Do dr. H. W. Wade



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NOTICIÁRIO

VISITA DO DR. H. W. WADE

IMPRESSÕES PRELIMINARES EM TORNO DO PROBLEMA DA CLASSIFICAÇÃO

Os centros leprologicos do Rio e de São Paulo tiveram o privi­legio de receber no mez de Junho ultimo a visita do eminente lepro­logo das Philippinas Dr. H. W. Wade, cujas credenciaes como es­pecialista e histopathologista não precisam ser aqui mais uma vez lembradas. A visita do Dr. Wade tornou-se possível graças ás facilidades pessoalmente oferecidas pelo Dr. Guilherme Guinle, para que pudessem ser convidados alguns especialistas de nomeada, pre­sentes no Cairo e que mostrassem desejo de conhecer de perto o metodo de tratamento da lepra pelo oxigenio sob pressão e, ao mesmo tempo, verificar as grandes realisações do Brasil em relação á profilaxia da lepra, de que são magnifico exemplo os serviços de São Paulo. Quatro leprologos mostraram maiores desejos de visi­tar o Brasil: Wade, Rodriguez, Cochrane e Flandin. Infelizmente os tres ultimos estavam impedidos de faze-lo este ano, ficando a questão para ser resolvida mais tarde. Assim, sómente ao Dr. Wade foi possivel aceder ao convite. Informados desde logo da duração de sua possivel permanencia entre nós, pensamos em esta­belecer um programma no qual entrariam: trabalho no serviço do Prof. Ozorio de Almeida para verificação do tratamento da lepra pelo oxigenio sob pressão; exame do material do Centro Interna­cional de Leprologia e do Departamento Nacional de Saúde, troca de ideias sobre questões correlatas á lepra e finalmente visitas aos serviços de Lepra de São Paulo, Minas e, se possivel, do Espirito Santo.

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A reducção feita pelo Dr. Wade nos dias de sua estadia no Brasil não permitiu, porém, que fossem realisadas as duas ultimas excursões. Sua visita, como certamente será deduzido da sequen­cia desta noticia, foi entretanto de grande utilidade para nós que, deante de fátos pessoalmente por ele verificados, pudemos fazer melhor comprehendidos diversos pontos de vista. Segundo êle pro­prio confessa, pelo mesmo motivo, tambem a viagem lhe foi provei­tosa e, em suma, todos nós reconhecemos que ela foi de grande utili­dade para o favorecimento de melhor comprehensão de certas ideias divergentes, oriundas de interpretação de fátos, como foram expostos na Conferencia do Cairo, sem possivel verificação ob­jectiva.



Da visita aos Serviços de Lepra de São Paulo voltou o Dr. Wade, como por vezes confessou no Rio, verdadeiramente mara­vilhado pois, como disse, em nenhum dos lugares do mundo em que visitára tais serviços, os vira tão perfeitos e completos, quer como armamento profilatico, organisação e funcionamento que achou inegualaveis, quer ainda sob o ponto de vista das pesquizas, tão promissoramente iniciadas na Fundação Conde de Lara. Tambem magnifica foi sua impressão sobre a grande extensão e profi­cuidade do armamento anti-leprotico Federal, levado a cabo pela União em cooperação com os diversos Estados, expressa principal­mente na construcção de numerosos leprosarios, preventorios e dis­pensarios no Districto Federal e nos Estados. A demonstração da ação federal, na impossibilidade de uma visita aos Estados, foi feita pelo Dr. Ernani Agricola por meio de graficos, plantas e fotografias. No Districto Federal os Drs. Fontenelle e Theophilo de Al­meida acompanharam o Dr. Wade aos dispensarios e ao Leprosario de Curupaity, mostrando-lhe com minucia como estão eficientemente organisados os serviços de lepra, naquella unidade da Federação.

A verificação do metodo de tratamento da lepra pelo oxigenio sob pressão, um dos fins primordiais de sua visita, foi concienciosa­mente feita pelo Dr. Wade que passou muitas horas da tarde no serviço do Prof. Ozorio de Almeida, durante dias seguidos. Con­forme êle proprio declarou, como abaixo ver-se-á, pelo exame dos doentes por êle vistos naquelle serviço e na Colona de Curupaity, a melhora e a desaparição das lesões foram meticulosamente veri­ficadas ,tende êle, diante de si, os doentes, as fotografias anteriores, bem como presentes quaesquer outras explicações solicitadas, assim como opportunidade de repetir, quando necessarios, os exames ba­cterioscopicos. O resultado dessas investigações foi, como disse, inteiramente favoravel ao metodo e indicativo da generalisação dessas pesquizas, embora ainda se trate de estudos preliminares. Com a sinceridade que temos sempre ocasião de apreciar no Dr.

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Wade, nos deixou ale opinião escrita sobre o resultado a que che­gou. Preferiu, entretanto, em vez de uma declaração, talvez menus expressiva feita pessoalmente a um de nós, mostrar-nos a copia da carta que naquela data enviara ao Dr. Parran, Diretor de Saúde Publica dos Estados Unidos, sobre o assumpto, documento que di­rigido áquella auctoridáde sanitaria teria, em seu entender, maior valor como expressão de sua convicção. Em carta posteriormente escrita pelo Dr. Wade, nos foi comunicado que a Direcção de Sáude Publica dos Estados Unidos já entrára no momento em entendimento com o Dr. Hasseltine, Diretor do Leprosario de Car­ville, para que fosse conseguida a aplicação do metodo. Em carta recente an Dr. Guilherme Guinle confirma o Dr. Parran esses pro­positos e solicita a remessa do apparelho e das instrucções para que sejam iniciados as applicações. E' esta a carta acima referida, dirigida pelo Dr. Wade ao Dr. Parran: ―



"Meu caro Dr. Parran,

"Na Conferencia do Cairo um dos delegados do "Brasil apresentou duas memories sobre o tratamento "da lepra pelo oxigenio sob pressão. Estes trabalhos "foram feitos principalmente com os fundos fornecidos pelo DO. Guilherme Guinle, que tem sido um dos prin­cipais bemfeitores do Centro Internacional de Lepro­logia aqui no Rio de Janeiro. O Snr. Guinle, está tão "interessado pessoalmente nas possibilidades desta medida therapeutica (que foi delineada pelo Dr. Ozorio "de Almeida desta cidade, e foi primeiro usada e "está ainda em uso para outras molestias), que ocorreu "ás despesas da minha visita aqui, primeiramente para "vêr o methodo e os doentes de lepra que foram tratados.

"Este trabalho está ainda em uma phase preliminar, "porque os primeiros tres casos de lepra assim tratados "o foram sómente ha cerca de um anho.

"Nove outros foram postos em tratamento alguns "mezes mais tarde (em Setembro), depois de injecções "preparatorias com azul de methyleno, acreditando-se "que a combinação de corante com a alta pressão produza maior effeito.

"Os doze doentes escolhidos eram muito avançados, "alguns delles provavelmente sem nenhuma esperança "quanto a cura com qualquer tratamento.

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"A informação foi que todos estes doentes melho­raram. Destes doentes vi onze e me impressionou o "gráo de alteração evidente em vazios, comparando o seu "aspéto actual com as photographias feitas antes do tratamento. Se bem que não se proclame ter-se chegado "a uma panacéa, parece que um principio interessante e "muito possivelmente importante foi descoberto. De "qualquer modo, julgo que o methodo deveria ser ex­"perimentado e o Snr. Guinle está tão desejoso de o "fazer, que de boa vontade emprestaria o aparelho ne­cessario.

"Pelo meu presente programma, chegarei a Miami em 29 de Junho e poderei estar em Washington na "manhã seguinte. Desejaria então ter opportunidade "de fallar consigo sobre o assumpto."

"assig. H. W. Wade.””

A questão de classificação constituio outro assumpto sobre o qual foram trocados pontos de vista com o Dr. Wade

Como se vê do relatorio final da Conferencia do Cairo, houve divergencies no seio da Commissão de Classificação, nelle explicita­mente declaradas, a ponto de ser recommendada a continuação da vigencia da classificação de Manilla com seus dois tipos, apenas com a mudança da denominação de cutanea para lepromatosa, emquanto não se pudesse chegar a um accordo para um entendimento universal. Foi outrosim, indicado que, para favorecer esse accordo, fossem os estudos daqui em deante conduzidos na directriz das opi­niões da minoria da Commissão, que girava fundamentalmente sobre o modo de entender a lepra tuberculoide e sua colocação no sistema. Ainda aqui, nessa questão tão debatida no Cairo, tivemos o prazer de verificar, mais uma vez no Rio, o interesse superior e impessoal, a isenção e a sinceridade com que o Dr. Wade expõz suas ideias e se orientou na troca de vistas que juntos tivemos. Seu metodo de trabalho foi o mesmo que para o oxigeno: desde as primeiras horas da manhã até as primeiras da tarde, passava o tempo nos Labora­torios do Centro Internacional de Leprologia, deante de numerosos doentes, suas fichas de observação, fotografias anteriores, documen­tação bacterioscopica e immunologica, córtes biopsicos, que por ve­zes repetiu em casos determinados, etc.. e só depois dessa investiga­ção cuidadosa conluia para cada caso. Como mais de uma vez de­clarou o Dr. Wade, iria aproveitar sua permanencia na America do Sul não só para conhecer nosso material e nossos pontos de vista, como ainda para, tanto quanto possivel, promover um melhor enten­dimento quanto aos desacordos verificados no Cairo com os sul-ame 

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ricanos, até que numa reunião limitada de leprologos, cuja convoca­ção tencionava promover junto á American Leprosy Foundation, fosse o assunto melhor e mais amplamente debatido, como base pre­liminar para um entendimento internacional, só possível no futuro congresso de Paris. Vê-se por aí em que alta conta foi tida a opi­nião da minoria sul-americana da commissão de classificação que le­vou-a mesmo ao impasse de uma conclusão provisoria e não defini­tiva até que se fizessem investigações na direcção apontada pelas suas ideias e a recomendar, por isso, apenas a divisão basica de Ma­nila em dois tipos com pequena alteração quanto á denominação de lepromatosa para a forma ou tipo cutaneo. AIias é de notar que cabe a um collaborador do Centro Internacional, o Dr. Rabello Ju­nior, a prioridáde não só do emprego da palavra lepromatosa para indicar forma (ou typo) de lepra como tambem o conceito de sua extensão e de seus limites, de modo a comprehender o que era antes conhecido como cutaneo, denominação e conceito estes, agora san­cionados pelo Comité de Classificação da Conferencia (Rabello Jnr. Rev. Bras. de Leprol. n.° especial, Set. 1936 e resumo no Intern. Journ. of Leprosy).

Antes de seguir para a Argentina, declarando a existencia en­tre nós de diversos pontos de concordancia, solicitou o Dr. Wade do perito do Centro Internacional de Leprologia, que fora seu com­panheiro na Comissão de Classificação do Cairo, o Dr. Rabello Jnr. que por ele lhe fosse Fornecido um memorandum com a sumula dos trabalhos executados durante sua visita ao Rio e das trocas de pon­tos de vista entre êle (Dr. Wade) e os pesquizadores do Centro. Partindo dessa solicitação foi, entretanto, combinado que, envolven­do a questão aspétos diversos, ventilados entre ele e outros colla­boradores do Centro, melhor seria que aquella declaração fosse re­digida e assinada pelo Director do Centro. Foi assim, atendendo ao desejo do Dr. Wade, que teve origem a seguinte carta: ―



"Caro Dr. Wade,

"Terminada vossa estadia aqui no Rio, que acha­mos muito curta, mas proveitosa, e após as varias vi-"sitas aos Laboratorios do Centro para exame do nosso "material de lepra, temos que nos felicitar pela ideia "de vossa viagem ao Brasil, tão vantajosa para todos "nós. Como um de nós referiu em trabalho previamen­"te publicado, em Fevereiro deste anno, antes da Con­ferencia do Cairo (este trabalho vos foi mostrado aqui "na Clinica), já então podíamos "certificar que não "existe nenhuma opposição fundamental "entre nossas "opiniões. Verificamos durante nosso trabalho diário “"que o facto era verdadeiro, principalmente, quanto ao

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modo de entender o problema da lepra tuberculoide nos “terrenos clinico, histologico e immunologico. Depois de todas as “nossas trocas de ideias, temos certe­za que por varias vezes “tivemos perfeita identidade de opiniões.

"Apezar do curto espaço de tempo, de que despu­zemos “para troca de vistas, parece que a vossa e a nossa opinião “sobre classificação tornou-se muito mais clara para nossa “mutua comprehensão. Este facto nos dá bem fundadas “esperanças de chegarmos a um accordo em futuro proximo, “quando tivermos feito estudo mais aprofundado de todo o “assumpto. Em materia de classificação, lembramos ainda que “em nosso relatorio, apresentado á Conferencia do Cairo,pa- "gina 10, no paragrapho que começa pelas palras Toutes ces “considerations etc.. já tinhamos resumido algumas “ponderações que talvez nos possam. con­duzir a um terreno de “accordo, particularmente, quan­do pretendemos, o que penso “ser importante, fazer uma classificação com a vantagem de ser “tambem mais ac­cessivel aos trabalhadores ruraes. Todas “estas con­siderações nos levam a desejar vosso regresso ao “Rio, antes da reunião preliminar que pretendeis promover, “anterior ao Congresso de Paris. Esperamos sincera­mente que “vossa proxima permanencia aqui seja mais demorada, de “modo que maior proveito possamos tirar quanto aos nossos “propositos.

"Desejamos que façais boa viagem e que em breve "tenhamos a satisfação de ter noticia de vosso retorno."

"Assign. Ed. Rabello”

A essa carta respondeu o Dr. Wade com outra como se segue:



"Meu caro Prof. Rabello,

"E' com muita satisfação que concordo com a opi­nião “expressada em vossa carta de que, tanto quanto pudemos “nos certificar em 10 dias de intimo contato, não parece existir “nenhum desacordo serio entre nós, em relação aos fatos ou “condições fundamentais da forma (ou formas) de lepra que “consideramos.

Isto reconheci com alguma surpresa e muito alivio “porque, mesmo após as discussões que tivemos no Cai­ro, e “depois de ter lido o que tem sido escrito aqui a respeito da classificação da lepra, estava ainda sob a

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impressão de que continuavamos em desaccordo, rela­tivamente “a alguns importantes aspétos basicos da mo­lestia.



"E' fato que nas numerosas preparações histologicas que “examinei na primeira semana, antes de ir a São Paulo nada vi “que me não fosse familiar; si bem que nem sempre pudesse “concordar com o diagnostico histologico constante de livro de “registro, as discussões com o Dr. Portugal, relativamente ás “preparações in­dividuais, revelaram que tinhamos, no essencial, “uma compreensão commum das alterações nas lesões da pele “da lepra “neural" (ou neuro-macular) até o ponto em "que foram “elas ilustradas pelas preparações que me de­ram para estudar. “Não vi córtes de maculas ativas "que pudessem ser “denominadas histologicamente "simples" (isto é, nem “tuberculoides ou sub-tuberculoides), e o Dr. Portugal concordou “que as preparações que fo­ram diagnosticadas “simples" “poderiam ter sido resi­duais ou poderiam mostrar ligeiras “alterações tuberculoides em córtes seriados. O ultimo fato foi “claramente demonstrado nas preparações seriadas feitas, a “meu pedido, de um especimen que não mostrava alterações “tuberculoides na preparação original. Ulteriormente, "na semana “passada, depois da volta do Dr. Rabello Jnr., êle e eu não “estivemos em desaccordo relativamente aos aspétos quer “clinicas quer histologicos das lesões biospsiadas, em nenhum “dos numerosos casos que foram “demonstrados na Clinica. “Portanto, parece estarmos em “accordo franco e completo no “que diz respeito a fátos observados, no minimo relativamente “aos casos que vimos juntos. Se ha desacordo, resultando de di­“ferenças de pontos de vista de interpretação e de ter­minologia, “parece inteiramente possivel vencê-los, afim “de obter um “accordo que auxiliaria enormemente "o estabelecimento de “uma classificação verdadeiramen­te universal da lepra, quando “comparada com a que te­mos hoje, incompletamente “internacional, classificação que, no presente, estais “impossibilitado de acceitar in­teiramente.

"Como sabeis, um de nós espera que seja possivel "reunir “uma pequena conferencia de leprologos escolhidos (verdadeiros "experts"), talvez dentro de dois "annos uma segunda “conferencia de Manilla. Se isto for feito, a classificação será naturalmente, um dos "assuntos mais importantes de discussão. Auxiliará

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grandemente as discussões uma mais intima aproxima­ção do “que a que agora existe entre alguns grupos de investigadores, “no que se refere a pontos de vista. Sen­do eu proprio technico de “laboratorio, fui compelido a um esforço consideravel para ter “alguma compreensão das exigencias desses pontos de vista e “das condições de trabalho dos que lidam com lepra fora de “grandes centros, onde as facilidades de laboratorio cientifico “não são possiveis. Estou convencido que devem ter-se em conta “os requisitos de tais trabalhadores ruraes, em condições de “handicap" e que com frequencia não são realmente peritos em “lepra, para a classificação pri­maria dos casos e que, o tecnico, “com facilidades de la"boratorio a sua disposição, poderá “encontrar ampla oportunidade para o diagnostico mais preciso e “cien­tifico do typo (ou forma) dos casos, dentro dos qua­dros de “uma classificação secundaria, Ou sub-classificação. Em relação “a isto, sinto intensamente que, devido ao Brasil ter rapidamente “se tornado um dos mais importantes (senão o mais importante) “campo de tra­balho em lepra do mundo, seria extremamente “impor­tante que, aos "leaders" representativos do trabalho aqui “realisado, fosse dada opportunidade de visitar regiões onde êle “é feito entre povos inteiramente diferen­tes erentes e sob “condições diversas. Não posso conceber contribuição mais “valiosa para o progresso, no que se refere ao ponto de vista “internacional e á approximação para um entendimento “internacional, do que a reso­lução de enviar dois brasileiros (um “do Rio de Janeiro e um de São Paulo) em uma viagem á volta do “mundo, tal como as que foram feitas em 1925, pelo Dr. H. C. de “Souza Araujo (antes do actual problema de classi­ficação ter sido “apresentado), por mim mesmo em 1931, e pelos Drs. Hayashi, “Fernandez e Martin Vegas, a partir daquela data.

O primeiro fim seria familiarisar-se com a lepra, tal como é “observada em diferentes paizes e regiões, e com os problemas “dos que trabalham sob varias con­dições, além de que, “naturalmente, informações muito valiosas poderiam ser “coligidas em relação a institui­ções, tratamento, medidas de “controle, epidemiologia, "etc. Ao mesmo tempo as autoridades e “os pesquiza­dores individuais nos paizes visitados, poderiam “adqui­rir conhecimento mais amplo da importancia actual do “Brasil como centro de investigações sobre lepra.

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Tal viagem seria dispendiosa relativamente ao tempo e ao “preço, mas eu rcommendaria, vivamente, que seu possível valor “fosse seriamente considerado.



Esta nota é superficial em muitos pontos; espero, porém, “apresentar ulteriormente um memorandum, mais minucioso, sob “forma de relatorio á minha Repartição, e delle uma copia vos “será enviada.

Permita-me expressar aqui meu profundo apreço pela “oportunidade que me foi dada de visitar o Brasil; pelos vossos “esforços pessoaes, os de vosso filho e de vossos collegas, para “mostrar-me o trabalho muito interessante que está sendo feito “aqui, assim como para tornar a visita para mim, pessoalmente “agradavel".



Assign. H. W. Wade."".

Da leitura desta carta resalta em primeiro lugar, o franco de­sejo do Dr. Wade, que foi no Cairo o leader da opinião seguida pela maioria da commissão de classificação, de chegar a um pleno entendimento com a minoria no sentido de se conseguir uma clas­sificação universal e não incompletamente internacional como a que foi obtida e que como elle o diz, nós não poderiamos aceitar em todos os seus termos. Em segundo lugar, se conclue que alguns pontos fundamentais de discordancia foram, com as suas pesquizas aqui esclarecidos, chegando-se mesmo a accordos substanciais, e finalmente, que tudo fazia prevêr pudessemos em futuro proximo, após maior exame, estabelecer as bases de uma classificação que reunisse todas as opiniões. Conforme declarou o Dr. Wade, hou­ve entre ele e os pesquizadores do Centro quasi sempre completa concordancia quanto aos fatos observados no material examinado e que quanto aos desencontros de opinião em pontos de vista in­terpretativos dessse fatos e da terminologia, os julgava removiveis, afim de se poder chegar a uma classificação universal uma vez que, a vista daqueles mesmos fatos que elle agora apurava em nosso material e da interpretação que lhes era por nós atribuida, não po­deriamos acceitar a classificação proposta.

Exemplo de questão desse genero poderia ser tirado das di­vergencias de interpretação das lesões residuaes e tuberculoides, ve­rificadas entre os Drs. Wade e Portugal os quaes, estando pratica­mente de accordo quanto aos factos, com a resalva abaixo exposta, descordavam na respectiva interpretação, para a qual ainda manti­veram opiniões divergentes.

Si, como pensa o Dr. Portugal, em um caso diagnosticado co­mo lepride simples puderam ser verificadas lesões tuberculoides,

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disso não poderemos concluir, antes de estudos mais minuciosos, que o mesmo facto se repita em todo o nosso material já existente e no obtido por novas biopsias que para tal fim estão sendo especialmente realisadas e que o facto exista em todas as maculas. Nesse ponto aliás continuamos de accordo com a ideia classica, de quasi todos os leprologos desde Hansen, até que provas concluden­tes sejam offerecidas, como mais adiante será explicado.



Analisada, entretanto, a questão mais a fundo, verificaremos que essas discordancias poderiam provir de determinados criterios interpretativos quanto á significação, ou melhor, á amplitude a ser dada aos termos tuberculoide e residual. Lembrando o conceito de lesão tuberculoide, já escreveu o Dr. Wade que a infiltração por cellulas redondas, citadas pelos autores, refere-se ás chamadas cel­lulas lymphoides que, com ou sem plasmocytos, caracterisam a in­flamação banal; que na lepra entretanto, seria preciso com elas não confundir outro tipo de cellulas os macrophagos ou histocytos; que as cellulas lymphoides estão muitas vezes presentes nas lesões da lepra, como resultado do processo de inflamação banal, mas têm im­portancia secundaria e que finalmente, real importancia, tem, entre­tanto, o accumulo de cellulas de tipo macrophagico. Se dermos a esse ultimo facto real importancia para o entendimento de lesão tu­berculoide, como parece deprehender-se do que foi escripto na re­ferida nota extender-se-ia o concerto daquella lesão para além dos limites em geral acceitos de infiltração por cellulas já evoluidas no sentido epithelioide, ampliando assim, de muito, seu campo de com­preensão. De outro lado, esse modo de vér levaria a estabelecer interpretação mais lata para as lesões residuaes de maculas activas, e a admitir que as chamadas leprides simples sejam sempre resi­duaes, por isso que nellas se poderia encontrar vestigios de infil­tração tuberculoide, desde que como tal seja comprehendida a in­filtração por cellulas que guardavam ainda o caracter macrophagico, Comprehende-se assim, pensamos nós, como todas as leprides pu­dessem a vir apresentar lesões de typo tuberculoide, caracteristicas ou residuaes.

Parece-nos todavia, de difficil comprovação esse constante caracter tuberculoide residual de todas as leprides simples. Para tanto, julgamos de importancia capital, o que ainda não foi eficien­temente feito, acompanhar a evolução histologica da macula, me­diante biopsias frequentemente repetidas, afim de verificar as liga­ções, acaso existentes, entre os residuos considerados tuberculoides (hystiocitarios e lymphoides) com a estructura tuberculoide, presen­te quando as lesões eram activas. Dahi nosso desaccordo de inter­pretação, pois temos até agora preferido ficar com a opinião de to­dos os demais autores que tem versado o assumpto, particularmente

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Gougerot e Kyrle, que reservam o conceito de lesões tuberculoides para as que apresentam, pelo mnos, evidencia de epithelioidisação. Decorre tambem dahi, dssa maneira mais limitada de encarar a questão, o facto de podermos estar de accordo com o Dr. Wade, quanto a presença e a concordancia da estructura tuberculoide com as maculas activas (com erythema), como já foi possivel ao Dr. Rabello Jr. demonstrar, baseado no estudo comparativo do material da Clinica Dermatologica e do Centro Internacional de Leprologia (Rabello Jnr. Rev. Bras. de Leprol. Março 1937). Alias, no correr de nossas trocas de vistas, foi visivel a satisfação do Dr. Wade, ao apresentar esse facto como exemplo a assinalar de nossas ana­logias e concordancias.



Admitida que fosse, porém, a constancia absoluta de peque­nas lesões tuberculoides nas leprides maculosas sem represen­tação clinica, isto em nada infirmaria nossa opinião sobre a posição respectiva das duas formas maculo-anesthesica e tuberculoide, por isso que nosso systema de classificação não repousa, unicamente, no resultado histologico da biopsia, mas na presença e articulação dos quatro criterios: clinico, bacterioscopico, histologico e immunologico. Assim, pequenas lesões tuberculoides, eventualmente presentes nos córtes das leprides maculosas, mesmo em todos os casos, não attingiriam nosso conceito da lepra tubercu­loide. Elas já foram comparadas, por um de nossos collabora­dores, em trabalho sobre a pathogenia da lepra tuberculoide levado ao Cairo, ás estructuras tuberculoides ephemeras ou labeis de cer­tas tuberculides, como as papulo-necroticas. Para nós, isto mostra, Lambem no caso da lepra, que o organismo não fixou até aquelle momento, e eventualmente por prazo mais ou menos longo, qual será no caso seu modo de reagir. Esse modo, alfas, já se poderia deprehender, facil e objectivamente do aspeto clinico incaracteristico da manifestação cutanea, porque a macula achromica simples não offerece, de facto, nenhuma evidencia clinico-morphologica de le­são tuberculoide, emquanto que as leprides tuberculoides, e nisso estamos todos de accordo, mesmo as "menores", simplesmente achro­micas e apenas com bordos activas, de ordinario, como acima já foi dito, clinicamente o indicam. As pequenas altera­ções histologicas tuberculoides das lepridas maculosas não significam por tanto que já estamos em presença de forma tu­berculoide, sobretudo se, ao lado da ausencia de caracterisação cli­nica, ainda faltarem ou forem pouco nítidos os criterios immuno­logicos. Tivemos ocasião de vér com o Dr. Wade um caso destes ― isto é, doente com leprides achromicas disseminadas cujo quadro clinico podia fazer admitir a possibilidade de ulterior transforma­ção lepromatosa. Nesse caso verificamos que a presença das rea 

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ções de Witebsky, muito positiva, e ao contrario da de Mitsuda, duvidosa, poderiam fazer suppôr a possibilidade de tal transfor­mação. Nesse caso verificámos que a presença das reações de Witebsky, muito positiva, e ao contrario da de Mitsuda, duvi­dosa, poderiam fazer suppôr a possibilidade de tal transforma­ção. Este caso, entre tantos outros de nosso material, mostra a vantagem de apoiar o diagnostico da forma de lepra quando neces­sario no nosso quadruplo criterio da classificação acima referido, afim, de pelo menos, derimir dificuldades em casos atypicos.

Se assim, pois nós e o Dr. Wade concordámos substancial­mente com os factos, ficaram algumas vezes ainda de pé, divergen­cias interpretativas. Mas quanto a estas e em favor de um mu­tuo entendimento futuro, é o proprio Dr. Wade que nos lembra a inteira possibilidade de vencel-as, no que estamos de pleno accor­do, afim de conseguir uma classificação verdadeiramente universal.

Finalmente, de toda a exposição acima se conclue que a vi­sita do Dr. Wade foi realmente para todos de grande vantagem. Além de dar-nos a conhecer sua ampla capacidade tecnica e cien­tifica, sua maneira superior de concordar e, sobretudo de divergir, teve o merito de esclarecer diversas questões relativas ao intrincado problema da classificação e de dar a conhecer concordancias sobre pontos de vista, e principalmente sobre factos, por todos nós até agora insuspeitadas.

De outro lado, para rematar estas considerações, acaso opti­mistas, que o futuro dirá se foram ou não procedentes, parece ha­ver indicios ou probabilidades de mutua comprehensão noutro dos mais importantes sectores do campo de estudos da lepra. Foi essa de facto a impressão colhida em Paris, especialmnte durante a reunião da Commissão da Lepra do Ministerio das Colonias, onde compareceram, convidados pelo seu Presidente, o eminente Prof. Marchoux, os delegados sul-americanos á Conferencia do Cairo, Drs. Fernandez, Basombrio, Souza Araujo, Moura Costa e Ra­bello Junior, presentes naquella capital. Nessa reunião, onde se estabeleceram trocas de vista muito apreciadas sobre os varios themas da Conferencia, foi ouvido com particular interesse pelos le­prologos franceses, tudo o que foi dito sobre o problema de classi­ficação, despertando marcada atenção, conforme foi depois declara­do pelos profs. Marchroux e Gougerot, a exposição feita sobre o systema de classificação defendido no Cairo pelos membros sul-americanos da respectiva commissão. Após a reunião, diversos membros daquella commissão ministerial desejaram conhecer com maiores minúcias e mais amplos detalhes o systema de classificação acima referido, que, em principio, lhes parecia muito acceitavel pa­ra, depois de informados sobre a maneira pela qual entendiamos

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dever ser realisado na pratica, ficaram em condições de opinar sobre sua viabilidade. Como se vê tratam-se ainda de simples impres­sões, colhidas de uma reunião, deante de explicações e argumentos nella aprsentadas; mesmo assim, vindas de tão altos expoentes da leprologia, acreditamos na vantagem de sua divulgação pelo justifi­cado interesse que poderão despertar no momento actual.



E. RABELLO.

P.S. ― A opinião do Dr. Wade continua favoravel a um ac­cordo geral em relação á questão da classificação. Carta déle re­cebida em fins de Agosto pelo Dr. Rabello Junior dá noticias de progressos já realisados nos seguintes termos:



"Como eu lhe disse, esperavamos que nós estivessmos em des­accordo em relação a lesões nos doentes e ás alterações microscopi­cas nas lesões. Foi com real surpresa, e real alivio que verifiquei o contrario. Exactamente o mesmo se deu na Argentina, pelo menos em Rosario onde, na ausencia de Fernandez, Schujman era real­mente o investigador de lepra em atividade. Tudo isto faz parecer realisavel a obtenção de um accordo universal no que respeita á classificação dos casos'.

De nosso lado, já começamos as pesquizas de revisão clinica histologica e imunologica de nosso material de lesões maculosas afim de verificar a possibilidade de mais formal entendimento.

Com igual designio esforça-se o Dr. Wade, segundo informa, para que seja convocada pela American Leprosy Foundation a reunião de especialistas, preliminar ao Congresso de Paris. Outrosim, nenhuma objecção encontrou ele de parte daquela organisação quanto á possibilidade de seu retorno ao Brasil no começo de 1940, onde passará um par de mezes no Rio e em São Paulo, apóz o que, si já estiver convocada a conferencia, para ela partirá em compa­nhia dos delegados brasileiros.

E' esse, como se vê, um programma de realisações objectivas de cujos resultados muito deveremos esperar. E. R.

. . . . . .

PREMIOS PARA TRABALHOS SOBRE A LEPRA

A Academia Nacional de Medicina conferirá a 30 de Junho de 1940 dois premios de 1:000$000 ― aos auctores dos melhores trabalhos sobre "Bacteriologia da lepra" (premio Kedrowsky) e "Immunologia da lepra" (premio Lleras Acosta).

Os trabalhos devem ser originaes e ineditos, assignados pelos

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auctores (Nome ou pseudonymo) e encaminhados á Academia (Avenida Augusto Sevéro N.º 4, Rio de Janeiro) até 30 de Abril de 1940.

Estes premios foram instituídos pelo Dr. H. C. de Souza Araujo em memoria dos professores W. Kedrowsky e Federico Lleras Acosta, recentemente fallecidos.

A ESTADIA DO DR. WADE EM SÃO PAULO.

A cerca de estadia do Dr. Wade em São Paulo, onde esteve apenas pouco mais de dois dias, para conhecer os serviços da Pro­phylaxia da Lepra neste Estado, o Dr. Francisco Salles Gomes Junior, recebeu daquelle eminente scientista a carta que abaixo trans­crevemos:

"LEONARD WOOD MEMORIAL"

"Exmo. Snr. Dr. Sáles Gomes Junior

Diretor do Serviço de Profilaxia da Lepra em S. Paulo

"Ha diversas semanas que tive o praser de visitar São Paulo e diversas semanas decorrerão até que esta carta seja datilografada em nossos escritórios em Nova York e seja remetida a V.S.. Eu lamento a demóra (causada pela multiplicidade de cousas que de­veriam ser feitas em praso muito limitado), mas eu espero que V. S. saiba que eu me senti muito alegre na minha curta visita ai e que muito me alegrou a sua cordialidade.

Impressionaram-me muito as cousas que vi. Como disse, eu fazia naturalmente ideia da grandesa do trabalho que o seu De­partamento está realizando, mas ninguem poderia saber quão grande e completa é a sua organisação sem realmente velo. Pode-se lhe dar os mais altos encomios e congratulo-me com V.S. pelo sucesso de seus esforços. O que vi despertou-me o desejo de voltar para uma visita mais demorada para fazer algum trabalho e quando estive aí pensei que me fosse possível faze-lo em 1940. Discuti o assunto em Nova York com o snr. Perry Burgess que é o presi­dente do Memorial e não vejo razão para que não se execute o meu plano.

Espero poder estar em Nova York em Fevereiro daquele ano e'depois poderei, provavelmente, ir ao Brasil se isto for do agrado de V.S.. Entrementes, talvés seja do interesse de V.S. que o dr. Georg Saunders, encarregado do trabalho epidemiologico do Memorial, visitasse São Paulo, Tudo o que lhe disse como tam­bem a outras autoridades do Memorial a respeito de minhas ob 

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servações no Brasil, especialmente em São Paulo, interessou-os grandemente. Preveni-os de que todo aquele que desejasse ter um conhcimento pessoal das atividades no maior centro de lepra do mundo, deveria visitar o seu pais.

A respeito da especialidade do Dr. Saunders, soube lá que V.S. não tinha ainda tentado trabalho daquela naturesa, mas que pretende inicia-lo futuramente.

A Organisação que V. S. tem de exames e registro de doentes e comunicastes permitiria fazer estudos epidemiologicos com grande vantagem. Como V. S. sabe ha grande necessidade de que estes estudos sejam feitos em diferentes regiões sob tais bases de modo que os resultados possam ser comparados. O Memorial está muito in­teressado neste assunto e o Dr. Saunders está em comunicação com as pessoas encarregadas desse serviço em diversos países afim de chegar a uma uniformidade (até certo ponto quanto possa permitir as condições locais de cada area) na reunião de dados e analises estatisticos.

Estou certo de que V V. S. compreenderá quão importante esse objetivo é. Espero que V.S. veja vantagem na visita do Dr. Saun­ders a São Paulo e tudo se poderá arranjar. Se V.S. aplaudir minha ideia sugiro escrever ao Memorial sobre isto, para "1 Ma­dison Avenue Nova York". Não sei se posso fazer uma sugestão: Em diferentes partes do mundo eu tenho observado diversas ma­neiras no preparo de estres etílicos de oleo de chaulmoogra e o efeito destas preparações sobre os doentes. Na maioria dos casos, esta variedade não é intencional, mas devida a pequenos detalhes da técnica. Em São Paulo vi razões para concluir que o metodo de manufacturar os esteres etílicos pode ser melhorado, provavelmente com pequena dificuldade. No Rio de Janeiro é o dr. Colle, indu­bitavelmente, o mais perito conhecedor do mundo. Estou certo que ele gostaria de visitar São Paulo e observar este caso se lhe fosse pedido e creio que os doentes seriam beneficiados se isto aconte­cesse.

Talvez interesse V.S. saber alguma cousa sobre as minhas observações na Argentina. Naturalmente V.S. sabe que algumas pessoas que trabalham lá estão interessadas no problema de classi­ficação que abraça particularmente a questão das diferentes lesões da classe e leprides. Esse estudo só pode ser feito com boa prepa­ração histologica tais como são feitos no Instituto Conde Lara. Para grande surpresa minha, nem em Buenos Aires, nem em Ro­sario o trabalho tecnico foi de naturesa satisfatorio. Perguntei lá se seria possível mandar alguem para trabalhar nos laboratórios de V.S., acham porem impossível. Acham, contudo, que possivel 

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mente quando o dr. Fernandez (1) visitasse V.S., sua esposa po­deria fazer tal trabalho de modo a ensinar seus tecnicos quando voltasse para Rosario. Escrevi ao Dr. Fernandez fazendo esta sugestão.

Como editor do jornal internacional, espero que o Dr. Lauro de Sousa Lima possa enviar-nos, com regularidade, extratos de ar­tigos que forem publicados em São Paulo e alguns "itens" sobre o trabalho daí.

Com minhas homenagens ao Dr. Nelson de Souza Campos, sou de V.S.

(a) Dr. H. WADE."

DR. JOSE' M. M. FERNANDEZ.

Acha-se ha dias em S. Paulo, o Dr. José M. M. Fernandez, docente da Clinica Dermatologica e Syphiligraphica da Universidade de Rosario, Argentina, e que, commissionado pela Associação Ar­gentina para o progresso da Sciencia, veio especialmente fazer um estagio nos Serviços de Prophylaxia de Lepra do Estado de São Paulo. O Dr. Fernandez, que foi um dos membros da Commissão Argentina ao Congresso do Cairo, onde teve destacada actuação, frequentou, por cerca de cinco mezes, em Paris, os serviços do Prof. Civatte. A Revista Brasileira de Leprologia, que o conta entre os seus collaboradores, cumprimenta o eminente leprologo argentino, fazendo votos de que lhe seja bastante proveitosa a sua estadia en­tre nós.



REUNIÃO ANNUAL

Realisa-se, como nos annos anteriores, na segunda quinzena do proximo mez de Outubro, a 4.ª Reunião Annual dos Medicos que trabalham no Serviço de Prophylaxia da Lepra do Estado de São Paulo. O thema dessa reunião, "Aspectos Clínicos da Lepra", per­mittirá que se focalise de um modo particular, os aspectos clinicos da lepra em todas as phases de sua evolução, pois que ella será ob­servada por medicos trabalhando nos diversos sectores da cam­panha prophylactica.



E' sem duvida digna de encomios, essa iniciativa do Serviço de Prophylaxia da Lepra de S. Paulo, fazendo realizar annuahnente essa reunião de seus medicos, para que sejam estudados e discuti­das as observações, resultado do trabalho dos que labutam em seus hospitaes, ambulatorio e serviços regionaes.

(1) Já se acha em São Paulo e a senhora Fernandes está trabalhando no Instituto Conde de Lara. (a) Dr. Sales.


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