Docente Responsável: Dr. Carlos Eduardo Mendes de Moraes



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Disciplina: Modos de escrita no Brasil colonial

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Docente Responsável: Dr. Carlos Eduardo Mendes de Moraes




HISTÓRICO

Os estudos filológicos, ao longo dos últimos dois milênios, aparecem dirigidos para diversas linhas de atuação tais como análise, explicação, edição de textos, antes de passarem por uma conceituação melhor delimitada, a partir do século XIX, quando começam a dividir com a lingüística a responsabilidade de proceder à abordagem das línguas.

De outra parte, a própria discussão da multiplicidade de tarefas e a complexidade de campos a que está sujeita a abordagem filológica também fazem parte da discussão que tem, nesta proposta, preocupações metodológicas, que visam a ver ampliado o campo de atuação sob este aspecto no que diz respeito às produções escritas no contexto do Brasil colônia.

O exercício da análise e da crítica aos referidos escritos cabe nas discussões que se relacionam com o tratamento do conteúdo do texto, o que, para o enfoque desta disciplina é posterior, pois a pesquisa material que se faz sobre o texto, quanto aos modelos e/ou referenciais, antecede este tratamento final de análise e crítica. Entretanto, as duas etapas são propostas para a discussão, sendo que à primeira cabe maior enfoque, em virtude do menor espaço que possui no Programa de Pós-Graduação em Letras desta Faculdade de Ciências e Letras.

Assim, o enfrentamento dos documentos, termo mais adequado do que textos, segundo nosso ponto de vista, faz-se pelo questionamento dos padrões de escrita e pela preocupação com o modus scribendi dos indivíduos – letrados e escritores, muito mais do que autores – que chamam para si a tarefa de escrever a história, a sociedade e as belas letras.

Há que se lembrar que literatura, no contexto dos séculos XVII e XVIII, não possuía o mesmo significado de hoje e, portanto, o exercício de penetração nos meandros do texto da época requer outros entendimentos e outros esforços, os quais se coadunam melhor com o emprego do método filológico para uma fundamentação que possa resultar em futura crítica.


OBJETIVOS


  1. Proceder à leitura e à abordagem de textos manuscritos e impressos, literários ou não, produzidos no ambiente do Brasil colonial;

  2. Apreender destes textos traços que propiciem a discussão de aspectos do desenvolvimento da produção escrita e da língua neste ambiente luso-brasileiro;

  3. Promover a difusão da abordagem filológica para os textos produzidos no Brasil colonial.

EMENTA


  1. Estudo de fontes primárias

  2. A filologia como método de tratamento dos documentos relativos ao Brasil colonial;

  3. Documentos a respeito da escrita no Brasil colonial;

  4. O conceito de autoria no estudo dos documentos do Brasil colonial.

Programa

  1. Tratamento filológico de fontes e textos produzidos nos séculos XVII e XVIII

  2. Poética e Retórica Clássicas

  3. Relação entre história e literatura para os letrados dos séculos XVII e XVIII

  4. Elementos do Barroco tardio nos escritos dos séculos XVII e XVIII

  5. Elementos do Arcadismo nos escritos dos séculos XVII e XVIII

  6. Associações letradas e autores individuais: problemas de entendimento do conceito de autoria


METODOLOGIA E CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

Como o contato com os escritos dos séculos XVII e XVIII, principalmente os textos brasileiros e portugueses, pressupõe, no mais das vezes, a necessidade de busca às fontes, o recurso à filologia torna-se instrumento essencial para a pesquisa. A fundamentação para este procedimento será, pois, apresentada nos seus rudimentos para os alunos da disciplina, como forma de referencial teórico e metodológico para o desenvolvimento dos demais momentos da discussão.

Quanto ao tratamento das questões relativas à língua, à literatura e até à história, as discussões sobre os textos que se constituíram referencial de escrita para o letrado daquele momento serão o guia, ao permitir a apreensão do universo de estudo a partir dos próprios documentos de época.

No que diz respeito às formas de abordagem dos textos, na parte prática, a manifestação do interesse dos alunos no conhecimento de textos específicos, auxiliará na constituição de um corpus de análise, que se complementará com os exemplos selecionados para a discussão sobre os aspectos da constituição dos referenciais – Retórica e Poética antigas – da identificação dos principais autores e na discussão sobre os aspectos lingüísticos e literários pertinentes ao conteúdo da disciplina.

Parte de avaliação será feita a partir da realização de ciclo de seminários, que contemplará uma abordagem de texto teórico e uma aplicação das discussões de forma prática em texto.

O documento final da avaliação do curso será produzido pelo aluno na forma de artigo, submetido à apreciação do docente responsável, para que, em conjunto com as atividades anteriores, possa ser atribuído o conceito final alcançado durante o curso.

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