Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17



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I – DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO



As Fotodermatoses, também denominadas fotodermatites ou lúcites compreendem um grande número de reações anormais da pele causadas pela luz ultravioleta ou pelo espectro visível da luz. Dois quadros polares são os mais importantes: fototoxicidade e fotoalergia.
As reações fototóxicas (fototoxicidade) resultam da reatividade quimicamente induzida à luz ultravioleta e ou à radiação, em bases não imunológicas. As reações fototóxicas, pelo que se conhece até o momento, ocorrem dentro de uma lógica do tipo "dose-resposta", sendo a intensidade da reação proporcional à concentração da substância química e à quantidade de radiação, em determinado comprimento de onda





II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

No conceito amplo de "fotodermatose" devem ser considerados como "exposição ocupacional", a presença de dois fatores ou "agentes":



  • substância química indutora de fotodermatose (fototoxicidade ou fotoalergia); e

  • luz solar ou a fontes artificiais de radiação ultravioleta, observada em ocupações onde ocorre exposição excessiva à luz solar. Como exemplo, esrão os trabalhadores da agricultura, da pesca ou de postos de trabalho a "céu aberto".

Entre as substâncias passíveis de causar reações fototóxicas, destacam-se:



  • os hidrocarbonetos derivados do petróleo (acridina, antraceno, alcatrão, creosoto) que também podem causar a melanodermia;

  • os furocumarínicos;

  • alguns corantes; e

  • drogas e medicamentos (sulfonamidas, fenotiazidas, sulfonilureas, tetraciclinas e tiazidas). Muitas plantas podem produzir fitofotodermatoses.

Entre as substâncias fotosensibilizantes que causam reações fotoalérgicas, destacam-se:



  • as drogas e medicamentos (salicilanilidas halogenadas e compostos relacionados, sulfanilamidas, fenotiazinas);

  • fragrâncias de perfumes;

  • filtros ou protetores solares;

  • plantas da família das Compositae; e

  • cromo (provavelmente em sua transformação de hexavalente para trivalente) e líquens. As exposições a drogas e medicamentos de natureza ocupacional ocorrem entre os trabalhadores que as produzem, manipulam ou aplicam.

As fotodermatoses – tóxicas ou alérgicas – relacionadas com o trabalho devem ser enquadradas no Grupo I da Classificação de Schilling, sendo considerado o trabalho como causa necessária.







III – QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

As reações fototóxicas manifestam-se por uma sensação imediata de queimadura, eritema, edema e urticas. A sensação de queimadura é mais pronunciada que aquelas observadas nas queimaduras solares comuns, mas é aliviada na sombra. Eritema retardado e edema podem aparecer após algumas horas até um a dois dias depois da exposição. Nas reações mais graves, podem aparecer bolhas. Uma hiperpigmentação localizada pode ser notada depois da reação e, em alguns casos, pode ser a única manifestação. A intensidade da doença dependerá da quantidade da radiação, do tipo de pele, do local da exposição e da concentração da substância.


As lesões das reações fototóxicas são confinadas a áreas da pele expostas à luz, tipicamente em uma ou mais áreas da face, ponta das orelhas, no "V" do decote no pescoço, região da nuca, superfícies extensoras dos antebraços, e dorso das mãos. A presença em outras áreas dependerá da vestimenta do trabalhador.
As reações fotoalérgicas são, usualmente, caracterizadas por lesões eczematosas, ocorrendo eritema, edema, infiltração, vesiculação e, nos casos mais intensos, bolhas. As lesões podem estender-se para além das áreas expostas, recrudescendo nas áreas previamente cobertas. Pode ser observada uma dermatite leve disseminada. Na medida em que a dermatite diminui, as alterações pigmentares e o espessamento da pele podem tornar-se proeminentes. Alguns pacientes reagem a quantidades extraordinariamente pequenas de energia luminosa. Os comprometimentos de onda responsáveis pela fotoalergia situam-se na faixa de ondas longas do ultravioleta (UVA).
Uma complicação grave da fotoalergia é o desenvolvimento de uma reação persistente à luz. A doença é caracterizada por uma extrema fotossensibilidade que persiste apesar da remoção de todo o contato com o fotoalergeno. Pode ocorrer uma ampliação do espectro de ação da luz, que faz com que pequenas exposições a radiação ultravioleta desencadeiem a fotossensibilidade.
A urticária solar, como já dito, é caracterizada pelo aparecimento de urticas em áreas expostas, após exposição à luz solar (ver Urticária Relacionada ao Trabalho).
As reações fotoalérgicas (fotoalergia) distinguem-se das reações fototóxicas pela natureza imunológica da resposta, que ocorre, unicamente, em indivíduos que foram previamente sensibilizados por exposição simultânea a substâncias fotossensibilizadoras e à radiação adequada. A fotoalergia parece envolver processos biológicos semelhantes a aqueles da dermatite de contato alérgica, exceto pela radiação ultravioleta, na conversão do hapteno em alergeno completo.
O diagnóstico das fotodermatoses é, freqüentemente, sugerido pela distribuição e pelo caráter das lesões da pele. Os quadros de fotoalergia requerem para confirmação uma investigação mais completa que inclua o photopatch test (fototeste), que deve ser executado por especialista (dermatologista) familiarizado com a técnica.




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