Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17


Bibliografia consultada e leituras complementares recomendadas



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17.2 Bibliografia consultada e leituras complementares recomendadas

ADAMS, R.M. (Ed.) – Occupational Skin Disease. 2nd. Ed. Philadelphia, Saunders, 1990. 706 p.


ALI, S.A. - Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p.
ALI, S.A - Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
BUSCHINELLI, J. T. P. ; ROCHA, L.E. & RIGOTTO, R. M. (Orgs.) – Isto é Trabalho de Gente? Vida, Doença e Trabalho no Brasil . são Paulo. Vozes, 1993.

FREEDBERG, I. M. et al (Eds) - FITZPATRICK’S Dermatology in General Medicine, 5th ed. New York, McGraw-Hill, 1999.


ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office, 1998. 4 v.
LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds.) - Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease. 3rd ed. New York, Little, Brown and Co., 1995. 772 p.
SAMPAIO, S.A.P. & RIVITTI, E.A. – Dermatologia. São Paulo, Artes Médicas, 1998.

16.3 Lista de Doenças da Pele e Tecido Cutâneo Relacionadas com o Trabalho segundo a Portaria MS/ Nº. 1.339/GM de 18 de novembro de 1999





  1. Dermatoses Pápulo-Pustulosas e suas Complicações Infecciosas Relacionadas com o Trabalho (L08.9)

  2. Dermatites Alérgicas de Contato Relacionadas com o Trabalho (L23.-)

  3. Dermatites de Contato por Irritantes Relacionadas com o Trabalho (L24.-)

  4. Urticária Relacionada com o Trabalho (L50.-)

  5. Queimadura Solar Relacionada com o Trabalho (L55.-)

  6. Outras Alterações Agudas da Pele devidas à Radiação Ultravioleta Relacionadas com o Trabalho (L56.-): Dermatite por Fotocontato (L56.2); Urticária Solar (L56.3); Outras Alterações Especificadas (L56.8); Outras Alterações Não Especificadas (L56.9)

  7. Alterações da Pele devidas à Exposição Crônica à Radiação Não-Ionizante, Relacionadas com o Trabalho (L57.-): Ceratose Actínica (L57.0); Dermatite Solar, “Pele do Agricultor”, “Pele do Marinheiro” (L57.8)

  8. Radiodermatite: Aguda, Crônica e Não Especificada Relacionada com o Trabalho (L58.-)

  9. Outras Formas de Acne Relacionadas com o Trabalho: “Cloracne” (L70.8)

  10. Outras Formas de Cistos Foliculares da Pele e do Tecido Subcutâneo, Relacionadas com o Trabalho:“Elaioconiose Folicular” ou “Dermatite Folicular” (L72.8)

  11. Outras Formas de Hiperpigmentação pela Melanina: “Melanodermia” Relacionada com o Trabalho (L81.4)

  12. Leucodermia, Não Classificada em Outra Parte, Relacionada com o Trabalho (inclui “Vitiligo Ocupacional”) (L81.5)

  13. Porfiria Cutânea Tardia Relacionada com o Trabalho (E.80.1/L81.8))

  14. Ceratose Adquirida (Ceratodermia) Palmar e Plantar Relacionadas com o Trabalho (L85.1)

  15. Úlcera Crônica da Pele Relacionada com o Trabalho (L98.4)

  16. Geladuras (Frostbite) Relacionadas com o Trabalho (T33-T35)




DERMATOSES PÁPULO-PUSTULOSAS E SUAS COMPLICAÇÕES INFECCIOSAS, RELACIONADAS COM O TRABALHO

CÓDIGO CID-10: L08.9




I - DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO

Consideram-se Dermatoses pápulo-pustulosas e suas complicações, relacionadas com o trabalho, a “família” das infecções secundárias que ocorrem a partir de pequenas lacerações ou abrasões da pele, do uso de solventes ou sabões redutores da barreira cutânea, de queimaduras, de dermatites de contato ou fototóxicas, de cloracne ou acne por óleos e gorduras minerais. Geralmente, a doença primária ou primitiva e/ou as condições facilitadoras ou desencadeadoras da mesma é que são relacionadas com o trabalho.

As infecções secundárias mais comuns são causadas principalmente por bactérias, Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, e fungos como Candida albicans. Diferentemente das infecções primárias, as infecções bacterianas secundárias freqüentemente mostram, na cultura, uma mistura de organismos.





II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

As infecções secundárias são muito freqüentes nas lesões de pele e sua epidemiologia superpõe-se à das lesões primitivas decorrentes da exposição aos fatores de risco de origem física ou química, que serão melhor analisados em outras seções.


Em algumas ocupações, as infecções secundárias destacam-se pela natureza do processo subjacente e/ou pelo risco de transmissão a terceiros, como no caso de trabalhadores em cozinha, balconistas de bar, os trabalhadores de lavanderias e saunas, situações nas quais a doença também pode ter significado epidemiológico de interesse para a saúde pública.
Trabalhadores em oficinas mecânicas, que manipulam graxas e óleos minerais, desenvolvem, freqüentemente, dermatite de contato por óleos ou quadros de acne e foliculite, que servem de substrato ou favorecem o desenvolvimento de infecções secundárias. A limpeza com sabões abrasivos ou com solventes fortes também pode facilitar a infecção secundária.
Más condições de higiene pessoal, traumatismos repetidos, ferimentos de origem ocupacional podem constituir fatores desencadeantes ou agravantes. Entre os agentes patogênicos e/ou fatores de risco de natureza ocupacional relacionados na Portaria N º. 1.339 de 18/11/99 estão:

  • cromo e seus compostos tóxicos: as soluções de ácido crômico, cromo hexavalente (CrVI), usadas nos processos de cromeação, nas galvanoplastias, são muito agressoras para a pele;

  • hidrocarbonetos alifáticos ou aromáticos: o contato com solventes orgânicos, como hidrocarbonetos alifáticos ou aromáticos, halogenados, cetonas, éteres, ésteres, álcoois, etc, em forma de misturas ou pura é sempre irritante e pode levar a lesão de pele;

  • microorganismos e parasitas infecciosos vivos e seus produtos tóxicos; e

  • outros agentes químicos ou biológicos que afetem a pele, não considerados em outras rubricas.


III – QUADRO CLÍNICO DIAGNÓSTICO

As dermatoses pápulo-pustulosas são caracterizadas pela presença de pápulas, que são elevações sólidas de até 1cm, e pústulas, que são lesões superficiais elevadas contendo pus, resultantes de infecção ou da evolução sero-purulenta de vesículas ou bolhas.


A distribuição anatômica das lesões segue a das lesões primárias e está relacionada à exposição ocupacional. A aparência das lesões bacterianas e/ou micóticas secundárias não é característica, ao contrário das infecções primárias causadas por estes organismos, dependendo intrinsecamente da natureza da lesão primitiva sobre a qual se instalou.
Em geral as infecções bacterianas secundárias podem aparecer como pápulas crostosas (impetigo); pápulas perifoliculares e pústulas (foliculite) e lesões profundas, com a forma de nódulos eritematosos ou placas com ou sem raias linfangíticas (linfangite). As lesões secundárias por fungos aparecem, geralmente, como placas anulares com o centro claro e as bordas eritematosas, elevadas e escamosas.
O diagnóstico é eminentemente clínico. Em alguns casos é necessária a realização de exames bacterioscópicos/micológicos diretos ou culturas para a identificação do agente causal. A natureza ocupacional é estabelecida pela combinação de:

  • análise da profissão e do “gesto profissional”;

  • história da doença atual;

  • presença e características da doença secundária (infecção secundária bacteriana e/ou micótica); e

  • evidências da presença de lesões primitivas e/ou condições facilitadoras, de origem ocupacional.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras entidades que levem a quadros de lesões pápulo-pustulosas, porém não relacionados ao trabalho, como o impetigo e foliculites.







IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

É importante identificar e tratar a patologia primária. Podem ser utilizados agentes anti-infecciosos, tópicos ou sistêmicos dependendo da extensão e gravidade da lesão, limpeza e debridamento e medicação sintomática para alívio de sintomas como prurido, dor, queimação.







V – PREVENÇÃO

Baseia-se nos procedimentos de Vigilância da Saúde descritos na Introdução deste Capítulo, direcionados para a dermatose primária. Entre as facilidades para os cuidados de higiene pessoal a serem providas aos trabalhadores estão:



  • existência e acesso fácil a água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;

  • utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;

  • disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Não utilizar solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele;

  • uso de creme hidratante nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;

  • uso de roupas protetoras para bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e

  • o vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas as medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.

A eliminação ou redução da exposição aos fatores de risco de natureza ocupacional a concentrações próximas de zero ou sua manutenção dentro dos limites considerados “seguros” pode ser conseguida através de medidas de controle ambiental, que incluem:



  • enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;

  • uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria ou, prover as máquinas e equipamentos de anteparos para evitar que respingos de óleos de corte atinjam a pele dos trabalhadores;

  • adoção de normas de higiene e segurança rigorosas com sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes; monitoramento sistemático das concentrações de fumos, névoas e poeiras no ar ambiente;

  • mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição;

  • fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado de conservação, nos casos indicados, de modo complementar com as medidas de proteção coletiva.

Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios. Os Limites de Tolerância para exposição a algumas substâncias no ar ambiente, para jornadas de até 48 horas semanais, podem ser consultados na Norma Regulamentadora Nº. 15 (Portaria MTb Nº 12/83).


O exame médico periódico visa a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e orientação do trabalhador. Para algumas das substâncias químicas envolvidas na gênese das dermatoses de base, deve ser feito monitoramento biológico.
Feito o diagnóstico e confirmada a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:

  • informação aos trabalhadores;

  • exame dos expostos visando identificar outros casos;

  • notificação do caso ao sistema de informação em saúde;

  • caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT, conforme descrito no Capítulo 5; e

  • orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.






VI – OBSERVAÇÕES ADICIONAIS E LEITURAS RECOMENDADAS

ADAMS, R.M. (Ed.) – Occupational Skin Disease. 2nd. Ed. Philadelphia, Saunders, 1990. 706 p.


ALI, S.A. – Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p.
ALI, S.A – Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
FREEDBERG, I. M. et al (Eds) - FITZPATRICK’S Dermatology in General Medicine, 5th ed. New York, McGraw-Hill, 1999-
ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office. 1998. 4 v.
LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds. – Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease. 4rd ed., New York, Little, Brown and Company, 2000..
SAMPAIO, S.A.P. & RIVITTI, E.A. – Dermatologia. São Paulo, Artes Médicas, 1998. p. 435-52.
THESTRUP-PEDERSEN, K. - Bacteria and the skin: clinical practice and therapy update. British Journal of Dermatology, 139(Supl.53):1-40, 1998.




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