Doenças Relacionadas com o Trabalho: Diagnóstico e Condutas Manual de Procedimentos para os Serviços de Saúde Ministério da Saúde – ops capítulo 17



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RADIODERMATITES RELACIONADAS COM O TRABALHO

(AGUDA, CRÔNICA NÃO-ESPECIFICADA)

CÓDIGO CID-10: L58. -




I - DEFINIÇÃO DA DOENÇA/DESCRIÇÃO

O conceito ampliado das radiodermatites inclui um espectro de reações da pele a doses excessivas de radiações ionizantes, que varia desde a produção de eritema transitório até a produção de radiodermatite crônica, tardia e irreversível, passando pela radiodermatite aguda.


O conceito restrito de radiodermatite está baseado no quadro crônico da doença, caracterizado por atrofia, telangiectasias, alterações pigmentares ou ulceração, com o antecedente de exposição maciça a radiações ionizantes.
São clássicas as descrições das manifestações cutâneas das radiações ionizantes em trabalhadores que lidam com raios X (radioterapeutas, radiologistas, técnicos de raios X) e em pacientes submetidos a radioterapia. Porém, outras situações ocupacionais expõem trabalhadores a radiações ionizantes, em baixas dosagens, cumulativas, ou a exposições maciças de natureza acidental.
Outros quadros dermatológicos como o câncer de células escamosas ou epitelioma, e as leucemias (ver Capítulo 7) e quadros sistêmicos e hematopoéticos integram a “família” de doenças descritas em expostos crônicamente às radiações ionizantes.





II – EPIDEMIOLOGIA/FATORES DE RISCO DE NATUREZA

OCUPACIONAL CONHECIDOS

Radiações ionizantes de várias naturezas podem causar lesões. Do ponto de vista ocupacional os raios-X podem causar doença em trabalhadores que os manuseiem como técnicos de Raio-X, radiologistas, e trabalhadores de Construção Civil ou Metalúrgicos que utilizam gamagrafia.


Em trabalhadores expostos a radiações ionizantes, as radiodermatites devem ser reconhecidas como “doenças relacionadas com o trabalho”, do Grupo I da Classificação de Schilling, considerado o trabalho como causa necessária.





III – QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO

De acordo com a dose de radiação e o tempo de exposição, as radiodermatites podem ser divididas em:



  • eritema por radiação: é a resposta mais comum à irradiação da pele nas doses de 300-400 cGy. É um quadro transitório que dura cerca de 24 a 72 horas, raramente até uma semana. Pode ser acompanhado de hiperpigmentação por produção excessiva de melanina. Não traz desconforto significativo para o paciente;

  • radiodermatite aguda: ocorre em exposições mais importantes, comuns na radioterapia do câncer ou em exposições ocupacionais acidentais. O eritema descrito anteriormente não regride, ao contrário, progride para reação inflamatória aguda com eritema e edema e evolui com formação de crostas e dor. A cor vermelha pode tornar-se violácea. Com a redução da inflamação e a melhoria do quadro agudo ao longo dos meses, formam-se cicatrizes hipopigmentadas. Pode ocorrer perda permanente de pelos e de glândulas sudoríparas na região afetada; e

  • radiodermatite crônica: é uma forma de dermatite que desenvolve-se lentamente, meses ou anos após a exposição a grandes doses de radiação, por aplicações radioterápicas ou exposição profissional acidental. A pele apresenta-se atrófica, aparecendo telangectasias e áreas heterogêneas de hipo e hiperpigmentação. A pele é seca e facilmente lesada, com recuperação muito lenta. Pelos, cabelos, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas estão ausentes nas áreas afetadas.

Nas áreas afetadas por radiação podem surgir tumores, geralmente carcinomas baso ou espinocelulares e, eventualmente, fibrossarcomas e melanomas.


A história de exposição ocupacional repetida ou maciça a radiação ionizante constitui um elemento essencial para o diagnóstico das radiodermatites de natureza ocupacional. A profissão pode ser auto-explicativa, e os registros de exposição documentada através da dosimetria podem ser úteis para o esclarecimento diagnóstico.





IV – TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS

A radiodermatite aguda é tratada com pasta d’água ou creme com corticóide. Uma terapêutica antiga e aparentemente eficaz é a aplicação da resina oleosa das folhas de plantas do gênero Aloe (babosa).

Na radiodermatite crônica o tratamento é expectante. A transformação carcinomatosa requer ressecção cirúrgica.







V – PREVENÇÃO


A prevenção da “Radiodermatite relacionada com o trabalho” trabalho baseia-se na vigilância dos ambientes e condições de trabalho e da vigilância dos efeitos ou danos à saúde, conforme descrito na Introdução deste capítulo. As medidas de controle ambiental incluem :

  • a limitação no tempo e no espaço da exposição às radiações ionizantes; e

  • o controle rigoroso das fontes de radiação, tanto em ambientes industriais como nos serviços de saúde;

  • utilização de Equipamentos de Proteção Individual, como aventais blindados e luvas.

Devem ser observadas as Diretrizes Básicas de Proteção Radiológica em Radiodiagnóstico Médico e Odontológico, definidas pela Portaria MS N. 453/1998:



  • os equipamentos devem ter dispositivos de segurança, anteparos de proteção e sofrer manutenção preventiva rigorosa;

  • as salas e setores devem ser dotados de sinalização, proteção e blindage;

  • os procedimentos operacionais e de segurança devem estar bem definidos, incluindo situações de acidentes e emergências;

  • o pessoal deve receber treinamento adequado e ser supervisionado; e

  • os equipamentos e fontes devem ser posicionados à maior distância possível dos trabalhadores, procurando-se diminuir o número de trabalhadores nesses setores e o tempo de exposição.

Recomenda-se a verificação do cumprimento, pelos empregadores, de medidas de controle dos fatores de riscos ocupacionais e acompanhamento da saúde dos trabalhadores prescritas na legislação trabalhista e nos regulamentos sanitários e ambientais existentes nos estados e municípios.


Aos trabalhadores expostos a radiações ionizantes deve ser garantido o monitoramento contínuo, através de:

  • dosimetria individual; e

  • realização de exames periódicos para detecção precoce de efeitos sobre a saúde, incluindo hemograma completo e contagem de plaquetas, realizados no pré-admissional e semestralmente.

Feito o diagnóstico e confirmada a relação da doença com o trabalho deve ser realizado:



  • informação aos trabalhadores;

  • exame dos expostos visando identificar outros casos;

  • notificação do caso ao sistema de informação em saúde;

  • caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social, providenciar emissão da CAT, conforme descrito no Capítulo 5; e

  • orientação ao empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou controle dos fatores de risco.







VI – OBSERVAÇÕES ADICIONAIS E LEITURAS RECOMENDADAS

ADAMS, R.M. (Ed.) - Occupational Skin Disease. 2nd. ed. Philadelphia, Saunders, 1990. 706 p.


ALI, S.A. - Dermatoses Ocupacionais. São Paulo, Fundacentro, 1994. 224 p
ALI, S.A - Dermatoses ocupacionais. In: MENDES, R. (Ed.) - Patologia do Trabalho. Rio de Janeiro, Atheneu, 1995. p.139-72.
ILO - Encyclopaedia of Occupational Health and Safety. 4th ed. Geneva, International Labour Office, 1998. 4 v.
LEVY, B.S.& WEGMAN, D.H. (Eds.) - Occupational Health – Recognizing and Preventing Work-Related Disease.4rd ed. New York, Little, Brown and Co., 2000.




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