Divaldo pereira franco



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CRIMES OCULTOS

O Espírito mau espera que o outro, a quem ele quer mal, esteja preso ao seu corpo e, assim, menos livre, para mais facilmente o atormentar, ferir nos seus interesses, ou nas suas mais caras afeições. Nesse fato reside a causa da maioria dos casos de obsessão, sobretudo dos que apresentam certa gravidade, quais os de subjugação e possessão. O obsidiado e o possesso são, pois, quase sempre vítimas de uma vingança, cujo motivo se encontra em existência ante­rior, e à qual o que a sofre deu lugar pelo seu proceder. Deus o permite, para os punir do mal que a seu turno praticaram, ou, se tal não ocorreu, por haverem Faltado com a indulgência e a caridade, não perdoando.”...

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” — Capítulo 10º — Item 6.
Diante da transformação operada no Coronel Santamaria, que reassumira a total aparência da última reencarnação, o Mentor pro­videnciou a colocação de um aparelho muito parecido aos receptores de televisão da Terra, com aproximadamente quinze polegadas por dez, na face do vídeo, que de imediato, qual se estivesse acionado por desconhecida energia, passou a apresentar formosa cidade, colo­rida e movimentada.

Ato contínuo, o Mentor aproximou-se do agitado Coronel e sugeriu:

— Recorde mais. Lembre-se de Eduardina Rosa Montalvão do Alcantilado. Pense, mergulhe nas lembranças, Monsenhor Severo Augusto dos Mártires... Recorde...

À força da idéia plasmadora, a transmutação se fez presente em todos os detalhes.

A face macilenta apresentou-se sulcada e os lábios finos con­traídos; os olhos se tornaram brilhantes, denunciando na vista direita um piscar nervoso que retorcia o lado correspondente da boca.

Sentando-se, apoiou a cabeça nas mãos e, concentrando-se, mer­gulhou em profundo transe.

As imagens mentais evocadas reviviam no receptor com a pujança de vida e cor da realidade.

O casario apresentado era antigo e barroco, de três andares com ruas tortuosas, lajeadas, surgindo entre colinas verdes, de pequeno porte, em que se destacavam, como agulhas negras de pedra burilada, as torres de inúmeras igrejas católicas.

Sombreando as ruas ladeiradas, velhos e amplos casarões com inúmeras portas e janelas, protegidas por sacadas de ferro em colo­rido esfuziante, com o verde-escuro em predominância.

O dia de sol e a movimentação na praça da Sé (velha) anun­ciava uma procissão. Na intimidade da igreja, que datava do século 14, a missa concelebrada por diversos sacerdotes e digni­tários de alta estirpe do Clero chegava ao momento culminante.

A multidão atenta e contrita acompanhava os últimos cantos-corais, quando foi erguido o andor e iniciado o préstito.

Levantado o pálio, alguns membros da nobreza e o alto Clero iniciaram o desfile, enquanto o bispo, acolitado por jovens sacristães que lhe sustentavam o paramento bordado a ouro, erguia o osten­sório, obrigando os devotos a se ajoelharem à passagem do cortejo.

Logo após, próximo e à frente do padroeiro da cidade, o Mon­senhor Severo dos Mártires recitava litanias e jaculatórias.

Incenso abundante se transformava em fumo claro nos turíbulos de prata, agitados por rapagotes de alta ascendência familial.

Quando a procissão se acercou de formosa herdade, que ocupava todo um quarteirão, ajoelhada ao portão principal com um séqüito de pagens, servas e aias, uma dama de avançados quarenta anos res­pondeu com aceno de cabeça à saudação do Monsenhor. Tratava-se da temida senhora Eduardina Rosa de Montalvão do Alcantilado.

O semblante contraído da mulher pareceu agradar ao velho sacerdote que sorriu, escarninho, entre os lábios finos e murchos.

Embora a decadência orgânica, ele ainda não ultrapassara os cinqüenta e dois anos. De temperamento forte, asceta, estava fulmi­nado por mórbida paixão pela resoluta senhora, que ostentava pesado luto, a retratar-lhe a situação civil.

Cai a tarde. O sacerdote tem nas mãos pequeno papel dobrado, com lacre e o sinete de identidade. Abre-o e o lê com sofreguidão. Imediatamente toma a capa negra, atira-a aos ombros, coloca o chapéu de largas abas à cabeça e sai, agitado.

Alcança a mansão entre as sombras de velhas árvores e após acionar a campainha ruidosa deixa-se conduzir a uma câmara atape­tada, com as janelas defendidas por pesadas cortinas.

A serva pede-lhe sentar-se enquanto sai a avisar a ama. Suave claridade azulada se derrama de um candeeiro de opalina sobre con­solo de madeira trabalhada. O mais são as sombras da noite em vitória no céu piscando estrelas e o silêncio em volta.

Quando a porta, que se comunica à intimidade da casa, se abre, ele se ergue e oscula a destra que a viúva lhe distende.

Nota-se-lhe a arrogância e o asco. Ela se domina, porém.

— Vim, imediatamente, assim recebi o aviso — inicia ele a conversação.

— Não há muito de que falar, Eminência — retruca ela —Estou disposta a volver ao passado, tudo recomeçar e até mesmo a pedir-lhe perdão. Vejo que me enganei miseravelmente... Não agüento derrotas... Estou morta moralmente e, quiçá, físicamente, porqüanto não suportarei o ultraje... A não ser. .

— Que deseja que eu faça?

— Se me ama, conforme apregoa, que me lave a honra ultrajada.

— Como, assim?

— Vingando-me a ofensa que me espezinha. Como não ignora, não resisti aos encantos de dom Casimiro, razão das desinteligências havidas entre mim e Sua Eminência... Ele espoliou-me e agora, após despedaçar-me o coração com a crueldade das palavras viperinas, levando-me à humilhação, inclusive de suplicar-lhe que não me aban­donasse, esbofeteou-me com duras verdades e desprezo... Odeio-o! Pagarei qualquer preço para alcançá-los.

— Alcançá-los? — Indagou, sem compreender.

— A ele e a quem mais?

— À minha sobrinha, Maria do Socorro...

— Que tem ela a ver com o caso, a pobre rapariga que mal desponta como mulher...

— Entregou-se a ele, traindo-me e desgraçando-se. Será mãe de hediondo rebento do canalha.

— Deus meu! Não será isto uma infâmia? Recorde-se dos castigos que recebem os caluniadores e injuriosos.

— Cale-se, sua Eminência e não me fale em pecado, castigo, penitência... Não a mim; não conosco que nos temos utilizado da Igreja para proveito próprio, para nossa própria desgraça... Em Deus eu creio... No resto, não sei, não sei.

— Não blasfeme!

— Sou sincera. Basta-me a hipocrisia de sentir ânsia de amar, como fazem os franceses, e viver aqui, perdida, fulminada pela igno­rância, pelos preconceitos.

— Não me fale dos franceses, esses traidores de Deus, que há menos de um decênio, vândalos que são, usurparam e espoliaram a Igreja, expulsando sacerdotes e freiras, quando instituíram o 1º regime constituinte. E você sabe que Napoleão é inimigo da nossa Pátria...

— Deixemos essas questões e volvamos ao que interessa. Desejo vitória sobre os dois... Qual o preço a pagar?

O sacerdote se levantou, abriu a cortina e, voltando-se, brusca­mente, encarou-a e grunhiu:

— Sua fidelidade a mim até a morte, pela morte dele, o desres­peitador.

— E ela?


— É sua sobrinha. Que deseja? Ela sabia do seu amor?

— É claro! Surpreendeu-nos algumas vezes e o tomou de mim com a sua juventude e louçania, que odeio.

— Sugiro, então, encarceramento num Convento de arrependi­das... Que lhe parece?

— Aprovado!

Apertaram-se as mãos.

Tomando pequena garrafa de cristal e derramando-a em deli­cados cálices, sorveram precioso licor de fabricação especial.

O conciliábulo funesto selava os destinos para o futuro, em com­promissos demorados de dor e sombra imprevisíveis.

Nesse momento Bezerra, que dirigia as lembranças do Coronel Santamaria, como o visse ofegante, recorreu aos passes de reequi­líbrio e fez que cessassem as lembranças deixando-o, no entanto, despertar. Acercou-se de Matias e sugeriu:

— Recorde, Casimiro. Lembre-se de quando lhe chegou a pre­catória para apresentar-se ao Tribunal.

— Sim, sim, foi como aconteceu...

Revivendo as ocorrências pretéritas, passou a projetar no apa­relho sensível as imagens retidas no inconsciente, enquanto se retorcia.

Leviano, que se utilizava da aparência para seduzir moçoilas trêfegas, chegara a Braga, procedente de Leiria, onde sua família possuía largos tratos de terras e título de nobreza.

O moço esbelto e belo viera à cidade para tentar a carreira eclesiástica, por lhe parecer rendosa e favorável à vasão dos pendores negativos que o dominavam.

Tornando-se invejado, até mesmo odiado pelos mestres, no Seminário, e não suportando as disciplinas, enfermara, conseguindo licença especial com posterior dispensa.

Nesse período, por solicitação da família, em Leiria, hospedara-se na residência da viúva do Alcantilado, conhecida dos seus, enquanto tratava a saúde afetada.

Datava de então a vinculação infeliz com a senhora.

Recusando-se com ela casar, conforme impunha a apaixonada amante, já lhe havendo seduzido a sobrinha, num desafogo sob pressão, narrou-lhe a verdade, ameaçando unir-se à jovem, por amor, a fim de “limpar-lhe o nome e honrar o filho. .

Depois de cenas lamentáveis, com a dama, preparava-se para transferir residência de retorno a Leiria, preferindo temporariamente agasalhar-se no lar de amigos antes da viagem, quando foi alcançado pela íntimação do Santo Ofício e encaminhado ao Tribunal, sendo incontinente encarcerado, para responder ao processo que se instau­rava contra ele.

Era acusado de roubo, atitude indecorosa para com a Igreja, prostituição de menores, mediante sedução diabólica...

Por trás da acusação estava a interferência pertinaz, odienta de Monsenhor dos Mártires, detentor de grande prestígio na Comunidade civil e na Organização religiosa da cidade quanto do país.

Sofrendo julgamento arbitrário, sigiloso, as hábeis torturas redu­ziram-no a escombro humano, com decorrente morte prematura, antes de ser decretada a sentença.

Após a desencarnação, realizaram-se atos litúrgicos de absolvição dos seus pecados, a família foi consolada com condolências e pro­messas de vida eterna, passando o crime ao olvido.

Durante as evocações Casimiro alternava lágrimas com ameaças, desespero com promessas de vingança.

Despertado, sem que lhe fossem censuradas as recordações, per­maneceu sob a custódia fraternal do enfermeiro desencarnado.

Aplicando o mesmo recurso nas recordações da viúva Eduar­dina Rosa, sua mente imprimiu o desforço contra a sobrinha, enca­minhando-a a um Convento de religiosas, que cuidavam de jovens equivocadas e iludidas, como se encarregavam de ocultar o que muitos pais consideravam vergonha, vivendo essas inditosas jovens pratica­mente sepultadas entre as fortes paredes dos Monastérios-presídios, em que o desespero as alucinava e a revolta lhes marcava os espíritos por longos períodos, quando não o fazia por sucessivas reencarnações.

No Convento das Religiosas Reformadas de Nossa Senhora da Conceição, em Lisboa, fez-se mãe, não voltando a ver a filhinha, encaminhada a outra Confraria, que se dedicava aos órfãos e aos abandonados em vergonhosa roda, para impedir a identidade dos que os desprezavam.

Estavam, agora, reencarnadas: a filha órfã como a genitora de Matias e Maria do Socorro como sua atual irmã Josefa.

Na mente de Eduardina Rosa novas imagens se formavam, apre­sentando nobre dama que a acarinhava, do Mundo Espiritual... Recordando-se, tentava fixá-la melhor, enquanto balbuciava:

— Mamãe, mamãe! Por que não ficaste mais tempo comigo? Terias evitado as minhas insânias, tu que podias e exercias santa ascendência sobre mim?

Lágrimas abundantes eram vertidas pela viúva desequilibrada, a escorrerem pela face escaldante, de Ester.

Os cenários esmaeceram e os socorros aplicados trouxeram-na àatualidade.

Sob a inspiradora orientação do Diretor Espiritual, aplicaram-se passes com o objetivo de libertar as mentes dos envolvidos nos acon­tecimentos.

Em breves minutos, o Coronel Santamaria, Ester e Matias reto­mavam as aparências da jornada atual.

Dona Margarida, que permanecera serena, enquanto se operavam os fenômenos de regressão da memória, plasmando na tela do visor as imagens vivas do passado, comoveu-se, quando acompanhou o destino de Maria do Socorro, ao Convento, e o conseqüente abandono da criança... Entrementes, ao ouvir o apelo surdo e dorido de Eduardina, toda ela vibrou de superior emotividade, experimentando, no íntimo, uma força que a compelia a socorrer a sofrida possuidora de terras... Desejou falar-lhe com enternecimento, socorrê-la com carinho, alentá-la... Não se sentiu, porém, encorajada a fazê-lo. A hora, de alta gravidade, infundia equilíbrio e exigia cooperação. Per­cebia o valor da vigilância e se reservara paciência e fé. Identificava-se, no entanto, com aquele ser maternal, recordado, descobrindo-se viva na lembrança de Eduardina, novamente sua genitora, na condição de Ester, de modo a com ela sorver a taça da amargura salvadora...

Esforçar-se-ia para contribuir com eficiência no atendimento à atual família de Matias, recebendo aquelas que a impulsividade e insânia da filha expulsara do lar, arrojando-as ao desabrigo e à cela presidiária, no disfarce da religião, na condição de irmã bem-vinda e sobrinha do coração. Assim, Ester conviveria com a rival em clima de fraternidade e se recuperaria ao lado da anciã, tributando-lhe a ajuda que negara no passado, quando despontara pela porta da infância...

Arregimentava raciocínios e edificava o futuro sobre os alicerces do amor, sem dar-se conta que o sensível aparelho registrava as reflexões, acompanhadas por todos, inclusive por Matias, que surpreen­dido pela nobreza da estóica senhora, se comoveu, sem dominar a emotividade que lhe aflorava superior por primeira vez, nos últimos anos de angustiante desassossego.

O Mentor, que auscultava e seguia os elevados pensamentos da mãezinha de Ester, concitou-a à fixação desse programa santificante, conclamando-a ao ministério do amor indiscriminado, por ser este o local impessoal para o reequilíbrio e a paz.

Confirmou-lhe a identificação com a Senhora na existência pas­sada e considerou a justeza das Leis, que reúnem os implicados nas tramas dos destinos, para que refaçam a vida, dispondo de todos os recursos, inclusive, das vinculações familiares, de modo que as depen­dências emocional, afetiva, física, econômica, criem os vínculos para o reajustamento e o perdão, na pauta da ascensão vitoriosa para Deus.

— Numa análise mais profunda — asseverou o Mentor —constataríamos que o mesmo grupo procede de outros tipos de experiências, que engendraram os reencontros nos quais fracassaram há pouco, infelizmente.

“Desarmados, naquela oportunidade, para o entendimento fra­terno, capaz de transformar cupidez em renúncia, concupiscência em castidade moral, presunção em simplicidade, mergulharam nas águas turvas da desdita, utilizando-se da astúcia e do despudor, da vindita e da traição, com que agora são despertados para novas arremetidas, que devem conduzir com as ferramentas da mansuetude, da abnegação.

“Caminho longo todos deveremos percorrer, ainda, antes do encontro com a felicidade almejada. Nesse trilhar contínuo, iremos desfazendo os erros e gravames deixados à orla da estrada, simulta­neamente semeando flores de alegria e plantando ações de benefi­cência, que nos servirão de fiadores para os propósitos acalentados de santificação. .

Fez uma oportuna pausa, que a todos ensejava maior apercebi­mento do conteúdo das lições há pouco aprendidas e das palavras que fixávamos para posterior reflexão.

Quem se pode considerar vitorioso, antes de lograr o último passo numa jornada? O porvir pode trazer surpresas não supostas, fracassos não previstos... Para os que estão reencarnados, cada minuto é desafio, no corpo. A advertência da “vigilância” implica em necessidade de cuidados contínuos. Um pensamento consolador, uma idéia deprimente, uma lembrança feliz, um apego que ressuma no instante da desencarnação marcam a aflição ou a serenidade, no ato da passagem de um para o outro estado da vida, influindo consi­deravelmente no comportamento do recém-chegado ao Mundo Espiritual.

Desespero ou harmonia se encontra ao alcance de quem a um ou outro melhor se afeiçoe, ou com o qual prefira afinizar-se.

Os demais circunstantes, com os espíritos visitados pela paz dos esclarecimentos, denotavam confiança no futuro e expressavam alegria sem ruído.

Retomando a palavra, o Diretor prosseguiu:

— Alguns dos irmãos aqui presentes, amanhã, despertarão recor­dando uma viagem a estranho país, lutando com fantasmas odientos e crueis... Outros terão as reminiscências de salutar encontro espi­ritual, onde se cuidaram de pessoas enfermas, em adiantado estado de alucinação... Uns lembrarão de socorros ministrados a Ester e Matias, com um pano de fundo confuso, em paisagem de imagens fugidias, imprecisas... Alguém crerá em pesadelo... Outrem suporá uma visão do paraíso...

“Todavia, estamos num mundo que interpenetra o sensorial, baliza de uma esfera com a outra, suave linha divisória entre os dois estados: físico e espiritual, na Terra mesma, nossa mãe, nossa escola de progresso.

Voltando-se para os membros do processo obsessivo de Ester, que se encontravam sob perfeito controle, graças ao labor dos Assis­tentes e Enfermeiros, complementou:

— Recordastes de que sois todos responsáveis uns pelos insucessos dos outros, incidindo na arregimentação da própria desventura. Dispensável que vos soliciteis perdão reciprocamente... Inadiável, porém, que vos ajudeis uns aos outros, conforme a sempre atual recomendação evangélica.

“A paz de Matias será decorrência da caridosa ajuda fraternal do Coronel Santamaria...

“Muito justo que o destruidor da esperança se converta em edificador da alegria...

“Ninguém fruirá, jamais, o júbilo que não soube, ou não quis outorgar, ou repartir com o irmão em pranto, nascido do desazo de quem o afligiu.

“A saúde total de Ester, sua recuperação dependerão da diretriz que vier imprimir à vida.

“Os males praticados cobram juros de esforço contínuo para anulação de danos... A mediunidade que lhe tem facultado perfeita sintonia com Matias poderá ela converter em ponte de misericórdia para resgatar os sofredores que se demoram na outra margem: a do desalento!.

“O que dividimos com o próximo, não diminui nossos recursos de amor, antes, multiplica-os.

A árvore que oferece ramagens para a enxertia multiplica-se, enquanto se reparte...

“Toda doação, pois, de sacrifício por alguém, mediante os tesouros da mediunidade edificante, representa conquista de inapre­ciável valor para a iluminação da consciência em crescimento.

“As irmãs Abigail e Josefa, genitora e irmã, respectivamente, do nosso Matias, serão o campo experimental para os propósitos que acalentamos.

“Esta é a batalha na qual não há vencido: todos saem triunfan­tes se lutam com as armas da caridade e do bem.

“Na Terra, os triunfadores, normalmente, brilham por pouco tempo, para logo depois tombarem sobre os que foram vencidos. Com Jesus, porém, os caídos nas refregas levantam-se como vito­riosos que a todos alçam às elevadas plataformas da ventura sem limite.

“Portanto, consideremos as próprias deficiências e entenda­mos-nos.”

Eu tinha a impressão de que cada um dos presentes fazia opor­tuna auto-análise, tal a vibração reinante, reafirmando-se propósitos superiores e prometendo-se esforços hercúleos pela preservação do equilíbrio e vivência da verdade.

Alguns encontravam-se comovidos, em atitude de profundo respeito.

- Logo depois continuou o amoroso amigo:

— Não encerramos aqui os nossos compromissos espontâneos de solidariedade fraterna”O LIVRO DOS MÉDIUNS”udam-se, tão-somente, os mecanismos e locais de ação, para o futuro...

“Prosseguiremos o labor em prol de nós mesmos, através dos nossos irmãos mais sofredores. Ajudados até aqui, estais convidados a ajudar.

“Confiai em Deus, abri-vos ao amor e ide unidos na direção do porto da fraternidade onde vos aguarda a embarcação da felicidade.

“Agora, oremos.”

O Mentor, com voz clara e comovida, agradeceu a Jesus e a Deus as concessões luminescentes da noite, enquanto dúlcidas vibra­ções de paz e esperança nos penetravam, transformadas em acordes suaves de uma melodia angélica, parecendo provir de muito longe, alcançando-nos a acústica da alma com musicalidade inesquecível.



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