Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17



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IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

O tratamento é centrado na eliminação da exposição ao agente causador, havendo melhora do quadro. Em alguns casos ocorre extravasamento de melanina para a epiderme com incontinência pigmentar, podendo haver hiperpigmentação permanente.








V – PREVENÇÃO

A prevenção das Melanodermias baseia-se na vigilância dos ambientes e condições de trabalho e da vigilância dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na Introdução deste capítulo.


As medidas de controle ambiental devem estar direcionadas à eliminação ou redução da exposição às substâncias químicas citadas no item II, através de:

  • enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;

  • uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria;

  • adoção de normas de higiene e segurança rigorosas com sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes;

  • monitoramento ambiental sistemático;

  • umidificação dos processos em que haja produção de poeira, como a de madeira;

  • mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição;

  • limpeza dos locais de trabalho e garantia de facilidades para higiene pessoal dos trabalhadores;

  • fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado de conservação, nos casos indicados, de modo complementar às medidas de proteção coletiva.

A exposição a radiação solar deve ser limitada. O trabalhadores fortemente expostos à luz solar devem utilizar vestuário adequado, limpo, arejado, de tecido apropriado às condições climáticas (temperatura e umidade) primária, incluindo chapéus, de forma a proteger o rosto e a pele do corpo da exposição em ambientes externos.


Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios. Os Limites de Tolerância para exposição a algumas substâncias potencialmente causadoras de melanodermia, no ar ambiente, para jornadas de até 48 horas semanais, podem ser consultados na Norma Regulamentadora Nº. 15 (Portaria MTb Nº 12/83). Esses limites devem ser comparados com aqueles adotados por outros países e revisados periodicamente à luz do conhecimento e evidências atualizadas, observando-se que mesmo quando estritamente obedecidos, não impedem o surgimento de danos para a saúde.

O exame médico periódico objetiva a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica, que inclui exame dermatológico cuidadoso e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e orientação dos trabalhadores.


Feito o diagnóstico e confirmada a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:

  • informação aos trabalhadores;

  • exame dos expostos visando identificar outros casos;

  • notificação do caso ao sistema de informação em saúde;

  • caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT, conforme descrito no Capítulo 5; e

  • orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.






VI – OBSERVAÇÕES ADICIONAIS E LEITURAS RECOMENDADAS

ADAMS, R.M. (Ed.) - Occupational Skin Disease. 2nd. ed. Philadelphia, Saunders, 1990. 706 p


ALI, S.A. - Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p
ALI, S.A - Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office, 1998. 4 v.
LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds.) - Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease.4rd ed. New York, Little, Brown and Co., 2000.
SAMPAIO, S.A.P. & RIVITTI, E.A. - Dermatologia. São Paulo, Artes Médicas, 1998. p.267-83.
SAMPAIO, S.A.P. & RIVITTI, E.A. - Dermatologia. São Paulo, Artes Médicas, 1998. p.991-8.



LEUCODERMIA, NÃO CLASSIFICADA EM OUTRA PARTE, RELACIONADA COM O TRABALHO (INCLUI “VITILIGO OCUPACIONAL”)

CÓDIGO CID-10: L81.5




I - DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO



Leucodermia ou leucoderma designa a hipopigmentação da pele. Vitiligo é um termo impróprio e não se aplica ao quadro de despigmentação provocada em situação ocupacional, sendo reservado para a doença (leucodermia) idiopática ou adquirida, associada a distúrbios auto-imunes ou endócrinos.





II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

A leucodermia ocupacional pode ser provocada por agentes físicos e químicos. Entre os agentes físicos estão as queimaduras térmicas, as radiações ionizantes (radiodermite ou necrose induzida pelo raio-X) e o trauma repetido sobre a pele, que pode levar à hipo ou despigmentação.


Entre os agentes químicos destacam-se os alquilfenóis (fenóis e catecóis), que podem irritar ou despigmentar as áreas da pele diretamente expostas, e o monobenzileter de hidroquinona (MBEH) – antioxidante utilizado na indústria da borracha sintética - e a hidroquinona (HQ) per se, utilizada na indústria de pinturas, plásticos e inseticidas. Têm sido descritos casos em trabalhadores expostos a outros alquilfenóis, tais como o para-terciário-butil fenol (TBP) e o para-terciário-aminofenol (TBA) e ao arsênio e seus compostos. Os agentes causadores de dermatite de contato irritativa ou alérgica podem induzir uma leucodermia temporária ou de longa duração.
O vitiligo afeta cerca de 1% da população geral e em 30% dos casos há ocorrência familiar. Casos comprovados de leucodermia ocupacional são relativamente mais raros, mas podem ocorrer epidemicamente em determinados grupos de trabalhadores expostos.
O diagnóstico de leucodermia relacionada com o trabalho, em trabalhadores expostos, deve ser enquadrado no Grupo I da Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado como causa necessária.





III – QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

Clinicamente, a leucodermia quimicamente induzida é indistinguível do vitiligo. Geralmente, as mãos, punhos e antebraços são as regiões mais atingidas, podendo as lesões apresentarem simetria. A despigmentação também pode aparecer em áreas que não estão em contato direto com os agentes, como por exemplo, nas axilas, genitais e ombros. Não estão descritas alterações da pigmentação dos cabelos da cabeça e da cor dos olhos. É freqüente o antecedente ou a presença simultânea de dermatite de contato.


A etiologia ocupacional é definida pela história de exposição a agentes e fatores produtores de leucodermia e pela observação das atividades desenvolvidas pelo trabalhador, como a forma que utiliza as mãos no trabalho, por exemplo, e a presença de mais casos ou surtos epidêmicos na mesma seção ou local de trabalho.
O patch-test pode indicar hipersensibilidade alérgica adquirida, simultânea à ação despigmentante.




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