Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17



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IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

A medida mais importante é a proteção contra a exposição à substância desencadeante ou sensibilizante e à luz solar. Na fototoxicidade deve ser feita, na fase eritematosa, limpeza local e aplicação de cremes ou loções de corticóide. Na fase de pigmentação a conduta é expectante pois em duas a três semanas ocorre descamação e habitualmente não há seqüelas.

Na fotoalergia, além da proibição da exposição a qualquer tipo de radiação luminosa, está indicada a corticoidoterapia sistêmica. O não reconhecimento da fotoalergia pode tornar o trabalhador um reator persistente à luz.


Na urticária solar podem ser utilizados anti-histamínicos e corticóides sistêmicos, dependendo da gravidade.





V – PREVENÇÃO

A prevenção das fotodermatoses é feita pela limitação da exposição às substâncias químicas indutoras de fotodermatose (fototoxicidade ou fotoalergia) através de:



  • medidas de controle ambiental;

  • uso de equipamentos de proteção individual; e

  • limitação da exposição ocupacional a luz solar ou a fontes artificiais de radiação ultravioleta;

  • uso de fotoprotetores pode ser benéfico.

Devem ser observadas as medidas gerais de prevenção descritas na Introdução deste Capítulo. Para os trabalhadores fortemente expostos à luz solar recomenda-se a utilização de vestuário adequado, limpo, arejado, de tecido apropriado às condições climáticas (temperatura e umidade) primária, incluindo chapéus, de forma a proteger o rosto e a pele do corpo da exposição em ambientes externos.


Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios.
O exame médico periódico visa a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica, que inclui exame dermatológico cuidadoso e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e orientação do trabalhador.
Feito o diagnóstico e confirmada a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:

  • informação aos trabalhadores;

  • exame dos expostos visando identificar outros casos;

  • notificação do caso ao sistema de informação em saúde;

  • caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT, conforme descrito no Capítulo 5; e

  • orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.






VI – OBSERVAÇÕES ADICIONAIS E LEITURAS RECOMENDADAS

ADAMS, R.M. (Ed.) – Occupational Skin Disease. 2nd. ed. Philadelphia, Saunders, 1990. 706 p.


ALI, S.A. - Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p.
ALI, S.A – Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
EMMETT, E.A. - Evaluation of the photosensitive patient. Dermatologic Clinics, 4:195-202, 1986.
ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office, 1998. 4 v.

LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds.) - Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease.4rd ed. New York, Little, Brown and Co., 2000.






ALTERAÇÕES DA PELE DEVIDAS A EXPOSIÇÃO CRÔNICA A RADIAÇÃO NÃO-IONIZANTE RELACIONADAS COM O TRABALHO

CÓDIGO CID-10: L57. -



CERATOSE ACTÍNICA (L57.0)

DERMATITE SOLAR, “PELE DO AGRICULTOR”, PELE DO MARINHEIRO (L57.8)



I - DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO



Radiações não-ionizantes englobam as radiações emitidas por raios infravermelho, laser, por microondas e pela luz ultravioleta. No caso dos campos eletromagnéticos de baixa ou muito baixa freqüência, não há energia suficiente para que determinem alterações na pele.





II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

A exposição a longo prazo à radiação ultravioleta - mais comumente a da luz solar - é comum em trabalhadores que exercem sua atividade ao “ar livre”, como os agricultores, na construção civil, marinheiros, pescadores, entre outros e apresentam um envelhecimento precoce da pele, estigma destas profissões.


As alterações de pele decorrentes dessa exposição podem ser enquadradas no Grupo II da Classificação de Schilling, no qual as condições e ambientes de trabalho desempenham um papel aditivo aos outros fatores de risco não ocupacionais (por exemplo, exposições solares não ocupacionais). É o caso, também, de soldadores a arco voltaico e outros profissionais expostos artificialmente à luz ultravioleta.
A radiação infravermelha pode ser encontrada, com muita freqüência, em atividades onde existem fontes de calor radiante, como as fundições de metais, na siderurgia; fundições de vidro, caldeiras, fornos, entre outras.
O laser, amplificação da luz por emissão de radiação estimulada, é um feixe de luz composto de ondas de luz paralelas com cor, comprimento de onda e freqüência únicas, em contraste com a luz convencional que é uma mistura de cores com ondas de várias freqüências. O laser é utilizado em máquinas para cortar metais e plásticos, para realização de micro-soldas, em equipamentos de comunicação de alta tecnologia, em equipamentos de análises químicas, em aparatos médico-cirúrgicos, entre outros. Os trabalhadores que manipulam estes equipamentos estão potencialmente expostos, se não protegidos adequadamente.
Os efeitos agudos e crônicos da exposição ocupacional à radiação infravermelha e ao laser, relacionados com o trabalho, podem ser enquadrados no Grupo I da Classificação de Schilling, sendo o trabalho considerado causa necessária.




III – QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

A radiação ultravioleta tem sido relacionada com alterações crônicas da pele, como câncer, ceratose actínica, ceratoacantomas, enrugamentos, telangectasias e ceratoses, que ocorrem devido a alterações da arquitetura, composição da matriz e atividade celular da epiderme e derme. O infravermelho, o laser e a luz ultravioleta emitem radiações cuja exposição pode levar a alterações da pele.


O infravermelho não penetra abaixo das camadas superficiais da pele e seu principal efeito é o aquecimento da pele e dos tecidos abaixo dela. As radiações na faixa de 0,75m a 1,5m podem causar queimaduras agudas e podem também resultar em aumento da pigmentação no local de exposição.
As lesões de pele produzidas pelo laser dependem de cada tipo (laser de dióxido de carbono, laser de argônio, etc.) e podem ser causadas por efeito térmico (fotocoagulação e fotovaporização de células e tecidos), efeito ionizante (fotoruptura de moléculas) e efeito fotoquímico (fotoablação de tecidos), podendo produzir, por exposição inadvertida, queimaduras, edema e necrose.
O risco da exposição ao laser depende do comprimento de onda, da intensidade e da duração da exposição. O poder de destruição do laser é determinado pelo seu “poder de radiação” e varia de I a IV.
O diagnóstico baseia-se na história de exposição à radiação não ionizante específica e presença de lesão de pele compatível com a exposição.





IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

Não há tratamento específico. É essencial a proteção contra a exposição à luz solar.e aos outros tipos de radiação. O uso de fotoprotetores deve ser estimulado.







V – PREVENÇÃO

A prevenção das Alterações de pele devids à exposição crônica à radiação não ionizante relacionada com o trabalho baseia-se na vigilância dos ambientes e condições de trabalho e da vigilância dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na Introdução deste capítulo.


A medida preventiva mais importante é a limitação da exposição à luz ultravioleta (luz solar principalmente) e aos demais tipos de radiação, através:

  • controle ambiental da fonte ou na trajetória da radiação não ionizante;

  • uso de equipamentos de proteção individual;

  • diminuição do tempo da exposição ou mudança nos horários de exposição a luz solar ou a fontes artificiais de radiação ultravioleta, infra vermelho, laser; e

  • uso de fotoprotetores .

Os trabalhadores fortemente expostos à luz solar devem usar vestuário adequado, limpo, arejado, de tecido apropriado às condições climáticas (temperatura e umidade) primária, incluindo chapéus, de forma a proteger o rosto e a pele do corpo da exposição em ambientes externos.


Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios
O exame médico periódico visa a identificação de sinais e sintomas para a detecção precoce da doença. Consta de avaliação clínica, que inclui exame dermatológico cuidadoso e exames complementares de acordo com a exposição ocupacional e orientação do trabalhador.
Feito o diagnóstico e confirmada a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:

  • informação aos trabalhadores;

  • exame dos expostos visando identificar outros casos;

  • notificação do caso ao sistema de informação em saúde;

  • caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT, conforme descrito no Capítulo 5; e

  • orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.

Os trabalhadores acometidos devem permanecer sob vigilância devido ao risco aumentado de aparecimento do câncer de pele.







VI – OBSERVAÇÕES ADICIONAIS E LEITURAS RECOMENDADAS

ALI, S.A. - Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p


ALI, S.A - Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office, 1998. 4 v.

LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds.) - Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease.4rd ed. New York, Little, Brown and Co., 2000.







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