Do Tempo Comum



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L I T U R G I A E V I D A



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ANO C
3.º Domingo

do Tempo Comum
SUGESTÕES PARA A CELEBRAÇÃO

E VIVÊNCIA DA LITURGIA


  1. Cartaz: “Somos um Povo que caminha”.




  1. Esta frase poderá estar num cartaz em que apareça recortes de jornais ou de revistas, alusivos a acontecimentos recentes de libertação.




  1. Atendendo a que o Domingo passado ainda prolongava a temática da Epifania, na prática é com este 3º Domingo que o Tempo Comum é formalmente aberto. Isso mesmo é sugerido pelo facto de se proclamar precisamente o "prólogo" do Evangelho de S. Lucas e a inauguração "oficial" da missão messiânica de Jesus - proclamação do "ano da graça" - na Sinagoga de Nazaré, após a "investidura" solene no Baptismo do Jordão.




  1. Leitores: a Liturgia da Palavra da Missa de hoje proporciona óptimos elementos para a formação litúrgica dos leitores: a 1ª leitura realça a importância da leitura (clara e distintamente), do lugar donde ela é feita: o "ambão", estrado ou tribuna de madeira "num plano superior a todo o povo"; e do livro, bem como a dinâmica da proclamação viva da Palavra; no Evangelho, é o próprio Jesus que se apresenta como o Leitor: de pé, à vista de todos, toma o livro da Escritura e proclama a Palavra. E esta proclamação é acontecimento eficaz, sacramental, realiza o que diz: "cumpriu-se hoje, nos vossos ouvidos, esta passagem da Escritura".

1ª leitura: Estamos perante uma narrativa viva que pede que se façam ressaltar as vozes: narrador, povo, Neemias, etc..

2ª leitura: Pode optar-se pela leitura breve. Nem por isso se foge à dificuldade da leitura ("não há leituras difíceis, há, sim, leitores difíceis"). O leitor precisa de uma boa técnica respiratória para fazer uma frase, como "Assim como o corpo... constituem um só corpo". A regra da leitura não é a escrita. A leitura tem a sua própria pontuação. Quem for capaz de a fazer bem, fará uma boa leitura. Convidamos a que se leia a forma longa: atenção às interrogações. Experimente em casa. Faça-se ouvir aos seus familiares ou, então, grave a sua leitura.


  1. Este Domingo é o 4º dia do oitavário de oração pela unidade dos cristãos (18-25 de Janeiro). Este facto pode justificar uma atenção privilegiada à 2ª Leitura que desenvolve, precisamente, o tema da unidade interna e ecuménica, sublinhando: "Todos nós - Judeus e gregos, escravos e homens livres - fomos baptizados num só Espírito para constituirmos um só Corpo...". Também a 1.ª Leitura e o Evangelho, centrando a atenção da comunidade na escuta da Palavra de Deus e de Cristo-Palavra, nos remetem para o fundamento da comunhão. Nada impede que na celebração da Missa se usem as orações previstas "pela unidade dos cristãos" (Missal Romano p. 1204 ss) ou, pelo menos, o prefácio aí incluído (Missal Romano, p. 1205). Também se poderá utilizar o Prefácio Dominical I.




  1. Sugestão de cânticos: Entrada: Cantai ao Senhor, NCT 210; Povo de Reis, L. Deiss, NCT 226; Apresentação dos dons: Ubi Caritas, C. Gregoriano, NCT 172; Comunhão: Formamos um só corpo, C. Silva, NCT 265; O Espírito do Senhor, M. Luís, NCT 397.


REFLEXÕES BÍBLICO-PASTORAIS


  1. Vários acontecimentos da História recente podem servir para ilustrar a situação descrita na primeira leitura da Liturgia deste Domingo. Depois do regresso do exílio e de reconstruída a cidade de Jerusalém, o povo reúne-se agora para iniciar a sua nova vida. É exactamente na Lei do Senhor que Israel encontra a “norma” e o sentido da vida. Tem lugar então a grande Assembleia de escuta da Palavra de Deus: durante toda a manhã, o povo escutou atentamente as Palavras do Livro da Lei de Deus, e muitos emocionaram-se e choravam. De tarde, teve lugar o convívio, a festa. Esta vivência do Povo de Israel tem a sua ressonância noutras vivências de outros povos ao longo da História. Israel experimentou as amarguras do cativeiro, mas finalmente soou a hora da liberdade e a reconstrução nacional apresenta-se agora como objectivo. Israel só pode reconstruir a sua vida com Deus, em quem teve a origem como povo. Deus é verdadeiramente o grande companheiro na marcha da libertação e da liberdade.




  1. O Evangelho de São Lucas, ao relatar a primeira visita de Jesus a Nazaré, terra onde cresceu, apresenta-o a proclamar este trecho de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu. Enviou-me para anunciar a Boa Nova aos pobres, a proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano favorável do Senhor”.




  1. A missão de Jesus é libertadora e a história da Cristandade está recheada de gestos libertadores. São Paulo diz que todos somos chamados para constituirmos um só corpo, judeus ou gregos, escravos ou homens livres (2ª leitura). Liberdade e Deus parecem ser, nesta Liturgia, duas realidades inseparáveis: Deus é quem liberta e é com Deus que se encontrará a vida livre.




  1. Mas, a liberdade, o que é? Na raiz etimológica grega, ser livre significa ser membro do povo, cidadão com plenos direitos. Esta liberdade concretiza-se no direito de exprimir o próprio parecer na assembleia, poder dispor livremente de si. Em Israel, a liberdade, a vida, o matrimónio, a honra, a propriedade são direitos fundamentais do homem, que Deus dá e garante ao Seu povo. Olhar para a liberdade só no sentido exterior ou político é empobrecê-la; assim a viam muitos contemporâneos de Jesus.




  1. O Cristianismo trouxe um novo sentido de liberdade: a autêntica liberdade do homem não consiste na possibilidade de dispor livremente de si mesmo, mas na vida com Deus, um vida em conformidade com o projecto de Deus, uma liberdade que se conquista renegando-se a si mesmo. Quem é livre não pertence a si mesmo, mas Àquele que o libertou, afirma São Paulo.

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