Dom da Fé creio em deus dador da vida



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Dom da Fé

CREIO EM DEUS DADOR DA VIDA

O símbolo da fé chamado “dos Apóstolos” ao narrar a história de Deus amor termina na referência ao Espírito Santo, sem nos dizer nada dele. Jesus e a palavra de Deus falam-nos muito dele. O apóstolo Paulo, por exemplo, diz-nos que é o Espírito de Deus quem nos revela “as coisas que são de Deus” e nos dá a sabedoria divina. Ele é quem nos dá a vida divina e nos leva a conhecer “os dons da graça de Deus” (cf 1 Cor 2, 6-12). De alguns desses dons nos fala o credo em seguida, de modo muito telegráfico.



Creio... na santa Igreja católica. A comunidade dos cristãos é dada a todos os batizados como uma verdadeira mãe e uma família espiritual. Ela é constituída por todos os verdadeiros fiéis de Cristo unidos pelo seu amor. Cristo nos seus discípulos e estes no seu Senhor formando um corpo vivo, isto é a Igreja. E o Espírito Santo é a sua alma, Aquele que a une, dinamiza e conduz mediante os inúmeros dons que nela distribui a todos os fiéis, quando e como lhe apraz. Ninguém pode verdadeiramente ser cristão sem estar em comunhão com a Igreja e sem a amar, pois “amar Cristo e a Igreja: trata-se da mesma coisa” (R. Schutz). A Igreja é no mundo sinal e instrumento da presença de Deus na humanidade. Nos fiéis cristãos e na comunidade que eles formam há santidade e pecado, grandeza e baixeza, virtudes e defeitos, pois nela se misturam a graça e a ação divina com os talentos e as fraquezas humanas. Mas ela não deixa de de ser amada e habitada por Deus, precisando sempre de se purificar e renovar, para corresponder à sua missão no tempo.

Creio... na comunhão dos santos. A expressão indica tudo aquilo em que os cristãos partilham, as coisas santas que Deus dispõe para que os seus filhos recebam as graças divinas, como a Palavra e os Sacramentos. Mas também os dons e bens espirituais que doam uns aos outros. E ainda a doação mútua no amor realizando uma verdadeira comunhão de pessoas. Assim os cristãos se edificam espiritualmente uns aos outros. A Igreja é, na verdade, mais do que a realidade visível, ela abraça os vivos e os mortos. Uns e outros podem ajudar-se e estão em comunhão espiritual. Entre todos os membros do corpo eclesial de Cristo há “um intercâmbio e uma circulação se sangue que não têm fim” (Von Balthasar). Santos, num sentido amplo, são todos os fiéis cristãos que confiam em Cristo, lhe pertencem pelo batismo e vivem unidos a Ele, quer caminhem na terra quer já tenham morrido. Já não vivem para si próprios mas para Cristo e, por Ele, para os irmãos mediante o amor.

Creio... na remissão dos pecados. Há em todo o homem capacidade para o bem e para o mal, força e fraqueza, virtude e defeito, talento para amar e energia para odiar e ferir o seu próximo. Por isso, facilmente ele se torna culpado face a Deus e em relação ao seu próximo. Ora, pela sua misericórdia e bondade, Deus oferece ao homem o perdão dos seus pecados, o apagamento de todas as suas culpas. Só Deus o pode fazer. Realiza-o através de Cristo. O Pai e o Filho infundindo o dom do Espírito de santidade no coração gelado do pecador, diz Von Balthasar, pode ele começar “a fundir e o amor nele começar a brotar”. Então é possível ao pecador arrepender-se e deixar atuar nele a graça divina que o purifica e o renova. Há sempre uma esperança para o homem pecador. A misericórdia e o perdão de Deus são maiores e mais poderosos que o pecado. É sempre possível deixar-se transformar pela graça divina e entrar com Cristo no paraíso divino.

Creio... na ressurreição da carne. A morte não é a ultima palavra sobre a vida do homem. Ele é destinado à vida. O próprio Cristo afirmou: “Eu sou a ressurreição e a vida... Quem crê em mim, ainda que tenha morrido viverá” (Jo 11,25). A fé cristã afirma a ressurreição do homem todo, também da sua carne, do seu corpo físico que será transformado em corpo espiritual. “Também para o corpo há espaço em Deus” (Bento XVI). O difícil para nós é compreender o como isso acontecerá. S. Paulo usou a metáfora da semente, dizendo que o corpo é semeado desprezível, mas ressuscita glorioso (cf 1 Cor 15, 43).

Creio... na vida eterna. “Eu não morro; entro na vida”, proclamava S. Teresa de Lisieux, no final da sua vida terrena. Na verdade, o homem é criado para a vida e não para a morte. É esse o anseio que há no seu coração e tal é a promessa de Deus e a vocação que lhe oferece. A vida eterna é a que o próprio Deus vive e partilha com o homem ao revelar-se a ele e convidá-lo a viver em relação e comunhão consigo. Para o crente em Cristo, a vida eterna começa no batismo, atravessa a morte e não tem fim. É a vida no amor de Deus. Isto é o Céu. Não é fácil imaginá-lo, como afirma a Escritura: “O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, o coração do homem não pressentiu, isso Deus preparou para aqueles que o amam” (1 Cor 2,9). O inferno é o contrário: uma vida sem amor, sem esperança. “Quem não ama permanece na morte...” (cf 1 Jo 3, 14-15).

Assim termina o “credo” da fé cristã. Começa na profissão de Deus criador e conclui-se com a afirmação da vida sem fim em comunhão com Deus. Envolve quer a história do mundo quer a vida do homem e da humanidade inteira. Nada fica fora da luz e das promessas de Deus. A fé cristã é companhia perene, caminho e horizonte infinito para a nossa vida. Pela fé tornamo-nos com Cristo vencedores de todas as adversidades da vida.


Nota final: Com este artigo, despeço-me dos leitores de “O Mensageiro”, que, como é sabido, suspende a sua publicação para dar lugar a um novo jornal. Voltarei com uma outra série de escritos ao convívio daqueles que acolherem a nova publicação,
P. Jorge Guarda

Este artigo pode ser encontrado também no meu blog, no seguinte endereço: http://padrejorgeguarda.cancaonova.pt


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