Dois artigos publicado por Dercides Pires da Silva (Ex-Coordenador Nacional do Ministério de Pregação) Um curso ministrado por Ralf Berndt



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Apostila

Curso de Pregação

Renovação Carismática Católica
Esta Apostila foi composta por material condensado, publicado pela
Renovação carismática Católica.
Contém:

Dois artigos publicado por Dercides Pires da Silva
(Ex-Coordenador Nacional do Ministério de Pregação)

Um curso ministrado por Ralf Berndt
(Ex-Coord. Estadual do Ministério da Pregação em Santa Catarina).

Um artigo com alguns pensamento do Papa João Paulo II sobre evangelização

Edição e arte:




Indice


Tema:

Página

A HUMILDADE DO RAMO DA VIDEIRA


3

O PREGADOR

5

O CHAMADO

10

CAMINHOS DE PREGAÇÃO

12

ORIENTAÇÕES PRÁTICAS NA PREPARAÇÃO DA PREGAÇÃO

15

ONDE BUSCAR A MENSAGEM BÍBLICA

17

COMO PREGAR A MENSAGEM

19

COMO APROFUNDAR A MENSAGEM

23

A CLASSIFICAÇÃO DA MENSAGEM

24

A PREGAÇÃO NO GRUPO DE ORAÇÃO

27

PENSAMENTOS DE JOÃO PAULO II

30




ARTIGOS


A HUMILDADE DO RAMO DA VIDEIRA


Irmãos pregadores, Deus os abençoe. Essa é a primeira palavra que gostaria de dirigir a todos vocês que compõem o ministério de pregação. A segunda é de agradecimento, esperança e hu-mildade.

Agradecimento pelo que todos têm feito em prol do anúncio da Boa Nova em todo o Brasil. Desde os maiores centros urbanos até as menores cidades e vilarejos que bordam de cores vivas o imenso território brasileiro. Agradecimento também pelo empenho de todos no sentido de buscar, cada dia mais, uma formação que combine uma boa técnica com uma perfeita docilidade ao Espí-rito Santo, a fim de conseguir uma metodologia condizente com a pregação cristã.


A esperança é a virtude das pessoas que enxergam o futuro com os olhos de Deus. Estas pessoas não são vencidas pelas perseguições, pelo cansaço, pela rotina, pelo medo, nem por outra dificuldade qualquer. Seu hino preferido é aquele que o Espírito do Senhor fez o Apóstolo entoar há quase dois mil anos: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada? Realmente, está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro (Sl 43,23). Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude daquele que nos amou. Pois estou persuadido de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principa-dos, nem o presente, nem o futuro, nem as potestades, nem as alturas, nem os abismos, nem outra qualquer criatura nos poderá apartar do amor que Deus nos testemunha em Cristo Jesus, nosso Senhor. (Rm 8,35-39)".


Meu coração se enche de esperança quando vejo jovens pregadores buscando seriamente a formação. Mas ele realmente transborda de borbulhante alegria expectante quando conto entre os jovens pregadores inúmeros veteranos, que se fossem pesados pela balança do mundo deve-riam se sentir mestres. Porém, ao invés de se sentirem prontos e acabados, sentem-se humildes aprendizes em busca de aperfeiçoamento constante. Olho para eles, jovens e veteranos, juntos na mesma sala de formação, um crescendo com o outro, e penso: realmente, existe uma espe-rança.


Agora a humildade. Ah!... A velha, boa, necessária e difícil humildade! Como precisamos dela!!! E como ela parece querer fugir de nós pregadores! Precisamos dela para reconhecer com o velho e sábio Eclesiastes: "Vaidade das vaidades, (...), vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. (Ecl 1,2)." De que vale conquistar espaços, honrarias, fama, dinheiro? Tudo é vaidade, poeira diante da marcha inexorável do tempo. Nada mais que vaidade. Alegremo-nos pelos nossos nomes estarem "escritos nos céus (Lc 10,20)”. Se temos algum direito a recompensa, que seja esta: "os céus". Afinal, se ouvirmos bem, escutaremos: "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força (2Cor 12,9)".


Precisamos da humildade para nos debruçar sobre as mesas de estudo a fim de esquadrinharmos os livros espirituais e a Sagrada Escritura. Ela também será a companheira inseparável daqueles que se apresentam nos encontros de formação. É igualmente ela que nos incentiva a nos ajoelharmos meia hora, uma hora, duas horas ou mais, diariamente, em oração pessoal, aos pés do Mestre, Senhor, Messias e nosso Deus. Sim, irmãos, sem humildade, até mesmo a fé e o amor, dons magníficos para quem deseja adorar o Pai, o Filho e o Espírito Santo, pouco nos ajudarão na prática da regra de vida mais elementar para os pregadores, que é a oração pessoal diária. Aliás, sem humildade o amor fica inseguro e a fé incerta.


Se para todos os cristãos a humildade é uma regra de vida, para os cristãos pregadores ela é, além disso, uma exigência que se impõe pela própria natureza do nosso ministério. A humildade do pregador deve ser qualificada. Deve ser sempre buscada e jamais pode ser tida por conquis-tada, sob pena de esvair-se mais depressa do que pensamentos pueris. Seu modelo é o da videira. Melhor: do ramo da videira. O ramo da videira sabe que por melhor que sejam seus frutos será sempre podado. Por isso sempre está preparado para a poda. Mesmo assim não deixa de produzir o melhor que pode, apesar da poda iminente. Sua missão é produzir o melhor. Ele sabe que só terá uma chance para produzir um bom fruto, e o faz da melhor forma possível. Em seguida vem a poda.

Gosto de pensar na humildade do pregador como uma espécie de "espiritualidade" reserva. O bom pregador é aquele que jamais aspira a ser o "bom", a ser o artilheiro do time, a ser o dono da posição. Sua missão é estar continuamente à disposição da equipe. Se for acionado, assumirá a posição e fará o melhor que puder, sem ambição de vir a ser o titular. Com tal "espiritualidade" não sofreríamos ante os reveses da "carreira" de pregador.

Como se vê, irmãos, a humildade deve fazer parte do patrimônio pessoal de todo pregador e como tal deve ser buscada por nós. Oremos, portanto, pedindo a Jesus que, "sendo exteriormen-te reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz (Fl 2,8)," nos cumule de toda humildade que nos é necessária para servimos no ministério da pregação.


Até breve. Muito obrigado. Deus os abençoe.
________________________
Dercides Pires da Silva

Ex-Coordenador Nacional do Ministério de Pregação




CURSO DE PREGAÇÃO
TEMA 1


O PREGADOR

Vamos conversar sobre pregação. Pregação é uma graça. Como tudo que a gente tem na vida é graça. Então, a primeira coisa: se você está aqui, se você veio para cá, se você soube do curso e se interessou a vir, isso é um sinal muito positivo. É importante no início diferenciarmos o ato de pregar do ministério de pregar. Não é a mesma coisa. Ato de pregar é uma coisa e o ministério de pregação é outra coisa. Todo cristão é chamado a pregar o Evangelho. Claro que nem todo cristão é chamado a pregar da mesma forma. Tem alguns que pregam escrevendo, tem outros que pregam cantando, tem outros que pregam pregando, tem outros que pregam escutando, há outros que pregam aconselhando.

Na realidade todos nós somos chamados a pregar o Evangelho, a evangelizar. Porém, nem todas as pessoas são chamadas a ter o ministério de pregação. Isto não quer dizer que os pregadores sejam pessoas fantásticas e maravilhosas. Isto quer dizer que, como tudo na Igreja, é uma ques-tão de chamado. O ato de pregar é uma pessoa que pega o microfone ou mesmo sem microfone diante de um público específico e leva uma mensagem para aquele público. Isto é o que a gente chama de um ato de pregar, um momento de pregação. Porém, o ministério de pregação, que é o caso aqui, é diferente do ato de pregar.

Eu posso ser chamado a orar por alguém, pela cura daquela pessoa e não ter o ministério de cura. Como é que eu sei que uma pessoa tem o ministério de cura? Pelos sinais. Qual é o sinal que acompanha uma pessoa que tem o ministério de cura? A cura. Um ministro de cura todas as vezes que ele ora, Deus age. Nem sempre Deus age como esperamos que Ele aja, mas Ele age. A mesma coisa é com a pregação. Quem tem o ministério de pregação, Deus age. Nem sempre é como a pessoa espera, mas Ele age.

Como é que eu sei que Deus me chama a ter não apenas atos de pregação, mas me chama ao ministério de pregação? É quando a minha alma e o meu coração fervem, é quando eu tenho o desejo, a vontade de levar a palavra de Deus pregando.

Outro dia me perguntaram: como é que você sabe que a pessoa tem o ministério de pregação? É quando ela ama pregar, ela deseja pregar, para ela pregar não é um sacrifício, ela tem o maior prazer de pregar. Isso não quer dizer que ela não tenha dificuldades. Às vezes é difícil para você ir pregar, o horário não ajuda, é complicado conciliar a família, etc. Mas quem tem o ministério de pregação ama pregar, como quem tem o ministério de ensino ama ensinar. O que a pessoa que tem o ministério de música mais gosta de fazer? Cantar ou tocar. Você deve desconfiar se para você pregar é um ato extremamente doloroso. É natural que no início seja um ato extrema-mente nervoso, você tem medo, fica com dor de barriga. Mas é diferente você estar nervoso de você estar apavorado. A pessoa que tem um chamado, claro que não se pode definir apenas por isso, mas normalmente quem tem um chamado para pregar ama pregar.

E mesmo alguém que ainda está no início do ministério sonha em pregar. Tanto é verdade que, por exemplo, a maioria de vocês, eu acredito que quase 100%, veio para cá com o maior prazer do mundo. Vir ao ministério de pregação para quem é chamado é um prazer, não é pesado. É verdade que às vezes há um dia ou outro mais difícil, mas você gosta de estar aqui, você gosta de fazer os exercícios quando tem, você gosta de participar das atividades de pregação, você fica feliz quando lhe escolhem para ir pregar em algum lugar, você procura ajuda, você pesquisa. Se você tem esses sinais, talvez seja o sinal que Deus esteja lhe dando de que realmente Ele quer lhe investir na pregação.

COMO DESCOBRIR SE TENHO O MINISTÉRIO DE PREGAÇÃO

O primeiro ponto que a gente precisa diferenciar é que só deve estar aqui quem tem um chamado para ser ministeriado na pregação. E aí você pergunta: e como é que a gente sabe? Pelos frutos. Como é que eu sei que Deus me chama ao ministério de pregação? Pelos frutos. Dois tipos de frutos. Pelos frutos na minha vida e pelos frutos na vida das pessoas para quem eu prego. Eu não conto às vezes em que eu vou pregar e quem mais precisa ouvir sou eu. E quem sai melhor sou eu depois da pregação. Às vezes você está ruim, talvez não tenha feito a sua oração pessoal, até está em pecado grave e você vai pregar. Mesmo assim Deus faz. Por que? Porque Deus é sempre fiel. Nós é que não somos tão fiéis. Aliás, se só déssemos frutos quando estivéssemos merecedo-res, nós nunca daríamos, porque nunca estamos merecedores. Não pense que se você está rezando todo dia, está muito bem na oração, fazendo estudo bíblico, partilhando a sua comunhão de bens, é assinante da Shalom Maná, não pense que Deus vai lhe abençoar mais do que se você não estivesse. A gente não compra Deus. Deus não se deixa vender. Eu devo fazer tudo isso como sinal do meu amor a Ele, mas não para comprá-lo. É aquela história: “Meu Deus, chegou o final do mês e eu vou pregar no dia primeiro. Vou devolver minha comunhão de bens hoje, porque amanhã eu vou pregar”. Não funciona assim.

Agora, sem dúvida, uma pessoa que está bem com Deus é mais ungida. Deus a usa com mais generosidade. Você se torna um canal mais limpo, como um cano onde passa água. Se o cano estiver cheio de pedra, a água consegue passar? Consegue, com dificuldade, porque a água passa por todo canto. A água passa por qualquer lugarzinho, mas passa com dificuldade. Quando o cano está sem pedra, a água não passa muito mais facilmente? É essa a imagem dos pregadores. Nós somos canos enferrujados por onde passa a água límpida de Deus. E às vezes canos enferrujados e com muitas pedras. Mas mesmo assim Deus é capaz de nos usar.

É A UNÇÃO DE DEUS QUE TOCA OS CORAÇÕES

Eu tive uma experiência muito linda. Eu estava vindo de uma missão Eu estava cansado. Depois de pregar um final de semana você fica exaurido espiritualmente. Precisa de um tempo para se recuperar. Por isso que não dá certo você pregar todo final de semana seguido. Tem que dá um tempo para se recuperar. Assim como você gasta energia física quando faz uma faxina, fica físi-camente cansado, acontece a mesma coisa a nível espiritual. Se você passar o dia todo rezando você fica cansado também, um cansaço espiritual. E eu estava assim.Tinha muitos outros encon-tros de avivamento e formação para pregar, Fui até o Santíssimo e falei para o Senhor, não agüento mais, não consigo me virar em dois, neste instante o Senhor me disse: Você não, mais eu consigo fazer você virar em Dois, e neste instante eu abri os meus olhos e vi no sacrário a minha sombra dividida em duas, o Senhor quis dizer com isso que, é preciso sofrer por amor, a última palavra o meu último suspiro tem que ser uma palavra que leve o meu irmão para o céu, não há alternativa, aí eu disse: “Senhor, você me colocou nessa encrenca, você cuide, porque você sabe que eu não estou em condição nenhuma de pregar!” Eu estou dizendo e faço questão de dizer para que vocês tirem todo o mito que se tem acerca da pregação. Porque alguns têm assim um mito, uma visão mágica, e isso não é verdade. Eu faço questão de colocar isso para que vocês percebam que Deus é quem faz, não é a gente, é Deus quem age.

No final de semana seguinte eu fui pregar um encontro de formação, fiz uma oração de dois minutinhos na capela, não tinha feito oração pessoal naquele dia, estava muito cansado, e fui pregar um encontro de formação para pregadores o Anuncia-me, mas Deus me deu uma unção tão grande que eu chegava a me tremer. Foi uma pregação maravilhosa. E o fruto, depois a comunidade toda em oração, quase que a gente não pára de rezar. Dessas orações que a gente não tem mais vontade de parar depois da pregação. E Deus fez. Na realidade nós somos canos enferrujados. E ai do pregador, e não só do pregador, ai de qualquer ministro de Deus, seja ele qual for, ministro da palavra, ministro de cura, ministro de intercessão, pastor de grupo, forma-dor comunitário, não importa. Ai daquela pessoa que está a serviço de Deus que pensa que é alguma coisa, que pensa que é um belo cano. Nós não somos belos canos. Nós somos canos enferrujados, repletos de pedras, onde raramente consegue passar água ali dentro. É muito importante que tenhamos esse conhecimento. Nós estamos aqui por graça, não é por mérito, não é porque sejamos o melhor. Não é nada disso. É pura graça, chamado de Deus.

Quando a pessoa tem o ministério de pregação, ela descobre que o tem pelos frutos nela mesma e nos irmãos. Como é que você sabe que a pregação dá frutos? É quando os irmãos são tocados, quando a vida dos irmãos é questionada. É quando eles sentem que a vida deles está mudando. É quando eles percebem que Deus falou direto ao coração deles. Muitas vezes você está pregando e as pessoas estão chorando. Já aconteceu várias vezes de eu ter essa experiência, estar pregando e as pessoas chorando da unção de Deus tocando em seus corações.

A COMUNIDADE É QUEM CONFIRMA O CHAMADO

Como é que se sabe que é um bom pregador? Nunca é a pessoa que confirma, são sempre os outros. Na realidade não é você que diz que tem o ministério de pregação. Quem diz é a comu-nidade, quem diz é o grupo. Se você acha que tem e raramente é chamado a pregar, das três uma: Ou você ainda é muito novo e ninguém conhece o seu ministério, é natural que ninguém lhe chame; ou lhe chamaram algumas vezes e não deu muito fruto e lhe esqueceram de propó-sito; ou você não tem chamado. No meu caso perguntam como foi que começou comigo? Eu era de um grupo de oração, e o pastor do grupo de oração, um pregador chamado José, um homem cheio de Deus, conduzido pelo Espírito, muito carismático, chegou para mim de surpresa e disse: você vai pregar no retiro do grupo primeira experiência de oração. Deus colocou no coração dele, porque eu jamais iria ter a ousadia de pedir para pregar no retiro do grupo. Claro que naquela noite eu não dormi. Preparei duas páginas repletas, porque quando estamos começando a pregar é natural a insegurança. Achamos que fica mais seguro quando copiamos. E copiamos até as vírgulas. É até importante que precisemos de um papel, você nunca vai deixar de usá-lo, mas à medida que você vai crescendo no ministério, ele diminui de tamanho. Quanto mais inseguro você for maior é o tamanho do papel. A não ser que você não tenha ministério de pregação, mas seja ministro de ensino. Vamos estudar mais adiante a diferença entre ministro de ensino e pregador, não é a mesma coisa. O ministro de ensino não dá para ser pregador, mas o pregador dá para ser ministro de ensino. Isso não significa melhor ou pior, não estamos falando nesse sentido. São os dons de cada pessoa. O ministro de ensino precisa ter um papel, ele gosta de usar quadro, de pregar para um grupo pequeno de pessoas, tem segurança num conteúdo muito mais catequético, fala baixo, se sente mais seguro numa sala com pouca gente, tem um certo pânico de microfone, tem horror a multidão. Já o pregador gosta de multidão, se identifica com o querígma, com o anúncio do evangelho de Jesus Cristo.

Ao pregador, muitas vezes, Deus dá instrumentos humanos que facilitam, como facilidade verbal, capacidade de síntese, gosto pela leitura, consegue compreender e não só compreender o que ler como também, o que é o mais importante, passar o que aprendeu. Tem gente que é cheio de conhecimento, mas não sabe passar para o outro. Fala numa linguagem tão complicada que o outro não compreende, não adianta. Você pode saber muito, mas se não souber passar, acabou-se. É preferível saber pouco e passar bem do que saber muito e não conseguir passar. Porque aí não fica nada. Como é que eu sei que passo bem? É quando do maior ao menor, do mais inte-lectual ao mais simples entende o que eu estou pregando. Essa história de pregar bonito não funciona. O que toca é o poder de Deus, não são palavras bonitas. Aquela pregação muito erudi-ta, com palavras difíceis não fica. Alimenta a cabeça, mas não alimenta o coração, não adianta. Quando vem na unção de Deus, toca.

Você ainda prepara o que você vai pregar? Claro que eu preparo. Continuo rezando. Quando é assunto que eu não domino, eu tenho que estudar, tenho que pesquisar, mesmo que eu já tenha pregado, tenho que revisar o assunto. Para que? Para eu poder pregar de novo aquele assunto e ainda por cima sempre tem novidades. Deus nunca inspira o mesmo conteúdo, sempre tem novidades. Já o ministro de ensino também usa a voz, mas é diferente do pregador. Há muitos pregadores que com o tempo descobrem que não são pregadores, mas são ministros de ensino. É uma questão de chamado. Eu acredito que com o tempo de curso a gente vai aprender a diferenciar uma coisa da outra. Quem vai dizer se você é pregador ou ministro de ensino não é você, é o seu vizinho. Na realidade quem confirma o nosso ministério é quem convive conosco, é quem nos ouve. Porque é Deus quem vai defender a sua causa, eu preparei duas folhas cheias, preguei, o grupo gostou, todo mundo gostou. Deu fruto. Desde então, sou convidado a pregar em todos os lugares, mas a graça é do Senhor.

Quando Deus chama alguém para um ministério, Deus mesmo vai abrir as portas da providência para que aquele ministério aconteça na vida da pessoa. Você não precisa forçar a barra. Às vezes, a gente quer forçar a barra e nada acontece. Porque é vã toda obra que não comece no céu. Toda obra para ser divina tem que começar no céu. Seu ministério de pregação para dar frutos se não começar no céu, começar só na terra não vai dar frutos. Tem que começar lá em cima. E como a gente julga isso? Pelos frutos.

SINAIS DO DOM DA PREGAÇÃO NA NOSSA VIDA

Uma pessoa me perguntou: “Como é que eu sei que Deus me chama a ter o ministério?” Eu vou falar de maneira assim sistemática. Primeira coisa: Deus coloca no meu coração o desejo de pregar, a vontade de pregar. Segundo sinal: Deus abre as portas para que eu comece a pregar. As circunstâncias começam a acontecer para que eu comece a pregar. Terceiro sinal: a comuni-dade, quando eu falo comunidade me refiro ao grupo de oração, onde eu estiver, confirma que eu, de fato, sou chamado a pregar, pelos frutos.

A comunidade confirma, os irmãos gostam, pedem para vir de novo. Quando eu falo que gostam não é no sentido da gente dizer só o que o povo quer ouvir. Um bom pregador diz às vezes a coisa mais dura do mundo, a pessoa ouve, deu um tapa na pessoa, mas por causa da unção ela nem sente que levou um tapa. A pessoa leva uma surra de palavras, mas fica agradecida. Ela ouviu a verdade. Eu já ouvi pregação, eu assistindo, não pregando, que Deus descascou a minha alma. Eu apanhei, levei uma surra da pregação. Mas eu saí agradecido, porque eu percebi que embora doendo, Deus estava me orientando, me corrigindo. A unção tem isso. A pregação mês-mo quando é dura, machuca, mas não fere. Ela não fere porque vem a unção.

Outro sinal de que eu tenho o ministério de pregação é que vão crescendo as oportunidades de pregar. Ela surge por alguém que me convida para fazer um curso de pregação. Ela surge porque no meu trabalho me jogam para dar uma mensagem de Natal ou de Páscoa. Às vezes você nem quer e a pessoa chama. É uma coisa que vai crescendo. Um outro sinal é que você sente um desejo de ir crescendo no ministério de pregação, ou seja, você começa a ler sobre o assunto, começa a desejar não apenas ter atos de pregação, mas entrar no ministério mesmo. Tem vontade de aprender a pregar, acha lindo quem prega e gostaria de aprender. Tudo isso são sinais. Também outro sinal: o fruto na sua vida. Faz bem para você. Não no sentido de orgulho, de ser melhor do que os outros, mas você cresce espiritualmente, você sai melhor depois que prega, você sai mais santo, sai com mais vontade de mudar de vida. Você vai vendo que não pode continuar sendo tão incoerente, porque você prega, tem que ter coerência. Não dá para você viver uma vida e pregar outra coisa. Tem que ter uma coerência mínima. Não dá para você continuar pregando com a vida errada. Isso vai levar você a mudar de vida, se converter. Claro, ninguém fica nunca cem por cento coerente. Nenhum pregador, nenhum cristão, é cem por cento coerente. Todo mundo tem suas limitações, quem prega também. Mas quem prega, porque aparece muito, tem que estar mais atento do que quem não aparece, por causa do perigo de escândalo, porque é um ministério muito público, muito visível.
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