Documentário francês “a morte Lenta pelo Amianto” vence VII festival Internacional de Cinema Ambiental (fica) de 2005



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Encontro04.08.2016
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Documentário francês “A Morte Lenta pelo Amianto” vence VII Festival Internacional de Cinema Ambiental (FICA) de 2005




O documentário francês de média metragem “A Morte Lenta pelo Amianto" (Asbesto, a Slow Death) de Sylvie Deleule, venceu o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA) realizado em Goiás Velho (GO) entre os dias 31 de maio e 5 de junho de 2005.

O documentário, que traça um histórico da luta contra a utilização do mineral cancerígeno em vários países, incluindo o Brasil, recebeu o Troféu Cora Coralina de Melhor Filme.

De acordo com Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho e líder do movimento pelo banimento do amianto no Brasil, “o prêmio representa um divisor de águas nessa luta em nosso país, pois a vitória deu-se no próprio campo político da discussão”. Isso porque o Estado de Goiás, onde está situada a maior mina de amianto do Brasil e da América Latina, pertencente à Eternit (e gerenciada pela SAMA), é um dos poucos rincões em todo o mundo a apoiar o uso do produto, conhecido como “fibra do diabo”.

Para ela, o prêmio é uma chance de reacender o debate no Brasil, já que o projeto de lei que visa o banimento do amianto está com a tramitação paralisada há nove anos, devido ao forte lobby político-econômico, e o Governo Federal continua sem posição definida sobre o assunto.

O documentário foi apresentado ao público na quarta-feira (1/6/2005) e ao júri na sexta-feira (3/6/2005), às 19h, em meio a fortes pressões contrárias vindas do lobby do amianto, representado pelo deputado federal Ronaldo Caiado (PFL-GO). No documentário de Sylvie Deleule, Caiado reconhece ter recebido dinheiro da indústria para sua campanha eleitoral. Fortes vaias do público acompanharam o depoimento do deputado no filme, que ao final foi aplaudido de pé pelos presentes.

Sylvie Deleule, Ronaldo Caiado e o presidente do júri do VII FICA que não cedeu às pressões do Deputado Caiado

Ao receber o prêmio, no sábado, diante de mais de 800 pessoas, a diretora francesa Sylvie Deleule, muito emocionada, disse esperar que o filme tivesse uma “longa vida” e que ajudasse na luta contra o nefasto mineral, que tantas vidas vem ceifando em todo o mundo ao longo do tempo. Emocionada, agradeceu o apoio recebido por Fernanda Giannasi para a elaboração do material brasileiro, e reafirmou a importância de, pela primeira vez, um filme sobre o amianto ter participado do festival, apesar das pressões contrárias. O governador goiano Marconi Perillo (PSDB) não compareceu à entrega do prêmio.

Fernanda Giannasi, fundadora da Rede Virtual-Cidadã para o Banimento do Amianto na América Latina, e que foi a Goiás para acompanhar a cineasta Sylvie Deleule, disse que esta conseguiu fazer um retrato fidedigno da situação brasileira e atingir o cerne da questão. “Sua experiência com a longa história da luta contra o amianto na França deu-lhe condições de avaliar o problema também em nosso país e acredito que obteve a melhor dimensão entre todos os trabalhos realizados com o objetivo de sensibilizar as pessoas para as condições de vida dos trabalhadores expostos aos efeitos do mineral”.

“A Morte Lenta pelo Amianto” recebeu um prêmio de R$ 50 mil e foi um dos 835 filmes inscritos no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Desse total, 31 foram selecionados para a mostra e 11 foram os finalistas.



Martha Corazza e Vilma Pavani


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