Divaldo pereira franco



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HISTERIA



Pergunta: 357. “Que conseqüências tem para o Espírito o aborto?»

Resposta: “É uma existência nulificada e que ele terá de recomeçar.”

O LIVRO DOS ESPÍRITOS” — Parte 2ª — Capítulo 7º.


Prosseguiam as valíosas explicações ante os quadros vivos, nos quais hauríamos indispensáveis conhecimentos para a própria ilumi­nação.

Confirmávamos que o homem é o juiz de si mesmo, recolhendo da atividade em que se envolveu os frutos merecidos da plantação realizada.

Os conceitos de justiça ampliavam-se e as soberanas leis de amor se nos reafirmavam, então, como as mais elevadas manifestações da Sabedoria Divina.

A reencarnação, desse modo, afigurava-se-nos como uma escola de recuperação, na qual os Espíritos se aprimoram, mediante cujo labor recuperam o patrimônio da paz malbaratado nas aventuras da insensatez e da perversidade.

Cada homem é a soma das suas realizações.

Na problemática das enfermidades mentais melhor se desvelam as paisagens íntimas de cada ser, uma vez que o impositivo do resgate exige da organização físio-psicológica a exteriorização dos abusos e crimes perpetrados anteriormente.

Ninguém se exime às conseqüências da culpa. Esta insculpe na tecelagem sutil e poderosa do perispírito o de que tem necessidade para anular o gravame.

Enquanto reflexionávamos, o sábio Orientador indicou-nos uma enferma de aproximadamente vinte e cinco anos que dormia, aneste­siada pelo sedativo utilizado fazia poucas horas. Ressonava, ofegante, traduzindo indisfarçável mal-estar.

— Não se trataria de algum pesadelo? — inquiri, atencioso.

— Certamente — anuiu, afável.

— Essa ocorrência — volvi à inquirição — decorre de algum encontro espiritual infeliz, no qual se vê perseguida?

— Poderia ser — respondeu, aprofundando observação. — No caso em tela, porém, encontra-se a dormir espiritualmente. A conti­nuidade dos fortes sedativos, por processo de assimilação perispiritual, prostram-lhe, também, a alma aturdida. No entanto, fenômenos inconscientes produzem-lhe sonhos desagradáveis, por automatismo psicoló­gico, que são fruto das recordações impressas nos dédalos da memória perispiritual.

“Esta é nossa irmã Angélica, cuja distonia nervosa começou a partir dos quatorze anos de idade, agravando-se a pouco e pouco. A princípio suas crises eram amenas, tornando-se mais amiúde nos últi­mos meses.

“É portadora de uma psiconeurose de natureza histérica em longo curso, a caracterizar-se por ataques violentos de psicastenia dolorosa, que surgira em conseqüência dos distúrbios neurovegetativos que vem experimentando desde há algum tempo, acompanhados por outros dis­túrbios de ordem motora.

“De início as síndromes eram perturbadoras, revelando-se em estados de hiperestesia como de hipestesia em que experimentava ru­des embates dos quais saía triturada emocional e físicamente. Tor­nando-se condicionada por impressões profundas da personalidade desequilibrada, vem caminhando de estágio a estágio na direção da loucura.

“O tratamento a que se vem submetendo, felizmente, ser-lhe-ámui salutar. E porque a mãezinha seja credenciada por expressivos títulos de enobrecimento moral, sua interferência pela oração fê-la granjear a assistência de generosos Benfeitores do nosso plano, que a vêm auxiliando no ministério da recuperação. Algumas Entidades per­niciosas que a martirizam, utilizando o seu desequilíbrio, deverão cor­porificar-se por seu intermédio, mais tarde, caso esteja disposta à maternidade, cessada a doença atual, o que se encarregará de conso­lidar-lhe a cura, ficando assim, liberada em parte dos pesados débitos.”

O sábio mentor acercou-se de Angélica e tocou-lhe o centro cere­bral, que ao contato da mão poderosa se impregnou de coloração espe­cífica, passando a vibrar singularmente.

Aplicou o mesmo recurso ao centro coronário, e logo após ao genésico. Ativados habilmente, filamentos coloridos acionados por energia especial passaram a vitalizar os demais que se acenderam, como lâmpadas mágicas, nas quais tonalidades variadas oscilavam em calei­doscópio, circulando e vibrando numa irrigação por toda a aparelha­gem fisiológica, agora luminosa aos nossos olhos, como se as artérias, veias e vasos estivessem percorridos por desconhecido gás néon, que se exteriorizava em todas as direções. Nos núcleos de força perispiri­tual mais intensas eram as cores em círculos concêntricos, sucessivos...

A paciente agitou-se mais fortemente por um momento, sem des­pertar, e, logo após, acalmou-se.

Quando o Instrutor desfez o circuito provocado pela sua energia através do centro coronário, passaram a diminuir as fulgurações, que se reduziram consideravelmente, permanecendo debilmente lampejan­tes.

“A histeria” — tornou à consideração — “já era conhecida desde remota antigüidade. Fenômenos psíquicos, por ignorados, muitas ve­zes foram com ela confundidos, como reciprocamente ocorria. Na Idade Média, graças às superstições engendradas pela ignorância e mantidas pela intolerância, a histeria alcançou o seu período áureo, particularmente quando das ocorrências das “possessões espirituais coletivas” que tomavam de assalto cidades, regiões, monastérios, do que decorreram as hoje clássicas demonopatias rudemente punidas pela Igreja, mediante aplicação de métodos nefandos.”

“Tais crises psíquicas repetiram-se, posteriormente, durante o chamado período romântico no século XIX...

“A João Martinho Charcot, o célebre anatomo-patologista do sistema nervoso, que se dedicou às questões das psiconeuroses dentre outras, a histeria tornou à celebridade nas aulas por ele ministradas na Salpêtrière, entre 1873 e 1884, onde era médico desde onze anos antes.

“Desdobrando-lhe as pesquisas, o prof. Pedro Janet facultou-se transferir para a histeria um sem-número de síndromes nervosas, des­cobrindo o subconsciente através do qual procura negar toda a feno­menologia mediúnica.

“A atitude extremista do respeitável estudioso em torno de tão grave problema fez que a sua teoria pecasse pelos absurdos, hoje reaparecendo em muitos aspectos comprovadamente ultrapassada.

“Por muito tempo acreditou-se que a histeria estava vinculada exclusivamente às questões uterinas, o que a tomava imoral e peca­minosa, no que Freud, ao conceber as bases da Psicanálise, discordou frontalmente, através de bem fundamentadas razões, constatando es­tados histéricos, também, nos homens.

“Identificando a região do polígono cerebral de Wundt e Charcot como a sede do subconsciente, Janet, e mais tarde Grasset, desenvol­veu a estranha tese com que esgrimiu cegamente contra a mediuni­dade, desde 1889 quando apresentou o resultado dos seus estudos na Obra intitulada “L’Automatisme Psycologique” (*)

“O debate em torno do subconsciente desde então vem sendo grande, hoje ressurgindo sob a designação de hiperestesia indireta do


(*) Vide o Capítulo 4 de “Nos Bastidores da Obsessão”, Edição FEB, 1970.

Nota do Autor espiritual.
Inconsciente entre os modernos adeptos da Parapsicologia, partidária da psicologia sem alma.

“Não nos cabe dúvida quanto à fragilidade de tal enunciado, desde que nos constituímos evidência da sobrevivência ao túmulo e do intercâmbio entre as duas esferas de atividade: a espiritual e a ma­terial.

“Não negamos as possibilidades do subconsciente, aliás estuda­das pelo Codificador do Espiritismo, que merece, todavia, mais de-tida análise.”

Como desejando ser mais explícito, prosseguiu:

— Angélica vem de um passado moral pouco recomendável. Jo­vem e atraente, aos primeiros dias do século atual, consorciou-se por imposição paterna com um homem a quem não amava, mais idoso, do que ela, o que lhe constituiu, a princípio, inominável martírio.

“Seu consorte, impossibilitado para o matrimônio, confidenciou-lhe o problema que o afligia, prometendo-lhe regular liberdade, desde que se mantivessem as conveniências sociais para ele relevantes. Tal conjuntura afetiva constituía já uma medida coercitiva de que se uti­lizava a Vida a fim de discipliná-los corretamente... Deveria, por­tanto, ter aproveitado a oportunidade, mediante a austeridade moral que a guindaria a relevante posição espiritual. Isto, porém, não se deu.

Acobertada pelo esposo insensato e leviano, tombou em quedas sucessivas, ocultando os frutos das dissipações por meio de infanticí­dios impiedosos que se repetiram por quatro vezes consecutivas, no último dos quais logrou ser expulsa do corpo, através de hemorragia violenta...

“Ao despertar no Além reencontrou aqueles que impedira de renascer, passando a sofrer-lhes acrimônias, injúrias e rudes perse­guições.

“Infelizmente, conduta que tal ainda hoje é corrente: apagar o erro por meio de maior crime, isto é: ocultar o ultraje moral, inci­dindo no aborto delituoso, destruindo quem não tem culpa da leviandade.

“A Lei, porém, sempre chama a necessárias contas todos os seus arbitrários desrespeitadores, como estamos verificando.

“Ao reencarnar-se o Espírito culpado através de processo muito complexo, fixou no centro coronário, onde se situa a epífise, a vela­dora da sexualidade, os abusos anteriormente cometidos, que foram sendo revelados, à medida que a puberdade ativava o centro gené­síco, produzindo-lhe o estado atual, e, simultaneamente, fazendo que a memória dos sucessos infelizes começasse a trasladar-se do inconsciente profundo para o consciente atual, em forma de tor­mentosas crises evocativas das sensações experimentadas nas pavo­rosas regiões de dor donde proveio...

“O Inconsciente possui, portanto, fatores preponderantes, não, porém, exclusivamente desta encarnação conforme desejam os estu­diosos materialistas, que apenas percebem os efeitos sem aprofunda­rem as causas...

— E será ela uma obsidiada — aventei — no sentido lato da palavra?

— Sim — concordou. — Aqui, porém, a obsessão é efeito, contingência natural da sintonia da mente endívidada com as mentes das suas vítimas. Nela mesma, na paciente, nas zonas fisiológicas estão as distonias psicoffsicas já instaladas pela consciência culpada, em forma de sintomas vários e desconexos que, no caso, lhe consti­tuem a histeria.

O Benfeitor aplicou-lhe recursos próprios, através de passes especiais, enquanto nos quedamos a meditar, procurando melhor en­tender as sutis vinculações causa-efeito, na histeria e na obsessão, na loucura e na possessão.

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