Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17



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DERMATITES DE CONTATO POR IRRITANTES RELACIONADAS COM O TRABALHO

CÓDIGO CID-10: L24. -




I – DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO



Dermatites de contato, também conhecidas por “eczema”, são a inflamações agudas ou crônicas da pele, caracterizadas clinicamente por eritema, edema, vesiculação, na fase aguda, acompanhadas, freqüentemente por prurido intenso, e nas formas crônicas, por espessamento da epiderme (liquenificação), com descamação e fissuras, produzidas por substâncias químicas que, em contato com a pele, causam irritação ou reações alérgicas. Se o contato com a pele - único ou repetido - produzir efeitos tóxicos imediatos ou tardios de irritação local, elas serão rotuladas Dermatites de contato por irritantes.
Ao contrário das dermatites de contato alérgicas, não é necessária a sensibilização prévia. A fisiopatologia das dermatites de contato por irritantes não requer a intervenção de mecanismos imunológicos. Assim, pode aparecer em todos os trabalhadores expostos ao contato com substâncias irritantes, dependendo da sua concentração e do tempo de exposição.





II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

As dermatites de contato são as dermatoses ocupacionais mais freqüentes. Estima-se que juntas, as dermatites alérgicas de contato e as dermatites de contato por irritantes, respondam por cerca de 90% dos casos de dermatoses ocupacionais. As dermatites de contato por irritantes são mais freqüentes que as dermatites alérgicas. Estudos epidemiológicos realizados em distintos países mostram taxas de incidência entre 2 a 6 casos em cada dez mil trabalhadores/ano, o que significa que as dermatites de contato irritativas são, provavelmente, as doenças profissionais mais freqüentes.


Entre os agentes causais destacam-se os ácidos e álcalis fortes que, dependendo da concentração e do tempo de exposição, também produzem queimaduras químicas e sabões e detergentes.
As dermatites de contato por irritantes, relacionadas com o trabalho, devem ser enquadradas no Grupo I da Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado causa necessária.
O quadro apresentado a seguir mostra as principais dermatites de contato por irritantes e seus respectivos agentes.



DOENÇA



AGENTES

Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Detergentes (L24.0)




  • Detergentes, em exposição ocupacional.

Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Óleos e Gorduras (L24.1)


Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Solventes (L24.2)






  • Benzeno

  • Hidrocarbonetos aromáticos ou alifáticos ou seus derivados halogenados tóxicos

  • Outros solventes ou misturas de solventes especificados

Obs: todo contato com solventes orgânicos, hidrocarbonetos alifáticos ou aromáticos ou halogenados, cetonas, éteres, ésteres, álcoois, em forma de misturas ou pura é agressivo para a pele.

Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Cosméticos (L24.3)







  • Cosméticos, em exposição ocupacional.

Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Drogas em Contato com a Pele (L24.4)







  • Drogas, em exposição ocupacional.

Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Outros Produtos Químicos (L24.5)






  • Arsênio e seus compostos arsenicais

  • Berílio e seus compostos tóxicos

  • Bromo

  • Cromo e seus compostos tóxicos

  • Flúor ou seus compostos tóxicos

  • Fósforo



Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Alimentos em Contato com a Pele (L24.6)






  • Alimentos, em exposição ocupacional.

Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Plantas, Exceto Alimentos (L24.7)






  • Plantas, em exposição ocupacional.

Dermatite de Contato por Irritantes Devida a Outros Agentes Químicos (L24.8)






  • Agentes químicos, não especificados em outras rubricas, mas aqui sim, em exposição ocupacional




III – QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

O quadro clínico varia de acordo com o irritante, podendo aparecer sob a forma de dermatites indistingüíveis das dermatites de contato alérgicas agudas, até ulcerações vermelhas profundas, nas queimaduras químicas.


A dermatite irritativa cumulativa é mais freqüente que a "aguda" ou "acidental". Agressões repetidas, por irritantes de baixo grau ocorrem ao longo do tempo. Nestes casos, a secura da pele e o aparecimento de fissuras são, freqüentemente os primeiros sinais, que evoluem para eritema, descamação, pápulas, vesículas e espessamento gradual da pele.
As dermatites de contato irritativas podem ser facilmente diagnosticadas pela história clínica-ocupacional, e com freqüência ocorrem como "acidentes".
Os testes epicutâneos ou patch test não estão indicados para o diagnóstico de dermatites irritativas. Eventualmente, as mesmas substâncias irritativas, mas em concentrações muito mais baixas, poderão ser testadas para fins de esclarecimento etiológico da dermatite de contato alérgicas.
O diagnóstico diferencial deve ser feito com os quadros de dermatites de contato alérgica, psoríase, herpes simples e herpes zoster, reações idiopáticas vesiculares pela presença do Trichophyton nos pés (micides), eczema numular, e reações cutâneas a drogas, entre outras doenças.





IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

O tratamento é feito com cuidados higiênicos locais para prevenir a infecção secundária e uso sintomático de anti-histamínicos. Cremes de corticóides também podem ser usados (Ver Tratamento das Dermatites Alérgicas de Contato).







V– PREVENÇÃO

Baseia-se na Vigilância da Saúde dos trabalhadores descrita na Introdução deste Capítulo. Entre as facilidades e cuidados para higiene pessoal a serem providos aos trabalhadores estão:



  • existência e acesso fácil a água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados. Chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;

  • utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;

  • disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Não utilizar solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele;

  • uso de creme hidratante nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;

  • uso de roupas protetoras para bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e

  • o vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas as medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.

A eliminação ou redução da exposição aos fatores de risco de natureza ocupacional a concentrações próximas de zero ou dentro dos limites considerados “seguros’ pode ser conseguida através de medidas de controle ambiental, que incluem:



  • enclausuramento de processos e isolamento de setores de trabalho;

  • uso de sistemas hermeticamente fechados, na indústria ou, prover as máquinas e equipamentos de anteparos para evitar que respingos de óleos de corte atinjam a pele dos trabalhadores;

  • adoção de normas de higiene e segurança rigorosas com sistemas de ventilação exaustora adequados e eficientes;

  • monitoramento ambiental sistemático;

  • mudanças na organização do trabalho que permitam diminuir o número de trabalhadores expostos e o tempo de exposição;

  • fornecimento, pelo empregador, de equipamentos de proteção individual adequados, em bom estado de conservação, nos casos indicados, de modo complementar com as medidas de proteção coletiva.

Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios. Os Limites de Tolerância para exposição a algumas substâncias potencialmente causadoras de dermatites de contato, no ar ambiente, para jornadas de até 48 horas semanais, podem ser consultados na Norma Regulamentadora Nº. 15 (Portaria MTb Nº 12/83). Esses limites devem ser comparados com aqueles adotados por outros países e revisados periodicamente à luz do conhecimento e evidências atualizadas, observando-se que mesmo quando estritamente obedecidos, não impedem o surgimento de danos para a saúde.

O exame médico periódico visa a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica, que inclui exame dermatológico cuidadoso e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e a orientação do trabalhador.
Feito o diagnóstico e confirmada a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:


  • informação aos trabalhadores;

  • exame dos expostos visando identificar outros casos;

  • notificação do caso ao sistema de informação em saúde;

  • caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT, conforme descrito no Capítulo 5; e

  • orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.







VI – OBSERVAÇÕES ADICIONAIS E LEITURAS RECOMENDADAS

ADAMS, R.M. (Ed.) – Occupational Skin Disease. 2nd. ed. Philadelphia, Saunders, 1990. 706 p


ALI, S.A. – Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p
ALI, S.A – Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office, 1998. 4 v.

LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds.) - Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease.4rd ed. New York, Little, Brown and Co., 2000.


SAMPAIO, S.A.P. & RIVITTI, E.A. - Dermatologia. São Paulo, Artes Médicas, 1998. (Cap.16, p.133-65 - Erupções Eczematosas) e (Cap.95, p.991-8 - Dermatoses Ocupacionais).




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