Divaldo pereira franco



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BÊNÇÃOS DA FRATERNIDADE

Os médiuns são os intérpretes dos Espíritos; suprem, nestes últimos, a falta de órgãos materiais pelos quais transitam suas instruções. Daí vem o se­rem dotados de faculdades para esse efeito. Nos tempos atuais, de renovação social, cabe-lhes uma missão especialíssima; são árvores destinadas a fornecer alimento espiritual a seus irmãos; multiplicam-se em número, para que abunde o alimento; há-os por toda a parte, em todos os países, em todas as classes da sociedade, entre os ricos e os pobres, entre os grandes e os pequenos, a fim de que em nenhum ponto faltem e a fim de ficar demonstrado aos homens que todos são chamados.”

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” — Capítulo 19º — Item 10.
No dia imediato, ao despertar, o Coronel Constâncio, antes da refeição, informou à esposa que sonhara com Ester, não conseguindo, porém, recordar com precisão detalhes que encadeassem o aconteci­do. Semelhavam-se a clichês rápidos que lhe afloravam à mente, desordenados. Tranqüilidade inusitada, porém, dominava-o interiormente, misturada a lembranças felizes, imprecisas, que lucilavam na mente. Experimentava a sensação de haver dormido toda a noite, entretanto, parecia-lhe havê-la passado em confabulação demorada, num recinto algo sombrio onde diversas pessoas se encontravam, in­cluindo a filhinha mortificada.

Ao recordar-se da obsessa, nublaram-se-lhe de lágrimas os olhos claros.

Dona Margarida, atenciosa, comovendo-se, acentuou:

— Tenho a certeza de que visitamos nossa menina... Durante a madrugada, inesperadamente despertei, sentindo-me retornar de abençoada excursão ao Hospital, amparada por seres angélicos, que nos guiavam e inspiravam. Pude vê-los, ainda, como a desaparece­rem, interpenetrando parede afora do quarto. Permaneci meditando, recordando e experimentei tão grande felicidade interior como jamais fruíra nos últimos anos... Creio, sim, que estivemos com Ester, aju­dados pelos Espíritos Superiores, que representam Jesus atendendo a nossas preces e dores.

Seus olhos brilhavam, também, mergulhados em pranto que não escorria.

Os esposos se tomaram as mãos e a senhora, comovida, balbu­ciou uma oração simples quão profunda de louvor e gratidão.

Os dias passavam lentos para a ansiedade dos envolvidos na trama redentora. O tempo era preenchido por leitura salutar, apro­fundando a meditação e o estudo nas incomparáveis páginas de Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, com que o amigo Sobreira brin­dara o colega de armas.

O conteúdo incomum quão precioso da Obra facultava ao neó­fito das Verdades Eternas entranhando deslumbramento, ensejando-­lhe valorizar a ensancha inditosa que acarretava sofrimento, graças à qual, porém, lhe caíam as vendas do entendimento, concedendo-lhe a visão dos horizontes infinitos da esperança sem limite, da alegria sem receios, da sabedoria sem inquietações.

Atraído pelas informações espirituais dantes jamais suspeitadas, lendo e comentando com a esposa que o seguia afervorada, lamentava o tempo passado na ignorância da preciosa Doutrina e confessava a falência do orgulho, do materialismo e seus sequazes no defrontar com o Espiritismo.

Os Sobreiras, quanto lhes permitiam os compromissos, visita­vam-nos e dona Mercedes, por telefone, cada dia saudava a nova consóror, emulando-a ao prosseguimento confiante nas tarefas ora encetadas com afinco.

Nos dias aprazados realizavam o Culto Evangélico no Lar com que hauriam ânimo robustecido e iluminação interior. Simultanea­mente passaram a participar das sessões de estudo doutrinário, duas vezes por semana, na Sociedade Espírita “Francisco de Assis”, de cujo valioso aprendizado mais se lhes aguçava a sede de saber, adqui­rindo respostas para as mil indagações, dúvidas e interrogações que se lhes multiplicavam surpreendentemente como sói acontecer com todos os que travam relações com o Consolador.

Os apontamentos felizes expostos pelos divulgadores da Men­sagem Espírita, vazados em linguagem simples, no entanto, profun­da, quão clara, fascinavam os novos simpatizantes do Espiritismo, que, em cada conceito, descobriam rumos novos e material para mais dilatadas considerações, que os empolgavam. É certo que anelavam a cura da filha, sua libertação, sem embargo, porém, compreendiam os impositivos superiores da vida, passando a considerar os aconte­cimentos sob o ponto de vista espiritual, sem os limites terrificadores das nesgas materiais, que entorpecem o discernimento e rebelam a razão.

Naquela Casa encontraram um mundo novo, estranho: o da fraternidade, onde a esperança emoldura as almas de resignação e a caridade agiganta os seus felizes servidores. Tinham a impressão de que o grupo formava uma única família e os recém-chegados eram recebidos como membros queridos, ainda não conhecidos...

Sem a curiosidade perniciosa nem a indiscrição perturbadora, todos demonstravam amizade cordial e espontânea, entretecendo conversação agradável sem as cargas danosas das queixas e das re­clamações com que se comprazem a ociosidade e a rebeldia.

Os que lhes conheciam o fardo de dores, narravam as próprias esperanças, os frutos das alegrias recolhidas, interessando-se em aju­dar mediante a prece, as vibrações salutares e a intercessão cristã.

Mundo novo, sim, o da afeição pura e do entendimento cordial, que deve ser a colméia cristã em todo tempo e lugar.

O médium Joel, também sinceramente interessado, sempre que solicitado, com gentileza expunha opiniões, narrava experiências de formosas e consoladoras incursões mediúnicas de que fora partícipe, retirando valiosas conclusões doutrinárias que os animavam.

Dona Matilde Albuquerque, a benfeitora de Rosângela, fez-se amiga da sra. Santamaria, ampliando o círculo de relações da sofrida consóror por meio de cuja afeição recolhia preciosos estímulos e en­corajamento para a porfia no esforço saneador.

Nesse clima ameno de confiança, trabalhavam os Instrutores amoráveis os sentimentos dos recém-conversos, de modo a predispô­los para os tentames de maior envergadura.

Nenhum regime de exceção, nenhuma precipitação.

Em qualquer processo obsessivo, é de efeito superior a renova­ção e a conscientização dos envolvidos, do que resultam os primeiros benefícios imediatos, que são: o despertamento para as responsabi­lidades do espírito, o amor desinteressado, o perdão indistinto e o desejo honesto da inadiável reparação aos danos causados... Encetado o esforço da melhoria de dentro para fora, mais fácil a liberação dos compromissos infelizes que engendram amargura e dor.

Por essa razão, nunca se devem desconsiderar as contribuições do estudo doutrinário, na terapêutica desobsessiva, não apenas por parte dos litigantes diretos como também do grupo familial, forte­mente vinculado ao problema espiritual.

Sob a orientação do venerando Bezerra, foram programadas al­gumas sessões especiais de desobsessão para o “caso” Ester, sendo convidados a participarem das mesmas os progenitores, ao lado dos casais Sobreira, Albuquerque, dos médiuns Joel, Rosângela e mais dois colaboradores da Instituição.

Na noite escolhida, e pontualmente, à hora programada, todos os participantes compareceram ao recinto, devidamente preparados para o cometimento especial de alta importância para os sucessos em pauta.

Abertos os trabalhos, após a oração inicial proferida pelo Co­ronel Sobreira, destacado para a direção dos mesmos, que a enunciou com verdadeira unção, utilizando-se dos recursos psicofônicos de Rosângela, o Mentor adiantou algumas imprescindíveis orientações explicando quanto ao valor da cooperação de todos para o feliz de­siderato do programa em curso.

Logo após, o médium Joel, servidor de vida ilibada, pela psico­fonia inconsciente incorporou indigitada Entidade, que o convulsio­nava, espumejante. Tratava-se do obsessor de Ester que fora trazido por abnegados Auxiliares do Diretor Espiritual.

Justo esclarecer que a Entidade fora removida desde a véspera, sem que se desarticulassem os liames que a atavam à vítima... Si­multaneamente, procedeu-se a imantação psíquica do desencarnado em sofrimento com o sensitivo programado para a terapêutica do esclarecimento.

Pela concentração profunda realizada pelo médium cônscio do seu ministério, e conduzido por Bezerra, o agressor tomou de assalto os recursos psicofônicos de Joel, que, de imediato se transfigurou, congestionando a face, modificando a postura... Dava a impressão de ser outra pessoa, como em verdade ocorria, tal a brusca domina­ção do hóspede incorporado.

Disciplinado, porém, quanto evangelizado, seu espírito lúcido continuava semidesdobrado, ao lado, entre os operosos Instrutores Desencarnados, presto para qualquer interferência premente ou ne­cessária.

Agressivo, vulgar, estorcegando-se na aparelhagem mediúnica que o limitava, e furioso, blasonou o Espírito:

— Sou invencível! Ninguém me alcançará nem me deterá. Co­brarei lágrima por lágrima, desdita por desdita, e não saciarei minha sede de vingança. Tenho vertido pranto de lava sem qualquer refri­geração, e me encontro destroçado.

“Num infinito de tempo, reunia os frangalhos com que desejava recompor-me e via-os desfazer-se cem, mil vezes, sem cessar... En­louquecia e acordava para novamente desvairar...

“E por quê? Porque fui traído... Chegou, porém, minha hora de vingança, que apenas começa.

E gemia, chorava, despejando a vasa do ódio cultivado em im­precações violentas, chocantes.

Entrementes era socorrido por energias vigorosas que lhe apli­cávamos por orientação Superior.

Necessário aquele mergulho nas vibrações, no magnetismo da mediunidade com Jesus, balsamizante, confortadora.

Nesse comenos, o doutrinador com voz pausada, doce e enérgi­ca, se dirigiu ao tresloucado Espírito:

— Falas que és infeliz, no entanto, infelicitas; que cobras, to­davia, pagas; que persegues, mas te apresentas perseguido em ti mesmo...

— Quem me interrompe? — interferiu a Entidade. — Que tipo de cilada é esta?

— A cilada do amor. Aqui estás para que percebas a fraqueza das tuas forças e a força da Misericórdia e Justiça Divinas.

— Não me venha com falatórios. Estou informado desses fa­lantes que se intrometem nos compromissos alheios, vestidos de cor­deiros, e, entretanto, são lobos ladrões... Onde estou e que deseja de mim?

— Estás na Casa do Senhor da Vida e da Morte — esclareceu, inspirado, o médium-doutrinador — a quem cabe, verdadeiramente, deliberar sobre todas as coisas. Acreditas que te governas e és con­duzido; referes-te aos teus planos e te equivocas, por precipitação. Crês-te vingador e fazes-te vítima da própria impulsividade, pertur­bando-te cada vez mais. Assim, aqui estás, porqüanto desejamos por vontade dEle, o Senhor Nosso, a tua paz e ventura, samaritanos que somos em Seu nome, a Seu serviço.

— Brincas? — retrucou, interrogando o Comunicante. — Não tenho senhor nem chefe. Sou livre para odiar e desforçar-me. Nin­guém me controla nem me dirige... Chega de conversa, homem. Vou-me daqui.

Sem perturbar-se, guardando a mesma serenidade, o Diretor re­trucou:

— Ninguém é livre, realmente, enquanto não se libera das pai­xões, que são os inimigos mais escravizadores que existem. Também não estamos brincando, conforme interroga o irmão. Com vidas não se joga...

— Irmão! — Voltou a inquirir, gargalhando, zombeteiro. —Devo ter sido colhido por um grupo de loucos mortos e trapaceiros, metidos a religiosos a fim de enganar-me. Nada feito: eu sou morto também, lutando contra vivos e vingando-me dos a quem eu irei matar...

— Enganas-te, novamente, meu irmão — adiu o interlocutor.

— Mortos estamos quando no corpo, e, vivos, se nos encontramos sem ele... Estás, sim, desencarnado, liberado para a vida, graças à desencarnação, também chamada morte. Não somos loucos, porqüanto enfermo estás tu, vítimado pela cegueira do ódio e os venenos da revolta, transformado em ladrão da paz alheia, acovardado na agressividade, porqüanto quem agride é fugitivo da coragem que ama e perdoa... Utilizas-te da ausência do corpo físico, embora lhe so­fras, ainda, as exigências de que não te libertaste, para, invisível para a maioria das criaturas, perseguires e desgraçares... Somos re­ligiosos, sim, seguidores de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso Chefe e Guia...

Atentos às instruções do Orientador Espiritual, acercamo-nos do sofredor em desvario e aplicamos-lhe passes cuidadosos, anestesian­tes.

A Entidade que fora acometida de grande surpresa, ao ouvir enunciado o nome de Jesus Cristo, recebeu a vibração mental que o acompanhava e lembrou-se, momentaneamente, do Crucificado. Pela mente aturdida, repassaram algumas impressões das óleo-gravuras que conhecera na Terra e estremeceu, receoso.

Com os recursos que lhe aplicáramos, experimentou rápido co­lapso da palavra, dos sentidos e, enquanto o Evangelizador falava sobre a grandeza do Cristo de Deus, impregnando o sofrido persegui-dor, este adormeceu e foi retirado, inconsciente.

Reincorporando o Mentor abnegado para complementar a reunião com instruções oportunas concernentes ao próximo labor, após a pre­ce produzida em clima de júbilos e esperanças, foi a mesma encerrada sob eflúvios de energias saturadas de forças benéficas.



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