Do futuro, a força preventiva



Baixar 436.9 Kb.
Página7/9
Encontro21.07.2016
Tamanho436.9 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9

Um trabalho duro que desvanecia o gosto, o sentido das possibilidades da vida daqueles jovens, tanto assim que Dom Bosco falava em primeiro lugar de um espaço onde podiam encontrar-se com os companheiros, brincar, e colocar ao lado dessa dimensão quase trágica da existência uma outra constituída pela abertura à amizade e à mente. 24

No oratório, Dom Bosco criou a escola de alfabetização primária e noturna, e as atividades possíveis aos seus meninos, tal como música, canto, declamação, romarias. 24

Vejo que os jovens sentem grande prazer com sua companhia e dela tiram muito proveito. Vejo também que uma das chagas que mais fazem sofrer é a solidão. Nesse contexto, uma companhia será sempre providencial. Se, além do mais, a companhia não é uma só pessoa mas um mundo juvenil como o oratório, isto vem ao encontro de muitíssimos desejos interiores e oferece muitas possibilidades de desenvolvimento, que os jovens sozinhos não valorizam ou deixariam frustrar-se. 25

O ambiente oratoriano é, naturalmente, muito dinâmico. Por isso, admite também a evolução dos tempos e se enriquece de novas dimensões. Se anos atrás víamos Dom Bosco e todos os meninos ao seu redor, vejo que hoje é possível organizar o oratório também com a co-responsabilidade juvenil, com um conselho de jovens que acompanham o andamento geral do oratório. 25

Se as propostas no tempo de Dom Bosco eram brinquedo, catecismo e instrução, as propostas do oratório aos jovens são hoje extremamente diversificadas. Vai-se dos hobbies ao esporte, do cinema ao rádio e à televisão, do turismo às atividades sociais, ao voluntariado no território, às experiências religiosas. 25

E nos últimos tempos, acrescentou-se todo o leque das novas técnicas da comunicação eletrônica e informática, que colocam ao lado do espaço físico um espaço virtual com internet. 25

Permanece ainda um guia como inspiração, como patrimônio de intuições germinais que podem expandir as potencialidades. 25

Nele, as intuições se fundam no que humanamente é mais estável e perene. Ele realizou, de maneira exemplar e também muito concreta, suas intuições, pelo que nos é possível hoje conceber novas realizações quase na mesma raiz ou na mesma linha. 25

Neste sentido, há espaço hoje para Dom Bosco. Não, porém, para uma imitação material do que fez nas diversas etapas de sua vida. 25

É-nos pedido um esforço de criatividade e atualização da sua intuição. A proximidade, o relacionamento, a estima positiva do menino por aquilo que traz dentro de si, a capacidade de animação, a abertura de horizontes para ele, devem permanecer da mesma intensidade de Dom Bosco, mas as respostas serão proporcionadas aos novos tempos. 25

O paradoxo da morte jovem 26

Sua alegria estava profundamente unida ao realismo da vida. A alegria não lhe fazia diminuir a exigência de sacrifício aos jovens. Não era uma alegria irrefletida e sem critério. Se a pobreza existia para todos, os jovens deviam assumi-la e resolvê-la como pudessem, aplicar-se ao trabalho. 27

Há uma combinação muito interessante entre alegria e deveres: encontrar a alegria justamente na constância e no dever. Neste sentido, ele, como pessoa consciente e autêntica, não podia deixar de mostrar aos jovens que a vida está exposta à morte física. 27

Dom Bosco, porém, ampliava o discurso, falando também de outros tipos de morte possível: a moral, que levava os jovens à desonra, e a espiritual, que os levava ao fim do relacionamento com Deus. Comparando, então, tudo, fazia ver como a morte física faz parte de uma vida e ligava sempre a morte ao paraíso. 27

É interessante saber que Dom Bosco contou a morte de meninos exemplares, como Domingos Sávio e Miguel Magone. Relendo a narração desses mortos, não se tem a sensação nem da tragicidade nem da tristeza, mas justamente do cumprimento e consciência de uma passagem. 27

No contexto de toda a vida humana, que tem o seu aspecto corporal, físico, transcendente, ele coloca a morte não como uma realidade final e vencedora mas como uma passagem, toda inspirada na ressurreição de Jesus. 27

Podemos também admitir que na linha de santo Afonso de Ligório, com seu costume de querer impressionar a fantasia juvenil, alguma vez Dom Bosco tenha calcado sobre a tragicidade da morte, como quando anunciava publicamente uma morte que havia sonhado (os sonhos de Dom Bosco eram famosos, porque depois se realizavam ou tinham conteúdo simbólico) e, então, a massa dos jovens ficava impressionada, na expectativa de verificar se a profecia iria verificar-se. 27

A reflexão sobre a morte, naqueles tempos, estava presente também nas missões populares, nos retiros e na ascética proposta aos jovens. Dom Bosco, como educador, tinha a técnica e o costume de não se dirigir somente à razão mas também ao coração, ao sentimento, à fantasia. Empregava essa técnica não somente para a morte, mas também para a pureza, para a alegria, para os passeios. 27

Acho que aos jovens de hoje devem-se dar as dimensões reais da vida, sem para tanto obsedá-los com o pensamento da morte. 27

O segredo da estética 28

Nota-se sua dimensão estética em muitas coisas, por exemplo, no amor à natureza. O fato de, ainda jovem, brincar num prado e o que diz, depois, do campo, indica uma vibração que não é intelectual, mas justamente por haver captado certa dimensão de harmonia, de beleza, de luminosidade. 28

Naturalmente, a sua vocação não o levou, depois, a poder cultivar essa estética literária. Mas uma coisa interessante no seu período de estudo é a sua simpatia ou afeição pelos clássicos, pela poesia, tanto aos autores latinos como a Dante e outros poetas, a sua afinidade com alguns escritores católicos. 28

No oratório cultivava a música, o teatro, os passeios e as funções de igreja, que – dizia – deviam ser bonitas, porque o menino deve perceber a beleza da religião. 28

Refere um testemunho que quando falava da pureza ou da castidade, ou da graça de Deus, exercitava um forte fascínio, porque confiava não tanto na capacidade de raciocinar dos meninos, quanto na capacidade de empolgar-se com ideais. 28

Dom Bosco não foi um estudioso e um teórico da estética, mas um cultor do belo, e fez-se promotor da beleza ao alcance do menino e do menino pobre. 28

Mediante a confissão, Dom Bosco acumulou uma vasta experiência dos problemas referentes à castidade juvenil. E convenceu-se da importância que o desenvolvimento da sexualidade assume na vida dos jovens e dos adolescentes. 28

Certamente, por motivo da moral do seu tempo, não podia possuir de modo reflexo a avaliação educativa e pastoral que a moral da pessoa, ao invés, aconselha em nossos dias. 28

Mas, embora se tivesse formado no estudo da moral dos atos, típica do tempo, seu faro educativo e o seu conhecimento dos jovens levavam-no a conclusões semelhantes às de hoje. Dom Bosco teve uma grande capacidade de ajudar os meninos no amadurecimento de sua sexualidade. 28

O que o faz único 29

Em primeiro lugar, o fato de haurir de um contato e de um trato diretos o que diz sobre os jovens. É difícil encontrar em Dom Bosco uma descrição do jovem, na qual deseje resumir tratados sobre a juventude: vê-se nele, ao invés, o caráter imediato da observação. 29

No seu contato há a compreensão do menino, compreensão que lhe vinha da santidade. “Basta-me que sejais jovens – repetia – para que eu vos ame no Senhor.” Nasce aí a capacidade infinita de espera, a confiança que deposita nas possibilidades do menino e no plano de Deus sobre ele. E ainda as altas metas educativas que propõe e às quais conduz os jovens, que respondem de maneira extraordinária. 29

Dom Bosco preferiu os jovens pobres e abandonados, e o repetiu. Mas, depois, quando se reflete sobre como ele aplicava esse princípio, vê-se que acolheu em suas instituições jovens de classes modestas daquele tempo, filhos de camponeses, que vinham, porém, de uma família organizada, tinham um fundo moral sadio e sólidos recursos humanos. Faltava-lhes apenas uma possibilidade de instrução. 30

Com eles, Dom Bosco acolhia outros jovens que corriam maior perigo, os pequenos trabalhadores, e, depois, outros mais, como quando se dedicou aos presos. Quando, porém, ofereceram-lhe a possibilidade de cuidar da educação dos que hoje, graças à posição da família, seriam os jovens destinados à instrução, aceitou-os no instituto de Valsalice. Os jovens pobres e abandonados eram uma preferência, não uma exclusividade. Voltou-se também para as classes modestas, e depois abriu Valsalice. 30

Seguindo essa tendência de Dom Bosco, com o serviço educativo salesiano cobriu-se por inteiro o espaço de educação humana e religiosa para a classe popular. É uma opção que nos levou a ampliar a escolarização para classes que não tinham possibilidade de adquiri-la. Na Argentina, por exemplo, criamos escolas de magistério para a formação dos mestres. 30

Os salesianos inseriram-se no movimento de democratização da instrução primária e secundária. Quando tal processo atingiu seu máximo desenvolvimento e o internato entrou em crise, abriu-se para os salesianos a possibilidade de nova atenção a quantos, por necessidades particulares, ficavam fora dos percursos educativos. 30

Esta volta aconteceu entre 1965-1970. Hoje estamos muito presentes sobretudo entre os jovens trabalhadores, os que são descartados durante o percurso escolar, e se estão multiplicando muito nossa presença entre os meninos de rua ou para a recuperação dos jovens que se transviaram. 30

Estava em sintonia com os jovens, sem por isso ceder a seu “juvenilismo”. 31

Quanto aos educadores, estava em sintonia e tinha muitos amigos entre os irmãos maristas e os jesuítas, pelo esforço que faziam em realizar todas as exigências que considerava adequadas ao desenvolvimento do menino e as modalidades metodológicas que combinavam com a amorevolezza. 31

Mas apartava-se dos educadores que escolhiam exigências formais e rígidas inúteis, separação e distância para conseguir maior autoridade sobre os jovens, a legitimação dos castigos sobretudo físicos e o método repressivo. 31

A procura, o relacionamento com cada menino e com os grupos. Em segundo lugar, sua visão da proposta educativa rica de elementos humanos, mas também aberta à graça, à fé, a Deus. 31

Falar, sem dúvida. Ele mesmo reconhecia que não é fácil para um educador pôr em prática por longo tempo, dia após dia e superando as dificuldades, todo o Sistema Preventivo. Trata-se da prática da caridade que, como diz são Paulo, é paciente, sabe compreender, sabe esperar, sabe tolerar, sabe insistir. 31

Diz, então, Dom Bosco: compreendo que para um educador que não se propõe este exercício interno e que não é inspirado por forte motivação de amor a Deus e a Jesus Cristo, o Sistema Preventivo pode tornar-se difícil. 31

Quem não pratica inteiramente o Sistema Preventivo pode sempre valer-se de alguns de seus aspectos. Nem todos têm a capacidade de Dom Bosco, mas cada um pode voltar a inspirar-se nele e extrair como de uma mina o que lhe for possível. 31

Sustento que a prática do Sistema Preventivo não é reservada a heróis, mas adapta-se a uma pessoa atenta e comprometida, por exemplo, uma mãe e um pai que acompanham o filho e querem dar-lhe uma contribuição de humanidade, fé e cultura. 32

Naturalmente, as capacidades de cada um influem para fazer melhor. Diria, porém, que o Sistema Preventivo já está ao alcance dessas pessoas. Não, porém, para quem está desatento ou desempenhado ou busca a própria comodidade e acompanha o menino mas não até o ponto de “incomodar-se”. 32

Até o próprio salesiano que procura uma vida tranqüila, encontra dificuldade no Sistema Preventivo. 32

Se uma pessoa tem capacidade limitada, mas é movida por amor e atenção, aprende um pouco por vez, e mesmo que não coloque em prática o Sistema como Dom Bosco, atinge todavia alguns níveis satisfatórios. 32

Sonhador concreto 33

Considero minha juventude como um tempo bastante sereno, feliz e comprometido. Não me lembro de grandes sofrimentos, nem físicos, como fome e solidão, nem de tipo moral como, por exemplo, não se sair bem nos estudos ou não ter coisas suficientemente atraentes para fazer. 33

Considero-o um período que determinou substancialmente minha existência posterior e uma oportunidade extraordinária de cultivar a inteligência, de amadurecer a consciência, de adquirir gosto pela leitura, curiosidade pelos acontecimentos. Lembro ter tido também um relacionamento muito agradável com os educadores. 33

Também hoje encontram-se jovens em situação bastante serena. Diria anos luz dos jovens que sofreram por carências físicas ou por um relacionamento difícil na família ou com os educadores, que sofreram uma grande dificuldade de superar o que se interpunha entre eles e os próprios ideais ou os objetivos da vida. 33

Devo confessar que a utopia mundial, universal nunca me tentou. Jamais pensei que estivesse em minhas mãos a possibilidade de reformar o mundo, nem mesmo com um instrumento como poderia ser a legislação. 33

Não pensava muito na condição juvenil em geral. Minhas perspectivas eram antes de trabalhar nos espaços que considerava factíveis com meus colegas. Por isso, via mais os jovens individualmente ou os grupos de jovens que estavam no meu campo de visão intermédio e pelos quais podia fazer algo. 33

Sim. Discursos genericamente utópicos nunca me tentaram. 33

Fundador e sucessor: um diálogo intenso 34

Fui como um menino lançado numa piscina: para mim a água era o ambiente salesiano. Isso porque minha família vivia numa paróquia salesiana, e assim, desde pequenino, eu ia aos salesianos e fiz amizade com o pároco que ainda hoje lembro muito bem. 34

Freqüentei a escola salesiana, como externo, desde os cinco anos. Meu contato foi, pois, com o ambiente salesiano, com os educadores salesianos que naquele tempo eram a totalidade dos mestres. Aí, entre ambiente de escola, o oratório, as atividades de verão nas temporadas na montanha, entrei em contato com Dom Bosco, ouvindo o que contavam os salesianos, apresentando exemplos e imagens. 34

O relacionamento com Dom Bosco se personalizou cada vez mais quando entrei na fase preparatória ao noviciado, depois no noviciado e no percurso seguinte. 34

Muitas vezes, mas num itinerário. Experimentei e tenho ainda como Reitor-mor momentos de encontro com Dom Bosco, que abrem repentinamente uma fresta: isso aconteceu já no noviciado, quando lia as primeiras biografias um pouco mais consistentes ou me encontrava com a vida consagrada salesiana. 34

Em seguida, como tirocinante, comecei a experimentar a missão salesiana no contato com os meninos e os jovens. E depois, no sacerdócio: à medida que ia exercendo o ministério sacerdotal, tantas coisas que tinha lido sobre ele, sem captar o alcance, começavam a ficar mais claras. 34

Penso-o muito mais seja como figura, tanto que guardo uma espécie de sua fotografia no meu íntimo, uma imagem que se formou ao longo da vida, seja em aspectos particulares como, por exemplo, a sua obra de fundador, a sua espiritualidade que nem sempre foi apresentada e compreendida. 35

Hoje aprecio-o muito mais, e muitas vezes me coloco em seu lugar perguntando-me como procederia, quando penderia para a audácia e quando para a prudência em cada caso, quando encaminharia obras da congregação proporcionadas ao pessoal e quando se lançaria confiando em Deus, em que elementos apostaria para o futuro. 35

Além disso, releio com gosto as palavras com que ele decantou e concentrou a experiência educativa, a experiência de fundador e a experiência espiritual ascética. 35

Rezo a ele naturalmente, e procuro imitá-lo. Mas sei muito bem que não é possível uma imitação mecânica: cada um tem a sua intensidade de afeto, sua tendência intelectual. Diz-se, por exemplo, que a coragem dificilmente se pode dar, e o mesmo se poderia dizer de tantas outras qualidades. 35

Sinto a necessidade de mediações concretas. As vozes interiores me inspiram, me sugerem, abrem-me horizontes. Mas quando se trata de realizar no mundo de hoje, sem correr graves riscos, as intuições interiores, sinto muito a necessidade de mediações concretas. 35

Por isso, Dom Bosco me inspira, mas tenho também conselheiros para a realização das inspirações. 35

Carisma atualizado 36

Dom Bosco leu a história à luz da Encarnação e da presença de Jesus Cristo no mundo. Para ele foi fundamental, porque assim leu a história mundial, assim leu a existência da Igreja, assim leu a existência dos jovens. 36

Penso então que interpreto seu carisma colocando-me a mim mesmo e a congregação no sulco da nova evangelização, para ler os acontecimentos da história atual à luz da presença de Cristo. 36

Transferindo este ponto para o campo juvenil, interpreto o carisma na nossa capacidade de mostrar Jesus Cristo aos jovens como salvação, não somente como uma palavra, mas fazendo-a sentir como experiência, juntando à nossa proposta o nosso afeto, o nosso amor, a nossa capacidade de doação. 36

O carisma salesiano interpreta-se hoje como presença no campo juvenil dessa força do Evangelho, mas que prefere caminhos educativos, isto é, toma os jovens no lugar em que se encontram e é capaz de acompanhá-los. Isso significa tomar consciência das novas situações juvenis e das possibilidades de acompanhamento que temos. 36

O carisma, enfim, tem uma dimensão missionária total: carisma é ter os olhos abertos para os novos fenômenos juvenis mundiais nas terras que são tradicionalmente cristãs e também em terras distantes, ainda pouco atingidas pela evangelização. 36

Dom Bosco sonhava uma galáxia de colaboradores, queria envolver a todos na educação dos jovens. Atualizar o carisma significa preocupar-se atentamente com os problemas juvenis. Trata-se de comunicar o carisma, formando com todos os que dele partilham uma grande força de educação. 36

Vivemos a ampliação das nossas forças na Família Salesiana: hoje não se pode conceber um grupo de religiosos que não seja multiplicador de energias e se feche sozinho dentro de si. 37

É preciso libertar todas as energias multiplicadoras de cada uma das comunidades da congregação, estimular a solidariedade no movimento espiritual que é a Família Salesiana, atingir através da comunicação social outros que são amigos de Dom Bosco e da educação dos jovens. 37

É necessário compreender mais a pobreza juvenil, interpretá-la melhor e vê-la juntamente com outras instituições, para retirar os jovens dessas gravíssimas carências. Colocaria isso em primeiro lugar. 37

Mas não pararia aí. Há ainda a necessidade de dar sentido aos jovens, de acompanhar sua busca de valores. Tornar a pesquisa capaz de uma proposta evangélica e cristã para os jovens, ao alcance do tempo que estamos vivendo. Devemos capacitar os jovens a enfrentar os desafios e a expressar hoje a esperança cristã. 37

Isto exige um diálogo inteligente com a cultura, porque do campo juvenil me parece importante levar a congregação a uma qualificação, a uma vigilância mental, a uma capacidade de interpretação que liga do ponto de vista humano e evangélico os fenômenos que estamos vivendo. 37

A confiança na Providência: não a casual, mas a que criou o mundo e orienta a história mediante a misericórdia. 37

O que quer dizer o sentido da presença de Deus na história, que dá uma visão não infantil mas otimista das possibilidades do homem, assistido por Deus e aberto a Deus. Soma-se a isso a alegria de fazer o bem, a confiança na possibilidade de abrir espaços de bem e transformar as situações que vemos nos casos concretos. Ligada a tudo isso está a generosidade da doação. 37

Com os jovens sempre 38

As coisas evoluem e mudam, no sentido que os jovens conquistaram maior autonomia, maior liberdade de determinar-se. Lembramos o tempo em que a própria vocação ao matrimônio era dirigida pelos pais. Mas pensamos também em tempos mais recentes, quando, sem meios, os jovens eram obrigados a escolher entre poucos e determinados caminhos. 38

Hoje os jovens têm muitas oportunidades, especialmente na Europa e nos países mais ricos. Como determinam o seu caminho, constroem com liberdade e autonomia a própria consciência. Na relação educativa cresceu muito o papel do sujeito, que se tornou um interlocutor importante. 38

Os educadores dispõem-se mais a reconhecer o positivo que há nos jovens. 38

Ao mesmo tempo mudaram o modo de ver os riscos, a disponibilidade para assistir, guardar, acompanhar, seguir, colocar-se ao lado, ter confiança na palavra, que é uma palavra de semeadura que amanhã frutificará alguma coisa. 38

Da parte dos educadores deve haver a vontade firme de acompanhar os jovens, mesmo que não encontrem neles a obediência pontual de um tempo. 38

Passamos da obediência sobretudo formal a um diálogo contínuo e, então, é preciso utilizar esse diálogo. 38

Prefiro ficar do lado dos jovens, mas não dos erros dos jovens. Quando os jovens cometem uma falta, se forem leves espero que o tempo as corrija, não as reputo casos graves. Se, ao invés, a falta é muito séria, continuo sempre do lado dos jovens, porque não corto o diálogo, nem o afeto nem a estima, mas o estar com eles não me leva a dizer que é bom o que é errado. 38

Estou do lado deles para ajudá-los a saber dizer sim e não convenientemente, para sugerir, isto é, não para ser transigente e deixar que sejam condescendentes com a causa do erro, mas para ajudá-los a serem arrojados na causa do bem. 38

Para recuperar o jovem de um desvio, de uma culpa, para defendê-lo também de uma punição precoce ou excessiva que pode destruí-lo, tiraria, como Dom Bosco, o chapéu até para o diabo. Mas não aprovaria nunca o que está errado. E diria isso ao jovem. 39

Certamente é preciso dirigir-se aos educadores também com uma compreensão e uma particular vontade de acompanhamento, sobretudo quando se trata de acompanhantes não-profissionais, os naturais, como são os pais. 39

Isso porque penso que, em relação ao passado, a comunicação educativa apresenta dificuldades particulares em virtude da rapidez das mudanças, pelo afrouxamento das relações e pelo transtorno de que sofre a comunicação, que é confusa, complexa, exposta à ambigüidade. Porque muitas vezes as palavras e os gestos não se podem interpretar do mesmo modo. E porque os educadores têm necessidade de nova consideração social, não para restabelecer antigas distâncias, mas para sair de um menosprezo frustrante. 39

Os jovens não são o efêmero 40

Digo, antes do mais, que na tradição salesiana o corpo não foi descurado: foi cuidado conforme os aspectos que exceliam naquele tempo. Dom Bosco cuidou com afeto da saúde dos jovens e dos seus salesianos e colocou-a nos objetivos educativos. 40

Quis fazê-lo visando à fortaleza do corpo. Cuidou e deu normas interessantes para o uso das energias físicas no trabalho, preveniu os jovens dos perigos que podem abalar a saúde. 40

Quanto à linguagem do corpo promoveu constantemente o teatro, rico de gestualidade e a dimensão esportiva não-competitiva mas recreativa. 40

A sociedade de consumo de hoje interessa-se por outros aspectos, que antes eram descuidados ou eram a qualidade característica de uns poucos privilegiados. Os cuidados estéticos e cosméticos absorvem tempo e dinheiro. E a publicidade, que atingiu técnicas e níveis muito requintados, exagera ao ressaltar aspectos efêmeros da vida e da pessoa. Apresenta beleza, sucesso, corpo, como bens destacados da totalidade da pessoa e, muitas vezes, na hierarquia dos valores, coloca-os no primeiro lugar também para incentivar o consumo. A vida do dia-a-dia, porém, é muito mais dura que a realidade virtual apregoada nos spots. 40

Penso que os nossos jovens mais comprometidos não se interessam muito por esses aspectos de fachada. Cuidam de outros que são fundamentais para garantir o equilíbrio na pessoa entre alma e corpo: saúde, energia e fortaleza para o uso justo do corpo. 40

Algo semelhante poder-se-ia dizer sobre o corpo como sede do prazer e sensações agradáveis, sobre os quais insiste a publicidade. É evidente que é um aspecto verdadeiro na devida moderação, mas a busca desproporcionada do prazer enfraquece, não permite outros esforços e cai no efêmero. 40




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal