Divaldo pereira franco



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SUBJUGAÇÃO



6.’. “A subjugação corporal, levada a certo grau, poderá ter como conseqüência a loucura?

Pode, a uma espécie de loucura cuja causa o mundo desconhece, mas que não tem relação alguma com a loucura ordinária.”

O LIVRO DOS MÉDIUNS”. — Capítulo 23º — Item 254.
As profundas e valiosas lições calavam-nos com extraordinário poder de esclarecimentos espirituais. Em toda parte, a presença da justiça sem importar os limites tempo e espaço, considerando que somente ilibada a consciência se alça à paz, ponto de partida para os tentames superiores.

Construtor da felicidade, o Espírito é o agente das possibilidades que lhe surgem em múltiplos aspectos, dele exigindo o indispensável discernimento para atuar com acerto.

Naquele apartamento de Hospital, quatro pacientes constituíam­ excelente campo à observação e à aprendizagem. Viandantes de estradas evolutivas diversas, reuniam-se sob o guante de aflições equivalentes para a reabilitação indispensável à liberdade que todos anelamos, sinônimo de ventura e plenitude, quando conscientes dos códigos da Suprema Justiça.

Nesse ínterim, o prestimoso Mensageiro acercou-se da jovem Ester e, compungido, referiu-se:

- Verdadeiramente o objetivo da nossa visita hoje a este Ma­nicômio é a moçoila que agora examinaremos.

“Diversamente dos casos estudados, defrontamos aqui, como causa da sua loucura, a subjugação espiritual que a vem conduzindo a uma situação esquizofrênica com possibilidades irreversíveis, se o socorro divino não a alcançar imediatamente.

“Nos demais problemas há pouco examinados, a obsessão se fazia como conseqüência, junto à alienação dos pacientes. Aqui de­frontamos o distúrbio psíquico na condição de efeito obsessivo...

“Várias conjunturas trazem-nos até seu catre de enferma. Ora­ções intercessórias agora se conjugam a seu benefício: sua mãezinha, as componentes do Culto Evangélico do Lar do dr. Gilvan, os mem­bros do serviço desobsessivo da Sociedade Espírita “Francisco de Assis” e das pessoas devotadas à mediunidade, os irmãos Joel e Ro­sângela.

“Necessário nos recordemos de que a lei é de justiça, na qual, porém, não vigem ausentes os recursos da misericórdia de Nosso Pai, sempre ao alcance de quantos O buscam pelo conúbio oracional. A prece é de essência divina. Registros especiais captam as rogativas da Terra e as transformam em respostas de socorro celeste. Nenhum apelo, neste Universo de vibrações e intercâmbios, jaz sem resposta. Quem se compraz na revolta sintoniza com as mentes carregadas de ira, que se conjugam em comércio de longa duração, assim como quem vibra esperança e amor sincroniza com as forças emissoras da paz e da harmonia, estabelecendo ligações que favorecem o otimis­mo e a saúde.

“Não poucas vezes nos admiramos de como algumas frágeis criaturas sobrevivem sob cargas de penosas agonias, sem desfalece­rem; de outras que resistem a alucinantes situações; de muitas que exalam paz, embora o coração estiolado pelas conjunturas da adver­sidade... Todas elas haurem, através da prece, a vitalidade que as sustenta e mantém pelo concurso da oração, através do recolhimento na meditação, ampliando os processos de captação pelas antenas psí­quicas que recebem as respostas divinas, jamais atrasadas.

“Sofrem, sem dúvida, por estarem em recuperação, mas não ex­sudam pessimismo nem enfermidade. Onde se encontram, luze a esperança e a alegria se faz presente, qual atestado inequívoco da sua comunhão com Deus.

“Não foi por outra razão que o Senhor recomendou nos amás­semos, orando uns pelos outros, particularmente pelos nossos adver­sários como pelos que nos perseguem.

“A prece intercessória não apenas alcança a quem se destina como beneficia aquele que a realiza. Telefônio com os avançados Centros do Amor Divino produz ligação de contínuo intercâmbio.”

Silenciou por alguns segundos, enquanto mais se acercou da mo­ça subjugada, dando curso à elucidação:

Não que a nossa Ester aqui estivesse ao abandono. Ninguém, coisa alguma se encontra relegada a si mesma, ao esquecimento, àmargem. Mecanismos muito bem elaborados atuam em nome da Mi­sericórdia de Nosso Pai, mesmo quando não solicitada, e Mentes viligantes observam, auscultam e escutam, atentas, a serviço do Bem Ilimitado.

“Acumpliciada, porém, desde ontem, com o atual genitor, res­valou pela rampa da desídia e do crime que agora carpe, por meio de outras circunstâncias, precipitadamente com aparências de injus­tiça.

“Adicionando-se recursos benéficos e corações que se empenham com o crédito de que são portadores para auxiliá-la, modificam-se-lhe os mapas provacionais, produzindo recursos socorristas que lhe facul­tarão os ressarcimentos por outros meios que não as coerções do sofrimento.

“É da Lei que o infrator seja justiçado, não, porém, supliciado. Quem se recusa produzir no bem, reflexiona ao império da dor; re­pelindo o trabalho que gera o clima de paz, sofre a ação do sofri­mento que programa as circunstâncias do reequilíbrio para a reden­ção...

“Desse modo, atendendo às orações conjugadas dos nossos ir­mãos, o Senhor faz da nossa fragilidade Seus recursos para átendê-la em Seu Nome.

Novamente o sábio Bezerra de Menezes silenciou, significativamente.

Concentrando-se, a fim de aprofundar informações sobre a en­ferma, adiu:

“A Entidade que a vergasta, agora, não tem diretamente com ela nenhuma vinculação atual. Antes assim o faz, para desforçar-se do genitor a quem supõe odiar. Porque ela se encontra comprome­tida, sofre, fazendo o pai sofrer, enquanto, por esse processo, se li­bera dos erros praticados em companhia daquele. A Entidade mal­fazeja a subjuga por encontrar nela predisposições cármicas que fácilitam o conúbio. Portadora de mediunidade, por cujo meio pode­rá ascender posteriormente. faculta ao irmão infeliz a obsessão, atra­vés de compreensível afinidade fluídica com que se imantam reci­procamente.

“Consultemos os seus clichês mentais arquivados na memória anterior, no centro coronário, de modo a aquilatar-se melhor a sua problemática, ajudando-a com maior proficiência.”

Concentramo-nos quanto possível na sede mental da jovem que se encontrava a dormir, enquanto o irmão Melquíades a assistia em espírito, ao lado do corpo, duramente seviciada na organização físio­-psíquica pela pertinácia do subjugador desencarnado. Em estado lamentável de descontrole emocional, o perseguidor procurava ofen­dê-la, proferindo expressões chocantes e golpeando-a continuamente com os punhos cerrados. Impossibilitado de ver-nos, face aos fluídos densos em que se agitava nas baixas faixas vibratórias em que res­pirava, subitamente o Espírito deixou de ver sua vítima, ficando mais acirrado pela ira no deplorável comportamento.

Embora sem capacidade no momento, para entender a ocorrên­cia, O irmão Melquíades desenovelou-a das emanações pestosas que a prostravam, aplicando a terapia da palavra gentil e amiga, que ela recebia em forma de indescritível bem-estar. Em poucos momentos, dormia espiritualmente tranqüila sob a ação anestésica que lhe dis­pensara o Enfermeiro, bondoso.

— Não nos compete de momento — informou o Orientador —desligar o seu perseguidor, na atual circunstância. Para tal se fará necessária a contribuição do sacrifício do genitor de Ester, a fim de esclarecer devidamente o adversário, conquistando-lhe a amizade e o respeito, o que será tentado em ocasião própria.

“Nosso primeiro esforço será o de atenuar as recordações de­sordenadas de que ela se vê objeto no transe da subjugação. Nos poucos momentos em que se liberta do sicário da sua paz, a mente em turbilhão ressuscita doridas lembranças que a perturbam, levan­do-a ao dédalo do desequilíbrio, face à impossibilidade de situar-se no clima da razão, tendo em vista a mixórdia psíquica, decorrente dos tormentosos dias do passado e dos aflitivos do presente.

“Acuremos cuidadosamente a observação.”

Percebemos, então, à medida em que lhe fixávamos o núcleo correspondente aos registros da memória, surgirem cenas vivas, como se fôramos transferidos para o local em que sucediam.

Tomado pela surpresa da ocorrência, ia formular indagação, quando ouvi telepaticamente a palavra austera do Diretor Espiritual, concitando-me à atenção.

Era noite e uma jovem de porte elegante em sala sombria de rica vivenda confabulava com um sacerdote de face macilenta e se­vera, maneiroso e astuto. A conversação se fazia em torno da usur­pação de bens pertencentes a uma mulher que deveria doá-los, es­tando naquele momento à borda da desencarnação...

Sedutora e ambiciosa, impunha ao sacerdote que, somente após conseguir a legitimação dos bens, concordaria continuar o romance da ilicitude que mantinham. Percebia-se o desprezo com que o tra­tava. O homem, porém, apaixonado, não se dava conta da exploração criminosa a que estava sendo submetido impiedosamente.

De repente as cenas se sucederam, ressurgindo a jovem com aparência de meia-idade, atormentada por Espíritos muito infelizes que a vituperavam.

O religioso, ao seu lado, ostentava as cores de que se orgulhava, alçado que fora à categoria de Monsenhor, por ela prosseguindo es­bulhado, em conciliábulo infeliz, de que não se podia libertar.

Nela se percebiam, também, as angústias da insopitável frus­tração em que despenhara, a despeito do quanto conseguira.

Logo após retornaram as cenas primeiras que desapareciam no tumulto das impressões perturbadoras, sem contornos.

Tornamos, então, à ambiência do apartamento hospitalar:

— Aí estão as matrizes do seu estado atual — informou o Mé­dico Espiritual.

“Retornaremos amanhã, trazendo o nosso Joel, em espírito, a fim de atendermos Ester e seu genitor, em desprendimento pelo sono, de modo a iniciarmos o labor que se prolongará através da terapêutica eficaz, nas próximas sessões de desobsessão do infeliz irmão perse­guidor.

“Cada problema obsessivo tem as suas características próprias, e, pois, conseqüentemente, exige tratamento especial. Sem dúvida, as raízes são sempre profundas, fincadas no cerne do Espírito que sofre a aguerrida luta.

“Agora partamos. Nossa visita aqui, por hoje cessa.”

O irmão Melquíades colocou Ester-espírito ao lado de Ester-or­gânica em repouso reparador.

Foram aplicados recursos balsamizantes no vingador que, en­torpecido, passou, também, a repousar.

Deixamos a cela hospitalar agora atendida por psicosfera di­versa da que encontráramos. Ali foram realizados serviços socorris­tas valiosos, recorrendo-se ao Divino Médico, pela intercessão da prece, o que renovou a paisagem face à Sua sublime interferência.

Lá fora, próximo à praia, podia-se ver fronteira a encantadora enseada de Botafogo, clareada pelo luar, sob um céu salpicado de estrelas. Logo mais amanheceria novo dia, trazendo abençoadas opor­tunidades salvadoras.

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