Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17



Baixar 398.14 Kb.
Página5/16
Encontro29.07.2016
Tamanho398.14 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   16




URTICÁRIA RELACIONADA COM O TRABALHO

CÓDIGO CID-10: L50. -




I – DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO



Urticária é a erupção caracterizada pelo aparecimento de urticas, que são pápulas edematosas, de contorno irregular, duração efêmera e extremamente pruriginosas. As pápulas podem confluir formando extensas placas. A lesão é uma reação alérgica que ocorre em conseqüência da liberação de histamina dos mastócitos localizados em torno dos vasos da derme, em resposta à presença de um agente químico ou físico, como inalante ou por contato.
Urticária de contato é o termo utilizado genericamente para designar a dermatose causada por agentes não traumáticos e que se desenvolve pelo contato direto destes com a pele íntegra, podendo ser alérgica ou não. A urticária alérgica ou de contato é um quadro de hipersensibilidade individual e sua prevalência é difícil de determinar. A urticária devida ao calor é muito rara.




II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

A identificação do agente causal pode ser extremamente difícil, principalmente nos casos crônicos em que até 70% são de origem obscura, podendo ser devidos à exposição ocupacional.


A urticária relacionada com o trabalho pode ser enquadrada nos Grupos I ou III da Classificação de Schilling. O trabalho pode desempenhar o papel de causa necessária, em trabalhadores “normais” (Grupo I), ou atuar como desencadeador ou agravante, em trabalhadores hipersensíveis ou alérgicos aos mesmos agentes químicos ou físicos (Grupo III).
O quadro apresentado a seguir mostra os principais tipos de urticária e seus respectivos agentes.



DOENÇAS



AGENTES

Urticária Alérgica (L50.0)






  • Exposição ocupacional a agrotóxicos e outros produtos químicos especificados



Urticária Devida a Frio e a Calor (L50.2)







  • Exposição ocupacional ao frio e ao calor

Urticária de Contato (L50.6)




Exposição ocupacional a agentes químicos, físicos e biológicos, especificados, que afetam a pele





III – QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

As urticas podem variar de milímetros a centímetros ou formar placas extensas. Pode ocorrer um esmaecimento central nas lesões e formação de contornos circulares, arcados ou serpiginosos. Existe um forma grave denominada edema angioneurótico ou edema de Quincke ou urticária gigante que acomete mais freqüentemente extremidades, pálpebras, lábios, língua e laringe, podendo ser letal se não tratado precocemente.


A urticária devido ao calor e ao frio caracteriza-se por aparecimento de urticas alguns minutos após a aplicação direta de objeto quente ou aquecimento do ambiente ou por exposição ao frio.
O aspecto papular, o prurido e a duração fulgaz das lesões permitem facilmente definir o diagnóstico de urticária. Os casos de urticária devida ao calor e ao frio podem ser confirmados colocando-se um tubo de ensaio com água aquecida (38º-42º C) ou gelo, respectivamente, sobre pele, aparecendo as urticas em alguns minutos.





IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

A terapia depende da gravidade do quadro. Alguns casos podem ser controlados pelo uso de anti-histamínicos, em outros há necessidade de associar corticóides. Nos casos graves que cursam com edema de laringe e da glote, broncoespasmo, náuseas, vômitos e hipotensão está indicada a administração de adrenalina por via subcutânea ou, mesmo intravenosa.







V – PREVENÇÃO

A prevenção “Urticária relacionada com o trabalho” baseia-se na vigilância dos ambientes e condições de trabalho e da vigilância dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na Introdução deste capítulo.


O controle ambiental dos fatores de risco envolvidos na determinação da doença pode reduzir sua incidência nos grupos ocupacionais de risco, através da eliminação ou redução da exposição, ou controle, como nos casos secundários à exposição ao calor e ao frio. Para alguns grupos de trabalhadores pode ser recomendável a utilização de cremes repelentes de insetos.
A manipulação, preparo e aplicação de agrotóxicos deve ser feita por pessoas treinadas, observando as normas de segurança, de cuidados especiais com os equipamentos de aplicação e o uso de roupas protetoras. Deve-se buscar substituir os produtos por outros com menor grau de toxicidade. A produção, transporte, uso, comércio, aplicação, disposição de embalagens (lixo tóxico) de agrotóxicos deve obedecer as normas estabelecidas na Lei Federal N 7.802/89 e os regulamentos específicos dos estados e municípios. Observar também o disposto nas Normas Regulamentadoras Rurais, Portaria MTb N. 3.067/1988.
Entre os cuidados e facilidades para higiene pessoal a serem garantidos aos trabalhadores estão:

  • existência e acesso fácil a água corrente, quente e fria, em abundância, com chuveiros, torneiras, toalhas, e agentes de limpeza apropriados;

  • chuveiros de emergência devem estar disponíveis em ambientes onde são utilizadas substâncias químicas corrosivas. Podem ser necessários banhos por mais de uma vez por turno e troca do vestuário em caso de respingos e contato direto com essas substâncias;

  • utilização de sabões ou sabonetes neutros ou mais leves possíveis;

  • disponibilidade de limpadores/toalhas de mão para limpeza sem água para óleos, graxas e sujeiras aderentes. Não utilizar solventes, como querosene, gasolina, thinner, para limpeza da pele;

  • uso de creme hidratante nas mãos, especialmente se é necessário lavá-las com freqüência;

  • uso de roupas protetoras para bloquear o contato da substância com a pele. Os uniformes e aventais devem estar limpos e serem lavados e trocados diariamente. A roupa deve ser escolhida de acordo com o local da pele que necessita de proteção e com o tipo de substância química envolvida e incluem: luvas de diferentes comprimentos, sapatos e botas, aventais e macacões, de materiais diversos: plástico, borracha natural ou sintética, fibra de vidro, metal e combinação de materiais. Capacetes, bonés, gorros, óculos de segurança e proteção respiratória também podem ser necessários; e

  • o vestuário contaminado deve ser lavado na própria empresa, com os cuidados apropriados. Em caso de contratação de empresa especializada para esta lavagem, devem ser tomadas as medidas de proteção adequadas ao tipo de substância também para esses trabalhadores.

Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios. Os Limites de Tolerância para exposição a algumas substâncias no ar ambiente, para jornadas de até 48 horas semanais, podem ser consultados na Norma Regulamentadora Nº. 15 (Portaria MTb Nº 12/83). Entretanto, esses limites devem ser comparados com aqueles adotados por outros países e revisados periodicamente à luz do conhecimento e evidências atualizadas, observando-se que mesmo quando estritamente obedecidos, não impedem o surgimento de danos para a saúde.


O exame médico periódico visa a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica, que inclui exame dermatológico cuidadoso e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e orientação do trabalhador.
Feito o diagnóstico e confirmada a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:

  • informação aos trabalhadores;

  • exame dos expostos visando identificar outros casos;

  • notificação do caso ao sistema de informação em saúde;

  • caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT, conforme descrito no Capítulo 5; e

  • orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.







VI – OBSERVAÇÕES ADICIONAIS E LEITURAS RECOMENDADAS

ADAMS, R.M. (Ed.) - Occupational Skin Disease. 2nd. ed. Philadelphia, Saunders, 1990. 706 p.


ALI, S.A. - Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p.
ALI, S.A - Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office, 1998. 4 v.

LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds.) – Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease.4rd ed. New York, Little, Brown and Co., 2000.


LEAL, C.H. S.& IGUTI, A.M. - Urticária: uma revisão dos aspectos clínicos e ocupacionais. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, 25(95/96):77-100, 1999.




Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   16


©principo.org 2019
enviar mensagem

    Página principal