Divaldo pereira franco



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COMENTÁRIOS OPORTUNOS



Pergunta: 410. “Dá-se também que, durante o sono, ou quando nos achamos apenas ligeiramente adormecidos, acodem-nos idéias que nos parecem excelentes e que se nos apagam da memória, apesar dos esforços que façamos para retê-las. Donde vêm essas idéias?”

Resposta: “Provêm da liberdade do Espírito que se emancipa e que, emancipado, goza de suas faculdades com maior amplitude. Também são, freqüentemente, conselhos que outros Espíritos dão.”

Pergunta: a) — “De que servem essas idéias e esses conselhos, desde que, pelos es­quecer, não os podemos aproveitar?”

Resposta: “Essas idéias, em regra, mais dizem respeito ao mundo dos Espíritos do que ao mundo corpóreo. Pouco importa que comumente o Espírito as esqueça, quando unido ao corpo. Na ocasião oportuna, voltar-lhe-ão como inspiração de momento.”

O LIVRO DOS ESPÍRITOS” — Parte 2ª — Capítulo 8º.


No dia seguinte, os membros do grupo que participaram da exitosa reunião, conforme previra o Instrutor, traduziam suas impres­sões de maneira diversa. Somente o médium Joel conservava lucidez quase total das ocorrência felizes.

O casal Santamaria não recordava detalhe algum, exceto de que participara de uma reunião, sem maiores contornos que traduzissem pontos de identificação com o trabalho desenvolvido. Revelavam, no entanto, excelente disposição interior e um otimismo inusitado.

Dona Margarida, em conversação telefônica com a senhora Sobreira, narrara a leveza de que se sentia possuída, qual se lhe houvessem sido extraídas amargas impressões que a deprimiam, mes­mo antes da enfermidade da filha.

O Coronel Sobreira, a seu turno, despertara animado por inco­mum satisfação. Cria haver dialogado com o venerando Bezerra e haurido preciosos informes sobre o tratamento da obsidiada. Não lograva coordenar os esclarecimentos, entretanto, algo estimulava-o. As imagens difusas na memória pareciam prestes a tomar contorno, e pronto diluíam-se...

Rosângela, por sua vez, acordou com a presença de Ester vigoro­samente assinalada nas lembranças da véspera. Evocava-a com feição diferente da atual, e não obstante sabia tratar-se dela.

Chegando ao Hospital, foi incontinente ao Pavilhão em que a jovem se encontrava internada. Conseguiu da Enfermeira-Chefe apro­ximar-se da moça, que se mantinha no leito, em demorado cismar.

Saudando-a com cordialidade, a moçoila respondeu com breves palavras e apresentou os olhos grandes imersos em lágrimas.

Desaparecera a expressão de ferocidade e ela voltava a ser uma jovem assustada, arrojada a singular local, sem maiores explicações.

Rosângela perguntou-lhe, estimulando-a ao diálogo:

— Sente-se melhor, hoje, Ester? Note como o dia lá fora está claro. Não quer falar?

— Sim — contestou, receosa Sinto-me confusa, cansada... Tenho medo... Tudo isto me parece um pesadelo... Eu sairei daqui?

— É claro — confirmou a enfermeira, — muito em breve. Você está, realmente, melhor. Necessita cuidar-se, alimentar-se, a fim de alegrar seus pais.

— Tenho pais? — inquiriu, algo surpresa — Se tenho, porque não me visitam? Você os conhece? Eu só me lembro de um homem, desejando matar-me... Logo depois ele se transforma num mancebo muito belo, que luta com um padre perverso... Eles vão matar-me. Tenho medo... Acuda-me...

Ester, combalida pelas contínuas pelejas, com a mente abalada, esforçando-se por arregimentar lembranças, divagou, e, por momento, voltou a perder o contato com a realidade.

Rosângela buscou acalmá-la, sugerindo idéias agradáveis.

Não teve dúvidas: Ester recobrava a lucidez.

À noite, após a sessão de estudos doutrinários, no Centro, o Coronel Santamaria convidou o dr. Albuquerque, senhora e Rosângela, o casal Sobreira e o médium Joel a um lanche na sua residência, quando desejava ouvir os amigos, em torno dos planos delineados, a fim de dar-lhes conhecimento detalhado.

Não desejava equivocar-se outra vez. Desse modo, pretendia agir sem precipitação, porém com segurança.

Concluída a reunião e chegados ao lar dos Santamarias, ora acolhedor, depois do chá, o Coronel expôs:

— A reunião de ontem foi-me incomparável bênção de Deus. Em verdade, não há mistério de qualquer natureza, separando a vida da morte. Uma é continuação da outra, através de cuja ponte — a desencarnação — se transferem as aquisições e as perdas de um para outro lado, logo recambiadas para a futura viagem corporal.

“Consciente do que me cumpre fazer, necessariamente informado da localização de dona Abigail e Josefa, as familiares de Matias, pretendo visitar a Cidade do Salvador, numa tentativa de fazer alguma coisa por ambas.

“Minha esposa, a quem dei ciência do meu desejo, concorda plenamente com o plano. Como naquela Cidade disponho de exce­lentes amigos, não creio difícil encontrar as pessoas que buscarei. Não me ocorreu, porém, idéia de o que me compete fazer por elas.

“Posso ajudá-las monetariamente com algum recurso. Será isso o bastante?

“Orando, hoje, resolvi confiar na inspiração dos Bons Espíritos, face à decisão a tomar no momento próprio. Receio não ser bem compreendido e isto me aflige, como se fora uma conspiração contra os meus planos.”

— O essencial, meu amigo — reforçou o Coronel Sobreira —são os seus propósitos de amizade e cooperação. Os resultados, embora devam preocupar-nos, não nos podem afligir. Nesse sentido, a pres­crição evangélica é clara: fazer o melhor da nossa parte.

— Tem razão! — acrescentou o médium Joeb— Forrados pelas intenções superiores, defendemo-nos das arremetidas negativas de qualquer procedência. O problema, a incompreensão que surja não nos deve quebrantar o entusiasmo ou arrojar-nos na faixa da descon­fiança ou do desagrado.

“Naturalmente o seu gesto causará uma compreensível suspeita por parte da sofrida senhora e de sua filha, cujo clima em que vivem não é o da cortesia e da gentileza, exatamente.

“Parece-me que a honestidade que o caracteriza persuadi-las-á, mas não de imediato, o que considero perfeitamente normal. No caso delas, creio que eu agiria da mesma forma. Convém, todavia, que não vejamos apenas as possibilidades negativas que impliquem em insucesso da empresa.

“Além disso, o caro Coronel, como está informado, não agirá a sós. .

— Muito oportunas ambas ponderações. Sinto-me aliviado —concluiu o anfitrião com jovialidade.

Como o ambiente fosse propício e se fizesse muito descontraído, dona Margarida, dirigindo-se a Joel, indagou:

— Recorda-se o amigo das ocorrências da última noite? De minha parte, conforme confessei a Mercedes, somente ficaram uma sensação de paz, um alívio imenso, permanecendo comigo ao des­pertar. Poderia, o irmão, mais treinado em tarefas de tal magnitude, esclarecer-nos algo?

A interrogação da senhora recebeu apoio de todos, que se encon­travam interessados em anotar apontamentos novos, adicionar escla­recimentos, preparar-se como conveniente para futuros cometimentos.

O abençoado servidor, procurando bem coordenar as idéias e vivamente inspirado pelo Benfeitor Bezerra, que participava espiri­tualmente do encontro, fez um resumo feliz, apresentando correlações nos fatos, aclarando pontos obscuros, narrando as malogradas expe­riências dos envolvidos na questão supliciante.

Ao concluir, ante o bom humor geral, Rosângela solícitou per­missão para relatar seu encontro com Ester.

Os pais receberam a notícia com lágrimas de júbilo.

O médium Joel, traduzindo com fidelidade as palavras do dr. Bezerra, sugeriu que Ester fosse transferida do Frenocômio em que se encontrava para um Hospital em que pudesse receber assistência geral, ajudando-a no restabelecimento da saúde.

Quando o Coronel retornasse, após a viagem, sugeria o Emis­sário Espiritual, seria, então, oportuno trazê-la de volta ao lar defi­nitivamente.

A medida, agora, providencial desintoxicá-la-ia dos fluídos de­primentes do local em que estava, quase sem medicação própria, e, simultaneamente, facultaria nova convivência, com a genitora, através de visitas contínuas, em reais, expressivos resultados para o seu estado geral.

As atividades espirituais a seu e a benefício de Matias prosse­guiriam inalteradas.

A emoção incontida que se apossou dos genitores da enferma foi comovedora, generalizando-se.

O pai, com a voz embargada, exclamou:

- Louvado sejais, meu Deus! Raia, novamente, o sol em nossas vidas de sombras e de dor...

Já não esperávamos essa ventura, acostumados como nos encontrávamos ao rigor da Lei...

Não temos palavras para vos agradecer!

Joel, igualmente ditoso, porqüanto, ali, todos se irmanavam na conjugação do verbo ajudar, arrematou:

— Assevera nosso Benfeitor, que a Lei é, sim, de justiça, mas que a justiça de Nosso Pai se chama Amor.

— Oh! graças! — proferiram todos, conjuntamente.

Quando se dispersaram os companheiros encarnados, indaguei ao Orientador:

— Desde que os participantes da terapêutica do mergulho no passado não iriam guardar lembranças, por que a presença deles?

— Miranda, — respondeu, afável — nenhuma experiência, mesmo as não recordadas, se perde em nosso cabedal de aquisições pessoais. O importante, no caso, não é recordar o erro, mas dele libertar-se, expulsando o débito praticado dos painéis da alma.

“Os assuntos perniciosos que são sepultados sem a elucidação que os anula, ressurgem, quando menos se espera, em forma de ansiedade, frustração, receio ou insegurança.

“As impressões do ódio, quando sufocadas, por falta de oportu­nidade de serem diluídas no amor, geram enfermidades que afetam o corpo e a mente.

“Procedendo ao ressumar das lembranças, programamos uma psicoterapia de grupo — hoje utilizada na Terra por alguns de forma algo imprevidente — realizando uma catarse verbal, com que desar­mamos as ciladas da ira e despindo as personagens da vindíta, cujos braços fortes são a traição e a sombra.

Após uma breve pausa, continuou:

Recordas-te de Jesus, na casa de Zaqueu, o rico cobrador de impostos?

- Sim — redargüi, atencioso.

— Pois, ali, — prosseguiu, calmo e seguro —. sabendo-se o anfitrião sem mérito para receber o Divino Amigo sob o seu teto, a primeira preocupação foi inquirir à massa que seguira o Senhor, se alguma vez prejudicara ou espoliara injustamente alguém. Se o fizera, estava disposto a ressarcir o dano várias vezes... Como o silêncio informasse que era detestado coletor de impostos, mas, não infelícitador do próximo, afirmou ao Mestre, que dividiria parte dos seus bens com os servos e auxiliares, em ação de graças por recebê-lo em sua casa. O Senhor, então, asseverou-lhe: “Zaqueu, a felicidade entrou hoje na tua casa”.

“A intenção inicial de Zaqueu, acusado pela consciência de ser avaro, era libertar-se dos remorsos íntimos e recompensar os que lhe foram vítimas.

“Assim, os atos são nossos benfeitores ou perseguidores cruéis. Imperioso libertar-nos do mal que existe dentro de nós, ao preço de honesta reabilitação.

“Fazendo nossos amigos recordarem-se das causas anteriores que os afligem hoje, propiciamos-lhes o ensejo de se enfrentarem, uns diante dos outros, sem ardilosidades nem desculpismo vulgar, aquila­tando cada um a inutilidade de conduzir ácido e lodo nos depósitos da alma, queimando-se e manchando-se eles próprios inicialmente.

“A recordação total, no entanto, para alguns, na esfera física, não treinados para a vida nos dois planos, simultaneamente, consti­tuiria aflição e distonia desnecessárias. Daí, a misericórdia do Senhor facultando-lhes o olvido.”

Era lógico, sem dúvida, o oportuno argumento.

Crianças espirituais, muitas pessoas propõem-se informações das coisas negativas, que passam depois a carregar, sem forças, como tormentos que poderiam ter evitado.

Enquanto se procedia à execução dos planos futuros com a famflia de Matias, este fora totalmente desvinculado do psiquismo de Ester e mantido em tratamento cuidadoso, de adaptação à nova fase, no próprio Centro Espírita, onde, igualmente, em caráter pre­cário, se alojavam outros necessitados em processo de urgente recuperação.

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