Divaldo pereira franco



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DIA NOVO DE LUZ

Quando diz: “Ide reconciliar-vos com o vosso irmão, antes de depordes a vossa oferenda no altar”, Jesus ensina que o sacrifício mais agradável ao Se­nhor é o que o homem faça do seu próprio ressentimento; que, antes de se apresentar para ser por ele perdoado, precisa o homem haver perdoado e re­parado o agravo que tenha feito a algum de seus irmãos.”

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” — Capítulo 10º — Item 8.
Josefa despertou após o sonho ditoso. Recordava-se com sur­preendente nitidez da ocorrência espiritual. Aproximou-se da janela e através das persianas quebradas recebeu o influxo do dia de sol em convite irrecusável à vida. Lá fora estuavam a luz, os arvoredos, a movimentação do dia em começo. Voltou-se para trás: o quarto exíguo, nauseante, sombrio e abafado amargurou-a mais do que noutras vezes.

Sob as vibrações que haurira há pouco, foi acometida de súbito pavor pelo recinto, por si mesma e, qual se se encontrasse eletrizada por uma decisão superior, reuniu os escassos pertences em surrada valise, saindo, apressadamente...

Tremia como varas verdes. As pernas negaram-se, no entanto, ao avanço. Um terror dominou-a. Temia o desforço dos comparsas de ilusão.

É verdade que não devia coisa alguma à casa em que se hospe­dava na enxerga imunda — pensou.

Sentiu-se desvairar, antes de vencer os lanços da escadaria velha que a separava da portaria da liberdade.

A cabeça rodopiou e os comensais desencarnados da vampiri­zação sexual tentaram agredi-la.

Bezerra e nós, que aguardávamos sua decisão, porqüanto, o livre-arbítrio é país sagrado de propriedade particular, vimo-la no claro-escuro do momento importante da sua existência planetária. Ruína ou vitória oscilavam naquele momento. Cercada pelos malfei­tores que acolitava e escolhera por vontade própria, atônita, recor­dou-se do sonho novamente... Então começou a orar, apoiando-se, agitada, ao portal.

A prece ansiosa e confiante envolveu-a em vibrações diferentes. Apelava, comovida, necessitada.

Como nenhum pedido aos Céus se demora sem resposta, o Ben­feitor aproximou-se, expulsou os parasitas espirituais, concentrou-se e falou-lhe enérgico:

— Vem! Jesus está aguardando por ti. Vem! Agora, ou só muito tarde...

Ela não registrou o chamado com os ouvidos carnais. Na acústica da alma, porém, a voz vigorosa dava-lhe forças.

— Valei-me, Mãe Santíssima! — rogou, com lágrimas. — Socor­rei-me, Senhora!

daqui!

— Vem, filha! — Concitou-a, incisivo e carinhoso. — Saiamos



Cobrando alento, Josefa começou a descer a escada que rangia aos seus pés.

Ao passar pelo balcão de entrada, o vigilante indagou-lhe:

Para onde vais a esta hora?

— Embora! Adeus!

Acelerou o passo, tomou o primeiro coletivo e rumou para o lar materno.

Dona Abigail despertara, também, muito cedo. Embora não recor­dasse dos pormenores, tinha em mente o sonho agradável.

Antes das sete horas foi surpreendida pela presença de Josefa que lhe rogava proteção.

A genitora, supondo tratar-se de algum delito que a filha houvera praticado, afligiu-se, a princípio. Depois que esta lhe narrou o sonho — o de quanto recordava — e a decisão que a visitava, acalmou-se.

— Não posso ficar aqui, mamãe! — exclamou. — Virão bus­car-me. Não podemos libertar-nos, assim, tão facilmente. Não somos pessoas, ali; somos coisas, objetos de uso... Que fazer, mamãe? Socorra-me! Tenho medo!

— Calma, filha! — Buscou tranqüilizá-la a genitora. — Tomemos café e conversemos. Afortunadamente, há muito que conversar. Deus existe, minha menina e Ele nos irá ajudar!

Alegre e nervosa, a senhora preparou o desjejum, enquanto Josefa a acompanhava, inquieta.

À mesa, a mãe narrou sucintamente, com a clareza possível, a visita do Coronel Santamaria, seu desejo de ajudá-las, suas espe­ranças...

— E ele sabe o que sou? — indagou a filha, apreensiva.

— Claro! Eu mesma falei-lhe. — Respondeu a mãe. — Não ficou surpreso ou chocado sequer. .. Creio que já o sabia.

— Quando voltará?

— À noite.

— Não poderei ficar aqui até à noite; não poderemos. Eles virão buscar-me e a agredirão.

— Iremos, então, ao Hotel e eu o chamarei. Antes passaremos no lar do irmão Teófilo, o presidente do Centro, a fim de ouvi-lo, e lhe pediremos ajuda.

— Boa idéia! Ele é um homem experiente e bom. Poderá ajudar­nos, orientar-nos. Tudo isso é tão repentino! A visita desse senhor, o sonho... sem que eu soubesse de nada. Mamãe, há mesmo Espí­ritos? Os mortos voltam?

— Se há, minha filha! Você pode crer que a vida se acaba para sempre? Parece-lhe possível que sejamos, apenas, um corpo?

— Não, não. Perguntei, não sei porquê...

— Adiantemo-nos! Hoje será um longo dia. Ê domingo, o que nos fácilita. Aguarde-me lá em baixo, na rua, a fim de que os vizinhos não a vejam. Irei dar alguma instrução ao lado, para o caso de me procurarem. Melhor prevenir...

A senhora solícitou à bondade de uma amiga, que informasse a quem viesse procurá-la, que só voltaria no dia imediato. Pretendia viajar...

Seguiram, incontinente, na direção do lar de Teófilo.

De nossa parte, com o Mentor, acompanhamos a senhora Ventura e a filha, encorajando-as com pensamentos edificantes e otimistas.

O irmão Teófilo recebeu-as eufórico, conduzindo-as à conver­sação em sala reservada do domicílio. Era um homem septuagenário, cuja vida se transformara em viva lição de fé e amor. Os sofredores nele encontravam um irmão abnegado. Encarregado de parte da admi­nistração da Casa Espírita, seu exemplo constituía sua força.

Dona Abigail pormenorizou-lhe toda a ocorrência desde a vés­pera, auxiliada pela filha, na parte a esta referente.

O generoso velhinho escutou-as, enxugou os olhos e depois de refletir aconselhou-as paternal:

— Fiquem-se aqui. Irei eu ao Hotel, a convidar o senhor Coronel a que venha à nossa Casa. Desde que se trata de um confrade nosso, será recebido como irmão em nosso lar e, como irmão, nos relevará as faltas. Aqui, com calma, conversaremos, acertando os planos para o futuro, sob a inspiração dos nossos Guias Espirituais e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hotel não é lugar para determinados assuntos.

Sem permitir contestação, arrumou-se, deixou-as sob a assistên­cia da esposa e dirigiu-se ao Hotel.

Encontrou o Coronel Santamaria que se dispunha a sair, pen­sando preencher as horas com um passeio pela orla marítima da cidade.

Identificando-se e antecipando os motivos que ali o conduziam, seu alvitre foi muito bem aceito pelo militar que o seguiu, entusias­mado.

O reencontro do Coronel com dona Abigail foi muito fraterno.

A jovem Josefa, embora desfeita, com o semblante cansado, traía irradiante simpatia, apesar do ar de constrangimento que lhe transpa­recia nas atitudes.

Inteirado de toda a ocorrência e louvando o acontecimento, o pai de Ester rogou licença para ser objetivo, sem mais necessidade de rodeios.

— Vim a Salvador — disse-o, de uma vez — pensando em levá-las comigo. Disponho de recursos suficientes para todos nós, no que minha esposa está plenamente concorde. Agora percebo que o Mundo Espiritual nos ajuda, em face da resolução de Josefa, que se deve prevenir, a distância, a fim de livrar-se de vinditas... Provi­denciaremos a viagem imediatamente, podendo seguir amanhã ou depois... Dona Abigail confiaria a casa ao nosso Sr. Teófilo. Se não se sentirem felizes, no meu lar, poderão residir noutro a minhas expensas ou retornar, mais tarde, quando a sanha dos explo­radores de Josefa estiver passada. Enquanto isso, submetê-la-emos a conveniente tratamento de saúde...

— Parece-me um plano bendito — concordou o irmão Teófilo, — programado pelos Espíritos Excelsos. Não devem perder a oportunidade.

Dona Abigail olhou a filha, demorada, silenciosamente, como a dizer que tudo faria pela sua felicidade.

— É a minha chance, mamãe! — concordou a jovem, — Agora ou nunca! Estou muito cansada e mesmo apavorada; receio des­truir-me... Ajudai-nos, Senhor!

Ficou, ali mesmo estabelecido, que dona Abigail retiraria do lar apenas o indispensável, confiando os parcos pertences e a casa humílima ao irmão Teófilo, que lá colocaria algum dos seus neces­sitados, a fim de preservá-la, enquanto ela se demorasse fora...

Dispôs-se a acompanhar a senhora até o antigo lar, a fim de poupá-la de alguma cilada, ao tempo em que o Coronel providen­ciava as passagens aéreas para daí a dois dias, tempo suficiente para as providências que a senhora deveria tomar.

À noite daquele mesmo domingo, a servidora doméstica, que trabalhava vez por outra, foi despedir-se dos antigos patrões e acenar adeuses a alguns poucos amigos, sem, no entanto, informá-los para onde se trasladava.

Simultaneamente, o irmão Teófilo colocou a residência às ordens da mãe e da filha, em cujo período aplicaria passes em Josefa, iniciando pela técnica fluídoterápica o tratamento desobsessivo e a sua reeducação moral, à luz do Evangelho.

Não foi sem lágrimas, que Dona Abigail tomou essas providências. Rompia com o passado próximo, como se se estivesse preparando para a desencarnação, mediante cuja intervenção o espírito é obriga­do a deixar tudo o que constitui fardo material, na retaguarda.

No aeroporto, osculou a destra do seu orientador espiritual, emocionada e, com o novo benfeitor e a filha lacrimosa, rumou, preo­cupada, para um novo dia na atual existência.

Informada por telegrama do esposo, dona Margarida foi aguar­dar o querido companheiro no aeroporto, ao entardecer, e receber os novos membros que pretendiam incorporar à família.

As saudações foram amistosas, espontâneas. Embora a condição humilde e, quiçá por isto mesmo, dona Abigail causou profunda, agradável impressão, na dama gentil, que, a seu turno, despertou reminiscências antigas na cansada genitora de Josefa.

A moça, compreensivelmente, retraída, talvez em face das emo­ções novas e das perspectivas do futuro, apresentava-se abatida, encabulada.

Rumaram para o lar, que as surpreendeu, graças à diferença expressiva entre o antigo e o novo domicílio.

A primeira noite transcorreu calma, concitando os viajantes emocionados ao justo repouso.

Na imediata, compareceram ao Centro Espírita “Francisco de Assis”, participando dos serviços doutrinários e travando contatos com a equipe amiga, encarregada do socorro a Ester. A simpática senhora a todos cativou. Josefa, porém, sentia-se perturbada... Não somente as circunstâncias novas afligiam-na, como, também, os perseguidores desencarnados que se lhe vinculavam pelos hábitos perniciosos per­turbavam-na, atrozmente, exaurindo-lhe as energias vitais que vam­pirizavam...

Às despedidas, o médium Joel sugeriu, por inspiração de Bezerra, que ambas fossem trazidas ao serviço especial de desobsessão.

Outrossim, o Benfeitor recordou que Josefa devia submeter-se a cuidadoso tratamento médico, a fim de reequilibrar o organismo debilitado, sendo conveniente, mesmo, interná-la na Casa de Saúde em que Ester se encontrava, para cuidadosa assistência objetivando sua adaptação emocional, psicológica e social.

O Coronel Santamaria aceitou os alvitres com justificada alegria, prontificando-se executá-los, após discuti-los com a mãezinha da jovem e com ela mesma.

De retorno ao lar, enquanto se serviam de lanche frugal, apre­sentou às hóspedes as sugestões do Instrutor, aceitas com júbilo, sem qualquer dificuldade.

Açulada pelas mentes perturbadoras, Josefa permaneceu inquieta, atormentada, naquela noite, recorrendo a dona Abigail, que a assistiu com orações lenificadoras, animando-a em relação ao futuro.

As decisões felizes exigem o contributo de muitas dores, a fim de se tornarem atividade sadia, comportamento superior. O desejo veemente é apenas o passo inicial da reabilitação.

A jornada, porém, do vale à altura é lenta, acidentada, até que a visão dos cimos coroe de alegrias, luz e belezas a vastidão das sombras donde se provém...

As duas familiares de Matias estavam lutando pela ascensão e isto lhes facultava receber mais direta ajuda do Alto.

D. Margarida, mediante o compromisso de acompanhar Ester em tratamento sonoterápico, passou as horas diurnas ao seu lado.

Josefa foi encaminhada ao dr. Bittencourt, que a examinou com carinho paternal, solicitando diversos exames complementares com que se armaria de informações precisas para a competente terapêutica. Tomando dados para o cuidadoso prontuário, Josefa explicou os tormentosos caminhos transitados, desde há quatro anos atrás, dispon­do-se a ajudar o médico na própria recuperação...

Deveria retornar depois dos resultados, para iniciar a cuidadosa assistência. Receitou-lhe, de imediato, medicamentos para acalmá-la e fortificar o organismo depauperado.

A lealdade da conversação e a firmeza de propósitos, da moça sensibilizaram-no, encorajando-o a aceitar a responsabilidade do tra­tamento...

À hora regulamentar, na noite seguinte, todos os membros, since­ramente jubilosos pela colheita dos resultados eficazes, se cumpri­mentaram, otimistas, no santuário espírita que os acolhia.

Dando curso normal à sessão, o Coronel Sobreira, como de costume, abriu os trabalhos e foi ouvida a instrução preliminar através de Rosângela.

No nosso plano de atividades, conduzimos Matias que se demo­rava sob á caridosa assistência dos enfermeiros prestimosos.

Convenientemente desperto, o Mentor elucidou-o quanto ao ocorrido naqueles dias e narrou-lhe que a genitora e irmã se encon­travam presentes, auspiciando-lhe falar a ambas. Advertiu-o, porém, quanto ao conteúdo da mensagem e a alta significação daquele mo­mento em sua trajetória espiritual.

O ex-pracinha surpreendido pela evidência dos fatos e a nobreza de propósitos do antigo desafeto, prorrompeu, em comovida súplica:

- Ajudai-me, anjo bom! Temo não saber como ou o que fazer.

— Sou apenas teu irmão — insistiu o Benfeitor, sempre sere­no Estarei ao teu lado. Controla a emoção, pensando na grandeza do momento e Ele, o Senhor de nossas vidas, a cuja proteção estamos recorrendo, nos concederá os indispensáveis recursos para o êxito do cometimento.

Em transe profundo o médium Joel recebeu Matias com a alegria de irmão que exultava ante o seu sucesso.

Lágrimas nascidas nas fontes do arrependimento sincero trans­bordavam da emotividade do Espírito pelos olhos do intermediário.

A face amenizada pelas perspectivas de felicidade moldava no médium

a renovação da Entidade.

— Mamãe! Querida mãezinha!

Foram suas palavras iniciais, O tom de voz embargada, a vibra­ção de amor e sofrimento davam-nos a paisagem feliz do conceito evangélico: “Há mais júbilo no céu quando um pecador se arre­pende.

Dirigido pelo venerável Mentor, o filho atônito falou à mãe saudosa, concitando a irmã enganada à vida nova.

Recordou cenas da infância, descuidos inocentes da juventude, evocações inesquecidas.

Riu, chorou, vivendo o momento precioso, auspiciado pela mise­ricórdia do Supremo Pai que nos rege os destinos.

A mãezinha, quanto a irmã, ouviam-no comovidas e felizes, seguras da legitimidade do encontro indefinível.

— Também ele procuraria a rota da regeneração — prosse­guiu, — na esperança de um dia encontrar a paz e poder ser útil.

“Jamais me esquecerei, senhor — arrematou, honestamente —, do que foi feito pelas minhas amadas familiares. .. Perdoai-me pelo quanto vos fiz sofrer, à vossa esposa e filha! Que Ester também me possa perdoar! Sou o filho pródigo, suplicando indulgência antes que perdão.

“Mercê de Deus, irei tentar a própria elevação, a fim de reparar-vos os males infligidos e as dores que vos impus...

“Dizem-me que me irei daqui, qual estudante sequioso de saber, de modo a voltar um dia com os celeiros de amor enriquecidos de bençãos...

“Orai por mim... Deus vos pague em paz a paz que me proporcionastes!.

“Abençoe-me, mamãe! Coragem e fé, Josefa. A vida é o que dela fazemos. Teu irmão vive e não te esquece. Até breve!”

Ao desligar-se do médium, tínhamos a vitória da caridade no seu dossel de paz, construindo vidas em harmonia, na direção de Deus.

Os cônjuges Santamaria se deram as mãos, ternamente, enquanto, dominados por inaudita gratidão, louvavam o Senhor.

Nesse momento, o Instrutor tomou a instrumentação psicofônica de Joel.

Após tecer considerações edificantes sobre o arrependimento honesto como condição primeira para a reabilitação, estimulou os irmãos encarnados ao prosseguimento das tarefas de enobrecimento, lutas e sacrifícios, conclamando à constante vigilância.

O “caso” Ester-Matias estava concluído. Os recursos da Medicina ao lado da jovem, por alguns dias mais e a assistência de passes completariam o seu restabelecimento.

O conhecimento e exercício da mediunidade, na salutar vivência espírita, contribuiriam para que a jovem ex-obsidiada se integrasse nas hostes abençoadas do Espiritismo e na comunidade social, na qual seria chamada a cooperar ativa, arduamente.

Josefa poderia participar das reuniões mediúnicas normais da Casa, onde suas faculdades medianímicas receberiam carinhoso tra­tamento, eficiente orientação. Sua problemática obsessiva, paulatina-mente, se regularizaria, mediante o esforço de auto-iluminação e de­votamento ao bem.

— O amanhã — prosseguiu, otimista — é o nosso dia de colher. Semeemos, hoje, as férteis messes de esperança, em flores de bondade.

Aqueles trabalhos especiais estavam concluídos.

O momento era de oração e reconhecimento.

Os dois mundos confraternizavam.

Os irmãos Melquíades, Ângelo, os auxiliares e benfeitores espi­rituais dos presentes, Petitinga e Izidro, Matias e alguns sofredores que receberam, também, ajuda, ouvimos pelo médium Joel a prece de encerramento, enquanto os encarnados, vibrando em uníssono, for­mavam a corrente da plena sintonia.

A palavra do augusto Orientador, que postara de pé o médium, nimbado por claridade incomparável, soou em oração:

“Divino Benfeitor!

“A terra agradecida ao arado se reverdece. abrindo-se em flores e frutos;

“A nuvem abençoa o solo com chuva fertilizante, agradecendo às nascentes donde proveio;

“A ave, cantando, agradece o novo dia que surge;

“O grão triturado, em louvor à mó que o despedaça, agradece à vida, transformado em pão;

“A semente esmagada, agradece ao solo gentil, repetindo a matriz que se estiola..

“A vida canta louvores nas mil vozes da Natureza, agradecendo a Nosso Pai todas as sublimes concessões do Seu amor.

“Teus discípulos incipientes e temerosos que sabemos ser, toca­dos pelo amor que de Ti dimana, agradecemos, também, a honra imerecida de servir-Te na pessoa do nosso próximo do caminho redentor.

“Concede-nos o favor de prosseguirmos, incessantemente, con­tigo, porque se não Te tivermos para onde ou para quem nos diri­giremos, pois somente em Ti encontramos o caminho, a verdade e a vida!...

“Esperança nossa, recebe nossa gratidão e apiada-te de nós!”

Quando concluiu, embargado pelas superiores emoções do espí­rito, choviam miríades de corpúsculos luminosos sobre todos, pene­trando-nos e transfundíndo-nos valor, abnegação e fidelidade a Jesus.

A sala se transformara numa via-láctea coruscante.

O amor vencera o ódio, a caridade conquistara as vidas e res­gatara os destinos.

Em breves palavras o Coronel Sobreira encerrou a reunião.

Amanhã começava um dia novo de luz, convocando-nos aos deveres da retidão e do bem.


Fim
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