-se quando há lesões do córtex cerebral motor, — sistema nervoso central — que é o fator causal das convulsões tônicas e clônicas paroxísticas, que iniciam num grupo muscular de um membro.

“No caso em pauta a progressão da enfermidade está conduzindo a paciente ao estado de mal epiléptico, graças ao fato de se prolon­garem as crises sucessivamente por várias horas, quando, não raro, pelas conseqüências que impõe ao organismo, em forma de cargas excedentes, poderá ocasionar-lhe a desencarnação, mediante colapso ou conseqüente a processos de encefalite aguda, inevitável. Outras ve­zes, a sucessão das crises produz perturbações nervosas graves que conduzem o enfermo a total demência irreversível.”

Fazendo uma pausa, como a formar juízo para valiosas conside­rações prosseguiu:

— Este é importante capítulo da Neuropatologia que merece acurada atenção, particularmente dos estudiosos do Espiritismo, tendo em vista a parecença das síndromes epilépticas com as disposições medianímicas, no transe provocado pelas Entidades sofredoras ou per­niciosas. Mui freqüentemente, diante de alguém acometido pela epi­lepsia, assevera-se que se trata de “mediunidade a desenvolver”, qual se a faculdade mediúnica fora uma expressão patológica da personali­dade alienada. Graças à disposição simplista de alguns companheiros pouco esclarecidos, faz-se que os pacientes enxameiem pelas salas me diúnicas, sem qualquer preparação moral e mental para os elevados tentames do intercâmbio espiritual.

“Não desconhecemos que toda enfermidade procede do Espírito endívidado, sendo a terapêutica espiritista de relevante valia. Con­vém, porém, considerar, que antes de qualquer esforço externo se há que predispor o paciente à renovação íntima, intransferível, ao esclarecimento, à educação espiritual, a fim de que se conscientize das responsabilidades que lhe dizem respeito, dando início ao tratamento que melhor lhe convém, partindo de dentro para fora. Posteriormente, e só então, se fará lícito que participe dos labores significativos do ministério mediúnico, na qualidade de observador, cooperador e ins­trumento, se for o caso.

“Não obstante suas causas reais e remotas estejam no Espírito que ressarce débitos, há fatores orgânicos que expressam as causas atuais e próximas, nas quais se fundamentam os estudiosos para co­nhecer e tratar a epilepsia com maior segurança, através dos anti­convulsivos.”

Fez nova pausa, olhou a enferma que se encontrava em coma, dando curso à explicação:

— Pela lei das afinidades, o Espírito calceta é atraído antes da reencarnação à progênie, na qual se encontram os fatores genéticos de que tem necessidade para a redenção. Quase sempre seus genitores estão vinculados, em grupos familiares, a esses Espíritos em trânsito doloroso, o que constitui, normalmente, manifestação hereditária, com procedência nos graves males do alcoolismo paterno, no uso dos tó­xicos, a se expressarem por meio de fatores múltiplos, tais a fragili­dade orgânica, as excitações psíquicas, as infecções agudas que geram seqüelas lamentáveis... Os mais credenciados mestres discutem se as suas causas matrizes são resultado da intoxicação endógena ou conseqüentes aos distúrbios das glândulas de secreção interna, respon­sáveis pela cognominada epilepsia genuína. Além dessas há aqueloutras resultantes dos traumatismos cranianos, das afecções como a sífilis, a encefalite, os tumores localizados no sistema nervoso central, as emocionais, e alguns Autores admitem que a essencial ou idiopática está mais ligada às leis da hereditariedade, não obedecendo a um mecanismo patogênico definido.

“Mesmo nesses casos, temos que levar em conta os fatores cár­micos incidentes para imporem ao devedor o precioso reajuste com as leis divinas, utilizando-se do recurso da enfermidade-resgate, expiação purgadora de elevado benefício para todos nos.

Utilizando-me do silêncio natural, alvitrei uma indagação:

— E as sessões mediúnicas não produziriam resultado salutar, em casos dessa natureza?

Sem demonstrar enfado, esclareceu o sábio Instrutor:

— Sem dúvida, a dívida persiste enquanto se não a regulariza. Considerando-se que o devedor se dispõe à renovação, com real pro­pósito de reajustamento íntimo, modificando as paisagens mentais a esforço de leitura salutar, oração e reflexão com trabalho edificante em favor do próximo e de si mesmo, mudam-se-lhe os quadros prova­cionais, e providências relevantes são tomadas pelos Mensageiros en­carregados da sua reencarnação, alterando-lhe a ficha cármica. Como vê, o homem é o que lhe compraz, o que cultiva...

“O Evangelho, dessa forma, é a mais avançada terapêutica de que se tem notícia para o homem que se resolve vivê-lo em plenitude.”

E como me parecesse comportar maiores esclarecimentos, voltei a indagar:

- Seria, então, de supor-se que não ocorrem manifestações de epilepsia simulacro, isto é: obsessões cruéis, produzindo aparentes esta­dos epilépticos?

— Indubitavelmente há processos perniciosos de obsessão, que fazem lembrar crises epilépticas, tal a similitude da manifestação. No caso, porém, em pauta, o hóspede perturbador exterioriza a persona­lidade de forma característica, através da psicofonia atormentada, dife­rindo da epilepsia genuína. Nesta, após a convulsão vem a coma; naquela, à crise sucede o transe, no qual o obsessor, nosso infeliz irmão perseguidor, se manifesta.

“Ocorrência mais comum dá-se quando o epiléptico sofre a carga obsessiva simultaneamente, graças aos gravames do passado, em que sua antiga vítima se investe da posição de cobrador, complicando-lhe a enfermidade, então, com caráter misto.

“Conveniente, nesse como noutros casos, cuidar-se de examinar as síndromes das enfermidades psiquiátricas, a fim de as não confun­dir com os sintomas da mediunidade, no período inicial da manifes­tação, quando o médium se encontra atormentado.

“Nesse sentido é mister evitar-se a generalidade, isto é, a simpli­ficação do problema com arremetidas simplistas, como é de hábito muitos fazerem.

“A contribuição fluídoterápica, nas diversas expressões em que se apresenta, é de valor inconcusso, de indiscutível benefício, desde que o paciente se disponha realmente a ajudar-se.”

Silenciou, momentaneamente, depois do que voltou a considerar, pausado, cuidadoso:

— Examinemos a jovem Vivianne sob nossa caridosa observação.

“No último quartel do século passado, iremos encontrá-la na rou­pagem de atriz menos categorizada, que, portadora de invulgar beleza, de cedo entregou-se a toda sorte de dissipações, nas quais manteve graves conúbios com pessoas pervertidas, deixando-se arrastar a gra­vames muito sérios.

“À aproximação dos 40 anos, como não se celebrizasse no teatro, fez-se hábil na preservação do patrimônio em dinheiro e jóias, avida­mente reunidos, pensando garantir-se na velhice, quando exaurida.

Para lograr o intento, consorciou-se com astuto chantagista que a uti­lizava na arte da exploração de cavalheiros idosos e irresponsáveis, mantenedores da arte galante que conduz aos prazeres fugidios.

“É claro que logrou sucesso... Demandou a Europa diversas vezes, a expensas de cidadãos apaixonados, entregando o corpo e a alma às mais torpes sensações.

“Desenvolveu-se-lhe singular ganância, fascinada cada vez mais em tormentosa cupidez pelas jóias, que a deslumbravam, convertendo se em infeliz negociante de prazeres, mediante a utilização de jovens mulheres, que ludibriava e escravizava.

“Com habilidade invulgar, recorrendo à dissimulação e ao engodo, em que se fez excelente atriz, logrou descartar-se do esposo inditoso, comparsa dos seus crimes, através de bem urdido homicídio, no qual tomou parte relevante um jovem apaixonado, a quem se uniu por algum tempo, acariciando glórias, padecendo receios, dando prosse­guimento ao programa de leviandades.

“Temendo a denúncia do cômpar, quando este denotava sinais de cansaço das suas carícias, não trepidou eliminá-lo, a seu turno, numa das viagens transatlânticas, recorrendo a guloseimas envenena­das, não mais se vinculando especialmente a pessoa alguma, saturada dos excessos da sensualidade e atormentada, mais ainda, pelo pavor de vinganças ou rapinas, no meio em que vivia, explorando as vítimas com maior agudeza e fazendo-se, em conseqüência, execrável crapulosa.

“Viveu longos anos perseguida pelos desvarios da posse, que de­fendia mediante a usança de todo artifício imaginável, agasalhando, porém, sem o perceber, a memória das vítimas, em forma de receios e remorsos que se lhe infiltraram na mente em desalinho, até que a lou­cura, no termo da existência física, arrastou-a a um Manicômio, onde sucumbiu, esquecida, malsinada...

“Não faltaram aqueles que se locupletaram nos haveres deixados, sob os estigmas da desonra, da hediondez.

“Ingressou no além-túmulo exaurida e seviciada pelos antigos con­sórcios que a aguardavam, vingativos, padecendo, por algumas déca­das, inomináveis aflições.

“O genitor atual é o antigo esposo, que a precedeu, a fim de esperá-la e que não titubeou em interná-la nesta Casa, logo se lhe agra­varam as crises epilépticas, depois de martirizá-la demoradamente, com o desprezo e o ódio com que a tratava.

“A mãe, por sua vez, é uma das jovens exploradas, que desde cedo exteriorizou singular aversão pela filha, enferma desde os ver­des anos da primeira infância, quando padecia as ausências prenunciadoras das disritmias cerebrais, que se agravariam na puberdade, tornando-se a epilepsia genuína de hoje.»

Compungido, o Orientador facultou-nos, em pausa significativa e oportuna, reflexionar ante o quadro austero do sofrimento, a refletir a justeza das Leis da Vida, que não esquecem, não condenam, não libe­ram senão pela reabilitação do culpado.

— Condicionada por longos anos — elucidou com benignidade - a dissimulação, à mentira, ao suborno, acalentando pavores que a arrastaram à loucura, lesou os centros perispirituais, que em se fi­xando no novo corpo, alteraram o metabolismo endócrino, produzindo a enfermidade que ora lhe cobra os delitos cometidos.

“Face ao estado avançado da enfermidade, porqüanto as fixações mentais antigas ressurgem como alucinações que lhe complicam o quadro patológico, defronta, quando se desprende parcialmente do corpo nas rudes refregas convulsivas, o amante assassinado, ainda no Plano Espiritual, que a atemoriza com bem urdida maldade. O horror que a assoma se transmite à aparelhagem orgânica, motivando nova e penosa crise, a suceder-se, não raro, por horas contínuas.

“Tem, então, noção do resgate, embora o tumulto que a vence, reconhecendo a culpa que arrasta consigo, aspirando pela libertação, que pressente próxima.

“Realmente arrependida dos erros praticados, não jaz aqui àmercê do abandono, uma vez que antigo afeto em melhor posição espiritual, que intercedeu pelo seu renascimento, vem visitá-la com assiduidade, lenindo-lhe as aflições e encorajando-a a avançar. Nunca faltam os sublimes recursos do amor, mesmo nos abismos mais infeli­zes onde vigem os déspotas e os maus de todos os tempos, ali transi­tando para as experiências libertadoras. .

Nesse comenos, adentrou-se pelo apartamento respeitável Enti­dade que nos saudou cordialmente, acercando-se da enferma que de­morava em estado comatoso no solo.

Envolveu-a com imensa ternura, aplicou-lhe recursos refazentes e balsâmicos, desembarançando-a dos fluídos tóxicos que a entorpeciam e despertando-a, a pouco e pouco, fê-la reconhecê-lo. O semblante se lhe tornou agradável, descontraído, e, tomada por inusitada emotivi­dade, deixou-se conduzir, afastando-se daqueles sítios, na busca de renovação e paz.

— Acreditamos — arrematou o Mensageiro da caridade — que logo mais desencarnará, vítimada por um colapso cardíaco, após haver pago os compromissos negativos antes assumidos.

“Muitos companheiros lutariam para que permanecesse no corpo, esquecidos de que a vida verdadeira é a Espiritual, representando a experiência carnal bênção e oportunidade transitória para a nossa evolução.”

Estávamos fascinados. Realmente, também nós, quando no corpo físico, supúnhamos que, na epilepsia, defrontávamos invariavelmente o fenômeno obsessivo, sem logicar que no organismo vêm impressas as necessidades de cada um, a se traduzirem como deficiências, limi­tações, coarctações, problemas de saúde.

Idiotia, oligofrenia, mongolismo, epilepsia, psicoses várias, esqui­zofrenia, demência são terapêuticas de que se utiliza a Justiça Divina para alcançar os Espíritos doentes, que tentam fugir à Verdade, man­comunados com o crime e a ilusão.

Para que tais cometimentos se realizem, entram em jogo os pro­gramas cromossomáticos e genéticos tão bem estudados por Gregório Mendel, no século passado, encarregados de expressarem durante a reencarnação os impositivos redentores.

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