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III SEMINÁRIO DE PASTORAL DAS MIGRAÇÕES

Caxias do Sul, RS, Brasil, 25 a 30 de novembro de 2005

Eu virei para reunir os povos



de todas as nações e línguas” (Is 66, 18)

DOCUMENTO FINAL

A realização do III Seminário Congregacional de Pastoral das Migrações, no ano em que celebramos o centenário de morte de nosso Fundador, o bem-aventurado João Batista Scalabrini, reveste-se de uma importância fundamental, porque faz memória de nossa herança carismática, que marcou a nossa missionariedade e espiritualidade ao longo de um século e continua sendo, no atual momento histórico, resposta ao desafio das migrações e profecia na Igreja.



1. Uma herança carismática centenária

O Carisma Scalabriniano, revelador de novos rumos no campo da missionariedade, é “dom” totalmente gratuito para realizar a missão específica, e é fruto do Espírito Santo, sempre dinâmico e criativo. É fonte para a mística e a missão das pessoas que têm a vocação de servir ao bem comum, e a de ajudar a dar continuidade à encarnação do Verbo, através do serviço prestado aos irmãos migrantes em vista da construção do Reino de Deus. A experiência profunda de Scalabrini diante do sofrimento e do abandono em que se encontravam os migrantes, concedeu-lhe o “dom” universal de serviço a este povo, pois ao deixar-se comover pela situação de abandono em que se encontravam, os reuniu entorno a si, e em seguida, enviou em missão a muitos homens e mulheres que aceitaram e assumiram sua idéia.

Como verdadeiras filhas e filhos de Scalabrini, as Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo, Scalabrinianas (MSCS) e os Leigos Missionários Scalabrinianos (LMS) vivem a missionariedade, a catolicidade e a universalidade que possibilitam a convivência das várias etnias, culturas e realidades onde a Congregação marca presença. O carisma é sempre reinterpretado na nova cultura em que se insere. Imutável, nossa missão é o serviço evangélico e missionário ao migrante. A espiritualidade derivada do carisma scalabriniano se enraíza no próprio migrante e as Irmãs MSCS partilhando a vida na cotidianiedade, a precariedade e o sofrimento, encontram Cristo no migrante e a Congregação busca percorrer seu caminho, no dia a dia, seguir o seu percurso e acompanhá-lo na estrada da vida. Para realizar esta missão e vivenciar esta espiritualidade, as Irmãs Missionárias Scalabrinianas colocam-se na condição de migrante.

O Carisma é atuante e concreto quando as fronteiras são eliminadas, porque se sabe que o mundo é “a pátria do homem”. A razão da vida comunitária é levar adiante a missão da Congregação, que torna possível a unidade entre as Irmãs, abrindo-as a todas etnias e culturas.

Na história da Congregação há elementos que continuam sendo alicerces para sua vida e missão. A escada de Jacó (Gn 28,10-22), visível no brasão episcopal de nosso Fundador, pode ser vista como a síntese de uma espiritualidade que faz subir a pessoa ao céu para se impregnar de Deus, e descer à terra para encarná-lo na história. Jesus recorda esta escada (Jo 1,51), e nos leva a entender: “aquela escada sou eu”. Assim, compreende-se que a espiritualidade de Scalabrini há em Jesus Cristo sua centralidade, e se encarna na realidade, vivida e continuamente alimentada através da Palavra e da Eucaristia.

Para as Irmãs MSCS, a espiritualidade que revitaliza a missão, emerge também da própria experiência com os migrantes, os construtores providenciais da grande civilização universal, em que é maravilhoso ser diferente, juntos, e se realiza num determinado momento histórico, em uma comunidade que se sente peregrina. Neste caminho, a experiência espiritual do povo de Israel e da comunidade cristã ilumina a experiência concreta realizada pelas Irmãs junto ao povo migrante.

Em Jesus Cristo, o caminho nos conduz à comunhão trinitária, meta da missionariedade e da espiritualidade, fonte de uma diaconia atuante. Enquanto peregrinas em direção a esta meta, uma profunda vivência da fé as leva a reler a história e interpretá-la como uma série de eventos guiados e conduzidos pela Providência, e a sentir-se parte de um povo que experimenta Deus que caminha com Ele.

Estes elementos iluminam o ser e o agir com os migrantes e impulsionam as Irmãs MSCS, a assumir um estilo de vida marcado pela transitoriedade e pela esperança, capaz de indicar ao migrante a “terra prometida”. Para elas, assumir e praticar a acolhida é “promessa de posteridade” (Gn, 18,10), ou seja, acolher o migrante, em suas diferentes categorias, fecunda a missão e as abre à universalidade do Reino, verdadeira expressão de um novo Pentecostes, em que as diferenças se tornam harmonia no Espírito e unidade na diversidade.


2. Contextualização

No começo do terceiro milênio, a intensificação do processo de globalização redesenhou as representações espaciais de amplos setores da população mundial, promovendo um olhar mais complexo, diversificado e planetário da realidade. Mudanças estruturais decorrentes do aperfeiçoamento e barateamento dos meios de transportes e de informação facilitaram a mobilidade espacial das pessoas, favorecendo a decisão de emigrar.

A hegemonia neoliberal tem provocado o crescimento da brecha das desigualdades sociais, tanto em nível planetário quanto em nível nacional. A redução da intervenção assistencial do Estado, a economia centralizada em especulações financeiras não produtivas e os avanços tecnológicos, determinaram novos processos, fazendo com que o crescimento econômico deixe de ser sinônimo de crescimento ocupacional. O espectro do desemprego tornou-se uma preocupação mundial. A mobilidade geográfica virou um dos meios privilegiados de busca da mobilidade social e de condições de vida mais digna, em outros lugares dentro do próprio país e no exterior.

No entanto, essas dinâmicas desencadeadas pela globalização não são universais, pois excluem grande parte da população mundial, sobretudo em várias regiões da África principalmente ao sul do deserto de Saara, da América Central, do Caribe, da América do Sul e da Ásia meridional. O neoliberalismo, de fato, é constitutivamente excludente, pois não tem condição de oferecer a todos os seis bilhões de habitantes do mundo, o mesmo padrão de vida dos países economicamente mais desenvolvidos. O planeta terra não agüentaria tamanha poluição e consumo de matérias-primas.

Os países economicamente mais desenvolvidos estão passando, há anos, por crescimentos populacionais extremamente baixos e até negativos, sobretudo na União Européia. O envelhecimento populacional exige a importação de mão-de-obra estrangeira a fim de garantir a sustentabilidade dos sistemas econômicos. Nesse sentido, a intensificação dos fluxos migratórios para o norte do mundo, sobretudo aos Estados Unidos, e ao sul da União Européia, responde também à busca de equilíbrios demográficos, claramente orientados pela pressão socioeconômica internacional, o que torna extremamente difícil o controle dos fluxos, apesar das legislações cada vez mais restritivas.

Tudo isso não ocorre sem conflitos. O medo do terrorismo (sobretudo nos países diretamente envolvidos na guerra contra o Iraque), da alteridade (principalmente entre os países historicamente menos acostumados à presença de estrangeiros), e das crises sociais (nos lugares em que houve uma drástica redução do compromisso do Estado com as condições sociais da população e naqueles países do sul vítimas das especulações financeiras), fortaleceram sentimentos e posturas xenófobas e nacionalistas, bem como a elaboração e implementação de legislações migratórias cada vez mais restritivas e controles rigorosos das fronteiras, o que aumentou a formação de redes de tráfico de migrantes (smuggling) e de tráfico de pessoas (trafficking).

Em muitos países, os migrantes irregulares são freqüentemente obrigados a aceitar condições de vida e de trabalho desumanas, inclusive em situação análoga à escravidão, vivendo constantemente sob o espectro da deportação. Em particular, as mulheres, atraídas pelo aumento de oportunidades de trabalho, não raramente acabam sendo vítimas de redes de tráfico para fins de exploração sexual. As características das migrações hodiernas geram maior empobrecimento, atingindo, sobretudo, as categorias mais vulneráveis. Emerge uma particularidade da condição feminina no contexto da mobilidade humana, que vê no aumento da migração das mulheres, que de certa forma se tornam mais vulneráveis e, por outro, assumem um papel fundamental na solução dos conflitos e na gestão do próprio percurso migratório, bem como do grupo ao qual pertencem.

Por outro lado, devem ser registrados também os atos de violência perpetrados por estrangeiros contra as populações locais, veiculados e, às vezes, manipulados pela imprensa. Esses crimes têm justificado retaliações e fortalecido posições xenófobas. Urge estabelecer um pacto social que garanta aos migrantes os direitos fundamentais, exigindo, ao mesmo tempo, o respeito às leis das sociedades de acolhida.

Nas últimas décadas, o debate sobre as “segundas gerações” de migrantes aumentou. Além de viverem a não-adaptação em contexto familiar, por assumirem uma perspectiva totalmente diferente daquela dos pais, às condições de vida e de trabalho, aos direitos e à integração, sofrem as conseqüências da fragmentação social e da manipulação do tema migratório e multicultural pela política, pela mídia, inclusive pelo discurso religioso. Os temas da integração e da interculturalidade voltaram a se tornar prioritários nas agendas políticas de vários países, y assim são também fundamentais para as novas gerações, nos contextos multiculturais contemporâneos.

Muitos países do Sul estão passando por fortes dificuldades de retenção populacional, experimentando uma maciça fuga de população. Países de tradição imigratória tornaram-se terras de expulsão, perdendo “capital humano” fundamental para o próprio desenvolvimento. Por outro lado, o aumento das remessas tem se tornado um dos temas mais debatidos na atualidade, inclusive prejudicando a reflexão sobre políticas públicas para o “retorno” e o esforço para garantir o respeito dos direitos humanos dos migrantes, em terra estrangeira.

O crescimento e manutenção de conflitos bélicos, bem como as recentes catástrofes da natureza, têm mantido alto o número de refugiados e deslocados (desplazados), sobretudo, no continente asiático e africano, e em algumas regiões específicas da América Latina e da Europa.

Finalmente, o tema das migrações se tornou central nos debates políticos e sociais do mundo, desencadeando, inclusive, ricas reflexões e atividades concretas em busca de sociedades interculturais, dialógicas, acolhedoras das alteridades, abertas ao encontro entre religiões e culturas, preocupadas com os Direitos Humanos. Com efeito, diante da crescente criminilização do estrangeiro, é mister enfatizar as contribuições positivas que as migrações poderiam trazer tanto para os países de saída, quanto para aqueles de chegada. Estamos nos referindo, não apenas ao desenvolvimento econômico, mas, sobretudo às riquezas socioculturais decorrentes do encontro-desencontro de etnias, culturas e tradições religiosas, cujas identidades podem ser enriquecidas e revigoradas pelo encontro com o outro.



3. Migrações como lugar teológico

O conhecimento e a compreensão das migrações em perspectiva teológico-pastoral passam por uma reflexão que vê as migrações como lugar teológico. Esta abordagem é um desafio, tanto para os agentes da mobilidade humana, quanto para as comunidades eclesiais na sua totalidade. Por lugar teológico entendemos, em princípio, o lugar a partir do qual é elaborada a reflexão teológica. O mundo da mobilidade humana, nessa ótica, representa tanto o objeto refletido, quanto a fonte inspiradora do fazer teológico, na medida que é nele que Deus se revela.

As migrações são também “lugar teologal”, ou seja, espaço da autêntica experiência religiosa, palco do encontro com aquele Deus universal eterno, Pai e Mãe, totalmente outro e, ao mesmo tempo, próximo e solidário, que deseja o bem e a auto-realização de todas as suas criaturas, em vista da construção de uma fraternidade universal.

O mundo da mobilidade humana é também um “lugar crístico”, pois foi justamente Jesus Cristo que se identificou com os estrangeiros e os migrantes (Mt 25, 31-46), que veio para servir e anunciar a boa nova da libertação (Lc 4,18-19). No rosto sofrido dos migrantes, das vítimas do tráfico humano, dos refugiados e desplazados, e das demais pessoas em mobilidade podemos reconhecer “as feições sofredoras de Cristo, o Senhor, que nos questiona e interpela” (Puebla 33). Nesta ótica, “ser migrante com os migrantes” se torna o caminho privilegiado do seguimento de Jesus Cristo.

Finalmente, as migrações são também “lugar pneumático”, enquanto elas promovem o encontro entre aquelas diversidades que são geradas pela multiplicidade dos dons que o Espírito distribui no meio de todos os povos (Jo 3,8). A mobilidade humana, neste sentido, se torna um espaço de promoção da unidade na diversidade, da comunhão entre os diferentes dons e carismas de cada povo (I Cor 12.14), sempre orientados pela caridade (I Cor 13) e vivificados pelo Espírito que faz nova todas as coisas.

Falar das migrações como “lugar teológico” significa comprometer-se no trabalho com os migrantes e refugiados como “lugar mistagógico”, ou seja, espaço que conduz ao “mistério”, que abre o acesso a Deus trinitário, não para “fazer tendas” (Mc 9,2-8), mas para assumir, com firmeza e coragem, o difícil caminho rumo à Jerusalém, sendo presença solidária e profética no mundo da mobilidade humana.



4. Atuação das Irmãs Missionárias de S. Carlos Borromeo, Scalabrinianas

A partilha de experiências de pastoral, realizada pelas 21 Irmãs MSCS, migrante com os migrantes, trouxe à luz diversas constatações que caracterizam a ação missionária própria do Carisma Scalabriniano: a feminilidade e a grande pluralidade de competências, gerações e culturas das Irmãs e das respectivas diversidades dos contextos e das migrações com as quais interagem em seu trabalho, bem como em suas relações.

O primeiro aspecto significativo identificado pelos participantes do III Seminário diz respeito à espiritualidade, ao estilo de vida e ação que caracteriza o testemunho e a responsabilidade missionária nas mais variadas realidades onde as Irmãs vivem e atuam. A experiência espiritual do povo de Israel, ancorada no Deus que prefere a tenda ao templo e se faz peregrino em Jesus Cristo, ilumina a experiência concreta das Irmãs MSCS que vivem a transitoriedade do pôr-se a caminho junto ao povo migrante e de não criar raízes. A vivência da especificidade do Carisma se torna uma dimensão profética que se nutre na Palavra e na Eucaristia e tem como meta a Comunhão Trinitária. Emerge forte um testemunho de zelo apostólico, paixão e amor à missão e pela causa do migrante, consciência de uma missão específica no mundo da mobilidade humana, caracterizada por valores próprios que se expressam em atitudes concretas de motivação e convicção, capacidade de escuta e acompanhamento das realidades concretas, coragem e rapidez para dar passos significativos na missão, missionariedade vivida comunitariamente e o Carisma encarnado de forma dinâmica. Constata-se uma espiritualidade cristocêntrica ligada ao contexto em que as Irmãs vivem, encarnada na ação apostólica que realizam, na qual se reconhece a mística scalabriniana, enriquecida pela atenção à auto-formação, à presença direta junto aos migrantes e à prontidão em dar respostas criativas e até ousadas pelo bem do migrante.

As experiências partilhadas estão fundamentadas na Palavra de Deus, nos documentos da Congregação e da Igreja, em uma mística de itinerância onde o trabalho é realizado de maneira integrada e junto com a comunidade, da qual internaliza valores, bebendo nas fontes do Carisma. A comunidade se revela como fonte de força para a missão e também como espaço missionário. A verdade de Deus é buscada através da história do povo e a missionariedade scalabriniana é vivida como força feminina de esperança, convergência de diversidades na unidade, à luz da Palavra do mestre: “Que todos sejam um” (Jo 17, 21), buscando construir a comunhão como base da missão.

Das narrações partilhadas durante o III Seminário, emergiu uma diversificação e pluralismo de visão e de ação, que se encontram em coordenadas difusamente presentes, com força e modalidades distintas em todas as experiências. Os elementos que se apresentam como estratégias típicas da ação apostólico-missionária da Congregação, são: a eclesialidade, a busca constante de leitura e compreensão dos sinais dos tempos, a atuação marcada por traços femininos e scalabrinianos, tais como a mediação pastoral, social, cultural que torna a Irmã MSCS uma mulher-ponte, com a capacidade de colaboração com outras vocações na Igreja, junto a outras congregações religiosas, órgãos públicos, organizações de migrantes, instituições, etc.

Em seu planejamento e em sua operacionalidade, as Irmãs Scalabrinianas e os colaboradores, que participam da mesma missão na Igreja local, se tornam agentes de integração, com forte inserção na realidade dos migrantes e atenção efetiva e afetiva a favor da vida e dignidade dos mesmos. A valorização e promoção do protagonismo do migrante e sua parceria direta na ação, marcam de modo primordial, o estilo de trabalho das Irmãs MSCS, bem como a busca de incidência na ação em que atuam e a dedicação na organização e animação de novas e diversificadas respostas às questões e problemas que o fenômeno da mobilidade produz.

Prioritariamente as Irmãs e os leigos scalabrinianos se dedicam à formação e à informação dos migrantes e agentes, ao respeito e à atenção às vulnerabilidades que surgem na migração, à superação da visão estereotipada da condição dos migrantes, posicionando-se contra toda forma de discriminação. Um particular compromisso na evangelização dos migrantes, é a articulação do Instituto em redes, orientadas à solidez e à eficiência na missão. Emerge também uma ação privilegiada em favor da mulher e da segunda geração de migrantes, em resposta ao desafio da interculturalidade e do diálogo inter-religioso.

A ação apostólico-missionária da Congregação contempla todo o ciclo de vida da pessoa humana. A diversificação compreende também categorias diversas de migrantes e pluralidade de contextos locais (cidade, campo, periferia, ambiente escolar ou saúde integral, cárcere, paróquia) onde o movimento migratório desabrocha em espaço de vida, estabelecendo uma relação enriquecedora de esperança para o/a migrante, a Irmã e o/a leigo/a missionário/a scalabriniano/a. A busca de conhecimento e de compreensão, junto à capacidade de novidade constante no planejamento e na articulação de respostas adequadas às características da sociedade e das migrações hodiernas, de fato, são elementos que merecem uma abordagem ampla e global do migrante e indicam o envolvimento de todas as dimensões do ser humano porque devem ser tocadas em sua integridade, o que justifica a estima e a credibilidade reconhecidas à Congregação por parte da Igreja e da sociedade e, sobretudo, pela confiança que os migrantes lhe prestam e asseguram.

Da partilha das experiências e programas emerge a atenção e a busca constante de fortalecimento e ampliação de redes formais e informais, parcerias de assistência, formação e promoção de migrantes e refugiados, sempre focalizando a defesa e promoção dos direitos humanos, econômicos, culturais, sociais, religiosos e civis dos homens e mulheres em situação de mobilidade.

A partilha evidenciou a alegria, a felicidade explícita dos leigos, portadores de entusiasmo e de esperança ao mundo, mensageiros da Boa Nova para os migrantes. Sua convicção e audácia tanto na dimensão da adesão à missionariedade quanto no engajamento em ações concretas são uma expressão viva do Carisma Scalabriniano no mundo da mobilidade humana.



5. Desafios e perspectivas para a missionariedade scalabriniana

As experiências de diferentes realidades locais, no trabalho direto com migrantes e refugiados, ou na coordenação de serviço em nível institucional, apresentadas pelas Irmãs MSCS presentes no III Seminário de Pastoral das Migrações, proporcionaram aos participantes um panorama amplo e diversificado dos aspectos que caracterizam as migrações hodiernas e os contextos locais, nacionais e internacionais para onde convergem os fluxos migratórios e onde as lacerações da emigração deixam suas conseqüências em quem emigra, em quem fica e no percurso histórico de ambos. Alguns desafios emergiram dos estudos e da pluralidade da partilha realizada.

A Congregação atualmente marca presença efetiva e eficaz entre diversas categorias de migrantes e refugiados. Entre estes se encontram aqueles que venceram o desafio da migração, e também, homens e mulheres, jovens e crianças vítimas de exploração, com os rostos e a história marcados pela dura realidade do empobrecimento e das lutas pela sobrevivência. Apesar da abrangência, da longa experiência e da multiplicidade de respostas das Irmãs e dos leigos/as missionários/as scalabrinianos/as, hoje a realidade da mobilidade humana se apresenta desafiadora e exige respostas expressivas. Entre os principais desafios, destacamos: a evangelização; a espiritualidade scalabriniana, encarnada e partilhada; uma visão global da pessoa do migrante e a defesa dos seus direitos; o protagonismo dos migrantes; a complexidade da realidade da mobilidade humana e suas tendências; e, finalmente, o trabalho em rede e as parcerias.

5.1. Evangelização

O primeiro desafio que a vocação missionária scalabriniana, radicada no Batismo e no Carisma exige, é o reconhecimento do chamado a testemunhar o amor com que o Pai ama os migrantes. Este é um serviço em que se comprometem todos aqueles que se envolvem com a Missão, no contexto da mobilidade humana.

A evangelização emerge como prioridade nas ações das Irmãs MSCS, em diferentes realidades, nacionais e internacionais. Trata-se de uma tríplice necessidade presente em todos os países onde marcam presença: aquela de ser e estar onde o migrante vive, trabalha, celebra e sofre, construindo com ele a história da salvação, bem como aquela de continuar colocando incessantemente gestos, palavras e até programas de sensibilização para que toda a Igreja, das pequenas comunidades até a sua hierarquia, assuma a missão entre os migrantes e refugiados, e a necessidade de organizar, animar e promover atividades e percursos operativos incisivos no contexto eclesial, bem como naquele educativo-cultural ou social mais amplo. Junto a esta preocupação, a partilha e o estudo do III Seminário apontaram a uma atenção especial na missão para que em toda ação, presença ou planejamento, a eclesialidade esteja presente na relação e na interação das comunidades onde marcamos presença.

Deixando-se evangelizar pela presença fecunda e a partilha de um caminho comum com os migrantes, as Irmãs Missionárias Scalabrinianas integram em sua ação pastoral a interculturalidade, o caminho ecumênico e o diálogo inter-religioso, a educação permanente da fé com uma catequese própria e adaptada às condições e exigências da realidade migratória e a integração do migrante na comunidade local. O migrante que viveu a acolhida é chamado mais do que nunca, como a comunidade primitiva, a ser agente evangelizador no seu mundo de relações, trabalho e vida. Em diálogo e em colaboração com todas as vocações e instâncias de uma comunidade cristã, ele é chamado a viver plenamente a sua vocação missionária e a participar de uma ação pastoral e promocional qualificada, voltada a outros migrantes e não-migrantes, aberta, acolhedora e criativa, capaz de globalidade e continuidade, ao mesmo tempo flexível porque adaptada à mobilidade das migrações, e sólida, porque representa o amor e a universalidade da comunidade Igreja viva que o acolhe e da qual faz parte, sendo cidadão e nunca estrangeiro, mesmo se imigrante.



5.2. Espiritualidade scalabriniana

A missionariedade, que perpassa todos os aspectos pessoais, comunitários e institucionais do Carisma Scalabriniano, comporta uma espiritualidade específica. Esta deve ser compreendida, interiorizada e encarnada no contexto em que as Irmãs Missionárias Scalabrinianas são chamadas e enviadas, e continuamente, revitalizada na fonte da Palavra de Deus, da Igreja e da Congregação. Consequentemente, a espiritualidade vivida com e entre os migrantes, vai se configurando e revelando como a especificidade da Irmã MSCS na Igreja.

Fazendo memória e escutando com olhos, mentes e corações abertos aos apelos e às indicações de valores e de percursos provenientes das “estações de Milão” de hoje, scalabrinianas e scalabrinianos são capazes de criatividade na busca de respostas alternativas e inteligentes aos apelos novos e velhos da mobilidade humana. Unem mística e missão em uma síntese nunca acabada, assumem com coragem e ousadia novas perspectivas pessoais, institucionais e missionárias, marcando a especificidade carismática scalabriniana como sinal e profecia na Igreja. Nos passos do Fundador, o bem-aventurado João Batista Scalabrini, dos co-Fundadores e de tantas co-Irmãs que nos precederam, as Irmãs MSCS, formandas e leigos vivem a própria fé e esperança, contemplando e trabalhando nas vias da mobilidade humana, nelas comprometendo a vida como dom de amor, e delas recebendo vida e inspiração para continuar e ampliar o caminho, para os outros, para a própria comunidade e para si. Na comunidade, de fato, a espiritualidade missionária é alimento, se faz gestos e linguagem, se traduz em compromisso ad intra e ad extra.

5.3. Formação

A experiência missionária scalabriniana e a precariedade que marca os caminhos das migrações indicam repetidamente que a formação, em diferentes níveis e para os mais diferentes interlocutores, foi e permanece sendo um dos principais espaços que ainda reserva oportunidades promissoras de vida e proteção para os migrantes, bem como o protagonismo destes, durante o percurso migratório e na realidade de chegada. Acreditar na formação é abrir terreno amplo para que os aspectos pessoais, culturais, sociais e até profissionais sofridos e, muitas vezes, feridos pelos movimentos geográficos, sociais e psico-antropológicos do migrante, tomem progressivamente nome, consciência e fisionomia. E deste modo o migrante poderá percorrer as etapas da identificação e reformulação para começar ou poder continuar os processos de integração nos diferentes níveis, e assim valorizar a própria bagagem, investindo em estratégias de construção de seu próprio futuro e para o bem da sociedade de chegada.

A formação é também ocasião e possibilidade para que os interlocutores do migrante que o encontram em seu caminho, passem de ameaça ou risco que normalmente são para o migrante, a ser sua família e seu futuro, gerando ocasiões e espaços de relação, serviço e até de encontro. À mobilidade do fenômeno migratório deve corresponder, através da formação e da capacitação, a flexibilidade produtiva e fecunda de processos novos gerenciados na perspectiva de uma visão positiva e integradora dos processos culturais, político-econômicos e sociais da sociedade pluralista. O tema da formação no contexto da mobilidade humana faz referência a níveis e atividades, programas e objetivos diversificados, todos simplesmente tocados, como atores ou como expectadores, por momentos ou expressões do fenômeno em si mesmo, que a formação pretende conhecer, interpretar e contribuir para encontrar formas e estratégias de gerenciamento de suas dinâmicas e conseqüências. Junto a esta riqueza que a formação pode determinar, existem alguns anseios e preocupações fundamentais que interpelam às missionárias e missionários scalabrinianas/os, tais como: a identificação e concretização de programas de proteção às famílias migrantes; a invenção de respostas aptas e ações preventivas às exigências da segunda geração de migrantes; a organização dos próprios migrantes e, sobretudo, a identificação e o apoio religioso, profissional e político-social de lideranças, entre os migrantes.

As modalidades e as características da formação no contexto migratório são as mais variadas, desde modelos formais e informais de educação intercultural e sensibilização até a possibilidade de estudos acadêmicos, que incluem a formação humana e espiritual, própria da transmissão da herança carismática, a formação de agentes de pastoral e a capacitação à autonomia, ao protagonismo e à auto-sustentação dos migrantes.



5.4. Visão global da pessoa do migrante e defesa dos direitos

A necessidade de incidir nos processos conjunturais e nas instâncias institucionais eclesiais e civis, as quais estabelecem leis, estratégias e políticas que atingem os migrantes, requer aprofundamento e transmissão de uma visão global da pessoa do migrante e da defesa de seus direitos. Em particular, diante das atrozes formas de exploração e violação da dignidade de crianças, mulheres e homens em migração, espontânea ou forçada, o conhecimento e a sensibilização sobre os direitos humanos e a mobilidade, com abrangência não só nacional, mas regional e internacional, coloca o exercício da missão scalabriniana nos pontos chaves onde um alto número de jovens e até crianças trilham caminhos de exploração e morte.

Desde seus primeiros passos, as instituições e as atividades nascidas pelo impulso do Carisma Scalabriniano quiseram incidir, proteger, salvar a vida e a dignidade do migrante ameaçado pela corrupção, engano e injustiça. Uma visão ampla, enriquecida por uma abordagem em múltiplas perspectivas, na interação e colaboração entre saberes e funções, finalidades e competências diferentes, favorece o encontro com o migrante através do olhar e dos sentimentos inspirados pela sabedoria e o amor do Carisma que Deus suscitou na Igreja como sinal e expressão de sua presença no caminho dos migrantes e refugiados. Neste sentido, o drama que o tráfico de seres humanos e de migrantes representa hoje no vasto campo da mobilidade, se apresenta como espaço e grito que chega à Igreja como o silencioso clamor da hemoroíssa ou a dor do povo mantido como escravo no Egito.

Diante da realidade do tráfico de seres humanos, do trabalho escravo e degradante, da violência, do abuso, do engano perpetrado por parte de governos e organizações criminosas e da discriminação dos migrantes, a fidelidade dinâmica ao Carisma Scalabriniano urge respostas audaciosas, bem articuladas e de longo alcance porque a defesa da vida, dos direitos humanos, da dignidade e a possibilidade de uma história de vida a ser conquistada nas vias da migração se tornam anúncio de que Deus caminha com seu povo migrante, não o abandona e renova a promessa de paz, vida e salvação. Ver e interpretar nesta perspectiva a realidade dos direitos resgatados é celebrar a missionariedade na lógica da ressurreição, não sem antes ter assumido, junto ao migrante, a cruz, a paixão e a morte.



5.5. Protagonismo do migrante

No compromisso de manter vivo, na Congregação, o processo de inculturação e atualização constante de suas expressões na linha das exigências atuais e da diversidade cultural, o processo de reestruturação que a Congregação está realizando tem, no protagonismo do migrante, uma referência estável e continuada. Na compreensão e na busca de integração desta certeza nos planos de ação, assim como, nas atividades imediatas e contingentes do esforço de construção de comunidades nos lugares de chegada, as Irmãs MSCS e os leigos missionários scalabrinianos alimentam uma mentalidade positiva na construção do conceito da migração, capaz de superar os preconceitos, fobias e estereótipos que denigram e impedem de alcançar a meta no caminho dos migrantes.

O protagonismo do migrante se configura de modos diversos, segundo as condições do pluralismo próprio do fenômeno migratório. Este pode se apresentar como atenção à questão de gênero, à auto-organização dos migrantes, à criação de espaços e atividades coerentes com as exigências próprias dos subgrupos como os jovens ou grupos étnicos específicos, às lideranças divergentes ou, até mesmo, à gestão de conflitos através de estratégias novas. O contexto, o momento e a situação humana, social e cultural do grupo, entre outras variáveis, determinam a forma ou o tempo mais propício para o desenvolvimento e para a expressão deste protagonismo. É necessário o reconhecimento efetivo de suas possibilidades no interior do grupo e, sobretudo, entre os animadores, instituições e inclusive entre companheiros de caminho e missão. Trata-se da confiança e do respeito que os migrantes, por mais crítica que sejam as condições em que se encontrem, como sujeitos de sua própria história, merecem receber estima, reconhecimento e respeito de todo interlocutor, atento ao fato de que é na relação sincera e interlocutória, sem presunções nem preconceitos, que o protagonismo tende a assumir o nome de responsabilidade, colaboração ou mesmo gratuidade e encontro. Para as Irmãs Missionárias Scalabrinianas, o protagonismo do migrante se torna relação, convivência e partilha recíproca de dons pessoais, culturais e espirituais.

5.6. Complexidade da realidade da mobilidade humana

O protagonismo do migrante e a integração do tema dos direitos humanos dos migrantes, como atenção permanente e em forma abrangente na reflexão e na ação da Congregação, são somente alguns dos indicadores da complexidade da realidade da mobilidade humana com a qual as Irmãs e leigos precisam e querem se confrontar positivamente. Portanto, se trata de uma atitude de abertura para aprender e receber luz e orientações da leitura sapiente e interdisciplinar da realidade na qual vivem e com a qual podem estar em interlocução profícua. Às dimensões e macro-características do fenômeno migratório hoje, esperam-se e almejam-se respostas audaciosas, abrangentes e profundas.

A incidência política, jurídica, social, cultural e eclesial no contexto atual, exige igual profundidade de conhecimento e análise da situação, das suas causas e conseqüências, além de uma reflexão profunda sobre as implicações que as relações entre estes diferentes termos comportam neste campo. A estas exigências, se deve acrescentar a necessidade de continuar a investir na ação e no planejamento prospectivo, incrementado por ações e estratégias criativas, propositivas e coerentes com todos os interlocutores e sujeitos da missão. A complexidade exige maturidade, mas contém em si, paradoxalmente, também formas ambíguas de fragilidade e emergência. Estas convivem, como é o caso das questões ligadas às remessas dos migrantes, à reunificação familiar ou às problemáticas ligadas à legislação.

A realidade complexa pode esconder contradições, mas, sobretudo, inclui diferenças que convivem ou até se necessitam reciprocamente para subsistir, tais como o enriquecimento pela migração e o empobrecimento dos migrantes, o bem-estar em alguns aspectos e a fragmentação destrutiva em outros. A abrangência e a profundidade de estudo, reflexão e planejamento que a realidade do fenômeno migratório pede, exprime também abertura e capacidade de escuta, espera e práxis. Não são as respostas imediatas que servem para enfrontar o problema e nem para encontram soluções, mas a busca contínua e a disponibilidade de renovar progressivamente o esforço da flexibilidade para sempre questionar, confrontar, tentar, avaliar e criar, sem presumir receitas definitivas.



5.7. Trabalho em rede e parcerias

A fisionomia do fenômeno contemporâneo da mobilidade humana está, mais do que nunca, marcado pela fragmentação, vastidão e pluralismo, considerando a circulação da comunicação que vive um momento sem precedentes na história. As estratégias a serem adotadas na organização e nas metas a serem alcançadas não podem prescindir do trabalho em rede e de parcerias. É uma exigência de ampliação dos canais de reflexão conjunta sobre migrações e direitos humanos, sobre as causas e as conseqüências, sobre projetos comuns a serem articulados e todas as ações que possam convergir esforços, idéias e competências para obter, nas realidades locais, assim como no contexto internacional, políticas migratórias e legislações mais justas. Do mesmo modo, é necessário introduzir os temas afins à mobilidade humana, em circuitos mais amplos, para que a globalização possa estar a serviço da difusão e promoção da solidariedade, desempenhar um serviço à esta causa, e possa concorrer para maior efetividade na incidência e fortalecimento no alcance dos resultados esperados. Em particular, as parcerias podem se revelar estratégias importantes para facilitar as ações e fortalecer a eficácia do trabalho, favorecendo o acesso e a ocupação de espaços estratégicos.

Redes e parcerias são articulações possíveis que envolvem a Congregação, instituições de ensino, igreja local, os Leigos Missionários Scalabrinianos, organizações governamentais e não governamentais, instituições eclesiais e outros. Estas articulações podem ser realizadas em diferentes modalidades que as migrações e os projetos mesmos sugerem ou estabelecem: o diálogo, a colaboração recíproca, a complementaridade, o uso dos meios de comunicação social, entre outras.

Para a Congregação, o desafio do trabalho em rede é também uma ocasião para organizar sua força em capacidades e recursos humanos, profissionais e institucionais, na busca de modalidades novas para uma sinergia congregacional, para a articulação em rede dos saberes e de recursos, em vista da missão. Neste sentido, a articulação favorece a criação e a utilização de canais de partilha, no sentido de somar forças; de canais de convergência, no sentido de disponibilizar as próprias riquezas e oportunidades para maior eficiência na ação; e, canais para potenciar escolhas e acesso a espaços estratégicos, voltados à causa do migrante.



5.8. Outras respostas

A inserção no campo específico da missionariedade scalabriniana com a convivência, a proximidade e a participação nos percursos dos migrantes, sugere estratégias e indicações de aspectos concretos na preparação e na realização da missão, tais como:



  • O trabalho em equipe e a colaboração, vivenciando o profetismo e a mística scalabriniana na ação e na vida comunitária;

  • O potencial e a força da feminilidade e dos percursos migratórios das Irmãs na compreensão e interpretação do Carisma hoje, em sua atuação na Igreja e na sociedade;

  • A comunidade como espaço de missão, no sentido da comunhão;

  • A utilização dos meios de comunicação social, visando alcançar os objetivos da pastoral das migrações;

  • O compromisso congregacional na articulação e na busca de recursos humanos e econômicos;

  • O compromisso de vocacionalizar nossa missão, marcando todas as atividades e programas com o testemunho da consagração religiosa missionária scalabriniana, envolvendo cada vez mais jovens na solidariedade e na evangelização dos migrantes;

  • A vivência da espiritualidade própria, aprofundada e alimentada, valorizando estudos e competências presentes na Congregação;

Em vistas do caminho pós-Seminário, evidenciou-se a importância de efetivar a articulação de uma rede congregacional. Sugeriu-se que fossem levantados critérios e modalidades no sentido de estabelecer uma rede capaz de:

a) articular saberes e estratégias;

b) coordenar e buscar a convergência de esforços e experiências;

c) disponibilizar recursos profissionais, espirituais e institucionais; somando assim, forças com as redes já existentes, articulando e potencializando as instâncias internacionais que a Congregação dispõe.



Esta organização pode ser espaço e agente para que outras alternativas emersas durante o III Seminário Congregacional da Pastoral das Migrações possam, progressivamente, acontecer, tais como: a estruturação de possibilidade efetiva para a realização de experiências missionárias para os Leigos Missionários Scalabrinianos junto às comunidades das Irmãs MSCS; a realização de um mapeamento de nossas missões; o fortalecimento do trabalho integrado em nível congregacional; o planejamento estratégico e o apoio recíproco para a presença efetiva com os migrantes.




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