Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17



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OUTRAS FORMAS DE CISTOS FOLICULARES DA PELE e DO TECIDO SUBCUTÂNEO, RELACIONADAS COM O TRABALHO: “ELAIOCONIOSE” ou “DERMATITE FOLICULAR”

CÓDIGO CID-10: L72.8




I - DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO

A “elaioconiose folicular” ou “dermatite folicular” ou “acne” ou “foliculite” por óleos pesados do petróleo ou óleos de origem mineral consiste de numerosas pápulas foliculares e pústulas que ocorrem nas áreas de exposição mais extensas, como os antebraços e as coxas.


O mecanismo de ação dos óleos de corte e outras gorduras começa pela irritação do óstio folicular, seguida da obstrução do mesmo. Os mesmos agentes (óleos e gorduras minerais) podem causar outros quadros clínicos como dermatite de contato irritativa e alérgica.





II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

As descrições clássicas da acne por óleos e graxas referem-se a trabalhadores de oficinas mecânicas de reparação de automóveis e outros veículos e da indústria metalúrgica que utilizam “óleos de corte”. Com a difusão e adoção dos cuidados de higiene pessoal e limpeza das roupas, a incidência da doença tem diminuído.


O diagnóstico da “dermatite folicular” em trabalhadores expostos permite enquadrá-la no Grupo I da Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado causa necessária.





III – QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

A acne por óleos e gorduras caracteriza-se por comedões e pápulas foliculares e pústulas, usualmente localizadas nas mãos e antebraços, podendo estender-se para a região abdominal, coxas e outras áreas cobertas, se a roupa em contato com a pele está suja de óleo. A presença de pontos negros nos óstios foliculares sugere o diagnóstico.


As lesões podem ser classificadas em superficiais e profundas. As lesões superficiais acometem a epiderme superficial, sendo também conhecida como “elaioconiose folicular”. As lesões profundas acometem a derme e o tecido subcutâneo, sendo denominada de “furunculose ocupacional”.
Podem ocorrer três formas clínicas de “elaioconiose”: forma papulosa; forma pustulosa e forma mista. As formas puras são muito raras, sendo mais freqüentes as formas mistas. Também podem coexistir a “elaioconiose” e lesões furunculóides.

O diagnóstico baseia-se na morfologia e localização das lesões e na história de exposição ocupacional a óleos e graxas de origem mineral ou sintéticos.







IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

A primeira medida terapêutica é eliminação da exposição, evitando-se, também, o uso de roupas impregnadas. Podem ser empregados retinóides topicamente e, se houver infecção, a tetraciclina ou eritromicina. Nos casos resistentes, a isotretinoína via oral está indicada.








V – PREVENÇÃO

A prevenção dos Cistos foliculares da pele e do tecido subcutâneo relacionados com o trabalho baseia-se na vigilância dos ambientes e condições de trabalho e da vigilância dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na Introdução deste capítulo. Entre as facilidades para os cuidados de higiene pessoal a serem garantidos aos traballhadores estão:



  • garantia de acesso fácil a água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;

  • utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;

  • disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Não utilizar solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele;

  • uso de creme hidratante nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;

  • uso de roupas protetoras para bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e

  • o vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas as medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.






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